Power Rangers: Esquadrão Z

44 Personalidade Magnética


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Todas as atenções estão voltadas para a eleição do grêmio estudantil, menos dos Rangers que devem combater e derrotar o monstro Eletroimã a tempo de Damian participar da audiência de candidatos. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

A segunda feira de ciências daquele ano letivo na Angel Grove Middle School movimentava aceleradamente os estudantes na construção e entrega de projetos às mais variadas preferências valendo pontuações desejosas na média para fechar a etapa com saldo positivo, quase um meio caminho andado para uma aprovação máxima e passagem direto a próxima série. Mais especificamente na sala do 6⁰ ano-A, a professora substituta Arianne Webb comandava a sequência de apresentações de trabalhos, mas com uma exigência em relação a Damian, quem sempre se sagrava o maior da classe em todos os quesitos.


— Obrigada... por nada, Caitlin. — disse Arianne de pé próxima a uma estante com certo desprezo no tom e no semblante. A garota que fora chamada a se apresentar não exprimiu uma única palavra devido a sua timidez excessiva e voltava a sua carteira em postura retraída sendo alvo de comentários maldosos de Cindy e suas amigas em cochichos e risadinhas — Vamos lá, continuando a maratona de projetos. Espero que não haja mais ninguém com vontade de tirar zero. Deixa eu ver quem vou escolher agora...


Zoe virou-se para Jessie que sentava atrás dela.


— Qual a necessidade de ser tão severa desse jeito? Ela sabe que a Caitlin tem problemas pra falar em público e por isso precisaria de um teste teórico em vez de ser obrigada a participar da feira como todo mundo.


— Eu tô tentando abrir os olhos de toda a sala sobre o quanto essa mulher tá passando do limite. — disse a Ranger Amarela inclinando-se para falar baixo — Desculpa por você e pelos meninos, mas eu não consigo ficar calada até as próximas férias de verão.


— Não, aguenta mais um pouco, já é o último bimestre, então... — Zoe não continha sua insegurança — Olha, eu não quero que nenhum de nós estrague nossos históricos por causa dela se formos denuncia-la pro diretor.


— Mas temos que arriscar, senão o diretor vai acreditar que ela é maravilhosa, dá o cargo de professora fixa e vamos ter que aturar a entojada por todo o ano que vem.


Arianne ergueu o olhar quando olhava a lista de chamada para anunciar o próximo nome selecionado a se apresentar.


— Damian Lewis Parker, venha para frente da classe e eu espero que tenha acatado minha exigência.


— Sim, senhora. — disse o Ranger Preto levantando e andando até a mesa de Arianne trazendo dois imãs — Aqui está, o projeto mais modesto e econômico que idealizei.


— Ué, cadê o óculos de realidade virtual que permite você fazer um raio-X e exames médicos pra detectar doenças? — questionou Owen, sentado à direita de Zoe, estranhando o amigo vir praticamente de mãos vazias.


— Esqueceu? Ela tinha proibido o Damian de trazer projetos super avançados que fizessem os outros se sentirem inferiores. — disse Zoe.


— Se ela acha o Damian tão bom assim, por que não passa ele de ano logo? — indagou Tim.


— Isso vai contra a exigência dela, não? — disse Austin — Ela jamais faria uma coisa desse tipo, seria facilitar demais e tudo que ela tem feito é dificultar mais nossas vidas de estudante.


Arianne bateu fortemente o grampeador na mesa, olhando mordaz para os Rangers.


— E vou dificultar mais se o grupelho da amizade perfeita continuar tagarelando durante a apresentação. Acham que eu não ouço o que pensam comentar em segredo.


— Nos desculpe, Srta. Webb. — disse Austin se posturando — Vamos prestar atenção agora.


— É, pra variar. Ok, Parker, inicie sua experiência científica e verei se devo adicionar ou descontar pontos dependendo do seu nível de oratória e comprometimento. — disse a "professora" pegando sua prancheta e a caneta.


— Grupelho? Nem a Srta. Paddleton nos chamava assim. — disse Tim — Me senti muito ofendido.


— Shh, Tim, melhor ficarmos quietos ou ela manda todos nós pra detenção. — orientou Austin.


— Ai, adeus média final boa pra gente passar da dureza que foi esse ano. — disse Owen — O Damian é um gênio completo, deve ter vindo com alguma coisa que seja interessante.


Damian pigarreou após colocar os imãs lado a lado.


— Ahn, eu... — iniciou ele com olhadelas tensas para Arianne que o fitava com sobrancelha erguida lhe requerindo um desempenho em concordância à sua genialidade — Bem, eu trouxe estes objetos que são imãs de polaridades inversas. Vou fazer uma explanação prática sobre a diferença de imãs e eletroimãs.


— Interessante, né? — disse Jessie mostrando-se meio entediada com o cotovelo apoiado ma carteira.


— Pro nível do Damian, acho que tá de bom tamanho. — disse Owen meio desconcertado.


— Não tá nada, meu amigão é melhor que qualquer projetinho comum de fundamental. — disse Tim.


— Verdade, o Damian sempre vai além das expectativas, mas foi forçado a ser... medíocre. — disse Zoe, chateada por Arianne.


Damian tornou a olhar para Arianne de modo nervoso e inseguro.


— Se não começar sua demonstração, eu serei obrigada a zerar sua média, Parker. Já descontei três pontos por sua oratória insuficiente.


— Eu preciso de um voluntário que tenha peças metálicas. — disse o Ranger Preto correndo os olhos pela sala — Brock? Stuart? Vocês podiam ajudar, estão sempre com objetos de metal.


— É mesmo, tipo canivetes suíços. — alfinetou Tim olhando torto para a dupla desinteressada no fundão da sala.


— Te ajudar com esse projetozinho de criança do jardim? Problema seu, se vira aí, manezão. — insultou Brock tirando sujeira das unhas com a caneta.


— E agora, quem é que tem projeto de segunda série hein? — provocou Stuart — O mundo deu voltas, hahahahaha! — ria apontando para o jovem gênio.


— Srta. Webb, poderia ceder algum objeto seu de metal, por favor? Um relógio, um anel, qualquer coisa. — pediu Damian gentilmente ao que a professora reagiu com cara feia contrariando.


— Minha função aqui é exclusivamente julgar os projetos, não auxiliar na performance perante a classe.


— Vou só pegar emprestado, são só imãs, não causam desgaste e nem oxidação.


— Eu sei, não subestime meu conhecimento, Sr. Parker. E se voltar a pedir retiro mais pontos e o coloco em detenção até o fim da aula.


— Não pode fazer isso! — protestou Tim levantando.


— Ele só pediu emprestado, não tem nada demais nisso! — reforçou Jessie também ficando de pé em postura desafiadora — Tá sendo injusta.


— Injusta, eu? Mas que audácia a de vocês me desafiar com toda essa marra que seus pais são incompetentes em tirar! — rebateu Arianne aproximando-se dos alunos — Eu só não os coloco em detenção pois ainda não se apresentaram. Bom, vejamos quem pode levar adiante a experiência... Hum, você, Austin. — apontou ao líder Ranger — Não quer emprestar qualquer tralha de metal que tem ai com você? Como essa pulseira, por exemplo?


Austin cobriu discretamente com a manga do casaco vermelho a pulseira do comunicador.


— Ahn, não é bem uma pulseira...


— Sabe que eu imagino que não seja, ela me soa... especial. Me dê.


— É um relógio, só isso, não tem nada de extraordinário. E pode ter partes de metal, mas não acho que vá servir pro objetivo do projeto.


— Então me mostre outro. No seu bolso ou na sua mochila... Creio que sempre carrega pertences metálicos o tempo todo com você.


— O meu... minigame... ele é todo coberto de metal. — disse o Ranger Vermelho baixando a mão até a mochila apoiada nos pés da carteira para pegar o morfador. Jessie se manifestou:


— Mas, Austin, você não tem...


— Peraí, Jessie, tá tudo bem. É pro Damian que vou emprestar, não a ela.


Mas antes que ele retirasse o morfador, uma surpresa vinda de Tim se revelava a turma. O Ranger Azul abrira uma sacola contendo vários tazos metálicos que foram derramados na carteira, todos temáticos do desenho animado favorito dele.


— Aqui, olhem só! Hehe, pensei que tinha esquecido de trazer. Os meus tazos metálicos da Patrulha Estelar, meu desenho predileto. Toma aí, dá esses três pro Damian.


— Ma-mas... — se desconcertou Arianne ajeitando os óculos pequenos. Pegou os tazos, sem outra opção — Passa isso pra cá. São de metal mesmo ou de chocolate? — mordera um como quem verifica a autenticidade de uma moeda — É... São metálicos. — tentou disfarçar a chateação que a corroía por dentro.


— Viu isso? Por algum motivo ela queria porque queria algum objeto seu, Austin. — destacou Zoe sentada atrás do líder que virou-se.


— Tô começando a achar que essa marcação cerrada dela significa algum segredo... Enfim, não é tempo pra pensar nisso e ficar paranoico, vamos assistir a explicação do Damian.


Enquanto isso, Lokknon mantinha seu monitoramento quase constante sobre as vidas dos Rangers e naquele instante em particular, vendo que Aracna desperdiçou uma chance de confiscar o morfador de Austin, se irritara com a subalterna cada vez menos convincente no disfarce.


— Aracna, você é incorrigível! Melhore essa atuação, está agindo como age aqui na minha nave! — repreendeu o imperador.


— Aquele sonho ingênuo de virar atriz de cinema merece ser ainda mais ridicularizado. — opinou Mudok.


— E isso nem é a pior parte, ela simplesmente deixou a oportunidade escorrer pelos dedos! — disse Lokknon erguendo levemente o punho direito cerrado e tremendo dada sua raiva — Uma falta de pulso firme que me envergonha.


— Mas mestre não seria contraproducente agir com pulso firme se Aracna não deve transmitir nenhum traço de sua real personalidade? — questionou Barooma.


O imperador refletiu profundamente a questão.


— Hum... Pensando bem, é um paradoxo que eu não tinha me dado conta antes. Mesmo assim, Aracna precisa de instruções para criar um perfil que se diferencie de quem realmente é.


— Creio que seja tarde pra uma mudança repentina de caráter. — avaliou Mudok — A classe inteira, especialmente os Rangers, já possuem uma imagem fixa dela como professora. Os terráqueos se deixam facilmente levar por primeiras impressões em pura ignorância.


— Grrr, não me conformo, foi o mais perto que já chegamos desde que ela entrou um cena. — reclamava Lokknon, perturbado.


— Se quer tranquilizar seus nervos, mestre, que tal um plano ardiloso contra os Rangers? Vai amenizar sua frustração por um tempo. — sugeriu Mudok voltando-se ao seu soberano.


— Está certo, vejamos... Ah, esses objetos que o Ranger Preto está mostrando são imãs, portanto... Barooma, me dê um monstro com poderes eletromagnéticos de alta capacidade! Ele deve ser apto a provocar uma verdadeira catástrofe na magnetosfera terráquea, hahaha.


— Eu já antecipei que elaboraria um plano fantástico baseado nessa experiência científica banal e já baixei dados correspondentes! — disse Barooma — Só que há um problema emergente e ainda insolúvel, mestre!


— Não vá me dizer que sua argila de modelar bonecos acabou outra vez!


— Mas tão depressa? Somente deu pra um único monstro, o Hameghost? — quis saber Mudok.


— Eu usei resquícios que eu não sabia ainda ter! Não tive tempo hábil para viajar ao planeta onde me fornecem a argila pois estou ocupado desenvolvendo as células de morfagem para o plano-mestre e preciso concluí-las até que Aracna finalmente obtenha um morfador!


— Confia tanto que Aracna tenha sucesso até o fim do ano escolar? Eu duvido. — disparou Mudok.


— Ela ter uma baixa taxa de êxito não invalida o trabalho que estou tendo. A rede de morfagem requer um manejo cuidadoso! Um mínimo deslize e posso colocar toda essa nave a beira da destruição total, estaríamos aniquilados! — explicou o cientista sakorguiano para a aflição de Lokknon.


— Eu não quero saber de prospecções ruins aqui, sejamos otimistas como os Rangers, talvez assim conseguiremos estar a milhares de passos a frente. — disse Lokknon — Como eu não desisto de um plano uma vez definido...


O conquistador galático bateu a mão num botão do braço direito do trono, fazendo um Psycho-Bot ser teletransportado ao meio da sala.


— Mestre, o que pretende fazer com um soldado aleatório? — indagou Mudok.


— Isto! — disse Lokknon disparando do seu dedo indicador um raio púrpura que envolveu o robô como uma corda e o fizera levitar, controlando-o mentalmente até o bio-modelador — Barooma, abra o bio-modelador! Se os Rangers estão num dia de projetos experimentais, nós também faremos o nosso!


O cientista abrira a porta da máquina no apertar de um botão do painel de seu computador. Lokknon jogara o Psycho-Bot dentro da cabine, a porta fechando antes que ele colocasse uma mão fora para tentar sair. Barooma se dirigiu a alavanca.


— Que venha com muita saúde! — baixou-a.


O bio-modelador piscava suas luzes tal qual relâmpagos enquanto a fumaça de vapor branco emergia. Após o processo de metamorfose, o Psycho-Bot saíra da cabine exibindo uma forma robusta cujos passos tremiam o chão com ruídos robóticos.


— Eu me vejo atraído pela Terra como nenhum invasor se sentiu antes! — disse o monstro, seu único olho brilhando em vermelho — Mestre Lokknon, criarei um campo magnético que extraia todo o metal da cidade dos Rangers.


— Eu nem mesmo precisei dar uma ordem, ele já está ciente de seu propósito. — disse Lokknon esboçando satisfação — Seja bem-vindo, velho novo emissário da destruição, hahaha.


— Confesso que eu temia um fracasso trágico pois nunca testamos com máquinas antes. — comentou Mudok rodeando o monstro com poder magnetocinético, surpreso com o resultado — Devo engolir meu orgulho e parabenizar você, Barooma. Já que Aracna não está aqui, vou batiza-lo de... Eletroimã.


— Hoje eu não estou nem um pouco disposto a marcar horário, você irá atacar neste exato momento! — disse Lokknon que bateu sua mão no trono, o teleportando diretamente a Alameda dos Anjos.


Eletroimã surgiu no terraço de um alto prédio, avistando, com sua macrovisão, um edifício em construção que estava em fase inicial com diversas vigas de metal formando o esqueleto arquitetônico.


— Que vista mais paradisíaca para meus sensores! Encontrei meu ponto de partida! — disse Eletroimã que gerou um campo de força em torno de si e saiu voando rumo a zona de obras como se preso numa bolha.


Vários dos trabalhadores observaram a chegada do intruso com assombro e recuo.


— Alguém chama os Power Rangers, apareceu um robô maluco querendo tomar o prédio! — disse um deles que correra apavorado — Eu vou me mandar daqui!


Os demais repetiram o ato, a correria em simultâneo aos gritos de histeria. Eletroimã desfez do campo e pousou com intenso impacto no solo, magnetizando vigas de aço empilhadas nos cantos e na base do empreendimento. As ondas magnéticas ondularam forte direto aos alicerces que foram erguidos e sendo atraídos retorcendo-se.


— Me ocorreu uma ideia excelente para extrair todo o metal existente! — disse Eletroimã, desenfreado e obcecado no seu intento, seu único olho piscando mais intensamente.


Em paralelo, acontecia na quadra coberta da Angel Grove Middle School, durante o intervalo, a cerimônia de eleição para o presidente do grêmio estudantil que exerceria o cargo no seguinte ano letivo. Os alunos lotaram o espaço, as classes organizadas em torcidas pelos seus candidatos favoritos a assumir um dos mais disputados postos de liderança na escola. O diretor Brewster subia empolgado no palco montado para proferir ao microfone:


— É com grande prazer que damos início ao processo eleitoral para selecionar o mais novo dirigente do nosso grêmio estudantil. Daqui há pouco chamarei os candidatos de cada turma para que façam discursos apresentando suas propostas, enquanto isso votem conscientemente inserindo a cédula naquela urna. Assim que acabarem, o Conselho fará a contagem dos votos em torno de quinze minutos. Comecem. — disse ela diretor com entusiasmo na face e na voz — Ah, uma observação: haverá prova extra para quem se abster do voto. Vocês tem vinte minutos.


— O quê? Mais prova pra quem desistir do voto?! — se atemorizou Tim junto aos amigos indo para a fila de votação.


— Por acaso, um certo alguém se encaixa nessa terceira via proibida? — perguntou Damian atrás dele com um semblante de suspeita com sorrisinho de canto


— Hehehe, eu não tava querendo dizer isso, é claro que vou votar no meu irmãozão. — respondeu o Ranger Azul tocando-o no ombro — Mas por que você também tá na fila, Damian? É o favorito ao título, não devia votar.


— Se liga, Tim, até os candidatos da política são permitidos a votarem em si mesmos nas eleições pra presidente. — disse Austin um pouco a frente na fila.


— Ao menos o sistema de votação do colégio não dá dor de cabeça pra entender. — opinou Zoe — Bem mais democrático até.


— Tô com o maior frio na barriga. — disse Jessie — E olha que até pensei em me candidatar hein.


— E por que não fez isso, Jessie? — indagou Austin — Na minha opinião, você daria uma candidata que disputaria acirrada com o Damian.


— Ficou com medo de competir comigo, foi? — provocou Damian de modo brincalhão.


— Digamos que sim, afinal eu tenho a obrigação de reconhecer que um dos meus melhores amigos tem uma chapa de apoio bem forte. — falou a Ranger Amarela orgulhosa do amigo — Só que... se a Cindy soubesse que me candidatei, ela também faria isso só de pirraça pra provar que é a melhor.


Tim sonhara acordado com a possibilidade.


— E se a Cindy se candidatasse, eu... — porém, voltou a realidade recebendo olhares de repreensão dos amigos — Teria votado na Jessie, óbvio, hahahahah. — riu de nervoso.


Os comunicadores tocaram para a apreensão imediata dos heróis.


— Droga, mas tinha que ser logo agora? — disse Jessie — Temos que colocar nossos votos.


— Mas não podemos recusar um chamado. — disse Austin — Por aqui, sigam-me.


— Ei, Aaron, guarda nossos lugares na fila, tá legal? — pediu Tim ao garoto que votaria após ele, o colega fazendo que sim com a cabeça.


Os Rangers se encaminharam até o vestiário masculino. Austin atendeu ao contato.


— Na escuta, Sr. Dickerson.


— Rangers, venham aqui depressa, por favor. Sei que estão numa tarefa importante, mas precisam se informar dessa emergência crítica.


— Tudo bem, estamos a caminho. — falou Austin, logo desligando. Os cinco apertaram os botões de teleporte, virando pilares de luzes coloridas que desapareceram no vestiário para surgirem na Central de Comando — Qual é o problema?


— Já ouviram falar na lei da atração? — perguntou Karen pondo na tela só monitor principal imagens de Eletroimã causando danos na zona de obras.


— A nossa lei é sempre atrair encrenca. — disse Tim — Tipo essa.


— Pelo visto, o Lokknon apreciou meu experimento. — comentou Damian olhando as imagens das vigas de aço sendo levitadas pelo poder magnético do monstro.


— E acho que a nota dele foi dez pra ter que fazer um monstro que logo de cara já sei que não é moleza. — apontou Jessie, temerosa.


— Não se preocupem quanto ao eletromagnetismo desse grandalhão, já pré-instalei uma proteção nos coletes Zoomorph pois vão precisar como item indispensável. — disse Dickerson — Cadê o Owen, trocou o colégio pelo dojo de novo?


— Pois é, ele tá dando prioridade às artes marciais pra conquistar a faixa laranja em poucos dias. — relatou Zoe.


— Se não fosse pelo Damian, ele estaria em maus lençóis. — disse Austin — Bom, pelo menos ele não corre risco de reprovar por falta. Tomara que ele avance pra laranja logo.


— Melhor irem rápido, os trabalhadores evacuaram a área que foi dominada por esse monstro nomeado de Eletroimã. — avisou Karen.


— Que criativo. — comentou Jessie, revirando os olhos.


— O que é esse trambolho flutuando? — indagou Tim.


— São as vigas de aço que ele aglomerou com seu magnetismo, vocês tem que ir até lá e descobrirem o que planeja. — dissera Dickerson — Uma coisa é certa: ele não vai brincar com isso feito um gato com um novelo de lã.


— Peraí, o Damian não pode vir conosco. — disse Austin — Ele tá concorrendo a eleição pra presidente do grêmio, logo logo o diretor vai chama-lo quando terminar a votação.


— E ainda nem chegamos a votar. — completou Zoe.


— Eu posso ir tranquilo, a contagem dos votos só vai acontecer após o horário do intervalo. — amenizou Damian — Temos tempo hábil pra derrotar esse Eletroimã, ainda mais se o recurso de proteção nos coletes nos tornar imunes.


— Sr. Dickerson, não tem como usar os clones holográficos? — indagou Austin.


— Pra gerar clones nas suas formas civis, exige amostras de DNA e requer algum tempo que pode ser meio custoso a vocês em relação ao grêmio. — explicou o mentor aproximando-se — Mas confio que serão rápidos em livrar a cidade desse imã vivo o quanto antes.


— Chamamos o Owen caso tenham dificuldades. — assegurou Karen.


— OK, não vai dar tempo de votarmos, mas não faremos você, Damian, perder a chance de fazer o discurso. — disse Austin.


— Discurso da vitória, melhor dizendo. — disse Tim abraçando de lado o Ranger Preto.


— Verdade, nossos votos nem fazem tanta diferença quando sabemos que você é o maior favorito da classe. — disse Jessie.


— Mas se tivermos passado do horário na luta, você terá que voltar ao colégio, com ou sem nós. — alertou Zoe.


— E pensar que fiquei tenso achando que iam protestar severamente contra minha decisão de participar da missão. — falou Damian, mais seguro de si e quanto aos demais.


— Concordamos que o melhor é você ficar de fora por hoje, mas já que o Sr. Dickerson acredita que vamos vencer a tempo da eleição, então tá liberado pra chutar o traseiro desse imã tamanho família. — disse Austin sacando a célula e o morfador, logo virando-se com os braços estendidos para encaixar os itens tal qual os demais — Prontos? É hora de morfar!


— Touro Ônix!


— Tubarão Cobalto!


— Arraia Rósea!


— Águia Flavescente!


— Leão Escarlate!


Os Rangers rapidamente chegaram ao local e observaram de uma distância segura, mais precisamente o terraço de condomínio, a esfera de metal retorcido ser alimentada com mais vigas atraídas nos arredores além de outras peças metálicas. Os heróis notaram as ondulações do campo eletromagnético como uma bolha envolvendo a esfera.


— Olhem, parece que tem tipo um campo de força protegendo aquele troço! — apontava Tim.


— É um campo magnético, ele transformou aquilo num imã gigantesco! — aferiu Damian — E se nutre de todo metal à volta a um determinado espaço, uma extensão que tende a aumentar em conformidade ao nível de atração.


— E quanto mais cresce, mais alcance ganha pra sugar mais metal. — ressaltou Austin — Desse jeito o metal da cidade inteira vai ser atraído!


— O único modo de anular a magnetosfera daquilo é destruindo Eletroimã, disse eu tenho absoluta certeza, não há outra opção.— falara Damian a esquerda do líder.


— Por mais dificil que possa ser, não vamos baixar a guarda nem pensar no pior! Rangers, atacar! — disse Austin, o quinteto logo saltando superveloz até a área de construção.


Eletroimã magnetizava mais vigas de metal nas redondezas da zona para somar a esfera magnética, porém foi interrompido com ataques sucessivos dos Rangers em alta velocidade de todas as direções, seu corpo soltando faíscas.


— Quantos ousam me atacar tão covardemente? Apareçam!


Os heróis se reagruparam atrás dele.


— Cinco! — respondeu Tim — Tá bom ou quer mais?


— Não é mais covarde do que o que você vem fazendo! — disparou Austin. Eletroimã virou-se para encara-los e se enfureceu — Desliga o magnetismo daquela coisa ou vamos forçá-lo!


— Estão me dando uma escolha?! Eu já decidi muito antes e não serei obrigado a trair a honra do meu mestre Lokknon! Sumam do meu território!


— Daqui a gente não sai até acabarmos com você! — disse Austin — Punhos Selvagens! — invocou suas armas e os demais fizeram com as suas logo em seguida — Ao ataque!


Os heróis correram até Eletroimã que através de seu poder magnético arremessava vigas contra eles. As estruturas batiam violentamente nos corpos dos Rangers derrubando-os quase que em simultâneo.


— Prontos pra desistir? — indagou o monstro.


— Jamais! — disse Austin com fervor ao levantar e afastar a viga que o atingiu — Bombas ferozes! — disparou com os canhões dos punhos selvagens, mas Eletroimã defendeu-se com um campo magnético que absorveu o ataque, logo lançando ondas magnéticas que acertaram os heróis causando explosões de fogo em volta deles os fazendo cair.


Os Rangers reergueram-se, Jessie logo saltando para desferir golpes, primeiro com dois chutes no rosto e depois voltando ao chão para atacar, em alguns giros, com suas garras raptoras as quais pareciam inócuas não fazendo mais que faíscas no corpo de alta durabilidade do monstro.


— Não vai reagir? Só vai ficar se afastando? — disse a Ranger Amarela.


— Está confundindo as coisas, eu não sinto nada! — disse Eletroimã que logo a chutou no peito contra blocos de concretos a certa distância que quebraram-se com a queda.


— Jessie! — disse Damian que avançou ao monstro, logo batendo sua marreta que causou uma forte onda de terra contra Eletroimã. Porém, a criatura magnética fora empurrada pela onda sem sequer tirar os pés do chão.


— Ele é resistente demais! — disse Zoe ajudando Jessie — Parece até que absorve o impacto dos nossos ataques!


— Não tenho paciência pra lidar com crianças intrometidas! — dissera Eletroimã que bateu suas garras de imã no solo expandindo uma potente onda magnética que subitamente arrancou os Rangers do chão como se estivessem em gravidade zero. As armas dos heróis foram atraídas até Eletroimã que as prendeu num pequeno campo magnético e as retorceu praticamente remodelando-as numa esfera. Os Rangers voltaram ao solo caindo feito bonecos.


— O que ele tá fazendo com nossas armas? — perguntou Jessie levantando.


— Minhas barbatanas, devolve! — clamou Tim também reerguendo-se.


Eletroimã modelou as armas fundidas em uma ponta de lança que empurrou fortemente no ar com duas das suas garras de imã contra os heróis. A ponta atingiu-os feito um míssil, provocando uma intensa explosão de fogo que os fez voarem e gritarem de dor.


Em paralelo, Brewster tentava apaziguar os ânimos dos alunos. De volta ao palco com o microfone, anunciou:


— Acalmem-se, por favor, estamos tentando localizar uma dos candidatos que misteriosamente se ausentou. A contagem dos votos está prestes a terminar, sejam pacientes. Enquanto isso, tentem se entreter com esses vídeos das campanhas de grêmios passados!


Um vídeo começou a ser exibido no telão mostrando estudantes de uma chapa que disputou no ano anterior com sua campanha, mas a estratégia não satisfez boa parte dos alunos que seguiam reclamando.


— Aposto que o nerdão mané amarelou que nem uma galinha! — disse Brock ao lado de Stuart na arquibancada comendo um cachorro-quente.


— Os fracotes sempre desistem na última hora, hahahaha! — disse o valentão de cabelo franjado agitando uma bisnaga de ketchup — Aí, tô achando que isso aqui tá meio vazio, Brock.


Mas a força do agitar fez com que o condimento fosse expelido de uma vez só e direto no rosto de Brock que foi lambuzado.


— Ops... — disse Stuart virando-se para ele, logo desatando a rir com sua gargalhada histérica apontando para o parceiro. Brock cuspiu parte do ketchup que respingou no rosto do outro.


— Ha-ha! — riu o valentão gorducho como vingança, logo dando um pescotapa nele.


Na área de construção, os Rangers se desdobravam numa luta corpo a corpo contra Eletroimã, mas os golpes dos heróis pareciam nulos frente a couraça metálica do monstro que defendia-se facilmente de qualquer soco ou chute e não era movido em desfavor ao ser atingido — pelo contrário, mantinha-se quase que parado com a dureza de uma pedra. Até que lançou ondas magnéticas em Jessie, Zoe e Damian os jogando para longe com explosões de faíscas em volta. Austin voltava a luta após ser arremessado, correndo até o monstro.


— Detonador Max! — chamou por sua pistola vermelha e deslizou no solo arenoso, passando por entre as pernas de Eletroimã e aproveitando para efetuar quatro disparos no rosto da criatura, dois do detonador e dois da pistola Z, causando explosões faiscantes.


— Minha vez! — disse Tim vindo correndo, logo saltando meio inclinado por cima de Eletroimã e disparando com a pistola Z na cabeça. Porém, o monstro gerara um campo magnético protetor, neutralizando os tiros, o qual se expandiu subitamente, jogando Tim contra o prédio de vigas, seu corpo grudando no metal feito imã — Essa é a sensação de ser magnetizado? Não gostei nadinha, ainda mais ficando assim de ponta à cabeça!


— Que a empreiteira responsável me desculpe, mas... — disse Damian, recomposto, batendo sua marreta avalanche no solo do lado que produzia uma pulsante vibração sísmica diretamente ao prédio. As vigas desmontaram-se de uma única vez, a demolição revertendo a magnetização em Tim — Tudo bem aí?


— Tudo joia, mandou bem! — respondeu Tim reerguendo-se das vigas, dando um joinha.


— Eu já cansei dessa briguinha estúpida! Fujam daqui antes que eu faça algo pior! — ameaçou Eletroimã, sua magnetocinese vibrando como uma aura devido ao seu estresse.


Os Rangers reagruparam-se, incansáveis.


— Nem pensar! Nós nem mostramos ainda a metade do que temos! — disse Austin — E pode apostar que é o bastante pra te transformar em imã enferrujado!


Zoe conferiu no relógio através do visor do capacete.


— São dez e quinze! O intervalo acabou, já devem estar contando os votos!


— Damian, acho que é o momento de você sair de cena. — recomendou Austin.


— Negativo! Ficarei até o último segundo, mas temos de partir logo ao Modo Fúria Animal.


— Mas temos que esperar o Sr. Dickerson terminar com as proteções nos coletes. — falou Jessie


— Quanto tempo até a contagem acabar? — indagou Tim.


— Eu tenho que estar lá quando a contagem iniciar, precisa ser simultânea ao discurso dos candidatos, ou seja, agora.


— E o que você tá esperando, maninho? Volta pra lá e toma posse do grêmio! — pressionou Tim.


— Não vou deixa-los aqui sem mim enfrentando esse grandalhão! Essa missão requer todos nós seis juntos e permaneço irredutível!


— Você quem sabe, mas já que falou em todos nós seis... — disse Austin voltando-se a Eletroimã e recarregando o detonador — O Owen já devia ter aparecido. Mas enquanto ele não vem... Todos juntos, disparar!


O quinteto mandara uma chuva de lasers contra Eletroimã que emanou seu campo magnético defensor, o qual expandiu num pulso fortíssimo que derrubou os heróis como se fosse em câmera lenta.


— Não importa quantas vezes cairmos! — disse Jessie levantando.


— Nos erguemos mais fortes! — completou Zoe.


Os heróis avançaram inabaláveis, contudo Eletroimã manipulou cinco vigas do prédio desfeito e as manteve acima dos heróis até que as retorceu em forma de anel e baixou contra os Rangers, prendendo-os.


— Droga... Essa pressão magnética... — disse Damian — ... dificulta romper!


— Não gostam de ficar juntos? Vocês pediram e eu atendo! — disse Eletroimã com seu poder magnético fazendo os anéis de aço se atraírem, os Rangers ficando praticamente de costas uns aos outros. O monstro induziu uma forte carga elétrica com as garras de imã tocando o solo diretamente aos Rangers presos que gemiam sendo eletrocutados com estouros de faíscas que culminaram em explosões de poeira.


Na academia de artes marciais, Owen mexia no celular durante a pausa do treino sentado num banco. Nesse instante, seu comunicador tocara, o que obrigou-o a levantar tapando a pulseira para abafar o som olhando para os lados. Fora até seu armário pegar a célula e o morfador e encaminhou-se até o banheiro, entrando num box sabendo que estava sozinho.


— Tô na escuta. — disse logo ao atender.


— Owen, precisam da sua ajuda urgente. Continua treinando ou já terminou?


— Eu tava no intervalo, mas posso dar um sumiço, acho que meu instrutor não vai me punir. Já vou indo nessa. — desligou em seguida e esticou os braços para encaixar a célula abaixo do morfador — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!


O Ranger Verde surgiu num salto acrobático dando um chute duplo em Eletroimã que conseguiu empurra-lo a alguns metros. Pousando, virou-se aos amigos, logo desferindo cortes velozes e precisos com a adaga Kong energizada que destroçaram os anéis de aço, assim libertando o grupo.


— Boa hora pra vir, Owen! A gente agradece! — disse Austin movendo os braços em aquecimento.


— Isso que foi entrada triunfal. — elogiou Damian.


— Por que não finaliza logo esse fanfarrão com o Macro-Detonador? — sugeriu Tim.


— É que o Damian precisa voltar ao colégio pra eleição do grêmio. — disse Zoe.


— Ele tá super-atrasado, então seria ótimo você nos poupar pra gente chegar a tempo. — disse Jessie.


— OK, comigo aqui ele baixa a crista num instante só de ver meu canhão! — disse Owen que virou-se para um raivoso Eletroimã que ameaçava contra-atacar — Macro-Detonador! Preparar, apontar... Fogo! — porém, o tiro saíra pela culatra pois Eletroimã manipulou o canhão a errar o tiro que acertou um carro, o qual explodiu tremendamente. Foi atraindo até ele, Owen sendo puxado ao segurar a arma. — Ei, seu imã sacana, se quer um canhão desses procura um pra você!


— Owen, cuidado, ele fez o mesmo com nossas armas! — alertou Austin.


— Flash Paralisante! — acionou Owen, o recurso neutralizando Eletroimã e desfazendo a atração — Pronto! Agora tá no papo! Preparar, apontar...


— Meu corpo está imóvel como se meus pés tivessem sido soldados no chão! — reclamou o monstro entrando em pânico.


Porém, antes que faltasse pouco para o tiro ser deflagrado, a atração da esfera se vigas arrancou o canhão das mãos de Owen como se o vento o levasse embora.


— Meu Macro-Detonador! Ah não!


A arma somou-se ao amontoado de metal, compartilhando energia que a envolveu de raios verdes. Eletroimã recompôs a mobilidade, pulando para trás e pousando numa escavadeira amarela.


— Sua arma alimentou meu magnetizador de pura energia! Tudo que ele precisava para ser livre! — disse Eletroimã que lançou ondas magnéticas da suas garras à esfera — Além do meu poder próprio, é claro, hahaha!


A esfera repleta de aço retorcido foi se movendo a um ritmo meio rápido pela cidade, saindo da zona e extraindo mais metal com sua atração expandida. Dickerson fizera contato.


— Owen, persiga o magnetizador ou tente chegar primeiro para evacuar a área metropolitana central, é pra lá que está indo.


— É lógico que chegarei primeiro e em alta velocidade! Beast Cycle Verde, ativar!


A moto surgira saltando por cima de pilhas cheias de sacas de cimento, logo Owen pulando para pilota-la, acelerando com o mover dos guidões.


— Rangers, a proteção anti-magnética foi concluída! — avisara o explorador — Acabei de agrega-la aos coletes, não percam tempo.


— Beleza, Sr. Dickerson! Tardou, mas sei que não vai falhar! — dissera Austin — Amigos, prontos?


— Colete Zoomorph! — bradaram em uníssono, as armaduras surgindo em simultâneo — Cartão da Fera! — inseriram nas entradas dos coletes — Modo Fúria Animal, ativar! — os trajes foram alterados com as armaduras e suas respectivas armas individuais.


— Vou torcer por vocês, boa sorte! — disse Owen que fizera a moto pular sobre uma cerca elétrica e fora ao centro da cidade.


— Valeu, Owen, a gente se vê, sorte pra você também! — agradeceu Austin que voltou-se a Eletroimã — E você aí achando que tínhamos dado tudo de nós, né? Se enganou legal!


Na corrida para chegar a zona central, Owen tivera a desagradável surpresa com a aparição de Mudok a alguns metros à frente.


— Sai da frente, lata velha! Quer ser atropelado, por acaso?


— Lata velha é o estado que ficará sua moto quando eles o alcançarem! — disse Mudok que jogou esferas metálicas pretas no ar — Psycho-Bots, ataquem! — os robôs caíram de pé, mirando os detonadores e disparando contra o Ranger Verde.


Os tiros causaram explosões intensas de fogo que forçaram Owen a quase freiar de lado, as rodas atritando no asfalto.


— Eles são muitos e não quero gastar energia com o Modo Míssil Turbo. — disse ele virando para alterar a rota — Ainda bem que existe um atalho! — acelerou num beco largo a direita.


Mudok foi selecionando a dedo Psycho-Bots que ganhavam dispositivos fixados no peito, os quais se estendiam como construtos dando forma a motocicletas pilotadas pelos robôs.


— Acelerem e disparem a toda artilharia! — ordenou o androide, os soldados deram partida velozes nos veículos tomando a rota de Owen.


No ponto comercial, a população começava a sofrer com os efeitos desastrosos do magnetizador que pairava com uma carregada nuvem bloqueando parte da luz solar e atraindo a atenção com o medo enquanto atraía pertences de metal, tais como chaves, relógios, isqueiros, etc. Paralelamente, Eletroimã via-se cercado pelos Rangers que esquivavam de suas ondas magnéticas que explodiam poeira e faíscas no solo. Investiu tentando magnetizar as armas do modo Fúria Animal de uma só vez com a expansão do seu campo magnético. No entanto, nada acontecia, os heróis firmes.


— O que está havendo? Isso e absurdo, não consigo magnetiza-los!


— Proteção anti-eletroimã! Estamos blindados contra seu truques! — falou Austin — Ciclone Flamejante! — suas patas de leão giraram velozes produzindo redemoinhos de fogo que foram refreados pela onda magnética potencial saída do peito de Eletroimã combinadas às ondas das garras. A colisão de poderes sucedeu-se num intenso cabo de guerra, ora favorável para Austin, ora para Eletroimã.


Mas o monstro sobrepujou os tornados de chamas caminhando e elevando suas ondas aos limites, obrigando Austin a pular, o ataque explodindo no chão. O líder pousou próximo do monstro que atacaria com as garras. Em resposta, Austin moveu as suas, o choque impactante resultando num pulso que causou uma explosão de fogo ao lado, ambos se repelindo.


— O que acha de darmos um banho gelado nele? — propôs Tim ao lado de Zoe.


— Só se for agora! — disse a Ranger Rosa encostando no amigo, ambos mirando juntos seus canhões, primeiro Tim disparando seu jato d'água e em seguida Zoe liberando as bolhas que se uniram de forma espiralada na torrente. Eletroimã foi atingido pelas costas, sendo empurrado pelo jato d'água e sofrendo pequenos estouros de faíscas pelas bolhas sem ser arremessado.


— Aí vem a secagem rápida! — disse Jessie vindo como um furacão girando e produzindo uma ventania que fizera o monstro rodopiar voando — É com você, Damian! — parara de girar.


Eletroimã caíra com impacto, mas mal levantou-se e a bola demolidora de Damian bateu contra ele o empurrando contra vários blocos de concreto e outros materiais até chocar contra uma cerca.


— Prefere massoterapia? — disse Damian fazendo a bola girar no corpo de Eletroimã com bastante pressão, incidindo raios que o fizeram sentir alguma dor. O Ranger Preto recolheu sua arma sendo parabenizado pelos amigos.


— Essa foi de arrebentar, Damian! — disse Austin vindo os demais.


— Deixou ele que nem uma barata tonta, hahaha! — zombou Tim.


As atenções voltaram-se a Zoe.


— Ai não, é tarde demais! Já são quase onze horas, Damian...


— Meu nome talvez já tenha sido chamado...


— Ou o diretor inventou uma distração pra investigar o seu sumiço. — supôs Jessie — Ele te conhece bem, não pensaria nunca que você desistiu.


— Vamos contar que o diretor não vai anunciar o vencedor do grêmio antes de você aparecer. — disse Austin, apoiador — Mas ainda seria melhor que você fosse agora.


— Já desfalquei a equipe quando precisaram de mim. Não quero repetir isso por nenhum outra obrigação. Eu fico.


— Ei, cadê o Magnetrouxa? — indagou Tim, procurando-o.


— Maldito, escapou! — disse Austin — Deve ter ido pro centro da cidade onde o magnetizador está. Vambora!


Os Rangers se encaminharam em saltos hipervelozes.


Já na perseguição entre motos, Owen era bombardeado por tiros de lasers dos Psycho-Bots que estouravam faíscas a sua volta.


— Se eu pudesse usar meu Macro-Detonador...


Karen reacendeu a esperança ao contata-lo.


— Owen, você pode utilizar sua arma como se nada tivesse acontecido. A verdade é que as armas não passam de modelos digitalizados que a rede de morfagem materializa e pode reconstituir sempre que houver perdas graves.


— Sério!? É como se tivesse uma reserva infinita de armas pra substituir! Adorei isso, Karen! — o Ranger Verde dera a meia-volta tirando as mãos dos guidões— Macro-Detonador! — a arma surgiu sobre seu ombro apontando para os robôs — Preparar, apontar... Fogo! — a esfera de energia verde foi disparada aos soldados, resultando numa explosão de fogo que os tirou da corrida motociclista, os veículos sendo destruídos.


Logo após desativar a Beast Cycle, Owen correu avisando a todos que fugissem dali procurando abrigo. Saltou para um prédio onde ficou no terraço observando a esfera magnetizadora.


— A coisa só piora: devorando mais metal, cresce e aumenta a atração!


Mas antes que trouxesse de volta seu Macro-Detonador, o grupo reservado de Psycho-Bots surgia ali em teleporte o obrigando ao combate. Nesse momento, Eletroimã reaparecia, mas acima do magnetizador.


— Mestre Lokknon exige agilidade de minha parte e sei exatamente como entregar isso! — o monstro fincou suas garras de imã no emaranhado de metais retorcidos, criando um processo de polimerização com raios azuis envolvendo a esfera.


Os Rangers saltaram para o prédio onde estava Owen juntando-se a ele no embate aos robôs.


— Aí Owen, podemos participar da brincadeira? — falou Austin, todos os cinco ainda no Modo Fúria Animal.


— Uma ajudinha é sempre bem-vinda! — respondeu o Ranger Verde dando um chute tornado num robô.


— Tem algo estranho acontecendo com o trambolho! — apontou Tim.


Eletroimã fundiu-se a esfera, se tornando uma entidade com amplo alcance de magnetização. O olho único do monstro se revelou encarando os cidadãos indefesos.


— Não haverá uma lasca de metal para se contar nesta cidade!


— É o Eletroimã, ele se unificou ao magnetizador! — cosntatou Damian, logo batendo sua bola demolidora, ainda meio pequena, em dois Psycho-Bots e jogando-os para fora do prédio — A situação se agravou!


Eletroimã executou seu poder magnético de atração em larga escala cobrindo a Alameda dos Anjos inteiramente. Os efeitos naturalmente atingiram o colégio dos Rangers, sobretudo na quadra esportiva fechada onde as estruturas que sustentavam o teto sofriam com a força de atração, ameaçando causar um desabamento, o que gerava pânico e alarido entre os alunos que também tinham seus pertences metálicos roubados pelo magnetismo e saindo pelas janelas.


Os Rangers viam-se sem ideia de como aplacar a desenfreada onda de atração que arrastava metais em peso vindos dos quatro cantos.


— Rangers, atenção! — disse Dickerson em contato — Vocês podem disparar uma carga de polaridade reversa pra faze-lo esgotar de todo o metal que absorveu. Vou ativa-la agora mesmo!


— Beleza, Sr.Dickerson! — disse Austin. Os emblemas dos uniformes no modo Fúria Animal brilharam e dispararam as ondas que acertaram Eletoimã. O monstro virou-se a eles, raivoso.


— Tá funcionando! — disse Zoe.


— Todo metal que ele conseguiu até agora tá saindo dessa coisa aos poucos! — falou Jessie.


— Seus vermes implicantes! Parem já com isso!


No entanto, a carga reversa acabou por esgotar o modo Fúria Animal, muito embora tenha enfraquecido Eletroimã que sentiu sua potência de atração se reduzir.


— É com você, Owen! Detona ele! — mandou Austin.


— Xá comigo! Macro-Detonador!


— Não vai acabar assim! — Eletroimã aproximava-se para retaliar.


— Ah, vai sim, senhor! Preparar, apontar... Fogo! — o tiro foi lançado atingindo direto no olho gigante de Eletroimã e o destruindo com explosões múltiplas a partir desse ponto. Choveram pedaços de metal nas ruas.


Lokknon mordia os lábios, enfurecido.


— Dispare o laser regenerador agora, Barooma!


— Prontamente, milorde! — disse o cientista batendo no botão que disparou o raio verde retilíneo sobre os restos de Eletroimã. O monstro revivera e se gigantizou.


— Saibam que meu poder de atração é equivalente a minha fusão com o magnetizador!


— Falou isso pra nos meter medo? Vamos igualar as polaridades! — disse Austin.


— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os cinco em uníssono com as mãos direitas estendidas para cima.


As máquinas animais saiam de seus hangares e corriam diretamente a batalha entre gigantes. Os heróis saltaram aos cockpits.


— Chaves de Comando! — inseriram e giraram — Ligado!


— Sequência Megazord, ativar! — acionou Austin.


Os zords ligaram-se formando o Megazord Z que pousou em posição combativa.


— Também vou entrar nessa! — disse Owen sacando a adaga Kong e soprando o apito na ponta do cabo, assim convocando o Gorila Esmeralda que saía da caverna batendo no peitoral e rugindo, logo se dirigiu ao palco da batalha. O Ranger Verde saltou, adentrando no cockpit — Você acaba de atrair sua destruição total!


— Dois!? Isso me inspirou uma excelente ideia! — disse Eletroimã que apontou suas garras de imã, lançando ondas magnéticas que envolveram ambos como campos de força — Amigos de verdade se abraçam forte, hahaha!


O poder magnético os fizera se atraírem de modo que o abraço foi mais apertado do que os seis gostariam.


— Owen, na escuta? Se segura aí! — disse Austin.


— Gosto de abraços, mas gosto ainda mais de respirar! — disse Owen.


— Nível de energia caindo! — alertou Zoe.


— Viramos dois imãs com força magnética suficiente pra nos fazer se autodestruir! — alarmava Damian.


Os cockpits de ambos os robôs sofriam com faíscas salpicando. No colégio, paralelamente, Brewster retornava ao palco para retomar a cerimônia.


— Agora que o problema cessou, vamos direto ao que interessa. Todos em seus lugares? OK, porque já temos um novo presidente eleito ao grêmio estudantil do próximo ano letivo. — conferiu o papelzinho — O vencedor é... Damian Lewis Parker com 88% dos votos! No entanto, ele não se encontra presente, por uma razão ainda desconhecida. Sendo assim, a posse é transferida ao seu vice, Gavin Mickles!


Gavin subiu hesitante no palco para receber a faixa de presidente do grêmio, desconcertado. Na batalha entre gigantes, o abraço dos Rangers em seus robôs tornava-se criticamente mais esmagador a cada segundo, causando danos.


— Sr. Dickerson, será que o campo repulsor pode nos separar? — questionou Austin.


— Pode ser efetivo. Owen, você ouviu, segure firme nos controle.


— Positivo e operante! — respondeu o Ranger Verde.


— Agora! Campo repulsor! — bradou Austin. A energia concentrada do Megazord explodiu num pulso, desfazendo a atração magnética. O Gorila Esmeralda caíra para trás tal qual o parceiro.


— Vai uma mãozinha? — disse Tim. O Megazord ajudara o gorila a levantar-se.


— Valeu, meus amigos! Que tal a gente se juntar do jeito certo dessa vez?


— Demorou! Ativar conexão Megazord! — determinou Austin. O Gorila Esmeralda se desmontou, suas partes agregando-se ao Megazord Z, assim formando o Megazord Z x2.


Eletroimã ameaçava retaliar.


— Não se livrarão tão cedo de mim! — avançou, porém recebeu uma joelhada potente do Megazord que o empurrou.


— Damian, seu protezord acabou de se desbloquear. — anunciou Dickerson — Deem as boas-vindas ao Javali.


O suíno robótico de cor preta vinha ao encontro do Megazord.


— Veremos do que ele é capaz! Pode vir!


O protezord se dividiu em duas partes das quais ejetaram duas brocas perfurantes, ambas conectando-se as mãos do Megazord e girando. Eletroimã veio atacar com as garras magnéticas que chocaram-se às brocas girando e causando um verdadeiro estrago nas garras que se estendeu aos braços do monstro.


— Não, meus indutores! — lamentou ele, recuando com os braços em frangalhos.


— Sabre Selvagem! — chamara Austin pela espada prateada que caiu sobre a mão direita do Megazord.


— Insígnia Feroz Hexa! — bradaram os seis. O círculo com os emblemas animais foi feito em sentido horário — Partir! — o corte diagonal atingira Eletroimã fatalmente, o levando a cair e explodir.


Após a comemoração breve, os Rangers correram afoitos de volta ao colégio com Owen os acompanhando. Chegando a quadra, depararam-se com Gavin sendo saudado por colegas.


— Olha ali, o seu vice ficou com a medalha de ouro, cara. — disse Tim em frustração pelo amigo.


— Já era esperado, faz parte das regras em relação ao vencedor ausente. — disse Damian.


— Quer ir lá ter uma conversinha com ele? — perguntou Austin.


O jovem gênio se encorajou para pedir desculpas pelo sumiço repentino.


– Ahn, Gavin... — disse ele, tímido.


— Ah, olha quem ressuscitou dos mortos. Onde você tinha se metido? Fiquei feito um louco te procurando na escola toda.


— Eu queria te dar meus sinceros parabéns. E tão importante quanto... te pedir desculpas. Tive uma emergência familiar, precisei sair escondido. Mas tô feliz por você.


— Não fica bolado, você não perdeu, apesar de ter sido desclassificado. — disse Gavin com sorriso de satisfação. Os Rangers aproximavam-se.


— Como assim? — indagou Zoe.


— Acontece que como você, Damian, obteve o maior percentual de votos muito distante dos outros, isso garante que você fique com a vaga de vice-presidente... se quiser.


— Puxa, que alívio. — disse Jessie.


— Melhor do que nada. — falou Owen.


— Seria arrogância da minha parte recusar. — declarou o Ranger Preto, contentado — É claro que topo essa vaga, faremos um ótimo trabalho.


Ambos deram as mãos num toque amigável. A turma do 6⁰ ano-A se reuniu em ovação.


— Quero uma salva de palmas pro mais novo presidente do grêmio! — disse Damian levantando Gavin pela perna junto de Tim. O ex-candidato a vice da chapa se alegrou de braços erguidos em meio aos aplausos e assobios da classe.


Na noite daquele mesmo dia, Dickerson resolvera presentear os Rangers com uma estadia na sua enorme casa pelo fim de semana. O mentor estacionava seu carro frente a residência após vir buscar os Rangers.


O grupo adentrou na mansão, o mordomo Theron, um homem careca de meia idade usando um modesto terno preto, os recepcionou cortês.


— Sejam todos muito bem-vindos, é um prazer estar diante dos pupilos do meu mestre.


— Theron, há mais alguém aqui com você? — indagou Dickerson.


O mordomo desviou o olhar com expressão séria e tensa, o que indicava para o mentor uma presença a não ser ignorada.


— Ele está logo ali, senhor. Tomando do seu vinho tinto holandês. Fez questão de espera-lo.


Dickerson foi adiante chegando a sala de estar ampla e impecavelmente decorada e organizada. Parou ao observar o sujeito que estava de costas.


— Sr. Dickerson, conhece esse cara? — perguntou Austin.


— Se ele conhece? — disse o homem virando-se — Éramos quase irmãos e não falo só de fraternidade.


— Não pode ser... — reagiu Dickerson com certo espanto — Ray.


— Saudades de mim, velho amigo? — perguntou ele levantando a taça de leve como num brinde.


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