Power Rangers: Esquadrão Z

69 No Reino da Gata (Parte 1)


Na noite seguinte ao dia de glória em que o planeta inteiro foi salvo de uma catástrofe de potencial exterminador, os Rangers perseguiam Psycho-Bots que rumavam por uma estrada com suas Psycho-Bikes até a usina de força de Angel Grove. O sexteto acelerou nas Beasts Cycles disparando lasers para abater os soldados robóticos.

— Que tal partir pro Modo Míssil Turbo pra cruzarmos a linha de chegada primeiro? — sugeriu Tim.

— Seria uma ideia ótima se a linha de chegada não fosse a entrada da usina! — retrucou Austin, disparando lasers e acertando dois robôs que caíram salpicando faíscas.

— Mas olhem ali na frente! — apontou Owen. — Tem um veículo estacionado!

— Deve ser do Mudok! — disse Zoe.

— Droga, ele chegou primeiro! — falou Jessie.

— Mas como ele atravessou a cerca com esse tanque sem destruir nadinha? — questionou Tim.

— Provavelmente esse veículo possui um modo de voo propulsor. — suspeitou Damian.

— Rangers, a toda velocidade! — mandou Austin.

As Beast Cycles aceleraram no limite, rasgando o asfalto como borrões super-velozes. Os Psycho-Bots remanescentes atiraram contra a cerca elétrica que danificou-se explodindo faíscas, derrubando os portões e invadindo o terreno da usina. Após avançarem a uma determinada distância, viraram as Psycho-Bikes na direção dos Rangers, logo disparando lasers potentes que explodiram em fogo e faíscas em volta dos heróis.

Os seis Rangers frearam de lado com ruído alto dos pneus, descendo em seguida.

— Sobraram poucos deles, vai ser moleza passar! — disse Austin. — Rangers, atacar!

As duas frentes opostas avançaram dando início ao confronto.

Karen contatava para um aviso urgente:

— Rangers, há assinaturas de calor dentro do veículo de Mudok. Precisam conferir, depressa.

— OK! Jessie, Zoe, vão até o carro blindado do Mudok, parece que tem trabalhadores da usina presos lá dentro! — ordenou Austin que dera uma rasteira ágil num Psycho-Bot vindo ataca-lo, depois girando para desferir um chute noutro vindo a direita.

— Certo! — disseram ambas que foram correndo e dando cambalhotas, desviando de tiros.

Damian chutara um robô contra um carro, logo sacando sua pistola Z e atirando quase a queima-roupa em outro vindo ao ataque, explodindo faíscas no peito dele. Porém, vieram mais dois num ataque covarde, agarrando-o pelos braços.

Outro soldado veio de frente num giro seguido de um forte chute no peito de Damian que o fez cair meio longe rolando no chão. Tim veio rápido ao socorro do amigo ajudando-o a levantar.

— Damian, cara, o que tá havendo contigo hoje? Parece meio... Sei lá, desligado.

— É o Nekovax. — confessou o Ranger Preto, apreensivo. — Aquela mensagem de ontem não sai da minha cabeça.

— Segura a onda, amigão. O Nekovax vai sobreviver não importa o que esteja rolando lá na cidade das máquinas. Lembre-se que foi você quem o construiu.

— Mas o Mudok também...

— Que se dane o Mudok, você merece levar o crédito maior! O Nekovax é capaz de sair dessa com ou sem a gente.

O Psycho-Bot que atacara Damian avançou ameaçando atirar com sua arma embutida no pulso, mas a dupla uniu-se para um simultâneo disparo de lasers das pistolas, acertando o robô que caiu explodindo em fumaça e faíscas.

— Boa! — disseram eles, comemorando.

Jessie e Zoe usaram suas armas para quebrar a tranca do compartimento de carga do veículo de Mudok, encontrando funcionários, amordaçados com fitas adesivas e presos com algemas de nitox. As duas rapidamente os tiraram dali.

— Muito obrigado, Power Rangers. — agradeceu um deles. — Só vocês mesmos pra nos tirarem dessa enrascada.

— Ele tá lá dentro com o nosso chefe, ameaçando machuca-lo se não der o que ele quer. — avisou outro.

— Tá legal, já vamos impedi-lo pra que ele saia de mãos vazias. — disse Zoe. — Agora fujam, rápido.

Os cinco operários fugiram sem olhar para trás. Contudo, Aracna surgiu por teleporte acima do veículo e disparou um fluido de teias, capturando-os e fazendo-os cair.

— O mestre anseia por escravos e hoje não será mais um dia em que ele acaba sem umzinho sequer!

— Aracna! — disse Jessie. — Deixa eles irem, agora!

— Tá me obrigando a libera-los? Só uma pena pra você porque palavras não me convencem.

— Então desce daí pra gente te convencer com as nossas mãos! — desafiou a Ranger Amarela batendo de leve as garras umas nas outras.

— Mas antes... — disse Aracna, jogando no ar esferas metálicas que liberaram mais Psycho-Bots contra os garotos. — Ainda tá muito cedo pra festa acabar. Iaaaaa! — saltou para o confronto com as garotas.

Na cinzenta sala de armazenamento da fonte de energia, Mudok agarrava o pescoço do operário-chefe, o pondo literalmente contra a parede exigindo saber há quanto tempo usavam a fonte.

— Pro seu próprio bem, seja mais específico.

— Exatos... sete meses. Sete meses atrás! Por favor, me deixe ir! — disse o homem.

— Sim, isso corresponde perfeitamente. Vocês coletaram os fragmentos da matriz que se regenerou completamente.

— Não sei bem do que está falando... Isso já não é da minha alçada. Somente... a alta chefia tem acesso aos registros de quando a fonte foi instalada, eu só controlo...

— Pouco me importa! — Mudok o largou ao chão — Sua utilidade agora vale menos que a de trocar uma lâmpada. Suma daqui, eu mesmo vou remover a matriz!

O operário-chefe levantava se aproximando.

— Ela teve uma instabilidade, se tentar qualquer coisa pra tirá-la a força...

Mudok o chutou impiedoso no peito, o derrubando meio longe.

— Não preciso de um inseto como você me dizendo o que fazer ou não fazer! — o androide virou-se e tentou puxar o cilindro à força.

Após partir um robô ao meio em um corte diagonal lda adaga Kong, Owen decidiu.

— Eu vou avançar! — O Ranger Verde correu para invadir.

— Ah, mas não vai, não! — disse Aracna fazendo menção de impedi-lo.

Aracna tentou impedi-lo, mas Jessie e Zoe deram cambalhotas para a esquerda e a barraram em posição de ataque.

— Nem pensar que você passa daqui! — falara Jessie.

— Nele você não encosta um fio da sua teia! — disse Zoe.

— Vai lá, Owen, estamos logo atrás de você! — disse Austin que derrubou um Psycho-Bot nun golpe agarrando o braço como no judô.

Owen saltou por uma janela, entrando o complexo. Mudok tentava remover a fonte que se envolvia em raios amarelos.

— Pare já com isso! Não percebe que ela está instável? — falou o operário-chefe. — Uma sobrecarga pode liberar um pulso de energia que não apenas vai apagar a cidade como também destruir toda a usina!

— Pode evitar essa tragédia se me dizer o código!

— Eu já disse que o código está fora do meu alcance! Melhor você parar pois você também pode se ferir caso a energia sobrecarregue!

— Cale-se! Prefiro arriscar do modo mais difícil! Minha leitura probabilística calcula uma chance de 70% dos meus sistemas não serem afetados!


As vigorosas comportas foram derrubadas num golpe bruto, caindo pesadamente. Owen adentrava pisando sobre elas.


— Pois tá na hora de rever isso aí!


— Os Power-Pirralhos... Grrr, nenhum deles me fará desistir!


— Tentei avisá-lo de que remover a fonte nesse estado é extremamente perigoso. — disse o operário-chefe, tenso.


Os demais Rangers chegaram depressa. O campo elétrico aumentava de forma alarmante.


— Mudok, larga disso ou nós faremos você largar! — bradou Austin.


— Não façam nenhum movimento contra ele ou pode atingir o estabilizador eletrostático! — avisara o operário-chefe. — A fonte está instável num nível muito crítico, não se aproximem!


— Aí, amigo, não esquenta. — falou Tim. — Nossas roupitchas aqui aguentam mais de um milhão de volts.


O campo elétrico repeliu Mudok violentamente.


— Mudok soltou a fonte, mas... — disse Damian. — A sobrecarga persiste!


— Temos que tirar todos que ainda estiverem aqui e rápido! — decretou Austin. — Antes que tudo isso faça a usina explodir!


— Não comigo de obstáculo! — Mudok levantou sacando seu espada de metal negro e avançando contra aos heróis.


Tim e Owen levaram o operário-chefe para longe, enquanto Damian e as garotas combatiam o androide. O ápice de sobrecarga liberou o pulso avassalador de energia que se expandiu, provocando o apagão geral em Angel Grove.


Mudok acabara seriamente afetado pela onda de energia tendo sido arremessado contra uma parede, caindo ao chão em frangalhos com faíscas salpicando.


— Você tá legal? — perguntou Tim ao operário-chefe que fizera sim com a cabeça.


— Te demos cobertura, nossos uniformes anularam o perigo desse pulso de energia. — disse Owen. — Mas tá tudo bem agora, a usina não foi destruída.


— Não está, não. — disse o homem, apontando para o estabilizador que cuspia faíscas. — A fonte ainda está em perigo crítico de explosão, não resta muito tempo! O único meio de interromper o superaquecimento final é atravessando o campo elétrico e retirar a fonte.


— Eu vou. — decidiu Austin.


— Nesse estado, a eletricidade pode ultrapassar nosso nível de tolerância. — alertou Damian.


— Tá mesmo afim de arriscar? — perguntou Owen.


— Sr. Dickerson, o que acha? — quis saber o líder quanto ao parecer do mentor tocando no comunicador do capacete.


— As camadas de polímeros reforçados pela energia da morfagem ajudam a suportar um nível de eletricidade acima do limite. Se estivessem com as versões anteriores, a história seria bem diferente.

— Então posso mesmo passar?! Ótimo, aqui vou eu!


Mudok tentava se reerguer com seu corpo robótico parecendo que havia sido mastigado por um triturador de lixo.


O Ranger Vermelho se preparou como um corredor maratonista e se impulsionou disparando até o estabilizador com a visão fixada no cilindro guardado pela esfera elétrica gigante. Num pulo, atravessou o campo, caindo do outro lado com a fonte segurada e intacta.


— O campo de energia instável se foi, ele conseguiu! — celebrou Damian.


— Vocês são incríveis. — elogiou o operário-chefe, aliviado — A fonte estava se autodefendendo e ao mesmo tempo em processo de autodestruição, mas o líder de vocês se arriscou sem medo algum pra retira-la. Merecem um prêmio por isso.


— Obrigado, mas acho melhor você vazar daqui junto com os outros funcionários. — disse Tim.


— Ei, isso não é modo gentil de retribuir um agradecimento. — repreendeu Zoe.


— Mas falei obrigado, não falei?


— Está bem, façam o que quiserem com a fonte, vou procurar minha equipe e discutirmos os próximos passos pra restabelecer a energia na cidade. Obrigado, Power Rangers, obrigado!


O operário-chefe, ao sair correndo, dera uma olhadela nervosa para Mudok.

— Eu ainda me vingo de vocês... seus fedelhos.


— Vai se vingar como? Rastejando que nem uma barata? — zombou Owen.


— Você perdeu dessa vez, Mudok. — falou Austin. — Ficou tão obcecado em conquistar isso e veja como acabou só pra ferir o seu ego de máquina.


— Sua ambição só podia levar você pra esse resultado, foi merecido. — disse Zoe.


— Acho que nenhum robô ia querer estar na sua pele. — falara Jessie. — Digo, na sua casca.


— A noite de hoje foi toda nossa e você se ferrou, otário, hahah! — insultou Tim.


Os Rangers se reuniram e se teleportaram em pilares de luzes coloridas para a Central de Comando. Austin entregou o cilindro a Dickerson.


— Toma aqui, Sr. Dickerson, o chefe que controla a fonte nos deixou levá-la.


— Meus parabéns por mais essa vitória, Rangers, não se renderam pelo medo de falhar em nenhum instante, especialmente você, Austin.


— Essa fonte tem uma eletrostática extraordinária. — comentou Karen. — A amperagem, na prática, é totalmente acima da média comparada a qualquer força de usinas maiores.


— Foi graças a ela que a Alameda dos Anjos se tornou o polo de melhor fornecimento de energia no último trimestre. — informou Damian.


— Vamos desvendar o que ela tem de tão especial. — falou Dickerson estudando-a — Primeira etapa: removendo camada por camada.


Fora da usina, Mudok rastejava avariado, até que Aracna surgiu com um ar de escárnio, sentindo um prazer sádico ao ver o colega naquelas condições.


— Eu poderia ficar horas só contemplando essa visão magnífica.


— Suma da minha frente, Aracna. Já me bastou aqueles fedelhos miseráveis me fazendo chacota!


— Ah, para com esse draminha de robô fracassado. Agora me diz: o que você tentou surrupiar desse lugar hein?


— Eu não pedi por sua interferência, não é da sua conta.


— Sabe que fez isso a revelia do mestre, né?Escolheu a hora mais conveniente pra agir já que ele está distraído numa noite romântica com aquela bruxinha enxerida.


— Quer mesmo saber o que vim roubar daqui? Roubar não, reaver. Uma fonte de energia elétrica que pertencia originalmente a mim.


Na Central de Comando, Dickerson estava com Karen e os Rangers, que haviam tirado seus capacetes, no laboratório, removendo o invólucro da fonte parte por parte. Ao retirar última camada, surpreendeu-se com o núcleo.


— Isso é uma matriz de sustentação. — disse Karen olhando a direita do mentor.


— Mas não qualquer matriz... — falou Dickerson em choque. — Não vêem algo familiar nesse formato?


— Familiar? Ahn... — disse Tim — Sei lá, acho que já vi esse raio numa lata de energético. Ei, não me olhem assim, eu não tô tomando energético.


— Esse símbolo... — disse Damian. — Não tenho dúvidas, nós conhecemos muito bem sim.


— Reconheci logo de cara. — disse Austin, sério. — Isso é incrível... Achei que tínhamos destruído ele até não sobrar nada.


Mudok, sob ameaça de delação, se forçou a revelar a Aracna o conteúdo real da fonte:


— Aquela fonte abrigava... a matriz de alimentação da minha criação mais poderosa.


— Não tá dizendo que... — captou Aracna.


Dickerson removia a matriz com um alicate especial e a analisou levantando na altura dos rosto.


— Pertence a ele mesmo. De certa forma, ele sobreviveu. Está energeticamente aqui dentro.


— Nekovolt. — respondeu Mudok a Aracna. — Eu o traria de volta para reconstruí-lo a um nível muito superior as nove vidas que ele tinha.


— Se o mestre souber...


— Ele não saberá a menos que você mantenha isso entre nós dois! — disse Mudok.


— Ou a menos que você me pague com uma compensação. Tipo... Metade do exército de Psycho-Bots.


— Metade?! Sua aproveitadora... Grrr, está certo, trato feito. Amanhã mesmo os entrego para que faça o que bem entender.


— Estamos de acordo. Pela primeira vez, iremos dividir a função de general de forma justa, eu vou amar, hahahahah.


Aracna teleportou-se, sua risada zombeteira ecoando aos ouvidos eletrônicos de Mudok.


— Maldiçããããooo! — berrou o androide em frustração.


***


Na manhã seguinte, Damian, enquanto passava seu gel no cabelo aprontando-se para o colégio, foi alarmado pelo toque do comunicador miniatura de Nekovax, um som que lhe causou arrepio instantâneo.


Ao pega-lo, parou um instante para pensar melhor quanto a ouvir a mensagem e ligou o comunicador.


— Galera, me encontrem na Central de Comando nesse exato momento. Nekovax deu sinal de vida outra vez.


Encerrado o contato, o Ranger Preto apertou o botão na pulseira para teleportar-se, chegando a sala de controle da base e surpreendendo Karen.


— Olá, Karen. Bom te ver aqui tão cedo.


— Damian?! Se você tá surpreso em me ver tão cedo da manhã, eu tô chocada em te ver aparecendo aqui sem aviso. — disse a tecnóloga bem-humorada, sentada na cadeira giratória.


— Precisei avisar aos outros antes. — falara Damian aproximando-se — Cadê o Sr. Dickerson?


O mentor vinha voltando dos fundos tomando um copo de capuccino.


— Damian, o que veio fazer aqui? Não está na hora de você chegar pontualmente no colégio? — questionou o mentor.


— Pra ser bem honesto, hoje eu não me preocupo de perder a hora.


Os demais Rangers chegaram logo.


— Tivemos que rodar quase todo o ginásio atrás desses dois indivíduos aqui. — falou Tim, apontando para Mason e Flint.


— Pega leve aí, até parece que estávamos praticamente desaparecidos. — retrucou Mason.


— Mas e aí? O Nekovax mandou mesmo mensagem nova? — perguntou Jessie.


— Damian, se eu te conheço bem, você não deve ter ouvido a mensagem primeiro. — disse Austin.


— Queria ouvir com todos vocês. — o Ranger Preto destacou o comunicador. — Ele me retornou e... isso me reacendeu a esperança de que ele possa estar são e salvo.


Damian apertou o botão e o holograma de Nekovax emergiu do furinho no topo da cabeça da miniatura do gato-androide.


— Damian... Rangers, me perdoem a demora, mas é que... desde meu contato anterior, as coisas não mudaram muito por aqui. Aliás, a situação acabou indo de mal a pior. Não faço ideia de como trazê-la de volta. Vou contar do início antes que me encontrem e eu tenha que fugir como um rato de novo: eu criei uma esposa, ela se chama Queenneko, eu a amo mais que toda a minha voltagem. Só que num belo dia ela se infectou com um cristal oferecido por uma feiticeira.


— Que tipo de cristal é esse, afinal? — questionou Damian.


— Espera, como você sabe que ela foi infectada por esse cristal? — indagou Zoe.


— Eu a segui em cada passo. Ela sentiu desejo de sair sozinha para explorar a cidade. Quando a tal bruxa ofereceu a joia, Queenneko a colocou na testa. Mas ao voltar, ela de repente sofreu uma mudança radical. Daí ela me atacou e me exigiu submissão total.


— Foi a partir dessa virada que ela começou a causar problemas bem graves por aí, certo? — disse Damian.


— Ela está completamente ensandecida de poder. As tropas dela virão me capturar pra me condenar em praça pública por insurgência ao seu governo.


— Tropas? Ela tem um exército? — indagou Austin.


— Um imenso exército. Ela converteu quase todos os guardas da cidade com o poder desse cristal mágico.


— Nekovax, parceiro, cai fora daí antes que sua patroa maluca volte. — aconselhou Tim — Parece até que você tá devendo pensão alimentícia.


— Mas como exatamente é esse cristal? — perguntou Karen.


— É um cristal vermelho... Ela me disse que tem o poder de sentir a presença de mais concentração em outros planetas... e a mais forte que ela detectou está aí na Terra.


Dickerson levou as mãos ao painel para realizar uma varredura com base nas palavras-chave.


— Aqui está, o radar localizou uma jazida de cristal vermelho num terreno baldio na região da fronteira. A mesma localização onde flagramos Killvox explorando no início do verão.


— Quando ele voltou pra se vingar, tinha mencionado o nome desse cristal... — disse Karen tentando lembrar.


— Espera, acho que tô me lembrando... — disse Damian clareando a memória — Tiffarex. É, não tô enganado, é esse o nome.


— E veja só que maravilha.


Dickerson exibiu um vídeo do radar. Killvox tentava extrair o Tiffarex na jazida, quando o pulso de energia da usina o atingiu, derrubando-o. Raios vermelhos dançaram em torno dele, atraindo pedaços do cristal ao seu corpo feito um imã, o mercenário berrando alto durante o processo.


— Isso aconteceu na mesma hora da explosão na usina. — falou Austin.


— O pulso de energia magnetizou o corpo de Killvox causando uma reação que o fez assimilar o cristal. — comentou Karen.


— O vídeo termina aqui, a radiação interferiu na captação de sinal. — falara Dickerson.


— Pelo jeito, ele deve ter sofrido. — disse Zoe.


— Eu achei foi pouco isso aí. — opinou Tim cruzando os braços — No lugar errado e na hora errada, se ferrou bonitinho.


— Mas se a Queenneko se tornou poderosa o bastante pra sitiar toda uma cidade... — disse Damian, pouco otimista — Não consigo pensar que Killvox tenha saído prejudicado por se ligar ao Tiffarex.


Austin decidiu o curso de ação:


— Nekovax, você não pode escapar da cidade, então a única solução seria resgatarmos você e de quebra combatermos sua esposa pra libertar a população.


— Ela já deve ter saído numa nave pra extrair todo o Tiffarex que existe aí.


— O que ela realmente planeja fazer com o cristal? — indagou Zoe.


— Dominar todo o universo, nada mais e nada menos. — respondeu Nekovax, a voz insegura.


Dickerson determinou a divisão:


— Se ela estiver a caminho da Terra, nesse caso a equipe secundária ficará pra detê-la na tentativa de impedir que ela acesse a jazida.


— Pode deixar com nós três. — disse Owen.


— Olha, tô com inveja, não vou mentir. — confessou Mason — Já é a segunda vez que temos a chance de fazermos uma viagem pelo espaço e acabamos ficando pra resolver a parada na Terra.


— Não se chateia, meu camarada, uma hora chega a vez de vocês. — falou Tim o tocando no ombro de lado, a direita — Mas por enquanto o time maior fica com essa exclusividade.


— Maior em número, né? — contrariou Flint.


Austin procurou evitar a situação conflituosa:


— Nada de competição, pelo menos os dois grupos vão ser úteis pra enfrentar as tropas dessa... dessa...


— Queenneko. — citou Nekovax — Foi esse o belo nome que escolhi pra minha rainha. Planejamos até nos casar com a promessa do primeiro-ministro de nos tornar embaixadores da nação das máquinas. Agora esse sonho foi destruído.


— Não foi nada, Nekovax. — retrucou Jessie, compadecida — Nós vamos garantir que ela voltará pra sua vida exatamente do jeito que você a ama.

— No final, faremos de tudo pra arrancar o Tiffarex dela até não sobrar um infinitesimal fragmento. — asseverou Damian.


— Me sinto um imprestável. Minha esposa é uma máquina como eu e talvez nem meus poderes podem salva-la.


— Não se sinta assim, você deixou de ser importante pra ela, mas não pra nós. — falara Austin — Vamos até KO-35 acabar com esse reinado de terror.


— E nós aqui na Terra evitar que ela construa outro. — definiu Mason — Eu e meu parceiro aqui somos novatos, mas já te consideramos da família.


— Mas não tem esse cristal nesse planeta? — questionou Flint.


— Ela fez uma varredura completa em todos os lugares e não achou nenhuma grama. — respondeu Nekovax, aturdido.


— Galera, vamos matar aula por hoje e viajarmos pra KO-35, a crise que tá rolando por lá não pode ficar abaixo dos nossos deveres normais. — disse Austin.


— Assino embaixo, Austin. — disse Damian — Sr. Dickerson, pode solicitar pro comandante Leozor que envie uma nave pra irmos até KO-35?


— Era o que eu já pensava em fazer. Vou enviar uma solicitação agora. — disse o mentor voltando-se para o painel.


— Espero por vocês aqui, não demorem. — falou Nekovax sentindo-se acuado.


— Mas vê se permanece onde você tá agora. — reforçou Zoe — Com o sinal do seu comunicador, iremos te encontrar e protegê-lo.


— Nekovax, a gente tá indo ao seu resgate. Não importa o que aconteça, fique aí onde está. — orientou Damian com firmeza.


— Até mais, Rangers. Conto com vocês, todos vocês.


O gato-androide desligara a contato, o holograma se recolhendo.


Dickerson voltava-se aos heróis após enviar a mensagem de solicitação ao centro de comunicação e rastreamento da Intercorp.


— Pedido enviado. Só aguardar o retorno do comandante Leozor aprovando o despacho da nave.


— Seria bom vocês morfarem desde já, assim estarão prontos quando a nave vier. — disse Karen.


— Exceto você, Damian. — disse Dickerson de forma curiosa — Vai me auxiliar numa operação de risco lá no laboratório.


— Operação de risco? Mas o que isso significa? — questionou o jovem gênio.


— Sabem o que eu deixei guardado lá, não sabem?


O sexteto se estremeceu ao compreender a intenção do mentor em relação ao plano alternativo que requeria a ajuda de Damian.


— O senhor não pode estar pensando em... — disse Jessie, nervosa.


— Peraí, pensando o quê? Será que sou o único que não captou a ideia? — perguntou Tim, perdido.


— Nós dois aqui não participamos da missão de ontem a noite, mas ficamos sabendo de tudo pela Jessie e a Zoe. — esclareceu Mason.


Karen mostrava sua incerteza apreensiva.


— Dickerson, você tem certeza de que..


— Ah, eu não aguento esse mistério, falem logo! — clamou Tim, aflito.


Damian voltou-se aos amigos para declarar:


— O Sr. Dickerson quer que eu colabore... pra trazer o Nekovolt de volta a vida.


— Tá doido?! Alguém me segura, acho que tô perdendo o equilíbrio. — Tim se inquietou.


— Cuidado, gente, ele vai desmaiar, hahaha. — zombou Owen.


— Cara, isso é parada séria, o Nekovolt foi um dos nossos inimigos mais sinistros, faltou isso aqui — fez sinal de pouco com os dedos — pra ele dominar geral na cidade. Você teve sorte.


— Era disso que eu tava com medo de ouvir. — falou Zoe, tensa.


— Vão reviver o Nekovolt? Pra quê? — reprovou Jessie.


— Se a matriz estiver reiniciada com o sistema operacional de Nekovolt limpo de todas as memórias de quando foi um inimigo, ele será um grande reforço no nosso fronte. — explicara Dickerson.


— Mas como vão arranjar um corpo pra conectar a matriz em pouco tempo? — perguntou Austin.


— Podemos construir um modelo-base na mesa digitalizadora. — respondeu Damian.


— Mas não há garantias, é como apostar no prêmio máximo da loteria. — Dickerson ponderou.


— Eu me sinto tranquilo quanto a esse risco. — disse Damian.


— Pro caso do Nekovolt voltar como aquele gato travesso e malvado, vocês sabem o que devemos fazer agora.— disse Austin sacando sua célula e morfador, os demais fazendo o mesmo e se preparando — Beleza, é hora de morfar!


— Urso Pardo!


— Tubarão Cobalto!


— Morcego Púrpura!


— Gorila Esmeralda!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!


— Vamos nessa. — disse o mentor tocando ombro de Damian para leva-lo junto, ambos caminhando até os fundos rumo ao laboratório de engenharia.


Após cerca de uma hora, Dickerson e Damian finalizavam a materialização do novo corpo de Nekovolt.


— Enfim... Concluída a primeira etapa. — disse Dickerson. — Hora da mais crucial.


— E a mais temerária. — acrescentou o Ranger Preto. — Vou pegar a matriz.


Dickerson aproximou seu relógio comunicador a boca.


— Karen, eles já podem vir. Finalizamos a fase um.


Os heróis adentraram no laboratório pouco depois do aviso. Damian entregou na mão de Dickerson a caixa onde a matriz estava guardada. O mentor abriu-a e pegara o objeto e forma de raio com uma pinça grande. Damian foi para perto dos amigos.


— Tô tão nervoso que acho que vou me borrar todinho. — falou Tim, apavorado.


— Damian, acho melhor você se transformar agora. — recomendou Austin.


— OK, eu tava tão focado na operação que quase esqueci. — disse Damian sacando sua célula e morfador, depois virando-se e esticando os braços para encaixar os dois itens — Hora de morfar! Touro Ônix!


— Todos preparados? Aqui vamos nós. — disse Dickerson aproximando a matriz segurada na pinça ao centro do peito no local de encaixe.


Raios elétricos envolveram a carcaça, e a aparência de Nekovolt se espalhou como tinta pelas pernas, braços, torso, culminando na cabeça. De repente, o gato-androide movia-se meio agitado no despertar, levantando da cintura para cima e olhando para os lados.


— Eu... não sei quem sou eu. Onde estou?

— Esse aí que é o tão sinistro Nekovolt? Olha, vou admitir que ele tem sim uma cara meio assustadora. — comentou Mason.


— Sorrisinho de quem gosta de fazer bagunça. — disse Flint — Até que achei ele simpático.


— Ele só está explorando o lugar como um bebê. Quer nos dizer alguma coisa? — perguntou Dickerson, o olhar seguro mas ao mesmo tempo cuidadoso.


— Eu... não sei quem sou eu. Onde estou?


— Bem-vindo a Central de Comando. Está entre amigos aqui.


— Ei, também não exagera, né? — murmurou Tim.


— Relaxa, cabeção. — disse Damian tocando-o no ombro de lado — Isso é a comprovação inquestionável de que a matriz foi reiniciada e ele não reteve memórias de quando era do mal.


Nekovolt levantou-se da mesa ficando de pé e os fitou por alguns segundos..


— Eu... não faço ideia de quem sejam. Por que eles usam esses pijamas de astronauta?


— Pelo visto, o senso de humor não foi alterado. — disse Karen.


— O que é intrínseco a nossa identidade não se apaga fácil como deletar um código de programação, não quão fundo vá a lavagem cerebral. — ressaltou Damian.


— O quê? Eu passei por uma lavagem cerebral?! — Nekovolt alarmou-se.


— Tecnicamente, sim. Mas foi pra melhor. Você renasceu com o mesmo tipo de corpo da sua antiga vida, mas como um ser diferente, com uma moral diferente. — explicou Dickerson.


— Então eu tive uma vida antes dessa...


— Na verdade, foram nove. — destacou Owen


— Mas em todas elas você era um gatinho muito, muito malvado. — completou Tim.


— Só que agora você foi purificado e luta ao nosso lado pela justiça. — disse Austin.


— Pela justiça... Então ganhei uma segunda chance pra virar o herói que eu mereço ser. É pra isso que nasci, o meu verdadeiro propósito de existir. Eu nem sei como agradece-los.


— Pode nos retribuir no campo de batalha quando estiver pronto. — dissera Dickerson, satisfeito e bem mais aliviado.


— Isso é inacreditável. — disse Zoe, fascinada — Nekovolt está mesmo reformado e a nosso favor.


— Sabe, ele ficou tão fofo com esse jeitinho inocente e tímido. — definiu Jessie.


Karen conferiu no seu pager uma sinalização de nova mensagem.


— O comandante Leozor respondeu a solicitação. — ergueu o olhar para o mentor e os Rangers — Autorizou o despacho da nave.


— Pensei que ele fosse encarregar os Combanautas a intervir em KO-35 com exclusividade. — Dickerson suspirou de alívio.


— Se a situação escalar, estão considerados pra serem reforços. — informou a tecnóloga — A nave virá em 15 minutos.


Dickerson levou Nekovolt ao simulador para testar seu potencial.


— Vou viver minha primeira aventura de herói ainda hoje?! Eu mal posso esperar. — falara Nekovolt, seguindo-o.


— Eu mal conheço esse gato e já acho ele o maior barato. — disse Flint — Sr. Dickerson vai adestrar ele direitinho.


— Com o Nekovolt no time, temos um belo trunfo na manga. — celebrou Austin.


— Imaginem a reação do Mudok quando ver que o gatinho de estimação dele agora é todinho nosso. — disse Jessie.


— Do jeito que ele ficou, acho difícil se aproximar do Nekovolt. — falou Zoe.


— Mas aí que mora o perigo. — disse Damian — Mudok é um androide super-avançado que passa por updates periodicamente, ficando mais forte a cada atualização. Ele pode muito bem se recuperar em tempo recorde e mirar em Nekovolt... pra tentar pegá-lo de volta.


Os minutos passavam ao longo da espera. Os Rangers, tendo tirado os capacetes, permaneciam no laboratório aguardando o resultado dos testes físicos de Nekovolt coordenados por Dickerson. Austin, Mason, Tim e Owen se divertiam numa máquina de fliperama perto de onde Karen estava no computador.


Nekovolt retornava acompanhado de Dickerson. Os Rangers voltaram rapidamente a atenção para eles.


— Boas notícias, Rangers: os testes foram todos um grande sucesso. — disse o mentor que tocou o gato-androide no ombro — Ele está com energia física e elétrica adequadas pra agir em carga total.


— A matriz reteve as informações de hardware da versão anterior e restaurou partícula por partícula, isso é fascinante. — disse Karen ao levantar.


— Mas é tecnologia do Lokknon, você não devia elogiar. — retrucou Tim, estranhando com sorriso de canto.


— Vai saber se o mecanismo de restauração veio das modificações na usina ou pré-instalado pelo Mudok. — a tecnóloga deixou no ar o mistério.


— Só tá faltando uma coisinha pra me deixar super-carregado. — disse Nekovolt.


— Sei bem o que é. — disse Damian aproximando-se do gato-androide e virando-se aos amigos — Ele quer drenar nossas energias para atingir as nove vidas.


— Que nem daquela vez?! — reagiu Jessie com espanto — Aquilo foi... sofrido de aguentar.

— Mas não é exatamente uma drenagem forçada e dolorosa como aquela... — explicou Damian. — É uma doação voluntária.


— Se eu quisesse, poderia absorver à força com os meus raios. — falou Nekovolt gerando alguns olhares tensos — Mas não vou, hehehe.


— Bem, pessoal, além de mim e o Damian, estão todos de acordo, certo? — Austin perguntara olhando-os.


Os demais deram passos adiante, concordando com a doação.


— Mason? — disse Austin vendo o Ranger Roxo meio hesitante.


— Tá legal, não me olha desse jeito, só tava fazendo cena. — falou ele chegando perto.


Os heróis se posicionaram em círculo em torno de Nekovolt que elevou um campo elétrico como uma força para estabilizar a receptação.


— Agora! — bradou Austin que estendeu o braço direito e os demais o fizeram.


Os oito fecharam os olhos e liberaram das mãos feixes volumosos de energia que atravessavam o campo elétrico de Nekovolt. O gato-androide se contorcia um pouco ao receber aquelas cargas simultaneamente no corpo.


O contador de vida no antebraço esquerdo subia de um para dois, três, quatro, cinco vidas em intervalos de segundos. O número nove marcou no visor, piscando.


— Pronto, já foi! Tenho nove vidas! Obrigado, Rangers!


Os Rangers cessaram a transfusão. Jessie e Zoe arfaram meio cansadas.


— E aí, Nekovolt, tá se sentindo um gatão super-poderoso agora? — perguntou Jessie.


— Já tive tanto poder assim antes?! É tanta energia que me dá vontade de sair pulando!


— Já é melhor do que o antigo Nekovolt não tendo as lembranças dele. — reforçou Austin frente a ele com confiança e determinação no olhar. Seja bem-vindo ao time. — estendeu a mão direita.


Nekovolt a apertou com satisfação.


— É uma honra fazer parte dessa equipe que um dia eu tentei destruir. Eu nem lembro disso, mas me envergonho demais.


— Em vez de se envergonhar do vilão que você já foi... — disse o Ranger Vermelho — ... Se orgulhe do herói que você pode se tornar.


Nekovolt fez que sim firmemente com a cabeça.


O alarme soou de repente, deixando-os em alerta máximo. Karen conferiu no monitor.


— O que foi? Ela já chegou? — perguntou Nekovolt.


— A ameaça é ela sim, mas não é Queenneko. — disse a tecnóloga que virou a tela para mostrar Enckantess no alto de um prédio produzindo nuvens de tempestade girando uma varinha e as mandando para atacar cidadãos no centro.


— É aquela feiticeira que se disfarçou da Wanessa e nos processou. — disse Zoe.


— A noiva do Lokknon. — lembrou Tim.


— Como é mesmo o nome dela? — Owen tentava recordar.


— Isso não importa, vamos conseguir detê-la até a nave chegar. — disse Austin pegando de volta seu capacete — Não deve ser tão difícil encarar ela.


— Ainda assim, tenham cuidado. — recomendou Dickerson — Por mais simples que o inimigo pareça de ser derrotado, ele pode camuflar seu verdadeiro poder.


— Muito bem, galera, hora da ação! — disse Austin, no meio, recolocando o capacete.


Enckantess movia as nuvens tempestuosas, causando pânico com relâmpagos rosa.


— Protejam-se, humanos! Procurem evitar lugares muito altos durante tempestades! Opa, menos eu, hahahahah!


Jessie subiu o prédio aceleradamente com sua Beast Cycle para atropela-la no lado oposto.


— Cuidado aí que vou passando!


A bruxinha não teve tempo de reagir. A Beast Cycle a atingiu nas costas, jogando-a para baixo com um grito, impactando o chão para levantar poeira.


— Ai, ai... Depois que eu tiver acabado com vocês, seus pirralhos, vou fazer uma radiografia pra ver se não quebrou nadinha, ai...


Lokknon, preocupado, reagiu:


— Enckantess, espero que não tenha se machucado gravemente!


Os Rangers viram as nuvens se desfazerem imediatamente.


— Olhem só, se dissiparam num instante! — apontou Zoe.


Jessie voltou correndo:


— É porque dependem da mágica dela pra existirem! Se ela se distrair, já era.


— Você a atropelar fez com que ela perdesse o foco no controle das nuvens. Brilhante dedução, Jessie! — disse Damian, dando um joinha.


— Ei, não me elogia tanto assim, foi na mais pura sorte, nem me passou pela cabeça, hahah. — respondeu Jessie.


— Rangers, atenção, lá vem ela! — disse Austin posicionando-se.


— Seus fedelhos, vocês vão me pagar pela vergonha que estão me fazendo passar diante do meu momozinho! Aquilo foi jogo sujo!


— Ah, então você tava fazendo todo esse show de destruição pra impressiona-lo, né? — falou Austin — Acho que não deu muito certo.


— Nossa, o amor é tão lindo! — zombou Tim.


— Não desse jeito. — discordou Jessie — Ela parece que tá mais carente do que apaixonada.


— Carente, eu? Não preciso mendigar o amor do Lokknon pra me sentir verdadeiramente uma futura imperatriz!


— Imperatriz, você?! Se enxerga, o Lokknon não deve estar nem aí pro seu talento com magia, ele só tá querendo te usar! — Zoe tentou abrir os olhos da bruxinha.


— Se fosse pra chamar de talento, não devia ter sido tão fácil acabar com aquelas nuvens. — falara Jessie, irritando a noiva de Lokknon.


— Grrr, estão me humilhando... Não admito essa afronta, vocês verão do que sou capaz!


Uma aura rosada com escuridão emanou de Enckantess, incitada pela fúria. Nesse instante, um indivíduo em uma armadura cristalizada vermelha voou baixo, disparando dois tiros de laser das mãos que atingiram os Rangers, derrubando-os com uma intensa explosão de fogo. O sujeito pousou, freando de lado.


— Oh, eu fiz isso?! Eu derrubei os Power Rangers! Momozinho, você viu isso, não viu? Esse é a força do meu poder mágico que eu escondia, hahah!


Lokknon boquiabriu, e Aracna perguntou:


— Mestre, o que foi? Por que está com essa cara de quem não segurou o que saiu pelo... Deixa pra lá.


— Ah não... Como posso dizer que ela não efetuou esse ataque?


O sujeito voltou-se aos heróis que se reerguiam meio feridos.


— Tiveram a chance de sobreviverem porque eu permiti. Mas prometo a vocês que foi a única!


— Cara, essa voz parece que é do... — disse Tim quase reconhecendo.


— Killvox!— disse Austin — Se não fosse pela voz, não teríamos reconhecido!


— Voltou de visual novo... de novo. — disse Jessie.


— Voltei para continuarmos a revanche da vingança que foi interrompida naquele dia! — disse o mercenário, que retirou da coxa esquerda de sua armadura uma espada vigorosa de Tiffarex.


— Ei, foi você que interferiu no meu momento de glória! — disse Enckantess — Quem você pensa que é? Eles são meus oponentes, já iria destruí-los!


— Ela tem a autoestima do tamanho de uma galáxia. — comentou Damian.


— Afaste-se daqui, jovem dama, o adversário mais indicado para elimina-los sou eu.


— Hum, pra um cara tão imponente e durão, você é bem educado. — disse a bruxinha observando-o — Será que... Não, não e não, isso nunca, eu estou comprometida, não posso.


Lokknon surpreendeu-se:


— Killvox?! Então era ele quem estava ocupando a jazida! Essa armadura sem dúvidas é feita desse cristal Tiffarex, certo, Barooma?


— Perfeita observação, milorde! Killvox teve seu corpo infundido pelo cristal! Mas como não temos registro em vídeo, não posso confirmar o catalisador dessa transformação!


— Eu tenho um palpite. — disse Mudok, surgindo na sala com a aparência renovada.


Killvox avançou superveloz como uma bala, desferindo golpes de sua espada de Tipharex que os Rangers não puderam evitar ou acompanhar, sendo derrubados com faíscas nos uniformes. Dickerson, na Central, contatou-os:


— Rangers, ativem o colete Zoomorph e o Modo Fúria Animal. Fundido ao Tiffarex, Killvox atingiu um nível superior ao de quando estava ligado a Andreos.


— A gente já percebeu... — disse Tim — ... e sentiu.


— Amigos, vamos logo. — falou Austin, tocando no peito ferido.


— Prontos para a próxima rodada? Se não puderem revidar, serão dilacerados! — ameaçou Killvox,a espada em riste.


— Colete Zoomorph! — bradaram os Rangers — Modo Fúria Animal, ativar!


Os uniformes da forma base foram substituídos pelas partes de armadura do power-up.


— Esse poder que modifica seus trajes não me surpreende mais! — disse Killvox, que avançou contra Austin, o qual se defendia dos golpes ferozes da espada com as patas leoninas, gerando choques.


Austin saltou, usando as garras das patas leoninas energizadas num ataque eficaz que empurrou Killvox contra um poste.


— Continua fraco! — disse o mercenário, que baixou a espada ao chão, lançando uma onda de energia vermelha contra Austin que causou explosões de faíscas em volta.


Jessie e Zoe atacaram juntas, mas Killvox as enfrentou simultaneamente, defendendo-se dos chutes com a espada. Ele chutou Zoe na barriga e desferiu golpes rápidos contra Jessie, que defendia-se com as super garras raptoras.


— Não vai permanecer na defensiva por muito tempo! — disse Killvox.


A Ranger Amarela girou, e o ataque com as garras da mão direita quebrou a espada ao meio.


— Sua espada não é indestrutível!


— Tem certeza? — falou Killvox, a espada reconstituindo-se totalmente — Hahahaha!


O mercenário a atingiu num corte diagonal, derrubando-a. Zoe disparou o arpão caçador que fincou nas costas de Killvox. A energia Tiffarex canalizou uma corrente elétrica pelo arpão até Zoe, que foi atordoada pelo choque e atirada para longe por um raio vermelho.


— Lá vai água!


Tim despejou o jato d'água do hidro-canhão, combinado com os tiros dos chifres bélicos de Damian. Killvox criou um escudo de Tiffarex e avançou, suprimindo os ataques. Killvox cravou o escudo no chão, disparando estacas como metralhadora contra Tim e Damian, que foram derrubados com explosões faiscantes.


— Isso foi por machucar a Zoe! — disse Jessie, voando com as asas rapina e girando como um tornado para disparar uma chuva de penas.


Killvox remodelou o escudo numa espada e a derrubou com um corte horizontal.


— Ainda se dizem heróis!? Com esse poder em meu pleno domínio, vocês não passam de piadas, hahaha!


— Onda Explosiva! — bradou Austin, a rajada de fogo tirando Killvox do chão com a potente explosão.


Killvox caiu rolando, mas tratou de levantar rápido.


— Quem se atreve a me desafiar?


— Eu! — falou Austin, na forma de domador lendário, ostentando a espada Ignnus — Quer uma espada poderosa pra competir com a sua? Aqui tem uma!


— Ranger Vermelho, é de você mesmo que eu espero um desafio que valha a pena! Aaahhh! — Killvox avançou, retirando uma nova espada das costas.


O choque das lâminas causou uma onda vibrante, com raios e faíscas em torno deles.


— Quando chegar ao limite, é só avisar! — provocou Killvox.


— Você nem vai descobrir! — retrucou Austin.


Os dois desfizeram o duelo de forças das lâminas, afastando-se para logo se digladiarem com as espadas.


— Dá o que ele merece, Austin! — torceu Tim, ajudado por Damian.


— Manda ver! — disseram Zoe e Jessie em uníssono.


A espada Ignnus se inflamou em chamas, e a lâmina Tipharex de Killvox se imbuía de energia bruta. Ambos lançaram cortes, que explodiram no peito simultaneamente.


— Estão empatados. — disse Enckantess.


— Então vou desempatar com isso! — disse Austin — Onda Explosiva Final!


A espada Ignnus inflamou a lâmina intensamente, as chamas tomando a forma de uma fênix.


— O mesmo golpe não funcionará duas vezes! — Killvox confiava, levantando-se.


Austin disparou a onda explosiva, o pássaro de fogo diretamente contra o mercenário.


— A sua persistência é na verdade uma teimosia inocente! — Killvox emanava brilho, absorvendo as chamas quando o pássaro flamejante se aproximou.


As chamas foram totalmente absorvidas, e Killvox gabava-se. Subitamente, seu corpo ficou trêmulo, com raios, e ele foi incapacitado.


— Mas o que está havendo comigo? — se questionou, exasperado.


— Aí que você se enganou feio, Killvox: não era o mesmo golpe.


O Ranger Vermelho virou de costas. Killvox caiu, explodindo em fogo atrás de Austin.


— Não! — Lokknon reagiu inconformado — Killvox não pode ter sido derrotado, eu preciso dele para extrair o cristal!


Na Central, Nekovolt comemorava com Flint, Mason e Owen:


— Hehehe, isso foi fantástico! O líder de vocês é um cara fortíssimo!


Um sinal no monitor de Karen alertou:


— Dickerson, a nave cruzou a atmosfera, está a caminho do observatório.


Dickerson contatou os Rangers:


— Rangers, a nave está se encaminhando para cá, venham depressa.


— Beleza, estamos indo na velocidade da luz! — disse Austin, que desativou a forma Domador. Os demais se aproximaram dele: — O trasporte do resgate acabou de chegar, vamos nessa!


— Certo! — falaram os outros em uníssono.


O quinteto teleportou-se. Enckantess foi até o ponto da explosão, dissipando a fumaça com as mãos.


— Err... Você ainda está aí, não está? — viu os pedaços de Tiffarex espalhados: — Hum, o cristal que o momozinho quer transformar numa jóia fabulosa pra mim. — apanhou três pedaços — Acho que é o bastante pra fazer uma pedra de brilhante num anel.


Contudo, Killvox sobreviveu, reerguendo-se com um brilho vermelho resplandecendo de seu corpo, atraindo todos os fragmentos de Tiffarex.


— O quê? Não! — lamentou Enckantess.


Killvox regenerou inteiramente sua couraça rubra, saindo da fumaça pronto para um revide.


— Onde eles estão? Aquele maldito Ranger Vermelho não pode ter fugido acreditando que me venceu com aquele ataque tão simplório!


— Todos eles bateram em retirada achando que você tinha sido completamente destruído. Até eu achei... Mas não pense que sou sua inimiga, pelo contrário.


— Eu não me importo, vou espera-los pra dar continuidade a minha vingança. — disse Killvox, passado por ela.


Mas a bruxinha o segurou pelo braço.


— Espera um segundinho, precisamos conversar sobre um assunto em particular.


— Não temos nada a tratar, eu nem conheço você.


— Mas conhece Lokknon, certo? Eu sou a noiva dele, preparada para assumir o trono de rainha.


— Lokknon tem você como esposa?! Ele tem um gosto questionável.


— Não julgue pelo que pareço, mas pelo que posso fazer. — disse Enckantess, emitindo um brilho verde nos olhos para enfeitiçar o mercenário — Olhe bem fundo nos meus olhos e diga que jura sua lealdade a Lokknon.


— Eu... Eu juro minha... Não, o que é isso? — Killvox balançou a cabeça, sentindo a interferência mental do feitiço — Você está entrando na minha cabeça, me solte! — desprendeu o braço e a empurrou.


— Estava errada sobre você, não passa de um grosseirão!


— E você uma bruxa trapaceira! Ninguém usa esse truque contra mim e sai vivo! — Killvox esbravejou, brandindo uma nova espada de Tiffarex.


Tiros de laser interceptaram Killvox, explodindo faíscas.


— Mas quem ousa? — Killvox virou-se.


— Oh, é você! — disse Enckantess, surpresa.


Mudok vinha andando, sua arma detonadora fumaçando. O androide apresentava um visual reformado.


— Killvox, o mestre deseja a sua cooperação.


— O que eu ganho me aliando a Lokknon desta vez? Vamos, fale, antes que minha espada dialogue por mim


— Então deve utiliza-la com toda sua vontade, pois não proponho negociação, mas um desafio: se me vencer, estará livre e com posse exclusiva desse cristal. Mas se eu vencer... — destravou da perna uma espada de nitox — Terá que dividi-lo com o mestre na quantidade que ele preferir!


— É o que Lokknon deseja? Não tenho objeções! Vou espalhar cada pedaço seu pra que venham recolher o lixo mais tarde.


— Não sou o mesmo Mudok que você conheceu de início! — disse o androide, rosnando e emanando energia elétrica amarela — Modo Trovão, ativar!


A aparência de Mudok adquiriu leds amarelos e eletricidade, estendendo-se à sua espada.


— Melhor eu dar o fora. — disse Enckantess, voando para o terraço — Ou assistir de uma distância segura, hahaha.


Os dois oponentes avançaram, e suas espadas se chocaram vigorosamente.


Dickerson, na Central, virou-se para Nekovolt e os outros três Rangers:


— OK, eles já subiram a bordo. Vocês continuam esperando o momento certo de agirem. Ao menor sinal da proximidade de Queenneko, irão a metrópole para ficarem de prontidão.


— Mas esse tal de Killvox também é perigoso e escapou daquele ataque destruidor do Austin. — falou Nekovolt — Será que eu não posso ir até lá dar uma lição nele?


— Não, você não pode, nem deve. — falara Karen ao mostrar Killvox em embate ferrenho contra Mudok.


— Mudok se atualizou novamente. — observou Dickerson com seriedade — Mas não entendo porque está duelando com Killvox.


— Talvez Lokknon esteja interessado no Tiffarex também e quer extrai-lo dessa armadura. — apontou Karen.


— Não seria surpresa, Killvox se tornou uma jazida viva e ilimitada. — analisou Dickerson.


— Esse cara aí parecido comigo... — falou Nekovolt, tenso, referindo-se a Mudok — É o meu criador, não é? Foi ele quem me construiu?!


— Sim, ele mesmo. — respondeu Dickerson — Mas você não deve se aproximar dele em hipótese alguma. Nesse caso, estamos torcendo pra que Killvox o derrote.


— Mas se ele botar os olhos em você, vamos te proteger pra manter sua lealdade a equipe. — disse Owen.


— Como o Damian tinha falado, se esse miserável coloca as mãos em você, já era, você vira o gato de estimação do Lokknon de novo. — alertou Flint.


A nave dos Rangers cruzava o espaço rumo a KO-35.


— Estamos prestes a aterrissar. — disse Damian nos controles.


— Caramba, essa nave é ainda mais veloz do que aquela que usamos pra ir até aquele planeta onde ficamos presos. — comentou Tim, satisfeito.


— É uma missão de emergência, tinham mesmo que mandar uma nave super-rápida. — falara Zoe.


— Segurem-se, já estamos bem perto! — mandou Austin prendendo os cintos de segurança.


— Ai, eu odeio essa parte! — disse Jessie, tensa.


A nave atravessou a atmosfera planetária, e os heróis adentraram naquele mundo semelhante à Terra. Nekovax foi erguido, preso a um pilar diante de uma arma laser fixada num tanque.


— Será que tenho direito a um último pedido antes de ser vaporizado?


Os Nekozinks ajustaram a mira.


— Ótimo, considero isso um "não". Mas, mesmo assim, vou falar: eu gostaria que...


Tiros de laser choveram sobre a máquina, explodindo o canhão. Os soldados se dispersaram atarantados, mas ficaram alertas. Os Rangers chegaram, vendo a situação de Nekovax.


— Nekovax, finalmente chegamos! — disse Austin.


— Meus amigos Rangers, vieram na hora perfeita! Damian!


— Nekovax, já estamos indo tirá-lo daí! — Damian acenou.


— Coitadinho, olha pra ele, amarrado e ainda por cima sem os braços! — apontara Jessie.


— Se a Queenneko tiver feito isso, dá pra ter uma noção do estrago que o cristal fez na mente dela. — dissera Zoe sentindo dó do gato-androide.


O comandante da tropa de Nekozinks se colocou a frente:


— Vieram liberta-lo do castigo, mas não ultrapassarão a partir daqui! Em nome de nossa imperatriz, Queenneko, vocês estão condenados! Ataquem-os!


O exército de soldados avançou, os Rangers respondendo da mesma forma corajosamente, engatando a batalha frenética. Em paralelo, Queenneko contemplava a Terra a poucos anos-luz de distância em sua nave.


— Como a Terra é bonita dessa cor tão azul... Mas ficará ainda mais bela pintada de vermelho, hahahahah. — disse a gata-androide, com sua joia de Tiffarex piscando o brilho escarlate.


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