Power Rangers: Esquadrão Z
20 Rangers Expostos (Parte 1)
Notas iniciais
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Mais uma ensolarada manhã escolar estava prestes a se iniciar na Angel Grove Middle School, o período de provas prosseguindo a todo vapor enquanto os alunos se agitavam de tensão para conferir os resultados que seriam publicamente divulgados nas paredes na semana seguinte. Zoe vinha chegando com sua mochila rosa e vermelha nas costas e lendo um livro. Porém, a leitura tivera o foco abalado por leves luzes piscando próximas a ela que parou.
— Ué? — disse ela olhando em volta, não vendo ninguém que estivesse usando uma câmera fotográfica. Retomou o caminho até a escola tornando a ler. Só para novamente lidar com os misteriosos flashes de uma câmera que a focalizava em bons ângulos — Tá legal, quem tá fazendo isso? Ah, acho que tenho ideia de quem seja... — estreitou os olhos — E deve estar bem aqui atrás de mim, se não me engano.
Ao virar-se, Zoe deu de cara com uma garoto de cabelo loiro com um topete e portando uma máquina fotográfica, se agachando frente à ela para mais uma foto.
— Essa foi ótima! Só podia melhorar um pouco mais essa carinha de quem não gosta de ser fotografada. Tá um dia tão lindo, dá um sorriso.
— Eu gosto sim, mas quando quero ser. — disse Zoe que não expressava braveza com o garoto — Só que eu não sou tão fotogênica pra você me achar uma modelo ideal pros seus álbuns.
— Não é fotogênica?! Tá brincando, né? Todas que eu tirei agorinha há pouco ficaram excelentes, olha. — disse ele mostrando os registros no visor digital da câmera — Na verdade, você fica boa em todos os ângulos.
— Diz a mesma coisa pras outras garotas que você clica sem permissão. — rebateu Zoe, desconfiada com um sorriso de canto.
— Mas você é especial, nenhuma delas saem tão bem em todas as fotos como você. Não me leva a mal, eu não quis te incomodar, é sério.
— Tá tudo bem, Owen. É que eu tava lendo e não gosto muito de ser interrompida, sabe...
— Então, desculpa. Posso apagar as fotos, se você quiser.
— Não, não precisa. — disse Zoe tocando na mão direita de Owen para impedi-lo antes que deletasse as fotos. Ambos coraram de vergonha se entreolhando — Ahn... — recolheu sua mão depressa — Eu concordo, ficaram muito boas. Você... é um ótimo fotógrafo, tem tudo pra seguir no ramo profissional.
— Acha mesmo? Nossa... Enfim, alguém além do meu pai que não duvida do meu sonho. Valeu mesmo por esse apoio, Zoe.
Tim e Damian caminhavam lado a lado se aproximando do colégio quando avistaram Zoe conversando amigavelmente com Owen, algo que de imediato desagradou o Ranger Azul.
— Olha ali, a Zoe de papo com o topetinho dourado do Owen. — disse Tim com expressão de desdém — Deve ter confessado que sente uma queda por ela. O amor é lindo, né?
— Mas qual problema precisamente você tem com o Owen? Ciúmes da Zoe eu sei que não é. — disse Damian, curioso quanto a opinião do parceiro — Ele é só um fotógrafo amador que gosta de colecionar fotos de meninas por puro hobby, nada demais.
— E é por isso mesmo que eu acho ele um tremendo aproveitador. — declarou Tim — São um monte de garotas que ele fotografa quase todo dia. Um cara desses não é confiável pra namorar, né? Fora que ele é um baita metido, se acha o futuro maior fotógrafo do planeta.
— E mesmo que ele tivesse sentimentos maiores pela Zoe, não seria de todo ruim.
— Ele cola fotos de garotas num álbum, cara, se liga! Isso não é uma obsessão? A Zoe foi a nova vítima dele, vai cair numa cilada.
— Sinceramente, a sua cisma com o Owen tá deixando você mais paranoico do que teóricos do fim do mundo. — retrucou Damian desconsiderando a suposta neurose do amigo — Anda, deixa eles, o sinal vai já tocar.
Zoe e Owen andavam juntos até a entrada.
— Os Power Rangers tem ficado cada dia mais famosos, né? Vi que eles tem uma galeria de fotos no prédio do Fato Diário.
— Não vai me dizer que tá trabalhando pro Fato Diário, né?
— Bom, eu diria que... quase isso. Tá faltando uma certa foto naquele mural.
— Ah, quer uma foto só sua dos Power Rangers na galeria. Podia tentar. Acho que deveria chama-los depois de uma luta. Tenho certeza que eles aceitariam, não acho que sejam esnobes.
— O problema não é esse. Eu não posso simplesmente pedir. — disse Owen assumindo seriedade ao parar de andar e virar-se para ela — Não com o objetivo que tenho em mente.
— E que objetivo é esse, afinal?
— Eu quero realizar a proeza de fotografar os Power Rangers em pleno momento de voltarem ao normal. Imagina só que barato se o público soubesse quem eles são por trás dos capacetes. É minha maior meta agora.
Escutar aquilo causou um forte arrepio na barriga em Zoe que engoliu a saliva tentando disfarçar seu nervosismo.
— E-eu não creio que os Power Rangers sejam fáceis de identificar. Além do mais, não acho certo invadir a privacidade deles, o anonimato é importante pra se manterem seguros.
— Nunca parou pra pensar que é estranho confiar num herói que usa uma máscara ou um capacete?
— Mas a identidade secreta de um herói é valiosa tanto pra ele quanto pras pessoas que ama. Owen, eu realmente apoio demais o seu trabalho, mas o que deseja fazer é um erro. Pode ser difícil, pode ser demorado e... pode causar consequências.
— Não, não vou abrir mão dessa oportunidade de dar um grande passo na minha carreira. O editor-chefe do Fato Diário me prometeu pagar uma comissão caso eu entregue uma foto que prova as identidades dos Power Rangers até o fim da tarde de hoje. Zoe, é um prazo muito apertado, tenho que conseguir senão meu pai vai ficar super decepcionado comigo.
— Então é por isso? Dinheiro?! Não esperava que faria uma coisa dessas por ganância.
— Mas quem não faria? — questionou Owen, soando aborrecido no tom. O fotógrafo-mirim foi andando a largos passos para entrar na escola. Zoe o observou tensa, uma sensação angustiante lhe invadindo no peito.
A Ranger Rosa havia entrado e foi vista por Jessie no corredor do lado dos armários da 6⁰ano-A.
— Aí está ela, já tava endoidando de tanto te procurar. Onde você tava? E que cara é essa? A prova hoje é de História, sua matéria favorita.
— Não é a prova, Jessie. É algo muito pior. — disse Zoe encostando-se no armário segurando seu livro com as duas mãos agarrado.
Tim e Damian vieram até elas.
— Já posso imaginar. — disse o Ranger Azul, intrometido — O Owen revelou que é um maníaco que gosta de seduzir garotas fotografando elas sem permissão, não é?
— Cara, sai dessa, tá fazendo papel de idiota. Mais do que o habitual. — repreendeu Damian.
— O Owen tem boas intenções, mas... — disse Zoe não achando facilidade em revelar devido a tensão que os cenários imaginários causavam.
Austin veio para fechar o grupo.
— Eu ouvi o nome do Owen... O que tem ele? Roubaram a câmera dele de novo?
— Galera, talvez estejamos com um problema seríssimo. — iniciou Zoe — O Owen tá fazendo um bico pro Fato Diário.
— Bom pra ele. — disse Jessie dando de ombros — Mas por que isso é um problema pra nós?
— Ele vai vender as fotos das garotas pro jornal?! — disse Tim, alarmando-se.
— Não, mas sim... fotos nossas. Ele quer expor nossas identidades nos flagrando desmorfar.
A reação dos quatro foi de puro assombro.
— Descobrir nossas identidades?! Agora deu. — resmungou Jessie.
— Antes fosse só descobrir, o cara pretende levar a público quem são os Power Rangers. — disse Damian ciente da dimensão grave — Temos que fazer algo a respeito. Austin, ideias?
— Nossa... — disse Austin, preocupado e pensativo — Sabemos muito bem que o Owen é ambicioso e tudo mais, só... não esperava que ele tentasse ir tão longe.
— Pra nossa sorte, ele tem um prazo de entrega dessas fotos. — contou Zoe — Até hoje ao fim da tarde, segundo ele.
— Há uma chance bem remota, isso ameniza. — salientou Damian.
— E se roubássemos a câmera dele? — sugeriu Tim que foi encarado pelos amigos com contrariedade — Pessoal, o cara tá afim de ferrar conosco. Zoe, como pode dizer que ele tem boas intenções com uma ideia de jerico dessas?
— Mas ele é bom de coração, só se deixa levar pelo dinheiro... igual a todo mundo.
— Ele vai ganhar uma grana do maior jornal da cidade às custas do nosso prejuízo?! — disse Jessie em tom indignado — Desculpa, Zoe, pensa o que quiser dele, mas não dá pra chamar isso de boas intenções.
— OK, ele tá sendo egoísta, mas o que podemos fazer pra impedi-lo? — questionou Zoe, aflita.
— Vamos manter a calma e contar com a possibilidade dele não conseguir, afinal ele só tem até hoje. — determinou Austin — Não faremos nada, por enquanto.
— Concordo, não há garantia, então não podemos agir precipitadamente. — reforçou Damian. Austin apontou para o amigo com uma piscadela em endosso.
— Então temos que torcer pro Lokknon não atacar a cidade hoje. — disse Jessie.
— Ele nos observa diariamente e sem dúvida tá fazendo isso agora. — relembrou Austin — Acho difícil ele não se aproveitar, pode até facilitar pro Owen usando um dos capangas dele.
— Estamos boiando num mar de suposições e possibilidades ruins. — metaforizou Damian, partilhando da preocupação crescente.
— E se o Lokknon entra nessa, podemos nos afogar. — completou Austin.
Ao entrarem na sala após o toque do sinal, o grupo se deparou com Owen em cima de uma carteira anunciando para um bom número de colegas ao redor a façanha que almejava.
— Galera, podem acreditar: eu serei aquele que mostrará a todos quem verdadeiramente são os Power Rangers! Podem fazer apostas à vontade! Eu com a minha câmera serei imbatível. Vou encontra-los e pega-los distraídos, prometo a vocês. Quem viver verá!
— Olha só, cantando vitória antes do tempo. — disse Jessie.
— Pois eu vou mostrar pra ele que querer não é poder. — disse Tim inflando o peito para tirar satisfações com Owen. Mas o Ranger Azul foi impedido por Austin com uma mão barrando-o.
— Ei, não, Tim. Manter a calma, esqueceu? Se fizermos qualquer coisa, pode entregar uma pista pra ele e vamos estar encrencados.
— Fora que o Owen aspira ser jornalista, ele tem um sexto sentido digno de Sherlock Holmes. — adicionou Damian, o que Tim, a contragosto, admitia.
— Droga. — disse Tim fitando com aspereza o fotógrafo amador — Já pensou se ele consegue mesmo? Que desastre.
— Só nos resta tentar evitar ao máximo se o Lokknon quiser estragar nosso dia. — disse Zoe.
— Se não. — negou Austin — Ele vai, é só questão de tempo. Não baixem a guarda.
A Srta. Paddleton entrava na sala trazendo um volume de papéis envelopado.
— Muito bem, crianças, em seus lugares! Farei a chamada e logo depois entregarei os exames.
Os Rangers sentavam-se, os cinco olhando com suspeita para Owen que combinava apostas com alguns colegas visivelmente entusiasmado.
***
Àquela altura, Lokknon já se encontrava mais do que inteirado da ameaça de exposição sofrida pelos heróis coloridos. Pelo visualizador, o imperador assistia a Owen propagandear sua meta de alcançar popularidade e respeito.
— Eu nunca imaginei que os Power Pirralhos pudessem sentir mais medo de um colega de classe ordinário do que de nós. — disse Aracna de pé assistindo ao lado de Mudok.
— Esse garoto de cabelos dourados tem minha total atenção e confiança. — disse Lokknon.
— E nunca imaginamos que diria algo tão absurdo, mestre, com todo o respeito. — disse Mudok virando-se para ele.
— Entendam que a ambição dele coloca os Rangers numa situação mais próxima da ruína sem que eu mova um dedo.
— Mas o senhor não deveria estar se sentindo ultrapassado? — indagou Aracna — Tipo se perguntando: "maldição, por que não pensei nisso antes?".
— Eu não concedo nenhum de vocês a me dizerem como eu devo me sentir! — desaprovou Lokknon batendo forte o punho cerrado direito no braço do trono. Aracna estremeceu, desconcertada — O plano ambicioso deste garoto deslumbrado é meio caminho andado para a derrota dos Rangers! E nós completaremos a estrada que nos levará a vitória! Barooma!
— Ao seu dispor, mestre! — disse o cientista sakorguiano se colocando mais visível na sala, fazendo uma rápida reverência.
— Iremos tornar menos árduo o trabalho desse fotógrafo que pretende expor publicamente os Rangers com um monstro baseado nesses dispositivos que os terráqueos utilizam para congelar momentos.
— Eu já cuidei efetivamente disso, senhor! O bio-modelador se encontra preparado para receber as informações que extraí do computador com um boneco previamente posto na cabine!
— Então não perca tempo, faça esse monstro nascer agora, o mestre ordena! — pediu Mudok.
— Como você é chato, Mudok! Eu me antecipo, mas espero sempre o mestre proferir a ordem! — disse Barooma indo até a alavanca, a qual logo pegara e baixara — Que venha com muita saúde!
A máquina manifestou seus efeitos de luzes piscando feito relâmpagos numa noite tempestuosa, bem como a fumaça de vapor subindo e espalhando. A criatura robusta saía em meio a neblina baixa que dissipava gradualmente.
— Façam suas poses e sorriam para a câmera! O meu álbum de fotos precisa ser preenchido!
— Ele me parece promissor de acordo com o plano. — disse Lokknon sorrindo de leve — Me faça uma demonstração satisfatória de seu poder.
— Eu preciso de modelos fotogênicos para inaugurar meu álbum! Quem se propõe? Algum de vocês?
— Não tenha tanta pressa, você irá fotografar cinco modelos perfeitos. — assegurou Mudok.
— Eu, eu, eu! — disse Aracna, eufórica, se colocando diante do monstro e fazendo uma pose feminina elegante — Photofocus, me deixe ser sua primeira modelo, por favor.
— Por que alguém de aparência tão extravagante enfeitaria meu álbum?
— Mas que falta de respeito, eu te dei um nome!
— É apenas uma demonstração, não se aborreça. — disse Lokknon — Agora faça antes que eu o mande de volta para aquela máquina e obrigue Barooma a retroceder o processo.
— Certo, certo, você é quem manda, baixinho. — disse Photofocus preparando-se para clicar Aracna que refez a pose ao estilo de Marylin Monroe — Isso, fique bem paradinha...
A lente gigante de Photofocus emitiu seu flash sobre Aracna. Porém, o corpo da princesa aracnídea se converteu em luz branca que reduziu depressa a uma fotografia. Lokknon e Mudok dividiam o espanto.
— Mas onde está Aracna? O que fez com ela? — exigia saber o imperador.
— Bem aqui, hehehe. — disse Photofocus apanhando a foto.
— Mas era pra comprovar a qualidade do seu poder, mas necessariamente usar em um de nós aquilo que servirá para os terráqueos! — disse Mudok — E se tivesse sido eu? Ficaria preso nessa maldita foto!
— Queriam uma demonstração, eu fiz! — rebateu Photofocus que tirou seu álbum de fotos de dentro do corpo — Meu gracioso álbum, hora de colocarmos a primeiríssima foto.
— Ele tem razão, Mudok, foi uma bela demonstração. — avaliou Lokknon.
— Mas e a Aracna, mestre? — indagou o androide.
— Azar o dela não poder participar do momento triunfal que nos aguarda! Hahahaha!
— De fato, ela foi uma grandíssima estúpida. — disse Mudok que voltou-se ao monstro — Photofocus, do que mais você é capaz?
— Disso aqui. — falou ele que piscou um flash de menor intensidade em Mudok.
— Mas o que acabou de fazer, seu imbecil?! Não disse que deveria ser em mim! Não... consigo... me mover!
— Sim, nenhum milímetro! — disse Barooma — Meu monstro fotógrafo possui um flash paralisante que neutralizará os Rangers!
— Magnífico! — disse Lokknon, levantando-se do trono ao esbanjar ânimo — Quero que vá a Terra ainda hoje! Os Rangers serão liberados da escola em poucas horas, será a hora perfeita!
— E quanto tempo dura essa paralisia? — perguntou Mudok, estressado — Meus circuitos necessitam de constante movimento.
— Não se preocupe, logo o efeito passa. Acho que daqui a umas quatro horas.
— Quatro horas?! Você me paga, seu...
***
O sinal para o encerramento das aulas daquele dia ressoava em toda a Angel Grove Middle School. Em meio aos vários estudantes caminhando para irem embora, os Rangers mantinham-se juntos e ainda atordoados com a missão infame de Owen.
— Aí, que tal a gente rangar hoje no Earl? — propôs Tim.
— Qual é a frase que vem mesmo depois disso? — falou Damian.
— Por conta do Austin. — disse o Ranger Azul.
— Ah, seu espertinho. Já sabe o dia que eu ganho mesada, né? Quando for o seu dia, marcamos de almoçar no Earl e você paga.
— Por mais que eu odeie admitir... É justo.
O Ranger Vermelho dera uma risadinha enquanto dava uma coçadinha rápida na cabeça meio raspada de Tim.
Photofocus era teleportado à Terra indo parar numa estreita e pouco movimentada rua.
— Mas aqui não tem quase ninguém que pose pra minha câmera! Onde está? Oh!
Avistou uma mulher de ondulados cabelos castanhos em luzes vindo pela calçada segurando várias sacolas de compras com alças nos braços e falando ao celular.
— Não tenho mais paciência de ouvir suas mentiras, Shay! Acabou tudo entre nós, não posso mais me forçar. — dizia ela que pusera óculos escuros — Eu cansei, chega! Mesmo que...
— Há! — disse Photofocus aparecendo subitamente na frente dela. A mulher tomara um susto tamanho que deixou cair o celular, gritando apavorada — Parada aí, você posará pra mim!
O monstro piscou um flash pela grande lente. Porém, a mulher permanecia inalterada, recuando trêmula e largando as sacolas.
— Socorro! — gritou ela dando meia-volta correndo.
— Como assim ela é imune ao meu flash fotográfico? Tenho filme de sobra, eu mal usei!
Mudok sabiamente captou a causa da falha.
— Essas lentes escuras que os terráqueos usam para se proteger dos raios ultravioleta... inibiram o flash de Photofocus. É funcional apenas a olho nu. Que restrição mais patética a do seu monstro, Barooma.
— Mas o cerne do plano consiste em paralisar os Rangers! — justificou Barooma — O flash paralisador atravessa superfícies que bloqueiam raios solares, o que inclui os visores dos capacetes dos Rangers! Não há nada defeituoso com Photofocus que ponha tudo a perder!
— É algo que deveria dizer olhando nos meus olhos, Barooma. — enfatizou Lokknon, austero.
— Perfeitamente, mestre! Photofocus é à prova de falhas, eu lhe asseguro!
O monstro não desistiu de sua primeira vítima terráquea. A mulher tropeçou, os óculos caindo de seu rosto. Ao olhar para trás, fizera o contato visual com a lente de Photofocus.
— Fica longe de mim!
— Mas eu só quero tirar uma fotinha, não seja tímida!
O flash foi disparado, congelando a mulher cujo corpo se transmutou em luz envolto de uma moldura holográfica retangular que a enquadrava e assim aprisionou numa foto.
— Essa ficou uma maravilha! Merece ir pro meu álbum!
Ainda durante a saída da escola, os Rangers tiveram suas atenções chamadas por Owen que veio atrás deles.
— Ei, pessoal, esperem um minuto! Quero dizer, na verdade, meu assunto é com a Zoe e a Jessie.
— Cara, esquece, elas não estão na sua. — rebateu Tim.
— Pode falar, Owen. — permitiu Zoe — O que você quer?
— Gostaria de saber se vocês duas topariam participar de um concurso, o Garota Colegial. A modelo que tiver todas as fotos aprovadas pelo júri ganhará um book gratuito. E aí?
— Peraí, era por isso que tirava fotos de garotas bonitas em todo o colégio? — perguntou o Ranger Azul.
— E por qual outro motivo eu faria isso? Não sou um maníaco perseguidor. — esclareceu Owen.
— Parece que alguém precisa retirar tudo o que disse. — falou Damian quase ao pé do ouvido dele.
— OK, OK, eu julguei mal, mas era estranho.
— Acho que vou esperar completar quinze anos. — disse Jesssie.
— Eu não tô interessada, você sabe o porquê. — recusou Zoe educadamente. De inesperado, os comunicadores tocaram, gerando calafrios nos Rangers que automaticamente taparam as pulseiras abafando o som.
— Que barulhinho é esse? Parece despertador de celular. Ah, são esses relógios... São relógios, né?
— São as nossas... pulseiras da amizade. — disse Austin, nervoso por medo de sua mentira não soar convincente.
— É, isso aí. — concordou Jessie — É um sinal que o Earl tá mandando pra gente ir almoçar na cantina dele.
— O Earl tá distribuindo pulseiras eletrônicas pros clientes? É um tipo de brinde ou o quê?
— Mais ou menos isso. — disse Zoe sorrindo de nervosa.
— Na verdade, foi meu amigão aqui, o Damian, quem construiu. — mentira Tim tocando Damian no ombro.
— Legal, eu não esperava menos. — disse Owen simpático ao Ranger Preto — Mas se dá pra consegui-las com o Earl, por que só vocês tem?
— Porque somos os clientes vips dele, cara. — disse Tim, impaciente — A gente tem que ir nessa, o Earl precisa muito de nós.
— A Jessie e eu agradecemos o convite, a gente se vê. — disse Zoe afastando-se.
— Mas Zoe... você falou que minhas fotos ficaram ótimas! — insistiu Owen.
— E ficaram! Mas não levo jeito pra essas competições, eu sinto muito. — respondeu Zoe, logo acompanhando os amigos.
O quinteto se encaminhou para a área dos banheiros. Austin tocou no seu comunicador.
— Na escuta, Sr. Dickerson. Desculpa a demora, tivemos um obstáculo meio complicado de passar. Qual é o problema?
— Lokknon liberou um monstro sequestrador. Venham já.
— Estamos indo. — confirmou Austin, desligando — Vamos lá, gente.
Todos apertaram os botões de teleporte, virando pilares de luzes cada qual com sua respectiva cor. Surgiram na Central de Comando para se atualizarem da problemática da vez.
— Olá, Rangers. — cumprimentou Dickerson — Parece que nosso inimigo de hoje é um fotógrafo que se apega demais por quem clica. — colocou no monitor principal vídeos de Photofocus abordando cidadãos aleatórios.
— Imagens de câmeras de trânsito registradas há alguns minutos. — disse Karen — Como será que ele faz isso? A vítima fica presa numa dimensão onde o tempo não decorre?
— Que coincidência, porque descobrimos outro inimigo fotógrafo mais cedo. — informou Tim.
— O Owen não é nosso inimigo. — contestou Zoe — Ele só quer aproveitar uma chance de formar uma carreira. De uma maneira errada, mas é o intuito dele.
— Zoe, entendemos que gosta dele, mas tem que dar o braço a torcer. — disse Jessie sentindo-se mal pela amiga.
— Verdade, ele quer nos expor em causa própria. — destacou Austin — Perto dele, o perigo desse monstro não é nada comparado.
— Também podemos fazer parte dessa conversa? — indagou Karen.
— Problemas na escola? — quis saber Dickerson — Quem é esse Owen?
— Um metidinho que quer revelar nossas identidades secretas. — contou Tim, lacônico.
— Ele deseja ser fotógrafo profissional, mas tá querendo começar a carreira com o pé esquerdo. — disse Jessie.
— Com o pé direito, na verdade. — corrigiu Damian — Vocês viram quando anunciou pra toda a classe, ele tá muito engajado e obstinado. Se o dinheiro é a recompensa, ele não vai medir esforços, tem a ver com o maior sonho dele. Quem de nós não iria até o fim do mundo perseguindo nossos objetivos?
— Vai defender ele agora? Só quer descolar uma grana fácil enquanto a gente perde a única coisa que nos protege da mídia pegajosa. — protestou Tim.
— Eu não advoguei por ele, apenas reforcei que toda essa garra dele pode tornar o pior cenário em realidade.
— Já é difícil lidar com a fama que temos como anônimos, imagina conhecidos pelo mundo todo de rosto e de nome. — apontou Austin.
— Se acham que não podem subestima-lo, precisam achar um local seguro para desmorfar. — orientou Dickerson.
— Onde nós estivermos em ação, ele vai estar lá com a câmera que nem uma arma mirando. — disse Austin.
— Só precisam se teletransportar pra onde não possam ser vistos. — recomendou Karen — As consequências de terem suas identidades expostas podem destruir o legado Ranger.
— Então vamos nos inspirar nele porque também temos garra pra evitar que o pior aconteça. — disse Austin sacando sua célula e morfador junto aos demais — Prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
O grupo se lançou imediatamente à caça de Photofocus, parando numa rua situada nas adjacências do centro da cidade.
— Karen me enviou os pontos por onde ele transitou. Aqui deve ter sido um deles. — informou Damian — Mas ela o perdeu de vista, o sinal de rastreamento foi ocultado antes que ela traçasse uma rota dos ataques.
— É, vamos ter que jogar de gato e rato com esse fotógrafo de meia tigela. — disse Austin.
— Ei, vejam ali. — apontou Jessie para a calçada alguns metros. Correram para dar uma olhada. Os pertences da moça capturada de início por Photofocus continuavam no chão — Ninguém deixaria compras de shopping assim largadas mesmo fugindo de alguma coisa.
— Sem dúvida foi uma vítima dele. — disse Austin — Por aqui não tem câmeras, então ficou fácil pra ele. — apanhou o celular — Tem uma mensagem não enviada pra polícia. Disse ter sido atacada por um monstro com cara de câmera fotográfica.
— Tá incompleta, não deu tempo de terminar antes da captura. — disse Zoe olhando por cima do ombro dele.
— Galera, que recurso maneiro esse novo! — disse Tim ajustando seu visor — Dá pra ver marcas onde ele esteve, umas manchas laranjas, algo assim...
— Assinaturas de calor? — perguntou Damian.
— Isso aí mesmo! Ele deixou um rastro que termina logo ali naquela esquina!
— Parece que ele deixe esses rastros sempre depois de usar seu poder. — aferiu Jessie.
— Boa, já temos uma rota a seguir e ainda por cima oferecida pelo nosso inimigo! Sigam-me! — disse Austin que correu percorrendo o trajeto sendo acompanhado pelos amigos.
Paralelamente, Owen se encontrava no prédio do Fato Diário tendo um encontro com o exigente e áspero Gunther Morrison, editor-chefe do jornal. Na sala do homem corpulento de poucos fios grisalhos numa cabeça calva e usando colete marrom por cima de uma camisa azul anil, o fotógrafo-mirim suava de apreensão com os vereditos sobre suas fotos avaliadas pelo chefe sentado sobre a mesa.
— Lixo. — disse Gunther descartando uma foto dos Rangers numa lixeira — Clichê. — descartou outra — Desinteressante. — mais outra — Borrada. — e mais outra — Tremida... Minha nossa, essa de longe é a mais grotesca.
— Se achou todas horríveis, por que não joga tudo logo? — perguntou Owen, incomodado — Eu fiz o melhor que pude, não tenho culpa se eles se movem mais rápido que os flashes da minha câmera.
— A questão não é o ritmo de trabalho, mas a dedicação a ele. — disse Gunther se aproximando — E pelo que vi... Você não deu conta. Eu lamento profundamente, Owen.
— Olha, por favor, não desiste de mim, Sr. Morrison. Pensa no meu pai, ele é seu grande amigo.
— Está implorando agora? Onde foi parar aquele garoto arrogante que pensa ter feito um excelente trabalho, hein? Não importa o quão bom se ache, sem formação profissional não pode colocar seu julgamento acima de quem entende as técnicas do trabalho em alta escala.
— O que o senhor me sugere então? Espero que não seja pensar em outra carreira.
— Eu não diria isso pra um rapaz de potencial como você. Mas preciso que tome uma atitude mais audaciosa se quiser uma foto de sua autoria naquele mural e o dobro da comissão.
Owen se sentiu firmado no seu propósito ao revela-lo para Gunther.
— Eu sei como. Mas em troca quero meu prazo estendido até amanhã de manhã. — disse ele que deu passos adiante olhando fixamente para Gunther — Vou tentar descobrir as identidades dos Power Rangers.
— Quer dizer... um flagra de quando eles voltam às suas aparências normais?
— Exatamente.
Gunther esboçou um sorriso de canto esperto.
— Interessante. E ousado, devo admitir. Parece impossível pra um iniciante.
— O impossível não existe pra quem sonha de verdade, Sr. Morrison. — disse Owen, convicto — Me dá só até amanhã pra entregar essas fotos bem aqui na sua mesa.
— Está certo, seu tempo foi prorrogado, sua última chance. — concedeu Gunther andando devagar pela sala com as mãos juntas para trás — Mas... não venha aqui se tiver sucesso nessa empreitada. Vá até a AGNN. Faça com que a informação se espalhe como fogo no mato.
— É esse o meu plano. Dessa vez eu juro que vou me esforçar mais do que nunca. — prometeu Owen, aguerrido na sua causa.
***
Os Rangers prosseguiam na busca por Photofocus, chegando a uma área perto do parque ecológico. Logo pegaram o monstro em flagrante, vendo um homem ser enquadrado e transformado em fotografia.
— Outra pra coleção! Estou tendo um dia tão produtivo hoje!
— Ah, é mesmo? Vida de fotógrafo deve ser dura hein! — disse Austin surgindo com os demais posicionados para a luta.
— São os Power Lixos que eu fui mandado capturar! — disse Photofocus voltando a atenção a eles — Tirem essas roupas ridículas pra que eu possa emoldura-los no meu quadro!
— E posarmos nus pra você?! Nem pagando! — disse Tim.
— Ninguém caçoa de Photofocus, o maior e mais célebre fotógrafo do universo! — esbravejou o monstro que logo disparou seus flashes de claridade menor, mas que tinham efeito explosivo. Os Rangers foram atingidos pelas explosões de faíscas, repelidos e derrubados.
— Meus peitorais estão queimando! — reclamou Tim tentando levantar.
— Esses flashes doem como tiros de laser! — disse Damian se reerguendo com dor.
— Devolva as pessoas que capturou, seu fotógrafo de araque! — mandou Jessie ajudando Zoe a levantar.
— Devolver? Estas fotos pertencem somente a mim!
— Rangers, disparar! — disse Austin sacando a pistola Z. Os demais o fizeram, logo os cinco atirando em peso contra Photofocus que se queixava dos estouros de faíscas no seu corpo e ao redor — Detonador Max! — chamara a pistola vermelha à sua mão direita e a destravou. Austin saltou num giro horizontal e atacava o monstro com chutes de karatê que ele defendia com suas mãos. Depois deu um impulso nos pés o chutando e atirou três vezes em pleno ar, os disparos acertando a lente de Photofocus que recuou com a explosão.
— Boa, Austin! — disseram Jessie e Tim em uníssono.
— Mandou super-bem! — disse Zoe.
— Essa lente macroscópica deve ser o ponto fraco! — deduziu Damian.
— Mas como são crianças ingênuas. — disse Mudok aparecendo no topo de uma estátua — Não conseguem enxergar além do óbvio.
— Isso é falta de visão além do alcance como a minha! — disse Photofocus que mantinha-se de pé e visivelmente restaurou sua lente — Olha o passarinho! — a lente clicou mais cinco vezes em ataque aos Rangers que sofreram com explosões de fogo em volta e dolorosos estouros de faíscas pegando nos uniformes.
— Photofocus, desapareça daqui e enquadre mais terráqueos! — ordenou Mudok que pegara esferas metálicas que armazenavam seus soldados — Psycho-Bots, ataquem! — as lançou no ar, liberando os robôs monoculares que cercaram os Rangers caídos.
— Ai... Ele tá fugindo! — disse Zoe.
— Não deixaremos! — disse Austin reerguendo-se bravamente para perseguir Photofocus. Porém, os Psycho-Bots barraram-os — Mudok, tira essas suas latas-velhas do caminho!
— Tirem vocês mesmo, pirralhos incompetentes! — disse o androide que logo teletransportou-se.
Os robôs iniciavam a luta, motivando os Rangers a espanca-los com chutes, socos e tiros de laser. Enquanto isso, Owen vinha voltando do Fato Diário quando de repente topara com Photofocus vindo correndo.
— Um garotinho! Adoro fotos de crianças no meu álbum!
— Ah não... — disse Owen alarmado e recuando — Era o que faltava: um monstro alienígena fotógrafo! Sai fora, eu não sou fotogênico!
— Eu não ligo pra aparências, rapazinho. Olhe bem pra câmera, dê um belo sorriso e diga xis!
Surpreendentemente, Mudok interceptou ao saltar e aterrisar entre eles. Apontou sua espada de metal negro contra o monstro.
— Pegue outro humano, este daqui é uma exceção!
— O quê? Só pode estar brincando! Eu não vou a lugar algum antes de capturar esse pivete!
— Eu ordeno que você se retire ou sentirá minha espada queimando o seu filme. Suma daqui!
— Que estraga-prazeres você é! — disse Photofocus que se teleportou para outra zona. Um flash fotográfico piscou em Mudok, o incomodando.
— Ei, o que está fazendo?
— É que até então eu só vinha fotografando os Power Rangers. Agora um vilão deles, pra variar.
— Se quiser desvendar as identidades secretas deles, terá que agir com mais astúcia.
— Você é um dos inimigos e eu sei que espiona eles antes de virem atacar a cidade, então... deve saber quem eles são por baixo daquelas roupas. — disse Owen arriscando um pedido — Será que poderia me dar fotos reveladoras?
— Sim, eu poderia... Mas não quero! — disse Mudok apontando sua espada para Owen que se intimidou recuando — Ouça, seu fedelho impertinente, nada se conquista dignamente sem trabalho duro. Deve obter o que deseja com seu próprio esforço.
— É o que meu pai sempre diz. — disse Owen baixando os olhos um tanto entristecido.
— Então deveria escuta-lo mais. — disse Mudok com ar professoral — Argh, eu não acredito no que estou fazendo. — pôs a mão na cabeça, perturbado — Aconselhando uma criança.
O androide se teleportou de volta a nave de Lokknon deixando Owen a refletir sobre o valor de um trabalho à duras penas. As palavras de Mudok proporcionaram uma clareza e fortalecimento. O fotógrafo amador cerrou os punhos e franziu a testa, logo seguindo adiante.
Os Rangers encerravam a batalha com os Psycho-Bots. Austin destruía o último restante girando no ar e dando um soco com seus punhos leoninos que empurrou o robô contra uma árvore o despedaçando. Os pedaços retornaram a nave de Lokknon em teleporte.
— Ufa, que canseira é lutar contra esses palhaços. — disse Tim — Mas ainda tenho muito gás sobrando! — fizera poses demonstrando força.
— Não mais cansativo do que ir atrás de um monstrão como aquele. — disse Jessie.
— Por que não usamos as Beasts Cycles pra tornar nossa caçada mais prática? — sugeriu Damian.
— Ideia genial, Damian! — assentiu Austin que logo aproximou a boca ao comunicador — Karen, manda as Beast Cycles, por favor!
— E estão chegando rapidinho. — disse a tecnóloga executando o comando de envio no computador. As motos surgiram teletransportadas simultaneamente justapostas em linha reta.
— Vambora, pessoal! — disse Austin aterrissando sobre a sua — Separação! Um vasculhando cada região da cidade! — moveu os guidões e ligara a moto. Os Rangers subiram nas suas.
— Certo! — disseram, determinados.
Owen continuava rumo a ir de encontro com Photofocus caminhando apressadamente. Decidiu ligar para Zoe. A Ranger Rosa cruzava um beco pilotando sua moto e ouviu o som do toque de seu celular no capacete.
— Essa não! Será que é minha mãe ligando? Karen, atende, deve ser ela.
— É um número desconhecido, mas vou atender. — disse Karen apertando no ícone verde na tela pelo sistema que vinculava chamadas telefônicas dos celulares dos Rangers aos capacetes.
— Alô? — disse ela saindo do beco e parando a moto.
— Zoe, aqui é o Owen.
— Tá ligando de um número desconhecido?
— Eu troquei de celular dia desses. Onde você tá agora?
— Ahn... Eu... Eu tô aqui no Earl, mas já tô de saída com meus amigos.
— Eu vou te dar uma última chance de responder se aceita participar do Garota Colegial. Vai lá, Zoe, você... é uma linda garota, tem todos os quesitos pra concorrer ao book, tenho certeza que iria agradar os jurados.
— Owen, obrigada pelo elogio, mas eu já falei que não tô interessada. Não é porque você é o fotógrafo do concurso e quer me indicar que minha vitória tá garantida.
— Que pena... — disse Owen, rendido — Então tá OK, a gente se vê amanhã no colégio. Aliás, amanhã promete. Será um dia histórico pra América. Um grande passo para Owen Pratt, mas um gigantesco salto para a humanidade. Ou será que é o contrário?
— Você conseguiu as fotos?
— Ainda não. Meu editor estendeu o prazo até amanhã à tarde. É tempo suficiente.
— Owen, essa sua autoconfiança não tá lúcida. Subiu pra sua cabeça e pode te frustrar.
— Eu não desisto fácil diante da dificuldade, Zoe. Você me conhece.
Owen de repente parou ao flagrar Photofocus vitimando mais inocentes ao dobrar para uma rua mais larga.
— Não faz isso! — berrou ele — Droga...
— O que foi? Aconteceu alguma coisa?
— Um monstrengo alienígena com cara de câmera fotográfica tá atacando gente inocente aqui pertinho. — disse ele escondendo atrás da lateral de um carro e mirando sua câmera no monstro — Ops, acho que ele me viu...
— Onde você tá?
Ele olhara um poste de ferro com uma placa indicando o nome da rua.
— Rua Sakamoto, 643. Vai chamar a polícia? Porque os Power Rangers ainda não chegaram.
— Nos encontramos de novo, loirinho bonito! — disse Photofocus alvejando-o.
A ligação foi encerrada bruscamente.
— Owen! — chamou Zoe, tensa — Owen!
Austin passava vagarosamente na sua Beast Cycle por uma outra rua fazendo sua ronda — Zoe, na escuta?
— Sim, tô na escuta, Austin!
Jessie se manifestou passando perto de um rio com paredes de concreto.
— Estávamos tentando contato e você não respondia, fiquei preocupada.
— O Owen me ligou. Nos falamos um pouco e ele flagrou Photofocus capturando mais pessoas! Mas a ligação caiu e eu acho que ele tá em perigo! É na rua Sakamoto, 643.
— Rangers, fica a poucos quarteirões de onde estão. — disse Dickerson — Acionando sistema de GPS.
O guia mapeando a Alameda dos Anjos surgiu como holograma nas Beast Cycles. Os Rangers aceleraram diretamente até lá, cada um saindo do ponto de onde estava para se encontrarem.
— Não se esconda de mim, meu flash é inevitável! — ameaçava Photofocus indo para a fileira de carros estacionados no outro lado da rua.
— Não lembra do que falou aquele robocop de preto? Você tá proibido de me pegar! — disse Owen sem revelar sua posição.
— Eu não tô nem aí! Aquele patife não manda em mim, ele não passa de um empregado!
Tiros de laser fortemente explodiram faíscas em torno de Photofocus que se atordoou. Os Rangers chegaram montados nas motocicletas.
— Photofocus, acabou sua sessão fotográfica! — disse Austin — Renda-se ou passaremos por cima de você!
— Prefiro que vocês me atropelem! Quero ver só!
— Esse local não tem um terreno livre pra utilizar as Beast Cycles em batalha, podem causar danos à propriedades. — avisou Dickerson — Lutem com suas armas pessoais.
— Beleza! — disse Austin — Vocês ouviram!
Os Rangers juntos deram um salto acrobático.
— Beast Cycle desativar! — falaram em uníssono, logo pousando no asfalto quente daquela tarde.
— Cometeram um grande erro, criancinhas! — disse Photofocus que disparou seu flash paralisante nos Rangers.
Lokknon se empertigou no trono, sorrindo.
— É agora.
— Ele os pegou. Não há escapatória. — disse Mudok assistindo com o imperador pelo visualizador mutlfocal.
Os heróis foram imobilizados pelo flash, sofrendo para forçarem qualquer movimento.
— Mas que droga... Não posso mover... nem um dedo! — disse Austin.
— É como se nossos pés estivessem colados com super bonder! — reclamou Tim.
— E nossos corpos endurecidos feito pedras! — disse Zoe — Sr. Dickerson! Karen! Socorro!
Owen levantava com curiosidade, mantendo-se atrás do carro. Apontou a câmera e focalizou os Rangers. "Finalmente parados pra uma foto decente", pensou ele, clicando os heróis.
— Será que não há um recurso que nos tire dessa? — indagou Jessie — Não sinto nada do pescoço pra baixo!
— Receio que não tenhamos mais nada a recorrer! — disse Damian — Grrr... Se pudéssemos teletransportar...
Karen também vivia o sufoco.
— Estou tentando insistentemente! Mas a paralisia desse flash não deixa!
— Busque atalhos, qualquer coisa que possa trazê-los pra cá. — pediu Dickerson, afoito.
— Não dá, o efeito do flash reduziu as funções musculares a zero. O teleporte necessita de saúde integral das articulações.
Photofocus disparava seus flashes agressivos que atingiam os Rangers em vários pontos do corpo, as roupas com manchas de queimado e os estouros de faíscas transformando o que poderia ser uma "sessão de fotos" em uma sessão de tortura.
— Ainda não tá muito bom! Mais uns cliques! — disse o monstro piscando mais flashes e mais rápido, emitindo o som característico de câmera fotográfica ao capturar uma imagem. Owen também fazia seus cliques sucessivos vendo com certa agonia os Rangers serem bombardeados.
— Nossa, que cruel... Será que vai mata-los?
— Eu não aguento mais... — disse Jessie.
— Eu tô um bagaço... — disse Tim.
As explosões de faíscas geravam fogo estourando. Karen se afligia a cada segundo.
— Rangers, os níveis de energia estão caindo! Uma sequência de ataques nessa velocidade vai...
— Vai o quê? — perguntou Dickerson travado de tensão.
Karen virou o rosto para ele.
— Desmorfa-los.
O último flash piscou sobre eles numa intensa claridade, gerando uma terrível explosão flamejante atrás deles.
— Caramba... — disse Owen, assustado — Talvez seja melhor eu cair fora... Eu só preciso de uma foto na galeria do jornal, é o bastante. — olhou para a camera. No entanto, se encontrou travando uma luta interna entre mente e corpo. Viu os heróis serem envolvidos por luzes de suas respectivas cores e instintivamente apontou a lente da câmera — O que é aquilo?
Clicou repetidas vezes rapidamente. Os Rangers estavam de volta às suas formas originais, combalidos e fraquejados. Owen ficara estupefato com o que presenciava, boquiabrindo.
— Eu tô vendo isso mesmo? Não pode ser...
Austin e os outros caíram de joelhos, gemendo com as dores dos ferimentos em meio a fumaça dos explosões.
— A gente já era, né? — indagou Jessie.
— Só acaba quando dissermos que acabou. — disse Austin bravamente levantando e encarando Photofocus.
— Quero deixa-los por último, então apareçam como estão quando voltarmos a nos ver! Tchau, tchau, perdedores! — disse Photofocus que logo se teleportou.
— Ele foi embora... — disse Zoe sendo ajudada por Damian.
— Ele deve achar que perdemos nossos poderes. — disse Austin.
Owen mantinha-se em choque, ora olhando para a câmera, ora olhando para os Rangers em pessoa a uma distância relativamente curta.
— Não dá pra acreditar nisso... Meus amigos da escola... são os Power Rangers. Se eu mostrar pra galera, vão pensar que é montagem. — mas a ambição lhe possuiu novamente — Ou talvez não. — um sorriso sacana de canto desenhou-se no seu semblante. Foi indo embora abaixado e escondido atrás dos carros.
— O Owen... Não havia sinal dele quando chegamos. — disse Zoe.
— Acorda, amiga! Ele podia ter se escondido em qualquer lugar onde não pudesse ser visto pra nos fotografar. — argumentou Jessie.
— Eu aposto dez pratas que ele deu no pé antes de virmos. — disse Tim.
— Isso já seria otimista demais. — retrucou Damian.
— De qualquer forma, só saberemos amanhã no colégio. — antecipou Austin — Dedos cruzados.
Os amigos cruzavam os dedos torcendo para que a sorte pudesse salva-los do temido destino. Mas depender de algo vago e instável como a sorte era um corajoso teste de fé até mesmo para os estimados Power Rangers.
***
Mais tarde, Owen revelava as fotos no laboratório de luz vermelha criado em sua própria casa pelo seu pai, um fotógrafo com anos de profissão. Realizava o processo de lavagem cuidadosamente. Após a secagem, pegara as fotos e um dilema o atormentou. O que seu pai diria acerca da ética de trabalho? Imaginou variados discursos. Uma cogitação soou moralmente correta num dado momento.
Se aproximou de uma lata de lixo, fazendo menção de rasga-las e descarta-las, preocupando-se com os sentimentos de Austin e os outros. "São meus colegas... Eu estaria traindo eles..."
Mas a voz autoritária de seu pai retornava ecoando com vigor.
— Não... Eu não quero que o papai pense que não sirvo pra uma carreira de sucesso como a dele. Ele não criou um filho inútil.
Se afastou da lixeira, retomando a decisão.
— Não me importo com o que vão pensar. Nem são meus amigos, não somos próximos. Exceto pela Zoe. Mas eles vão ter que entender o quanto isso significa pro meu futuro. Acho que não será tão ruim, são heróis adorados por todos, vão saber como se adaptar.
Na manhã seguinte, a TV da Angel Grove Middle School, instalada no corredor principal, estava sintonizada na AGNN. Logo pintou na tela um plantão de notícias urgente interrompendo a programação com uma música de abertura alarmante e assustadora. Os alunos voltaram o foco para a transmissão, atraídos.
— Acabamos de receber informações perturbadoras coletadas de um fotógrafo amador, mais precisamente um garoto de 12 anos estudante do Ginásio da Alameda dos Anjos.
A descrição soprou os ouvidos dos Rangers como um arrepio na espinha. Estudantes se aglomeravam sob a TV, ansiosos. Os Rangers se agruparam em meio ao burburinho.
— Apesar da pouca idade, ele foi responsável por um feito histórico e chocante na tarde de ontem. — a foto de Owen surgiu ao lado da repórter âncora do plantão, arrancando suspiros de espanto em grande parte dos alunos.
— Alguém, por favor, me acorda desse pesadelo... — disse Jessie, os olhos fitos na TV.
— Acho que vou desmaiar. — disse Zoe, atônita.
— E eu vomitar. — falou Tim com náuseas.
— Cruzar os dedos não deu muito certo. — disse Damian.
— É, pessoal... Acho que esse é o início da carreira do Owen... e o fim da dos Power Rangers. — disse Austin, contendo sua angústia e disfarçando o medo na voz.
A repórter prosseguia:
— Não satisfeito em capturar ao alcance de sua modesta câmera polaroide o momento exato em que os Power Rangers exibem suas identidades civis após uma missão mal-sucedida, Owen Pratt procurou nossa emissora pessoalmente para apresentar seu material comprobatório, atestando que os heróis coloridos que arriscam diariamente suas vidas pelo nosso planeta... são humanos. A seguir, confira com total exclusividade, quem e como são os Power Rangers sem seus uniformes de spandex.
Os nomes e rostos de cada um dos Rangers foi passando na tela com a foto mais comprometedora ao fundo. Brock e Stuart cuspiram o suco que tomavam ao verem. Zoe cobriu a boca com as duas mãos, terrificada com a ousadia de Owen.
— E não é que aquele maluco das fotos cumpriu com a palavra?! — disse Brock.
— São eles?! — disse Stuart apontando para o grupo. O diretor Brewster assistia acompanhado de professores, todo o corpo docente do ensino fundamental de cabelo em pé com as revelações.
— Jessie! — chamou Cindy Harper, passando por entre colegas sem pedir licença. Correu até a Ranger Amarela e a pegou nas mãos — Eu me arrependo de todas as vezes que te tratei como uma plebeia sem valor! A pobreza era minha. Se eu soubesse esse tempo todo que você era a Ranger Amarela, teria respeitado mais você.
Passou para Austin.
— E Austin... Saiba que eu te achei o garoto mais lindo desse colégio e dessa cidade desde a primeira que te vi. Agora pra mim é o mais lindo da Terra! — declarou a patricinha, logo o beijando nas duas bochechas, deixando os outros estarrecidos — Eu te amo, Ranger Vermelho!
— Cindy, para com isso... — disse Austin — É tudo um engano, o Owen forjou aquelas fotos...
— Ah, vão querer fazer falsa modéstia agora? — disse Brock — Vocês são os incríveis Power Rangers! Olha, Stuart e eu prometemos nunca mais atazanar vocês de agora em diante. Né, Stuart? — abracou o amigo de lado.
— Pode crer, vocês são demais! Somos seus maiores fãs!
— É como se o Owen tivesse distorcido a realidade. — cochichou Damian para Jessie.
— Pois é. Cindy, Brock e Stuart sendo legais conosco?! Em que universo isso seria possível?
— Só assim pra nos darem alguma moral. — disse Tim.
— Lógico, são um bando de interesseiros que vão querer espremer a gente de tanta fama. — disse Zoe.
— Galera, calma aí. — disse Austin recuando com os amigos — É uma farsa! Não somos os Power Rangers!
— Farsa?! O maior jornal da cidade nunca mentiria com essas provas. — disse Cindy tirando seu celular do bolso tal qual uma esmagadora maioria dos estudantes, apontando as câmeras dos aparelhos para as maiores celebridades da Terra.
O mutirão de novos fãs avançava com os smartphones direcionados a eles.
— Austin, esses zumbis estão me assustando mais do que dos filmes de terror! — disse Tim.
— Não podemos dar tanta atenção nessa histeria toda! — disse Damian.
— O que faremos? — perguntou Zoe.
— A única coisa de que somos capazes agora. — disse o líder — Fugir! — disparou correndo da horda de admiradores que veio em peso aos gritos de euforia perseguindo os heróis pelo longo corredor.
CONTINUA...
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