Power Rangers: Esquadrão Z
68 É Melhor Olhar para Cima (Parte 2)
Notas iniciais
A satisfação debochada de Lokknon deixava os Rangers arredios e um tanto retraídos frente a incerteza que a aliança forçada lhes causava.
— Eu realmente estou impressionado, a estrutura não é tão precária quanto imaginei. — disse o imperador esquadrinhando o ambiente.
— Talvez seja porque estamos numa base tecnológica de monitoramento em vez de um bunker genérico de segurança. — disse Karen o encarando séria.
— Dickerson, me tire uma dúvida: a sua assistente é humana ou um robô assim como seu ex-mordomo?
— A Karen é uma das amigas mais humanas que já tive, ser assistente é mais parte do que ela faz do que de quem ela é no geral. — disse Dickerson. — Não vamos falar do Theron, já aceitei que o perdi pra você e vou superar isso. Não temos tempo a perder.
— De fato, concordamos em algo. Passaremos um certo tempo juntos neste lugar.
— Qual é o seu jogo sujo por trás disso, Lokknon? — indagou Austin, áspero — Não adianta tentar esconder.
Lokknon cerrou os dentes para explicar:
— O asteroide... concentra toneladas de nitox, metal nativo do meu planeta-natal... A existência de nitox numa rocha como essa me fez descrer do perfil singular que Nemethea...
— Aí, dá pra fazer menos rodeio? A gente não quer escutar uma palestra. — disse Owen.
— Pois é, o relógio tá correndo e não temos que ficar ouvindo lenga-lenga e blá-blá-blá. — falara Flint.
— Está bem, suas pestes! O nitox nesse asteroide é radioativo a quem estiver usando a versão pura e reformada como a que compõe o meu traje. A aproximação do asteroide arriscou minha saúde física, me levando a recorrer a esse planeta medíocre como saída de emergência.
— O planeta medíocre cuja atmosfera está salvando a sua vida agora. — rebateu Damian.
— Você devia ser grato por essa grande vantagem nesse momento. — afirmou Zoe com certa rigidez.
— Então quer dizer que esse asteroide é tipo uma kryptonita pra você, né? — falara Tim. — Pessoal, a gente ganhou na loteria. Imaginem usarmos isso pra derrotar esse miserável de uma vez por todas.
Austin interveio:
— Tim, querendo ou não, a hora agora é de união com o Lokknon. Temos que pensar na vantagem que essa parceria traz pra destruir esse asteroide.
— Eu não esperaria menos de vocês, pirralhos insolentes. — provocou Lokknon.
— Não esperaria o quê? — indagou Austin, duro no tom.
— Que usassem o nitox corrompido para futuramente transformarem numa arma mortal contra mim. Será que as tropas da Intercorp já não se comprometeram em extrai-lo da rocha?
— Insinua que no final da missão vamos trair você com uma super-arma feita de nitox pegando você na guarda baixa? Faça-me o favor... — desaprovou Dickerson — Ninguém da Intercorp saberia que a radiação desse nitox é venenosa a quem possui a forma pura a menos que você dissesse. Além disso, eu não criaria uma arma com esse metal em tempo recorde.
— Nós aceitamos a parceria de bom grado, mas não vamos tolerar acusações infundadas. — disse Karen — Acredite no que quiser.
— Não temos nada a provar, muito menos a você. — disse Austin sem medo.
— Até porque se fôssemos nós enfraquecidos pelo asteroide, você que usaria esse metal pra nos destruir no fim das contas. — argumentou Jessie.
— Mesmo refém dos efeitos colaterais da radiação. — completou Damian.
— E você aí pensando que tem moral pra nos chamar de traíras. — reforçou Mason o olhando torto com desprezo.
Lokknon ficara silencioso por alguns segundos os fitando até resolver se pronunciar quanto a desconfiança.
— Ótimo, eu me rendo. Seria uma oportunidade tentadora pra mim, honestamente.
Karen verificou no monitor direito a contagem regressiva para o impacto do asteroide.
— Temos trinta minutos. Essa conversa já se alongou demais, precisamos nos apressar.
— Verdade, vamos parar de falatório e partir pra ação de verdade. — falara Flint aquecendo os braços — Como é que vai ser o plano?
— O Besta Alada é o único Megazord que pode chegar até o espaço sem problemas. — destacou Austin.
Lokknon novamente alfinetou:
— Se orgulha tanto da própria tecnologia e não implementou um sistema de resistência atmosférica para que as máquinas dos seus Rangers possam sair do planeta?! Estou constrangido por você, Dickerson.
— Os zords foram construídos aqui na Terra com uma fonte de energia extremamente duradoura e potente, sendo o único ponto negativo não permitir que eles cruzem o espaço sideral.
Karen levantou-se e o tocou no ombro.
— Não tem que dar explicações a ele. — o mentor deu um afago carinhoso na mão dela.
— Tá, mas e você? — indagou Tim para Lokknon de modo impetuoso — Vai ficar aí com a bunda colada nessa cadeira só assistindo?
— Minha nave detém um modo alternativo secreto. Ela pode assumir uma forma comparável aos seus Megazords. Digo, comparável apenas na anatomia, porque em se tratando de arsenal e proficiência... Hehe, a minha nave sem dúvidas está a anos-luz.
— Sua nave vira um robô gigante?! Olha, essa eu nunca imaginava. — disse Tim, surpreso.
— Originalmente, ela foi parte do exército imperial de Nemethea, usada pelos generais mais próximos do meu pai. A peguei durante minha fuga enquanto Wallace Dickerson e sua gangue de invasores devastavam tudo.
— Eu não vou discutir as suas lembranças amargas, Lokknon. — disse Dickerson — Até quando ficaremos nisso? Superei a perda do Theron e também a do meu pai. Devia fazer o mesmo.
— Devemos nos aprontar, a distância entre esse planeta e a aniquilação vai encurtando segundo após segundo. Minha nave cria um campo de força protetor contra radiações espaciais que pode ser compartilhado com pelo menos mais uma máquina. Mas essa função só é possível ativar durante o modo alternativo.
— Vai dar cobertura pra um Megazord com uma barreira dividida? Não sei, não, galera. — disse Owen, relutante.
— Se despreocupem, não vou me aproveitar de nenhuma brecha pra prejudicar seus zords.
— Uma brecha tipo um vírus de computador? A gente não cai na sua lábia, seu fanfarrão. — atacou Tim
— De todos os oito, você é o mais irritante! — rebateu Lokknon, enfurecido, apontando seu dedo indicador direito com faíscas de raio brilhando na ponta.
— Se quiser atacar o Tim, vai ter que passar por mim! — desafiou Damian tomando a frente do amigo.
— E por mim também! — falara Jessie.
— Por todos nós. — disse Austin em posição corajosa — Lokknon, se quiser nossa ajuda por um dia, vai ter que controlar essa sua autoridade de carrasco. Se temos que estar juntos nessa, então estamos na mesma medida.
— Goste você ou não, estamos sujeitos ao mesmo destino. — contrapôs Damian.
— Grr, eu simplesmente detesto quando meus oponentes são sensatos demais. Tudo bem, prometo ser um parceiro... agradável. — disse Lokknon sentindo certo nojo ao proferir a última palavra — Mas não abusem da minha postura.
— Nem você da nossa boa-fé. — disse Zoe — Nem por um segundo vamos baixar a guarda com você, apesar do asteroide nos distrair.
— Se a minha melhor amiga falou, então tá decretado. — disse Jessie abraçando Zoe de lado — Vamos calar a boca de quem duvida do nosso potencial pra salvar o mundo.
— Preciso um lugar para manejar a nave com este console. — disse Lokknon apresentando o aparelho com o qual controlaria a nave em modo robótico.
Karen cochichou nem próxima do mentor.
— Dickerson, nem pensar que ele chega perto dos computadores. Aqui ele não pode ficar.
— Já tenho uma ideia. — tranquilizou Dickerson que voltou-se a Lokknon — Na área do observatório, há um terminal de comando conectado ao computador que fornece visualização em todos os níveis da lente do telescópio. Posso ajustar o prompt pra alinhar a visão e o controle do console. O que você acha?
— Me parece confortável. Pensou mais rápido nessa solução do que imaginei, está progredindo.
— Chega de conversa, me dê o console, farei o link simbiótico no sistema do telescópio. — disse Dickerson andando até o imperador.
Lokknon entregara o aparelho, mas por um instante breve se recusou a soltar para falar a Dickerson:
— Não me deixe esperando. O tempo urge.
— Sou bem mais rápido do que você supõe.
Assim que Dickerson foi afastando-se, Lokknon saíra da sala em teleporte indo ao espaço do observatório aguardar a conexão.
— Pensei que ele não ia embora nunca. — comentou Flint.
— O ar ficou até mais leve. — disse Owen.
— Pois é, ele tem uma aura sinistra. — comentara Tim — Quando ele apontou aquele dedo pra mim, pensei que eu ia me ferrar bonito.
— A energia se estabilizou. — disse Damian vendo que a instalação elétrica retomou suas funções normais.
— É tanta maldade que nem a tecnologia aguenta. — falara Jessie.
— Beleza, pessoal, melhor nos prepararmos. — falou Austin no meio dos amigos — O Besta Alada ficará no centro da linha de defesa.
— O Gigante Cavernoso com o Gorila Esmeralda fica bem mais poderoso, né? Podia ser o segundo Megazord. — sugeriu Tim.
Owen rapidamente retrucou:
— Acorda, manezão. Eu já controlo o Besta Alada com o Austin e o Damian. Não posso estar em dois Megazords ao mesmo tempo.
— E as garotas ficariam de fora, é? — protestou Jessie.
— Mas não mesmo. — dissera Zoe ao lado da amiga.
— Acho que uma nova combinação com o Megazord Z está liberada. — disse Dickerson conferindo no monitor central — — Sim, está. — virou-se aos heróis — O zord Urso Pardo já pode se conectar junto ao Morcego Púrpura.
— O Leão Escarlate, o Touro Ônix e o Gorila Esmeralda ficarão em piloto automático. — assegurou Karen — Há uma extensão do tempo-limite caso tenham problemas, mas só posso fazer isso uma vez.
— O que estamos esperando? O asteroide cair nas nossas cabeças? — pressionou Tim, ansiosamente energizado.
— Claro que não! — dissera Austin com um sorriso confiante pegando de volta seu capacete que estava sobre a mesa de vidro — Tá na hora de testarmos a nova combinação do Megazord! — ergueu o capacete acima da cabeça — De volta a ação! — o recolocou.
Acima de um rochedo da pedreira Roosevelt, o trio de domadores lendários se alinhava com as mãos direitas erguidas e estendidas.
— Pássaro Ignnus! — chamou Austin,
— Pantera Basteh! — bradara Damian.
— Raposa Cryog! — bramiu Owen.
As pequenas esferas de fogo, terra e gelo surgiram sobre as mãos erguidas do trio, logo se expandindo os seus corpos dos poderes gerando as capas e os coletes. As três feras saíam de portais rumo a seus domadores que saltaram para os cockpits.
— Preparar para interligação! — disse Austin — Iggnus, conectar!
— Basteh, conectar! — dissera Damian no cockpit da pantera terrosa.
— Cryog, conectar! — falara Owen no cockpit enfeitado de fractais de gelo.
O trio de feras se conectava umas às outras, logo formando o Besta Alada Megazord que voou rumo ao espaço com as asas flamejantes do Pássaro Ignnus.
— É com vocês agora, amigos! — avisou Austin.
— Precisamos do poder Megazord agora! — disseram os outros cinco reunidos noutra parte da pedreira convocando os zords ao erguerem as mãos direitas.
As máquinas animais saíram dos hangares onde eram armazenadas, todas rumando até onde estavam seus pilotos. Primeiramente, Jessie, Tim e Zoe saltaram para adenttar nos cockpits de seus zords, seguidos de Flint e Mason.
— Chaves de Comando! — disse o trio do time principal, inserindo as chaves nas entradas — Ligado! — as giraram.
As chaves de Austin, Damian e Owen haviam sido previamente conectadas. Dickerson logo as ligou.
— O comando vocal da sequência Megazord foi transferido a você, Jessie. — salientou o mentor.
— Ótimo! Sequência Megazord, ativar! — bradou a Ranger Amarela.
Os Zords interligaram-se, formando o Megazord Z que pousou num ponto qualquer da pedreira. O Gorila Esmeralda viera rugindo bravamente. Dickerson executou a conexão Megazord remotamente, o zord se dividindo em partes que fixaram-se ao Megazord Z, gerando a forma x2.
— Flint, Mason, estão convidados a entrar! — falara Jessie — Ativar conexão Megazord!
— Finalmente vou saber como que é aí dentro. — disse Flint — Tem ar-condicionado?
— Aí, Jessie, desconvida esse folgado, não vai ajudar em nada. — brincara Mason.
Ambos os zords faziam suas conexões individuais: o Morcego Púrpura se fixando as costas do robô com algumas partes separando para acoplar nos braços e pernas, logo depois o Urso Pardo se desdobrando para formar um canhão que desceu ao ombro esquerdo do Megazord. A "pele" da cabeça do Urso Pardo separou-se como o novo elmo do Megazord Z.
— Megazord Z x3! — bradaram os cinco em uníssono.
— É isso aí, eu adorei! Vambora arrebentar a boca do balão com esse asteroide! — disse Flint, entusiasmado com sua adição — Tô pronto pra voar ao infinito e além!
— Mas antes de voarmos, não temos que esperar o Lokknon e a nave dele? — questionou Zoe.
— Falar isso deve ser estranho hein. — disse Tim.
— Sr. Dickerson, o que nos diz? — perguntou Jessie.
— Eu já ajustei o link do console com a visualização do telescópio. Mas vocês devem espera-lo trazer a nave já transformada até aí, vai ativar o modo alternativo remotamente.
— Tô com a suspeita de que ele já voltou pra nave, fez ela virar o robozão e nos deixou aqui plantados feito otários. — temia Tim.
— Podem ficar tranquilos. Temos visão monitorada da área central do observatório, ele está lá quietinho na sua poltrona reclinável.
Lokknon resolveu manifestar-se:
— Estou pensando em cortar a comunicação para não ter que ouvir piadinhas ridículas a meu respeito vindas de você e das suas crianças malcriadas, Dickerson.
— Vai ter que atura-los até o fim da missão, pois o sistema de rádio transmissor está sincronizado com a visão do telescópio fornecida pelo computador.
— Ah, já estou quase me arrependendo disso...
— Tarde demais pra se arrepender, Lokknon. — dissera Dickerson engrossando o tom — Depressa, acione o modo alternativo de sua nave e leve o Megazord Z junto ao espaço com a sua barreira compartilhada. Restam pouco menos de vinte minutos para o impacto.
— Mas, primeiro, devo notificar Barooma e os outros de que a nave entrará no protocolo colosso. — teclou alguns botões no painel onde o console estava conectado por um fio no plug-in.
Na nave nemetheana, Barooma se alarmou com a mensagem repassada por Lokknon e voltou-se aos demais que aguardavam apreensivos.
— O mestre enviou uma mensagem! Na verdade, um alerta seríssimo!
— O que ele pretende fazer? — indagou Mudok.
— Vamos, Barooma, não enrola! — pedia Aracna, nervosa.
— Meu momozinho está bem, não está? — perguntou Enckantess.
— Sim, ele diz estar muito bem acomodado na base dos Rangers! Mas a mensagem é a seguinte: dentro de alguns instantes, a nave entrará no protocolo Colosso! Presumo que vocês lembram o que isso significa!
Enckantess e Theron entreolharam-se, confusos.
— Nós não. — disseram em conjunto.
Mudok e Aracna cruzaram os olhares.
— Mas nós sim! — falaram em uníssono soando desesperados.
— Vamos aos recintos de emergência, eles foram criados exatamente para quando o protocolo fosse ativado!
— Esses recintos de emergência não são muito apertados, né? — perguntou Aracna indo juntamente com Mudok, Enckantess e Theron atrás de Barooma pelo corredor.
Lokknon tivera uma ideia um tanto quanto tardia para evitar que seus subalternos atrasassem ainda mais a ativação do modo colosso.
— Grr, Barooma levaria horas para encontrar todos os recintos de emergência!
— Lokknon, traga sua nave imediatamente! Restam quinze minutos até o impacto. — pedira Dickerson, sua tensão acelerando o coração — Por que essa demora?
— São meus subordinados, especialmente Barooma! Na minha nave existem abrigos pensados para manter os tripulantes em segurança durante o modo colosso. Mas isso é desnecessário quando eu mesmo posso teletransporta-los para a Terra.
O imperador apertara um botão no braço esquerdo seu trono. De repente, seus asseclas foram teleportados para a pedreira Roosevelt. Com exceção de um.
— Estamos na Terra?! — disse Mudok olhando em volta.
— O mestre decidiu nos tirar da nave em vez de esperar, isso sim foi muito sagaz! — disse Barooma.
— Tá, mas cadê a Aracna? — indagou Enckantess.
— Ela permaneceu no recinto de emergência devido a estrutura interna estar sob restrição do teleporte forçado do mestre!
— Hahaha, se eu tivesse canais lacrimais estaria chorando de gargalhar nesse momento. — disse Mudok satisfazendo-se com o revés da colega.
— E aquele é o Megazord dos Rangers! — apontou Theron com veemência.
O robô parecia bloquear a luz solar com seu tamanho absurdo.
— Olhem, são os paus-mandados do Lokknon! — apontara Tim.
— O que eles fazem aqui? — indagou Zoe.
— Foram remanejados até aí por conta da nave que será transformada. — informou Dickerson.
— Eu só não tô vendo a Aracna. — ressaltou Jessie.
— Quem se importa? Temos a chance de ouro pra esmagar esses idiotas como formigas. — idealizou Mason.
— Ei, não fiquem aí achando que vamos fazer sombra pra vocês o dia todo! — berrava Tim com as mãos perto da boca do capacete.
Flint tivera uma ideia proveitosa para brincar.
— Não podem nos ouvir, mas podem se borrar de medo quando eu fizer isso aqui.
O zord Urso Pardo na forma canhão foi direcionado a mirar nos subalternos de Lokknon.
— Opa, viramos alvos deles! — alertou Enckantess.
— Não teriam a audácia de atirar! Se têm tanta coragem, atirem, seus fedelhos! — disse Mudok, com empáfia.
O tiro engatilhado lentamente era um raio laser amarelo cuja fagulha foi avistada.
— Rápido, vamos embora daqui antes que atirem! — apressou Enckantess.
Os quatro saíram correndo, uma visão que divertia os heróis, sobretudo Flint que ria com escárnio.
— Flint, para com isso. — repreendeu Zoe — Não seria justo tirar vantagem pra derrota-los assim.
— Relaxem, só tava testando a arma nova do Urso Pardo pra fazer eles se mandarem. — justificou Flint — Hehe, funcionou.
O protocolo colosso enfim era ativado na nave de Lokknon que se desdobrava formando os braços e pernas do guerreiro vigoroso que se uniria. Já no espaço com o Besta Alada, o trio de domadores lendários testemunhava a transformação que vinha acompanhada de raios faiscando em torno da nave.
— Já não eram sem tempo! — disse Austin — A nave do Lokknon vai mesmo nos dar reforço!
O colosso nemetheano vinha descendo até o Megazord Z e planou no ar com os propulsores a jato. Lokknon ativara o escudo anti-radiação, uma membrana azul com certa transparência que envolveu o robô preto.
— Estendo a minha mão caridosamente a vocês, pobres mortais. — disse Lokknon, manejando o console similar à um volante automobilístico.
O robô dera a mão direita ao Megazord que a segurou, a membrana de energia se estendendo a ele.
— Deve ser a única caridade que ele fez na vida. — comentou Mason.
— Força nos controles, galera! — inspirou Jessie — Mason, vamos voar ao estilo morcego!
— Beleza! Morcego Púrpura, liberar asas! — bradou o Ranger Roxo.
Os dois robôs decolaram rumo ao asteroide, sob o escudo energético.
Ambos os robôs decolaram rumo ao espaço revestidos pelo escudo energético. O asteroide cruzava o cinturão de rochas espaciais dispersando inúmeras que se chocavam umas com as outras em um caos de gravidade zero.
— Boa, chegaram! — disse Austin.
— O time tá completo! — disse Owen.
— Enfim é hora de somarmos poder destrutivo em peso pra reduzir esse asteroide a detritos! — Damian preparou-se.
— Dá um pouquinho de medo ver esse grandalhão pedreira assim tão de perto. — comentou Tim.
— Espada Ignnus! — Austin invocara a versão gigante da espada que surgiu na mão direita do robô — Onda...
O colosso de Lokknon se colocou a direita do Besta Alada e disparou um denso e profundo raio laser púrpura do centro do peito.
— Lokknon... Ele nem esperou, íamos atacar primeiro! — disse Austin.
— Tá começando a se achar o capitão da missão.— falou Owen.
O raio de Lokknon penetrou fortemente na crosta enrugada do asteroide e seguiu contínuo.
— É a vez de vocês, Power Pirralhos! Não economizem energia me deixando gastar a maior parte da minha. — disse Lokknon, firme no controle.
— Galera, vocês atacam agora! — disse Austin.
— Canhão Urso, disparar! — bradou Flint, o zord disparando seu feixe laser amarelo.
Dickerson e Karen monitoravam o efeito nos mínimos detalhes:
— O raio da nave de Lokknon reduziu em mais da metade a velocidade média do asteroide. — analisou Karen.
— Por outro lado, o ataque do Urso Pardo não está sendo muito efetivo, embora enfraqueça a resistência. — falou Dickerson.
— Onda Explosiva! — bradou Austin, lançando um raio flamejante da espada.
Karen visualizava uma versão gráfica do asteroide para analisar os impactos internos.
— O raio da nave de Lokknon, está... criando uma espécie de túnel direcionado ao núcleo do asteroide.
Dickerson, sentindo uma ponta de suspeita como uma agulhada no cérebro, contatou Lokknon:
— Lokknon, o que está pensando em fazer? Pra quê irá servir esse túnel?
— Paciência, Dickerson, tudo a seu devido tempo. Eu e somente eu serei o destruidor definitivo dessa rocha. Os seus heróis coloridos não passam de ferramentas facilitadoras.
— Sem suspense, diga logo o que planeja fazer através desse túnel. Atingir o núcleo e causar uma explosão súbita?
— A ideia não consiste em destruí-lo a distância.
— Então... Você quer entrar no asteroide e destruí-lo de dentro pra fora. Mas... isso seria autodestruição certa pra você.
— Não se preocupe, usarei um dispositivo explosivo que guardo como um tesouro num compartimento ultrassecreto da nave.
— Não estou preocupado. Só faça com que essa bomba não provoque um desastre estendido. Vou avisar aos Rangers. — dissera Dickerson que logo mudara o canal de comunicação.
O laser avançava na profundidade em direção ao centro interno do asteroide conforme os demais ataques limitavam a velocidade da rocha.
— O quê? O Lokknon quer sozinho destruir o asteroide?! É loucura! — disse Austin.
— Sugiro que não façam nada pra impedi-lo, ele está bem ciente dos riscos de implantar essa bomba bem no núcleo.
— Bem que eu tava achando que ele iria querer ficar com a glória de salvar a Terra todinha pra ele! — disse Owen.
— Obviamente que ele não tá fazendo isso em prol da Terra. — contrariou Damian — Está fazendo pra se salvar do nitox corrompido.
As reações no Megazord Z x3 eram de puro espanto.
— Mesmo do nosso lado, ele ainda fica com essa arrogância em querer resolver tudo sozinho. — disse Mason.
— Por que não podemos impedir se é tão arriscado? — questionou Zoe.
— Amiga, acorda, se fizermos qualquer coisa contra esse plano maluco do Lokknon, ele desmancha o acordo. — alertou Jessie.
— Ah, deixa ele entrar mesmo, vai que a bomba explode enquanto ele ainda estiver lá. — disse Tim, fantasiando.
— Se liga, Tim: o Lokknon tá no observatório controlando a nave pelo painel. — relembrou Jessie.
— Ops, me esqueci. Ah, droga, seria tão melhor.
Enquanto isso, os asseclas de Lokknon subiram um morro que proporcionava uma vista privilegiada da Alameda dos Anjos.
— Contemplem essa vista panorâmica que é tão estimulante pra um ataque em massa. — disse Mudok.
— Mudok, nem pense em orquestrar uma invasão de Psycho-Bots sem uma ordem expressa do mestre! — repreendeu Barooma.
— Acha que sou um imbecil que não sabe as regras? — o androide, irritado, agarrou uma das orelhas pontudas do cientista com agressividade.
— Pare já com isso, Mudok! Normalmente é a Aracna quem me tortura dessa forma!
— Ai, por falar nela... Eu tô com peninha dela por ter ficado na nave. Será que ela está bem? — disse Enckantess.
— No seu lugar, eu não me preocuparia. — disse Mudok.
Theron recebeu uma mensagem pelo comunicador embutido no ouvido esquerdo.
— Theron, o que foi? — indagou Mudok — O mestre está fazendo contato?
O mordomo-ciborgue os encarou por uns segundos.
— Sim, era o mestre me informando algo terrível.
— Vamos, diga logo o que momozinho te contou! — pressionou Enckantess — É sobre o asteroide?
— Não, mas sobre ele mesmo.
— O que ele disse, afinal? — Barooma queria saber.
— Que... pretende adentrar no asteroide para explodi-lo e se sacrificar. A bomba só pode ser obtida manualmente. Ele se teleportará e ao mesmo tempo mandará Aracna para onde estamos.
Os três estremeceram ao ouvir a fatídica mensagem repassada.
— Não é possível... O mestre não largaria suas ambições para salvar esse planeta ordinário! — contrariou Mudok.
— Ele quer deixar o planeta limpo da contaminação do nitox para que Enckantess governe honrando sua memória. Ele está mais do que decidido.
— Meu momozinho... Vai se sacrificar por mim? — lamentava Enckantess, caindo de joelhos. — Mas e o nosso casamento e planos pro futuro como rei e rainha?
Lokknon, no observatório, assistia a tudo com prazer sádico:
— Hahahahah, eles caíram como esperado! Nada mais prazeroso que aliviar a pressão pregando uma bela peça.
Austin cerrou o punho direito e bateu sobre seu painel.
— Não, não vou deixar ele fazer isso.
— Austin, no que tá pensando? — perguntou Damian.
— O Sr. Dickerson nos mandou ficar na nossa, o Lokknon que se vire do jeito dele. — disse Owen.
— Mas eu preciso, tô com a sensação de que se ele fizer isso sozinho, o resultado pode não ser muito diferente do que o asteroide faria se atingisse a Terra. — disse o líder, contatando Dickerson. — Sr. Dickerson, fala pro Lokknon me dar a bomba que vou voando com o Ignnus pro núcleo do asteroide, mas vou precisar das instruções do senhor.
— Austin, por mais que seja possível...
— Eu insisto, por favor!
Karen declarara:
— Convencer um imperador galático arrogante e orgulhoso a ceder seu maior trunfo para um grande feito? Aí está uma missão mais difícil que destruir esse asteroide.
— Não tem conversa, ele tem que aceitar. — insistiu Austin, ferrenho.
Dickerson contatou o imperador:
— Lokknon, na escuta? Transfira seu plano para Austin, ele quer entrar com o Pássaro Ignnus no asteroide.
— A minha bomba fragmentará esse maldito asteroide em pedacinhos que mal irão encostar na atmosfera.
— O que me preocupa não é a bomba em si, mas o ponto correto do núcleo onde fixa-la.
— E o que garante que ele tenha mais chances de acerto do que eu? — questionou, aborrecido.
— Ele terá minha orientação. Já é suficiente para minimizar os danos.
— Depois eu que sou o arrogante...
— Lokknon, não temos mais tempo pra discussão. — afirmou Dickerson, engrossando o tom — Se eu pedir pros Rangers se retirarem, o asteroide voltará a velocidade natural e o seu raio laser sozinho não irá para-lo.
O imperador rangia os dentes em fúria contida.
— Grrr, já é odioso me submeter a essa aliança, agora isso... Muito bem, como desejar, Dickerson. O sucesso do plano dependerá inteiramente do Ranger Vermelho e não me culpe se ele falhar.
— Se isso falhar... culparei somente a mim. — o mentor tornara a contatar Austin — Austin, ele concordou. Avise aos outros antes de desfazer o Besta Alada.
— Galera, sou eu que vou entrar no asteroide, o Lokknon atendeu o pedido.
— O quê? Austin, você não tem que se arriscar tanto! — disse Jessie um tanto alarmada.
— Vai que ele detona a bomba com aquele troço enquanto você estiver lá, cara. — temia Tim.
— Confiem e fiquem tranquilos, vou sair da mesma forma que entrar com o Pássaro Ignnus.
O Besta Alada brilhara se desfazendo, as feras sagradas separando-se e tomando caminhos distintos. A ave flamejante rumava até a cratera feita pelo laser da nave de Lokknon.
— A toda velocidade, Ignnus! — disse Austin — Lokknon, será que pode teletranspotrar a bomba pra mim?
— Você não saberia manusear corretamente um artefato de tamanho poder explosivo, deve ser mantida fora do alcance de crianças.
— Você quer ser útil ou não? Estamos quase na entrada do asteroide, a única coisa importante que você fez até agora!
A declaração causara um sentimento amargo ao imperador. Ele acessou o sistema de sua nave e, num instante, um cilindro revestido de nitox puro surgiu nas mãos de Austin.
— Eu não preciso que me agradeça.
— Eu nem iria, você não fez mais que sua obrigação. Agora é comigo e meu parceiro aqui, vamos lá!
O Ignnus emitiu um som agudo e adentrou a cratera. A ave voou pelo túnel rochoso iluminado pelas chamas intensas das asas. Austin guiava-se pelo GPS do capacete.
— Faltando cinco quilômetros até o núcleo. — disse Karen.
— Rangers, cessar fogo. Voltem para a Terra e esperem Austin retornar. — ordenou Dickerson.
— Isso se ele retornar, claro. — disse Lokknon, torcendo pelo pior.
— Lokknon, pra esse plano dar totalmente certo, você deve orientar o Austin sobre o funcionamento da bomba. Depressa, o tempo tá se esgotando. — destacou Dickerson no auge da impaciência.
— Estamos agora a cinco minutos do impacto. — alertou Karen olhando tensa para a tela.
Pressionado por Dickerson e Karen, Lokknon finalmente aceitou.
— Grrr, ter que ajudar esse pirralho... — disse Lokknon. — Ouça as minhas instruções atentamente, Ranger Vermelho.
— Ah, agora finalmente resolveu me ensinar como se usa a bomba, né? Muita generosidade sua!
— Estou sendo mais forçado pelas circunstâncias do que pelo seu mentor, que isso fique bem claro. Ouviu bem, Dickerson?
— Acho que até as paredes ouviram. — retrucou Dickerson. — Anda logo com isso, restam três minutos.
Austin e o Ignnus enfim chegavam ao núcleo de nitox corrompido. O líder jogou a bomba já ativada na contagem regressiva, o artefato caindo no topo da esfera.
— Aqui é como se fosse o coração do asteroide. Ele vai sofrer um baita ataque cardíaco. OK, Ignnus, vamos dar o fora daqui, bem mais rápido.
— A bomba explodirá dentro de quarenta segundos. O Pássaro Ignnus levou cerca de três minutos para voar até o núcleo... Ele não voa em menos tempo que isso pela força gravitacional dentro do asteroide. — disse Lokknon com sorriso cínico.
— Droga... Austin, temos um grave problema. — disse Dickerson.
— Eu sei, tô tentando fugir de uma explosão que vai salvar a Terra!
— A explosão do asteroide pode e irá salvar a Terra, mas talvez não a vocês dois.
— Vinte segundos. — disse Lokknon.
— Austin, terá que sacrificar o Ignnus na explosão, eu sinto muito. — disse o mentor com um pesar tocando fundo
— Não, não pode acabar assim! Entramos juntos, sairemos juntos! Vamos conseguir! Iggnus, velocidade máxima, vai!
— Austin, restam só dez segundos pra explosão! Você pode se teleportar daí para a Terra. — avisou Karen, aflita.
— Mas que droga... Amigão, me perdoa. Sim, eu sei que você me entende. Foi pouco tempo que passamos juntos, mas foi inesquecível. Adeus! — por trás do capacete, lágrimas brotavam.
A contagem caiu para um segundo no instante em que Austin apertou o morfador para se teleportar. A explosão atingiu o Ignnus, que se desintegrou, transformando o asteroide em múltiplos detritos.
Cidadãos assistiam chocados ao espetáculo no céu, comemorando num misto paradoxal de alívio e incredulidade.
— Foram os Power Rangers, eles conseguiram! — disse um garoto.
Os demais Rangers no Megazord Z x3 celebravam o sucesso.
— O Austin com certeza se safou, a Terra tá salva! — disse Tim, eufórico.
Austin surgiu em teleporte perto dos subalternos de Lokknon.
— Ufa, essa foi por um triz. Ei, vocês aí, o que estão fazendo aqui?
— Aguardando por um milagre. — disse Theron.
— O mestre se sacrificou por nós e pelo seu planeta, Ranger Vermelho! — falou Barooma.
— Como assim? Eu que saí do asteroide depois de armar a bomba, o Lokknon ficou no observatório o tempo todo controlando a nave dele.
O espanto foi proporcional entre os quatro.
— Hehehe, que coisa, não? Momozinho nos fez ficar nervosos... por nada.
— Quanta esperteza da parte dele brincar com nossos sentimentos. — disse Mudok.
— Com os meus sentimentos! — reagiu Enckantess.
Damian e Owen correram até Austin.
— Austin, você e o Pássaro Ignnus foram incrivelmente corajosos! — disse o Ranger Preto.
— Mas cadê ele? Pensamos que você viria voando. — perguntou Owen.
— Infelizmente, eu tive que... deixar ele pra trás. — a voz do líder estava embargada.
— Ah não, Austin... — disse Owen em lamentação, tocando-o no ombro.
— Não restou tempo suficiente pra vocês saírem juntos. Austin, nós sentimos muito. — disse Damian, consolador.
— E agora? Você deixou de ser guardião? — questionou Owen, ávido por respostas.
— Que pena pra você, Ranger Vermelho, ter perdido sua fera lendária, sem ela jamais formarão aquele superpoderoso Megazord. — zombou Mudok.
— Pode tirar sarro à vontade, porque com ou sem feras lendárias, ainda somos capazes de muita coisa! — rebateu Austin.
O Megazord Z x3 aproximou-se com passos estremecedores, intimidando a gangue.
— Aí, rapazes, esse grupinho feioso tá incomodando vocês? — perguntou Jessie.
— Olha que damos um chute pra vocês irem parar na lua hein! — ameaçou Mason.
— Ou no sol que é pra torrarem de vez.— adicionou Flint.
— Afastem-se dos meus subordinados! — a voz de Lokknon ressoou da nave que voltava à forma veicular, apontando um canhão laser.
— Lokknon, você tá aí dentro ou ainda no observatório? — perguntou Austin.
— Já me encontro no meu devido espaço. — disse ele estando na sala central da nave — Afastem essa pilha de sucata dos meus asseclas e da minha noiva!
— OK, a parceria acabou, mas não pense que só por eu ter perdido o Pássaro Ignnus você saiu ganhando! — disse Austin.
— Como não saí ganhando se aniquilei o nitox corrompido, salvei esse planeta e ainda por cima me livrei de um dos seus zords? Mas ainda posso obter um bônus pra coroar esse dia, hahahah!
O imperador levantou-se do trono e fora ao painel de Barooma onde apertou o botão vermelho do laser regenerador. O raio verde caiu sobre os restos congelados de Meteogro que fora revivido e gigantizado.
Austin, Damian e Owen saltaram para o cockpit do Megazord Z x3.
— Eu já imaginava que ele traria esse ogro bombado de volta. Força nos controles!
O robô voltou-se ao monstro que manejava o machado pronto para desferir o primeiro golpe.
— Uma nova chance de esmagar vocês com o peso de um asteroide!
— Dupla-Lança Selvagem! — bradaram em uníssono, a arma logo surgindo.
As armas chocaram-se pesadamente, dando inicio ao duelo com o Megazord Z x3 que utilizava-se dos dois gumes da lança que era manejada feito um bastão na defensiva e na ofensiva. Meteogro golpeou por cima, o robô defendendo-se com o cabo da lança.
— Cuidado que agora vai esquentar! — avisou Meteogro, o machado logo superaquecendo em brasas e transmitindo o calor à lança que ameaçava derreter.
— Ele pensa que resistir a isso é ficar parado esperando o pior acontecer, vamos mostrar que não! — determinou Austin.
O robô empurrou o machado com o cabo da arma, afastando-a e evitando o derretimento.
— Protezord Salamandra, venha! — bradou Austin.
O anfíbio laranja viera saltando entre rochedos e se atraiu ao Megazord em sua transformação de tesoura, logo sendo segurado após a dupla-lança ser desativada.
Meteogro moveu sua arma a um contragolpe, porém a tesoura bloqueara ao prender o cabo do machado, não tardando corta-lo como se fosse de papel. A parte superior do machado caiu ao chão.
— O meu glorioso machado! Superado por uma simples tesoura! — lamentou Meteogro.
— Sem seu machado, você fica desprotegido pra um ataque decisivo! — disse Austin — De volta com a Dupla-Lança Selvagem! Mason, teremos que voar!
— É pra já, parceiro! — disse o Ranger Roxo.
A lança de dois gumes reaparecia, o Megazord logo avançando com as asas do Morcego Púrpura.
— Ataque giratório! — acionou Austin, a ponta escolhida da lança começando a girar veloz.
Meteogro segurou fortemente no cabo da arma ao ser empurrado atravessando e destruindo rochedos pelo caminho, a ponta giratória atritando com faíscas contra sua proteção de ferro no peitoral.
O Megazord inclinou a lança para baixo junto a Meteogro, causando um buraco no solo rochoso que foi avançando a vários metros de profundidade.
— Ser destruído embaixo da terra é um fim bem merecido pra quem causou tanto medo forçando as pessoas a olharem pra cima. — disse Zoe.
— Hehe, boa, Zoe! Acho que nesse nível está bom pra chamamos o Sabre Selvagem! — dissera Austin.
A espada surgiu na mão direita do robô. Meteogro seguia caindo com a força do laser do Urso Pardo, já estando no manto terrestre.
— A tolerância de temperatura do Megazord vai expirar em segundos, sejam rápidos. — avisou Karen.
— Lá vai o novo golpe final! — bradou o líder — Insígnia Feroz Octa!
O Megazord formou o círculo prateado da insígnia com os emblemas, desferindo um corte diagonal fatal em Meteogro. O monstro explodiu na divisão com o núcleo terrestre, e o Megazord alçou voo de retorno, pousando firme na superfície com a explosão irrompendo do solo. Os heróis comemoraram efusivos.
— Ei, o que é aquilo ali? Tá caindo rápido hein! — apontou Tim.
— Será um pedaço do asteroide? — especulou Jessie.
— Impossível, a explosão da bomba do Lokknon praticamente o desintegrou. — elucidou Damian.
— Pessoal, eu sinto que... aquilo está me chamando, é difícil explicar. — disse Austin sentindo-se atraído pelo corpo celeste misterioso envolto de luz vermelha e alaranjada.
O líder saltou do Megazord. O meteorito caíra com certo impacto, levantando poeira. Correu até o objeto suspeito, dissipando a poeira com uma mão. Na pequena cratera via-se uma espécie de ovo vermelho com detalhes sofisticados em dourado e laranja.
— Nossa, mas isso é...
Os demais vieram atrás, aproximando-se.
— Caraca, um meteoro que mais parece uma joia caríssima, apesar de parecer também um ovo. — comentou Tim.
— É um ovo. — frisou Owen — Mas de onde será que ele saiu?
— Uma galinha alienígena que passou voando e deixou cair? — brincou Flint.
Austin pegara o ovo que estava quente.
— Amigos, eu tô achando que... esse ovo tem algo muito familiar.
De repente, a figura de Kaoa apareceu atrás do líder num aspecto etéreo e místico envolta de uma aura.
— Austin, preciso te contar algo muito importante.
— Kaoa?! — disse ele, surpreso, ao virar-se — Mas como é que você...
— Sou uma Menehune descendente dos antigos xamãs que veneravam as feras lendárias, esqueceu? Minha conexão com o Pássaro Ignnus acendeu um alerta depois que ele morreu e vim te dizer que ele apenas regrediu para reencarnar.
— Reencarnar... Então ele vai renascer, certo?
— De certa maneira, sim. Mas como o corpo físico do Ignnus foi obliterado, é necessário que haja um novo para que ele possa reassumir a forma antiga.
— Quer dizer que ele não pode reviver com o corpo original, né? Eu não sei como, sabe, ter que encontrar um corpo ideal.
— Tenho certeza que encontrará, a essência espiritual de uma fera lendária se adapta a qualquer corpo que possa interagir com o mundo físico, mas um corpo que se pareça com seu original, pode ser mesmo uma máquina, como os zords que vocês, Power Rangers, usam.
— Ótimo, o Sr. Dickerson pode construir um zord que seja parecido com o que o Ignnus foi antes. Kaoa, obrigado mesmo por avisar, foi bom te rever.
— Te digo o mesmo. — disse ela, projeção astral enfraquecendo — Preciso ir, ainda não domino bem essa técnica. Devem criar um novo corpo para o Ignnus antes que o ovo choque e... — Kaoa desapareceu.
A projeção desapareceu. Austin fitou o ovo com curiosidade
— Antes que o quê? Ah, ela tinha que sumir bem antes do final! — se atordoou Tim — Mas tenho que admitir: ela é tão gatinha em pessoa quanto em espírito.
— Acho que minhas próximas férias vão ser no Havaí. — disse Mason esfregando as mãos.
— Como domador lendário também, faço questão de dar uma ajudinha. — falara Damian.
— Você não sofreu essa perda sozinho, cara.— disse Owen o abraçando de lado — Mas tudo vai se ajeitar, com certeza.
— Só que a Kaoa não teve tempo de contar o que pode acontecer se o Ignnus renascer sem um novo corpo pronto. — salientou Zoe.
— Talvez ele fique disperso e vagando entre os planos físico e espiritual. — esclareceu Damian.
— Você será bem cuidado, amigão. Aquele adeus que eu disse foi só um "até logo". — disse Austin, segurando o ovo.
Enquanto isso, a tranquilidade de Lokknon intrigava seus subalternos.
— Mestre, por que está tão relaxado diante dessa ovação repugnante aos Power Pirralhos? — perguntou Mudok.
— Mudok, meu caro general, eu solucionei um problema que me afetaria terrivelmente. Isso por si só é uma conquista inestimável. — disse Lokknon tomando de seu licor na taça
Aracna reapareceu cambaleando e tonta após o protocolo Colosso.
— Ei, fica longe das minhas revistas! — disse Aracna partindo para cima de Enckantess que estava na grande almofada uma das revistas.
— Achado não é roubado! Não é só você quem pode ler, também tenho direito! — falava a bruxinha.
A briguinha acabou por rasgar a revista, o que elevou ainda mais a ira de Aracna.
— Olha o que você fez! Agora vai ser só!
Ambas corriam pela sala feito crianças bagunceiras.
— Sonimenus! — disse Enckantess lançando um feitiço com pontinhos brilhantes das mãos que voaram ao rosto de Aracna que caiu em sono instantâneo — E-eu consegui... Dominei um feitiço novo! Fiz a Aracna dormir, momozinho! — Enckantess correu para o colo de Lokknon.
Na Central de Comando, os Rangers, já desmorfados, se inteiravam da situação do ovo do Pássaro Ignnus. Dickerson retornava a sala de controle.
— Bem, tudo certo com o ovo do Ignnus. Improvisei o energizador como uma incubadora pra que ele se mantenha em crescimento estável.
— Boa, Sr. Dickerson, agora só resta cuidar do novo corpo pra que ele renasça mais forte do que antes. — falara Austin.
— Fique tranquilo, Austin, dentro de poucos dias vou projetar a nova forma do Ignnus.
— E um aviso: o comandante Leozor vai condecora-los amanhã por salvarem a Terra do asteroide. Parabéns. — disse Karen.
— Uhu, somos os melhores da galáxia. — disse Owen.
— Do universo, isso sim, haha. — corrigiu Flint.
— Tô muito orgulhoso do que a gente fez hoje, demais mesmo. — confessou Austin.
— Até pelo Lokknon? — indagou Tim levantando uma sobrancelha.
Austin fizera expressão de dúvida estando pensativo, comprimindo a boca.
— Não, só da gente mesmo. Ele só quebrou um galho.
— Mas forneceu o item essencial pra eliminar o asteroide. — contrariou Damian.
— Porque o dele tava na reta, só isso.
— E deve estar na nave dele comemorando como se ele tivesse feito tudo sozinho. — disse Jessie — Coisa de panaca arrogante como ele é.
De repente, um som de bipe contínuo veio do bolso de Damian. Era um pequeno comunicador em formato de uma conhecida figura.
— Damian, que troço é esse apitando? — questionou Tim.
— Ah, é o comunicador que fiz pra manter contato com o Nekovax.
O aparelho bipava simultâneo aos olhos azuis do "mini Nekovax" piscando. Ao atender a chamada, a pequena projeção holográfica de Nekovax apareceu, mas estava instável.
— Damian... Rangers... Eu tô em altos apuros por aqui!
— Apuros? Qual é o problema? — indagou Austin.
— É a minha companheira...
— Ah, que beleza, você realizou seu projeto de construir uma parceira, meus parabéns. — felicitou Damian.
— Não... Ela que é o problema... Essa não, lá vem eles de novo...
O holograma parou.
— Ih, travou. — falou Mason.
— Vai ver o dele tá com defeito. — conjecturou Tim.
— A transmissão foi abortada. — disse Damian.
— E com instabilidade, o que não é normal levando em conta a tecnologia de KO-35. — falou Dickerson.
— É, temos a nossa próxima grande missão encaminhada. — afirmou Austin, sério.
A figura holográfica de Nekovax permaneceu estática sob o olhar apreensivo de seu criador enchido de dúvidas quanto ao que poderia estar acontecendo de tão grave na cidadela da nação das máquinas em KO-35.
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