Power Rangers: Esquadrão Z

70 No Reino da Gata (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: A nação das máquinas de KO-35 entra em guerra contra o exército de gatos-androides chefiado por Queenneko, a noiva de Nekovax que fora corrompida por poderes místicos. Enquanto ela aporta na Terra em busca de uma singular fonte de energia, enfrentando Owen, Flint e Mason, o time principal encara a árdua missão de libertar o povo escravizado pelo reinado cibernético. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

A colisão de forças era brutal na área de sacrifício. Os nekozinks, como haviam sido nomeados pela autoproclamada rainha, disparavam lasers violetas, forçando os Rangers a esquivas rápidas entre explosões. Austin derrubou soldados com acrobacias, enquanto Jessie e Zoe, costa a costa, distribuíram tiros certeiros com suas Pistolas Z, em seguida ambas saltando juntas fazendo um giro lento ao distribuírem mais tiros que explodiram faíscas em todos ao redor.

Damian, avançando como um touro, arremessou inimigos contra um tanque blindado, enquanto Tim limpava sua área com rasteiras e disparos precisos.

— Damian, você é quem deve salvar o Nekovax! — gritou Austin, sendo agarrado por três dos soldados pelos braços e pescoço — Vai, depressa.

O Ranger Vermelho se desprendeu ao chutar um, depois desferir uma cotovelada em outro e finalizar num chute com giro ao virar contra o terceiro que bateu contra blocos de concreto.

Damian subira no tanque, usando sua marreta avalanche para abrir caminho em golpes vibrantes. Mesmo quando seis nekozinks tentaram virar o veículo para derrubá-lo, o Ranger Preto desdenhou:

— É o mais estratégico que podem fazer pra me impedir? Queenneko angariou um exército de bestas quadradas!

Antes do tanque ser virado, saltou para o topo da coluna onde o amigo estava preso.

— Não se mova, Nekovax, já vou te soltar.

— Me mover?! Sem os braços fica meio difícil, né?

Damian partiu as cordas de aço com o laser recalibrado. Nekovax caía após libertado, mas Damian tratou de saltar com agilidade chegando mais rápido ao chão, logo pegando-o em seus braços.

— Oh, tô me sentindo um bebê indefeso no colo!

— De certa maneira, você é sim. Vamos embora daqui e procurar um refúgio seguro onde eu possa te consertar!

Os nekozinks seguiam disparando lasers dos cajados. Austin corria meio saltante para a direita, escapando das explosões de poeira cinzenta escura.

— Detonador Max! — chamara pela pistola vermelha que surgiu em sua mão direita.

Ao disparar estando pleno no ar, desarmou cada um dos seis, os cajados voando aos ares e caindo. Tim abria caminho rasgando alguns deles com suas barbatanas cortantes. Um grupo menor fez chover lasers sobre o Ranger Azul que saltou rapidamente com a explosão de fogo atrás dele e disparou um corte em X com as barbatanas, atingindo os soldados que caíram com uma forte explosão de poeira.

Jessie e Zoe davam cambalhotas escapando de mais tiros de lasers do exército que se perde ia aumentar conforme o andamento da batalha. Juntas saltaram com chutes de dois pés que derrubaram uma dupla de soldados. Correram até se aproximarem de Damian e Nekovax.

— Nekovax, você tá legal? — indagou Jessie. — Ah, que burrice a minha te perguntar isso, né? É claro que não tá, afinal você perdeu seus braços.

— Ela fez isso com você, não foi? — quis saber Zoe.

— Eu bem que gostaria de dizer não, mas infelizmente... — lamentou Nekovax.

Ambas abriam fogo com as pistolas Z em todos os nekozinks que se aproximavam para fechar cerco, isso enquanto corriam para fora da área. Austin e Tim logo saltaram para se reunir com eles.

— Pelo visto, a nossa chegada chamou muita atenção! — disse Austin.

— Só eu tô achando que a gente tá gastando munição a toa com esses panacas? — ressaltou Jessie.

— Você tem razão, Jessie! — concordou Austin. — Todos juntos, vamos nos teleportar de volta a nave!

Os Rangers tocaram nos moradores e escaparam em colunas de luz segundos antes que uma enxurrada de lasers dos nekozinks os atingissem. Os disparos provocaram uma explosão de fogo como uma pequena nuvem-cogumelo.

O capitão da armada rosnou:

— Dispersem-se! Lady Queenneko deseja esses heróis de roupas coloridas destruídos imediatamente! Bloqueiem todas as vias de acesso a torre de vigilância!

Retornados a nave, que estava localizada sob uma plataforma perto das vias de transporte metroviário no subterrâneo, os Rangers se acomodaram depressa nos assentos. Damian pusera Nekovax no assento ao lado do piloto.

— Eu tô me sentindo um fardo.

— Não te salvamos pra ficar se lamentando por uma culpa sem sentido. — disse Jessie. — Você é importante pro Damian quanto é pro resto de nós.

— OK, obrigado por me salvarem, mas acho que não cabe a mim desfazer todo esse estrago.

— E se estiver errado? É por isso que farei atualizações inéditas. — instigou Damian.

— O que tá planejando pra mim, Damian? Eu mal consigo olhar nos olhos dela.

— Logo mais você saberá. Apertem os cintos.

— Já pegamos o Nekovax, agora pé na tábua e bora voltar pra nossa querida Terra! — apressou Tim fechando seu cinto.

— Não, Tim, ainda não, falta libertamos o povo das máquinas que foi apanhado pelo exército da Queenneko. — contestou Austin — Nekovax, tem alguma ideia de pra onde foram mandados?

— Acho que... foram enviados para campos de ajuntamento. Aliás, deve haver só um campo onde todos serão lançados ao incinerador.

— Incinerador?! Nossa, que horror! — Zoe chocou-se.

— É a punição aos que se rebelam contra os mandamentos da rainha... minha rainha... — Nekovax desanimou.

— Será que já fizeram essa coisa horrível? — perguntou Jessie.

— Eu soube que a primeira incineração foi marcada pra hoje a noite.

— Então não perderemos mais tempo, vamos cuidar disso hoje mesmo! — exclamou Austin socando a palma da mão esquerda.

— Só tem um grande problema: não podemos fugir do planeta nem mesmo da cidade. — alertou Nekovax — Há um gigantesco domo de força cobrindo a nação toda. Mas peraí, como foi que vocês atravessaram? Foi projetado para ser impenetrável.

— A nave talvez tenha um sistema que a torna intangível a campo de forças. — checou Damian no painel. — É, tem mesmo.

— Mas temos que achar o local exato pra desligar essa barreira. — disse Austin.

— Há uma torre de vigilância que Queenneko tomou posse. Na sala de chefia tem o mecanismo de desligamento manual. Lá também existem peças sobressalentes que podem servir em mim.

— É a nossa próxima parada. Vamos nessa, Damian! — motivou Austin.

Com os motores em ignição, a nave partiu veloz sob o sol de KO-35. No entanto, uma nave inimiga já os seguia sorrateiramente, monitorando cada movimento rumo à torre.

***

A nave de Queenneko cruzava a atmosfera para aterrissar no território da Alameda dos Anjos. Karen verificou no seu monitor, logo voltando-se a Nekovolt e os Rangers do time secundário:

— Ela chegou. Estejam preparados, especialmente você. — olhou para o gato-androide.

— Eu fico muito hiperativo quando estou com ansioso! Posso até me disparar e ficar em zigue-zague mas paredes como um raio nesse lugar! — respondeu Nekovolt, inquieto.

— O que podemos fazer pra que você possa a relaxar? — indagou Owen.

— Não sei, ahn... tentem me distrair com algum jogo ou uma piada, desde que eu não preste muita atenção no que está acontecendo lá fora.

— Podiam tentar, isso vai evitar que ele tenha um curto-circuito causado por uma crise nervosa. — falou Dickerson, saindo do laboratório com sorriso misterioso.

— Sem querer parecer curioso demais, mas o que o senhor tava fazendo no laboratório? — perguntou Mason.

— É engraçado justo você ter perguntado. Mas é segredo, por enquanto.

Os cidadãos se alvoroçaram e dispersaram em correria e gritos enquanto a nave discal sombreava as ruas quase bloqueava a luz solar.

Uma projeção holográfica de Queenneko surgiu do centro superior da espaçonave:

— Saudações, terráqueos! Eu estava louca pra dizer isso, hahahaha. Não se assustem como formigas querendo abandonar o formigueiro, eu só estou aqui em missão de exploração.

— Os Power Rangers não vão nem tremer com essa daí, parece uma fantasia de criança. — comentou um homem com um colega que riu em deboche.

— Ouvi direito? Estão me tratando como uma... uma piada?! Pois saibam que sob meu governo a última coisa que farão é rir de mim, seus vermes! Nem as autoridades oficiais, nem seus exércitos e nem mesmo os seus estimados Power Rangers os salvarão da destruição de seu mundo que levará a fundação do meu majestoso reino!

Longe dali, Mudok e Killvox duelavam, intercalando golpes marciais com ataques de suas espadas que chocaram brutalmente, ambos ficando com os rostos a centímetros de proximidade.

— Eu apenas não aceito ser forçado a me aliar a alguém que quer se aproveitar do meu novo poder!

— Você é uma fonte viva e ilimitada de Tiffarex não vai sofrer nenhum prejuízo se o mestre extrair de você o bastante para destruir os Power Rangers!! — rebateu Mudok.

— O problema dele com os Rangers é somente dele! Estou no páreo como concorrente para elimina-los e não darei glória a outro vencedor que não seja eu!

A energia concentrada entre as duas armas explodiu em repulsão, repelindo ambos que caíram em certas distância.

— Eles precisam parar com essa briga idiota! Será que não estão ouvindo essa voz? — disse Enckantess.

O mercenário e o general de Lokknon se reerguiam carregando ataques de energia com as mãos.

— Admiro que ficou mais forte, Mudok, mas frente a mim você desperdiçou sua força!

— Eu não desisto de uma luta quando algo tão valoroso pro meu mestre está em jogo!

Enckantess interveio usando o feitiço Paralux, congelando ambos.

— Como futura rainha, eu declaro essa luta encerrada! Não estão escutando essa voz?

— Sim... Eu ouço uma voz... Uma voz sedutora... — disse Killvox, atraído por Queenneko.

— Sedutora?! Como uma simples voz pode ser mais eficaz que um feitiço meu?

— Enckantess, desative essa mágica, nós vamos parar! — pediu Mudok.

— Então está certo. — disse Enckantess que desfez o feitiço estalando os dedos das duas mãos.

Killvox parecia desnorteado e distraído com a voz de Queenneko anunciando seu reinado tirânico na Terra num pronunciamento em que revelava seu objetivo de exploração.

— Ela é mais alguém com interesse no Tiffarex... O mestre não deve ter reagido nada bem a isso. — disse Mudok com seriedade.

Lokknon, na verdade, estava em choque e boquiaberto ao ver o rosto de Queenneko na tela:

— Aquele rosto... Aquele maldito rosto! Ela me faz lembrar daquele rosto repugnante...

— Ela veio com intenções de coletar o Tiffarex! — disse Barooma — Isso por si só não é mais grave do que o rosto dela simplesmente fazê-lo lembrar do Nekovolt?

O imperador disparou um raio púrpura no cientista que o fez quase cair.

— Eu já falei milhares de vezes: não mencione esse nome na minha presença!

Aracna tentou contornar:

— Todos nós sentimos o peso dessa decepção até hoje e...

— Chega! Quem é essa que se autoproclama imperatriz? — rosnou Lokknon.

— Ela se chama Queenneko e pelo visto está disposta a consumir todo o Tiffarex que existir na Terra! — respondeu Barooma.

— Uma concorrente de peso, ao que parece. Acho que será uma disputa interessante. — disse Lokknon com certo prazer pela competição.

— Vejam, é o Killvox! — apontou Aracna — Tá voando direto pra nave dela! Será que ele...

— Não pode ser, Mudok fracassou... — lamentou Lokknon — Killvox... Nós o perdemos!

Queenneko movia sua nave para uma fábrica abandonada de laticínios.

— Magia Tiffarex de assimilação! — disse a gata-androide, na área de controle da nave, emanando sua aura escarlate intensamente com os braços erguidos.

A magia provida pelo cristal fizera a nave se amalgamar a estrutura do complexo industrial com raios vermelhos e púrpuras dançando durante o processo de transmutação.

Enckantess teleportou-se de volta a nave de Lokknon a fim de convencê-lo de uma sugestão que lhe parecia funcional em teoria.

— Momozinho, eu senti nela uma magia inacreditavelmente poderosa... ela tem o que chamam de gema Tiffarex. A gema, segundo a lenda, é o núcleo do que um dia foi o cristal: um imenso planeta que era uma fortaleza móvel.

Lokknon, percebendo que perdeu Killvox para a rival, aceitou a ideia:

— Detesto admitir, mas não há outra maneira de obtermos Tiffarex. Vá até o palácio dela, mas saiba ser furtiva.

— Entendido, vou agora mesmo propor um tratado de paz! — celebrou a bruxinha que prontamente teleportou-se de volta a Terra para concretizar a aliança estratégica.

— Nunca pensei que um dia precisássemos de um diplomata. — comentou Mudok com Aracna.

— Os tempos mudaram mesmo por aqui. — disse a princesa aracnídea, insatisfeita, olhando a bruxinha com desprezo.

— Essa feiticeira demonstrou um poder que surpreendeu a filha do mago lendário mais poderoso do universo. — alertou Mudok.

— Ela não é exatamente uma feiticeira! É um ser artificial que manipula magia!

O cientista colocou a imagem na tela do visualizador, levando Mudok a fita-la dando uns passos adiante.

— Vê algo familiar nesse rosto? — perguntou o cientista.

Mudok estremeceu:

— Reconheceria de qualquer forma. Ela tem... uma face extremamente semelhante a dele... uma das minhas maiores invenções.

— Se mencionar aquele nome, eu faço você voltar ao estado deplorável que estava antes de se atualizar. — ameaçou Lokknon apontando sua mão direita com a faísca de um raio.

— Sim, mestre, eu não esqueci do seu desgosto com aquele projeto fracassado, me desculpe. — disse Mudok, retraindo-se.

Enquanto isso, Killvox se esgueirava por um corredor da nave de Queenneko e chegara próximo da entrada na área de controle e pilotagem. O exército de nekozinks marchava rumo a cidade. Destruíram os portões e cercas com tiros de lasers.

— Alerta de intruso! Alerta de intruso! — dizia a voz eletrônica do sistema de segurança.

O punhado de nekozinks que a acompanhavam na sala ampla se mobilizaram com armas em riste. Porém, a gata-androide ordenou:

— Parem já, não se trata de uma ameaça!

Os soldados acataram, confusos. Queenneko se aproximou da entrada.

— Apareça, revele-se para mim, sei que está aí atrás. E também sei que estamos nos atraindo por algo especial em comum, hihihihi.

O mercenário mostrara-se finalmente, andando até ela com segurança.

— Você é incrivelmente... a coisa mais perfeita que já me apareceu! — exclamou ela.

— Veio atrás de Tiffarex neste mundo, não foi? Pois veja, aqui está sua mina mais abundante que qualquer outra.

— Você agora é o meu mundo. — declarou Queenneko, de mãos dadas com ele.

Na cidade, os Nekozinks iniciaram o ataque em massa atirando lasers aleatoriamente, instaurando o pânico e correra barulhentos.

— Chegou o momento de agirem. — disse Dickerson voltando-se a Nekovolt e o trio Ranger. — Nekovolt, procure evitar um confronto direto com Mudok.

— Eu vou andar na linha sem me desviar do meu objetivo que é amassar esses palhaços do espaço. — garantiu o gato-androide.

Owen ficará entre Mason e Flint, o trio sacando suas células e morfadores:

— Prontos?

— Sempre! — responderam em uníssono.

— É hora de morfar!

— Urso Pardo!

— Morcego Púrpura!

— Gorila Esmeralda!

O trio Ranger secundário invadiu o perímetro crítico com suas Beasts Cycles, saltando com as motos por escombros de concreto que improvisaram uma rampa. Dispararam lasers dos faróis, atingindo alguns soldados de Queenneko que eram sacudidos por explosões de fogo.

— Chegamos pra estragar a festinha da mamãe de vocês! — bradou Mason pousando com a moto e avançando.

— Vambora mandar essa ninhada de gato pra caixinha de areia! — falou Flint, acelerando e disparando mais vezes enquanto explosões de faíscas ocorriam em torno.

— Sabre Kong! — Owen sacou a adaga, materializando-a no sabre enquanto acelerava na motocicleta, logo desferindo um corte diagonal que empurrou quatro deles contra duas vans que explodiram intensamente em faíscas — Strike quatro, yeah!

Enquanto isso, em uma área de construção, Nekovolt demonstrava sua agilidade superior após ser abordado por um punhado de nekozinks.

— Vocês não me intimidam, não importa quantos sejam! — disse o gato-androide que avançou, chutando uns e desferindo golpes das garras eletrificadas em outros.

Na nave principal, Lokknon assistia ao caos com inveja, até que a imagem de Nekovolt surgiu na tela. O Imperador entrou em estado de choque, pressionando o peito.

— Tá brincando comigo! — disse Aracna que tomava um refresco de canudinho, quase cuspindo ao reagir.

— Ma-mas o que... significa isso? — balbuciou Lokknon, trêmulo.

— Não pode ser... — Mudok estava absorto.

— Isso não é uma miragem nem mesmo um fantasma! Os Rangers haviam pego a matriz de energia, só para constar! — disse Barooma — É impressionante que Dickerson tenha tido êxito em trazê-lo de volta!— comentou Barooma.

Lokknon, à beira de um surto, implorou:

— Alguém me diga que isso é uma ilusão! Theron, mude já esse canal, agora!

Theron pegara o controle remoto, trocando para outro foco de imagem da cidade. Mudok teleportou-se da nave diretamente a Terra.

— Mudok saiu! — alardeou Aracna — Mestre, se quiser que eu arraste ele de volta pra cá, é só mandar!

— Não está vendo como ele se encontra? Ele não está em condições de dar ordens, preciso medica-lo com alguma pílula de inibição. — disse Theron.

— Ah, deixa que eu pego! — disse Aracna que fora correndo buscar.

O mordomo-ciborgue mudou novamente o foco, este exibindo Enckantess dentro da fortaleza de Queenneko.

— Sim, essa é uma visão que me agrada. Vamos, minha futura rainha, aja depressa, não fique apenas aí parada.

Invisível na fortaleza de Queenneko, Enckantess observava o casal trocar juras de afeto, estando invisivel com um feitiço básico.

A aprendiz de feiticeira entrou na sala e aproximou-se dos dois e cutucou Queenneko no ombro dela. A gata-androide virou-se, intrigada.

— Ops, eu senti algo me tocando! Espere um minuto... — aprimorou sua visão ao fazer o tiffarex na sua testa brilhar, o que lhe conferiu uma visão infravermelho.

— Achei você! — agarrou o braço esquerdo da bruxinha — Pensou que se esconderia com um truque tão simples?

Enckantess desfez a invisibilidade, mostrando-se nervosa com a pressão.

Você aqui?! Está me perseguindo? — questionou Killvox afim de enfrenta-la.

— Espere, conhece ela? Existe outra em meu lugar?

— Ela não passa de uma manipuladora barata que tentou me persuadir a agir em favor de Lokknon, nosso inimigo! — rosnou Killvox.

— Mentira! Lokknon deseja um acordo de mútua satisfação! — defendeu-se Enckantess que foi solta — Me chamo Enckantess e vim em nome do imperador Lokknon que reinvindica a Terra há muito tempo.

— E o que me ofereceria em troca da minha parte de tiffarex para esse tal de Lokknon?

Enckantess percebeu na tela do monitor acima do painel de controle as imagens de Nekovolt em ação contra os nekozinks.

— Ahn... Ele! É parecido com você e, pelo que se pode ver, tem ótimas habilidades de combate. É uma criação do engenheiro cibernético de Lokknon.

Queenneko aproximou-se da tela, vidrada e encantada com a performance de Nekovolt.

— Que sensação indescritível é essa? Sinto como se... tivesse encontrado minha verdadeira alma gêmea!

Killvox, indignado, protestou:

— O quê? Mas não seria eu?

— Ah, Killvox, desencana desse sonho de rei e rainha. — debochou Enckantess.

— Mas espere aí: por que ele está atacando meus subordinados? — questionou Queenneko.

— Ahn... Lokknon não sabe que vim aqui negociar com você, ele ainda acha que tudo é uma guerra pelo controle do tiffarex.

— Pois o avise de que estou interessada em ceder uma porção em troca desse donzelo fascinante como meu consorte.

— Mas sou a fonte absoluta de tiffarex! Como pode me trocar por esse...

Queenneko rapidamente colocou Killvox em seu lugar, usando seus feixes oculares para subjugá-lo:

— Você está classificado como meu obediente general.

— Sim, minha imperatriz, me recolho a posição que vossa majestade me encarregou.

— Que incrível a sua magia de persuasão. — disse Enckantess, admirada — A minha não arranhou nem a superfície da mente dele.

— Como suspeitei, você é uma feiticeira assim como a que me entregou a gema tiffarex. Você até me faz lembra-la... Mas isso não vem ao caso, diga ao seu imperador Lokknon que o acordo está firmado.

— Prefiro que você o veja de longe. Posso mexer nesse painel? Quero estabelecer uma ponte de comunicação entre a sua nave e a dele. Mas antes... quero que me prometa uma coisa. É sobre o tiffarex. — pediu Enckantess próxima dela — Ele me será de muita utilidade, hehehe.

Nekovolt prosseguia abatendo mais dos nekozinks que se aproximavam. Saltou para trás num impulso, praticamente voando, escapando de lasers que explodiram faíscas.

— Como sou rápido! Eu tô me divertindo muito nosso aqui, hahaha! — falou ao pousar, dando uma rasteira num nekozink, em seguida virando-se a outros três para disparar um raio da mão que explodiu em fogo atrás deles, os derrubando.

Mudok já se encontrava bem atrás do gato-androide.

— Nekovolt!

O gato-androide virou-se depressa e o olhou entortando a cabeça como sinal de confusão.

— Mas quem é você, afinal?

— Seu único e autêntico criador. Vim buscá-lo como reinvindicação do meu direito de posse.

— Cai fora! — retrucou Nekovolt. — Eu pertenço aos Power Rangers luto a favor da justiça deles!

— Eles irão descartá-lo, pois estão usando você unicamente para destruir Queenneko!

Karen tratou de usar o poder da sua voz para convencê-lo a não ceder a tentativa de Mudok:

— Não acredite numa palavra sequer dita por ele, Nekovolt. Lokknon não o quer por perto pelo fato da sua antiga versão ter sido um grande fracasso.

— Eu não vou deixar ninguém me levar de volta pra um cara que me considera fracasso, nunca!

— O mestre Lokknon reconsiderou para que eu possa aprimora-lo de um jeito que nem Dickerson conseguiria. — disse Mudok insistente, logo estendendo a mão direita como convite para acompanhá-lo — Venha comigo. Volte para o lugar onde você devidamente pertence.

Dickerson e Karen se afligiram, olhando nervosos para a tela central.

— Nekovolt, não faça o que ele diz. — pediu a tecnóloga — Mudok não soube cuidar de você como deveria e tem toda a chance de falhar nisso novamente.

— Lokknon tem uma grande disposição a se aliar a Queenneko pelo tiffarex. — reforçou Dickerson — Se for com ele, estará jogando fora todo o esforço que tivemos pra reviver você.

Mudok pegara a mão do gato-androide e a apertou com firmeza e segurança.

— Você fez a escolha certa. Como dizem os terráqueos, o bom filho à casa torna.

— Tem razão... — disse Nekovolt, vago — Eu escolhi...

De repente, usou o aperto da mão para derrubar Mudok num giro.

— Escolhi batalhar pela honra dos Power Rangers porque eles me deram uma segunda chance! Pode esquecer, seu trouxa!

— Insolente... — disse Mudok levantando — Isso requer uma ação drástica. Modo Trovão!

O androide ativou sua transformação, sendo envolvido de aura elétrica amarela com raios dançando pelo corpo.

— Virá comigo por bem ou por mal! — Mudok logo disparou um pulso de energia elétrica que mandara para alguns metros longe rolando no ar.

— Ei, não é com violência que se consegue a confiança de alguém! — Nekovolt reergueu-se, disparando raios das duas mãos.

Os ataques fizeram Mudok saltar com uma explosão intensa de fogo atrás dele, logo contra-atacando de forma similar.

Queenneko, assistindo a tudo da nave, suspirou decepcionada com a truculência de Mudok:

— Isso não vai funcionar com uma luta.

— E... Pronto, a melhor frequência de sinal foi achada, estou convergindo os dois canais.

Após alguns ajustes, a imagem de Queenneko preencheu a tela de Lokknon.

— Você que é o Lokknon?

— O próprio e inigualável. É um prazer conhecê-la, Queenneko. E espero ser ainda mais prazeroso negociar com você.

— Ouça, Lokknon, o seu general fracassou em reaver o seu maior invento. Eu o quero para mim como consorte.

— Está se referindo a Nekovolt?! Não pode ser, você é mais insana do que eu pressupus!

— Pois saiba que nunca me senti tão lúcida! — rebateu Queenneko. — Killvox foi recolocado para a função de general. Enckantess me falou que você tem lembranças amargas com Nekovolt, mas sob meu domínio, você terá todo o tiffarex que precisar. Irrecusável, não acha?

Lokknon, empolgado, selou o acordo:

— Decidido, então! Dê a Enckantess um pedaço de tiffarex para que combine a magia dela e possibilite enfeitiça-lo para assumir você como esposa. Ele será mais seu do que meu!

— Feito, estamos conversados. Enckantess tratará de fazer isso exatamente agora, hahahaha.

Em KO-35, a nave transportadora dos Rangers alcançava a vigorosa e imponente torre de vigilância no centro da nação das máquinas. A cúpula possuía um enorme telescópio giratório.

— Nossa, é gigantesca. — Tim se impressionou cm o colossal e intimidador tamanho da torre — Deve ser mais alta que aquele prédio lá das arábias.

— Ou da mesma altura que nosso Megazord. — apostou Jessie.

— Estamos em modo invisível, portanto indetectáveis. — falou Damian.

— Eles instalaram sensores de movimento por toda parte. — revelou Nekovax.

— Não se preocupe, esse nave também vem com um sistema anti-sensor. Os daqui devem ser extremamente básicos, eles tem muito o que evoluir na questão tática.

— Nekovax, tem certeza de que não há soldados da Queenneko lá dentro? — indagou Austin.

— Talvez sim ou não... Quero acreditar que ela esvaziou a torre inteira pra reprimir o exército rebelde. Mas a sala da chefia deve estar desocupada, podemos entrar sem problemas.

Apos Nekovax indicar o andar exato, Damian moveu a nave em subida e, por um fino feixe de laser, abriu um acesso circular na vidraça. A parte cortada caiu, dando passagem aos Rangers que teleportaram para dentro da sala junto a Nekovax.

— Sala bem a cara daqueles engravatados executivos. — opinou Tim olhando em volta a espaçosa sala.

— Quanto luxo, olha esses vasos, tão exóticos e diferentes. — disse Jessie.

— Damian, te ajudo a procurar as peças. — Austin se prestou, tocando-o no ombro..

— Valeu, Austin, vamos nessa. Nekovax, fica no aguardo.

— As peças estão no armário de suprimentos. — indicou o gato-androide — Nessa parede atrás da mesa.

Damian desbloqueou a porta do armário que deslizou para o lado como uma passagem secreta. Ambos estavam diante de armamentos e peças substitutas para reparos, todos os itens em perfeito estado e organizados como em vitrines.

— Estamos muitos expostos aqui. — disse Zoe.

— Pois é, podíamos ter entrado de outro jeito. — concordou Jessie.

— Meu sensor indica que tem soldados dela nos corredores, iríamos perder tempo se fôssemos entrar pelos fundos. — ressaltou Nekovax.

— Verdade, eles não são muito diferentes dos Psycho-Bots, só servem pra atrasar e serem saco de pancadas. — falara Tim aproximando-se e sentando perto do gato-androide — Mas fala aí, Nekovax, o que a sua ex-esposa vai fazer? Criar um planeta todo feito desse cristal?

— Se bem que... Tiffarex já foi um planeta. — revelou Nekovax.

— Então originalmente tiffarex era um planeta que se fragmentou pelo universo. — disse Damian trazendo as peças mecânicas com Austin.

— Não apenas um planeta em si, mas por essência... Uma entidade que reside dentro do núcleo do antigo planeta, segundo dizia a lenda. Eu procurei os anciãos de KO-35, isso antes de Queenneko sitiar a cidade.

— Mas que tipo de entidade é essa? — perguntou Zoe.

— Tiffarex é uma deusa que movia o planeta pelas galáxias se alimentando de nebulosas e pequenas estrelas. — contava o gato-androide.

Queenneko, simultaneamente, contava a mesma história para Lokknon:

— Quando o planeta ameaçou devorar o universo, os antigos guardiões de Mirinoi usaram os Sabores Quasar energizados com as famosas Luzes de Orion para destruí-lo, mas tudo que conseguiram foi despedaça-lo.

Nekovax concluiu o aviso enquanto ganhava braços novos:

— Eles tomaram essa medida desesperada quando sentiram que o planeta ameaçava devorar todo o universo conforme se alimentava.

Queenneko dera continuidade:

— A fome dela se tornou insaciável. O cometa que se aproxima é o núcleo físico da deusa.

Nekovax dava prosseguimento:

— Se Queenneko conseguir alterar a rota desse enorme pedaço de tiffarex, ela não só irá drenar a energia e aumentar seus poderes como também plantar o núcleo no lugar mais profundo da Terra.

— E o que acontece depois? — indagou Austin.

— Uma coisa absurdamente terrível.

Queenneko revelava sucintamente a Lokknon:

— A Terra se converterá em uma nova versão de Tiffarex, a qual irei mover para terminar o trabalho que minha deusa começou. Mesmo através deste minúsculo fragmento na minha testa, ela me transmite suas memórias. Mas quando eu absorver boa parte da energia do cometa, nos tornaremos irmãs inseparáveis. Para isso, preciso de algo que mude o curso do cometa para cá.

— Mudok pode fornecer sua máquina de teleporte interestelar. — sugeriu Lokknon, pensando na possibilidade.

— Então o avise. Enckantess já está indo lá acabar com essa batalha idiota, não quero que ele cause danos ao meu amado rei.

O embate entre Mudok e Nekovolt se intensificava com o gato-androide desferindo golpes com as garras que o general de Lokknon tentava bloquear com os braços, os ataques não causando mais que faíscas.

— Você está com suas nove vidas completas, é muito mais capaz do que está fazendo!

— Tá pedido pra eu pegar pesado, é? Depois não começa a chorar! — Nekovolt contra-atacou com as garras energizadas, fazendo estourar faíscas na armadura de Mudok que caíra girando no ar.

O gato-androide avançou e chutara-o na barriga. Mudok voou caindo sobre uma pilha de vigas cilíndricas de aço.

— Por que você não desiste hein? Não tô afim de me juntar ao chefão que me odeia!

Mudok saiu furiosamente de cima das vigas soltando raios.

— Tenho poder o bastante pra conseguir desliga-lo, se for preciso! Aliás, é exatamente o que farei!

Ambos fecharam os punhos energizados de carga elétrica potente, logo avançando em colisão. O choque tremendo dos socos simultâneos nos rostos um do outro causou uma onda de choque expansiva, resultando numa forte explosão de fogo ao lado dos dois. Os ataques repeliram ambos que caíram rolando pelo chão.

— Nekovolt, a sua eletrostática está no auge absoluto. — incentivou Dickerson — Você ainda pode vence-lo com habilidades exclusivas.

— Tô sentindo que é bem difícil derrotar um cara com os mesmos poderes que eu! — resmungou Nekovolt levantando meio zonzo.

Mudok disparou uma esfera elétrica que rapidamente aprisionou Nekovolt e o elevou do chão. Com o fechar da sua mão direita, tentou reduzir a esfera para teletransporta-lo a nave de Lokknon. Porém, a resistência do gato-androide se colocou a prova sob a força esmagadora.

— Ele está drenando o escudo elétrico. — apontou Karen, observadora.

A absorção foi pesada e um pouco lenta, mas bem-sucedida. Nekovolt voltou firme ao chão com raios dançando pelo corpo e sentindo-se como se tivesse acabado de fazer uma refeição.

— Manda mais dessas, me deixou mais nutrido, hahahah!

— Nekovolt, revide aproveitando sua carga total. — incitou Dickerson — Você pode voar, gerar escudos elétricos ou até mesmo criar uma tempestade.

— Bem lembrado, a manipulação climática foi um poder que ele manifestou contra o Megazord Z depois de obter as nove vidas. — recordou Karen.

— Posso controlar as nuvens pra fazer chover raios?! Caramba, vocês podiam ter avisado antes! Que beleza, lá vai trovoada! — disse o gato-androide erguendo as mãos aos céus.

As nuvens se moveram em robusta espiral sobre eles ganhando tons de cinzas e relâmpagos. Nekovolt mandara uma vigorosa descarga para cima de Mudok. Porém, alguém se interpôs erguendo um objeto que atraiu o raio e o absorveu.

— Mas o que foi isso? Quem é que tá aí? — questionou Nekovolt.

Quando a luz amarela do raio se foi, a presença de Enckantess se revelava para o espanto de Mudok.

— Ora, você de novo! Pare de me atrapalhar!

— Que atrapalhar nada, seu grosseirão! Eu só vim fazer um servicinho básico pra esse gatinho que você não conseguiu adestrar.

O androide estendeu a mão direita ameaçando disparar um raio:

— Eu não ligo pras suas intenções com ele, somente eu irei levá-lo! Agora saia da minha frente antes que...

Contudo, o modo trovão perdera força e se desligou.

— Não! Droga, tinha que esgotar logo agora?!

— Lokknon quer uma palavrinha com você agorinha mesmo, portanto vá! Devia me agradecer por ter salvo sua vidinha tão frágil.

Mudok teleportou-se furioso. Nekovolt, impressionado, aproximou-se da bruxinha:

— Ei, você! Te vi mais cedo pelo computador e... tenho que admitir que você é bem bonitinha vista de perto, hehehe.

Lokknon, assistindo a tudo, rosnou de ciúmes:

— Não faça galanteios a ela, seu gato atrevido!

Vindo do corredor, Mudok adentrou na sala.

— Mestre, gostaria de saber como sua noiva fez pra interceptar um raio poderoso como aquele.

— Ela possui a resposta. — disse Lokknon mudando o canal com o controle para o contato a fortaleza de Queenneko que acenou para Mudok.

— Olá, general Mudok, que prazer conhecê-lo. Preciso urgentemente dos seus conhecimentos de engenharia para um grande favor. — disse a gata-bruxa, iniciando a próxima fase do plano.

O androide encarou ela por uns segundos, dando passos adiante.

— Estou ouvindo atentamente.

Já em KO-35, Damian mexia nos painéis do computador, visando desligar o campo de força. Enquanto isso, Nekovax testava os novos braços.

— O que achou dos seus braços novos, Nekovax? — perguntou Zoe.

— São da mais alta qualidade como todas as peças que existem aqui. Tô me sentindo novinho e até mais forte.

— Aí sim, meu amigão escolheu bíceps de aço pra você, hahah. — falou Tim dando uma batidinha no "músculo" avantajado do braço esquerdo do gato-androide que fazia poses como um fisiculturista, arrancando risadas leves de Austin e Jessie.

— Feito! — disse Damian tendo terminado — A redoma invisível já era.

O som do alarme fizeram os Rangers estremecerem de susto e de tensão.

— O desligamento da redoma fez os alarmes dispararem! — disse Nekovax — Temos que sair!

A porta foi arrombada por nekozinks disparando lasers que explodiam faíscas pela sala. Zoe saltou para um lado e Jessie para o outro atirando com as pistolas Z.

— Não temos tempo a perder lutando aqui, vamos dar o fora! — determinou Austin correndo para a janela e saltando para a nave.

Os demais o acompanharam com Nekovax. Damian apressadamente sentou no assento de pilotagem e acionou a ignição. Os nekozinks ficaram próximos da janela, atirando lasers pela abertura circular enquanto a nave partia veloz.

Na Terra, Enckantess, de costas, preparava sua armadilha para Nekovolt.

— Me acha bonitinha? Oh, obrigada. Mas não fale com tanto afeto, meu noivo ficará com ciúmes. — respondeu ela — Seu coração pertence ao de outra imperatriz! — exclamou a bruxinha, cravando o cristal no núcleo de Nekovolt.

Raios vermelhos e amarelos envolveram o gato-androide, enquanto na Central, Dickerson e Karen assistiam horrorizados.

— Droga, nós o perdemos! — lamentou Dickerson, vendo os olhos de Nekovolt mudarem para um tom rosado sinistro. Bateu raivoso sua mão fechada no painel.

— Calma, os garotos ainda podem achar uma solução e nós daqui também. — tranquilizou Karen.

Queenneko celebrava o feito glorioso de Enckantess:

— Magnífico! Eu deveria integrar você ao meu reino, Enckantess!

Enckantess aproximava-se de Nekovolt curiosa quanto ao seu estado.

— Está se sentindo bem?

— Bem? Isso é pouco para mensurar esse sentimento que faz meus circuitos arderem!

O holograma gigantesco de Queenneko reapareceu acima da cúpula da fortaleza, visando sondar seu consorte.

— Considere-se muito bem-vindo, meu nobre companheiro de majestade! Sabe quem eu sou, não sabe? Vamos, diga meu nome!

— Sim, você é... Queenneko, minha estimada imperatriz! Eu declaro ser seu mais lindo e fiel amante por toda a eternidade!

— Pois vamos oficializar de vez essa união! Venha até mim para selarmos nosso pacto inquebrável!

Karen se recostou na cadeira descendo as mãos pelo rosto em sinal de intensa apreensão.

— Seria ingênuo demais da minha parte acreditar que ele só está fingindo?

O trio secundário não deixou de se atentar as palavras da gata-androide enquanto combatiam os nekozinks.

— Como é que é? Ela disse Nekovolt!?! — Owen mostrou surpresa, derrubando mais dois nekozinks com o sabre Kong.

Karen se comunicava para avisá-los:

— Garotos, infelizmente, Queenneko se apoderou de Nekovolt a partir do tiffarex. A noiva de Lokknon aproveitou uma brecha e usou um pedaço do cristal para transforma-lo.

— Acho que teria sido até melhor o Mudok levar ele de volta pro Lokknon! — falou Owen ao chutar um nekozink — Ei, vamos nessa, na velocidade da luz! No três: um, dois...

— Três! — disse o trio em uníssono, tocando nos morfadores e se teleportando para a área de obras.

Ao surgirem, avançaram para evitar que Nekovolt cometesse seu pior naquela missão.

— Nekovolt, espera aí! — gritou Owen, correndo com a mão direita estendida.

— Não cai na dela, é cilada! — avisou Flint.


— Ela não é a rainha que você pensa! — alertou Mason.


— Mas que tolinhos, palavras não vão convencê-lo de nada, hahahah! Paralessus! — disse Enckantess lançando um feitiço de paralisia nos três.


— Não consigo mover nem um músculo! — disse Owen rosnando para resistir a imobilização.


— Sua bruxinha safada, a gente ainda vai te pegar! — disse Flint também na tentativa frustrada.


— Eu já estou indo, minha imperatriz, vamos dividir o trono e refazer esse mundo ao nosso bel prazer! — disse Nekovolt que saltou como um borrão de luz amarelo e vermelho diretamente a fortaleza de Queenneko.

— Agora sim, podem voltar a mover esses esqueletos humanos e fracos. Tchauzinho! — falou Enckantess que desfez a paralisia, logo partindo em teleporte.

O trio recuperava a mobilidade, mas a frustração e a impotência os paralisava emocionalmente.

— Droga, não fomos rápidos o bastante! — disse Owen.

— Agora só podemos contar com o gêmeo dele que o Damian criou. — falara Mason.

— Isso se ele ainda estiver inteiro lá no planeta onde estão os outros! — Flint não soava otimista.

— Vocês se acham capazes de dizimar meu exército antes da chegada do cometa?

Através da projeção, Queenneko disparou raios oculares vermelhos sobre uma porção de nekozinks num processo em que atraíam-se, deformando seus corpos ao se juntarem como se formassem uma torre.

fusão múltipla gerava uma criatura gigante: o super nekozink.

— Karen, precisamos de poder Megazord! — pediu Owen.

— Já estão a caminho. — garantiu a tecnóloga.

Os Zords Urso Pardo, Morcego Púrpura e Gorila Esmeralda entraram em ação, rumando para a batalha do gigantes em meio a metrópole. O super nekozink disparava rajada de energia pelo seu único olho, arrasando com edifícios. O trio saltou para os cockpits.

— Não vai dar pra enfrentar esse grandalhão separadamente! — ressaltou Owen — É com vocês primeiro!

— Beleza, estamos prontos pra somar! — falara Mason.

— Sequência Megazord! — disse a dupla.

O Morcego Púrpura e o Urso Pardo conectavam-se na montagem do Gigante Cavernoso que após formado pousou ao campo de batalha. O super nekozink disparou sua vigorosa rajada ocular.

— Asas defensivas! — bradou Mason.

O robô protegeu-se, sendo empurrado com os pés arrastando. As asas exalavam fumaça de tão quentes e se recolheram.

— Não entramos nessa luta pra ficar na defensiva o tempo todo! — destacou Mason — É uma boa hora pra você se juntar a nós, Owen.

— Sem demora! Conexão Megazord! — o Ranger Verde inseriu e girou sua chave de comando.

O Gorila Esmeralda agregava-se ao Gigante Cavernoso, resultando na fusão suprema do trio.

— Gigante Cavernoso Evo!

— Dupla-Espada Selvagem! — chamou Owen pela arma que surgiu em teleporte.

O Gigante Cavernoso Evo manejou a dupla-espada como um bastão num aquecimento, chamando o oponente para o confronto com gesto de mão.

Após sucessivas tentativas falhas, Dickerson estabeleceu contato com os Rangers em KO-35.

— Crianças, por favor, respondam. Estão na escuta? Austin, Damian...

— Sr. Dickerson! Sim, na escuta! — respondeu Austin.

— Ah, que alívio, a conexão se estabilizou. Rangers, má notícia: Nekovolt foi perdido.

— Não pode ser! — reagiu Zoe, abalada — Como assim perdido?

— Queenneko usou um pedaço do cristal para transformá-lo. Ele agora está totalmente possuído. — relatou o mentor.

— Aí, Nekovax, a sua esposa te traiu com seu próprio cunhado! — alardeou Tim.

— Eu não me afeto, ela não está no seu juízo perfeito pra fazer essa troca conscientemente.

A nave sofreu com tiros lasers disparados de nekozinks em veículos semelhantes a motos.

— Estão com algum problema? Ouvi um estrondo.

— É uma hora meio ruim pra gente se falar, Sr. Dickerson! — disse Austin — Estamos sob ataque!

Damian dobrou a direita por uma via ferroviária onde existiam trilhos que davam a impressão de estarem suspensos no ar.

— Que irado, parecem pistas de montanha russa! — disse Tim.

— Opa! — Damian avistou uma nave maior em envergadura se aproximando na direção oposta.

Tal nave disparou um tiro laser em forma de esfera diretamente aos Rangers.

— Aquilo é uma nave coletora! — alarmou Nekovax — E acabou de atirar um laser aniquilador!

— Pessoal, teletransporte! — determinou Austin.

— Nekovax, segura firme! — disse Damian dando sua mão direita ao gato-androide que desprendeu os cintos e a segurou.

O grupo conseguiu se teleportar para o solo arenoso a tempo. Ao levantarem, olharam para cima vendo a nave ser explodida brutalmente pela esfera laser com pedaços voando e caindo por toda parte.

— Não vai ser difícil conseguir uma outra, esse é o menor dos nossos problemas. — salientou Austin.

— Mas o maior dos nossos problemas tá chegando aí! — apontou Jessie para a nave coletora que aproximava-se vagarosa, tão grande e intimidadora que fazia uma ampla sombra sobre eles.

— Essas naves costumavam apanhar fugitivos procurados! — disse Nekovax.

Uma grande abertura circular por baixo da nave se fez, liberando uma esfera metálica do tamanho de um carro flutuando em direção aos Rangers. O objeto baixou um feixe de luz verde-azulada.

— Essa luz vai nos abduzir se não corrermos! — avisou Nekovax.

— Rápido, galera! — disse Austin.

Enquanto corriam desesperadamente, a luz da esfera os alcançou. Em um gesto rápido, Austin empurrou Tim para fora da zona de alcance.

— Tim, dá um jeito de nos tirar dessa! — gritou Austin, antes de ser abduzido junto com Damian, Zoe, Jessie e Nekovax.

— Não quero ficar sozinho... Não! — socou o solo, inconformado.

A esfera moveu-se de volta a nave coletora.

— Poxa, Austin, devia ter escolhido o Damian pra essa missão de resgate, ele é tipo um milhão de vezes mais inteligente do que eu! Como vou me virar nisso? Pensa, Tim, pensa...

Ao olhar para pilhas de lixo mecânico e uma placa de aço inclinada, os olhos do Ranger Azul brilharam com uma ideia arriscada.

— Boa, já sei! — disse ele, estalando os dedos.

O Ranger Azul havia chamado pela sua Beast Cycle a fim de improvisar a placa de aço como uma rampa para saltar até a nave coletora. Moveu os guidões fazendo o motor dar brutos roncos.

— OK, lá vou eu, vai ser moleza! Aceleração nitro!

A moto saiu numa arrancada brusca pela placa, soltando fogo a jato no escapamento. Saltou da rampa, porém nekozinks vinham a direita disparando lasers que causavam explosões de fogo do outro lado, não abalando a confiança do Ranger Azul.

— Modo Míssil Turbo!

A aura azulada de energia preencheu a moto e seu piloto como fogo.

— Uhuuuuuu! — gritava Tim, logo pousando na parte superior da nave.

Freou a Beast Cycle de lado com muita força de atrito e ruído de pneus.

— Deu certo, hahah! Mas e agora? Como faço pra entrar nessa banheira voadora?

Um trio de nekozinks nas motos voadoras surgiu como se tivessem saído da nave.

Sem saída e sob fogo pesado, Tim tomou uma decisão drástica:

— Jerônimo! — saltou de uma altura de cem metros, caindo e rolando por uma volumosa pilha de sucata cibernética até atingir o solo.

— O Sr. Dickerson devia ter equipado os uniformes com paraquedas, ai... — resmungou ao levantar.

Olhara ao redor se vendo cercado por montanhas de ferro retorcido.

— Isso aqui parece uma espécie de ferro-velho... Esse planeta é quente, mas aqui deve ser a caldeira. — falou, caminhando — Vou ter que tirar o capacete...

Removeu o capacete devido a sensação térmica de intenso calor.

— Ufa... Mas nem adiantou muito, ainda tô suando que nem tampa de panela.

— Dentro de mim há um sistema de ar refrigerado, você pode se recompor a vontade. — disse uma voz de entonação grave.

— Ei, quem disse isso?

— Aqui atrás de você.

Tim virou-se rápido, não acreditando no que acabava de descobrir. Um tipo de dragão cibernético em cores prata, preto e dourado estava preso na pilha de ferro. Seus olhos vermelhos piscaram em luz.

— Você aportou no cemitério das máquinas. Magnadrago é como meus construtores me chamavam.

— Uau... — maravilhou-se Tim. — Um Zord falante!

— Eu atualmente não passo de um resto descartado de metal. Identifique-se, por favor, não me parece ser nativo de KO-35.

— Caramba... Tô sentindo que fiz uma descoberta digna de um prêmio. — disse Tim abrindo um sorriso de alegria.

Na Terra, o plano de Queenneko atingiu sua fase crítica. Com a ajuda de Mudok, a máquina de teleporte interestelar foi ativada, rasgando o espaço próximo ao cinturão de asteroides. O cometa de Tiffarex atravessava a passagem com rota direta a Terra.

— Hahahaha, venha... Venha ao meu encontro, minha soberana mãe! — celebrou a rainha, vendo o ponto escarlate pela janela de sua sala de controle.

O cometa escarlate encurtava sua distância a Terra perigosamente.

CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO!

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