Prêmio de Consolação.
3 Capitulo 3. Tarde demais?
Notas iniciais
''Luzes te guiaram de volta pra casa, e eu tentarei consertar você.''
Fix You — Coldplay.
Era a visão mais linda de todas. Hermione correndo em sua direção e o abraçando mais forte do que jamais fizera. Ele inspirou todo o ar que pairava até poder sentir o cheiro dela.
– Me perdoa?
Ele perguntava esperançoso. Ela não disse nada. Apenas sorriu e...
– RONALD!
Rony caiu da cama, xingou baixinho esfregando os olhos, e uma figura ruiva e agitada entrou no seu foco de visão.
– Que foi?
– A Hermione, ela chegou!
– Quê!? — Se levantou tão rápido que bateu a cabeça no teto da beliche. Harry, que voltara a dormir lá, se assustou mediante ao impacto. O moreno pulou da cama de cima, já indo em direção ao banheiro para se trocar. Rony ficou paralisado, sua mente parecia trabalhar mais devagar e soube que a vida lhe dera outra chance. Gina o chacoalhou autoritariamente, o empurrando para fora do quarto. — Hey! Vou me trocar, sai daqui, Gina.
Fechou a porta na cara da irmã, e se empenhou em vestir algo que mostrasse maturidade e seriedade. Bem, ainda não tinha isso no armário. Tomou um banho e então vestiu uma calça jeans e camiseta branca, com uma camisa de botões, xadrez, por cima. Felizmente, o tecido era leve, pois esses dias, mesmo de manhã, o clima esquentava mais e mais. Antes de sair, se olhou no espelho e percebeu que suas olheiras eram visíveis. Mesmo depois de sair do seu pequeno isolamento, não conseguia dormir e nem comer direito. Em parte, por ainda não se familiarizar com a falta de Fred e das pessoas que partiram, e em parte também, pela sua preocupação com Hermione.
Desceu as escadas rapidamente e como havia ninguém na sala nem na cozinha, se encaminhou direto para o jardim. Ao abrir a porta dos fundos, avistou um pouco longe, uma mesa com um café da manhã reforçado, e pôde ver Arthur, Gina, Gui, Fleur, Percy, Harry e os pais de Hermione sentados, conversando entre si, enquanto Molly servia todos de bom grado. Jorge já deveria ter saído para a loja e esse era, certamente, um típico café de boas vindas para o Sr e a Sra Granger. No entanto, nem sinal de Hermione. Cabisbaixo, retornou para a sala e parou de súbito quando seus olhos bateram em uma certa garota que descia as escadas.
Rony sentia seu coração martelando. Cada batida parecia pesar. Suas mãos começaram a soar e as palavras sumiram. Comprimiu os lábios e sentiu seus olhos divagarem sobre ela. Usava uma calça jeans gasta, uma blusa azul-turquesa com um colete preto por cima. Seus cabelos estavam preso em um coque, com duas mechas onduladas caindo em cada bochecha. E ele se perguntou mais uma vez, como ela conseguia continuar tão maravilhosa sem nenhuma maquiagem ou esforço. Dona de uma beleza meiga e encantadora, ele se encontrava hipnotizado, como sempre. Uma dúvida rondava sua cabeça incessantemente, como pôde demorar tanto tempo para perceber que era ela? Sempre fora ela. Nesse momento, ele tinha certeza que era a pessoa mais lerda que um dia teve o desprazer de conhecer.
Hermione por sua vez, parou no penúltimo degrau, quando viu o ruivo que povoava seus pensamento bem na sua frente. Seus pensamentos desordenados, sensações sem explicação, e o familiar incômodo no estômago, não a deixariam tão cedo. Ela sentia seus olhos percorrerem tudo nele. Não conseguia se mexer. Ela simplesmente esquecera que deveria terminar de descer as escadas e ir até o jardim, não conseguia fazer isso. Hermione não comandava mais suas próprias ações. Pode parecer clichê, mas ela realmente sentia as batidas descompassadas do seu coração. Mesmo sem estar perto dele, pôde perceber que ele estava abatido, gotas de água escorriam dos cabelos molhados dele e ela teve vontade de correr e abraçá-lo pois a falta era demais. Era contínua e incomodava muito.
Rony praticamente arrastou os pés até o meio da sala, ficando assim, de frente para Hermione. Sentiu sua boca seca mas sabia que precisava falar. Ela continuou parada no mesmo degrau, ficando um centímetro mais alta que ele e suspirou involuntariamente. Aquela maldita barreira invisível entre eles novamente! Como destruí-la?
– Hermione...-Começou o ruivo. — Precisamos conversar. Na verdade, eu preciso falar.
– A-acho que não precisa. — Ela cruzou os braços duramente. — Entendi o recado. Principalmente quando não abriu a porta aquela manhã, Ronald.
– Eu não sabia que era você e...
– Nas outras vezes, a minha voz saia bem audível. — Resmungou, mas sua voz emitia mais mágoa do que raiva propriamente dita. — Francamente, quanto mais você falar, mais irá se complicar.
– Mione, por favor, me escuta, eu sinto muito, muito mesmo. — Falou tão rápido, que só pode ter certeza que ela havia escutado, quando sua expressão se suavizou e seus braços firmemente cruzados afrouxaram. — Eu...eu sou um idiota. Completo tapado. Bom, não é novidade. É só que...hum...não sou bom em palavras você sabe, e se tratando de você, tudo piora.
– Ahhh entendi. Eu pioro a sua vida, isso mesmo?
– Não! — Exclamou desesperado. — Por Merlin, você entendeu não entendeu? Eu sinto muito por ter me isolado, sinto muito por ter te ignorado, sinto muito por ser desse jeito, sinto muito por fazer você infeliz. Não é de propósito, eu juro. Sai do quarto no dia que você foi embora, decidido a ir falar com você sobre tudo e acabei não falando porque era tarde demais.
A morena não disse nada. Sentiu seu estômago despencar ao ouvir tudo aquilo. Virou de costas subitamente, pois dolorosas lágrimas se formavam e ela não queria que ele a visse chorar. Não por ele. Segurou no corrimão da escada e encarou o chão.
– Você ia falar sobre tudo o que, Ronald? Perguntou baixo, porém, firme.
Ele, sem encarar aqueles olhos castanhos intensos, que lhe causavam tantas sensações desconhecidas, pareceu criar mais coragem.
– Eu nunca gostei de alguém como eu gosto de você, Mione. — Ele disse rouco, também com a voz baixa. O mundo girou e as pernas dela bambearam. Só podia estar ouvindo coisas. — Eu...só estava com medo. De você ter me beijado por pena. Ou por estar sob pressão, na guerra, ou sei lá. Não queria ser jogado fora. Não queria meu sentimento desperdiçado. E eu não sei lidar com a dor muito bem. Eu não queria que você me visse naquele estado, tão machucado por dentro, pela morte do Fred. Me perdoa.
Lágrimas já escorriam pelo rosto de Hermione e ela não podia conter a bagunça que se formada por dentro. Pôde jurar que um sorriso se formara em seus lábios mas logo se foi. Será que era algum tipo de brincadeira? Rony nunca diria uma coisa dessas! Ainda mais pra ela. Ela sonhou tanto com esse dia e agora parece mentira. Suas mãos tremiam e ela assentiu várias vezes ciente de que Rony podia ver o gesto.
– Ron...- Fungou. Fechou os olhos com tanta força, que chegou a doer. Sentiu ele se aproximar. — Por favor. Diz que isso tudo é verdade. Murmurou baixo, e ele só conseguiu ouvir, pois estava bem perto dela.
– É real. — Sussurrou. Ela sentiu os lábios dele encostarem em seu ouvido e abriu os olhos rapidamente com o contato repentino, enxergando pontinhos pretos na vista. — Sempre será tarde demais pra gente, Hermione?
Ela respirou fundo, puxando todo o ar que lhe era permitido, incluindo o cheiro inconfundível de Rony e se virou lentamente. Suas respirações se embolaram, e ele, em um coragem fora do comum, entrelaçou as mãos dela nas suas. Os olhos azuis dele fitavam com tamanha intensidade que lhe faltava o ar. Os olhos dela pareciam perfurar os dele como se estivessem interligados.
– O sentimento é mútuo Rony. — Uma lágrimas escorreu rapidamente quando piscou, o que estava evitando fazer, pois não queria perder nada daquele momento, muito menos detalhes do rosto do seu ruivo. — Eu só...queria que você pudesse me procurar quando precisasse, entende? Eu quero te ajudar, caramba. Você não deve se isolar de todos, principalmente de mim, quando tiver algum problema. Por favor.
Ele assentiu. — Eu fui um estúpido, eu sei.
– Me conta uma novidade. Ela riu baixinho e para ele aquilo era tudo.
– Então...você acredita em mim? Disse, com a cabeça erguida a fim de olhá-la melhor, por ela estar mais alta que ele devido a escada.
Ela encarou o chão e fechou os olhos novamente. Com mais força do que da última vez, se assim era possível. Vários pensamentos se empurravam, para saber qual ganharia a voz. Dessa vez, Hermione decidiu ignorar o cérebro que berrava em discordância com o que ela iria dizer.
– Pior que eu acredito. — O encarou, comprimindo os lábios em um leve sorriso torto. — Não consigo ficar brava com você por nada...
– Mesmo? Pois não parece. — Ele riu pelo nariz, seguido do riso contido dela. — Vem cá.
Rony colou suas testas, e a enlaçou pela cintura. Hermione deslizou sua testa até escondê-la no pescoço do ruivo, deixando as lágrimas escorrerem pela pele e camisa dele. Seus braços estavam imprensados entre o corpo dela e o corpo dele, como se ela acabasse de se esconder naquele abraço e ela se permitiu sorrir de verdade. A saudade era tanta, que podiam passar mil eternidades assim que não seria o suficiente.
– EU VOU CHORAR! — Os gritinhos agudos de Gina adentraram o local, seguido dos sons de palminhas frenéticas. — Quem tem a cunhada mais perfeita desse mundo? — Gina sorriu abertamente. — Você, é claro, Mione.
Hermione riu contra o pescoço de Rony e se afastou. Ambos vermelhos, mas claro, Rony sempre ganhou nesse quesito. Ele a abraçou pelos ombros, descansando seu braço direito ali e ela se encolheu um pouco envergonhada pela falta de costume.
– Gina, isso são modos? — Rony resmungou, porém, um sorriso insistia em brincar em seus lábios.
– Mamãe mandou procurar vocês, deveria me agradecer por ter vindo, porque seria o Sr. Granger a passar por essa porta aqui.
Era logicamente impossível, mas Rony ficara ainda mais vermelho e tenso.
– Bom, é melhor voltarmos. Hermione se manifestou e eles finalmente saíram do pequeno transe, e acompanharam Gina para fora. Rony, sentindo toda a sua coragem se extinguir, retirou os braços que estavam nos ombros da amiga-futura-alguma-coisa. Ela havia notado isso. E como.
Algo me diz que essa conversa ainda não acabou.
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