Power Rangers: Esquadrão Z

74 A Busca Pelo Falcão (Parte 1)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Dickerson rastreia o antigo zord falcão que pertencia ao pai de Austin em seu período como Ranger. Para impedir que os Rangers aumentem seu arsenal, Lokknon incumbe Mudok de adulterar o zord e o monstro Vulturaptor de manter os heróis bastante ocupados. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!


Um treino comum de revisão naquela tarde, no quintal de casa com plataforma de madeira como um dono ao ar livre, parecia abaixo da média tanto para Austin quanto para John, seu pai, que praticavam mais uma rodada de movimentos de karaté e kung-fu entre golpes de mãos e pés. O Ranger Vermelho focava numa marca especifica no antebraço esquerda de John.


— Austin, concentre-se, sua movimentação tá dessincronizada!


Após um chute giratório que derrubou o Ranger Vermelho quase para fora da plataforma, John interrompeu a sessão.


— Droga... — resmungou Austin, levantando-se com dores no peito — Nossa, pai, é apenas treino de revisão. Pra quê pegar pesado assim?


— Você tá agindo estranho desde que começamos. Tá tudo bem? — John foi aproximando-se.


— Eu tô legal, nem doeu tanto.


— Não perguntei disso. — disse John arqueando uma sobrancelha com sorriso de canto.


— Poxa, valeu pela preocupação. — ironizou Austin que foi andando ao banco comprido onde haviam garrafinhas d'água.


— Sei que tá chateado. Mas toda vez que você se desconcentra, principalmente numa revisão de técnicas, é claro que me preocupo.


— Beleza, vou abrir o jogo. — disse Austin tomando um gole antes de se explicar — Comecei a prestar atenção... nessa marca aí no seu braço, parece ser de algum título de lutador.


— Essa marca aqui? — John mostrara a marca preta de três garras animais na parte de baixo do antebraço esquerdo — Pois é, isso é a marca do mestre da Academia Pai Zhuq administrada pela lendária Ordem da Garra, uma organização que existe há mais de dez mil anos.


— Caramba, que máximo. Você estudou lá e nunca me contou?!

John virou o rosto controlando uma risadinha.


— Ah, para de gozação. Você é a pessoa que eu conheço há mais tempo, não devia existir segredos entre nós.


— Eu sei disso. E é por essa razão que vou revelar um dos fatos mais secretos da nossa linhagem. — John destacou a marca — Isso aqui na verdade não é a marca original. O verdadeiro mestre da garra na nossa família foi seu avô.


— Se não é a marca legítima, então...


— É apenas uma tatuagem que fiz em homenagem a ele. A marca oficial fica no braço direito. Tem uma foto dele no baú de memórias do dia em que ele conseguiu se tornar mestre.


— O mesmo baú que o senhor nunca me deixou chegar perto.



— E se a partir de hoje eu mostrar as tralhas minhas que guardo nele? Agora que tá mais crescidinho pra não bagunçar tudo. — brincou John o abraçando de lado.


— Ei, eu não bagunço nada desde os sete anos, podia ter me mostrado bem antes que tudo ia ficar intacto. — disse Austin com bom humor.


— Já que você insiste tanto... Iáááá! — John, de inesperado, fizera um movimento karateca veloz, o qual Austin defendeu com o braço direito.


— O que é que foi isso? O treino já acabou, não?


— Ótimo, seus reflexos normalizaram. Bastou eu matar sua curiosidade.


— Ok, mas avisa da próxima vez que for fazer isso e eu estiver segurando uma garrafa d'água. Quase molhei minha camisa nova. — disse Austin caminhando, logo esguichando água da garrafa no rosto de John que riu.


— Ei, se quer se vingar, deixa pro próximo treino.


Austin dera uma risada divertida, ambos rumando para dentro da casa.


Dentro do quarto, John puxou debaixo da cama uma caixa metálica pesada, carregada de relíquias, a colocando sobre o móvel.


— Pensei que fosse mais leve.


— Nossa linhagem é longa. Só as memórias do seu avô e bisavô ocupam metade da caixa. As suas ainda podem caber.


— Se eu tiver um baú de memórias, ele com certeza não será um caixa velha e mofada. — retrucou Austin olhando para John — Século XXI, pai, os álbuns de fotos hoje não se desgastam com o passar do tempo.


— A tradição não se resume a fotos, Austin. Mas a tudo que pode ser guardado com valor sentimental. Olha isso, é a faixa preta do seu avô e luvas de levantamento de peso.


— Então é uma tradição? Ahn... Foi mal se pareceu que eu tava desprezando a ideia.


— Não, eu entendo, é natural você achar isso meio antiquado, às vezes até eu acho. — disse John remexendo entre os objetos, logo sacando uma fotografia amarelada em preto e branco — Veja, aqui está seu avô no auge de sua jornada de lutador.


— Ele parecia ser bem forte. Mas por que você, um grande fã de artes marciais, não estudaria na academia Pai Zhuq pra se tornar um mestre?


— Por que eu quis seguir um caminho diferente. Respeitar um legado, Austin, não tem nada a ver com repetir todos os passos dos nossos antepassados. Seria negar sua individualidade.


— Minha individualidade... — disse o Ranger Vermelho refletindo um pouco.


— Com o tempo você entenderá melhor.


— Mas... Eu bem que queria ter uma marca dessas.


John o olhou condescendente.


— A sua marca da garra... está aqui dentro. — apontou para o peito de Austin cutucando — No leão que habita em você. — afagou os cabelos castanhos do líder Ranger e se dirigiu a porta para sair — Fica a vontade pra olhar.


Porém, Austin notara o objeto de ferro desgastado entre os diversos itens do baú e o retirou, surpreendendo-se ao constatar o que era.


— Pai, espera aí.


John virou, intrigado.


— O que foi?


— Isso... é o seu morfador da época que você liderou o Esquadrão Aviário, né?


— Eu já temia que você descobriria. — admitiu John — Guardei lembranças da minha época de Ranger Vermelho, de planetas distantes.


— Mas devia se desfazer do morfador. Ele te faz lembrar do pior dia da sua vida como Ranger. — insistiu Austin.


John suspirou, tocando o objeto.


— Um capítulo ruim em um ciclo não é uma mancha que faz dele um tempo a ser esquecido. Vivi grandes aventuras com meus antigos companheiros. Você não julga um ano inteiro por um dia ruim.


— Mas qual a primeira coisa que vem na sua mente quando pega nele? — questionou o filho.


A questão lançada por Austin foi interpretada como uma pergunta retórica que fizera John pensar com olhar baixo e distante engolindo em seco.


— Foi o que eu pensei. O senhor tem um trauma e precisa se curar dele.


— Austin, bota isso de volta na caixa. Eu vou deixar um saquinho de pipocas pra você no microondas antes de ir pra oficina, a casa é toda sua até eu voltar.


— Mas, pai, espera...


— Filho, esqueça isso. — disse John o tocando no ombro e o fitando com seriedade — É uma parte da história que eu construí. Um capítulo ruim não define ela por inteiro, lembre-se disso.


John saíra do quarto deixando a porta entreaberta. Austin baixou os olhos para o morfador, decidido a fazer algo que purificasse os sentimentos do pai sobre como a jornada no Esquadrão Aviário havia terminado.


— Ele não merece isso. Mas já sei como resolver.


***

A solução primordial que veio a sua mente foi recorrer a consultoria indispensável de Damian.

Um minuto depois dele tocar a campainha, Mabel, a irmã do Ranger Preto, atendeu à porta.


— Em que possa ajudar?


— Ah, oi. Você é a Mabel, né? Nossa, como você cresceu.


— Você é o Austin, amigo do Damian do colégio, né?


— Sim, sou eu. Ele tá aí?


— Ele tá sim, enfurnado naquele quarto como sempre, só um minuto. Damian, vem logo aqui, aquele seu amigo Austin veio te visitar!


— Ei, para com essa gritaria, tá parecendo uma arara maluca. — insultou Zack que aproximou-se.


— A casa é minha, falo na altura que eu quiser, sai fora.


— E aí, Zack, tudo beleza? — cumprimentou Austin.


— Fala aí, Austin! — disse o garotinho batendo sua mão na de Austin — Que bom você ter vindo. Ouvi você falando com Mabel sobre Power Rangers e queria saber se você tem o telefone deles.


— E por que um cara normal como eu teria o número dos Power Rangers na minha lista?


— Sei lá, você tem cara de que tem amizade com eles, é um fã de carteirinha assim como Damian.


O Ranger Preto vinha de encontro.


— Aí, desliga TV se for brincar com o Zack em vez de assistir. — mandou Damian, fechando a porta para falar a sós com Austin na sacada — E aí, Austin? Presumo que veio solicitar meus serviços didáticos para diversos problemas.


— De certa forma, é um problema. — Austin mostrou o morfador.


A dupla fora até a casa de ferramentas, improvisada como laboratório científico.


— Então você quer que eu conserte o morfador do seu pai pra fazê-lo se sentir menos traumatizado com o dia em que o Esquadrão Aviário foi derrotado pela Aliança Imperial? — perguntou Damian logo ao entrar, Austin o seguindo e fechando a porta.


— Exato, mas tem um outro motivo pessoal. — Austin parecia nervoso — É que tá chegando o aniversário dele e não decidi ainda o que comprar de presente.


— O quão perto estamos da data?


— É daqui a três dias. — revelou Austin,. desconcertado.


— Poxa, então lamento dar más notícias pra você. — disse Damian vendo o estado do morfador. Está muito avariado, não disponho de recursos pra transferir energia de modo que volte a ser funcional como antes.


— Bom, eu não tava pensando em fazer ele funcionar de novo, mas já que você deu a ideia...


— Você pediu um conserto que o tornasse novinho em folha. Seu pai ficaria orgulhoso de você buscar restaurar o morfador em hardware e software.


— É, ele ia se amarrar e... Imagino como ele ficaria tão feliz já que o morfador não estaria só consertado por fora, mas por dentro também. Seria um baita presentão.


— Vamos encarar a situação numa ótica realista: só posso restaurar a estrutura superficial. Parecerá uma fruta fresquinha por fora, mas estragada por dentro.


— Tá, então o que é preciso pra religa-lo até que funcione na capacidade total?


— Uma carga brutalmente potente de energia da morfagem, talvez um raio de milhares de volts. Mas sabemos de alguém que tem todas as ferramentas disponíveis pro serviço completo.


Austin olhou apreensivo:


— Não, o Sr. Dickerson não.


— Ué, por que não? Ele é quem possui acesso irrestrito a rede de morfagem.


— Eu peguei o morfador escondido depois que meu pai mostrou o baú de memórias do meu avô. Me mandou esquecer por eu questionar ele.


— Tem certeza de que quer levar isso adiante mesmo ele tendo negado?


— Damian, eu quero que ele se lembre da época de Ranger Vermelho com mais alegria e não melancolia.


— Acho que o que ele sente é nostalgia. Um sentimento de saudade que engrandece as lembranças felizes, mas ao mesmo tempo causa tristeza pelo fato desse tempo nunca mais voltar.


— Pode ser isso, mas tô certo de que ele pensa primeiro no último dia como Ranger e que não acabou nada bem. — disse Austin relaxando na cadeira.


— Quer cancelar esse plano? Eu e os outros podemos ajudar com o presente ideal se você não tiver grana suficiente.


— Não. — disse Austin, firmemente — Não vou deixar ele continuar lembrando de ser um Ranger pelo fracasso.


— Então vou ter que contatar o Sr. Dickerson. _ — disse Damian que virou de costas para se comunicar pela pulseira.


Austin levantou alarmado e se colocou diante do Ranger Preto o impedindo.


— Não, Damian, o Sr. Dickerson tá fora de questão.


— Mas de que outro modo você quer restaurar o morfador?


— Se o Sr. Dickerson consertar o morfador eu vou ficar encrencado. Ele e meu pai são muito amigos.


—É, estamos num impasse, amigo.


Austin sorriu:


— Não, não estamos. Podemos transferir energia usando meu morfador. — retirou seu aparelho.


— Tá brincando, né? Austin, se o Sr. Dickerson tá fora de questão pra você, essa sua ideia, pra mim, é que tá.


— Se tem que canalizar energia da morfagem, um morfador novo e mais avançado pode servir.


— O processo é viável, mas extremamente arriscado. Na pior das hipóteses, seu morfador pode não suportar a transferência e se danificar até mais gravemente do que o do seu pai.


— Eu vou te implorar pra você fazer isso por mim. — suplicou Austin.


Ambos se encaravam sérios, mas logo Damian cedeu a sua generosidade inerente em prol da amizade


— Está bem. O que não se faz pelos amigos, né?


— Ah, valeu. Eu tô pronto pra ver no que vai dar.


Damian pegara alguns cabos e um gerador, sentando-se a sua mesa.


— Mesmo que o resultado literalmente exploda meu laboratório?


— Damian, você é o melhor que conheço em matéria de segurança, não vai deixar isso acontecer.


— O problema é que não depende exclusivamente de mim, mas da resistência dos dois morfadores.


O procedimento era iniciado, os cabos conectados ao gerador ligados aos dois morfadores como eletrodos. A energia vermelha passava corrente elétrica pelos cabos.


— O gerador funciona como intermediário para balancear e estabilizar a transferência. Pelo menos até certo ponto. — disse Damian com um laptop — Confiro todos os dados de medição dos níveis aqui. Recarga chegando a 30%.


— Será que dá pra chegar a cem?


— Eu não sei precisar um percentual exato de tolerância pra energizar o morfador. A sorte foi lançada.


Austin suava nas mãos ao acompanhar atentamente o processo.


— Recarga em 60%. Tudo bem até aqui...


Os indicadores fizeram o gerador apitar.


— Pra quê eu fui falar? — Damian desligou imediatamente, o morfador de John faiscamdo energia vermelha — Ufa, preveni um desastre.


— Mas não alcançou cem por cento. — lamentou Austin.


— Relaxa, embora a energia tenha chegado ao pico de tolerância antes do necessário, esse percentual já é mais da metade, o que garante um funcionamento seguro. Agora tenho que começar os reparos na estrutura interna antes da restauração e polimento na externa. Vai levar aproximadamente meia hora.


— Sem problema, fico esperando o tempo que você precisar. — disse Austin que sentou em caixotes a certa distância e sacou seu celular — Já vou convidar o pessoal pra festa. Eles já estão online, vamos lá.


O reparo prosseguia ao longo do tempo cronometrado por Damian que se debruçava na tarefa usando chaves pequenas ao mesmo tempo que mexia nos circuitos mais profundos do morfador. Porém, verificou no modelo virtual uma configuração em modo de espera.


Ao mexer, faíscas salpicaram. O morfador explodiu em um forte campo de força de energia vermelha, repelindo Damian contra a parede.


— Damian! — Austin correu para ajudá-lo.


— Havia... uma configuração que parecia importante ativar...


Austin fez menção de ir pegar o morfador, mas Damian o segurou:


— Não se aproxime, essa liberação de energia é altamente perigosa! Um contato direto pode ser fatal!


O morfador flutuava envolto do globo energético, aquele poder pulsando agressivamente. Isso até o campo se anular,.o morfador voando na mesa exalando calor.


Damian pegou-o com luva protetora.


— Aparentemente, não houve danos adicionais.


— Damian, dá pra explicar o que houve? Foi assustador, pensei que ia explodir.


— Talvez reativei acidentalmente algum sistema de localização.


— E daí?


— Daí que a Intercorp pode ter captado o sinal da liberação. Se for reportado pro Sr. Dickerson...


Austin sentiu frio na barriga:


— Ele vai saber que é do meu pai e vai contar pra ele. — pôs as mãos na cabeça, aflito — Eu tô ferrado.


Enquanto isso, John, ao retornar para seu quarto, percebeu o item ausente no baú.


— Espera aí... — pegou a caixa — Ah, aquele leãozinho teimoso... — fechou a tampa com força.


***

Na nave de Lokknon, Mudok trabalhava em sua oficina na migração da consciência de Andreos para um orb metálico azul. Faíscas de energia saíam do capacete enquanto o led vermelho do orb acendia.


— O que me diz do seu novo corpo? — perguntou Mudok.


— Eu somente sinto que tenho um corpo quando possuo um hospedeiro. — retrucou o tecno-parasita.


— Você tem uma dificuldade irritante de demonstrar gratidão e reconhecimento! — reclamou Mudok — Se desaprovou, transfiro você de volta a esse capacete obsoleto.


— Aqui já está bem mais confortável. Mas você insiste em ignorar meu real desejo. Até quando, Mudok? Até quando?


— Não tenho nenhum hospedeiro para oferecer a você. — disse o androide, virando as costas.


— Estou vendo ele bem diante de mim.


Mudok voltou-ae a ele com fervor:


— Nem a sua maior promessa de cumplicidade é capaz de me seduzir a isso.


— Você se autoengana de uma forma patética. É tão difícil admitir que sua desconfiança não é maior do que o seu ego?


— Chega, eu vou desligá-lo! Amanhã faremos o teste de simulação virtual. Vou lhe dar um hospedeiro, um Psycho-Bot aleatório depois dos testes simulados e acho bom não reclamar.


— Eu não quero um dos seus robôs inúteis, eu quero você, Mudok. Essa necessidade é tão minha quanto sua.


— Você quer apenas inverter os papéis.


— Errado, eu desejo uma aliança real e igualitária, uma fusão justa. A minha experiência com Killvox é a prova disso. Quer o teste perfeito? Coloque esse orb no seu peito, é o caminho mais curto de ligarmos nossas unidades de processamento.


Mudok urrou em fúria, derrubando objetos da mesa:


— Odeio ser induzido a fazer algo que sou curioso pelo resultado, mas não me inspira confiança!


— Supere esse dilema e se abra a um poder transcendental. Eu sou a chave e você a fechadura...


O androide cedeu à curiosidade científica e iniciou o comando no supercomputador.


— Iniciando o teste simulado virtual da nossa combinação. Uma prévia de como seremos em um só corpo. Aguarde.


Enquanto isso, Enckantess apresentava sua maleta de cosméticos para Aracna.


— Tcharam, o meu kit de cosmética ficou pronto. Se prepare, Aracna, hoje será um dia de princesa pra você.


— Anda logo que eu tô quase roendo as unhas que acabei de fazer. — disse Aracna, sentando na grande almofada, batendo as mãos empolgada.


Lokknon observava com desdém:


— Mulheres. Sempre exageradas quando se trata de causar uma boa impressão.


— Mas existem homens que morrem de medo de se descuidarem da aparência até pra uma dia comum — contrapôs Aracna.


— Ah, é mesmo? E quais? — indagou Enckantess.


— Os de Triphoria. — respondeu Aracna.


Barooma voltou-se a Lokknon para um aviso alarmante.


— Mestre, não vai acreditar em quem está esperando na videoconferência!


— Enfim algo que não se vê todo dia, gosto de ser surpreendido. — disse Lokknon que pegara uma taça com licor servida por Theron — Obrigado, Theron. Barooma, aceite a chamada agora.


O cientista o fizera apertando um botão. A imagem que surgiu no visualizador fizera Lokknon quase cuspir a bebida.


— Saudações, Lokknon. — disse Mastekzor um dos mais proeminentes membros da Aliança Imperial — Espero que a surpresa de me ver não faça o gosto desse licor amargar.


— Mastekzor. — disse Lokknon, tentando não tossir — O que fez você se comunicar dessa forma tão rara comigo? É uma boa notícia? Ah, imagino que seja acerca do ranking.


— Para o seu desprazer, eu não caí de posição.


— Mas continua abaixo de mim. — retrucou Lokknon com elegância — Aquele primeiro lugar é como meu trono: ocupado sempre por mim, haha.


— Não vim para medir nossas grandezas imperiais, mas para fazer um alerta. O ar do planeta que você tem como alvo corre sério perigo. O risco vem de uma das máquinas do antigo Esquadrão Aviário da Intercorp que eu tive o privilégio de humilhar.


— O que você fez de tão vanglorioso pra se orgulhar mais dessa vitória? — questionou Lokknon.


— No dia em que aqueles adolescentes irritantes fugiram das minhas tropas, decidi espalhar aquelas aeronaves para diferentes planetas escolhidos a dedo. Mas não sem antes implantar bombas que uma vez detonadas liberam um nuvem de miasma tóxico terrível que deteriora absolutamente toda matéria sólida existente.


— Então há um zord daqueles Rangers aviários perdido na Terra...


— Não mais graças ao sinal localizador que iniciou a contagem regressiva. Os aparelhos que eles chamam de morfadores, uma vez reativados, iniciam a contagem.


Enckantess, sentando-se no colo de Lokknon, logo se interessou:


— Momozinho, que tipo de zord será esse? Gostaria que me desse de presente já que completamos dois meses de relação.


— Decretado: o zord aviário pertencerá a minha radiante estrela imperial. — declarou o lorde.


Mastekzor zombou da escolha de Lokknon:


— Afinal, o que aconteceu a você, Lokknon? Essa é a consorte que escolheu como futura nova rainha?! Ela parece ser sua empregada!


— Insulte ela novamente e resolveremos nossas diferenças na próxima reunião.


— E quanto ao zord aviário? Não seria fascinante ver a Terra ser consumida pelo miasma de nanites devoradores? Em vez disso, pretende satisfazer o capricho dessa sua pseudo-rainha!


— Desliga na cara dele, Lokknon, ele está me ofendendo!


— Não voltarei atrás, a satisfação de Enckantess é importante para manter nosso compromisso estável até o dia em que nos casarmos.


— E você não estará na lista de convidados! — rebateu Enckantess.


— Se assim deseja, faça o que bem entender, não me importa. Estarei enviando as coordenadas do paradeiro do zord. Até a próxima reunião.


On conquistador intergaláctico desligou a inesperada videochamada.


Mudok ouvira o diálogo escondido na parede do corredor.


— Mastekzor também notou uma diferença no modo de agir do mestre...


O androide logo se mostrara ao entrar na sala.


— Fui notificado desse contato de Mastekzor. Eu me encarrego de remover e desarmar essa bomba. Barooma, as coordenadas já estão aí?


— Está situado na pedreira em meio a divisa com a Alameda dos Anjos! — informou Barooma. Lokknon traçou o plano:


— Brilhante! — disse Lokknon formulando uma ideia monstruosa — ... Criaremos um monstro aviário que possa produzir um miasma decompositor para distrair os Rangers enquanto Mudok desarma a bomba para que o zord seja entregue intacto a Enckantess!


— Que tal um daqueles pássaros que se alimentam de carne podre? — sugeriu Aracna maquiando-se com olhos fixos no espelhinho.


— Sei exatamente do que está falando, Aracna! Já estou baixando dados referentes a aves necrófagas da Terra! — disse Barooma, teclando no painel


Theron retornava a sala trazendo um cilindro de vidro contendo uma substância negra que parecia possuir vida própria.


— O Sr. Mastekzor fez questão de enviar isso pelo correio quântico. Uma amostra do miasma que abastece as bombas implantadas nos antigos zords.


— Ele deduziu que eu planejaria forjar um soldado que fosse infundido ao miasma. — disse Lokknon.


— Mas que diferença faz se eu posso remover a bomba e extrair o miasma para criar esse monstro? — Mudok questionou contundente.


— Segundo uma mensagem enviada pelo Sr. Mastekzor, o mestre Lokknon possivelmente teria problemas com obstáculos.


— Como? Se os Power Pirralhos vão se ocupar salvando a cidadezinha deles. — disse Aracna.


— Grrr, eu gostaria de não saber o que isso quer dizer. — murmurou Lokknon — — A Intercorp já deve estar ciente do paradeiro desse zord e... mandará suas tropas de baixa patente.


— Os Combanautas. — disse Mudok — Nesse caso, precisarei de ajuda.


— Não conta comigo. — negara Aracna se envaidecendo com caras e bocas no espelho.


— Eu nem sequer pensei em você. Tenho um parceiro mais competente para me auxiliar.


— O quê? Fez um novo amigo e não vai me apresentar? — Aracna surpreendeu-se.


— Mudok, abra a cabine do bio-modelador e mergulhe o boneco no miasma dentro da cápsula. — disse Lokknon sorrindo com expectativa.


O androide recebera o cilindro das mãos de Theron e o fizera conforme ordenado.


— O resto é com você, Barooma.


— Esse é meu trabalho protocolar! — disse Barooma indo até a alavanca — Que venha com muita saúde! — baixou-a com força.


A máquina manifestou suas luzes piscantes como relâmpagos e o vapor branco como névoa baixa. De dentro da cabine, saíra um abutre humanoide de olhos sombrios.


— Ai, tudo bem ele ser baseado num pássaro que come porcarias, mas não precisa feder que nem um, argh. — resmungou Aracna.


— Isto é o cheiro do anúncio da minha chegada que começará o fim de tudo! — disse o monstro — Mestre Lokknon, tenho a sua benção?


— E minha total permissão para consumir a Terra em miasma até que não reste nada que se possa tocar, hahahahah.


Enckantess tentou nomeá-lo, mas Aracna se antecipou colocando-se a frente dela:


— Vulturaptor! Você vai arrasar transformando os Power Rangers nas suas presas!


— Ela fez de novo, que treva! — reclamou a bruxinha.


— Os terráqueos e esses Power Rangers que me aguardem. — declarou o monstro — O cavaleiro das trevas, Vulturaptor, está a caminho para decompor este belo mundo, hehe!


Tim, Jessie, Owen e Zoe estavam sentados ao balcão da Cantina do Earl saboreando a nova linha de sorvetes lançada pelo cozinheiro que recebia inúmeros pedidos.


— Ai, Earl, você tem o toque de ouro. — disse Jessie encantada com a sobremesa — Chamar isso aqui de delícia chega a ser injusto.


— Todo mundo amou. — disse Owen — Tá vendendo mais que água no deserto.


— Pois é, a galera tá amarradona. — falou Tim — Aí, Earl, você tá pensando vender em potes também? Porque eu quero ser o primeiro da fila pela primeira vez nessa vida.


— Falo pra vocês em primeira mão que... — Earl fizera um suspense e sorrira — É, vou sim.


Os quatro comemoram com aplausos e palavras de agrado.


— Mas pra hoje ainda? — indagou Zoe — Confirmar isso pra todos vai gerar muita clientela.


— Pra começar, daqui a pouquinho farei um teste vendendo pelas ruas, só pra ver se a garotada mais nova se engaja. Já tô com carrinho pronto e tudo.


— Oh, você não perde tempo mesmo hein. — disse Owen.


— Você vai sair pra vender os sorvetes, mas... — Jessie se preocupou — Quem vai tomar conta da cantina?


— O meu assistente virtual. — disse Earl que assoviou chamando seu novo ajudante.


Um robô azul similar a uma caixa de correio de rua saía da cozinha rumo ao balcão. Havia uma tela centralizada na qual surgiu uma versão virtual de Earl.


— Conheçam o Earl 2.0. — apresentou ele com gosto — Era pra ser inaugurado no final do ano, mas resolvi antecipar porque.. bem, não sou de perder tempo, né? Olhem, ele interage como se fosse uma pessoa real.


— Olá, seja bem-vindo a Cantina do Earl, o paraíso de delícias da Alameda dos Anjos. Posso anotar seu pedido?


— Gostaram dele? — indagou Earl.


— Hum, a gente ainda prefere o original. — disse Tim, analítico — Será que ele aceita desconto no X-burger triplo?


— Vou instalar uns negocinhos a mais, só tenho que esvaziar todo o carrinho de sorvetes hoje pra conseguir metade da grana pra isso.


— Sem querer diminuir o Earl 2.0, mas não acho que as pessoas vão sentir como se um humano estivesse servindo elas. — opinou Zoe.


— Não se afobem, o 2.0 foi programado pra trabalhar só na minha ausência, o funcionário do mês todo mês ainda será eu.


De repente, o plantão de notícias na TV fixada a parede pegara os heróis de surpresa. A reportagem narrava o ataque de Vulturaptor na zona leste, a câmera filmando a uma distância segura o monstro-abutre lançando esferas de miasmas que pareciam enxames de maribondo e aterrorizando pessoas.


— Opa, outro alien bizarro no pedaço pros Power Rangers encararem. — falou Earl, tenso — E isso tá rolando na zona leste, justo onde eu pensava que podia ser o auge das minhas vendas de sorvete.


— Earl, fica na cantina, tá perigoso sair pelas ruas com um monstro desses a solta. — aconselhou Zoe.


— Pelo menos até os Power Rangers chegarem pra detonar com ele. — reforçou Jessie.


— Não, tá tudo bem, eu começo de outra zona. Planejei fazer isso hoje e não vai ser um urubu do espaço que vai me impedir. Vou indo nessa, turminha, espero ver vocês ainda hoje. — decidiu Earl tirando o avental e pondo no balcão.


— Beleza, mas vê se não topa com o passarinho das trevas hein. — disse Tim dando uma piscadela com joinha.


— A gente te deseja muita sorte nessa empreitada nova. — disse Owen.


— Até mais, Earl, boas vendas. — desejou Jessie.


— Tomara que volte com o carrinho esvaziado. — falara Zoe transmitindo sua boa energia.


— Fiquem com o 2.0 e testemunhem a incrível arte que ele faz no atendimento. — disse o cozinheiro que deu batidinhas no robô.


Os comunicadores dos Rangers tocaram assim que Earl retornou aos aposentos pra se arrumar.


— É, pessoal, o dever tá chamando. — disse Owen.


— Pro corredor, depressa. — falou Jessie.


Os quatro levantaram e se encaminharam ao ponto mais seguro de teleporte. Austin e Damian reagiam ao chamado com certo choque.


— Ah não, o Lokknon resolveu aprontar uma logo agora. — disse Austin — Damian, não tem outra opção: o Sr. Dickerson é a única esperança.


— OK, vou levar o morfador. Torça pra que o Sr. Dickerson guarde segredo a favor da surpresa pro seu pai.


— Não tem porque se preocupar. — disse Austin que logo atendeu ao chamado — Estamos na escuta.


— Austin, Damian, venham rápido, ataque na zona leste e pelo que aparenta as consequências são bem agravantes.


— Agravantes... Então a coisa é bem mais séria do que estamos acostumados. Já estamos indo.


— Pois venham, os outros já estão aqui, exceto Flint e Mason que ficarão de reserva.


— Vamos lá, Damian. — disse o líder alinhado ao lado do jovem gênio.


Ambos teleportaram-se em simultâneo a Central de Comando onde Jessie, Owen, Tim e Zoe já estavam presentes.


A dupla veio como pilares de luzes vermelha e preta.


— Estavam juntos?! — espantou-se Jessie — Ah, já sei, Austin, o Damian te arrastou pra uma maratona de estudos, né?


— A gente tava ocupado com nossos próprios afazeres. — disse Damian.


— E por que perderam a estreia dos novos e fantásticos sorvetes do Earl. — disse Tim.


— Cuja receita é top secreta. — completou Owen.


— Vocês dois parecem meio tensos. — disse Zoe olhando-os com atenção — O que aconteceu?


— Galera, não fui até o Damian pra estudar, mas... — o líder voltou-se ao Ranger Preto — Mostra pra eles, Damian.


— Foi por isso. — disse Damian retirando o morfador do bolso e mostrando-o.


A atenção de Dickerson foi sugada para o objeto, o mentor surpreso. Karen também reconheceu de imediato:


— Esperem, mas isso é...


— Pois é, eu... — disse Austin, nervoso — Eu já começo pedindo desculpas, Sr. Dickerson, eu peguei sem permissão do meu pai.


Um pilar de luz neutra surgiu rapidamente na sala próxima dos Rangers. A visita deixara Austin perplexo.


— É bom ouvir essas palavras. — disse John que expressava severidade no olhar — Mostra que se arrependeu, talvez isso desconte algumas horas de castigo.


Austin sentira a barriga se arrepiar com aquela entrada surpreendente.


— Caramba, o pai do Austin também pode entrar na Central de Comando que nem um Ranger! — disse Tim, espantado.


— Como um velho amigo meu dizia: uma vez Ranger, sempre um Ranger. — disse John mostrando simpatia educada — Não é, Damian? Cadê o Terry? Tem se esforçado na reabilitação?


— Ele continua indo pro grupo de apoio, vem se dedicando a cada dia. Valeu por se preocupar, Sr. Jones.


— Tom, seu Ranger Vermelho e eu temos um assunto em particular. — disse John a Dickerson.


— Podem resolver numa outra hora, a cidade está precisando dos Power Rangers nesse momento.


As imagens de Vulturaptor atacando em voo a cidade com esferas de miasma foram destacadas.


— Esse inimigo parece ser barra pesada pra vocês. — avaliou John — Tom, eles... estão prontos? Esse bicho parece ter saído de um filme de terror.


— Quase todos os monstros que enfrentamos são assustadores. — falou Zoe.


— A gente encara esse aí como fizemos com todos os outros, vamos ficar bem se lutarmos com tudo. — disse Jessie com firmeza determinada.


— Pai, me desculpa, por favor. — disse Austin aproximando-se de John — Eu só queria...


— Levar pro Tom consertar forçando ele a guardar segredo. Não precisa ser nenhum Sherlock Holmes pra deduzir isso.


— Na verdade, ele recorreu a mim, Sr. Jones. — disse Damian — O que quer que tenha acontecido depois que o mecanismo de localização foi ativado, é culpa minha.


— Peraí, Damian, que história é essa? — indagou Jessie — Você tentou consertar o morfador do pai do Austin e cometeu um erro?


— Mas se tiver sido o mecanismo de localização não foi nada demais. — amenizou Karen — No máximo, o sinal chegou aos radares da estação da Intercorp.


— Não, aquilo foi mais do que só enviar um sinal. — disse Austin — Damian e eu fomos testemunhas.


— Quando destravei uma configuração oculta, o morfador manifestou uma carga de energia na forma de um escudo intocável.


— Deve ser um fenômeno natural, é um morfador bem danificado. — questionou John.


— Não, é um fenômeno anômalo. — respondeu Dickerson que pegou o morfador entregue por Damian — John, o que aconteceu exatamente quando você e os outros Rangers aviários bateram de frente com Mastekzor na missão final?


— Lembro que... ele disparou múltiplos raios que atingiram os morfadores, daí fomos desconectados da rede e fugimos sem olhar pra trás. Por pouco não tivemos chance de voltar.


— O comandante Leozor quer entrar na videochamada. — avisou Karen que apertou Enter.


A figura de Leozor preencheu a tela principal.


— Rangers, trago uma notícia urgente: temos o paradeiro exato do zord Falcão que esteve desaparecido assim como os demais zords do Esquadrão Aviário. O radar captou um sinal que partiu da zona sul e direcionou para a região da divisa na área desabitada.


— Comandante, eu confesso, o sinal partiu do meu laboratório porque... — o Ranger Preto olhara para Austin que fizera meneio positivo de cabeça — Tentei consertar o morfador do Sr. Jones, mas falhei, embora eu tenha transferido energia do morfador do Austin pra atingir uma certa carga.


John se atentou para aquela fala, um tanto surpreso com a expertise geniosa de Damian.


— A ideia foi minha. — revelara Austin, corajoso.


— Austin, isso foi uma atitude irresponsável. — reprovou Dickerson — Uma transferência de energia pra um morfador avariado poderia causar sérios danos ao seu.


— Faço das palavras do Tom as minhas. — reforçara John de braços cruzados com olhar de reprovação ao filho — Será que não entendeu com clareza o que eu disse a você naquela hora?


— Eu entendi, pai, mas eu tava inconformado. Eu quis tirar esse peso dos seus ombros! Tá tão difícil assim de entender?


— Não levanta essa voz que senão o castigo passa de um dia pra uma semana.


— Mas existe um perigo ainda adormecido. — disse Leozor fazendo as atenções voltarem a ele — Quando localizamos o zord Falcão e o escaneamos com nosso satélite, descobrimos um corpo intrusivo no motor de ignição.


— Que tipo de corpo intrusivo? — indagou Karen.


— Uma bomba. — respondera Leozor deixando-os atemorizados — Aliás, uma bomba-relógio que certamente teve sua contagem iniciada graças ao deslize de Damian.


— Deveriam ter trazido o morfador até a mim se queriam apenas consertar. — disse Dickerson olhando para Austin e Damian.


— Já mobilizei um pelotão de Combanautas diretamente até a caverna da montanha onde o zord está. Deixem tudo com eles: a remoção e desativação da bomba, o translado, etc.


— Até porque temos problemas maiores pela frente. — disse Austin sacando sua célula e morfador.


— Owen, você fica de reserva, considerando o poder desse monstro de decompor matéria sólida. — definiu Dickerson — Rangers, cautela máxima.


— Pode deixar conosco, a cidade não vai ser mais o parque de diversões desse abutre quando entramos em cena. — disse Austin — Estão prontos? É hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!


Após os Rangers teleportarem-se, John ficou pensativo com sorriso fechado de satisfação.


— O que foi, Sr. Jones? — indagou Owen.


— É que... Essa foi a primeira vez que presenciei meu filho morfando como Ranger. Posso ter me chateado com o que ele fez, mas... bem lá no fundo tô muito mais orgulhoso dele.


— Agora posso te cumprimentar, né? — Dickerson veio até ele, ambos dando as mãos direitas.


— Faz tempo que não apareço aqui, hein. Tava bem diferente da última vez. — o ex-Ranger correu os olhos pela sala de controle.


— Aquela sua visita em plena reforma desse lugar foi tão surpreendente quanto essa de agora.


— Na terceira, prometo avisar, hahah. E aí, Karen?


— Olá pra você também, John. — disse Karen, sorrindo educada e simpática — Se quiser, fica a vontade pra assistir os Rangers lutarem.


— Eles se sairão bem, você verá. — disse Dickerson — Estão equipados com um arsenal de primeira linha.


— Tom, eu não duvido do quão avançado é o arsenal deles. — disse John, sério — Só tenho receio de saber qual o limite de enfrentar essa criatura.


Os Rangers saltaram para o local de ataque de Vulturaptor que sobrevoava uma parte do perímetro.


— Ele tá logo ali! — apontou Jessie.


— Voando feito uma legítima ave necrófaga. — disse Damian.


— Hora de abater o passarinho! — decidiu Austin — Detonador Max! — a pistola vermelha surgiu na mão direita — Deflagrador Max! — a pistola evoluiu para a arma de tiro de longo alcance — Fogo!


Os disparos atingiram Vulturaptor que caiu num impacto de levantar poeira. Os heróis correram para verificar.


— Ahn, Austin... Acho que você matou o passarinho. — disse Jessie.


— Um passarinho bem fedido, inclusive. — comentou Zoe.


— Nossa, pobrezinho dele, né? Vamos pegá-lo e dar um enterro digno. Porque esse futum desgraçado tá fazendo meu nariz arder. — ironizou Tim.


Austin se aproximou, mas Damian avisou:


— Austin, afaste-se! Os sinais vitais dele estão regulares, ele só tá fingindo-se de morto!


Vulturaptor subitamente se levantou gargalhando maléfico, disparando penas pontiagudas que derrubaram os heróis com faíscas estourando no uniforme. Austin rolou pelo chão, mas logo reergueu-se.


— Quem você pensa que é pra achar que pode destruir a cidade assim tão livre? — perguntou Austin.


— Sou Vulturaptor, o cavaleiro sombrio que transformará esse mundinho azul no planeta onde a luz do sol será uma mera lembrança!


— Foi uma boa apresentação, mas já pode se despedir porque vamos acabar com seu show! — disse Austin — Invocar armas! Punhos Selvagens!


Os demais chamaram pelas suas, logo avançando bravamente. Tim e Jessie saltaram para desferir cortes das barbatanas e das garras raptoras, mas Vulturaptor se fechara num bloqueio feito pelas asas. Os olhos nas bordas delas dispararam pulsos de energia que mandou a dupla para longe com explosões faiscantes.


Zoe e Damian investiram com o ferrão de arraia e a marreta avalanche, respectivamente, mas o monstro-abutre mantinha-se na defensiva com as asas a cada golpe.


— Vou pega-los como presas suculentas! — disse Vulturaptor que pulou e os pegou com as garras dos pés pelas costas, as garras nas golas brancas dos trajes, logo voando e depois girando vertical, para joga-los ao chão.


Austin disparou continuamente as bombas dos punhos, mas o monstro se protegeu com as asas no ar, logo disparando mais dos pulsos energéticos. Austin saltou enquanto ocorria uma explosão de fogo atrás.


— Colete Zoomorph! — a proteção corporal surgiu enquanto ele estava no ar.


Ao aterrissar, Vulturaptor reabriu as asas e lançou várias esferas de miasma.


— Desviem! — ordenou Austin.


Os demais o fizeram. Tim e Jessie saltaram para os lados, o carro onde caíram sobre acabando atingido pelo miasma que o tomaram e o decompunham a ritmo acelerado.


— Não pensem que estão imunes por conta desses pijamas coloridos! — disse Vulturaptor preparando para lançar uma nova esfera como um jogador de boliche — E lá vai bola!


A esfera lançada atingiu Austin se defendeu com os punhos selvagens, mas as armas foram sendo deterioradas pelo miasma.


— E foi strike 1! — comemorou o monstro.


Austin se desprendeu dos Punhos Selvagens, jogando-os no chão onde foram consumidos pelo miasma.


— Pessoal, tomem muito cuidado! Ativem os coletes!


— Certo! — os quatro vinham correndo e pararam alinhados — Cole...


— Não tão rápido! — Vulturaptor disparou esferas de miasma a partir de quatro garras da mão esquerda que começaram pequenas e cresceram na trajetória, atingindo e derrubando os Rangers.


— Essa não! — disse Austin, aflito ao ver a substância espalhar-se pelos corpos dos amigos.


— Será que nossos trajes vão ficar pretos depois que essa gosma alien nos pegou? — perguntou Tim vendo o miasma se alastrar pela roupa.


— Não sei, mas... Tô me sentindo meio fraca... — disse Jessie.


— Eu também. Nossas forças... estão enfraquecendo. — completou Zoe.


— O que tá acontecendo com eles? Me fala! — exigiu Austin.


— Esses uniformes ridículos estão evitando que sejam corroídos pelo meu miasma como faz em tudo o que toca! Mas ficarão cada vez mais fracos e vulneráveis conforme o tempo passar até que adoeçam e estejam acabados! — explicou o monstro.


— Não se eu acabar com você antes! Modo Fúria Animal, ativar! — as partes robustas do power-up tomaram o lugar do traje base.


— Ciclones Flamejantes! — berrou Austin.


— Somos apenas eu e você agora, minha presa favorita! — disse o monstro criando um cabo de guerra de seu miasma contra as chamas.


Em paralelo, os Combanautas se moviam na pedreira em direção a caverna abaixo da ampla montanha. Contudo, um observador ao longe espionava a operação.


— Lá estão eles, adentrando na caverna. É minha deixa para interceder. — falara Mudok — Reforce sua promessa de troca equivalente.


— Prometo verdadeiramente. Faça esse elo acontecer. Você terá autonomia para decidir se me mantém ou me retira. — afirmou Andreos.


O androide levou o orb ao centro vermelho de seu peito, logo encostando um no outro. A fusão efetuava-se com raios azuis dançando pelo corpo. Acabou caindo do rochedo, a transformação completando-se. O impacto ao chão fora bruto.


E da nuvem de poeira terrosa saía a figura de um novo guerreiro.


— Vamos expulsa-los daqui depois que mostrarmos do que somos capazes com tamanho poder! Abram alas para... Mudreos! — disseram sincronizados.


O cabo de guerra entre Austin e Vulturaptor alcançavam o ponto crítico.


— Parece que meu miasma está corroendo seu fogo, hahahaha!


Um inesperado brilho de combustão intensa tomou as patas leoninas girando velozes.


— Nossa, o que tá acontecendo? — questionou Austin.


As patas dispararam como dois mísseis,.virando em conjunto num único projétil inflamado que atingiu Vulturaptor, causando uma explosão.


— Agora saquei, sua fraqueza deve ser o fogo! — disse Austin.


Dickerson comunicou:


— Austin, fique atento. Creio que não seja qualquer grau de combustão que pode afeta-lo. As patas leoninas manifestaram apenas 20% do necessário.


— A propósito, o que foi aquilo? Foi incrível!


— É a técnica secreta do seu Modo Fúria Animal que só é desbloqueada pelo principal ataque levado ao extremo.


— Sr. Dickerson, não tem nenhum antídoto que destrua essa coisa? — pediu Austin.


— O miasma ultrapassou as camadas do uniforme e está os enfraquecendo pouco a pouco. — confirmou Karen.


— Austin, filho, não baixe a guarda. Estão todos contando com você, com a sua garra. Essa vitória será garantida se confiar na sua fera interior... exatamente como seu avô fazia e eu faço. — incentivou John.


— Obrigado pela força, pai, não vou te decepcionar outra vez. Muito bem, hora do segundo round!


— Quer comer abutre frito no jantar? Vai ter que me pegar primeiro! — provocou o monstro, fugindo em voo.


— Desativar Fúria Animal! — disse o líder retornando a forma base.


— Austin, o Modo Fúria Animal... — falou Jessie com dificuldade — ... era a única proteção contra o miasma desse monstro.


— Confiem em mim, vou atrás dele e quando a luta recomeçar, ativo o Fúria Animal de novo. Glady Motor Z, venha!


O carro turbinado viera em teleporte a certa velocidade naquele espaço aberto que ficava próximo de um praça e de uma catedral gótica.


Segurando firme no volante, Austin partiu na perseguição O veículo acelerou dobrando por algumas ruas. Chegou a avenida pouco movimentada.


— Já tenho a posição dele! — conferiu no visor do GPS — Ativar nitro! — as turbinas traseiras soltaram fogo a jato.


Os canhões de pulso fora destravados, disparando contra Vulturaptor que se esquivava no voo.


— Péssima pontaria! — zombou Vulturaptor.


Na pedreira, os Combanautas atravessavam os interiores semi-escuros da caverna munidos de suas armas equipadas com lanternas.


— Estamos a cerca de dez metros. — disse o capitão do grupo — Restam menos de oito minutos para a detonação da bomba. Depressa.


Porém, um tremor os desestabilizou causando desmoronamento de rochas naquele túnel.


— Recuem, essa caverna pode desmoronar por completo! — ordenou o capitão, os soldados logo correndo em retorno — Mas que falta de sorte!


— Eu concordo! — disse Mudreos que veio em teleporte barrando-o. Os soldados apontaram as armas por reflexo.


O guerreiro híbrido avançou, derrubando-os com socos e chutes. Gerou uma arma giratória no braço direito, atingindo cinco Combanautas que caíram com explosões intensas de faíscas ao redor. Mudreos seguiu na rota com as lanternas perto dos ombros ativadas, parando na passagem bloqueada.


Disparou mísseis das costas, reabrindo a passagem com pedras queimando em volta.


Acessou a parte onde o zord Falcão foi visto preso entre rochas.


— Encontramos. Preciso desarmar a bomba localizada no motor.


— E graças ao meu aprimoramento, você também enxerga a contagem regressiva. — gabou-se Andreos.


— Faltam cinco minutos. — Mudok que se dirigiu ao zord subindo o morro de rochas.


Karen alertava para uma ocorrência na pedreira.


— Dickerson, mau sinal na pedreira: o zord Falcão... está em processo de ignição.


— Ainda não há nenhuma nave para fazer o translado. — conferia Dickerson, tenso — A bomba foi desarmada, mas... não foram eles. Alguém os interceptou.


— Mudok? — especulou Karen.


— Quase certo. Owen, você trocará de lugar com o Austin no Glady Motor Z. Vou teleporta-lo a pedreira.


— Tô pronto desde que cheguei. — disse Owen sacando a célula e o morfador — Já tá mais do que na minha hora de... morfar! Gorila Esmeralda!


Austin persistia em acertar Vulturaptor.


— Que pena, Ranger Vermelho! Se foi você quem me acertou antes, meus parabéns! Mas nesse carrinho de brinquedo você não é nada!


O monstro disparou ataques de energia. Owen comunicou-se com o líder:


— Austin, o Sr. Dickerson quer que troquemos de lugar! Você tem que ir na pedreira, os Combanautas estão com problemas!


— Tá OK, cuida desse urubu fedorento por mim! Assim como ele, o Glady Motor Z é todo seu!


O líder teleportou e Owen assumiu o volante. Lokknon, observando a troca, decidiu intervir:


— Esse maldito líder Power Pirralho está me aborrecendo mais que o habitual. E o Ranger Verde assumiu o lugar dele. Nesse caso, também farei uma troca, hahaha.


Vulturaptor sumiu em teleporte. Na pedreira, Austin avistou o zord Falcão saindo da montanha.


— Ah não, mas que droga! Cheguei tarde demais!


— Austin, ainda pode ajudar os Combanautas a se restabelecerem, compartilhe sua energia aos trajes deles se estiverem muito feridos. — orientou Dickerson.


— Tom, eu... Gostaria de saber como anda aquele projeto antigo do Dr. Wallace.


— Já faz algum tempo que eu não toquei mais nele. Fala do Garuda Rubro, certo?


— Sim, você me disse da última vez que vim aqui que trabalhava pra terminar o que o Dr. Wallace havia começado. Até onde você parou?


— Eu peguei esse projeto do meu pai quando ainda estava na fase primária, era apenas um exoesqueleto genérico de metal. — explicou explicava Dickerson enquanto John assentia com a cabeça olhando o modelo 3D girando lento — Ela se mantém fiel ao princípio básico: oferecer ao usuário a capacidade de efetuar aerodinâmica a nível supersônico. Além de oferecer um poder bélico de potencial devastador.


— John, você está pensando em dá-la ao Austin, certo? — indagou Karen.


— Ahn... É, quero recompensa-lo pela tentativa de consertar o morfador. Fui cabeça dura com ele.


— Eu já planejava entregar a ele desde que recrutei o Esquadrão Z. — revelou Dickerson — Mas para que a armadura esteja pronta, Austin deve estar pronto primeiro.


Austin, na caverna, ajudava os Combanautas.


— Estão todos bem? Quem os atacou?


— Primeiro foi... um subordinado de Lokknon. — disse um deles.


— Na certa foi o Mudok. — disse Austin — Peraí... Disse primeiro? Quem mais atacou?


— Austin, venha aqui, eles não estão nada bem. — pediu outro deles.


Austin deparou-se com Combanautas adoecidos pelo miasma. Vulturaptor ressurgiu voando, lançando esferas de miasma.


— Cuidado! — Austin desviou. — Vulturaptor, vai pagar pelo que fez com eles!


— Então vem me fazer pagar! — desafiou o monstro.


Vulturaptor o pegara, envolvendo-o com suas asas para subir para fora da caverna. Ao sair, jogara-o contra uma rocha. Austin bateu forte as costas ao cair.


— Não tô nem um pouco interessado nessa luta com um pirralho feito você!


Vulturaptor saltou da montanha para voar, mas Austin correra a tempo de pular para ficar sobre ele.


— Sai de cima de mim, seu moleque insuportável! Não sou sua montaria! Vou te derrubar! — o monstro-abutre virou de ponta a cabeça em esforço para fazer Austin cair.


Mas as tentativas foram vãs, o Ranger Vermelho se mantinha firme, desestabilizando o voo do monstro-abutre que acabou batendo num rochedo, destruindo-o na parte do topo. Os dois caíram um tanto próximos, em meio a chuva de pedras.


— Essa é a punição por ter me feito voar como um pássaro de asas quebradas! — disse Vulturaptor, lançando uma esfera de miasma que se modelou como uma redoma sobre Austin.


— Por que me prender se podia me infectar logo?


— Prefiro que você sinta um verdadeiro desespero enquanto essa prisão vai ficando menor até acabar com você!


Dickerson e Karen observavam aflitos:


— A redoma está reduzindo gradualmente. Dentro de vinte minutos ou talvez menos, ela vai se comprimir até que... — alertou a tecnóloga.


Vulturaptor sentou-se numa rocha.


— Vou ficar aqui assistindo até a hora em que você for totalmente infectado que nem seus amigos. Só tá faltando uma pipoca coberta de chorume porque será um fim dramático de cinema, hahaha!


Karen notou a ausência de John.


— Cadê o John?


— Ele estava bem aqui do meu lado... Não pode ser, ele não tá pensando em fazer essa loucura. — Dickerson correu para os fundos — John!


O ex-Ranger retirou seu velho e decrépito morfador do armário, fitando-o:


— Hora de tirar o atraso... por você, filho.


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