Power Rangers: Esquadrão Z
75 A Busca Pelo Falcão (Parte 2)
Notas iniciais
Na pedreira Roosevelt, o cenário problemático e periclitante havia se estendido para Austin, que via-se desesperadamente sem nenhuma ínfima brecha de esperança, preso na redoma de miasma de Vulturaptor.
O monstro-abutre se confortava com o medo da presa.
— Não tente quebrar a redoma com suas próprias mãos ou será infectado!
— Ah, que ótimo, obrigado por avisar! — ironizou Austin com rispidez.
Austin ficara ajoelhado e acuado.
— Não dá nem mais pra ficar em pé... Tem que haver uma saída, sempre há uma!
— Pode chorar à vontade, ninguém vai te ouvir gritar de tanto medo!
— Eu ouvi! — disse uma voz ligeiramente familiar para Austin.
— E quem é você, afinal? — reagiu Vulturaptor.
— Não tô acreditando... — disse Austin em choque.
— Se depender de mim, esse seu miasma nojento não encosta no meu filho. — dissera John categoricamente, desafiando o monstro.
— Filho?! Haha, que interessante! Só que nem seu filhote nem ninguém pode destruir meu domo!
— Você tá afim de apostar? Porque mesmo que eu não consiga salvá-lo, vou te fazer se arrepender de ter colocado a vida dele em perigo. — ameaçara John.
— Pai, o que veio fazer aqui? Não me diga que... — Austin captou as intenções.
— Vim te tirar desse aperto, Austin, nem que seja arriscando minha própria vida. — disse o antigo Ranger Vermelho Aviário, revelando o morfador no pulso esquerdo.
— Não! — berrou Austin.
Na Central de Comando, Dickerson frustrou-se ao não encontrar John nos armários e correu de volta à sala de controle, onde Karen tremia de nervosismo.
— Ele pegou o morfador.
— Sim e já está lá disposto a arriscar tudo pra salvar o Austin.
— Não vou julgar, eu também faria o mesmo por um filho. John é um verdadeiro herói, mas... toda essa coragem não deixa ele pensar no risco enorme que corre.
Dickerson iniciou o contato com John que atendeu-o.
— Tom, nem adianta tentar me convencer de não fazer o que é necessário.
— Se levar isso a cabo, a conexão com a rede será instável e pode haver um pico súbito de energia capaz de literalmente destruir você.
— E você acha que eu vim pra cá me importando com o que vai acontecer comigo? Não vou discutir, Tom, já tomei minha decisão, é do meu filho que se trata e vou tentar salvá-lo até as últimas consequências!
— Acredito que o Austin não está nada feliz. John... deixe o destino seguir seu curso.
— Eu recuo e depois o quê? Você vai passar horas tentando criar um antídoto pra esse miasma que nem sabe se vai funcionar? Eu só conheço um destino agora!
John encerrou o contato rapidamente, logo posicionando-se para o combate com o morfador em destaque.
— O tempo tá se esgotando pro seu filhinho, tá na hora de dizer adeus! — disse Vulturaptor.
— Pra mim tá na hora de dizer... Transmutação Aviária! — acionou John.
— Nããããooo! — gritava Austin.
A luz vermelha eletrizada envolveu John, o traje preenchendo-o dos pés a cabeça. Estava de volta a ação o lendário Ranger Vermelho Aviário.
— Wow, essa roupa colada trouxe de volta aquela flexibilidade. — fazia um aquecimento com os braços — Ainda me sinto como nos velhos tempos!
— Pai... — disse Austin, fascinado — Ele morfou, mas... Será que aquela recarga de energia deixa ele fora de perigo?
— Então você é um Ranger antigo que quer me enfrentar mesmo ao custo da sua vida?! Eu devia ignorar você por ser tão idiota, mas pensando bem vai ser divertido brincar com outro Ranger Vermelho.
— Pois façamos assim: você brinca e eu luto a sério, talvez facilite as coisas! Iáááá!
John avançou com chutes e socos em Vulturaptor que defendia-se com os braços, acompanhando o ritmo perfeitamente.
— Você é lento, esperava mais de um Falcão!
Vulturaptor o chutou lançando-o longe, mas John não se abateu e deu um giro vertical, voltando com chutes rápidos no ar seguido de uma rasteira.
— Mostra pra ele o bom e velho estilo Ranger, pai! — torcia Austin.
Vulturaptor não se deixou cair, manteve-se no chão se apoiando no braço esquerdo desferindo um chute de canela apenas empurrando John que revidou com um chute tobi-geri no instante em que o monstro ficará de pé, o acertando no rosto e depois, num giro, dando um chute no peito que fizera-o bater as costas num rochedo.
— Bem, até agora ele vem se mantendo estável. — comentou Karen.
— Isso porque Vulturaptor está facilitando. — disse Dickerson.
Vulturaptor desviou de um soco energizado de John que destruiu uma rocha, logo o apanhando, com uma risada infame, para um voo predatório.
— Não tá gostando do passeio? Então desce! — Vulturaptor o jogara contra uma rocha mais alta.
John bateu a costas de ponta cabeça e caíra de bruços. Vulturaptor pousara pronto para o próximo round enquanto John levantava.
— Aquele seu soquinho de luz não faria nada contra mim! — zombou o abutre.
— Então por que se esquivou?
— Eu só estava influenciando você a se sentir com vantagem! Só que agora eu cansei de brincar! Vai precisar de uma espada! — Vulturaptor alongou estacas nos braços.
— Tenho uma que vale por duas! Sabre Rapina! — comandou John, mas a arma não apareceu. — Mas... Cadê? O meu sabre, ele devia ter aparecido bem na minha mão!
— Parece que não tem mais, hahahah! — riu o monstro.
Dickerson lamentou:
— A conexão incompleta com a rede bloqueou o chamado de armas. John depende apenas de algumas técnicas como Ranger e seu talento de combate.
Mesmo desviando habilmente, John foi atingido três vezes no tórax. O monstro-abutre depois desferiu um corte em X de energia que mandara John para longe com explosões de faíscas em volta até cair de bruços.
Enquanto isso, dois Combanautas remanescentes se aproximaram de Austin atrás de um conjunto de rochas próximo. O Z-Ranger Vermelho ouviu assobios atrás dele e virou-se.
Dickerson entrara em contato com Austin:
— Austin, na escuta?
-— Si-sim! Sr. Dickerson, tô na escuta!
— Ufa, pensamos que esse domo de miasma bloquearia a conexão. Seja rápido no que vou te pedir pra fazer pra escapar daí.
— Beleza, pode falar, qualquer ideia que tiver!
— Concentre o máximo de energia e gire no próprio eixo, canalizando a força para baixo conforme você tomar velocidade. Assim, conseguirá cavar um túnel.
— Já entendi! Vou tentar! — garantiu Austin que rapidamente tratou de ficar na ponta dos pés e reuniu toda a energia necessária para o giro, envolvendo-se numa aura vermelha.
Com a força voltada para o subterrâneo, o líder girava velozmente, descendo ao subsolo.
— Isso, continue assim, siga direto e depois suba quando o contador estiver em seis metros.
John reergueu-se com ardor em vários pontos do corpo.
— Que meu corpo exploda pelos ares se for o preço que devo pagar pra salvar o Austin! — disse ele que energizou a mão direita — Corte predador!
Lançou o ataque, mas Vulturaptor se blindou com as asas e revidou com pulsos de energia dos olhos, atingindo John que caíra de joelhos com a explosão intensa de fogo atrás.
— Austin está distância segura, ele vai emergir. — informou Karen.
O líder Ranger ressurgiu triunfante à superfície disparando com a pistola Z e causando explosões faiscantes em volta do monstro.
— Deixa ele em paz, a sua briga é comigo!
— Mas como foi que escapou? Não é possível! Meu domo é impenetrável!
— Austin, tá tudo bem... Vá ajudar seus amigos, eu cuido dele. — disse John levantando com dolorido esforço.
Austin que saltara para estar próximo de John.
— Você deixou os outros Rangers desprotegidos...
— O Owen já deve estar por lá e ainda temos mais dois que entraram há alguns meses no time.
— Tom pelo visto quer fazer uma coleção de Power Rangers, hehehe... Ai! — John sentiu pontadas de dor.
— Pai, procura descansar até você desmorfar. Se gastar energia lutando, pode acontecer algo muito ruim, para de ser teimoso.
Vulturaptor aproximava-se devagar:
— Se eu fatiar você pedaço por pedaço talvez seja forçado a falar sobre como fugiu da minha redoma!
— Vai ter que passar por mim primeiro! — John tomara a frente de Austin.
De repente, John sentiu a dolorosa instabilidade e faíscas elétricas vermelhas dançaram por seu corpo.
— John, desative a morfagem antes que seja tarde! — gritou Dickerson.
— Ficou instável a nível crítico. — previu Karen.
John caiu de joelhos, o uniforme oscilando e desfazendo-se em partes.
— Parece que o papaizinho não vai durar muito! Chegou ao limite! — zombou o monstro.
— Meu limite... é muito além do que você pensa! — John levantou-se firme.
— Pai, eu tô com você. — disse Austin — Vou te dar cobertura. Mas se acontecer de novo, vai ter que se retirar.
— No fundo... eu sempre sonhei com um momento que nem esse, lutando ao lado do meu filho como Rangers.
Lokknon rosnou furiosamente ao assistir.
— Dois Rangers Vermelhos?! Barooma, dispare o laser regenerador!
— Mas já, mestre? Vulturaptor sequer foi derrotado ainda! Ele pode destruir a ambos na estatura normal! Acredite e confie!
— Se você me garante isso, vamos observar o que Vulturaptor fará e que seja breve e cruelmente destruidor, hahahaha. Onde está Mudok com o zord Falcão?
A tela do visualizador mostrou o zord Falcão destruindo a metrópole.
— Aí está ele, nos dando um verdadeiro espetáculo de encher os olhos.
Aracna de repente viera correndo com Enckantess atrás num desespero choroso que estressou Lokknon.
— Mestre, mestre, aconteceu algo terrível!
— Pare com esse escândalo, Aracna! Espere, o que houve com seus lábios?
— A sua estimada rainha me recomendou usar o batom a laser do kit de cosméticos dela e esse é o resultado: um completo desastre!
— Momozinho, eu avisei a ela pra não exagerar na quantidade! — defendeu-se Enckantess.
— Mentira, ela não avisou nada! Eu vou te esganar, sua bruxinha pilantra!
Lokknon prendera Aracna nos braços com raios púrpuras.
— A culpe o quanto quiser, Aracna, mas nela você não toca. Fui claro?
— Si-sim, mestre...
Enckantess, vendo o zord Falcão na tela, animou-se:
— Oh, aquele é meu zord Falcão finalmente liberto!? Mas quem está pilotando?
— Mudok com seu novo aliado operacional. Mas se quiser invadir a cabine de piloto e expulsá-los...
— É exatamente o que farei agora, momozinho.
Frustrada, Aracna se largou na grande almofada.
— Não vou me olhar no espelho até isso desaparecer.
— Se o espelho falasse, ele agradeceria a você, hahaha! — brincara Barooma.
Aracna disparou fluido de teia do seu pulso, tapando a boca do cientista que tentava arrancar o emaranhado de fios brancos.
Enckantess teleportou-se direto ao cockpit do zord Falcão batendo de frente com Mudreos.
— Saia já daí! Eu reivindico a posse desse zord em nome do meu imperador!
— Você o terá quando eu terminar de arrasar toda essa cidade!
— Grrr, eu quero pilotar agora! — disse Enckantess tentando assumir o comando à força.
Andreos manifestou-se do peito de Mudok:
— Você fez o test-drive, Mudok, agora é hora de passar o controle para a piloto oficial. Não vai desobedecer, vai?
— Está certo, assuma o controle, sua bruxa implicante. Vamos nos retirar!
— Vamos? De onde veio a outra voz? — perguntou a bruxa.
— Olá, madame Enckantess. Um prazer conhecê-la, sou Andreos.
— Ah, esse orb no seu peito que tá falando! Olá pra você também.
— Não cometa nenhuma imprudência que danifique o zord, entendeu? — Mudreos disse ao levantar, cedendo o lugar.
— Até parece que sou uma criança inconsequente. — disse Enckantess sentando frente aos controles — Tenho habilitação pra pilotar, sabia?
Mudreos teleportou-se para onde Owen enfrentava os Psycho-Bots com o Glady Motor Z no modo Sentinela.
— Aquele Ranger Verde está tratando meus soldados como se fossem formigas. — disse Mudreos no terraço de um condomínio.
— Está pensando a mesma coisa que eu? — perguntou Andreos.
— Por que eu não estaria pensando?
Mudok lançou esferas que se infundiram aos robôs lhes provendo armaduras e poder de autorreparação
— Caramba, eles mudaram de repente! — reagiu Owen.
Karen detectou a presença de Mudreos.
— Mas esse é o... Mudok? Ele se atualizou outra vez? Outro ângulo. Olha isso, Dickerson.
— Acho que tô reconhecendo essas peças... Mudok não se atualizou sozinho. — virou o rosto para ela — Se fundiu a Andreos.
— Tinha me esquecido desse parasita alien e que ele estava em poder do Lokknon. Como eles se chamam agora que são uma fusão? Androk, Mudreak...
— Não importa, o Owen deve sair do Glady Motor Z e partir pro Fúria Animal antes que Vulturaptor seja teleportado da pedreira e troque de lugar com eles.
Os robôs modificados atiraram com os detonadores, os tiros explodindo atrás do Glady que se desestabilizou e recuava com faíscas salpicando devido a chuva de lasers.
Owen ejetou do robô preso ao assento, mas em pleno ar se desprendeu do cinto de segurança e saltou.
— Colete Zoomorph! — a proteção surgiu enquanto ele pousava — Ganharam roupinhas novas, mas e daí? Continuam os mesmos paspalhos! — sacou a adaga Kong — Sabre Kong, materializar!
O Ranger Verde manejou o sabre ferozmente, desferindo golpes brutais e precisos que derrubavam um a um. Carregou um raio verde da lâmina que disparou atingindo quatro robôs.
— Owen, atrás de você. — avisou Karen.
Os Psycho-Bots derrubados reeeguiam-se regenerando seus danos.
— Esses aparatos permitem autorreparação instantânea. Ele vai ter bastante trabalho. — disse a tecnóloga a Dickerson.
— Não sem reforços. — disse Dickerson que mexera no painel para comunicar Flint e Mason.
Mudreos saltou do prédio, pousando com impacto frente a Owen a uma distância segura.
— Agarrem-no! — ordenou aos robôs.
Owen foi contido pela força bruta dos Psycho-Bots modificados.
— Mudok?! O que foi? Preto não é mais sua cor favorita?
— Owen, ele se fundiu a Andreos, tente lutar para se desprender e ative o modo Fúria Animal. — informou Dickerson.
— Você tá com o Andreos?! Ficou bonitão hein. .
— A beleza do meu novo poder está além do que seus limitados olhos veem. — disse Mudok, estendendo os braços e lançando fios cibernéticos que grudaram no colete Zoomorph e drenavam energia como corrente elétrica passando.
— Já é o suficiente, Mudok, chega!
— Não seja imbecil, precisamos de uma forte externa e abundante para alcançarmos 100% de sincronização!
Owen não deixou se atordoar por mais tempo com a drenagem:
— Modo Fúria Animal, ativar! — gritou Owen, repelindo a drenagem com uma explosão de energia verde.
A dispersão de energia correu pelos fios, ferindo Mudreos que recuou com salpicos de faíscas nas mãos.
— Eu que sou o imbecil, não é? — disse Andreos.
— Calado! A carga está em 60%, estamos mais perto de atingir a perfeição harmonizada.
Flint e Mason chegaram à metrópole com seus zords e avistaram os Rangers caídos pelo miasma.
— Tô vendo eles! Galera, aqui vai a ambulância aérea! — disse Mason.
— Flint e Mason chegaram! — celebrou Zoe.
Dickerson atualizou os debilitados heróis:
— Rangers, desculpe não mantermos contato, estávamos atentos aos outros cenários. Austin está... lutando junto com seu pai que pegou o morfador para ir salvá-lo.
— Mas com o morfador avariado, o Sr. Jones... Isso não é bom... nada bom... — lamentou Damian.
— Ele tá se arriscando ao máximo pra proteger o Austin... Isso sim que é um digno Ranger lendário. — disse Zoe.
— O miasma impede que os teleportemos pra cá, infelizmente. — lamentou Karen.
— Tá tudo bem... A gente vai aguentar... — disse Jessie nun esforço árduo em suportar a fraqueza.
Antes que Mason pudesse socorrê-los, Enckantess interceptou o Morcego Púrpura com o zord Falcão numa batida faiscante.
— Essa cidade é pequena demais pra dois zords voadores. — riu ela.
— Formem o Gigante Cavernoso e o destruam. — ordenou Dickerson.
— Ativar Conexão Megazord! — comandaram Flint e Mason.
Ambos os zords unificaram-se em formação ao Gigante Cavernoso que pousou para o combate.
— Dupla-Espada Selvagem! — chamou Mason, a espada surgindo na mão direita do robô.
— Não é justo, esse jogo precisa de um equilíbrio! — disse Enckantess que esfregou as mãos — Magia de Remodelação!
O zord Falcão foi envolvido por uma aura rosa vibrante com raios da mesma cor em uma transformação que o tornava comparável a um Megazord na fisionomia e aparência.
— Nivelei o jogo, Power Panacas, hahaha!
— O zord Falcão foi radicalmente modificado. — disse Karen — Mas a questão é: quem está pilotando no lugar de Mudok?
— Não há leituras que registrem uso de tecnologia nessa transformação. — disse Dickerson — Ah, claro, como pude me esquecer dela?
— Aracna?
— Não. — o mentor virou o rosto — A noiva de Lokknon que é uma aprendiz de magia cósmica.
— Então, a julgar por esse feitiço, ela talvez não se encaixe tanto na definição de aprendiz.
O Gigante Cavernoso avançava golpeando, mas o Mega Falcão Mágico agarrou a lâmina.
— Tá pensando que isso impressiona a gente? Bobona! — disse Flint.
— Vai ter que comer mais arroz com feijão, garota! — reforçou Mason.
— Aprendam a tratar uma dama com delicadeza, seus trogloditas! — disse Enckantess, livrando-se do ataque com uma joelhada.
O Megazord contra-atacou com a outra ponta por baixo, porém o Mega Falcão desapareceu como uma ilusão.
— Eita, ela sumiu num passe de mágica! — disse o Ranger Marrom.
O Mega Falcão ressurgiu atrás.
— Iuhuu, olha eu aqui de volta!
O jogo seguiu com o Megazord atacando e a bruxinha desaparecendo.
— Qual é? Vai ficar nessa brincadeirinha idiota? — repreendeu Mason.
— Não é o meu único truque! — disse Enckantess, manifestando uma chuva de penas rosas que aprisionou o Megazord num tornado.
— Os controles travaram geral! — disse Flint.
— Põe a gente no chão! — mandou Mason.
— Vocês que pediram! — disse Enckantess, derrubando o robô.
— Tá caindo pena rosa até aqui dentro! — disse Flint vendo o cockpit encher — Vai inundar!
— Agora levantem e deem uma voltinha!
O Gigante Cavernoso levantava sob a mágica canalizada através dos braços do Mega Falcão e girou devagar.
— Oh, veja como ficou lindo com essa plumagem! Agora que nem uma bailarina.
— Que mico a gente tá pagando! — lamentou Flint.
Na pedreira, Vulturaptor lidava tranquilamente com dois Rangers Vermelhos defendendo-se doa chutes e socos. A dupla girou aplicando chutes simultâneos que empurraram o monstro.
— John, estou enviando um modelo protótipo de espada extraído do meu simulador. — avisou Dickerson que apertou Enter.
— Gostei dessa aqui! Valeu, Tom! — disse John.
Porém, o monstro-abutre girou dando um chute que desarmou John, depois atacando com as garras no corpo soltando faíscas e encerrando num chute na barriga que o mandara contra uma rocha.
— Você já fez terapia com agulhas? Minhas penas fazem praticamente a mesma coisa! — Vulturaptor abrira as asas disparando aa penas como balas.
Austin saltou tomando a frente de John.
— Barreira Z! — o escudo holográfico vermelho projetou-se do emblema no uniforme do líder, anulando as penas que penetravam como projéteis.
— Minha vez! Espada Ignnus! — Austin avançou riscando o solo.
O líder lançou um corte flamejante contra ao qual Vulturaptor tentou defender-se ao fechar as asas, mas o ataque o derrubara com força fazendo-o rolar pelo chão com labaredas queimando em algumas partes.
— É isso, Austin! A fraqueza dele é o fogo! O golpe decisivo tá na sua mão, aproveite!
— O fogo dessa espada vem do pássaro Ignnus, meu zord sagrado.
— Tom me contou a respeito. Use sua ligação com o pássaro Ignnus a seu favor em toda a plenitude.
— Minha ligação com o Ignnus... Entendi!
Vulturaptor levantava e avistou um grupo de Combanautas se deslocando entre rochas.
— Sobraram muitos desses idiotas! — disse o monstro-abutre que criou uma esfera de miasma. Austin o agarrou por trás para impedi-lo.
— Não vou deixar você infectar mais deles!
— Pirralho maldito, me solte! — Vulturaptor chutou-o para trás e disparou o miasma.
— Cuidado! — John saltou acrobático,.pousando em defesa aos soldados, acabando por ser atingido no peito.
— Não! — gritou Austin, levantando e correndo afoito. Parou num freio súbito que o fez cair de lado perto de John.
Um Combanauta virou John de barriga para cima, o miasma tomando a parte torácica.
— Não toque nele! — advertiu um deles — Ele está por nossa conta, Austin, acredite que ele ficará bem.
— Vocês têm que levá-lo até a Central de Comando! — pediu Austin.
Dois soldados levantaram-no para carrega-lo e se afastaram dali até se teletransportarem.
— Enfim, só você e eu, Ranger Vermelho, agora que o papaizinho foi infectado por ter tomado a atitude mais imbecil que eu já vi!
Austin, cerrou os punhos.
— Como você se atreve?
— Que eu me atrevo a quê? Fala bem alto pra eu ouvir!
Os olhos de Austin refulgiram em amarelo com leves tons de laranja.
— A machucar o meu pai! — berrou Austin — Espada Ignnus! — a espada ressurgiu em fogo, o líder rugindo e avançando colérico.
Na Central de Comando, os Combanautas levavam John para a sala hospitalar.
— Fica no corredor a direita, já vou preparar tudo pra examina-lo. — disse Dickerson — Austin deve estar muito arrasado...
— Arrasado acho que é pouco. — disse Karen observando a reação furiosa dele.
— Austin... — o mentor assistiu — Ele está fora de si, como se estivesse deixando o instinto animal prevalecer.
— John sendo atingido pelo miasma disparou um gatilho. — disse Karen — A conexão com o pássaro Ignnus amplificou o abalo emocional dele.
As luzes da sala tremeluziram concomitante a um alarmante sinal visto na tela direita.
— Espere aí... Por falar no Ignnus... — Dickerson viu o ovo brilhar pela câmera no recinto onde ele estava — Irradiando energia de acordo com esse rompante de fúria de Austin.
Ele saíra rumo ao ovo. Austin seguia desferindo golpes da espada Ignnus contra os quais Vulturaptor esquivava.
— Ficou esquentadinho, foi? Quem mandou o seu papai cometer a burrice de proteger aqueles idiotas?
Dickerson, na sala de armazenamento, teleportou o ovo para a garagem onde estava o Garuda Rubro. O ovo brilhando surgiu sobre um console de testes manuais fixo ao chão. Pelo computador da sala, Dickerson acessou a câmera de segurança da garagem onde via-se o Garuda Rubro inacabado em modo planador.
Karen tentava trazer Austin de volta a racionalidade:
— Austin, me ouça! Pense e seja razoável! Você é íntegro como líder, mas se deixou dominar pela raiva. John não ia querer isso.
Austin parecia ignorar, logo parando a certa distância para fincar a espada inflamada no solo. A trilha flamejante seguiu em ziguezague até Vulturaptor que foi acertado, causando uma explosão de fogo atrás e outras duas de fumaça e poeira nos lados. Ele caía de joelhos aparentemente fragilizado.
O grupo não-infectado de Combanautas preparava uma armadilha acima de um rochedo atrás de Vulturaptor visando captura-lo com uma rede de caça eletricamente carregada e que logo foi disparada.
— O que é isso?— tentava levantar, mas tomara choques — Ai, machuca!
Austin viera e o chutou no rosto, derrubando-o. Brandiu a espada incendiando. Dickerson viu o ovo perdendo seu brilho até apagar-se.
— Karen, avise a Austin que seu poder de domador deve alimentar o Garuda Rubro.
— Não dá, a raiva não deixa ele pensar nem entender o que eu digo.
— A transmissão de energia parou, isso porque o pássaro Ignnus está rejeitando o comportamento dele.
Antes que Austin baixasse a espada para o golpe impiedoso, a mesma desapareceu em fogo.
— Não... Sumiu! Por que isso aconteceu logo quando eu tava prestes a fazer justiça?
Os Combanautas vieram apanhar Vulturaptor que recebeu dardos sedativos.
— Nós assumimos daqui, Austin. Vá ver o seu pai, está na sala hospitalar da Central de Comando. — disse um deles.
— Perdeu sua chance de acabar comigo, seu fedelho... — zombou o monstro sedado.
— Mas pra onde vão levá-lo? — indagou Austin.
— Na ala científica da estação. Caso Dickerson falhe na sua própria fórmula contra o miasma, os cientistas da Intercorp se encarregarão de produzir uma a partir do plasma biológico desse monstro.
— OK, então boa sorte. Agora não sei o que faço: se vou ver meus amigos... ou meu pai que deu a vida pra salvar vocês.
— Acho que é cedo demais pra dizer que ele deu a vida por nós. — disse um outro — Afinal, ele ainda está aqui, mesmo debilitado. Se ferir e cair nunca é uma derrota definitiva. Pensa nisso, garoto.
Austin ficou a refletir enquanto os soldados levavam Vulturaptor a nave.
Na ala hospitalar, Dickerson adentrou vendo já dando curso aos exames de condições vitais pelo computador.
— Qual o estado clínico dele?
— O pior possível.
Austin chegou em teleporte, logo tirando o capacete.
— Como ele tá? — rapidamente foi até John com olhar entristecido.
Dickerson e Karen entreolharam-se, preocupados.
— Por favor, preciso saber se ele ainda pode se salvar, não escondam nada.
— Austin... Acho que deve imaginar o que explica ele ter perdido a consciência ao ser infectado na forma Ranger ao contrário dos outros. Karen, explique pra ele.
— O miasma é formado por uma cadeia de micro partículas que são nanites decompositores de matéria. Os nanites estão decompondo apenas o traje, mas ainda conseguem infectar o organismo. O que vale exclusivamente pro John...
— Karen, não faz mistério. O que pode acontecer? — indagou Austin.
— A instabilidade da morfagem do John enfraqueceu seu organismo e o miasma só piorou o estado. Existe uma boa chance, mesmo pequena, dele acordar se houver um antídoto.
— Mas mesmo os nanites decompondo o traje, o efeito do miasma se espalha por dentro. Lamento muito, Austin, mas... John está definhando.
Lágrimas brotaram dos olhos aflitos do Ranger Vermelho que virou-se para John.
— Quanto tempo ele tem?
Dickerson soltou o ar pela boca em preocupação. Karen revelara:
— Os outros Rangers têm em torno de mais oito horas. John, por outro lado, tem... menos de duas.
As lágrimas transbordaram pelo rosto de Austin na sua expressão de pasmo, um arrepio lhe correndo pela espinha.
***
Nas proximidades de uma fábrica, Owen, no modo Fúria Animal, combatia Mudok e Andreos com golpes de punhos primatas, mas o androide, lançando esferas de energia gravitacional, tentava esmagar sua defesa.
— Essa energia gravitacional vai destroçar seus punhos em segundos! — alertou Mudok.
— Valeu por avisar! — disse Owen, que investiu toda a força para se libertar, causando uma repulsão de energia que provocou uma intensa explosão de poeira atrás dele, derrubando barris de óleo.
Enquanto isso, os olhos do Mega Falcão emitiram ondas hipnóticas como se induzisse o Gigante Cavernoso a se apaixonar por ele.
O robô viera entregando a dupla-espada. Feito isso, acabou levando sucessivos golpes brutais da arma pelo Mega Falcão.
— Não pode ser, ela tá detonando sem dó! — disse Flint.
— O jeito vai ser abandonar o barco! — decidiu Mason.
— Agora que aprenderam a não subestimar uma feiticeira, preparem-se porque vou fazer picadinho dessa lata emplumada! — ameaçou Enckantess.
Entretanto, o robô da bruxinha travara no movimento com raios dançando pelo corpo, largando a espada e recuando com tremeliques. Subitamente, o zord Falcão retornou à forma original.
— Oh-oh... Tinha esquecido que o feitiço tem tempo limitado!
— A nossa virada chegou, parceiro! O encanto dela tinha prazo de validade, hahaha! — celebrou Flint.
— Vamos levantar mais fortes! — reforçou Mason.
O robô reergueu-se e apanhou a dupla-espada.
— Ah não, vão ter que me alcançar, se puderem!
O zord Falcão voou aos céus, sendo perseguido pelo Megazord que destravou as asas do Morcego Púrpura.
— Enckantess, abandone o zord! — clamou Lokknon quase pulando do trono.
O Gigante Cavernoso alcançou facilmente o Falcão executou o golpe da dupla-espada pelo lado direito. Enckantess rosnou raivosa e teleportou-se antes da explosão do zord no ar.
Flint e Mason comemoraram, o Megazord voando para baixo e pousando com freio nas pernas numa pose de vitória com a dupla-espada.
A dupla saltou do robô e se juntou a Owen na luta contra Mudok e Andreos. No entanto, Psycho-Bots modificados barraram-os meio distantes.
— Beast Cycle, ativar! — comandaram, usando suas motos para furar o bloqueio.
Owen, aproveitando a cobertura, atacou:
— Granadas Kong! — as bombas lançaram-se dos dorsos dos punhos atingindo a dupla com explosões aos lados.
Owen saltou acrobático.
— Modo Super Fúria Animal! — ganhara a forma de um gorila similar ao seu zord e correu até Mudok, agarrando-o — Arremesso Sísmico! — pulou alto para em seguida cair girando — Abraço gostoso, né?
— Ativar modo trovão! Escudo Voltaico! — bradou Mudok, virando o jogo.
Um globo de eletricidade amarela os envolveu flutuando a poucos metros do chão. O androide desfez o escudo, caindo com Owen o subjugando.
— Hora de mais um empréstimo de energia! — disse Mudok com seus fios drenando Owen até ele voltar à forma base, exausto.
Karen atualizou a situação crítica para Dickerson e Austin:
— Flint e Mason destruíram o zord Falcão e estão lidando com Psycho-Bots para chegar até Owen. O problema é que Owen foi drenado por Mudok. Acredita que fundido a Andreos ele consegue acessar o modo trovão?
Austin, sentindo o peso da culpa, desabafou:
— Essa confusão toda é por minha causa. Tudo porque fui egoísta indo contra a vontade dele e agora ele tá quase morrendo. — socou de leve na parede.
— Austin, você agiu movido pela emoção pura de agradar John. — aconselhou Dickerson — Mas também usou a emoção para o lado negativo na pedreira achando que isso faria justiça por ele. Só que não, estava se vingando.
— Pois é, eu... me descontrolei. Foi isso que cortou minha ligação com o Ignnus?
— O Ignnus dentro do ovo estava alimentando o projeto antigo que meu pai reservou ao John... um modo de batalha exclusivo.
— Sério, cadê?
— Devido ao seu estado de fúria, a transmissão de energia não se completou para finalizar o que ainda resta dessa nova versão do Garuda Rubro.
— Então me leva até onde está o ovo, pode ser a única salvação. — pediu Austin.
— Receio que isso não aconteça de maneira forçada e sim espontânea. A fúria em si é útil, desde que você a controle com força de vontade.
— Pois vou voltar pra zona leste agora mesmo. A sobrevivência do meu pai e dos meus amigos depende somente de mim.
— Você nos provou que no fundo conhece sua real força. — disse Karen.
— Ele sempre dizia que o corpo não desenvolve se a mente não estiver preparada e controlada. — Austin voltou-se a John — Mente sã e corpo são, é um dos princípios que ele me ensinou.
Vulturaptor havia sido posto no compartimento traseiro vigiado por quatro soldados. O monstro-abutre estava preso numa mesa metálica envolvido pela rede presa em ganchos. Porém, o reabrir de seus olhos indicou a limitação do sedativo.
— Ele acordou! Vamos contê-lo, depressa! — gritou um soldado.
Vulturaptor rasgou a rede e nocauteou os guardas.
— Livre, leve e solto para varrer esse planetinha insignificante com o meu miasma!
Abriu suas asas, lançando penas que derrubaram os outros contra a parede.
Escapou da nave em movimento usando as garras na lataria e voou livremente às gargalhadas.
O alerta soou na Central:
— Essa não... Vulturaptor acabou de escapar dos Combanautas e está reduzindo vários hectares de uma floresta. — avisou Karen.
— Ele é forte demais, aqueles sedativos não iam fazê-lo dormir pra sempre. — disse Austin.
Dickerson voltou-se a ele, olhando-o firme.
— A melhor forma de provar o controle da sua raiva é enfrentando seu pior inimigo e aí está a sua chance. Faça valer pelo seu pai e os outros Rangers. Você consegue.
— Obrigado pela força vocês dois. Não vou deixar a raiva acima do meu espírito de Ranger. — disse Austin levantando o capacete para recoloca-lo — De volta à ação!
Austin teleportou-se diretamente ao ponto de ataque onde Vulturaptor fazia sua festa de decomposição corrosiva. O monstro-abutre lançara mais duas esferas de miasma, as quais consumiram árvore e arbustos
Voava com giros e piruetas até ser atingido por lasers vermelhos.
— Quem ousa me derrubar em pleno voo?
— Eu! — disse Austin vindo na Beast Cycle saltando de uma rocha para derruba-lo com mais disparos no ar.
— Não acha que é perigoso um fedelho como você fazer essas manobras? — questionou Vulturaptor ao levantar com fumaça exalando.
— Ah, agradeço por se preocupar! — ironizou Austin freando de lado e movendo os guidões com o motor roncando.
— Não fique se achando o maioral! Seus amigos estão condenados! Principalmente o seu querido papai Ranger, hahaha!
A fúria se evocava novamente, ameaçando explodir como na vez anterior. Contudo, o líder fechara os olhos, as palavras de Dickerson ecoando na mente.
— O que foi? Vai ficar parado? — desafiou Vulturaptor, manipulando esferas de miasma.
Austin reabriu os olhos que brilhavam da mesma forma que antes, sorrindo confiantemente. Acelerou numa arrancada, disparando lasers certeiros em Vulturaptor.
— Modo Míssil Turbo! — bradou Austin.
Vulturaptor fechara as asas protegendo-se, mal saindo do lugar quando a motocicleta batera nele e fora jogada longe. Austin pousou do lado oposto.
Vulturaptor virava-se reabrindo as asas, mas se surpreendeu ao ver Austin já com a espada Ignnus preparando o ataque flamejante, logo se fechando num escudo de miasma.
— Sabe o que é uma distração? Onda Explosiva! — disparou o ataque em forma de fênix de fogo, rompendo a redoma de proteção do abutre que voou numa explosão.
Lokknon foi dominado pela impaciência.
— Vulturaptor, você foi designado a corroer essa cidade, chegou a hora de cumprir esse propósito!
Teleportou o monstro-abutre para a cidade, trocando-o de lugar com Mudreos que surgiu diante de Austin.
— O quê? Ah, droga... Lokknon trocou você e o Vulturaptor de lugar!
— O que significa que seus amigos e sua amada cidade correm um sério perigo! — alertou Andreos.
Dickerson conferia o progresso da transmissão da energia de Austin para o ovo e do ovo para o Garuda Rubro que ganhava novas peças.
— 50% e subindo cada vez mais rápido.
Enquanto Austin duelava com Mudreos nos choques de lâminas, Vulturaptor enfrentava Owen corpo a corpo.
— Então você é o urubu que quer infestar toda a cidade com essa gosma fedendo a enxofre!
— E você mais um Ranger que vai se juntar ao clube dos condenados! — disse Vulturaptor que girou e o chutou com os dois pés, mandando Owen contra o capô de um carro.
Flint e Mason viera correndo e o ajudaram a levantar.
— Foi osso passar por aqueles panacas. — disse Flint.
— Mas peraí... — Mason estranhou — A gente não ia encarar o Mudok e o parceiro dele?
— Ele deve estar lutando com o Austin agora. — falou Owen — Lokknon os trocou de lugar pra dificultar tudo pra nós!
— Estamos esperando o quê pra depenar esse abutre? — falou Flint.
O trio avançara corajosamente, porém Vulturaptor criara três esferas de miasma no ar acima deles e as manipulou, baixando-as num giro até captura-los.
— O fim de vocês os espera! — Vulturaptor usou telecinésia para manda-los até onde estavam os demais.
O trio caíra com seus uniformes quase tomados pela substância preta.
— Não acredito... Vocês também?! — disse Jessie.
— Agora que ferrou de vez... — disse Tim.
— Ainda temos o Austin... — disse Zoe — Nada está perdido!
No duelo de espadas, Austin elevou sua aura de domador ao máximo quando sua espada foi baixada pelas lâminas do andróide no choque.
— Eu nunca vou dizer que desisto de uma luta sem mostrar tudo que sou capaz de fazer pra vencer!
Aquilo possibilitou ao líder exercer força para impulsionar a lâmina Ignnus contra a pressão que a colocava por baixo num movimento bruto e energético. Austin, em seguida, lançou um corte horizontal que o mandou para longe.
— Onda Explosiva Final! — asas de pássaro inflamaram em fogo nas costas, a espada se incendiando mais.
O Ranger Vermelho voou avançando em uma investida veloz que atravessou Mudreos, desfazendo a fusão entre o androide e o parasita cibernético.
Dickerson comemorara a conclusão do projeto dos sonhos de seu pai.
— Carga em 100%! Finalmente totalizado.
— Austin, se prepare pra dar as boas-vindas a um novo amigo robótico. — avisou Karen.
O Garuda Ignnus decolara em teleporte, surgindo em voo supersônico naquela área.
— Uma adição ao arsenal?! Faço questão de subtrair! — disse Mudok.
Porém, Andreos atirou-se do solo direto a Mudok, mas o androide o parou com a mão esquerda.
— Isso só será possível se nos fundirmos!
— Por hoje, basta! Falhamos em alcançar a sincronia total!
— Vocês aí podem brigar à vontade, eu vou indo salvar meus amigos! — disse Austin, saltando para o Garuda Ignnus e partindo em direção ao caos na cidade.
Atravessou a barreira do som em direção à metrópole, em êxtase com o novo poder.
— Uohuuu! Haha, eu tô adorando isso aqui! Só não posso fazer manobras radicais porque ainda tô pegando o jeito! Amigos, aqui vou eu!
Ao ser avistado pelos Psycho-Bots, ele não hesitou:
— Querem uma pontaria de primeira, então vejam e aprendam! Disparar!
As armas do zord liquidaram os robôs em explosões de fogo, dentre as quais o Ranger Vermelho atravessou no voo.
— Yeah, vocês já eram!
Dickerson, monitorando o desempenho, instruiu:
— Austin, sugiro utilizar o Falcão Rubro na capacidade máxima. Você acabou de testar o modo planador, agora ative o modo combatente.
— Beleza! Tá na hora de quebrar uma nova barreira de poder! Ativar modo combatente!
O zord se reconfigurou, envolvendo Austin em uma armadura de combate imponente — pernasz braços, tórax e, por fim, o elmo. A velocidade do conjunto superou tudo o que já havia alcançado, transformando-o em um "borrão vermelho".
O voo avassalador de Austin seguia chamando a atenção da área metropolitana. Earl vendia seus sorvetes em potes no carrinho. Tanto ele quanto algumas crianças da sua clientela olharam para o céu maravilhando-se com o superveloz pássaro vermelho humanoide.
— Uau, que demais! Quem é aquele? — disse um garoto.
— Tá me parecendo que é o Ranger Vermelho. — disse Earl, fascinado — Essa galera se supera um dia após o outro.
Vulturaptor pousara ameaçador frente aos Rangers combalidos. O monstro ergueu as mãos criando uma esfera de miasma que se avolumava a cada segundo.
— Quando eu jogar essa esfera no chão, tudo será imediatamente coberto pelo meu miasma!
— Austin, se estiver perto daqui... Vem logo, cara. — disse Mason caído de bruços vendo a esfera crescer a um tamanho colossal.
Antes que o pior acontecesse, um raio azulado vindo do céu interceptou a esfera que foi reduzida ao nada.
— Mas o que significa isso? Aquela membrana de energia veio do nada e engoliu meu miasma!
De repente, tiros laser atingiram Vulturaptor que se atordoou com as intensas explosões de faíscas a afastarem-o dos Rangers. Uma figura alada descia devagar com sua aparência ainda pouco distinguível devido a luz solar que fazia sombra.
Jessie se empertigou.
— Austin? — indagou ela ao vê-lo descer e se esclarecer mais.
O Ranger Vermelho pousou diante deles, ostentando sua armadura de cavaleiro alado.

— Não tô acreditando... — disse Owen.
— Nem eu tampouco. — falou Damian.
— Cara, que roupa nova maneira é essa? — indagou Tim.
— E aí, galera? Gostaram do meu visual atualizado? — perguntou Austin, pomposo.
— Você tá ótimo, mas... acho melhor dar mais atenção ao pássaro encardido ali. — disse Owen.
Austin concentrou sua aura alaranjada correspondente ao poder Ignnus e, com um "vento solar" projetado das asas, rapidamente eliminou o miasma.
— Fomos curados! — celebrou Zoe.
— Austin, que poder mais... Ai, nem sei como chamar. — disse Jessie — Valeu mesmo.
— Ficamos te devendo uma não, mas mil, amigão! — falara Tim — A gente te ama!
— Agora vai lá e faz um galeto de urubu pra mandar como entrega especial pro Lokknon. — falara Flint.
— Podem deixar, daqui eu assumo. — ordenou Austin tomando a frente.
— Bela armadura, Ranger Vermelho. Só que vai se enganar de novo!
— É o que veremos!
Os geradores das asas da armadura dispararam globos elétricos que se fundiram e aprisionaram Vulturaptor sob medida.
— Me tire dessa prisão, eu quero uma luta justa!
— Só tô fazendo você se sentir da mesma forma que eu quando me prendeu naquela redoma!
Porém, um vasto exército de Psycho-Bots surgiu em teleporte como um bloqueio protetor a Vulturaptor. Mudok aparecera sobre um carro.
— Psycho-Bots, arranquem cada peça dessa armadura pra que enfeitem a parede do mestre!
— Então venham me pegar! — Austin acionou voo vertical.
— Psycho-Jets, ativem! — comandou Mudok, acionando os jatos propulsores nos robôs que alçaram voo e cercaram Austin — Fogo!
Os robôs dispararam em peso simultaneamente, os tiros provocando uma explosão de nuvem densa de fumaça.
— Austin! — Jessie preocupou-se.
Porém, o dissipar da fumaça revelara Austin protegido por uma barreira laranja esférica.
— Querem apostar como venço uma corrida? — desafiou ele, a barreira desfazendo. Disparou a voar, sendo perseguido pelo exército de robôs.
Os Rangers correram em torcida. A corrida aérea percorreria quase toda a área metropolitana da zona leste.
Austin não apenas desviava de arranha-céus, mas se virava para os perseguidores detonando-os com tiros laser das metralhadoras, bem como se esquivando dos ataques inimigos, alguns robôs explodindo e batendo uns nos outros.
— Melhor tomarem distância porque lá vai bombardeio!
Disparou os mísseis das asas para trás, os quais acertavam alguns robôs que explodiam e batiam em prédios.
— Eu avisei. — ironizou Austin, divertindo-se e acelerando.
O Ranger Vermelho pousou com freio de atritar intenso no solo. Ao parar, destravou as espadas presas aos braços, as lâminas tomando forma no ar e voltando direto para as suas mãos.
Os robôs avançaram em cerco, levando ao líder repelir com chutes intercalados com golpes das espadas. Na CDC, Karen observava, fascinada:
— É extraordinário. À medida que se move em combate, Austin se adapta naturalmente ao peso da armadura.
Austin deu impulso para trás e disparou raios dos geradores nas asas, a eletricidade se ramificando e atingindo alguns robôs. Voltou-se a outro grupo de robôs que abriram fogo, o que levou-o a saltar para a direita.
Em meio a explosões, quase de ponta a cabeça, disparou mais esferas eletivas dos geradores, estas aprisionando uns robôs e aparentemente os reduzindo a nada.
Depois, virou para um grupo que atiraria em peso e baixou as espadas energizadas ao chão com força bruta, gerando uma pulso vibratório que os derrubou causando uma explosão de fogo.
Voou em seguida para perto do lago pelo qual sobrevoou baixo, mais robôs atirando e os disparos acertando a água. Elevou-se frente ao exército, lançando as espadas pelos dois lados, as lâminas derrubando os robôs com estouros de faíscas no chão até que voltaram a ele como bumerangues.
Vulturaptor libertara-se sozinho do globo elétrico, rompendo-o com sua própria força.
— O dia não termina comigo sendo a caça! Eu sou o caçador invencível!
— Eu não teria tanta certeza! — disse Austin voando diretamente a ele.
As garras de rapina dos pés baixaram para efetuar o ataque predador de um falcão e assim se fez.
— Seu moleque insolente, me largue!
Vulturaptor foi levado de volta a pedreira, sendo largado a uma rocha e caindo rolando enquanto Austin pousava em freio.
— Chegou sua hora, acabou pra você! — sentenciou Austin.
Vulturaptor tentou uma última cartada, disparando uma enxurrada de penas cortantes, mas Austin atacou com as metralhadoras num duelo ferrenho de tiros velozes. Para evitar desgaste, cessou fogo, rapidamente usando as espadas cruzadas defensivamente enquanto avançava lento contra as penas que pararam de ser atiradas como balas devido ao cansaço do monstro.
O Ranger Vermelho arremessou as lâminas que agressivamente cortaram as asas de Vulturaptor.
— Minhas asas! Se eu soubesse que seria assim, teria infectado você primeiro!
— Agora é tarde pra se lamentar! — disse Austin que logo voou e no ar as espadas retornaram as suas mãos — Limitador de presa!
Desferiu um corte em X de energia vermelha que caiu sobre Vulturaptor o paralisando.
— Mestre Lokknon, me conceda perdão!
— Ninguém vai te perdoar por nada do que fez!
O núcleo peitoral da armadura fumegou em luz vermelha alaranjada.
— Raio Pósitron Ignnus! — o poderoso e brutal raio disparou, recaindo furiosamente sobre Vulturaptor.
Austin pousou rápido em pose vitoriosa de costas para Vulturaptor que cambaleava com raios vermelhos dançando pelo corpo. Era o irremediável fim do monstro-abutre que caíra para trás e explodira intensamente.
— Isso foi por você, pai. — sussurrou Austin.
Os demais Rangers correndo até ele eufóricos.
— Hahah, vocês estavam assistindo de longe, né?
— Não íamos perder nadinha você dando uma baita surra naquele urubu fedorento. — disse Flint aproximando-se dele.
— Ainda mais com esse armadura bonitona que você merece, cara. — elogiou Tim que deu batidinhas de dedos no peitoral do Garuda Ignnus.
— É linda, você deu um verdadeiro show, Austin. — disse Jessie.
— Parabéns, não só pela armadura como também pela vitória. — felicitou Zoe.
— Essa conquista não é só minha, é nossa. Se um ganha, todos ganham. É isso que significa sermos uma equipe.
Para o susto dos heróis, os "olhos" verdes da parte torácica da armadura piscavam com um som de alarme que acelerava.
— Epa, isso é bom ou ruim? — perguntou Tim.
— Talvez foi o Mason que botou mau-olhado. — Flint tirara sarro.
— Que mau-olhado o quê, cala essa boca! — retrucou o Ranger Roxo com um soquinho no braço do amigo.
— Será que vai explodir? — temia Jessie — Austin...
Subitamente, a armadura resplandeceu em brilho vermelho, os heróis protegendo os olhos.
— Olhem só, o Falcão Rubro apenas... desativou, hehe. — disse Austin.
— Certamente havia descarregado em virtude do uso de arsenal. — apontou Damian.
— Pessoal, temos que voltar a Central de Comando... — Austin lembrara da condição crítica de John — Meu pai precisa da minha ajuda.
— Estamos com você, parceiro. — disse Tim tocando-o no ombro — Da sua mão a gente não larga nunca.
Austin assentiu, grato. Os oito teleportaram-se direto a sala hospitalar.
— Austin, sei o que veio tentar, mas... — disse Dickerson aproximando-se.
— Não vim tentar, vim fazer acontecer. — afirmou Austin caminhando até o pai acamado para segurar a mão direita dele.
Canalizou a potência máxima da aura Ignnus diretamente para o corpo de John, purificando o miasma nanotecnológico. "A sua marca da garra está aqui dentro" — Austin recordou de quando ele apontou ao seu peito na conversa no quarto.
O sucesso foi total com John despertando, emocionado ao ver o filho que o salvara.
— Austin... Meu herói. — disse John, abraçando-o.
De volta à sala de controle, John oficializou sua saída do campo de batalha:
— Daqui pra frente, sou oficialmente ex-Ranger Vermelho. Mas espiritualmente nunca deixarei de ser um.
— Ai, fico toda arrepiada quando tudo acaba bem assim. — disse Jessie.
— Austin, você foi o herói desse dia em todos os sentidos. — disse Dickerson — Me desculpe se eu pareci duvidar da sua capacidade.
— Não quer contar pra ele o segredinho? — atiçou Karen para o mentor.
— Que segredo? — indagou Austin, curioso.
— É sobre o Garuda Rubro, digo... Garuda Ignnus... A razão por ter eu atrasado os trabalhos foi a incerteza de que você, ainda tão jovem, pudesse aguentar a imensa carga de poder do modo combatente.
— E eu compartilhava dessa dúvida. — disse John — Queria muito ter visto isso de perto pra me encher orgulho como em todas as vezes que você se supera.
— Para com isso, senão eu choro e me envergonho todo na frente deles, haha.
— Cara, o que você fez pelo seu pai é digno de um troféu. — disse Tim abraçando-o pela esquerda.
— Um prêmio nobel de puro heroísmo. — dissera Damian a direita.
Austin olhara meio desconcertado para o pai.
— Ainda te devo um presente de aniversário... Que tal uma caixa nova pra guardar aquele monte de tralhas e velharias?
— Não fala assim que seu avô vai ficar zangado e puxar seu pé quando for dormir.
— Você também falou mais cedo.
— Eu e ele colocamos nossas memórias na caixa, mas você ainda não.
— É, agora faz sentido. — disse Austin que desatou a rir junto com os amigos.
O ovo do pássaro Ignnus havia retornado ao seu armazenamento na incubadora e emitiu um brilho laranja que deu um rápido vislumbre da silhueta da pequena ave, uma clara resposta de aprovação ao seu novo e valente domador.
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