Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Zoe ajuda um amigo aspirante a instrumentista de sopro a conseguir uma vaga no festival de talentos da escola. Enquanto isso, Lokknon manda Hameghost, o flautista do pesadelo, atacar a cidade fazendo crianças sonharem acordadas com seus maiores sonhos para atraí-las a fim de se nutrir de energia. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Era final de mais um dia estudantil na Angel Grove Middle Shcool e um clima de contagiante expectativa imperava em todos os cantos referente ao aguardado festival de talentos daquele agitado ano letivo. Zoe e Jessie saíam pelo corredor principal juntas após se despedirem dos garotos que haviam ido primeiro e ambas dividiam o entusiasmo para a noite onde os alunos inscritos expressariam suas maiores inclinações artísticas.


— Tem horas que nem acredito que o festival de talentos já começa amanhã. — disse Jessie caminhando à direita da Ranger Rosa — Poxa, esse ano tá voando.


— Voando tanto que te fez deixar passar a única chance de participar da primeira noite do festival, logo a dos musicais. — disse Zoe lamentando pelo deslize da amiga.


— Pois é, justo no meu primeiro ano aqui acabei vacilando feio nisso. Mas sabia que nem tô frustrada? Ano que vem todos verão o nome de Jessie Stone na lista de inscritos .


— Assim a gente espera. Só quem te ouviu cantando sabe que você merece um lugar no palco. — incentivou Zoe a abraçando de lado.


— Mas espera aí... — Jessie a lançou um olhar tenso — A Cindy não tá sabendo que perdi o prazo da inscrição, né? Porque ela e as papagaias dela esperavam que eu fosse.


— Se você não estivesse frustrada não ficaria com medo dela te perturbar por isso. — respondeu Zoe com sinceridade dosada — Assim como se ela soubesse que você dormiu no ponto já teria espalhado pra todo o colégio e te atormentado ao longo da semana.


— Verdade, ela me esnobou a semana toda. Bom, nesse caso, tô duplamente salva.


Zoe não conteve um franzir de testa.


— Duplamente por que?


— Pela Cindy não saber nada e... porque eu não ia fazer ideia de como seria minha apresentação, que música cantar e interpretar...


— No próximo ano melhor consultar alguém da área que te ajude a decidir com base nas suas preferências.


— Se eu passar das audições, né? Olha, vambora, se quiser almoçar lá em casa, minha mãe arriscou aquela receita de...


— Tá, tá bom, eu vou já, só... — disse Zoe ao interrompe-la, distraindo-se com um som vindo da sala de música a esquerda — Só vou beber uma água. Me espera lá fora?


— OK, mas vê se não esvazia o bebedouro hein. — disse Jessie logo virando as costas para esperar a amiga do lado de fora.


Zoe foi discretamente até a porta da sala de música pela qual observou através do vidro quadrado um garoto de costas tocando uma flauta sentado numa cadeira dobrável. A melodia da flauta lhe passava um ar sereno que acalmava e aquecia o coração, a deixando absorta nas notas do talentoso músico-mirim. Abrira a porta silenciosamente, aproximando-se do garoto que acabara de tocar sua alma.


Logo que ele encerrou a canção, a Ranger Rosa sorriu parada atrás dele e aplaudiu levemente.


— Nossa, você toca incrivelmente bem.


O menino voltou-se a ela, surpreso com a presença, logo sorrindo simpático e sentindo-se bem pelo reconhecimento.


— Ah, oi, podia jurar que eu tava sozinho. Nem imaginei que eu tinha uma espectadora.


— Não, eu acabei de chegar. Ouvi sua música e...bem, não deu pra resistir, hahah.


— Hum, tô convencido que minha música atraiu quem tem bom gosto. Modéstia à parte, claro. — disse ele levantando — Prazer, sou o Ewan.


— Me chamo Zoe, sou do sexto A. — disse ela apertando sua mão direita a dele.


— Eu estudo no sexto B, legal, somos vizinhos.


— Então, Ewan, você... resolveu ficar aqui sozinho na sala de música depois da aula pra praticar?


— Na verdade, o professor decidiu faltar hoje por ter tido um imprevisto em casa. Logo no dia de uma revisão importante antes do festival.


— Vai participar do festival!? Eu não esperaria menos de alguém que toca uma flauta como se fosse um druida irlandês.


— Ahn, isso foi um elogio, não foi? — indagou Ewan com um sorrisinho e olhar semicerrado.


Zoe dera uma breve risada que apenas favoreceu a afeição do instrumentista.


— Relaxa, foi sim. Os druidas celtas eram sacerdotes sábios e curandeiros muito respeitados que costumavam tocar flautas e outros instrumentos e tocavam de forma brilhante... que nem você. E nada de falar que eu tô exagerando.


— Tá legal, eu aceito hehe. Você parece saber bastante desses lances de mitologia, né?


— Eu sei de tudo um pouco de quase todos os mitos. Mas e aí, você vai ou não pro festival?


— Bem, eu... — disse Ewan mostrando-se hesitante com tensão, andando devagar pela sala e refletindo — Até iria me dar uma oportunidade, só que... — virou-se a ela meio retraído — Não me sinto à altura dos critérios.


— Mas como não se sentiria? Você toca de um jeito que pra mim não foi coisa de amador. — aconselhou Zoe o tocando no ombro — Pena que o prazo pra inscrição terminou.


— Seria até o fim da aula de hoje, pelo que eu soube. — destacou Ewan a inspirando uma ideia.


A Ranger Rosa mordeu os lábios, decidida.


— Vem comigo. — o puxou pelo braço.


Ambos foram a secretaria onde a moça funcionária os encarou contrariada.


— Eu lamento por você, mas não cabe a mim estender o prazo das inscrições, sinto muito.


— Por favor, abra uma exceção pra ele, tem praticado com toda a dedicação que é digna de ser incluída no festival. — insistiu Zoe em forma de apelo frente a mesa da secretária — Não faz tanto tempo que o sinal tocou, então...


— Tá tudo bem, Zoe. Ano que vem eu vou estar mais confiante, daí eu tento.


— Não, Ewan, tudo que temos é o presente e essa chance você não deve perder porque vale também pro seu futuro na música. — ressaltou Zoe que voltou-se a secretária — Eu imploro, inscreve ele no festival, o último nome.


A secretária respirou fundo olhando para a dupla, especialmente para Ewan sentindo uma carência latente no aspirante a músico.


— Se isso custar meu emprego, farei questão de dizer ao diretor que fui forçada a isso. — disse ela com uma caneta e adicionando o nome de Ewan, rendendo suspiros de ânimo em Zoe — Prontinho, espero que dê seu melhor.


— Será que os jurados gostam de flautas? — questionou Zoe.


— Na real, meu predileto mesmo é o saxofone, mas ensaio com qualquer instrumento de sopro. A propósito, vou ensaiar a tarde com meu sax barítono que pretendo usar na apresentação. Tá afim de conferir?


— Saxofone, eu adoro. Vai arrasar, tenho certeza.


Owen adentrava batendo educadamente na porta após abri-la.


— Aí está você depois de um belo chá de sumiço. A Jessie tá louca te procurando, falou que tinha ido beber água e não voltou.


— Eu tava ajudando um amigo a se inscrever pro festival de talentos. Ewan, tá combinado.


O garoto pediu emprestado a caneta e um papelzinho a secretária para anotar o endereço e entregou a Zoe.


— Não vou começar antes de você vir.


— Pode deixar, eu vou sim.


— Até mais e... valeu mesmo, você é um anjo. — disse Ewan, grato, logo andando para sair da sala. Ao passar por Owen, o cumprimentou.



***


Lokknon observava no conforto de seu trono o jovem talentoso Ewan manifestar sua inclinação artística para a música. Aracna parecia dançar de olhos fechados ao ritmo do som da flauta até que o imperador disparou um raio da ponta de seu dedo indicador direito acertando o quadril dela que estremeceu assustada.


— Ai, mestre, me desculpa! Mas é que essa melodia é tão... é tão relaxante, me fez sentir descansando nas nuvens!


— Eu não estou surpreso vindo de alguém tão preguiçoso gostar de um som que reduz a adrenalina no corpo. — rebateu Lokknon — Além do mais, eu proíbo você de se satisfazer com prazeres da Terra, já estou farto disso.


— Até com as revistas de moda? Ah não... — disse a princesa aracnídea, deixando cair os ombros em tristeza.


— Tome cuidado da próxima vez, Aracna, ou vai descansar como se estivesse nas nuvens. — disse Mudok se aproximando — Só que em gravidade zero e sem música, hahahah.


Barooma se deixou contagiar e rira junto ao colega.


— Grr, eu só não dou uma lição em vocês porque tenho deveres importantíssimos a cumprir. Esqueceram que sou a professora dos Power Pirralhos? Então o rótulo de desocupada não me cabe mais. — disse Aracna com certa altivez.


— Por pouco tempo, já que precisa confiscar um morfador antes que a paciência do mestre se esgote completamente! — pressionou Barooma.


— A menos que queira estender seu trabalho pra se sentir mais atarefada e menos inútil. — disparou Mudok.


— Mestre, não escute ele, não pretendo enrolar com o senhor pra evitar o meu ócio aqui na nave.


— Pois assim espero, não postergue a detenção de qualquer um dos Rangers, faça isso acontecer muito em breve. A paciência pode ser minha única virtude, mas ela é como areia dentro de uma ampulheta.


— Mestre, ideias contra os Rangers envolvendo esse garoto músico? — perguntou Mudok.


— Não necessariamente ele em si, mas seu dom para instrumentos musicais. — disse Lokknon olhando para Ewan no visualizador multifocal com interesse malévolo traduzido num sorriso — E se criássemos um monstro que toque um instrumento semelhante a esse induzindo todas as crianças da Alameda dos Anjos a seguirem-no?


— Desculpe a objeção, mestre, mas anteriormente usamos de um monstro que se valia do som de uma música como arma para atrair crianças. — relembrou Mudok.


— Pois é, foi o Megahertzzo! — disse Aracna ao recordar — Ele chegou perto de nos levar ao triunfo.


— Não chegou nem um milímetro de arranhar a superfície! — discordou Lokknon, enfezado — A diferença desse monstro para Megahertzzo é que ele faça com que as crianças sonhem acordadas com seus maiores desejos enquanto suas energias vitais são drenadas. Estarão como num transe hipnótico.


— Ahn, mestre... Devo lembra-lo de que também já utilizamos um monstro hipnotizador que exercia um controle de indução mental. — ressaltara Mudok que fizera Lokknon ranger os dentes em raiva prestes a estourar.


— Hypnoculus! Ele era fenomenal, se não fosse por aquele Ranger Verde entrando de metido o mestre teria um volume enorme de escravos. — declarou Aracna.


— Já basta! — explodiu Lokknon levantando-se do trono — Eu não vou abrir mão de uma ideia viável e promissora por fracassos passados, então desistam se querem me incentivar a isso!


— Eu confio na sua expectativa, mestre! Ideias semelhantes não significam erros semelhantes! — disse Barooma mexendo no painel de seu computador — Aqui está, prontinho! Baixei informações acerca de instrumentos de sopro e uma lenda sobre um flautista mágico! — se direcionou até o bio-modelador, logo baixando a alavanca — Que venha com muita saúde!


A máquina emitia seus relâmpagos e exalava sua fumaça de vapor branco durante a forja da nova criatura que traria dor de cabeça aos heróis coloridos da Terra e um perigo a qualquer criança com um objetivo de vida traçado. Após o processo, um indivíduo humanoide saía da cabine com o deslizar lateral da porta.


— Eu sou o arauto do pesadelo que irá recair sobre quem estiver vulnerável ao som da minha flauta sofisticada! Mestre Lokknon, é um imenso prazer conhece-lo e estar diante de sua magnífica presença. — reverenciou-o em gesto.


— E eu terei prazer imenso se tiver a audácia necessária para conduzir várias crianças desta cidade da Terra até você. Uma população vasta que possa lhe prover energia em peso. — falou Lokknon mostrando imagens em vídeo de crianças aleatórias da cidade na tela. O flautista virou-se para olhar com atenção.


— Espero que sejam vítimas polpudas de tantos sonhos para o futuro para assim me fornecerem toda a energia que me torne invencível.


— E o que vai fazer com todas elas depois que acabar? — questionou Aracna — Na lenda do flautista que levou os ratos embora de uma cidade, ele se vingou atraindo crianças e ninguém sabe o que aconteceu.


— Mas isso está óbvio, Aracna. — disse Lokknon — Ele as deixará para mim como futuros escravos. Imaginem os pais desses fedelhos desesperados e sem esperança de que seus amados filhinhos retornem, hahahaha!


— Ótimo, ninguém sairá de barriga vazia. Eu vou angariar o máximo de crianças. — prometeu o flautista.


— Mas alerto que terá obstáculos. — avisou Mudok — Os Power Rangers são os protetores do planeta e só deve enfrenta-los quando tiver uma quantidade substancial de energia.


— Não me diga o que fazer, minha energia de nascença pode dar conta. Eu sei que eles não passam de crianças em evolução, mas ainda que eu não possa apanha-los não irão me impedir tão fácil pois o efeito de minha música não é reversível a menos que eu decida.


— Não respondeu minha pergunta, Hameghost. — insistiu Aracna — Gostou do nome? O fantasma de Hamelin, a cidade da Terra onde a história do flautista supostamente aconteceu.


— Minhas vítimas irão cair em sono profundo após eu terminar de drena-las, é só isso. Aliás, continuarão sonhando, mas com seus piores pesadelos sentindo serem totalmente reais.


— E quando despertarem terão uma vida miserável comigo as subjugando! — prospectou Lokknon, a empolgação incontrolável — Hameghost, vá imediatamente e procure capturar esse garoto como uma de suas primeiras presas! — apontou para a imagem de Ewan tocando flauta na sala de música.


— Aposto que esse amador não acerta uma nota sequer! Eu não suporto que rivalizem com meu talento, portanto ele será meu primeiro alvo!


***


Pelo início da tarde, a casa de ferragens onde Damian improvisava seu laboratório de ciências, os garotos se preparavam para o lançamento da mais nova invenção tecnológica de grande utilidade. Tim aquecia a voz fazendo um gargarejo com água que trouxera numa garrafinha.


— E aí, estão prontos pra eu dar uma palhinha do que vou cantar lá no palco na noite de amanhã?


— Espera o Owen chegar, ele já tá vindo. — disse Austin sentado num caixote de madeira — E então, Damian, a nova maravilha do século tá preparada pra inauguração?


— Que comece o teste. — disse Damian exibindo o aparelho — O Owen não vem?


O Ranger Verde finalmente entrara no local às pressas.


— Tive que vir correndo, tava fugindo de um cão bravo e talvez não vacinado no meio da rua.


— Ou você tava fazendo hora porque não queria ver meu ensaio vocal. Vai, confessa. — acusou Tim com um semblante de chateação.


— Que nada, eu tô falando sério. Tá vendo esse suor na minha testa? Não suo assim nem nos treinos de karatê. — justificou Owen se aproximando — Mas... é verdade que tive receio de vir ver você cantando, pra ser honesto.


— Ah qual é? Vocês nunca me viram cantar antes pra julgar. Tá, tirando o Damian. — disse Tim, apressado em exibir sua voz cantada.


— E eles confiam na minha palavra quando digo que você... não canta como um soprano. — disse Damian tocando no ombro do amigo para amenizar a reação — Foi pensando nisso que resolvi criar um sintetizador vocal avançado. Ele se adere a pele a um simples contato físico.


— Gruda ele na minha garganta pra gente testar logo, amigão. — pediu Tim.


— Tim, por que você quer tanto se sair bem nesse festival? — indagou Austin — É só uma competição escolar, mas você tá agindo como se tivesse acabado de entrar pro American Idol.


— A explicação pra isso deve ter o tamanho de uma tese de doutorado, mas vou resumir em duas palavras: Cindy Harper. — disse Owen em tiração com o Ranger Azul que se rendeu.


— OK, me pegaram, é esse meu objetivode participar do festival. Ai, eu quero muito ver a Cindy na plateia me admirando como uma fã maluca que faria qualquer coisa por seu ídolo. — dizia Tim fantasiando com a patricinha lhe olhando com brilho no festival


— Volta pra realidade dura e cruel. — disse Damian estalando os dedos perto do rosto dele — A realidade onde você é rejeitado pela Cindy que, por sinal, não tem a menor probabilidade de enxergar você como um popstar em potencial.


— Mas eu ouvi ela falar que pra um garoto conquista-la, ele deve ter uma voz aveludada que a deixe fascinada ao cantar. E eu posso impressiona-la exatamente como ela quer se me emprestar essa coisinha aqui. — disse Tim querendo tomar o sintetizador da mão de Damian.


— Opa, combinamos de que o uso seria limitado a um teste de extensão vocal. — reprimiu o Ranger Preto.


— Fora que seria trapaça usar um aparelho que disfarça uma voz ruim. — adicionou Austin que tapou a boca rapidamente — Ops, foi mal, Tim, saiu sem querer.


— Não, você tá sendo sincero. Acho que talvez eu não leve jeito mesmo pra cantar com minha voz natural. — disse Tim desestimulando-se.


Austin, Owen e Damian se entreolharam em sintonia de pensamentos com a única finalidade de levantar o astral do Ranger Azul.


— Pois bem, faça sua demonstração. — permitiu Damian.


— Com sua voz limpa e sem efeito. — reforçou Austin — Não é, Owen?


— Bem... Vamos dar um voto de confiança, você deve ter melhorado desde que o Damian te ouviu cantar pela primeira vez, já deve fazer tempo...


— Faz um mês. — revelou Damian para a tensão do Ranger Verde crescer. Owen engoliu a saliva, nervoso.


— Só um mês é? Ahn... Tá legal, se você tiver praticado bastante.


— Mas eu pratico sempre, em todos os banhos.


— Tipo... Semanalmente. — falou Damian arrancando risadas dos demais.


— Ah, parem de zoar, vocês pediram e aqui vai meu canto lírico como um daqueles senhores refinados que usam terno chique. Se é pra ser como American Idol, então fiquem de costas pra virarem as cadeiras pra mim quando se emocionarem com minha linda voz.


— Isso de virar as cadeiras não é no The Voice? — disse Owen que retirava do bolso o celular tocando, logo atendendo — Alô, Zoe?


— Oi, Owen, eu já tô indo com a Jessie a caminho de ver o ensaio do Ewan e só queria confirmar mesmo se você e os meninos querem vir conhecê-lo. — disse a Ranger Rosa caminhando a esquerda de Jessie por uma trilha ladeada de grama.


— Poxa, Zoe, não vai dar. Eu falo pelos outros também, o Damian vai fazer maratona de estudos depois que testar a engenhoca nova dele. A gente vai no festival, lá vamos torcer pelo Ewan.


— Tudo bem, então espero que venham mesmo. É importante que ele se sinta prestigiado pra melhorar a autoestima. Até mais, tchau. — disse Zoe que logo desligou e guardou o celular.


— Um garoto tão bom como o Ewan fica duvidando do próprio talento enquanto outros que são péssimos se enchem de orgulho. — opinou Jessie.


— Você já ouviu ele tocar uma vez?


— De vez em quando eu via ele tocando pra uma pequena plateia da sala dele perto da escola. Sempre com uma flauta, nossa, me deixava tão calma, virou meu som favorito.


Mudok surgia saindo detrás de uma árvore e observando as duas tendo sondado a conversa.


— O pequeno músico ficará muito desapontado esperando um público que nunca vai chegar. — disse o androide que logo jogou esferas metálicas pretas — Psycho-Bots, ataquem!


Os robôs foram soltos, um pequeno exército caindo em cerco a volta da dupla que parou subitamente a caminhada e se posicionou em combate.


— Os estraga-prazeres tinham que aparecer! — disse Jessie costa a costa com Zoe.


— Lokknon pode estar tramando algo envolvendo o Ewan! — temia a Ranger Rosa olhando os robôs impacientes se movendo a espera de um ataque — Não tem jeito, vamos!


Ambas lançaram-se a luta, desferindo chutes e se esquivando de golpes dos robôs ao mesmo tempo. Jessie fora derrubada com um golpe no peito, mas permaneceu no chão para chutar duplamente dois robôs e manda-los contra algumas latas de lixo perto de um poste. Zoe era agarrada por outros dois, mas conseguia desvencilhar-se com cotoveladas, depois chutando mais um que veio a sua frente golpea-la com socos.


— Vai até o Ewan, eu cuido deles! — pediu Jessie empurrando um soldado e girando ao chutar outro que vinha por trás.


— Sozinha não! — negou Zoe se esquivando por baixo de um golpe, logo revidando nun giro com um chute no tórax do robô que o jogou contra outros dois, os três caindo desajeitados.


Hameghost enfim chegava em teleporte a cidade, mais precisamente acima de um arranha-céu já que necessitava de um ponto com altitude considerável para propagar sua onda sonora.


— Incrível, a vista daqui faz parecer que minha música pode se expandir por todo esse território! Se preparem, crianças! Sonhem com suas fantasias de sucesso enquanto me alimentam, será um banquete surreal!


Levou a flauta a boca e movia os dedos sobre os orifícios ao soprar e assim exprimir a melodia cujas ondas se alastravam a vários raios de quilômetros. Ewan, portando seu saxofone, continuava à espera de Zoe no local pretendido ao ensaio, na beira de um lago nas proximidades da área florestal. Porém, a paciência do aspirante a músico havia expirado com a demora.


— Não acredito que ela furou comigo. Ah, é... O idiota aqui esqueceu de dar o número do telefone. Tá bom, vou ensaiar em casa. Ela vai me ver tocar no festival.


O garoto fora andando e se afastando dali. Resolveu tocar o saxofone para se distrair enquanto voltava para casa em meio a paisagem primaveril daquela área. Contudo, um som de altura elevada se sobrepôs ao do seu instrumento, a melodia da flauta de Hameghost alcançando seus ouvidos. Parou de tocar.


— Mas que música é essa? Parece som de flauta. De onde será que... — não terminou a frase pois o efeito zumbificador da onda o afetara, seus olhos brilhando em verde. Tomou uma rota diferente que o levaria diretamente a Hameghost.


Tendo finalizado com todos os Psycho-Bots, Jessie e Zoe retornariam a caminhada que se tornara uma corrida contra o tempo. Ao chegarem um pouco mais além da beira do lago, encontraram o saxofone de Ewan largado no solo de grama alta. Zoe apanhara-o.


— Isso é do Ewan... Mas o que houve?


A música hipnótica de Hameghost tornava a tocar, as deixando confusas.


— Peraí, de onde tá vindo essa música tão alta? — indagou Jessie tapando os ouvidos.


— Alguém está tocando flauta... — disse Zoe também cobrindo os ouvidos e olhando em volta.


— É lógico que é flauta, mas não parece nada normal... É irritante, como se quisesse invadir minha mente! Vamos embora daqui, Zoe, o Ewan pode ter desistido do festival.


A Ranger Rosa correu os olhos pela extensão do local atentamente, ignorando a música rascante, logo vendo a figura de alguém caminhando a uma certa distância.


— Ali! — apontou com veemência e correu. Com a aproximação, deu-se conta de ser o amigo músico — É o Ewan!


— Por que ele tá andando desse jeito? — indagou Jessie correndo ao lado de Zoe com todo o fôlego. Ao alcançarem o garoto, Zoe se pôs diante dele e se afligiu com seu estado.


— Ewan, fala comigo! — pedia tocando nos ombros do garoto que esboçava um sorriso bobo salivando e não parando de andar — Me responde, por favor!


— Zoe, os olhos dele! — alertou Jessie — É essa música, colocou ele num transe como naquela vez quando um monstro invadiu a rádio do colégio e transformou todo mundo em zumbi!


— O que faremos? Ewan... — disse Zoe, aturdida, vendo que não era possível para-lo — Temos que segui-lo pra ver até onde ele tá sendo atraído.


— Atraído até mim que serei o dominador absoluto dele! — disse Hameghost sentado no galho de uma árvore. As meninas olharam para cima com urgência. O flautista do pesadelo saltara da árvore, pousando próximo delas e as chutando forte, logo puxando Ewan por trás pela gola do suéter — Você vem comigo primeiro!


— Quem é você? — indagou Zoe levantando.


— Apenas um talentoso flautista determinado a conquistar o coração de milhares de ouvintes.


— Larga ele! — mandou Jessie reerguendo-se.


— Não importa se conseguirem tira-lo de mim, ainda terei um farto banquete com todas as crianças que se guiarem pelo som da minha flauta!


— Então é isso, pretende atrair crianças de todas as idades pra se alimentar da energia delas! — disse Zoe — Mas por que o Ewan parece que tá sonhando acordado?


— É porque literalmente está sonhando acordado! Cada vítima minha fica parcialmente inconsciente, fantasiando com seus maiores sonhos e desejos, é o que está havendo com todos que estão sob meu domínio!


— Que vai acabar ainda hoje! — disse Zoe sacando o morfador e a célula — Tá pronta?


— Só tava esperando você falar! — disse Jessie sacando seus itens.


— Muito bem, é hora de morfar! — bradou Zoe com os braços esticados para frente.


— Águia Flavescente!


— Arraia Rósea!


Ambas as Rangers saltaram para aplicar chutes, porém Hameghost soprou sua flauta gerando uma vibração sonora como se fosse uma bolha que as paralisou em pleno ar ondulando potencialmente. Com um sopro forte, a vibração as empurrou contra uma árvore, a dupla caindo e rolando.


— Como querem salvar um garoto ordinário que nem esse se nem conseguem se aproximar a meio metro de mim? — insultou Hameghost.


— Isso porque você não viu nada ainda! — disse Zoe ao levantar firme — Ferrão de Arraia!


— Garras Raptoras! — falou Jessie ao invocar suas armas.


A dupla avançou, mas Hameghost resolveu antecipar seu contragolpe soprando com a flauta uma melodia que gerava em torno dele projeções arroxeadas e luminescentes de ícones de notas musicais, os quais mandou direto às Rangers como flechas disparadas. Zoe impediu que fosse atingida, destruindo os ícones com o ferrão em movimentos ágeis. Jessie também realizava o mesmo com as garras conforme o flautista criava e mandava novos a uma velocidade progressiva.


— Pode mandar mais que a gente faz picadinho! — disse Jessie.


— Vocês que pediram! — disse Hameghost soprando a melodia com mais rapidez nos dedos e produzindo mais ícones musicais que vieram em peso contra elas, desafiando a agilidade e a percepção. Num dado instante, havia chegado ao limite, a enxurrada de notas projetadas as atingindo com estouros de faíscas nas roupas e no solo — Mas como são lerdas hahaha!


Na casa de ferragens, os garotos eram contatados por Dickerson. Austin prontamente atendeu:


— Na escuta, Sr. Dickerson. — os demais se reuniram perto dele.


— Situação urgente, rapazes. Zoe e Jessie estão batalhando sozinhas contra um flautista maligno que vem hipnotizando crianças com sua música, incluindo o amigo de Zoe. — avisou o mentor ao lado de Karen na Central de Comando — Estão tentando salva-lo, mas receio que o transe não seja facilmente quebrado pois ao que parece o efeito permanece mesmo que a música pare.


— Entendemos, a gente já tá indo. — falou o líder que encerrou o contato e logo sacou sua célula e morfador — Beleza, vamos fazer esse flautista fajuto dançar conforme a nossa música. — os demais se alinharam — Prontos? Hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Gorila Esmeralda!


— Leão Escarlate!


Os garotos enfim surgiram para prover o reforço necessário, as ajudando a levantar.


— Vocês estão bem? — perguntou Owen ajudando Zoe.


— Nós sim, já o Ewan... — disse a Ranger Rosa.


— Contra seis eu duvido que esse cara pálida sai daqui levando ele no bolso! — disse Tim, preparado.


— Levarei qualquer criança como frutas numa cesta! Começando por esse pirralho, um flautista a menos pra competir comigo! — disse Hameghost se interpondo entre Ewan e os heróis.


— Até parece que você vale uma competição pra ver quem toca melhor! Rangers, atacar! — bradou Austin sacando sua pistola Z.


Hameghost soprara a flauta novamente produzindo a bolha de vibração que causara explosões de faíscas entre os Rangers assim os impedindo e derrubando.


— Tem que haver um jeito de arrancar essa flauta dele. — disse Jessie tentando se reerguer.


— Acho que tenho um! — disse Austin levantando — Detonador Max! — avançou disparando com força. Mas Hameghost soprou um ícone musical que se fez de escudo ante aos tiros e foi mandado contra Austin que saltou para cima em esquiva e disparou novamente em pleno ar. Os disparos acertaram o flautista a centímetros em estouros de faíscas, causando uma rápida explosão de fogo.


— Isso aí, Austin, pegou ele! — disse Tim.


— Que pegou nada! — disse Hameghost levantando — Sorte que minha flauta tá intacta!


— A flauta é o calcanhar de Aquiles dele! — apontou Damian.


— Se a destruirmos o transe pode ser quebrado! — disse Zoe, esperançosa.


— Cuidado ao tirarem conclusões precipitadas! — avisou Hameghost agarrando Ewan — Até mais ver, se quiserem insistir no erro!


Teleportou-se com o jovem músico para o desespero de Zoe.


— Ewan, não! — disse ela dando passos apressados na ilusão de ainda querer salva-lo. Se deixou cair de joelhos, desalentada — Falhei com ele duas vezes, eu me sinto péssima...


— Calma, Zoe, vamos todos juntos conseguir resgata-lo e também as outras crianças. — disse Austin tocando-a no ombro — Um tiro fatal naquela flauta e o plano dele já era.


— Eu não tenho mais tanta certeza.


— Vamos lá pro Sr. Dickerson ver se a gente bola uma estratégia. — sugeriu Owen.


— Boa ideia, vem Zoe. — disse Austin a levantando — Vai ficar tudo bem com o Ewan, aquele flautista nojento não pode ter uma carta na manga tão boa quanto a nossa.


— Isso se tiver um plano eficaz que anule o efeito da música em larga escala. — disse Damian.


— É o Sr. Dickerson, ele tem sempre uma solução ideal pra reverter. — disse Jessie — Se tinha como anular a música daquele monstro da rádio, acredito que também seja possível contra essa da flauta do mal.


— Confio na genialidade dele, deve haver algo que possamos usar como arma secreta. — disse Austin, otimista — Vamos nessa. — todos apertaram os botões de teleporte, chegando a Central de Comando como pilares de luzes nas respectivas cores.


— Olá, Rangers, lamento que a tentativa de resgatar o garoto músico tenha falhado. — disse Karen virando-se para eles na cadeira giratória.


— Vimos que passaram a focar na flauta de Hameghost encarando como um suposto ponto fraco. — disse Dickerson se aproximando dos heróis que tiravam seus capacetes e os deixabam na mesa de vidro — Eu não apostaria alto nisso.


— Ele deu a entender que sim, então achamos coerente. — disse Damian — Mas talvez possamos estar enganados, só vendo através do óbvio quando devíamos ir além.


— E se tomando a flauta das mãos dele pudéssemos descobrir a melodia que reverta o controle? — teorizou Austin que sentira um alento esperançoso — É, pode ser possível, roubamos a flauta e depois o destruímos.


— Mas ele é o dono da flauta, sendo assim é o único que sabe as notas pra tocar e desfazer o feitiço. — disse Owen em contrariedade — Destruir ele logo depois de pegar a flauta pode não ser vantajoso.


— Existe a possibilidade de não desvendarem a melodia correta. — disse Dickerson — Deve ser como um código ultrassecreto, o que exigiria captura-lo para o forçarmos a falar.


— O que com certeza não tem a menor chance de acontecer. — reforçou Jessie — Mal conseguimos chegar perto dele.


— O que foi, Zoe? Parece muito abatida, estressada... — reparou Karen.


— É o Ewan, o garoto músico que o Hameghost adicionou na lista de crianças cujos sonhos vão ser transformados em pesadelos. Acabei de conhecê-lo, mas me importo com ele como se já fôssemos amigos há anos. Ele tem que sair dessa pra tocar no festival do colégio amanhã, tem um futuro brilhante e eu não posso deixar aquele flautista insolente arruinar isso.


— Opa, vai com calma, não esquece que essa briga é de nós seis. — disse Jessie a tranquilizando com afagos nas costas.


Tim estalou os dedos com um sorriso otimista, o que tipicamente fazia quando lhe acendia a lâmpada de uma boa ideia em sua mente.


— Já sei o que pode desarmar o flautista dos pesadelos!


— Ideia sua, Tim? Tô até com medo de ouvir. — implicou Owen.


— Escutem só: e se eu usasse meu talento pra cantar, mas usando o sintetizador do Damian com umas melhorias pra espalhar um som que quebra o efeito da flauta, hein? O que acham?


— Tirando a parte do talento, eu concordo. — disse Jessie levando Zoe a rir ao seu lado.


— Ou que tal utilizar um aparelho que seja um amplificador combinado a esse sintetizador que Damian invento? — propôs Dickerson.


— Faz todo o sentido, a onda sonora de um instrumento anular a de outro em uma amplitude que cubra toda a cidade. — aprovou Damian, entusiasmado — O senhor é um gênio.


— Vocês dois são. — disse Zoe tocando no ombro do Ranger Preto e mais calma — Torço pra que seja um instrumento que faça a música daquele monstro cair pro volume zero.


— Vou cuidar disso agora mesmo, sei exatamente o que transformar no amplificador. — disse o explorador que logo saíra da sala a largos passos rumo ao laboratório.


— Aí, Karen, gostaria de ouvir minha voz de veludo cantando? — perguntou Tim gabando-se e ajeitando a gola da jaqueta com charme.


— Só espera ela buscar tampões pra não sentirmos efeitos colaterais. — brincou Zoe.


— Tudo bem, sou toda ouvidos. — disse Karen, sorrindo curiosa — Não sabia que tem dote pra canto, Tim, me deixou com vontade de escutar.


— Dá uma chance, Karen. Ele não é tão mau. — falou Austin que tapou a boca recebendo um olhar reprovador de Tim — Escapuliu sem querer de novo, Tim, foi mal. Não quer o sintetizador?


— Primeiro ela vai ouvir minha voz natural. — disse Tim que começou a pigarrear forte. Mas logo que abriu a boca de olhos fechados, o alarme soara barulhento. A tecnóloga rapidamente voltou-se aos computadores, pondo na tela a localização rastreada.


— Hameghost está atuando nessa área no litoral, deve estar em uma dessas cavernas mantendo as crianças reféns. Melhor vocês irem, aviso quando Dickerson tiver terminado.


— Beleza, Karen, pode apostar que dessa vez separamos a flauta do flautista. — disse Austin.


— Ma-mas e a palhinha que eu ia dar? — indagou Tim, frustrado, logo sendo puxado por Damian pelo braço.


— Anda, cabeção, outra hora você ensaia.


Os heróis pegaram seus capacetes e se alinharam lado a lado.


— Muito bem, Rangers, de volta a ação! — bradou Austin pondo de volta o capacete.


Numa gruta, Hameghost contava com um número elevado de crianças atraídas por sua música hipnotizante, todas como uma plateia diante de seu show ainda sonhando "acordadas". Ewan, em especial, imergia num sonho confortável no qual subia o palco do festival para um numeroso público naquela que soava uma noite de gala, o músico usando um terno preto elegante sob uma chuva de aplausos. No meio da multidão, seus olhos felizes cravaram em uma espectadora particular.


Era Zoe, também elegantemente vestida, sorrindo e acenando para ele e dizendo alguma coisa que, porém, foi inaudível devido as salvas de palmas.


Hameghost sugava por meio da flauta as energias vitais das crianças como uma fumava violeta exalada dos olhos. Seu vigor crescera.


— Eu não imaginava que era tão gostoso! Estou pronto pra mais uma rodada! Agora que são inúteis pra mim, durmam e sonhem com os monstros mais terríveis de seus pesadelos, haha!


As crianças caíam gradativamente em sono profundo, sujeitas a pesadelos com seus maiores temores. Os Rangers chegaram a região em saltos supervelozes.


— Acredito que seja naquela ali, detecto assinaturas de calor que condizem com biologia humana! — dissera Damian.


— Então vamos tira-las de lá! — disse Austin. Mas antes que os Rangers avançassem, Hameghost resolveu aparecer sentindo-se uma barreira intransponível sobre uma pedra média.


— É tarde para o resgate, meus caros ouvintes!


— Não pode já ter se alimentado delas... — disse Zoe, sua preocupação ao máximo.


— Não só me alimentei delas como já as encomendei para o mestre Lokknon, logo mais serão seus prisioneiros obedientes!


— Por que não desce daí pra testar sua força hein? Será que ficou tão forte assim depois do lanchinho? — desafiou Tim.


— Ué, cadê o Owen? — perguntou Jessie.


O Ranger Verde apareceu de súbito saindo detrás de uma rocha praiana num salto de giro vertical, pousando bem próximo a Hameghost e logo o desarmando com um chute tornado do kung fu. A flauta caíra perto, Owen saltando e assim pegando-a depressa. Se juntou aos amigos como se segurasse um troféu.


— Nem eu tô acreditando! Consegui pegar!


— Isso aí, Owen! Agiu veloz como um ninja! — felicitou Austin.


— Devolvam minha flauta, sem ela minha arte está morta! — disse Hameghost que pulou da pedra e avançou contra os heróis mostrando habilidades combativas. Alvejou Owen primeiramente, desferindo chutes. Jessie e Zoe vinham como reforços, mas o flautista defendia-se dos golpes sabendo lutar simultaneamente num embate de três contra um.


— Pega aí, Damian! — disse Owen jogando a flauta para Damian. Hameghost avançara raivoso, mas tomara um chute de canela na barriga por Austin que apenas o freiou.


— Mostra pra mim agora! — disse o líder posicionado a luta. Hameghost foi dando golpes precisos, mas defendidos por Austin numa luta equilibrada de socos e chutes. O Ranger Vermelho saltou dando uma rápida sequência de chutes potentes no peito do flautista o empurrando contra uma rocha. Ao mover-se para dar uma rasteira nele, o flautista pulou esquivo, logo chutando-o de frente, depois num giro aplicando outro chute mais eficaz que lançou-o meio longe.


— Austin! Cê tá legal? — indagou Zoe o ajudando a levantar.


— Tô sim, Zoe! Ele bate forte, mas não é tão bom assim! — o flautista mirou no Ranger Preto corre do ate ele, mas Tim o barrou com ataques das Barbatanas Cortantes que provocaram explosões de faíscas — Damian, joga a flauta pra mim! — o pedido de Austin foi atendido, elevando a fúria do flautista.


— Essa brincadeira acaba agora! — disse Hameghost que foi dando cambalhotas como um arlequim até Austin. Damian, Jessie e Tim dispararam lasers das pistolas Z causando estouros de faíscas, porém sem atingi-lo. O flautista moveu-se incrivelmente ágil, chutando a flauta das mãos de Austin mantendo as mãos no chão após a última cambalhota. A flauta voou no ar e foi pega por seu legítimo dono que saltou em afastamento para outra rocha.


— Hora de mexerem o esqueleto! — disse Hameghost que logo tocava uma melodia que os fazia dançarem de modo que atacassem uns aos outros.


— Eu prefiro as aulas de zumba da minha tia Tracy! — disse Tim que acabou dando um chute em Damian nos passos da dança — Foi mal, amigão!


— Ewan... Não posso desistir de você... — dizia Zoe, resistindo ao controle ao limite — Não somos suas marionetes... Colete Zoomorph! Cartão da Fera! — inseriu o cartão na entrada do colete forçosamente — Modo... Fúria Animal!


A armadura rosa modificou o traje surgindo num brilho ofuscante. O poder aumentado a imunizou contra a melodia controladora.


— Seu controle sobre meu corpo não tem mais efeito!


Hameghost seguiu tocando, dessa vez criando novos ícones musicais que disparou contra a Ranger Rosa com seu poder telecinético. Zoe disparou as bolhas explosivas do seu hidro-canhão, destruindo a enxurrada de ícones.


— Arpão da Fúria! — bradou ela, lançando seu arpão no braço direito. A arma cravou na flauta que foi arrancada de Hameghost, o que livrou os demais do domínio — O jogo virou! — jogou a flauta para cima, logo disparando as bolhas que a fizeram em pedaços.


— Não, minha flauta! — lamentou Hameghost — Malditos pestinhas, ganharam a batalha mas não a guerra! — teleportou-se em retirada estratégica.


Os Rangers parabenizaram a coragem audaciosa de Zoe.


— Yeah, Zoe, você foi ótima! — disse Austin.


— Foi a única que resistiu ao ponto de acessar o modo Fúria Animal e ainda derrota-lo! — reforçou Owen — Acho que foi seu desejo intenso de salvar o Ewan. Ou tô enganado?


— Você acertou, a vontade que sinto me levou a um nível de força que eu nem sabia que tinha. E preciso continuar usando dela pra resgatar o Ewan e as outras vítimas. — disse Zoe que logo foi correndo até a caverna.


— Zoe, espera aí, vamos com você! — chamou Jessie quase correndo.


— Eu vou verificar, depois chamo vocês! — disse ela que adentrou na caverna semi-escura repleta de poças d'água e estalagmites. Deparou-se com as crianças adormecidas sendo carregadas por Psycho-Bots que vinham recolhe-las — Larguem elas agora!


Mas ao avançar, ficara presa numa grande teia de aranha, seus movimentos limitados.


— Ah não... Que tipo de aranha faz uma teia desse tamanho? — questionou tentando desvencilhar-se aflita.


— Do tipo que captura presas fáceis como... garotinhas sentimentais e ingênuas. — disse Aracna surgindo da escuridão.


— Aracna! Tinha que ser você mesmo! Não entendo... Destruí a flauta, como não acordaram do transe?


— Hum, talvez porque... Ahn, Hameghost já fez sua refeição e a flauta destruída as faria acordar se ainda estivessem sonhando acordadas. Que peninha pra você, seu amiguinho não vai realizar o maior sonho de vida dele porque sua admiradora não o salvou. Quando ele acordar, já como escravo do mestre, saberá a verdade.


A princesa aracnídea dera uma risada de escárnio antes de teleportar-se.


— Ewan, não! — disse Zoe forçando cada fez mais para se desprender das teias. Destravou o arpão e foi cortando devagar até finalmente libertar-se. Os amigos vieram correndo.


— Zoe, você tava demorando! O que houve? — indagou Austin.


— Levaram todos. — lamentou a Ranger Rosa, cabisbaixa — Os Psycho-Bots as sequestraram. Lokknon venceu e falhei com o Ewan pela 3ª vez! — num rompante de raiva, cravou o arpão na parede.


— Calma, nada tá perdido! — disse Jessie amparando a amiga.


Karen fazia contato.


— Rangers, devem ir a zona sul agora. Hameghost colocou uma escola primária sob sua mira.


— Mas a flauta dele ja era. — contrariou Owen.


— Ele é capaz de retirar uma novinha em folha do seu corpo. Ah, e Dickerson avisou que o amplificador está quase pronto.


— Beleza, vamos nessa! — disse Austin. Os seis teleportaram-se dali.


O flautista malévolo tocava sua melodia sentado no galho de uma árvore vendo suas vítimas serem atraídas pela música no pátio da escola durante o recreio.


— Isso, venham todos, sonhem enquanto ainda podem ao som da minha inebriante canção!


Porém, tiros de laser o derrubaram da árvore.


— Seu festival foi cancelado, Hameghost! — disse Austin parando de correr com os demais, os seis prontos para o próximo round.


— As crianças... estão saindo do pátio! — apontou Jessie.


— Se virem pra cá estarão em perigo devido a luta! — alertou Damian.


— Austin, o que faremos? — indagou Owen.


O líder pensava olhando para Hameghost e suas novas vítimas se aproximando hipnotizadas.


— Vamos esperar o Sr. Dickerson terminar.


— Mas ele vai se alimentar da energia dos sonhos dessas crianças, é só durante esse tempo que podemos quebrar o transe! — revelou Zoe.


— Estão indecisos? Eu sugiro que fujam e se rendam! — falara Hameghost, soberbo.


— Grr, mas que droga! — explodiu Austin socando a palma esquerda.


As crianças anteriormente drenadas eram postas numa nave compacta pelos robôs. Já na Central de Comando, Dickerson veio até Karen com um instrumento em particular.


— Voilá. — o mentor mostrou, o que não deixou a tecnóloga impressionada.


— Bom... É uma escaleta bem conservada.


— Não é apenas uma escaleta qualquer. Ela possui o amplificador acoplado como um microship na parte de baixo. Além do mais, usei ela no festival de talentos quando estava no 5⁰ ano.


— Cientista, engenheiro, explorador e músico... Quais outros talentos você esconde?


— Talento pra música? Eu era péssimo tocando essa coisa. É só uma das muitas tralhas que guardei no armário do esquecimento. — disse Dickerson mexendo no painel — Mas essa tralha é que vai salvar o dia — fizera contato com os Rangers — Crianças, já estou enviando a arma secreta com o amplificador.


— Deixa que eu toco! Quero fazer justiça pelo Ewan e todos que foram afetados! — ofereceu-se Zoe.


— Como quiser, Zoe. É toda sua. — falou Dickerson, logo teleportando a escaleta às mãos dela.


— Um piano pra principiantes?! — disse Tim.


— Não, é uma escaleta, também um instrumento de sopro. — corrigiu Damian.


— Já vi um concerto de música onde tocavam uma dessas. Lá vou eu! — disse Zoe que saltou para um prédio de altura considerável.


— O tubo pode ser conectado à boca do capacete, assim pode soprar como se não houvesse nada se interpondo. — avisara Dickerson.


— Entendido! — disse Zoe colando a ponta do tubo à saída de voz do capacete. Soprou forte teclando para criar uma melodia única. O som propagou-se com uma onda extensiva e suficientemente capaz de se sobrepor a flauta de Hameghost. O flautista se queixara como se sofresse de uma dor aguda nos ouvidos, até largando sua flauta.


— Aaaahh, alguém faça parar essa música agoniante! Quem está tocando esse horror? Meus tímpanos estão latejando! Aaaaahh!


As crianças retornavam ao normal com o transe anulado.


— Voltem pra escola, não é seguro aqui! — mandava Jessie, as crianças correndo de volta.


Com Hameghost desestabilizado, a chance estava mais do que palpável. Owen se colocou a frente para dar cabo do flautista com o Macro-Detonador.


— Fica paradinho! — piscou o flash paralisante, imobilizando Hameghost — Preparar, apontar... Fogo! — o tiro do canhão foi lançado, atingindo Hameghost que caiu explodindo fatalmente.


— Barooma, laser regenerador! — ordenou Lokknon, colérico.


— Prontamente, mestre! — disse o subalterno apertando o botão vermelho que disparou o raio verde. Hameghost fora revivido e gigantizado para o terror dos cidadãos. O flautista mirou em Zoe ainda no prédio.


— Então foi a garota rosa que me torturou! Vou ensina-la com quantas notas se faz uma música genuinamente bela! — soprou sua flauta, a onda sonora empurrando Zoe para longe do prédio, a Ranger Rosa gritando na queda.


— Zoe, tá tudo bem? — perguntou Jessie ajudando-a.


— Eu sim, a escaleta por outro lado... — mostrou o instrumento quebrado e faiscando, destruído pela onda arrasadora.


— Temos que vence-lo antes que ele toque pra controlar a cidade toda! — disse Austin que ergueu sua mão direita — Precisamos do poder Megazord agora!


Os zords vinham dos hangares a mil por hora rumo ao campo de batalha, seus pilotos logo saltando aos cockpits.


— Chaves de Comando! — inseriram-as e giraram — Ligado!


— Sequência Megazord, ativar! — bradou Austin.


As máquinas animais conectaram-se, logo formando o Megazord Z que pousou frente a Hameghost.


— Música de verdade merece ser tocada no volume máximo! — disse Hameghost que lançando ondas sonoras contra o robô gigante que explodiam faíscas ao redor.


— A mobilidade caiu pra 50%! — alertou Damian.


— Mesmo assim, vamos em frente! Escudo Selvagem! — chamara Austin pela arma defensiva que surgiu na mão esquerda do robô.


O Megazord foi adiante defendendo e rebatendo as ondas que explodiam em torno de Hameghost.


— Gosta da sua música agora? — perguntou Zoe.


Hameghost não se abateu e produziu seus ícones musicais que disparou como balas explosivas ao ponto de derrubar o Megazord.


— E se eu fizer esses animais de lata se separarem com o poder da minha música?


Mas antes que soprasse, o flautista foi atingido pelas tropi-granadas. O Gorila Esmeralda somava-se a luta para a alegria dos heróis.


— É chato ficar só assistindo! — disse Owen levando seu zord a reerguer o Megazord.


— Boa, Owen! — falou Austin — Valeu mesmo!


— Umas bombinhas não me intimidam! Como será um gorila dançando?


Owen se pôs frente ao Megazord em proteção.


— Quem vai dançar é você, qualquer-nota! — disse o Ranger Verde lançando mais tropi-granadas, uma delas bloqueando a saída da flauta e explodindo-a.


— A música está no meu DNA, não apenas na minha flauta, tolos! — disse Hameghost gerando somente com sua vontade ícones musicais que disparou aos heróis, as explosões os atordoando.


— Rangers, aguentem firme! Zoe, seu protezord foi desbloqueado! Acho que vai querer leva-lo pra sua casa. — anunciou Dickerson.


— Meu protezord... Ótimo, cadê ele?


Um distinto ponto rosa saltitava pelos prédios. Era um gracioso coelho robótico pulando e movendo seu nariz farejador.


— Oh, mas é um coelho! Que gracinha! Será que dá pra deixar ele menor? Queria adotar!


O protezord transformava-se na arma que foi programado a ser: um aspirador de energia. Ligou-se as costas do Megazord, o pescoço esticando para a cabeça servir a sucção. Hameghost liberava mais ícones contra ambos os robôs, mas o Megazord assumiu a dianteira.


— Ativar sucção! — disse Zoe, o boca do coelho abrindo e aspirando as notas musicais. A energia percorreu o túnel no pescoço do protezord, depois concentrada e alterada no compartimento traseiro para enfim ser disparada como um raio que explodiu no peito de Hameghost.


— Sabre Selvagem! — disse Austin, a espada vindo a cair na mão direita do robô — Insígnia Feroz! — o círculo com os emblemas animais foi feito em sentido horário.


— Partir! — disseram em uníssono, a espada cortando o círculo que atingiu Hameghost. O flautista cambaleou faiscando raios até cair e explodir tremendamente.


Karen informava um aviso alarmante aos heróis:


— Rangers, ajam depressa! A nave que transporta a primeira leva das vítimas de Hameghost está decolando. Está dez quilômetros ao norte.


— Ewan... — disse Zoe, seu coração palpitando.


— É nossa chance de resgata-las! Jessie, hora de levantar voo! — declarou Austin.


— OK! Asas de Águia, liberar!


As asas da Águia Flavescente abriram-se levando o robô a alçar voo. Sobrevoando a cidade, o Megazord tomava proximidade da aeronave subindo a igual ritmo.


— Falta pouco... — disse Austin, o robô esticando o braço direito para pegar a nave como quem captura um inseto — Pegamos! — o robô permaneceu pairando enquanto os cinco saíam correndo pelo braço tal qual uma ponte até a nave. Entraram usando as pistolas Z abrindo a lataria no comportamento de carga.


Ao invadirem, depararam-se com as crianças que foram de amedrontadas a aliviadas em uma fração de segundos com a aparição de seus estimados salvadores.


— Estão salvos agora! Todo mundo se juntando a nós! — mandou Austin — Venham!


— Toquem na gente, vamos dar o fora daqui! — falou Tim. As crianças o fizeram parecendo um grande abraço coletivo. Os Rangers apertaram os botões de teleporte, levando todos de volta ao solo da cidade no meio da praça.


Com um peteleco, o Megazord mandara a nave danificada direto ao espaço. A mesma bateu na nave de Lokknon, explodindo. As crianças fizeram coro animado, gratas aos heróis saudados com intensa ovação.


— Você se sente bem? — perguntou Zoe a Ewan.


— Sim... Bem melhor agora que fomos salvos. Lembro que caí no sono e... tive pesadelos horríveis com monstros por toda parte, parecia que eu tava vivendo o pior dia da minha vida.


— Pode voltar a sonhar com o que quer que queira conquistar. — tocou-o no ombro, consoladora — O pior já passou.


***


Na noite do festival de talentos, realizado na própria quadra esportiva do colégio, Zoe surpreendeu-se com a vinda dos garotos.


— Eu preciso ser beliscada pra acreditar no que eu tô vendo. — disse a Ranger Rosa, bem vestida, sorridente — Nossa, vocês vieram só pelo Ewan!


— Se o Tim não tivesse desistido de última hora, teria sido por ele. — disse Austin que recebeu um olhar reprovador de Zoe com um sorriso contido. O líder desatou a rir — Brincadeira!


— Independente de qualquer razão ou circunstância, viríamos sim pelo Ewan. — disse Damian.


— Porque de quebra faríamos você feliz. — disse Jessie abraçando a amiga de lado a esquerda, as duas entreolhando-se sorrindo.


— Até o Owen resolveu vir. — disse Tim em tom brincalhão — Superou a ciumeira.


— Aí Tim, não quer contar pras meninas porque você desistiu do festival? — provocou Owen perto do Ranger Azul dando cotoveladas leves no braço dele.


— Eu larguei de mão porque... eu mexi no sintetizador e minha voz ficou parecendo a de um esquilo rouco.


— Vai levar dias pra consertar. — contou Damian — Ai, ai... — revirou os olhos.


— No próximo ano você tenta de novo, mas vê se não faz burrada. — aconselhou Zoe — Vamos, pessoal, nossos lugares estão reservados, vem.


A apresentação de Ewan iniciou na metade do festival. O músico subira ao palco usando um terno branco com gravata dourada e portando seu saxofone. Tocara expressando suavidade e fino trato na composição musical.


Ao fim do show, a plateia ergueu palmas, gritos e assobios. Porém, Ewan só tinha olhos para uma espectadora. Zoe aplaudia-o com sorriso largo e olhar de admiração pura e sincera... tal qual no sonho vívido.


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