Power Rangers: Esquadrão Z

21 Rangers Expostos (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: A turma lida com as consequências desafiadoras ao terem suas identidades heroicas reveladas por Owen que é confrontado pelos Rangers devido a popularidade imensa que ganhou na escola. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

A correria desenfreada de fãs ávidos em obter uma foto ou um vídeo com seus heróis favoritos parecia crescer em número de adeptos à medida que Austin e os amigos corriam mais depressa escola adentro. Chegaram invasivamente ao refeitório do ensino fundamental. Tim e Damian fecharam juntos a porta dupla e pegaram três vassouras do carrinho de limpeza do zelador deixado ali e colocaram entre os puxadores de ferro para improvisar uma tranca.

— Despistamos eles? — perguntou Jessie, apreensiva.

— Ainda não! — disse Austin olhando na ponta dos pés pelas duas janelinhas redondas — Eles não vão desistir, somos as pessoas mais famosas do planeta, todos querem nos tietar.

— Estão tão eufóricos que parecem estar agindo unicamente pela emoção. — disse Damian.

— Será que toda essa admiração que tem por nós apodreceu o cérebro deles? — questionou Tim, aflito — Tirando Brock e Stuart, claro, os deles já nasceram podres.

— Essa barreira não vai segura-los por tempo suficiente pra escaparmos dos limites do colégio. — disse Zoe.

— Cheguem mais e ouçam com atenção. — disse Austin aproximando os amigos à ele — A gente se separa pra cada um achar um lugar seguro. Daí quando a poeira tiver baixado, nos comunicamos pra se reunir fora da escola.

— Fechado! — disseram os quatro em uníssono com meneios positivos de cabeça.

Os Rangers fugiam por rotas individuais nas várias portas de saída do refeitório. Tim saiu para fora e correu ao lado da parede. Porém, ma dobra para a esquerda, avistou garotos do 7⁰ ano misturados com alunos da 8 ⁰ ano, procurando persistentemente por eles ao olharem em volta.

— Ih! — disse Tim tremendo ao vê-los. Pulou numa grande lata de lixo se enfiando no monturo acumulado e fétido. O numeroso grupo veio na direção de onde estava, passando pelo latão.

— Eu podia jurar que vi um deles indo pra lá. — disse um garoto de estilo rebelde do 7⁰ ano — Vamos nos separar, galera.

— Em times de três! Vamos lá! — disse um garoto do 8⁰ ano. A equipe se subdividiu tomando caminhos opostos. Tim se ergueu do lixão, usando uma "peruca" de cascas de banana.

— Essa foi por pouco. — disse ele pensando em sair e retomar a fuga, mas deteve-se — Não, o Austin falou pra ficarmos seguros onde não possamos ser vistos. Então, é aqui que vou ficar. Daqui não saio... — fizera careta com a podridão do lixo fungando o nariz —... daqui ninguém me tira. Argh, que fedor! — fechara a tampa do latão para reforçar sua segurança a despeito do odor repulsivo.

O diretor anunciava pelos auto-falantes nos corredores a suspensão das aulas para aquele dia em vista da celeuma criada pelos estudantes alvoroçados com a revelação das identidades dos Power Rangers.

— Repetindo: as provas que seriam hoje aplicadas bem como as aulas normais estão suspensas! Voltem para as suas casas e deixem que a superintendência e a diretoria resolvam a questão dos alunos apontados como sendo os Power Rangers!

Contudo, bem menos do total de alunos do fundamental se via por perto para ouvir atentamente ao aviso imperativo. A caça coletiva não parava, o grupo de maior adesão liderado por Cindy que já intitulava-o como o fã-clube oficial dos heróis coloridos.

Após um tempo escondidos em seus respectivos refúgios, os Rangers enfim se reencontraram fora do colégio perto do bosque quando sentiram aparentemente a histeria amenizar.

— Todos bem? — indagou Austin tocando nos ombros das meninas a sua esquerda e direita.

— Eu tô. — disse Jessie ofegante um pouco.

— Eu também. — falou Zoe na mesma condição.

— Acho que corri mais do que o tamanho da pista de triatlo. — reclamou Tim.

— Minha barriga tá doendo pelo não hábito de correr, humanamente falando. — queixou-se Damian — Devíamos nos esconder na minha casa. Aliás, meu laboratório na casa de ferragens do meu pai.

— Até quando? Tipo, pra sempre? Porque não vamos ter paz nem nos nossos lares. — disse Jessie.

— A propósito, por que não usamos o teletransporte? — indagou Tim.

Austin refrescou a memória dos amigos.

— Lembrem-se do que o Sr. Dickerson nos avisou uma vez: a rede de morfagem tem um código de fidelidade com seus usuários, nossa conexão pode ser cortada se cometermos o erro de expor nossas identidades ou agirmos em causa própria.

— Será que ainda podemos morfar? — perguntou Zoe, preocupada ao máximo nível — O Owen deveria saber disso antes de fazer o que fez, eu devia ter contado quando podia.

— Nada disso, se contasse a ele uma informação tão específica como essa, ele sem dúvidas desconfiaria. — declarou Damian.

— O que devíamos ter feito era roubar a câmera polaroide dele. Mas é claro que isso tava fora de plano porque ninguém escuta o Tim quando ele tem razão e olha só no que deu. — disse o Ranger Azul sentindo ter sido ignorado quando sabia que a ação era a melhor forma de evitar.

O fã-clube capitaneado por Cindy Harper os encontrou dobrando para o outro lado. Os Rangers estremeceram alarmados.

— Ali estão eles! Peguem-nos! — bradou a patricinha com um largo sorriso. O mutirão correu em polvorosa até eles aos gritos.

— Droga, essa loucura ainda não acabou! — disse Austin — Galera, vamos fugir pra casa do Damian! Rápido!

Mas ao virarem-se para correr, mal deram cinco passos e já se deparavam com outro inconveniente. Photofocus surgia em teleporte diante deles, pronto para mais uma rodada.

— Saudades de mim, Power Bobos? É hoje que vocês irão posar pra minha câmera! Ora mais veja só! Tenho mais modelos disponíveis pra clicar do que ontem! Mas façam fila, tem filme pra todo mundo sair bem nas minhas fotos!

— Ah não, o fotógrafo de araque meteu as caras de novo! — disse Tim.

— Fiquem onde estão, é perigoso! — pediu Jessie aos alunos.

— Pessoal, eles vão se transformar na nossa frente! — anunciou Cindy com todo seu entusiasmo. As meninas emitiram gritos em excitação, apontando seus celulares para registrar cada segundo — Vamos ver uma luta dos Power Rangers ao vivo e a cores!

— Vamos mesmo fazer isso? — perguntou Zoe a Austin.

— Não temos outra escolha, são pessoas inocentes como todas as que salvamos. — disse o líder.

— Não é querendo ser insensível, Austin, mas deixar que eles sejam fotografados e capturados talvez resolveria um pouquinho o problema da perseguição de fãs alucinados. — propôs Jessie meio insegura da ideia.

— Derrotando esse monstrengo é possível que todo mundo que foi pego volte ao normal. — disse Tim.

— De todo modo, teremos que lutar. Fugir agora não é mais uma opção. É esse o nosso trabalho. — pontuou Damian.

Photofocus explodia de impaciência.

— Saiam da frente, seus pirralhos irritantes! Vou capturar todas essas crianças pro meu álbum! Ou querem ser os primeiros?

— Então vai ter que passar por nós cinco se quiser pega-los! — disse Austin se posicionando com os amigos em linha reta em proteção ao fã-clube. Sacaram suas células e morfadores e estenderam os braços para encaixa-los — Todos prontos? É hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Os admiradores vibraram emocionados ao presenciarem a transformação conjunta dos Rangers, um fascínio traduzido em urros de exaltação aos heróis embalados por aplausos.

— Atenção, pessoal, em guarda! — disse Austin fazendo posição de luta. Os demais acataram a ordem do líder vermelho, prontos para a revanche. Avançaram contra Photofocus. O monstro atacava e defendia dos golpes com seus braços alongados e pernas grossas.

— O que estão esperando? Afastem-se daqui! — mandou Zoe que acabou tomando um chute no peito pelo monstro e bateu suas costas num poste de placa.

— Zoe! — disse Austin — Punhos Selvagens! — invocou suas armas que surgiram em luz vermelha nas suas mãos e avançou, dando um salto e o chutando, logo esquivando de um flash explosivo ao rolar para o lado e depois saltando para desferir sucessivos e velozes socos contra a lente gigante do monstro, o empurrando.

— A gente te dá uma força, Austin! — disse Jessie — Garras Raptoras! — invocou suas armas e partiu para ajuda-lo.

— Ferrão de Arraia! — chamou Zoe pela sua.

— Barbatanas Cortantes! — bradou Tim invocando as lâminas em forma de nadadeiras de tubarão, logo avançando ao combate.

— Marreta Avalanche! — bramiu Damian ao convocar sua forte marreta de aço e partir para o confronto. O fã-clube de Cindy inteiramente se limitou a assistir a luta atrás do carro de um dos professores no estacionamento, filmando a batalha feroz e impressionados com as acrobacias e ataques.

A marreta avalanche de Damian criou uma onda de terra que impulsionou Tim a atacar com as barbatanas diretamente em Photofocus em cortes faziam rasgos no corpo do monstro e estragos nas lentes. Jessie contribuiu num salto dando um golpe vertical com as garras raptoras que explodiu faíscas em Photofocus. Zoe foi a próxima, atacando com o ferrão rosa, partindo a lente macro do monstro que caiu ao chão.

— Não, minha câmera! — se apavorou ele.

— Você quer dizer seu nariz, né? Agora, Rangers, hora de combinar nossas armas e acabarmos logo com isso! — definiu Austin.

Porém, Photofocus gargalhava com infâmia ao reconstituir sua câmera como seu poder natural.

— Aqui está, uma novinha em folha! Peguei vocês, não foi?

— Se ele podia restaurar a lente, era óbvio que conseguiria fazer o mesmo com a câmera! — notara Damian.

— E pensar que estávamos quase vencendo! — lamentou Jessie.

Photofocus piscou mais flashes explosivos de sua lente, o som de fotografia tirada soando. Os Rangers simultaneamente tomaram os ataques nas roupas explodindo faíscas, caindo.

— Querem mais uma sessão de tortura como ontem? Vou começar por vocês dois! — disse o monstro mirando em Tim e Damian ainda caídos. Piscou o flash paralisante neles.

— Ah, que porcaria... Ficamos travados outra vez! — protestou Tim.

— E numa posição nada confortável! — adicionou Damian.

— Olha o passarinho! — disse Photofocus novamente lançando os flashes agressivos que estouravam faíscas em torno deles. Porém, Austin saltou e aterrisou frente a eles protegendo-os, logo disparando lasers dos canhões acoplados aos punhos selvagens. Os tiros acertaram em cheio Photofocus com explosões mínimas mas dolorosas.

— Vocês estão bem? — indagou o líder.

— A gente tá legal. — disse Tim.

— Valeu por interromper essa chuva de flashes. — disse Damian.

Jessie e Zoe apontavam pistolas Z para o monstro.

— Dessa vez não escapa! — disse a Ranger Amarela.

Ambas dispararam os lasers juntas, mas os flashes do monstro rebateram os ataques que causaram explosões de fogo atrás delas as tirando do chão.

— Brincar com vocês tem ficado cada vez mais chato! Mas não tem problema, temos um dia inteirinho até que sejam parte do meu álbum! Até breve, Power Trouxas!

A criatura fugira teletransportando-se de volta à nave de Lokknon. Sendo assim, Damian e Tim recuperaram os movimentos.

— Nossa mobilidade retornou! — comemorou Damian levantando-se e ajudando o parceiro.

— É, mas perdemos a chance de ouro pra transforma-lo em filme queimado. — disse Tim.

— Garotas, tudo bem com vocês? — perguntou Austin amparando-as.

— Sim... — disse Zoe meio ferida — Inacreditável, ele não só rebateu nossos disparos como também combinou eles com os flashes.

— Além de fotos horríveis, ele também tem truques sujos pra revelar. — disse Jessie com algumas dores queimando pelo corpo.

O fã-clube tornava a se aproximar dos heróis.

— Apesar de terem deixado o monstro escapar e levarem uma surra, ainda queremos uma selfie coletiva. — pediu Cindy que correu até Austin — Por favorzinho, Austin. Vocês são fortes, irão vencer aquele fotógrafo do mal cedo ou tarde.

— Admite que você quer uma foto exclusiva com o Ranger Vermelho só pra espalhar na Internet que estão namorando, Cindy. — implicou Jessie.

— O que tem de errado? Eu posso pedir o Austin em namoro aqui mesmo e ele vai aceitar porque ninguém resiste ao meu charme encantador. — disse Cindy deixando-o vermelho por dentro do traje.

— Peraí, Cindy, sou eu, o Tim! — disse o Ranger Azul interferindo — Por que o Austin e não eu que sempre foi amarradão em você?

— Lamento por você, Tim. — disse Cindy numa expressão triste para ele — Mas acontece que o Austin ganhou o meu coração primeiro.

— Que vexame. — disse Damian balançando a cabeça em negação e pondo a mão na testa em constrangimento.

— Essa garota sabe como fazer um belo papelão. — opinou Zoe ao lado dele com as mãos na cintura.

Os grupos das demais classes apareciam se aglutinando, a massa correndo para abordar os heróis.

— Encontramos eles, vamos!

— Bater em retirada, galera! — disse Austin que fugira em saltos super velozes acompanhado dos demais pelas árvores do bosque.

— Austin, espero que um vilão me sequestre um dia pra que você possa me salvar, meu amor! — berrava Cindy correndo no inocente desejo de alcança-los. Suas amigas a seguiram, mas a esnobe garota parou com tristeza no olhar sendo consolada com afagos por Lindsey e Kate.

***

No prédio do Fato Diário, a vinda de Owen foi recebida com uma calorosa salva de palmas pela equipe redatora. O fotógrafo reagiu meio acanhado com a congratulação, mas distribuía sorrisos simpáticos aos jornalistas ao passar por eles junto ao pai — um homem esguio na faixa dos 40 anos, rosto quadrado e cabelo loiro escuro bem curto.

— Aqui está nosso bom companheiro, Gunther. — disse ele.

O editor-chefe esbanjava alegria como quem profundamente estava orgulhoso por um feito magistral de um funcionário. Veio até seu freelancer favorito lhe apontando um dedo num sorriso fechado e amigável. Trazia um envelope de papelão com um volume dentro.

— Meus parabéns, rapaz. Sabia que não desperdiçaria o tempo que lhe restava. Que essa parceria indique um promissor vínculo profissional no seu futuro. Minha parte do trato. — entregou o envelope.

Owen pegara soando meio hesitante, mas expressou sua gratidão a Gunther.

— Eu quero que todos aqui saibam que... — falou para os repórteres ao redor — ... eu não consegui realizar essa meta por mim mesmo. Foi o Sr. Morrison quem me deu o incentivo correto muito mais valoroso que esse dinheiro, por isso a ele pela confiança e paciência. Obrigado.

Mais aplausos tomaram o ambiente. Gunther e Owen apertavam as mãos enquanto o pai do garoto não se continha de felicidade.

— Marley, você não terá do que se arrepender em ter criado esse garoto. Não é dos espertos que o mundo pertence, mas dos ousados que se impõem e encaram os desafios com honra e dever. Fez a coisa certa. O anonimato dos Power Rangers feria o código de um verdadeiro herói. — declarou Gunther.

Saindo do prédio, Owen refletia sobre as implicações. O pai desativou o alarme do carro e notou uma postura estranha no filho.

— Posso saber que carinha de preocupado é essa? Você desfrutou de uma vitória, filho. Cadê a sua empolgação?

— Pai, tenho que te contar uma coisa.

— Se explicar a razão dessa insegurança...

— Os Power Rangers são meus colegas de classe. — revelou Owen para a surpresa de Marley — Eu sei que o senhor não viu na TV, estávamos vindo pra cá. Mas é a pura verdade.

— E... isso faz você se sentir mal por eles?

— São estudantes comuns... como eu. Deve estar sendo difícil pra eles, eu não pensei no quanto isso podia afeta-los, eu só dei importância em agradar o senhor.

— Mas o que há de errado? Foi por você que me esforcei tanto pra convencer o Gunther a aceita-lo como temporário. Era pra estar grato tanto a ele quanto a mim.

— Mas eu tô! O problema é que eu sinto ter traído a amizade deles, apesar de nunca termos sido próximos.

— Filho, eles escolheram esse destino, eles que colham os frutos do que plantaram. Acredite, eles não são como você. Você é maior. É o único herói que eu vejo. — dizia Marley tocando-o no ombro. Owen tirou a mão do pai e seguiu caminhando pela calçada — Aonde pensa que vai? Vamos pra casa.

— O colégio fica umas duas quadras daqui, eu vou andando.

— Toma cuidado com essa grana. Te espero em casa.

***

Após se deslocarem pela metrópole saltando em alta velocidade por prédios como borrões de luzes, os Rangers fizeram uma parada na fuga em um edifício de vinte andares, aterrissando no terraço.

— Qual foi? Por que paramos, Austin? — indagou Tim, confuso com a atitude do líder — Não íamos pro esconderijo do Damian?

— Ficar no alto desse prédio até tudo isso passar com medo das pessoas lá embaixo vai nos transformar em péssimos heróis. — disse Jessie próxima dele que estava de costas bastante pensativo e incerto do futuro.

— Isso é verdade, as pessoas do mundo inteiro agora sabem quem somos. Fugir e se esconder só nos colocaria em rebaixamento na popularidade. — disse Zoe.

— E quanto a nossa popularidade, não podemos viver outra queda enquanto o Owen saboreia o sucesso com o pessoal do colégio e da imprensa que certamente vai torna-lo tão famoso quanto nós, senão até mais. — ressaltou Damian.

— Era esse o plano dele o tempo todo. — disse Austin voltando-se aos amigos — Nós temos que ir atrás dele, pegar aquelas fotos e força-lo a dizer ao público que forjou com programa de computador.

— Ele nos viu desmorfando, registrou cada frame. — disse Damian.

— Ninguém iria pensar que é efeito especial de montagem da internet. Se tentarmos obrigar ele a mentir, a credibilidade da AGNN vai pro buraco. — disse Jessie vislumbrando o cenário.

— São muitas consequências em jogo. — reforçou Zoe.

— O quê que a gente faz então? — questionou Tim — Não podemos aparecer em público e nem fugir! O que vai acontecer se não conseguirmos aguentar toda a atenção do mundo em cima da gente?

Os demais fizeram um instante de silêncio numa reflexão ponderada.

— Eu não sei... — disse Zoe — Nossos pais também foram Rangers. Minha mãe deve estar arrasada. Acho que ela é capaz de decidir me levar embora da cidade, me disfarçar pra me proteger do assedio da mídia...

— Se a sua mãe estiver arrasada, a minha deve estar louca. — especulou Jessie — Nem sou vidente, mas já consigo prever exatamente o que ela vai me dizer quando eu chegar em casa.

— Eu tô certo de que meu pai vai me submeter a privação do mundo externo e me manter fora da escola por um bom tempo. — prospectou Damian.

— E... acho que não vou mais poder visitar meu pai na prisão. — lembrou Tim com certo abalo — Todos iam me reconhecer logo de cara.

— Chega, ninguém vai fugir nem se esconder em lugar nenhum. — decretou Austin, a liderança pulsando no tom de voz — Seria como viver uma vida luxuosa de celebridade, não acham? Aguentamos o Lokknon nos espionando sem saber quando ele vai atacar. Não é disso que deveríamos ter medo?

— Em tese, sim. — disse Damian — Mas a fama traz complicações pra vida pessoal. Ser espionado pelo Lokknon é uma coisa, mas sair de casa e ficar cercado de paparazzis é outra bem diferente. Isso sem falar na exposição midiática, nossos rostos, nossas vidas, tudo que fizermos, não importa se como Rangers ou civis, será de conhecimento geral.

— Eu não lido bem com fama de artista e vocês viram isso não faz muito tempo. — lembrou Jessie.

— É desconfortável pra atores e atrizes, adultos ou crianças. Imagina pra nós, heróis com superpoderes que pilotam um robô gigante. — acrescentou Zoe, visualizando o impacto de uma vivência análoga a astros da TV.

— Vocês tem razão, mas teremos que nos acostumar com esses dois lados da fama. — disse Austin.

— Antes disso, vamos encontrar aquele fanfarrão do Owen e dar uns cascudos nele. — pressionou Tim.

— Não, não vamos usar de violência com ele. Se tiver algum jeito de solucionar esse problemão, que seja de maneira pacífica. — definiu o líder.

— Mas espera aí... Estão esquecendo que a rede de morfagem corta a conexão com o Ranger se ele tiver sua identidade exposta. — recordou Jessie, afligindo-se — Temos que avisar ao Owen que esse será o pior resultado da atitude dele contra nós.

— Mas pensem bem. — disse Damian — Ele que nos expôs, não o fizemos por livre e espontânea vontade.

— Então só seríamos punidos se nós tivéssemos permitido sermos expostos. Faz sentido. — concordou Zoe.

— Será que isso é verdade? — desconfiou Jessie.

— O Sr. Dickerson conhece a rede de morfagem como a palma da mão, ele pode nos explicar com mais detalhes. — disse Austin. O comunicador repentinamente tocou — Olha só, é uma boa hora pra perguntar. — apertou o botão — Na escuta.

Era a voz de Karen falando:

— Rangers, eu sinto muito que estejam passando por esse furacão que ameaça destruir a reputação de vocês. Imagino como os pais de vocês estão se sentindo nesse momento.

— Karen, nos desculpe, não fomos eficientes como Rangers pra evitar tudo o que aconteceu. — lamentou Austin — Mas essas desculpas devemos mais aos nossos pais e ao Sr. Dickerson. Ele que nos confiou a honra do legado e agora... estragamos tudo.

— Não se sintam culpados, estavam impossibilitados de agir à mercê do Photofocus. Acreditem, Dickerson se sentiria bem mais culpado por ter mandado desativarem as Beasts Cycles.

— Ele não tá aí por perto? Queríamos tirar uma dúvida urgente só com ele.

— Ele agora tá enfurnado na sala de operações, mas já sabe do que ocorreu. Está preparando a arma secreta que fará Photofocus provar do seu próprio veneno. Aguardem.

— Sério mesmo? Ótimo, ao menos temos uma esperança de derrotar aquele monstro.

— O que farão a respeito do fotógrafo espalhafatoso?

— Tirar satisfações, não tem outro jeito.

— Vou rastrear Photofocus com um sistema atualizado de radar que possa coloca-lo em vista. Boa sorte e cuidado.

— Sorte pro Sr. Dickerson também. — disse Austin que o desligou — OK, pessoal, se o Owen estiver por aí, nos separamos pra encontra-lo com nossos radares. Se nenhum de nós o achar, vamos ao colégio pois é lá que ele deve estar. Certo?

— Certo! — disseram os outros.

— Agora! — disse Austin dando a largada para a busca. Os Rangers se espalharam em diferentes cursos saltando em hipervelocidade.

***

Earl se desdobrava para fechar seu bar o mais rápido que seu corpo permitisse. Terminou de guardar as mesas e cadeiras no depósito onde as mantinha e correu para a porta de entrada. Passou pelo corredor curto de paredes azul-esverdeado para trancar a porta.

— Se não fechar logo, a garotada vai superlotar isso aqui e não vou dar conta de servir tantas bocas. — disse ele sacando a chave e se aproximando da porta.

No entanto, uma horda de repórteres invadiu o estabelecimento quase caindo de frente com o empurra-empurra. Atarantado, Earl levara um susto e correu de volta, as equipes de reportagem o seguindo vorazmente.

Dentro do bar, o cozinheiro se armou com uma cadeira apontando os pés do móvel para os invasores desrespeitosos.

— O senhor é o homem com quem os Power Rangers têm uma certa proximidade! Poderia nos informar como é sua relação com eles? – perguntou uma repórter com o microfone inclinado para Earl que se chateava com os flashes fotográficos piscando entre as câmeras de filmagem.

— Eu não tenho nada a dizer pra satisfazer um bando de abutres como vocês! Quero todos fora do meu bar, agora! — mandou Earl que quase nunca se irritava daquele modo.

— Eles são seus frequentadores mais assíduos! Por favor, nos diga como eles se comportam no dia-a-dia! — clamou outra repórter — Espera aí, sai pra lá, chegamos primeiro! — alguns iniciavam discussões acaloradas sobre o espaço de trabalho.

— Eita, agora eu tô sendo disputado... — disse Earl que viu uma vantagem — Peraí, essa é minha deixa. Isso aí... — disse ele recuando discretamente — Briguem, seus abutres.

Correu direto para a cozinha, atravessando o balcão, mas acabou sendo notado pelo exército jornalístico cujo vozerio se concentrou nele novamente. Earl trancou-se na cozinha recebendo batidas insistentes e irritantes.

— Se continuarem perturbando, eu chamo a polícia! — ameaçou ele aos gritos. Se encostou na porta e foi sentando-se, as mãos na cabeça em sinal de desespero — Cadê os Power Rangers nessas horas? Ah meu Deus...

De volta a nave de Lokknon, Photofocus se defrontou com uma cena desagradável.

— Não, minhas fotos! O que está fazendo? — disse ele que correu para impedir Lokknon de continuar jogando suas fotos numa lareira acesa, mas foi interceptado por Mudok que disparou um raio vermelho de sua mão e o arremessou contra a parede.

— Não se atreva a tocar no mestre! — advertiu o androide.

— Mas eu só ia pegar de volta minhas fotos! — falou Photofocus levantando meio tonto — Essa lareira não estava aí! Mestre Lokknon, o que significa isso?

— Não é evidente? Estou me livrando dos terráqueos idiotas que os Rangers não puderam salvar. — respondeu Lokknon sentado numa poltrona reclinável enquanto lançava as fotos com os humanos aprisionados ao fogo — Pense só como ficarão à beira do abismo da vergonha quando esses insetos forem dados como mortos. Sairão com a culpa da incompetência. — dera uma maligna risada.

— Mestre, essa não! — alertou Barooma. Mas fora tarde demais, o imperador havia jogado a foto às chamas.

— Mas o que foi, Barooma? Pra quê esse alarme?

— A foto que acabou de descartar... era a de Aracna!

Mudok ficara estupefato. Porém, Lokknon não esboçou tanta sensibilidade.

— Oh... Não havia nada que Photofocus pudesse fazer para restaura-la ao estado original, certo?

— Eu posso sim reverter as fotos, basta eu inserir aqui e...

— Por que não disse antes? — questionou Lokknon lançando um raio contra o monstro que desviou para o lado.

— Por que iam querer saber? Além do mais, vocês nem pareciam gostar tanto assim dela!

— Trouxe mais fotos?

Photofocus hesitou. Mas Lokknon incutir temor.

— Vou perguntar apenas mais esta vez: trouxe ou não novas fotos?

A saída de câmera polaroide na barriga de Photofocus liberava as últimas das pessoas clicadas. As muitas fotos caíam ao chão.

— Muito bem, mais terráqueos para incinerar. — disse Lokknon recolhendo as fotos e voltando à poltrona — Volte à Terra e dê continuidade. Quero os Power Rangers ainda hoje vivendo uma reviravolta trágica que irá enterrar suas vidinhas heroicas!

Mudok se aproximou de Photofocus para elogia-lo.

— Agiu como um bom soldado temente ao seu senhor. Ninguém se insubordina ao mestre duas vezes.

— Eu não quis entregar as fotos. — revelou o monstro, baixinho.

— Mas o quê?! Então porque as expeliu?

— Ele me deu tanto medo que não deu pra segurar.

O androide recuou de leve.

— Argh, que nojo

***

Enquanto isso, os Rangers executavam com afinco a procura por Owen nos quatro cantos da cidade. Os heróis se viam acima de prédios utilizando das visões de longo alcance instaladas recentemente por Dickerson nos capacetes. Damian foi quem o detectou passando por uma rua movimentada onde o trânsito engarrafou. Ampliou a visão, confirmando ser ele.

— Achei, pessoal! Ele tá na avenida Saban e... parece estar levando um tipo de envelope.

— É a recompensa pelas fotos! — citou Zoe.

— Legal, Damian, estamos a caminho! — disse Austin que disparou de onde estava.

Owen caminhava tranquilamente ouvindo música com fones de ouvido pela calçada, alheio a barulheira de buzinas no congestionamento. Assoviava a música que ouvia quando de repente, cinco borrões como pontos de luz vieram na sua direção saltitando super-rápidos. Parou para observar, logo se dando conta e tentando fugir.

Mas os Rangers o apanharam, levando-o a um prédio de considerável altura nas proximidades. Austin o pusera contra uma parede.

— Ei, ficaram malucos? Eu tava na minha curtindo um som maneiro e vocês vem como cães famintos me devorar!

— Não sequestramos você pra te fazer mal, Owen. — garantiu Zoe.

— Só queremos conversar. — reforçou Jessie.

— Mas sequestraram! E pode ter testemunhas hein! Os Power Rangers jamais fariam isso! — reclamou Owen que tirou rudemente a mão de Austin do seu ombro — Me larga, Austin, eu não quero treta com vocês!

— Se não quisesse não teria exposto nossas identidades sem nos consultar antes. — rebateu Austin em tom de repreensão.

— Você não faz a menor ideia da gravidade da situação em que você nos colocou, cara. — alertou Damian.

— O que vão fazer comigo?

— Estamos pensando ainda, ô topetinho. — disse Tim socando a palma da mão esquerda.

— Querem me jogar desse prédio se eu não aceitar a chantagem de vocês pra desfazer tudo o que eu fiz, né?

— Ninguém tá falando em chantagem aqui, somos os Power Rangers, não usamos de ameaças contra pessoas inocentes. — pregou Austin.

— Tá de zoação, né Austin? Chamar esse cara de inocente é como chamar um ornitorrinco de pato. — disse Tim, enfezado.

— Dá um tempo, Tim. Essa discussão tem que ser resolvida olho no olho. — determinou Austin que tocou no morfador preso ao cinto — Por favor, pessoal.

Os amigos repetiram o movimento, acatando a ordem.

— Desativar. — falaram em uníssono.

Owen os viu desmorfarem pela segunda vez diante dele, apertando os olhos pela claridade das luzes coloridas.

— Eu queria tanto que não fossem vocês aqui na minha frente. — disse o fotógrafo meio triste — Vai, podem me crucificar à vontade, nada vai mudar.

— Mas deve mudar. — disse Jessie aproximando-se dele — Você tem que fazer uma retratação pública dizendo que falsificou as fotos num programa de Photoshop.

— Jessie, você disse que força-lo a mentir iria prejudicar a imprensa. — relembrou Austin.

— Eu sei, mas mudei de ideia. A mídia se recupera da crise. Mas nós não.

— Tá brincando?! Eu nem sei usar Photoshop! E também não vou fingir que usei. Eu não devo nada a vocês e nem a ninguém! Ganhei por meu trabalho de forma honesta!

— Mas e a ética jornalística que você dizia tanto prezar? — questionou Zoe, endurecendo sua abordagem — Eu achei que você fosse essa pessoa honesta que respeita os limites. Mas eu tava enganada.

— Dentre todos nós, a Zoe foi quem você mais decepcionou. — disse Damian não menos severo.

— Olha, eu até pensei em voltar atrás, mas depois imaginei o que meu pai iria achar se eu tivesse desistido. — contou Owen andando devagar para um pouco longe deles — Ele teria me julgado um filho fraco, inútil e sem futuro. Conseguem me entender? Mas depois que tudo estava feito, pensei em vocês...

— Pensou em nós, né? Será que é peso na consciência? — perguntou Tim, a face de chateação.

— Não. — disse Owen virando-se para os Rangers — Achei que pudessem se adaptar por serem heróis. Mas eu não me arrependo, agora tenho certeza de que não. Esse dinheiro significa muito pra continuar meu trabalho.

Tim se teletransportou para trás de Owen, logo tomando das mãos o envelope e recuando.

— Ei! Me devolve isso!

— Vem tirar de mim! — desafiou Tim andando para trás até o parapeito — Senão eu jogo daqui! Quem sabe alguém que realmente precise dessa grana encontre!

— Tim, para com isso! — reprovou Austin.

— Não faz isso, Tim, por favor! — disse Zoe.

— Nem pensar, ele não merece, não pelo que fez conosco!

— Temos que contar a ele sobre a rede de morfagem. — alardeou Jessie para Damian.

— E se ele não acreditar? — supôs o Ranger Preto.

Owen avançou impetuosamente.

— Devolve a minha grana, cara! Não tô brincando!

— Quer seu dinheiro sujo de volta? Então vai pegar! — disse o Ranger Azul que lançou o envelope ao vento.

— Não! — disse Owen, aturdido ao ver sua comissão cair vários metros abaixo.

— E já era. — disse Damian, surpreendido.

— Você me paga, seu miserável! — disse Owen arregaçando as mangas em colisão a Tim.

— Tá afim de uma luta? Pois então vem, seu mané! — incitou Tim.

Austin prontamente barrou o amigo, afastando ele de Owen. Damian também o fez com o fotógrafo, impedindo de se agredirem.

— Não devia ter feito isso, tinha que segurar a onda. Agora piorou pra nós. — disse o líder ao imprudente Ranger Azul.

— Que se dane a carreira dele, os Power Rangers importam muito mais!

— Aí, se acalma. — disse Damian para Owen — O Tim só tá chateado pelo que seu ato pode desencadear sobre nós.

— Verdade, Owen. — disse Jessie — Podemos perder nossos poderes... pra sempre.

— Vocês acham que vou cair nesse papinho só pra desmentir as fotos? Vão pro inferno!

— Manter nossas identidades é fundamental. — disse Zoe, entristecida por ele.

— Mas não concordo com vocês agirem no anonimato, não é assim que um herói deve se impor na sociedade. Meu pai que me esclareceu o quanto isso é errado.

— Não mostrarmos nossos rostos não nos faz menos heroicos, Owen. São as nossas ações que contam — contrapôs Austin — Vem conosco, quero que conheça um grande amigo nosso.

— Ir com vocês? Pra onde?

— Toca em mim. Pode confiar, não é cilada.

Relutantemente, Owen o fizera, apoiando a mão esquerda no ombro de Austin.

— Vamos pra Central de Comando. — disse o líder. Os Rangers apertaram os botões de teleporte. Contudo, nada de aparecerem na base, embora estivessem num local familiar.

Os repórteres se agitaram ao verem os pilares de luzes surgirem no meio do bar de Earl.

— O Q.G. de vocês fica na Cantina do Earl?! — disse Owen, estranhando.

— Não era pra estarmos aqui! — disse Austin olhando a pulseira — Deu erro no teleporte!

— Deve ser por causa do erro de uma certa pessoa. — disse Tim olhando torto para Owen.

— Acredita agora? — indagou Zoe.

— Nossos poderes estão ameaçados de extinção porque você quebrou nossa regra. — disse Jessie.

— Ô ô... — disse Damian, tenso pelos repórteres que vinham entrevista-los. Em poucos segundos, estavam recebendo enxurrada de perguntas e flashes.

— Há quanto tempo vocês atuam na defesa do planeta?

— Os uniformes são feitos de lycra ou de origem extraterrestre?

— Por que fazem poses chamativas quando enfrentam os inimigos?

— Nunca se questionaram se são jovens demais para combater monstros alienígenas terríveis?

Os Rangers sentiam-se acuados com toda aquela pressão, nenhum deles conseguindo exprimir uma palavra. Owen resolveu assumir.

— Eles não estão confortáveis com toda essa atenção! Por favor, se acalmem e me escute!

— O que ele tá fazendo? — indagou Jessie.

— Roubando a cena. — disse Tim.

Uma repórter lhe indagara:

— Owen, você tem alguma ligação intimista com os Rangers?

— Não, mas eu bem que poderia empresariar eles, acho que não são muito bem gerenciados. Na verdade, eles são uns verdadeiros selvagens. Odiaram serem descobertos e tentaram descontar em mim, quase me jogaram de um prédio de vinte andares de tão furiosos.

— Owen, já chega! — disse Austin que o empurrou de leve para ser focado pela câmera — Isso é mentira, não tentamos nada contra ele!

— Mas jogaram fora o dinheiro que recebi com meu trabalho pro jornal! — replicou, a câmera focando-o.

— Por que tá fazendo isso, Owen? Você só precisava de uma foto no mural dos Power Rangers lá no Fato Diário e você mesmo assim ganharia a comissão! — dizia Zoe com um semblante de choro.

— Mas não o dobro do que ganhei tornando vocês mais famosos! Deviam ser gratos a mim!

— Chega, eu vou arrebentar a cara desse branquelo! — disse Tim inflando o peito para partir contra Owen, mas foi segurado por Austin e Damian — Me larguem, ele vai ter o que merece! — esbravejava o Ranger Azul, tentando se soltar.

Um tiro de espingarda fizera todos se abaixarem amedrontados. Era Earl totalmente de paciência esgotada dando seu ultimato aos repórteres. As equipes televisivas saíam assustadas após Earl ameaçar atirar neles. O fã-clube liderado por Cindy veio na contramão. Austin a limitou.

— Cindy, agora não estamos com cabeça pra...

— Não, não viemos pra pedir autógrafos nem tirar selfies. — disse a patricinha olhando desiludida para os heróis — Ouvimos tudo.

— Por isso mesmo estamos cancelando o fã-clube. — falou Lindsey.

— Onde já se viu heróis ameaçarem jogar pessoas de prédios? — disse Kate.

— Adeus, Austin. Meu coração que antes batia forte por você... se partiu em pedaços. — lamentou Cindy, desanimada — Vamos, gente.

O grupo deixava o local compartilhando a decepção. Owen também se retirava.

— Owen, volta aqui... — disse Austin, mas não insistiu — Que droga! — chutou uma cadeira.

— Calma, rapaz. Vê se extravasa essa raiva em algum monstro. — disse Earl, tocando-o.

— Foi mal, Earl. Mas é que todo esse problema tá enlouquecendo a gente.

— Você também tá magoado, né? — indagou Zoe.

— Eu? Magoado com vocês? Mas que nada, galerinha! Eu tô muito é orgulhoso. Meus clientes favoritos não são ninguém menos que os Power Rangers! Podem crer que de mim vocês tem total apoio.

— Então não acredita em nada do que o Owen falou? — perguntou Jessie.

— Não, deixem pra lá, ele é só um garoto metido e ganancioso. Um dia ele paga com a língua. Vocês são meus melhores amigos. Já eram antes, agora isso ganhou outro significado.

— Valeu Earl, nunca duvidamos do seu caráter. — disse Austin emocionado com a postura dele.

— Você é a melhor pessoa, Earl. Eu te amo, seu gorducho! — disse Tim o abraçando forte.

— Gostei da espingarda. — disse Damian.

— Eu coleciono pra penhorar na minha lojinha. Essa aqui veio a calhar hoje. — disse ele admirando a arma.

Os comunicadores tocaram. Austin atendeu.

— Na escuta, Karen.

— Photofocus foi visto atacando o centro. Se apressem antes que ele fuja.

— Beleza, estamos a caminho. — disse Austin, desligando. Os heróis sacaram suas células e morfadores e agruparam-se em linha reta — Earl, se prepara pra ficar de queixo caído.

— Eu tô doido pra ver como vocês vestem aqueles trajes! — disse Earl sorridente e ansioso.

Austin olhou para frente tal qual eles.

— Certo, galera. Hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente

— Leão Escarlate!

A presença de Photofocus propagava o caos nas ruas mais frequentadas do centro da cidade, gerando um corre-corre desenfreado de quem lutava para se safar dos flashes de captura. O monstro piscava sua lente sobre algumas pessoas indefesas e caídas, zombando delas ao verem ser enquadradas e transformadas em fotografias.

Ao chegarem, os Rangers toparam com inúmeras fotografias espalhadas pelo asfalto.

— Olhem isso, que horror. — disse Jessie pegando uma.

— Ele tem uma preferência bem peculiar. — disse Damian reparando que todas as fotos exclusivamente eram em negativo ao apanhar duas.

Uma intensa corrente de vento sugou as fotos largadas. Os Rangers acompanharam a direção, vendo Photofocus absorve-las para a sua barriga. As fotos, inclusive, eram teleportadas até Lokknon que prazerosamente seguia jogando uma a uma no fogo da lareira.

— Delícia de sessão! Eu adorei, meu dia foi altamente produtivo!

— Uma pena pra você pois vai ser o último da sua carreira! — disse Austin se aproximando mais do monstro — Rangers, preparem-se!

— Ora, os Power Pivetes vieram pra mais um ensaio! — disse Photofocus virando-se a eles.

— Só que dessa vez seu filme vai sair queimado! — disse Tim.

— Rangers, atacar! — bradou Austin. Os heróis se dispersaram dando saltos e se posicionando em torno de Photofocus em distâncias seguras.

— Pistolas Z! — disse Austin sacando a sua. Os tiros das cinco armas acertaram Photofocus que se queixava dos ataques gerando explosões de faíscas.

— Essa área tem um espaço adequado para que usem as Beasts Cycles sem danos civis. — orientou Karen — Mas... os níveis de energia estão caindo. No momento, só um de vocês pode ativar em plena capacidade.

— Quem? — indagou Zoe não cessando os disparos.

— Austin. — respondeu a tecnóloga, nervosa.

— OK! Só vamos deixar ele bem desorientado com essa chuva de tiros! — disse Austin. Contudo, as pistolas perderam bruscamente o poder de fogo — Não pode ser... As pistolas Z...

— Acabou a bateria? — indagou Tim examinando a pistola.

— Quem dera. Sabemos bem o porquê! — disse Jessie.

— Inventem uma estratégia mais inteligente, seus inúteis! — disse Photofocus que se recompôs e girou o corpo da cintura para cima disparando os flashes explosivos contra Zoe, Tim, Jessie e Damian que foram derrubados com explosões de faíscas.

Austin escapou do golpe num salto acrobático.

— Beast Cycle Vermelha!

A moto surgira rasgando o asfalto, ainda mais após Austin passar a pilotar.

— Vou tomar uma longa distância pra usar o modo míssil turbo em potência máxima! Aguentem firme, amigos! — disse o líder dando meia-volta e correndo até o final da rua a vários metros. Depois virou em retorno, acelerando.

— Austin, potência máxima vai exaurir sua energia em segundos! — alertara Karen.

— Mas pode ser o único jeito de finaliza-lo sem o Abatedor Selvagem!

Photofocus paralisava novamente os Rangers e recebiam mais uma dose de flashes explosivos.

— De novo, não! — disse Jessie.

— Austin, vem logo! — implorava Tim, sofrendo com as faíscas queimando na roupa.

A moto adquiria mais velocidade.

— Só mais um pouco...

Karen se afobava na cadeira.

— Essa não... Austin, as roupas dos outros estão... se desfazendo. A cada dano sofrido, os níveis caem largamente.

— Eu tô quase lá... — disse ele, pronto para acionar a potência ao limite — Modo Míssil Turbo! Carga total! — a moto foi enviada por uma energia de fogo e disparou veloz como um raio. Porém, subitamente desapareceu como se desativada. Austin se acidentou rolando ao chão numa grave queda, seu uniforme "rasgando" em energia instável.

— Austin, responda!

— Eu tô bem... — disse ele levantando com dificuldade. Olhou para os braços e as mãos, suas luvas querendo desaparecer — Karen, o que tá acontecendo?

— A rede... está punindo vocês! Use o que resta pra salva-los, depressa!

— Detonador Max! — chamara pela arma que surgiu em sua mão direita e a mirou precisamente em Photofocus. Os demais desmorfaram após seus trajes sinalizarem a perda de conexão com a rede de morfagem — Fogo!

Mas logo ao apertar o gatilho, Austin fora despido de seu uniforme, a arma também sumindo em luz vermelha. O tiro sequer saiu.

— Não! Galera, vamos nos teleportar!

— Não podemos... Aaaaah! — disse Zoe.

— Estão paralisados. Desgraçado! — disse Austin que corajosamente correu até Photofocus e subira nele, o escalando. O monstro desviou o foco, atordoado.

— Tem um piolho na minha cabeça! Sai, sai! — reclamava Photofocus, irritado. Com a distração dele, os Rangers reaviam os movimentos.

— Posso me mover... Finalmente. — disse Jessie. Os quatro tombaram de joelhos, feridos.

— Austin... — disse Damian tentando se reerguer, os óculos tortos.

— Vão pra Central de Comando, rápido! — mandava Austin em cima do monstro como se montasse num touro mecânico, dando socos nele. Os Rangers bem que tentaram...

— Não dá... — constatou Zoe — Até o teleporte perdemos!

— A rede cortou a conexão integralmente. — disse Karen — Isso me obriga a fazer uma coisa. — levantou-se, fortemente decidida.

Photofocus conseguiu livrar-se de Austin o jogando ao chão agressivamente.

— Austin... — disse Jessie juntamente com Zoe o ajudando.

— Bem, é hora de posarem, crianças! A oportunidade perfeita! Fiquem bem aí!

— É o nosso fim! — disse Tim, atemorizado — Damian, me abraça, irmão! — agarrou-o.

— Tim, para! Ainda não acabou!

— Ah, acabou sim! Sorriam pra câmera! — disse Photofocus prestes a dar o clique.

— Adeus, mundo cruel! — berrava Tim fechando os olhos.

Eis que um distinto pilar branco de luz desceu frente a eles. A figura de Karen transpareceu a esperança que indicava antes estar perdida.

— Karen!? — disse Jessie, surpresa.

A tecnóloga encarou o monstro e disparou alguns tiros de laser com uma pistola grossa. Photofocus foi rodeado de explosões faiscantes.

— Crianças, segurem-se em mim!

Os cinco acataram e o fizeram prontamente.

— Ei, cuidado onde toca. — disse Damian para Tim que se abraçou a ela por trás.

— Eu sei, não consigo pensar em nada a não ser me salvar!

— Melhor limpar essa lente. — disse Karen que apertou o botão de sua pulseira, teletransportando-se com os Rangers.

— Malditos, fugiram com a mamãezinha deles! E qual o problema com a minha lente? — disse Photofocus tocando nela.

Na Central de Comando, os Rangers descansavam sentados em cadeiras giratórias.

— Me passa o mertiolate aí. — pediu Tim a Jessie que entregou o frasco do remédio. O Ranger Azul passava em um ferimento de seu braço esquerdo.

— Nunca saímos tão detonados assim de uma luta. — disse Austin — Olha, me desculpem pelo plano horrível de deixar vocês tomando aqueles flashes enquanto eu preparava um ataque definitivo que não ia funcionar.

— Mas teria dado certo, não foi culpa sua. — amenizou Zoe tocando no braço direito do amigo.

— Não, foi sim. A Karen me avisou e eu não escutei.

— Nossas forças iam se esgotar de qualquer forma, lutando ou não. — disse Damian.

Karen vinha do laboratório.

— Espero que tenha aprendido a lição, Austin. Nem sempre a intuição acerta. Vocês estão bem?

— Estamos sim, mas... — disse Jessie que estava pensativa — Gente, notaram que nossos poderes só começaram a enfraquecer depois que morfamos lá no Earl?

— E daí? A tal rede nos deu um baita castigo. — disse Tim — Mas nem fomos nós os culpados!

— Fomos sim. — disse Jessie, olhando para os amigos, séria.

— De fato. — assentiu Damian entendendo o raciocínio — A teoria da exposição da identidade de um Ranger foi corroborada. Mas antes de pressionarmos o Owen, tínhamos nossos poderes em plena capacidade.

— Então... — compreendeu Zoe — É mesmo, nós desmorfamos na frente dele. Foi ali que infringimos a regra. — levantou, tensa — Criticamos o Owen, mas esquecemos que também podemos cometer erros.

— Isso foi culpa minha também. — disse Austin, cabisbaixo — Se eu não tivesse mandado, ainda teríamos nossos poderes.

— Dickerson trouxe os ases na manga. — disse Karen num sorriso confiante enquanto o mentor retornava à sala.

— A arma secreta contra o Photofocus, né? O que o senhor preparou? — perguntou Austin.

— Nesta caixinha há espelhos refletores de luzes que causam efeitos nocivos. Uma vez que Photofocus disparar qualquer um dos flashes, o espelho reflete diretamente a ele, o cegando.

— O feitiço contra o feiticeiro. Adorei. — disse Jessie, seu espírito de luta renovado.

— Mas como espelhos podem caber numa caixa tão pequenininha? — questionou Tim.

— Estão miniaturizados. Basta apertarem um botão atrás deles para que fiquem no tamanho original.

— Mas Sr. Dickerson, nossos poderes se foram. — disse Zoe.

— Mas eu não disse que deveriam enfrenta-lo nas condições atuais.

— Afinal, obviamente destruir Photofocus não vai reverter a exposição. — adicionou Karen.

— O que devemos fazer então? — indagou Austin — Apagar a memória de todos?

— Não, essa é a solução impossível. — disse Dickerson indo até a mesa de análises. Tirou do bolso um objeto laranja no formato de um foguete e o colocou sobre – Esta é a possível.

— Um foguete de brinquedo? — estranhou Tim.

— Aparentemente, sim. Mas por dentro ele é capaz de uma das façanhas mais sonhadas pelo homem.

— Viajar além do universo observável? — perguntou Damian.

— Não. Pelo tempo. — revelou o mentor, olhando-os com expectativa.

— É brincadeira, né? Viajar no tempo?! Isso é mesmo possível? — duvidou Jessie.

— Pra esta máquina que construí há cinco anos, é possível por até cem anos no passado. O chamo de Retrolapse. Não se preocupem, faço a manutenção geral uma vez a cada dois meses desde que o criei.

— Pode ser mesmo nossa única chance, galera. — disse Austin aproximando-se e pegando a máquina e a caixa com os espelhos.

— Aperte o botão deste controle — ensinou Dickerson entregando o pequeno dispositivo a Austin — e o Retrolapse cresce ao tamanho normal. Mas não aqui. Precisam se teletransportar pra fonte da exposição.

— Mas nem energia pra isso temos. — disse Tim.

— Não se preocupem, isolei uma quantidade reserva antes que a rede puxasse a tomada. — verificou Karen no monitor.

— Ótimo, vamos nessa. — disse Austin agrupado aos demais — A fonte da exposição... Ah é, a AGNN.

— O curso foi traçado para o prédio da emissora, no terraço. — disse Karen — Boa sorte, Rangers.

— Nos vemos em um dia... lá atrás. — brincou Dickerson.

— 24 horas? Não deveríamos voltar no instante em que Owen vai na AGNN pra impedirmos ele no momento exato? — sugeriu Zoe.

— Não, tem que ser antes dele obter as fotos. Assim, poderemos apagar somente a memória dele pouco depois de nos fotografar. — corrigiu Damian. Todos concordaram que era o melhor ponto de retorno.

— Isso aí, galera. Prontos? Lá vamos nós!

Os Rangers apertaram os botões de teletransporte, logo surgindo no terraço da AGNN com suas várias antenas de TV em volta.

Austin apertou o controle do Retrolapse após coloca-lo no chão, o foguete espaço-temporal crescendo ao tamanho devido.

— Cabe todos nós aí dentro? — indagou Jessie — E se o Tim soltar um pum?

— Não será uma viagem tão longa pra suportar o odor. — disse Damian.

— Eu vou me controlar, não comi ovo no café da manhã. — disse o Ranger Azul que se empolgara — Ah, cara, que irado! Temos nossa própria máquina do tempo!

— Pois subam a bordo, Rangers! — disse Austin abrindo a porta.

Lokknon estava atento àquela artimanha reversa.

— Máquina do tempo?! Por acaso, pretendem fazer a história retroceder até aqui?

— Creio que se trata de alterar os eventos a partir do dia anterior para anular a exposição de suas identidades! — explicou Barooma.

— Dickerson e seus inventos astutos! Não vou permitir que seus soldadinhos coloridos embarquem nessa lata! Barooma, envie o maior número de Psycho-Bots disponíveis!

— Sem demora, mestre! — disse Barooma apertando controles do seu painel — E... liberados!

O exército de robôs pretos monoculares surgiu em teleporte cercando os heróis antes que Austin pudesse entrar primeiro.

— Ah, mas é claro! O Lokknon não ia deixar de aproveitar pra arruinar nossa viagem! — disse Jessie em posição de luta.

— São vários, acho que ele mandou a tropa inteira! — disse Zoe — Austin, ficamos ou lutamos?

— Se entrarmos no Retrolapse, eles atiram e danificam o motor! — disse Austin colocando-se à frente do time em posição combativa.

— É arriscado irmos parar na época errada! — aprofundou Damian.

— Droga, logo agora?! — reclamou Tim — Vamos lutar assim mesmo?

— O Lokknon mostrou que não tá afim de brincar... Vamos seguir o exemplo. — disse Austin, disposto ao difícil confronto para proteger o Retrolapse de qualquer avaria.

CONTINUA...

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