Power Rangers: Esquadrão Z

22 Rangers Expostos (Parte 3)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Dickerson finaliza a invenção que consiste no único modo de desfazer o estrago: voltar no tempo. Porém, na nova linha temporal, Owen obtém as fotos reveladoras graças a Aracna, forçando os heróis a tentarem derrotar Photofocus a tempo de impedir a exposição na mídia.

O cerco de Psycho-Bots ameaçava se fechar maia qualquer instante se os Rangers não agissem prontamente em combate.

— É o seguinte: vou diminuir o Retrolapse e, enquanto lutamos, ele será passado de mão em mão. — planejou Austin com o controle na mão — Tá na cara que o Lokknon quer rouba-lo pra viajar pelo tempo e mudar a história por ele.

— Achei que ele só quisesse nos impedir de voltar pro dia de ontem! — disse Zoe — Tem razão, seria conveniente demais pra ele, imaginem só a tragédia.

— Ele certamente mudaria eventos-chave no contínuo espaço-tempo de tal maneira que não nos tornaríamos Power Rangers, no fim das contas. — disse Damian, certo da trama do imperador.

— É agora... — disse Austin, atento — Quando eu disser já, se dispersem e ataquem. Um... dois... três... e já!

O líder apertara o botão do controle que miniaturizava o Retrolapse, a máquina rapidamente encolhendo ao tamanho anterior. Os Rangers dispararam à luta contra os robôs pretos de olhos vermelhos, chutando-os e desviando de golpes e tiros dos detonadores que eles portavam. Jessie dava cambalhotas escapando de estouros de faíscas sucessivos em linha reta e chutara dois soldados que caíram empurrados contra uma parede.

— Tomem cuidado com as antenas! — direcionou Austin batendo em alguns que o encurralaram visando arrancar dele a máquina. Tomou impulso com o pé numa pilastra de ferro e girou dando um chute certeiro em um Psycho-Bot que foi decapitado, a cabeça quicando com raios e faíscas — Jessie! — jogou o Retrolapse para a Ranger Amarela que o pegou.

Zoe e Damian estavam juntos desferindo chutes, socos e cotoveladas nos robôs, assim como desviavam de golpes físicos deles. Jessie parecia não saber para quem transferir a posse. Dera uma rasteira que derrubou dois Psycho-Bots, porém outros três vieram disparando lasers contra ela. Ao ser atingida, Jessie correu protegendo-se com os braços e caiu, soltando o aparelho. Damian correu e o pegara.

— Jessie, você tá legal?

— Não se preocupa comigo, só mantém isso seguro! — disse a Ranger Amarela levantando com dor de queimação pelas explosões. Levou um golpe nas costas por um Psycho-Bot, caindo novamente, mas Damian saltou aplicando um chute que arrancou a cabeça do robô. Logo ajudou Jessie a levantar — Valeu!

— Passa pra mim! — gritou Tim que subia numa superfície cúbica perto das antenas.

— Ei, Tim, aí não! — alertou Zoe pegando um robô pelo braço e o jogando ao chão com uma rasteira — As antenas!

O Ranger Azul pulou da plataforma chutando e derrubando dois Psycho-Bots. Damian jogou para Zoe ao ser encurralado. Usando um cano branco e grosso como apoio nas costas, Austin chutou dois robôs para fora do prédio. O líder saltou para trás dando impulso nesse mesmo cano com as mãos e deu um giro sucedido por uma rasteira em mais dois deles, em seguida reerguendo-se e desferindo chutes de karatê em outros três que eram repelidos.

— Zoe, agora pra mim! — pedia Tim agoniado.

A Ranger Rosa expressava incômodo com a dificuldade de achar uma brecha segura com tantos robôs à sua frente. Chutou alguns para abrir mais espaço. Virou-se para a direção em que Tim estava.

— Pega! — disse ela, arremessando o aparelho. O Ranger Azul pegou certeiramente.

— Ah, boa! — comemorou ele, porém tomara um forte chute nas costas tal como Jessie, deixando a máquina escapar de suas mãos e rolar pelo chão se afastando uns dois metros — Não!

Um dos robôs apanhou o Retrolapse e correu. Mas esbarrou em Mudok surgindo diante dele, pegando o aparelho e o chutando tão violentamente que o braço do robô se arrancou.

— Olhe por onde anda. — disse Mudok, altivo ao se ver conquistando a máquina — A chave para o mestre remodelar a história a seu favor cabe na palma da mão dele. Digam a Dickerson que ele está muito agradecido. — gargalhou.

— Não! — disse Jessie sendo agarrada por Psycho-Bots, mas se desvencilhou e ficou de ponta a cabeça chutando-os para longe.

— Karen, será que tem energia suficiente pra morfarmos? Nem que seja por um minuto! — quis saber Austin chutando Psycho-Bots enquanto avançava para ajudar os amigos.

— Eu acredito que não completamente. — informou a tecnóloga — É 70% abaixo do poder total, mas por tempo limitadíssimo. Aproveite pra ao menos recuperar o Retrolapse.

— OK! — disse Austin, sacando sua célula e morfador. Conectou ambos — Hora de morfar!

Seu corpo se envolveu de luz vermelha. A morfagem incompleta excluía apenas o capacete.

— Melhor do que nada. Iááá! — disse ele que chutara um Psycho-Bot que foi repelido contra uma parede e se despedaçou. Saltou para próximo de Mudok e tentou tomar o aparelho das mãos do androide enquanto desviava e defendia-se de chutes dele. Com a pistola Z, o acertou com vários tiros, um dos disparos atingindo as mãos, fazendo o Retrolapse cair.

Austin rolou direto para pega-lo. Mudok sacou sua espada e antes que golpeasse o Ranger Vermelho, tomou um chute potente que o empurrou a uns metros, seus pés arrastando.

— Pra você aprender a não pegar o que não é seu! — disse Austin — Galera, podemos morfar, mas de cara limpa!

Atendendo à recomendação, os demais morfaram de rosto descoberto e se utilizaram das pistolas Z disparando ativamente contra os robôs cujo número reduzia mais rapidamente. Mudok avançou contra Austin tentando acerta-lo a golpes de sua espada. O líder vermelho esquivava, mas logo saiu da defensiva e desarmou-o num chute que desferiu quase deitado, em seguida usando a pistola Z para afasta-lo. Os estouros de faíscas levantaram fumaça, o que deu a Austin uma abertura para correr livremente.

— Seu fedelho insolente! — disse Mudok dissipando a fumaça com a mão e lançara um raio elétrico em Austin, mas que apenas o derrubou com uma explosão de fogo.

— Austin! — disse Zoe vindo com Jessie ajuda-lo — Tá tudo bem?

— Com o Retrolapse sim. — disse ele. Tim e Damian juntaram-se a eles — Comigo também, claro. — deu uma risadinha vendo as caras de preocupação delas.

— Dizimamos o exército, não sobrou um de pé. — avisou Damian.

— Aí, nós bem que podíamos ficar e lutar desse jeito pelo resto de nossas vidas. — disse Tim — Ficamos até mais bonitos assim, sabiam? Especialmente eu.

— Acorda, Tim. — disse Jessie — A rede de morfagem vai tirar nossos poderes, além de que a energia reserva não é durável. Mas... lutar de cara limpa, se fosse possível, não seria tão ruim, pensando pelo lado das pessoas sabendo quem somos.

De repente, um raio elétrico laranja atingiu os Rangers com altíssimo impacto causando uma forte explosão de fogo que os tirou do chão. Os cinco desmorfaram em simultâneo na queda.

— Acabou o joguinho de queimada? — disse Aracna no alto da torre de uma antena — Acho que podemos partir para o rugby, mais agressivo e meu favorito.

— Aracna, não se meta! Eu mesmo darei conta de pegar a máquina do tempo! — bradou Mudok.

A princesa aracnídea descera da torre num pulo em alta velocidade.

— Esse pode ser o nosso momento de "duas cabeças pensam melhor que uma" com uma boa chance de ser bem-sucedido, então não estraga! — declarou ela.

— A minha pensa por mais de mil, senão mais! Suma daqui, eu basto para cancelar a viagem dos Power Pirralhos!

Os Rangers se reerguiam, cansados.

— Todos bem? — indagou Austin.

— Acho que sim... — disse Damian — Nada aconteceu com o Retrolapse, né?

— Tá inteiro. Temos que ir depressa. — disse o líder pondo o aparelho no chão — Se afastem.

Apertou o botão de crescimento instantâneo. O Retrolapse retornara ao seu tamanho original. Austin rapidamente abriu a porta.

— Entrem, rápido!

— Será que dá pra continuarmos essa briguinha lá na nave e impedir que os Rangers fujam? — sugeriu Aracna — O que acha de um duplo golpe sincronizado? — preparou um raio na mão direita.

— Espero que esteja certa quanto a possibilidade de sucesso. — disse Mudok engatilhando seu ataque.

Austin fora o último a entrar, mas não fechou a porta sem antes se despedir.

— Tchau, seus panacas!

A máquina ativou a partida assim que todos entraram a bordo e a porta fechada. A viagem seria acionada de forma automática para a data pré-programada quando os tripulantes estivessem totalmente dentro. Raios amarelos envolviam o Retrolapse num campo de força que distorcia o espaço-tempo.

— Agora! — bramiu Aracna disparando seu raio laranja enquanto Mudok lançou seu raio vermelho contra a máquina. O Retrolapse foi subitamente engolido pela singularidade. Os raios acertaram o chão causando uma explosão de fogo — Mas... Não é possível! Eles conseguiram!

— Por muito pouco! — disse Mudok se aproximando — Foi essa sua ideia de lançarmos um ataque simultâneo! Teríamos tido êxito se corrêssemos até eles os forçando a lutar, daí poderíamos destruir a máquina!

Aracna rangia os dentes em fúria e frustração.

— Grrr, que droga, droga, droga! — reclamou com as mãos ma cabeça e os olhos apertados e fechados.

— Eu sei, eu entendo... É desmotivador perder a oportunidade de um tiro definitivo por meros milésimos de segundo. — disse ele tentando consola-la — Você apostou tudo naquele ataque.

— Não, tem algo pior! — disse ela, as mãos cobrindo o rosto de vergonha.

— E o que é?

— Concordar com você! — disparou ela com uma face chorosa, o empurrando de leve e andando.

***

Os Rangers aportavam no terraço da AGNN, desta vez um dia antes da exposição. Saíram da máquina, reclamando do espaço exíguo.

— Nossa,.por sorte não viramos sardinhas fritas na lata. — disse Tim, ofegante — Parece até que voltamos pra mesma hora em que chegamos antes... Digo, depois... Quer dizer, amanhã... Ah, esse lance de viagem no tempo é a maior doideira!

— Pode até não parecer, mas... — disse Austin olhando em volta — ... voltamos. Pessoal, esse é um feito histórico, quebramos a barreira do espaço e do tempo. Que outra equipe de Power Rangers já fez isso antes?

Jessie tinha a resposta.

— O Sr. Dickerson me contou uma vez, enquanto eu observava ele trabalhar, que há 12 anos houve um time de Rangers vindos do ano 3000 perseguindo um vilão que pretendia alterar a história.

— Ano 3000? De tão longe assim? — indagou Tim.

— Foi o que ele me disse. A Intercorp tem toda uma base de dados sobre as equipes que vieram antes da gente. — informou Jessie — Mas sobre esses Rangers viajantes do tempo... eu só fiquei na dúvida sobre como eles enxergavam naqueles capacetes.

— O Austin perguntou de uma equipe antes de nós. Eles não foram por serem do século 22. — disse Zoe — Talvez tenhamos sido mesmo os primeiros, ao menos nesse objetivo de mudar o passado.

— Não vamos perder o foco, temos que sair daqui, ir atrás do Photofocus e depois do Owen. — determinou Austin.

— Verdade, a qualquer momento o Lokknon pode enviar outro daquele bando de Psycho-Bots pra cá. — temia Jessie.

— E nós teríamos que entrar na máquina de novo pra voltar a esse mesmo tempo? — questionou Tim.

— Talvez sim, mas aí estaríamos presos no que chamam de loop temporal. — disse Zoe.

— Receio que não. — disse Damian que havia averiguado os circuitos internos do Retrolapse — Acabei de examinar o compartimento de ignição. O motor foi avariado. Os ataques de Mudok e Aracna foram rápidos o bastante pra nos atingir no último milissegundo.

— Então se o Mudok viesse pegar o Retrolapse agora, Lokknon não poderia usa-lo. — disse Austin.

— E é uma avaria indetectável à primeira vista. — reforçou Damian — Ele se sentiria um belo tapado.

— Que horas são? — indagou Jessie.

— Eu adequei meu relógio pro horário programado na máquina. Vocês não?

— Não tínhamos pensado nisso com toda aquela confusão. — disse Zoe — Mas ainda bem temos você e seu cérebro genial.

— Agora são meio-dia e quarenta e um minutos e trinta e dois segundos. — revelou Damian.

— Estávamos saindo da escola nesse momento. — disse Jessie.

— Tem certeza? O sinal toca meio-dia e vinte. — apontou Zoe, incerta quanto ao horário exato de quando foram avisados do ataque de Photofocus — Depois veio o Owen falar conosco...

— Ele deve ter nos tomado uns cinco minutos, no máximo. — especulou Jessie.

— Não, antes do Owen vir, nós cinco conversamos um pouco depois de sairmos da sala. Isso durou cinco minutos, aproximadamente. — dissera Damian — Somados aos dois minutos em que guardamos nossas coisas...e os supostos seis ou sete minutos que o Owen nos tirou.

— Dá mais ou menos doze minutos. — disse Jessie.

— Ou treze. — apostou Zoe.

— Depois fomos ao banheiro atender a chamada do Sr. Dickerson e nos teleportamos até a Central de Comando. — disse Austin — Mais um minuto?

— Um e meio, provavelmente. — disse Damian.

— Podemos estar lá agora, né? — indagou Tim — Digo, os nossos outros eus.

— Temos que ir até lá pra sabermos, mas... — disse Austin olhando para a pulseira — E se nossa energia tiver esgotado de vez?

— Essa não é a questão mais emergente. — contrariou Damian — Uma das leis mais enfáticas da viagem no tempo diz sobre interagir com nossas cópias do passado. Podemos criar um paradoxo que irá desequilibrar o contínuo espaço-tempo.

— E piorarmos nossa situação lá no futuro. — disse Zoe assumindo nervosismo — O que faremos?

— Arriscamos. — definiu Austin — É sempre parte do nosso trabalho. Não tem que ser diferente agora. Estão comigo?

— Apesar de considerar os possíveis danos terríveis que um paradoxo pode ocasionar, eu... — disse Damian — ... confio na sua intuição, Austin.

— Nós também. — disse Jessie reforçada por Tim e Zoe que acenaram positivos com a cabeça.

— Pois muito bem... — disse Austin virando-se com os demais se colocando atrás dele juntos — Vamos lá. — apertou o botão de teleporte tal qual os demais. Felizmente, os cinco tornaram-se pilares de luzes coloridas chegando a Central de Comando durante o momento em que Dickerson e Karen discutiam a ameaça de Photofocus. Os Rangers surgiram um pouco atrás de suas cópias no instante em que iriam morfar.

— É hora de... — disse o Austin passado que juntamente com os outros desapareceu como fantasma após a chegada das duplicatas do futuro.

Dickerson e Karen reagiram atônitos com o que viam.

— Mas... o que acabou de acontecer aqui? — questionou Karen ajeitando os óculos, chocada.

— Vo-vocês acabaram de chegar... — disse Dickerson, confuso — Mas estavam bem aqui...

— Muito louco isso, Sr. Dickerson, eu sei, mas tem uma boa explicação. — disse Austin se aproximando com os amigos.

— Somos todos Marty McFly contra o Biff Tarnnen oxigenado e o senhor é nosso Emmet Brown. — disse Tim.

— Esperem aí... — disse Dickerson, desconfiando — Querem dizer que... viajaram no tempo?

— É isso, Dickerson! — disse Karen num rompante de empolgação — Vocês os mandou pra cá com aquela sua invenção pra impedir que o colega de classe deles expusesse as identidades secretas!

— O Retrolapse?! Fiz vocês usarem o Retrolapse?

— Sim e também nos deu essa caixa onde guardou os espelhos refletores contra o Photofocus. — disse Austin tirando a caixinha do bolso interno do casaco vermelho.

— Signfica então que a exposição aconteceu mesmo? — perguntou Karen.

— Infelizmente, sim. — disse Zoe o olhar triste.

— Ou ainda não. — contrariou Damian.

— Bem, eu teria apostado no Retrolapse como último recurso pra desfazer o estrago. — admitiu o mentor sorrindo de leve aos Rangers — Vocês foram muito determinados, parabéns.

— Não íamos aceitar a derrota pros dois fotógrafos de quinta categoria. — disse Tim.

— Legal, gente, conseguimos nos teletransportar... — disse Jessie, ansiosa — Mas será que ainda sobrou energia pra morfarmos?

— Nossa energia havia expirado totalmente quando fomos atingidos por aquele raio da Aracna. — informou Damian — Só tentamos na base do otimismo de ainda haver um pouco da reserva que você, Karen, nos forneceu.

— Crianças, não há porque se afligirem. — amenizou Karen se aproximando deles — Se a exposição ainda não aconteceu, a rede não cortou a conexão.

— E por que nossas cópias sumiram assim que chegamos? — indagou Zoe.

— Vocês se utilizaram de uma ferramenta do poder oferecido pela rede de morfagem. — explicou Dickerson — Rangers duplos que sejam a mesma pessoa não podem usufruir do poder ao mesmo tempo e na mesma linha cronológica. Isso evitou o paradoxo.

— A própria rede se encarregou disso. — informou Karen — O teletransporte, inclusive, é um meio de interferir no espaço-tempo. Vocês agiram corretamente confiando na fé de que existia nem que fosse uma partícula de energia.

— Quer dizer que se eu tivesse vindo a pé e meu outro eu ainda estivesse aqui... — disse Tim tentando compreender o raciocínio.

— Teria sido um desastre espaço-temporal. — disse Dickerson.

— Que nem quando você criou clones de si mesmo com resfriado. — disse Damian. Todos riram ao relembrar a ocasião caótica.

— Mas poderíamos morfar juntos, né? — perguntou o Ranger Azul.

— Poder até poderiam, mas... A rede teria que deletar um dos dois... ou até ambos. — afirmou Dickerson, um pouco mais sério.

— Segura aqui pra mim, Karen. — disse Austin entregando a caixa com os espelhos — Sabem que hora é essa, pessoal? Não é hora de perder tempo. — sacou sua célula e morfador, os demais também o fazendo e se posicionando — É hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Após transformarem-se, Austin pegara de volta a caixa contendo os refletores das mãos de Karen.

— A gente não vai deixar que seu trabalho tenha sido em vão, Sr. Dickerson. — garantiu o líder. Virou-se, erguendo de leve o punho esquerdo cerrado — De volta a ação!

***

Na nave de Lokknon, a impaciência dominava Aracna de tal forma que ela passasse a roer as unhas de modo impulsivo.

— Aracna, preciso que pare de andar de um lado pro outro assim, isso é irritante! — queixou-se Lokknon — E caso não tenha notado, está roendo as unhas que acabou de fazer.

— Oh, não... — disse ela se dando conta — Desculpe aborrece-lo, mestre, mas é que não vou conseguir esperar esse moleque fotógrafo cumprir o desafio de espalhar quem são os Power Rangers!

— Achei que estivesse mais tranquila depois que Photofocus reverteu o processo da fotografia prisional em você. — disse Mudok.

— E esqueceu de me agradecer por eu ter avisado que ele era capaz disso! — exigiu Barooma.

— Ah, foi mesmo? Então... Não, a você não. Mas ao mestre sim por ele forçar aquele monstrengo me tirar daquela foto que saiu horrível. Obrigada, mestre.

— Não há de quê, Aracna. — disse Lokknon meio desconcertado não fazendo questão de esclarecer que ordenou Photofocus a liberta-la porque Barooma informou existir uma reversão. Do contrário, teria se conformado em mantê-la como estava por acreditar que era irreversível — conforme ocorrera na linha do tempo original.

— Se o senhor me conceder permissão, vou até lá e atraso os Rangers com os Psycho-Bots. — ofereceu-se Mudok ao que Aracna reagiu com veemente protesto.

— Nem pensar! Podemos agilizar mais esse plano...

— O que quer sugerir?

— Barooma, preciso de você. — disse Aracna virando-se para o cientista — Que tal forjar fotos com os Rangers voltando às suas ridículas formas civis? Eu as entrego ao garoto e enquanto eles lutam, suas caras aparecem em todas as televisões do mundo!

— Brilhante, Aracna! Não temos necessariamente que aguardar o fedelho fotografa-los, podemos simplesmente alicia-lo com as imagens falsas! Barooma, vá imediatamente trabalhar nisso!

— Às suas ordens, milorde! Não levarei mais que três minutos! — disse Barooma que saiu da sala.

— Eu até contestaria pel fato de que o esforço próprio é misto mais valoroso, mas dou meu voto de apoio. — disse Mudok — Os Rangers podem até derrotar Photofocus, mas terão uma surpresa detestável quando voltarem.

Marley, pai de Owen, atendia uma ligação de Gunther no seu carro em meio ao trânsito congestionado.

— Gunther, o que foi? Alguma novidade do Owen? Sei que ele passou aí depois da escola.

— Se ele tivesse algum progresso, acha que teria contado primeiro a mim? Enfim, não importa quem sabe em primeira mão, seu filho tem até hoje pra aparecer aqui com estas fotos. Ele me promete uma proeza revolucionária.

— O que ele planeja fazer?

— Desmascarar os Power Rangers e expo-los a público.

— Mas isso... isso é praticamente impossível. É um tempo limitado demais, Gunther, ele é só um garoto, não um agente secreto.

— Lamento, Marley, zabe o quanto sou irredutível quando decreto uma proposta. Seu filho não é o único na fila de freelancers. Missão dada é missão cumprida. O avise de que tem apenas até o fim da tarde de hoje.

Marley desligou, hesitando contatar o filho com medo de desestimula-lo. Viu o número dele na lista, porém se deteve antes que ligasse.

Owen caminhava as pressas para o local onde sabia que Photofocus agia. Porém, Aracna apareceu diante dele em teleporte.

— Prazer conhecê-lo, Owen.

— Fica longe de mim, você deve ser inimiga dos Power Rangers. Não quero nada vindo do seu chefão.

— Nem mesmo... fotos comprometedoras dos heroizinhos? — perguntou ela, mostrando um envelope cheio. Owen engoliu a saliva, os olhos fixos no pacote.

— Por que eu acreditaria em você? Também odeia humanos, não faz sentido me ajudar.

— Acredite, a exposição dos Rangers interessa muito ao mestre e vai beneficiar tanto você quanto ele. Uma mão lava a outra. Se pegar, você os terá sob seu domínio. Mas se largar, essas fotos vão encontrar um fim muito triste na retalhadora.

A tentação era sedutora, quase irresistível. Mas faltava uma autenticação.

— Eu quero que me prove. Não posso aceitar sem antes checar se são mesmo fotos dos Power Rangers, não sou fácil de tapear.

Incomodada, Aracna rasgou o fecho do envelope e o entregou. Owen logo conferiu as fotos montadas por Barooma. Seu rosto foi preenchido de assombro.

— Mas... são eles?! O tempo todo... eles estavam próximos de mim... — era difícil processar — É inacreditável. Aquelas pulseiras... pareciam modernas demais, até pro Damian criar na oficina dele e o Earl nunca distribui brindes.

— Mostre sua gratidão enquanto ainda tenho paciência de estar aqui conversando com um terráqueo fedelho.

— Er... Obrigado. Mas... É fácil demais, parece errado. O meu pai sempre disse que...

— Quem liga pros conselhos caretas do seu pai? Pensa que conseguiria pega-los no flagra? Acorda, seu pivete convencido, eles com certeza voltam ao normal em algum lugar secreto.

— Droga, é verdade... Eu acabei sendo um baita iludido. Mas não posso desperdiçar a chance, o Sr. Morrison tá contando comigo. Hoje o mundo tem que saber.

O fotógrafo amador retomou seu trajeto rumo ao ponto de ataque de Photofocus, desta vez correndo freneticamente. Olhou para baixo, vendo estar pisando numa foto que estava para ser sugada pelo monstro.

— Tira o pé de cima da minha foto, pirralho! Preciso dela para adicionar ao meu álbum!

— Então é isso, você transforma todos que vê em fotografias! Como você faz isso?

— Não é da sua conta, um bom fotógrafo nunca revela seus segredos! Me dê a foto agora! — disse o monstro aproximando-se.

— Senão vai me transformar também? Uma amiga sua me disse que eu tô imune a você por ser útil a eles contra os Power Rangers.

— Eu não tô nem aí pro que os empregados do mestre Lokknon dizem, eles não tem poder pra me dizer quem eu devo fotografar ou não!

— Se fizer qualquer coisa comigo, vai se ver com eles!

— Jura? Tô morrendo de medo... Hahaha! — disse Photofocus, focalizando-o com sua lente macro — Sorria, garoto!

Os Rangers vinham em saltos acrobáticos e pousaram frente a Owen. Photofocus lançou uma sequência de flashes explosivos.

— Barreira Z! — disseram os heróis em uníssono.

O escudo multicolorido saiu da logomarca do esquadrão direto do uniforme de Austin com os demais partilhando de sua energia ao toca-lo. Os flashes explodiram na barreira com efeito praticamente nulo.

— O quê? Que truque mais barato é esse? Sumam da minha frente, seus pirralhos coloridos, tenho mais o que fazer!

Owen virou-se e fugia para tomar uma rota alternativa rumo ao Fato Diário.

— Espera! O-- — falou Tim que foi interrompido por Austin.

— Não, deixa ele ir. Se o chamarmos pelo nome, podemos nos revelar.

Mas o aspirante a fotógrafo acabou tropeçando, deixando cair o envelope do qual saíram as fotos reveladoras.

— Não, minhas fotos... — disse ele se arrastando para recolhe-las. Mas sentiu uma ardência dolorida no joelho e conferiu — Ah, essa não... — a queda deixou uma ferida sangrando um pouco.

— Aquilo são... — disse Jessie.

Damian ativou a visão macroscópica do visor e constatou.

— São as fotos... de nós desmorfando! Ele já ficou a par de quem somos!

— Mas já? Como ele conseguiu? — questionava Austin — Não é possível!

Owen colocava as fotos de volta no envelope apressadamente dando olhadelas para os Rangers atrás dele que vinham se aproximando.

— Owen! Tem que nos dizer como obteve essas fotos! — exigiu Austin.

— E com quem! — reforçou Zoe.

— Eu não tenho nada a falar com vocês! Fingiam ser estudantes comuns enquanto combatiam o crime com essas roupas. Não tô julgando, gosto do trabalho que fazem, mas... não podem me impedir de fazer o meu!

— Não fingimos nada, tá legal?. — rebateu Tim.

— Disfarçado ou não, o que faz de um herói alguém merecedor de respeito e prestígio são suas ações em prol da sociedade. — argumentou Damian.

— O Damian tá certo, não somos menos heróis por cobrirmos nossos rostos! — disse Jessie — É pela nossa segurança e daqueles que amamos!

— Vocês que lutem com as consequências! Eu não vou desapontar o Sr. Morrison e não quero que meu pai me veja como um imprestável!

Ele saíra correndo com as fotos nas mãos guardadas no envelope. Mas antes que os Rangers pensassem em segui-lo, Photofocus disparou mais dos seus flashes explosivos que estouraram faíscas em volta deles para adverti-los a permanecerem na luta.

— Não esqueçam que ainda tô aqui! É falta de educação ignorar um fotógrafo do meu gabarito!

— Parece que não tem jeito, vamos ter que derrotar esse cara a tempo do Owen não revelar as fotos ao jornal. — declarou Austin em posição — Rangers, atacar!

Os heróis avançaram, logo o monstro clicando novamente.

— Dispersar! — ordenou o líder vermelho. Os flashes atingiam o chão após executarem a ordem. Austin saltou e o combatia com chutes e socos enquanto os outros retiravam de dentro das luvas os espelhos miniaturizados.

— Estão tramando alguma estratégia, é? Pois adianto que não tem nada que vocês usem contra mim!

— Eu não teria toda essa certeza! — disse Austin que saltou sobre ele, sacando a pistola e disparando em pleno ar quase de ponta a cabeça. Os lasers explodiram faíscas no corpo robusto dele. Juntando-se aos amigos, o Ranger Vermelho retirou seu espelho de dentro da luva direita — Todos prontos? Ao meu comando...

Photofocus se reorientava, mostrando-se mais enfurecido.

— Agora me deixaram mais zangado! Meu flash paralisante irá ensiná-los uma dura lição!

— Galera, é agora! — sinalizou Austin. Os cinco apertaram os botões no lado traseiro da moldura roxa dos espelhos que logo cresceram ao tamanho normal.

— Nossa, é igualzinho o que tem no quarto da minha mãe! — comentou Tim.

O monstro piscou seu flash paralisador. Ágeis, os Rangers levantaram os espelhos como escudos, refletindo o flash de volta. Photofocus ficara totalmente imóvel ao ser atingido, o que acentuou a ira de Lokknon.

— Eu não posso acreditar nesse ultraje! — esbravejou ele levantando do trono — Como pode Dickerson ter desenvolvido uma arma capaz de neutralizar Photofocus em tão pouco tempo?

— Parece que o mentor dos Rangers acelerou seu nível de produtividade, senhor! — arriscou a dizer Barooma.

— Não, engano seu, Barooma, isso não se justifica com um argumento tão simplista. Algo aconteceu sem que nossos sensores indicassem...

— Tem razão, os Rangers parecem já terem vindo preparados com esse trunfo. — aferiu Mudok — Como se já soubessem exatamente o que fazer e de com quem estão lidando.

— Seja qual for a resposta, Photofocus está em maus lençóis! — lamentava Barooma.

Na batalha, os Rangers se viam mais impulsionados. Mas Photofocus não desistiria tão facilmente.

— Idiotas, mesmo parado eu ainda posso disparar meu flash atordoante! — disse ele clicando várias vezes. Os Rangers se agacharam com os espelhos protegendo-os, logo rebatendo os ataques que acertaram-no em cheio, removendo a imobilidade — A solução será me livrar de vocês... com uma linda foto em grupo! Sorriam para a câmera!

Fotografou usando de seu principal poder de aprisionar pessoas, porém os Rangers novamente refletiram com os espelhos e o flash instantaneamente cegou o monstro.

— Aaahh! Meus olhos! Sem eles minha lente não capta nada! Quem apagou a luz? Não enxergo! — reclamava, cambaleando pela rua espaçosa onde ficava uma área de lazer.

— Depressa, essa cegueira dele não vai durar pra sempre! Combinar armas! — definiu Austin. Os Rangers invocaram suas respectivas armas e as fundiram, formando assim o Abatedor Selvagem que foi mirado diretamente em Photofocus — Preparar... apontar... Fogo!

O laser duplo foi disparado atingindo certeiro o monstro. Photofocus estava trôpego com raios amarelos em volta do corpo e caíra para trás. A explosão mortal foi tremenda e vibrante.

— Dispare logo o laser regenerador, Barooma! — impunha Lokknon, colérico.

— Nesse instante, mestre! — disse o sakorguiano que apertou o botão vermelho. O raio esmeralda saiu da nave diretamente à Terra caindo sobre os restos de Photofocus que foi revivido e gigantizado.

— Ótimo, a sessão de fotos agora vai ser em alta definição! — disse Jessie.

— Quem precisa de álbum quando eu posso ter uma coleção de outdoors? A vista daqui é incrível, vou fazer modelos paisagísticos! — bradava Photofocus.

— Por mais que isso nos atrase pra impedir o Owen, não podemos deixar esse miserável fazendo o que bem faz nesse tamanho! — disse Austin — Vamos revidar à altura, pessoal!

— Precisamos do poder Megazord agora! — disseram os Rangers em uníssono com as mãos direitas erguidas.

Paralelamente, Owen corira contra o relógio, caminhando meio manco por uma rua movimentada devido a ferida no joelho. Seu celular tocara sendo seu pai a ligar.

— Alô, pai? Olha, não fica bravo, tá bom? Diz pro Sr. Morrison que eu tô chegando... Sim, eu consegui, finalmente. As fotos dos Rangers estão aqui, prontinhas. Encontro o senhor lá no Fato Diário.

Os zords animais corriam para o confronto decisivo contra Photofocus. Saltando para entrarem nos cockpits, os Rangers se organizavam.

— Chave de comando, ativar! — disse Austin inserindo e girando a chave — Iniciar sequência Megazord!

As máquinas ligavam-se umas as outras formando o vigoroso Megazord Z. O robô gigantesco pousou no campo de batalha, já tomando flashes explosivos de Photofocus.

— Escudo Selvagem! — acionou Austin. A arma defensiva surgiu no braço esquerdo do robô que avançou colocando-a à frente para se blindar dos flashes que explodiam ao redor. Mas o ritmo de disparos do monstro aumentou, não permitindo ao oponente se sair bem na defesa.

— Droga, o escudo não repele os flashes! — disse o Ranger Vermelho.

Photofocus lançara um flash distinto que bloqueou totalmente a visão dos Rangers pelo Megazord.

— Peraí, tudo ficou branco! — disse Tim.

— Um flash cegante! Não temos visibilidade alguma! — alardeou Damian.

O monstro disparava mais dos flashes explosivos que faziam estourar faíscas no Megazord. O cockpit balançava com danos internos perturbando os Rangers.

— Se a gente pudesse aumentar os espelhos de tamanho... — disse Zoe.

— Só tinha um botão e era pra miniaturizar ou crescer pro tamanho normal! — disse Austin — Mas bem que o Sr. Dickerson podia nos dar esse recurso!

Pulando em círculos em torno do Megazord, Photofocus disparava os flashes incessantemente.

— Gosto de capturar um bom modelo em todos os ângulos! Hahahaha!

Quando a claridade ofuscante sobre o visor do cockpit dissipou, o Megazord revidou com um chute na lente de Photofocus que a quebrou.

— Minha lente! Olha o que fizeram?

— Sabre Selvagem! — disse Austin. A espada caíra sobre a mão direita do robô. Porém, a lente de Photofocus se restituiu e mais flashes eram disparados fazendo o robô recuar.

— Ah, esqueci que ele regenera essa câmera tamanho família! — falou Austin.

— E estamos tomando outra chuva de flashes! — disse Jessie — Se for ter um plano, Austin, pensa rápido!

Karen entrava em contato:

— Rangers, pode não ter sido possível pro Dickerson gigantizar os espelhos, mas há uma nova configuração de batalha disponível.

— Novidade? Manda aí! — disse Tim.

— É a Chama Cromática, o Sabre Selvagem pode ser embebido dela ganhando uma capacidade destrutiva superior a Insígnia Feroz.

— Recomendo ativarem o Modo Velox para uma performance mais aprimorada. — orientou Dickerson.

— Certo, vamos testar! — disse Austin — Modo Velox, ativar!

O Megazord adquiriu um corpo mais esguio e leve. Por fim, era hora de inaugurar a nova modalidade.

— Chama Cromática! — chamaram os Rangers.

A espada prateada se banhou de um fogo multicolorido que acendeu da base subindo em espiral até a ponta. O sabre estava totalmente tomado pelas chamas de cores, logo o Megazord se movendo em alta velocidade desferindo cortes implacáveis sobre Photofocus que só via linhas coloridas horizontais, verticais e diagonais o acertando dolorosamente.

O monstro se despedaçava membro por membro, parte por parte, até tombar e explodir fatalmente sem dar as últimas palavras. Os Rangers vibraram celebrando a vitória.

Não se podia dizer o mesmo de Lokknon.

— Minha dor de cabeça... está latejando pior do que nunca! — disse ele, sofrendo — Barooma, seu incompetente! — disparou um raio púrpura fazendo Mudok e Aracna se abaixarem. O ataque acertou o bio-modelador cujos painéis de controle salpicaram faíscas.

— Mestre, veja o que acabou de fazer! O bio-modelador teve seus mecanismos fundamentais comprometidos!

— Não dá pra consertar? — indagou Aracna.

— Lógico que sim, mas levará dias para os reparos o colocarem em pleno funcionamento!

— Mudok, traga meu remédio antes que eu tenha uma síncope...

— Agora mesmo, mestre. — disse Mudok que passou por Barooma — Boa sorte salvando sua engenhoca. E nem pense em pedir minha ajuda.

— Até parece que preciso do auxílio de terceiros para restaurar uma máquina que eu sozinho criei! — replicou Barooma, desesperado com a proporção crítica dos danos.

Na Terra, Owen estava a poucos passos de sua realização pessoal. Atravessou a rua indo diretamente a porta do Fato Diário. Os Rangers o seguiam vendo que ele se aproximava do pote de ouro no fim do arco-íris.

— Será que o Owen já entrou no prédio? — indagou Jessie.

— Olha ele ali! Vamos, rápido! — disse Austin correndo com os amigos. Após atravessarem a rua, se dirigiram chamando pelo fotógrafo. Owen virou o rosto para sua direita antes que tocasse na maçaneta, assustando-se. Sua atitude-reflexo foi correr dos colegas de classe.

— Owen, volta aqui! — disse Zoe — Não vamos te machucar, só queremos conversar!

O garoto loiro de topete dobrou para um beco, mas descobriu-se sem saída. Ao se virar correndo, esbarrou com os Rangers, mais precisamente com Austin e caiu. O envelope com as fotos caíra sobre uma poça d'água.

— As fotos... Não! — lamentou ele vendo que molharam bastante.

Austin estendeu a mão para levanta-lo. Owen aceitara de bom grado.

— Felizes agora? As fotos se estragaram.

— Mas ainda queremos elas. — disse Austin.

— Acontece que... não fui eu quem tirei. — contou Owen, entristecido — Eu recebi elas de uma mulher de pele laranja com teias de aranha nos braços.

— Aracna. — disse Zoe — Ela te manipulou com fotos que são provavelmente falsas.

— Pior que parecem realmente montadas, editadas... — disse Owen verificando — Mas muito convincentes pra que eu pudesse receber minha comissão no meu trabalho de iniciante na carreira de jornalista.

— Owen, você tem uma vida muito longa, outras oportunidades vão surgir no caminho. — disse Jessie — Mas toda essa ambição fez você querer começar do topo e não é assim.

— Cara, se você quer tanto uma grana preta, a gente dá parte da nossa mesada pelas fotos. — sugeriu Tim.

— Não, não por essas fotos. Eu nem devia ter aceitado, aliás. — disse Owen em tom choroso — Meu pai me incentivava a buscar meus objetivos com esforço e dedicação quando só dependesse de mim. E agora... eu o decepcionei. Só queria que ele sentisse orgulho de mim depois de tantas vezes que eu errei.

— Acho que você se cobra demais se preocupando com o que seu pai pensa. — disse Zoe — Às vezes o nosso melhor não é o bastante. Os filhos não têm que ser perfeitos.

— Mas era pra eu estar lá nesse momento. — contrariou Owen — Cumprindo minha promessa pro Sr. Morrison. O que aconteceria de ruim a vocês, afinal? A fama de vocês iria até a estratosfera, todos iriam adora-los.

— Acha que ligamos só pra isso? Fama e admiração pública? Não somos herois que priorizam o glamour. — afirmou Damian convictamente.

— O sucesso de cada luta é o que nos dá orgulho do nosso trabalho. — disse Austin.

— E o seu pai ficará orgulhoso se souber que se esforçou ao máximo até onde pôde chegar. — disse Jessie consoladora.

— É, amigão, você não nasceu com superpoderes pra completar essa missão. — disse Tim — É isso que seu pai deve entender.

Owen os encarou compreensivelmente. Um caminhão de lixo parou ali próximo do meio-fio. O fotógrafo olhou para o veículo, depois para as fotos.

— Essas fotos não valem de nada se não fui eu quem as conseguiu com meu suor. — disse ele que se encaminhou até a traseira da caçamba. Jogou o envelope com as fotos dentro do triturador do caminhão, depois voltando aos Rangers — Meu pai diz que nada que se obtém fácil é digno. Eu me sentiria culpado se ignorasse ele sendo um filho egoísta.

— Owen, você acabou de fazer algo muito íntegro. — elogiou Damian.

— Aconteceria mesmo algo ruim a vocês? — indagou Owen.

— Nada demais, só perderíamos nossos poderes pra sempre. — disse Jessie.

— Caramba, o chefe de vocês deve ser linha dura.

— Ele é um cara legal, é uma coisa maior que controla nossos poderes, uma força de energia que existe em todo o universo. — disse Austin.

— Tipo um deus? — indagou Owen, curioso.

— Acho que é basicamente isso. — respondeu Damian — Nem nós compreendemos direito ainda.

— Aí, pra quê exatamente você queria a grana? — questionou Tim.

— Eu... quis comprar uma câmera novinha pela internet. Modelo de última geração, nível profissional. Quem sabe daqui a cinco anos.

— Não queremos que você pare de sonhar porque teve que desistir. — disse Zoe.

— Obrigado, Zoe. Você sabe como fazer alguém se sentir consolado. — confessou Owen sorrindo levemente para ela. A Ranger Rosa o afagou no ombro, orgulhosa dele.

— Amigos a partir de agora? — indagou Austin estendendo a mão a ele.

— Acho que... sempre fomos. — disse Owen apertando mão do líder.

— O que acha de uma selfie pra comemorar a amizade? — sugeriu Austin, o que todos entenderam a intenção.

— Demorou. — disse Owen, sorrindo aberto. Se juntou aos novos amigos para a foto coletiva. Austin tirara a animada foto assim como também deletando a memória de Owen sobre as identidades dos Power Rangers com o software instalado no celular.

***

Na manhã seguinte, os alunos do ensino fundamental aguardavam ansiosos pelas sessões de fotos para o anuário escolar. Austin entrou no corredor principal lotado, vendo acima uma faixa azul presa entre as paredes.

— "Abertas sessões de fotos para o anuário escolar 2013-2014". Não tá meio cedo?

— Eu acho que é a época ideal. — disse Owen se aproximando.

— Ah, Owen, fala aí. — disse Austin batendo sua mão direita com a dele.

Jessie e Zoe vinham na direção dos garotos.

— Ufa, nada como o alívio depois de um sufoco passado. — disse a Ranger Amarela.

— Me sinto meio traumatizada com o Photofocus. — disse Zoe — Talvez eu não chegue perto de uma câmera fotográfica por um bom tempo. Tive um pesadelo terrível.

— Vai me contar depois hein. — pediu Jessie, altamente curiosa — E aí, rapazes?

Tim e Damian vieram em seguida.

— Bom dia, turma. — cumprimentou o Ranger Preto — Owen. — bateu sua mão com a dele.

— Sem ressentimentos, irmão. — disse Tim o tocando no ombro.

— Ahn, pelo quê, Tim?

Vendo as expressões de reprovação dos amigos, o Ranger Azul contornou:

— É por qualquer coisinha idiota que eu tenha falado pra você. Se não lembrar de nada, deixa pra lá.

— Tudo bem, de boa. Não tem rixa entre nós, muito pelo contrário.

— Owen, o que aconteceu com seu emprego de freelancer no jornal? — perguntou Austin.

— Sr. Morrison me despediu por não cumprir minha promessa de fotografar os Power Rangers como pessoas normais. O mistério continua. Quem serão eles?

Os Rangers se entreolhavam arqueando as sobrancelhas com expressões de contentamento disfarçado.

— Pelo menos tive uma foto posta no mural, mas saí de bolso vazio. Meu pai até lidou bem com isso, melhor do que eu esperava.

— Ainda continua como fotógrafo do Garota Colegial? — indagou Jessie — Olha, eu bem que tô pensando em participar.

— As inscrições pro concurso encerraram ontem a tarde, eu nem me liguei, foi mal. Mas continuo de serviço e aqui no colégio.

— Peraí, você quem vai ser o fotógrafo pro anuário? Que demais. — disse Zoe, feliz por ele.

— Euzinho. Diretor Brewster nem pensou duas vezes em escolher.

— Quando chegar em casa, vou correndo avisar pra minha mãe ir comprar roupas novas pra mim. — planejou Tim — Vocês não vão tirar fotos pro anuário com o visual de sempre, né?

— Eu nem me preocuparia olhando pra como certas pessoas vão tirar suas fotos. — disse Jessie reparando na chegada de Brock e Stuart que arrancavam risadas e comentários sarcásticos dos alunos ao virem trajados com roupas de fadas usando tiaras de antenas com pontas de estrelinhas.

— Tá olhando o quê? Vão cuidar da vida de vocês! — resmungava Brock passando entre os colegas que riam a valer. Os Rangers seguravam suas risadas.

— Será que as fadas-madrinhas podem nos conceder três desejos? — provocou Zoe.

— Pra você eu entrego tudinho, Zoe. — disse Stuart que acabou levando um pescotapa de Brock.

— Deixa de ser gado! Não tá vendo que a gente tá no maior vexame?

— Pra quê essas fantasias? Não sabiam que o Carnaval é só ano que vem? — insultou Jessie.

— Se tiverem confundido as datas, eu não fico surpreso. — atiçou Austin.

— Hahaha, engraçadinhos. — ironizou Brock — Queria ver se fossem aqui se tivessem roubado suas roupas!

— Ah, que pena. Devem ser modelitos incríveis pra vocês estarem tão chateados. — zombou Tim.

A dupla recebeu um clique da câmera de Owen que estava agachado.

— Ei, tirando foto nossa por que? — reclamou Brock.

— Nem começou a sessão ainda! — reforçou Stuart.

— Foi apenas um teste. — respondeu Owen.

— Joga na internet, Owen. — sugeriu Tim.

— Se fizer isso, arrebento essa câmera! — ameaçou Brock.

— Se controla, Brock. — disse Jessie — Não pega bem pra uma fadinha tão cintilante como você.

Brewster vinha chamar a atenção deles, expressando irritação com as vestes.

— Mas que palhaçada é esta, afinal?

— Roubaram nossas roupas. — disse Brock.

— E tivemos que usar essas que colocaram no lugar porque queremos tirar nossas fotos hoje. — justificou Stuart.

— Antes tivessem vindo com suas roupas comuns do que essas fantasias berrantes. O anuário é de uma importância muito séria e faltaram com respeito à ela. — disse Brewster que os puxou pelas orelhas — Virão comigo pra diretoria, irei chamar os pais de vocês.

Vendo a dupla ser arrastada com as orelhas doendo, os Rangers, junto a Owen, liberaram as risadas no meio de toda a tiração de sarro que se espalhava com a vexaminosa punição.

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