Power Rangers: Esquadrão Z

19 Ninguém Segura Esse Touro


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Um monstro de Lokknon vende um suco envenenado a Damian após uma partida de basquete com a turma. Ao beber, o Ranger Preto torna-se agressivo com todos, especialmente com Austin pelo mesmo ser o Ranger cuja cor é detestável aos olhos de um touro Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Para aquela tarde ensolarada e calorenta de domingo, os Rangers não dispensariam uma atividade ao ar livre para revisar conteúdos escolares relacionados a prova do dia seguinte quando já haviam feito isso sucessivas vezes no sábado. Mesmo para Damian que se debruçava intensamente nas revisões sem considerar brechas aproveitáveis e seguras para o lazer. A diversão escolhida do dia foi uma boa partida de basquete de suar a camisa.

No jogo, a turma de dividiu em duas duplas: equipe A composta por Austin e Tim; equipe B composta por Damian e Jessie. Excetuando Zoe que possuía mais da desenvoltura para a arbitragem do que para o esporte em si.

As duplas disputavam a próxima cesta tornando o jogo acirrado. Tim tentava roubar a bola de Damian insistentemente, mas seus puxões fortes na camisa regata preta com algumas listras brancas do amigo lhe incorreram na punição. Zoe soprou o apito.

— Falta! Tim, essa já foi a quarta, se liga! Na próxima, você tá fora!

— A Zoe fica durona quando tá numa posição importante. — comentou Austin para Jessie com ar risonho.

— Isso porque você ainda não viu ela como juíza de queimada. Durona é apelido. — disse Jessie se divertindo — Passa pra mim, Damian!

— Opa, não tão rápido! — disse Austin avançando atrás dela que recebera a bola de Damian. Conforme a sua fama de jogador habilidoso, Austin se sobressaiu ao tomar a bola das mãos de Jessie com notável destreza de movimentos e saltar para uma enterrada digna de nota.

— Yeah, Austin, você é o melhor! — comemorou Tim se ajoelhando com os braços erguidos e os punhos cerrados — Enterrada morfemomenal! — correu para abraçar o parceiro.

— Damian, você cometeu um grave erro ao passar a bola pra Jessie. — disse Austin — Agora você entende porque eu não quis fazer dupla com ela.

— Eu tenho um parceiro que confia na minha habilidade e não se arrisca a toa. — disse Jessie se gabando entre eles — Não é, Damian?

— Ahn... Na verdade, eu apenas transferi a posse da bola pra que o Tim a pegasse e depois eu tomaria dele, mas o Austin tava próximo demais, daí não teria como. — explicou o Ranger Preto.

— Então não contava que eu faria uma cesta? — questionou Jessie se irritando.

Austin e Tim faziam gestos atrás dela para Damian desconversar ou mentir. Diante disso, Zoe revirava os olhos de braços cruzados.

— Eu... — disse Damian ora olhando para os dois, ora olhando para Jessie. O Ranger Preto riu nervoso — Sabe, é que eu tinha uma estratégia muito mais eficiente por trás disso que envolvia você como a marcadora do ponto.

— Ah, é? A estratégia que você falou era só um disfarce? Legal, me diz aí qual era. — pediu Jessie ingenuamente acreditando. Austin e Tim balançaram as cabeças em negação com as mãos na testa.

— Pessoal, alguém tá com sede? — indagou Zoe se metendo entre Jessie e Damian para evitar um conflito à partir de qualquer resposta que viesse do Ranger Preto tentando explicar seu plano mirabolante de jogada.

— Eu tô morrendo. — disse Jessie soltando o ar pela boca devido o calor.

— Se eu pudesse beberia uma caixa d'água cheinha até esvaziar. — disse Damian.

— Acho que esgotamos nosso estoque, não? — especulou Austin — Deixa eu conferir aqui. — disse ele indo até a sua mochila verificar se havia mais garrafinhas não abertas.

Enquanto isso, observando tudo diretamente de sua nave por meio do visualizador multifocal, Lokknon fazia uma análise centrada em Damian e sua personalidade que se destacava. Mas o estudo não era tão profundo quanto o de Mudok que assistia mais de perto, cerrando o punho direito não contendo seu ódio.

— Não é possível que esse garoto seja detentor de um intelecto tão avançado e ainda assim não conseguir formular uma mentira. — disse o androide.

— Talvez a especialidade dele seja os números em vez das palavras. — disse Aracna lendo um livro perto das paredes com LEDs roxos — Ah não, eu não suporto esse tipo de final! — fechou o livro com raiva e o jogou numa lixeira de metal por perto junto com uma pilha de outros livros descartados — Será que os terráqueos não tem imaginação pra escrever finais minimamente trágicos? Desisto de literatura.

— Mudok, seu desprezo pelo Ranger Preto tem crescido ultimamente. — disse Lokknon, o cotovelo esquerdo apoiado no braço do trono — Alguma outra consideração a fazer?

— Já perceberam que ele é o pilar mais forte dos Rangers? Em força física, ele supera os demais com folga. Forte como o próprio animal que representa. — disse Mudok olhando para a tela focalizando Damian — E se rompermos esse elo? Os Rangers perderiam o alicerce estratégico e intelectual que ele oferece, além do poder de força bruta.

— Eu fiz uma estimativa baseada nas demonstrações de raciocínio lógico que ele já fez! — disse Barooma frente ao seu computador — A análise do quociente de inteligência concluiu efetivamente que ele detém um intelecto tão brilhante quanto o das maiores mentes terráqueas!

— Nesse caso, remover o Ranger Preto da equação será como matar dois coelhos numa única cajadada. — apontou Aracna — Já que ele alterna entre ser o mais forte na luta e o mais inteligente. Sem ele os Rangers vão ficar... perdidinhos! — soltou uma risadinha infame.

— Por que não pensamos nisso antes? — questionou Lokknon, eufórico — Barooma, vejo que está alimentando o bio-modelador com informações referentes ao animal do Ranger Preto... Crie pra mim um monstro que faça o Ranger Preto mudar completamente de comportamento, não sendo nada semelhante ao que os Rangers conhecem dele.

— Bingo, mestre! — aprovou Mudok — Se fizermos com que Damian mude sua personalidade para o total oposto do que é, não só eliminaremos sua participação como também a amizade com os Rangers. Aquele garoto disciplinado, responsável e bondoso vai desaparecer!

— Ah, então são três coelhos. — disse Aracna, animando-se com a artimanha.

— Prontinho, dados baixados! — disse Barooma que logo moveu a alavanca — Que venha com muita saúde!

A máquina exalou sua fumaça de vapor branco com os relâmpagos que piscavam ofuscantes. A porta dupla deslizou deixando o monstro sair. Um híbrido de homem e touro se apresentava.

— Se tiver alguém aqui vestido de vermelho, me avisa pra eu cravar meus poderosos chifres!

— Pra nossa sorte, não usamos vermelho. — disse Aracna — E as luzes nas paredes são roxas que é resultado da mistura de vermelho com azul, mas isso não conta, certo?

— Me tragam alguém vermelho pra me desafiar! — exigiu o monstro batendo seus cascos no piso

— Você não vai pra uma tourada, meu caro subalterno. — disse Lokknon — Sua missão tem um propósito muito mais útil. O que sabe fazer?

— Minha maior habilidade não é abater seres inferiores com meus chifres, se é o que pensam. Eu secreto um líquido venenoso do meu nariz quando fico muito irritado! Todos que o bebem ficam com meu temperamento agressivo!

Mudok voltou-se para o visualizador.

— Os Rangers estão se queixando de sede... É um deixa e tanto. Venha aqui... ahn...

— Minnotaurus. — nomeou Aracna — Me fez lembrar do monstro mitológico que alguns terráqueos acreditam existir.

Minnotaurus se aproximou de Mudok, mas reparou nos olhos vermelhos do androide.

— Seus olhos são tão vermelhos...

— Mas não sou um alvo. Fique parado e olhe fixamente para a tela.

— Hum, já entendi. — disse Lokknon sorrindo maquiavélico, logo apertando um botão num painel de controle embutido no braço direito do trono. Uma cadeira inclinada de metal saiu do piso que derrubou Minnotaurus o fazendo sentar. Alcas metálicas fecharam imobilizando-o fortemente. O monstro se debateu a fim de libertar-se, mas era inútil.

— Mas o que é isso? Como me fazem olhar pro vermelho desse jeito? Preciso me mover!

— Irá quando for a Terra cuidar dos Power Rangers, mas por enquanto devemos extrair seu veneno para melhor convir a ocasião. — declarou Lokknon — Mudok, pegue uma sonda de sucção imediatamente!

— Como quiser, mestre. — disse o androide. Minnotaurus olhava a tela toda em vermelho tremendo e gemendo de raiva com a secreção saindo das narinas furadas com um piercing.

***

Os Rangers se frustraram com o esgotamento da água trazida por Austin.

— Que droga, nem acredito que tomamos a água toda. — reclamou Jessie.

— Eu não volto a jogar sem molhar minha garganta. — disse Tim improvisando ventilação com a regata azul com estampa do seu time de basquete favorito — Vou derreter aqui!

Um vendedor de suco que empurrava um carrinho foi avistado por Damian na área gramada e arborizada ali próxima.

— Não é uma miragem, galera. Tenho certeza que tô vendo um carrinho de suco bem ali.

— Milagres acontecem. — disse Zoe.

— Salvos por um vendedor de sucos. — disse Austin — Você vai, Damian? Pega aqui. — entregou uma nota de um dólar.

— Valeu, Austin, mas o que eu tenho dá pra nós cinco.

— Espera, Damian. — disse Austin o fazendo parar quando ele deu dois passos à frente — Não ficou chateado por não ter tido a chance de disputar a bola comigo nem por eu ter enterrado, certo?

— Por que eu estaria chateado? Você é de longe o melhor jogador da nossa classe. — disse Damian dando um tapinha amistoso no braço de Austin — Já volto. — correu até o vendedor.

— Damian é um cara muito humilde. — disse Tim — Esse é o meu amigão.

— É mesmo. — concordou Austin olhando com serenidade o amigo se distanciar.

O vendedor, um homem de porte robusto e aspecto truculento que usava avental branco e um boné azul, parou o carrinho ao ver Damian se dirigir à ele.

— Cinco garrafinhas de suco, por favor. Laranja, cereja, acerola, graviola e tamarindo.

— Lamento, meu jovem. Tenho apenas de groselha. O resto acabou tudo.

— Poxa... OK, me dá cinco de groselha então.

O vendedor encheu um copo com a bebida e entregara gentilmente.

— Eu disse cinco garrafinhas.

— Mas deguste um pouco para evitar arrependimentos com o dinheiro gasto. É grátis.

Damian aceitou a degustação, tomando um longo gole do suco carmesim.

— Caramba, delicioso. Eu acho que... — disse ele que de repente se sentiu zonzo e arregalou os olhos cujas pupilas brilharam em vermelho. Deixou o copo cair na grama sem perceber. Saiu dali voltando à quadra de basquete com uma expressão sisuda e andar com passos largos. Logo, o vendedor se revelou ser Minnotaurus disfarçado que festejou o início do plano.

— Beleza, o Ranger Preto está sob o completo domínio do mal, como o mestre Lokknon deseja.

Brock e Stuart se aproximavam para arranjar encrenca com a posse da quadra.

— Ah não, lá vem aqueles pregos estragarem nossa tarde! — lamentou Tim.

— E aí, palhaços! Como estão aproveitando o dia antes da prova? — perguntou Brock.

— Não deviam estar estudando? — disse Stuart com sua risada debochada.

— Os únicos palhaços aqui são vocês dois. — rebateu Jessie.

— E engraçado vocês falarem de estudar sendo que não fazem nem a metade. — disse Austin cruzando os braços em posição de comando.

— Estudar é pros fracos. Tipo vocês. — insultou Brock.

— A gente capta tudo certinho nas aulas. — reforçou Stuart se gabando.

— Até parece. — disse Zoe.

— Queremos a quadra, então podem ir vazando. — mandou Brock, autoritário.

— Que tal uma partida pra decidir? Vocês dois contra eu e o Tim.

— Fechado. — concordou Brock apertando a mão direita de Austin — Vão tomar uma surra.

— É o que veremos. — disse Austin, competitivo.

— Não vai ter jogo nenhum. — disse Damian retornando. Empurrou Brock — Não tem papo com vocês, otários. Rala peito daqui!

— Ei, quê que é isso? O nerdola pirou? — perguntou Brock.

— Deve ter tomado suco estragado lá no Earl. — zombou Stuart.

— Estão esperando o quê pra vazarem? Nós que somos os donos dessa quadra hoje!

— Ah, tá querendo treta, né? Pois vai ver só...

Brock avançou para socar Damian, mas antes que o golpe fosse dado o Ranger Preto agiu rápido com a cabeçada forte na testa do rival. O valentão pensava ver estrelinhas de tão tonto.

— Brock, tá doendo? – indagou Stuart amparando o parceiro e voltou-se a Damian — Que foi que deu em você, cara?

— Eu mandei saírem! — vociferou Damian, os olhos piscando brilho vermelho e aterrorizando a dupla que saiu correndo aos gritos. Os Rangers não escondiam o pasmo.

— Damian, o que foi isso? — perguntou Austin.

— É, você... colocou eles pra correr como se... fosse um valentão. — disse Tim, estranhando — Aquela cabeçada doeu até em mim.

— Por essa não esperávamos. — comentou Zoe.

— E cadê nossos sucos? — quis saber Jessie.

Damian notou a regata vermelha de Austin e sua fúria de touro aflorou. Empurrou o amigo que foi segurado por Tim e Zoe.

— Tá maluco, Damian? Já pode sair desse seu personagem de cara durão e encrenqueiro, foi um ótimo plano que nos livrou daqueles panacas, obrigada. — disse Jessie o repreendendo.

— Foi você, Austin. Você sempre quis ser melhor do que eu em tudo. Como aluno, como jogador, como Ranger... Eu te odeio!

— Para, Damian! — pediu Zoe — O que tá havendo com você? De repente você mudou, não tá agindo no seu normal!

— Acha que vou perdoar? Aquela enterrada devia ser minha! Só minha!

— Fica frio, cara. É só um jogo! — disse Tim.

— Tem alguma coisa errada, você tá diferente. — disse Austin — Falou que eu era o melhor jogador e agora muda de opinião?!

— Vamos decidir quem é o melhor. — disse Damian numa expressão malévola arregalando os olhos — Eu te desafio pra uma revanche!

— Damian, para, você tá me assustando! — berrou Zoe, a expressão chorosa.

— Quer saber? Joga você sozinho. — disse Austin jogando a bola à ele — Assim você consegue enterrar. — saíra com chateação acompanhado das meninas.

— E eu que achava que o Brock e o Stuart tinham estragado o dia. — disse Tim, desapontado — Você que estragou.

Damian observou os amigos se afastarem cabisbaixos e deixou um sorriso maldoso se formar na sua face furiosa.

***

A manhã do início da semana de provas começou agitada de uma maneira inesperada para grande parte da Angel Grove Middle School. Austin encontrou as meninas no corredor mexendo nos armários para questiona-las acerca de Damian.

— Bom dia, garotas. Tiveram notícias do Damian?

— Nada até agora. — disse Zoe ainda entristecida com o ocorrido na quadra — Tim tentou ligar pra ele, mas todas as chamadas foram recusadas.

— Chegou a ir até a casa dele, mas ninguém veio atender. — adicionou Jessie – E lá vem o Tim sem o melhor amigo dele. Tadinho, ele ficou super mal com aquilo.

O Ranger Azul vinha até os amigos com um olhar triste voltado ao chão segurando as alças da sua mochila passando bem próximo da parede meio retraído.

— Eu nunca vi o Tim nesse estado, vou lá falar com ele. — disse Zoe se aproximando do amigo — Oi, Tim, e aí? Soube que não teve sorte com o Damian ontem pra esclarecer as coisas.

— Não esquenta, Zoe. Eu tô de boa. Não sei o que rolou, mas o Damian que a gente conhecia não existe mais. — lamentou o Ranger Azul — Perdi o meu melhor amigo.

— Não fica assim, Tim. — disse Jessie vindo com Austin — O Damian é um Power Ranger, querendo ou não ele terá que estar conosco.

— Galera, eu tenho por mim que o Damian que vimos depois que foi até aquele vendedor não tá mais afim de honrar o legado. — disse Austin.

— Hum, quem é aquele gatinho desfilando? Não me avisaram que tinha um novato em plena época de provas. — disse Jessie avistando com interesse um garoto aparentemente novo na escola que chamava atenção pelos seus trejeitos de bad boy carrancudo. Todos abriam passagem, intimidados com a postura marrenta do rapaz que usava jaqueta e calças jeans com rasgos, além de botas pretas de couro afiveladas e luvas pretas de dedos cortados.

— É porque não é um novato. — disse Austin, perplexo — É o Damian.

Aquela nova e problemática versão do Ranger Preto concentrava-se em incutir medo nos alunos mais indefesos, em especial os CDFs. Damian mostrou os dentes cerrados com uma expressão de fúria para eles mexendo a cabeça para frente de súbito como ameaça. Os alvos do novo valentão recuavam amedrontados.

— Aquele é o Damian?! Sem os óculos ele fica tão... diferente. — disse Jessie.

— Não só isso. — disse Zoe — Sem a educação, a disciplina, o caráter... Eu quero entender o que aconteceu, não aguento mais.

— Já chega, essa parada tá muito estranha, eu vou tirar isso a limpo. — disse Tim — Segura minha mochila, Austin.

— Tim, relaxa. Não é numa briga que você conseguirá trazer o Damian de volta. — aconselhou Jessie.

— Ela tá certa, seja lá o que tenha acontecido, não parece que o Damian tá consciente desse novo estilo de vida dele. — pontuou Austin — Talvez a gente deva agir como ele sempre agiu: com cautela.

Brock e Stuart vinham ao encontro de Damian um tanto entusiasmados por fora, mas certamente tremendo de medo por dentro.

— Ora se não é o nosso mais novo valentão! — cumprimentou Brock o tocando no ombro — E aí, irmãozinho? Sem ressentimentos, né? Aquele lance lá na quadra ontem... águas passadas.

— O que os maricas querem? Tomar mais uma porrada? É só pedir que terei o maior prazer.

— Não, não, não! — disse ambos em simultâneo, amigavelmente.

— Então o que é? — indagou Damian fechando com força a porta do seu armário mostrando estar bem irritado — Desembuchem ou juro que vou partir a cara de vocês ao meio.

— Sabe, é que o Stuart e eu... ahn... Fala você, Stuart. — disse Brock empurrando o amigo para frente.

— E-eu falar? Ahn... A gente quer... Fala você, Brock. — disse Stuart trocando de lugar com o parceiro.

— Bem, ahn... — falava Brock coçando a cabeça, nervoso e suado — Na verdade, queremos...

— Minha paciência estourou! Se não têm nada a dizer, sumam da minha frente! — explodiu Damian passando entre eles.

— Por outro lado, até que serviu pra esses dois baixarem a crista. — comentou Jessie.

A dupla de valentões tentara novamente.

— A gente quer uma parceria contigo! — falou Stuart em ritmo acelerado. Damian virou-se com seu olhar colérico cravado neles que engoliram a saliva tamanho o terror.

— Verdade, nós seremos o trio parada dura dessa escola. — disse Brock — Com você no nosso time, não vai sobrar franguinho com as cuecas no lugar.

— Gostei da proposta. — disse Damian — Quando começamos?

Dois alunos que atendiam aos requisitos de bullying passavam pelo corredor conversando.

— Agora. — apontou Brock aos alvos. Os três caminharam até os garotos os empurrando e fazendo chacota com piadas de mau gosto.

— Tá legal, eu que vou assumir a rédea. — determinou Austin tomando a iniciativa — Aí, parem com isso! — afastou Brock e Stuart dos garotos — Deixem eles em paz!

— Ih, chegou o defensor dos fracos e oprimidos! — insultou Brock.

— Aí, Damian, seu amiguinho tá querendo ferrar com nossa diversão! — denunciou Stuart. Damian olhou para o casaco vermelho de Austin e a raiva se elevou ao pico.

— Você de novo! — disse ele avançando e empurrando Austin contra os armários ao agarra-lo pelas golas do casaco e da camisa. O tirou do chão, sua fúria crescendo — Me erra, seu trouxa!

— O que houve com você? O que aconteceu com o cara inteligente e certinho que eu tanto admirava?

— Não consegue aceitar que eu mudei, né? Não aceita o fato que você tem inveja de mim.

— Mas o que se passa aqui, afinal? — questionou o diretor Brewster após ouvir o coro de "briga, briga, briga" no corredor diante da faísca entre Austin e Damian — Vocês dois parem já com isso! Vou tocar o sinal e vão imediatamente para suas salas!

Damian soltara Austin e saiu pela direção oposta contrariando a ordem de Brewster.

— Damian, volte já aqui ou vai pra diretoria! Damian! — voltou-se aos Rangers — Mas o que há com ele? Parece totalmente mudado. Talvez eu deva chamar os pais dele pra saber se não andou com más influências.

— Não tivemos nada a ver com isso, diretor. — disse Zoe — Tem algo errado com o Damian e queremos mais do que tudo descobrir a razão.

— De qualquer forma, avisem-no de que sua prova do dia foi cancelada devido a essa rebeldia. — disse Brewster, severo, logo voltando à sua sala.

— Tá tudo bem, Austin? — perguntou Jessie.

— Eu vi nos olhos dele... Ele tá fora da realidade. Mas o Damian que conhecemos continua ali dentro adormecido.

— O que você tá supondo que seja? — indagou Zoe.

— Essa virada de chave dele começou depois que foi comprar os sucos. — disse Tim.

— Adivinhem só quem pode estar por trás disso. — disse Austin. Os outros três se entreolharam.

— Lokknon. — disseram em uníssono, convictos.

***

Após o fim das aulas, Austin, no caminho em retorno para casa, cruzava uma rua meio íngreme na qual via uma fila numerosa para o vendedor de sucos de groselha. Ao vê-lo oferecendo a bebida tóxica, Austin tomou urgência e teve ímpeto de confronta-lo.

— Aquele vendedor... Ei, você! — chamou em voz alta, mas ninguém ouvia. A fila acabou rápido e Austin seguia tomando proximidade — Ei! — correu até ele. O vendedor o notara, surpreso.

— É o Ranger Vermelho. — disse Minnotaurus que lutou contra o impulso de olhar para o casaco de Austin e atacar. Em vez disso, derrubou o carrinho com os sucos e fugira. Austin pulou o carrinho e correra mais depressa.

A perseguição foi barrada por um beco sem saída para onde o falso vendedor havia dobrado.

— Pensa que me despistou, foi? Qual é, eu só quero tomar um suquinho. — disse Austin procurando-o.

— Ah, é mesmo? Então toma! — disse Minnotaurus atrás dele avançando com seus chifres em riste. Austin saltou pulando sobre ele. O monstro cravou seus chifres na parede.

— Parece ficou preso. Boa sorte. — disse Austin. Porém, Minnotaurus libertou os chifres e voltou-se para o Ranger Vermelho, seu casco direito roçando no chão e as narinas bufando. Avançou novamente, mas Austin pulou ao outro lado — Olé!

O Ranger Vermelho desferiu um chute tobi geri de karatê na cabeça do monstro que recuou. Minnotaurus defendeu-se de alguns socos e chutes de Austin e o jogou para o alto com os chifres. Austin aterrissou numa lata grande de lixo fechada.

— Não tô afim de brincar de toureiro com você. Meu amigo foi envenenado por seu suco e vou tirar ele dessa, custe o que custar!

— Em breve haverá mais como ele! A gente brinca outra hora, Ranger Vermelho! — disse Minnotaurus que teletransportou-se.

***

Mais tarde, Jessie, Tim e Zoe haviam tramado juntos de ir atrás de Damian sem consultar Austin. O encontraram numa área de lazer com quadra de basquete onde o viram jogando com delinquentes juvenis. O trio estava numa área de estacionamento próxima e ficaram escondidos atrás de um carro azul contando com Zoe.

— Ele tá bem ali. Não tenha medo, Zoe. — disse Jessie — Ele virou um tremendo bad boy, mas não machucaria uma garota.

— Será que não? Olha os caras com quem ele ta jogando. — disse Tim, temeroso — Eles são do meu bairro, não tem pena de ninguém. Essa galera é barra-pesada, toma cuidado.

— Vou ficar bem, não se preocupem. — garantiu Zoe que foi andando devagar até a cerca de esgrima de arame em losango. Damian encarou com desdém ela o chamando com gesto de mão. Ele fora a contragosto, saindo da quadra.

— Uma pausa aqui rapaziada, minha namoradinha piranha tá chamando. — disse ele em escárnio com Zoe.

— Do que ele chamou a Zoe? — indagou Jessie.

— Acho que foi perua. — especulou Tim.

— O que você quer, Zoe? Você e os outros não vão largar do meu pé tão cedo, né?

— Eu só vim conversar. Aliás, te fazer um pedido. — disse Zoe que entregou uma foto antiga a ele — Lembra desse dia? Foi a festa de aniversário da Jessie no último ano do jardim de infância.

— E daí? O que vou fazer com uma foto idiota?

— Quero que se lembre de quem foi e daqueles que realmente se importam com você.

— Você é patética. — disse Damian amassando a foto e a jogando no lixo — Sempre foi. Sentimental e preocupada demais com os outros. Aquele Damian fraco morreu. Essa é minha melhor versão e nem você nem ninguém vai mudar isso! — falou, apontando o dedo a ela. Jessie e Tim intervieram.

— Pois eu acredito que ele ainda tá vivo. — disse Tim.

— Aí dentro ele ainda existe. — reforçou Jessie.

— Apareceram, seus covardes. Tinha visto vocês se escondendo. Estão com medo de mim? É pra terem mesmo!

Zoe saiu de perto chorando.

— A Zoe é uma grande amiga sua e olha o que você faz! Esse não é você, Damian! — criticou Jessie.

— Seus novos amigos são aqueles? Cara, você tá descendo mais fundo no poço. — disse Tim.

— Chega dessa ladainha toda! A partir de agora, fiquem sabendo que serei um Ranger solo. E se vierem me encher de novo, conto pra todos quem são os Power Rangers! — ameaçou Damian, logo andando de volta à quadra.

— Agora eu senti a noção do perigo. — disse Tim.

— Eu tentei com a melhor das intenções. — disse Zoe, abatida — Onde será que o Austin tá agora?

O líder andava por uma calçada olhando em volta, logo se encostando numa árvore discretamente. Mexeu no relógio comunicador, teletransportando-se à Central de Comando.

— Austin, o que faz aqui? — perguntou Dickerson virando-se para ele na cadeira — Pela sua cara, problemas envolvendo alguma suspeita de sabotagem do Lokknon.

— É, acertou. Dessa vez ele pegou pesado tramando pra destruir minha amizade com o Damian. E tenho medo de que... ele tenha conseguido. — lastimou ele, aproximando-se.

— Nos conte o que houve. — disse Karen, compadecida — Estávamos ocupados aqui separando alguns arquivos, mas paramos tudo apenas pra ajudar os Rangers em qualquer situação, não importa o que seja.

— Há um monstro à solta e ele precisa ser detido antes que todos os adolescentes e crianças da cidade virem rebeldes sem causa. O Damian não passou de um teste.

Enquanto Austin narrava a problemática, Damian caminhava assobiando com as mãos nos bolsos até parar quando viu dois bandidos tentando roubar um caixa eletrônico aproveitando que a rua era pouco movimentada.

— Veja o que temos aqui... — disse ele que logo foi usar um caminhão estacionado para se ocultar e tirou sua célula e morfador olhando-os — Eu trabalho melhor sem aqueles otários. — esticou os braços para frente com a célula para encaixar abaixo do morfador — Hora de morfar! Touro Ônix!

Após transformar-se, foi andando tranquilamente até os ladrões que usavam um pé de cabra para arrombar o caixa.

— Ei, mas é um Power Ranger... — disse um deles, assustado — Cara, sujou, vambora!

— Ué, mas ele tá sozinho. E essa rua tá praticamente deserta... Que tal darmos uma lição nele? — sugeriu o outro com o pé-de-cabra.

— Calma aí, rapazes. Nada de treta. Só quero dar uma mãozinha. — disse Damian que se aproximou do caixa. Com um forte soco fizera um estrago na parte inferior onde era armazenado o dinheiro. Uma cascata de notas caía através do rombo deixando os criminosos em êxtase — Rápido antes que alguém veja.

— Quem diria hein! — disse um deles recolhendo as notas para o saco — Se eu dissesse que um Power Ranger nos poupou do trabalho pesado, iam achar que somos loucos. Valeu, irmão!

— Sempre achei que o preto era o mais diferenciado. — disse o outro, rindo ao ajudar o parceiro.

— Eu sempre tive certeza disso, sou inigualável. — disse Damian, soberbo. Um policial passava na viatura e flagrou a ação, sacando a arma ao sair.

— Parados aí! Mãos ao alto, larguem tudo!

Mas os bandidos agilmente fugiram na motocicleta com o dinheiro. O policial virou para Damian franzindo a testa.

— Não vai atrás deles?

— Eu fiz o meu trabalho, agora faça o seu. — retrucou Damian indo embora tranquilo.

O alerta soou na Central de Comando e nesse instante Jessie, Tim e Zoe vieram em teleporte.

— Austin, que bom te encontrar aqui. — disse Jessie indo até ele — Por onde andou?

— Vi aquele vendedor de sucos e descobri que é a droga de um monstro do Lokknon, foi ele que envenenou o Damian e um monte de crianças. E vocês, onde estavam?

— Tentamos falar com o Damian, mas só deixamos ele mais irado. — disse Tim — Nem a Zoe conseguiu fazer ele chorar uma lágrima.

— Sem me avisar?! — protestou Austin.

— Tínhamos que tentar, com ou sem você. — disse Zoe, sincera — Mas falhamos... Eu falhei.

— Rangers, problemas em dobro. — alertou Dickerson chamando os heróis — Nosso touro indomado está fazendo da cidade seu parque de diversão. E focando em destruir somente coisas vermelhas. Carros, fachadas, roupas...

— E agora o mais decepcionante. — disse Karen olhando no outro monitor passando imagens de Damian auxiliando bandidos em roubos e trapaças — São de trinta minutos atrás. Ele chegou a prender um cara que só estava tentando entrar no próprio carro.

— Ele não tá raciocinando direito. — disse Austin.

— Só piora mais, bem que ele falou de ser Ranger solo, mas não esperava que fosse assim. — disse Tim — Quero meu irmão de outra mãe de volta!

— E vamos tê-lo. Mas sou o único capaz. — determinou Austin.

— Sei que se importa muito com o Damian, mas fazer isso sozinho vai contra o nosso código. — disse Zoe.

— Pois é, a gente honra esse legado pra agirmos juntos sempre. — reforçou Jessie.

— Austin tem razão. — disse Dickerson — É o único que consegue pois como Ranger Vermelho ele é o alvo principal do Damian nesse estado de fúria comparável a um touro.

— Quando ele partiu pra cima de mim na escola, olhou direto pro meu casaco. Touros odeiam vermelho, com o Damian não é diferente. — afirmou Austin.

— Entendi, não foi só pelo basquete. — disse Tim.

— O que faremos? Em nada ajuda lutar com ele vestido de vermelho e três Rangers não dão conta desse monstro. — analisou Jessie.

— Pintamos o traje do Austin de preto. — idealizou Tim estalando os dedos — Vai deixar o Damian confuso e pirado.

— Uma boa ideia teoricamente, Tim, mas tenho um plano que vai nos ajudar a ganhar tempo. — disse Dickerson — Morfem, mas apenas Austin irá.

— E o touro descontrolado? — indagou Karen — Ele está atacando a três quarteirões de onde o Damian se localiza agora.

— Teremos que prolongar a festa dele pra focarmos em tirar o Damian desse transe.

— Isso aí, galera. — disse Austin virando-se com os amigos retirando a célula e o morfador — Hora de morfar!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Na área urbana, Damian foi abordado por uma senhora de bengala.

— Por favor, meu jovenzinho, pode me ajudar a atravessar a rua? Esqueci de pôr os óculos hoje.

— Ahn... Tá legal, segura no meu braço. — se dispôs ele, rude e hesitante, dando o braço direito. O sinal marcou vermelho e seguiam atravessando a faixa. Porém, Damian detectou uma nota de um dólar caída e deixara a velhinha prosseguir sozinha lentamente. Apanhou a cédula e a admirou esquecendo do que fazia — Achado não é roubado, certo? Mesmo se fosse... E daí?

O sinal marcou verde e a senhora o procurava.

— Cadê você meu bem?

Felizmente, Austin a salvou de um atropelamento saltando e agarrando-a para tira-la dali. A colocou na calçada do outro lado.

— Está tudo bem agora, pode ir. — disse ele, logo voltando-se a Damian que subiu em cima de um ônibus estacionado — Damian, eu vim dar um ponto final!

— Acha que tem a última palavra porque é o líder? Vai se dar muito mal por me afrontar!

— Vi como se prestou a ajudar aquela senhorinha. Significa que ainda há bondade em você, só tem que deixar ela assumir o controle!

— Cansei de papo furado! Você é meu!

— Então venha me pegar! — desafiou Austin pulando sobre os prédios. Damian o seguiu. A perseguição os levou a uma estrada ladeada por canteiros de obras inacabadas — Beast Cycle Vermelha!

A moto surgira com Austin a pilotando para rasgar o asfalto.

— Uma corrida, é? Que original! — ironizou Damian — Beast Cycle Preta! — invocou sua moto na qual sentou e acelerou com os guidões.

A corrida fazia o asfalto arder mais do que o calor abrasador. Damian alcançou o rival ficando lado a lado, logo empurrando-o agressivo. Austin se manteve firme, apesar das faíscas na moto e acelerou. Damian empurrou novamente e mais forte.

— Eu sou o rei da pista! — bradou Damian. Austin se obrigou a apelar usando o Modo Míssil Turbo em que a moto se envolvia uma aura de fogo atingindo uma velocidade acima do limite — Trapaceiro!

Austin ultrapassou feito um míssil, mas deu meia-volta e disparou lasers contra Damian que estouraram faíscas. O Ranger Preto devolveu na mesma medida gerando um duelo de tiros sucessivos à medida que estavam para colidir. Quando encurtaram a distância, o choque de lasers causou uma grande explosão que ergueu suas motos e ambos passaram raspando um no outro. Damian perdera o controle, caindo.

Austin saltou para um canteiro mais fundo onde se viam tratores e materiais de construção, mas sem ninguém próximo. Damian foi atrás e o atacou com um chute. A luta corpo a corpo entre os Rangers se seguia em páreo duro. Damian saltou dando um chute de pés juntos em Austin que produziu uma onda vibratória e o mandou contra uma retroescavadeira estourando faíscas.

— Marreta Avalanche! — bradou Damian batendo sua arma no solo e produzindo uma onda de terra da qual Austin esquivou a tempo.

— Punhos da Selva! — disse Austin invocando suas duas armas com as quais disparou lasers que foram rebatidos por Damian com a marreta — Você também é bom de beisebol, olha só!

— Não me provoca! — disse Damian avançando com um grito aguerrido. Austin também o fez, o prenúncio de um novo choque de forças. Contudo, uma interrupção se fez presente.

— Damian, você não tava me procurando? Aqui estou eu! — disse Tim morfado, mas tingido de vermelho.

— O quê? Não! O que é isso?

Os olhos de Damian brilharam e sua fúria o mandou atacar Tim. Austin não entendia.

— Peraí... Tim, é você?

— Acho que dois Rangers Vermelhos não é o bastante! — disse Jessie saindo detrás de um trator também tingida em vermelho. Damian a olhou, indo ataca-la com a marreta rugindo furioso.

— Por que se preocupar com um se você pode ter quatro? — falou Zoe expondo-se. Damian correu ao ataque, mas parou ao olhar em volta.

— Não! O que tá acontecendo? Não sei qual de vocês atacar primeiro! Minha cabeça... — disse Damian largando a marreta e pondo as mãos na cabeça gritando com dor.

— Isso! — compreendeu Austin — Vocês são demais! — saltou para perto dos amigos.

— Cortesia do Sr. Dickerson. Toma, põe na parte interna do morfador. — disse Jessie dando um dispositivo em forma de pequeno disco. Austin grudou o objeto dentro do morfador.

— O que acontece agora? — indagou ele.

— Temos de dar as mãos. — falou Zoe dando a sua mão a Austin. Os dispositivos ativaram-se fazendo os quatro emanarem luzes coloridas como auras. As luzes ficaram mais intensas, logo havendo trocas de cores num ritmo acelerado criando um efeito psicodélico aos olhos focados de Damian cujo brilho vermelho sumia. O Ranger Preto caiu de joelhos.

— Damian! — disse Austin indo ajuda-lo — Tá tudo bem, você... é nosso amigo, né?

— É você, Austin? Qual de vocês é o Austin? Deve ser essa tontura...

— Ele voltou. — disse Jessie.

— Yeah! Meu irmãozão voltou! — disse Tim o abraçando de lado — Como se sente?

— Com um peso gigantesco na consciência. Me desculpem por todo o mal que eu causei.

— Nada de sentir pena de si mesmo. — disse Zoe — Não tava consciente das suas ações.

— Nem quando chamou você de namora...

— Tim, agora não. — disse Jessie interrompendo-o.

Minnotaurus reaparecia ali sedento.

— Hoje é meu dia de sorte! Quatro Rangers Vermelhos pelo valor de um! — disse ele que lançou raios de seus chifres que atingiram os Rangers numa grande explosão. Jessie, Tim e Zoe retornavam as suas respectivas cores — Fui tapeado!

— Então era uma ilusão? — perguntou Austin levantando-se.

— Passamos numa máquina que parecia uma impressora gigante. — disse Jessie.

— E ganhamos o que Karen chamou de fantasia holográfica. — disse Zoe.

Lokknon perdera as estribeiras.

— Laser regenerador, agora!

— Às suas ordens, mestre! — disse Barooma apertando o botão que disparou o raio esverdeado. Envolvido no feixe de luz, Minnotaurus fora agigantado.

— Precisamos do poder Megazord! — solicitou Austin. Os animais robóticos foram prontamente enviados e corriam rumo à luta. Os zords combinaram-se formando o Megazord Z.

Minnotaurus avançou para um chifrada fatal, mas o robô gigante agarrou os chifres bravamente sendo empurrado.

— É impossível escaparem! — disse o monstro.

— Vai vendo. — disse Tim.

O Megazord dera uma joelhada no rosto bovino de Minnotaurus o afastando.

— Rangers, aqui vai uma surpresinha que preparei especialmente pra ele. — disse Dickerson, apertando um botão no painel.

Um pano vermelho tipicamente usado nas touradas surgia nas mãos do Megazord.

— Haha! Ótimo, vamos brincar! — disse Austin. O Megazord balançava o pano tal qual um toureiro espanhol. Minnotaurus se preparava para atacar roçando o casco no chão. Se lançou para a chifrada, mas o Megazord desapareceu diante dele e ressurgiu no outro lado.

— Olé! — disseram os Rangers.

— Vocês evocaram minha ira! — ameaçou o monstro vindo em mais um ataque. O Megazord desviou cobrindo a cabeça dele com o pano que se enroscou entre os chifres — Não consigo ver nada! Só esse vermelho repugnante!

— Sabre Selvagem! — disseram os Rangers invocando a espada que caiu na mão direita do robô — Insígnia Feroz! — o círculo fora feito para o golpe final na forma do corte da espada — Partir!

O sabre selvagem acertou Minnotaurus que se atormentava com o pano no rosto.

— Morrer vendo a coisa que você mais odeia é humilhante! — disse ele ao cair. Explodiu fragorosamente. Lokknon tentava esganar Barooma, sendo segurado por Mudok e Aracna.

— Esse é mais outro vexame que você me faz passar! Até quando, Barooma? Até quando?

— Acalme-se, mestre! — pedia Mudok — Vou buscar sua aspirina!

— Precisamos de um sedativo isso sim! — disse Aracna, aflita.

***

Na manhã seguinte, a Angel Grove Middle School lançava olhares acusatórios para Damian no corredor. O Ranger Preto se dirigiu aos amigos perto dos armários.

— Finalmente, aqui estão pessoas que não me veem como um delinquente. Vai levar tempo até que eu restaure minha imagem.

— Bobagem, daqui uns dias todos esquecem. — disse Austin, otimista.

— Afinal, o tempo cura tudo. — disse Zoe.

— Talvez não isso aqui. — disse Jessie mostrando em seu celular a notícia do assalto favorecido pelo Ranger Preto — A internet tá massacrando o Ranger Preto depois da fuga de dois bandidos que esvaziaram um caixa.

— Nada que uns salvamentos de gatinhos nas árvores não resolvam. — disse Tim.

— Ao menos não lançaram uma recompensa pela minha cabeça. — disse Damian — Tenho que ir a sala do diretor, ele me concedeu fazer uma prova de segunda chamada. Já imaginaram? Eu fazendo segunda chamada!

— Pra tudo tem uma primeira vez, né? Vai lá, boa sorte, amigão. — disse Austin.

— Austin, sobre aquilo que eu disse... de me sentir superior a você....

— Esquece, aquelas palavras não eram suas. Além do mais, você pode não se achar bom nos esportes, mas é melhor do que eu em muitas coisas, disso tenho certeza.

— Valeu. É ótimo estar de volta. — disse Damian que virou-se para ir fazer a prova.

Depois, uma surpresa arrancou todas as atenções.

— Estão vendo o que eu tô vendo? — perguntou Jessie.

— É uma alucinação, só pode. — disse Zoe.

Brock e Stuart passavam completamente transformados na aparência e trejeitos.

— Caramba, o Damian ficou tão sinistro que alterou a realidade. — disse Tim olhando-os de cima a baixo.

— Olá, como vão? — cumprimentou Brock que usava um suéter branco — Gostaram do nosso novo estilo?

— Sim... E ainda estamos tentando acreditar. — disse Austin.

— Pois é, galera. Aquela vida bandida de valentão não tava com nada. — disse Brock.

— Queremos ser bem vistos pela sociedade. — disse Stuart cujo cabelo estava penteado para trás com gel.

— Aí, Stuart, eu não sabia que você tinha um olho esquerdo. — disse Tim fazendo os outros conterem risadas.

— Desencanei daquela franja, já saiu de moda.

— Até mais, turma. — disse Brock fazendo saudação com dois dedos.

— Parecem dois mauricinhos. — disse Zoe.

— Não dou uma semana até voltarem a ser como antes. — apostou Austin.

A dupla foi barrada pelo grupo de delinquentes que consideravam piores que eles.

— Aí Brock, a gente tava te caçando. — disse o mais velho e líder — Me passa a grana que tu deve!

— Eddie!? E-eu... sou o irmão gêmeo do Brock! Ele me falou de você!

— Se fosse irmão dele não ficaria com tanto medo de nós. — intimidou Eddie. Os rapazes pegaram-os e os viraram para subir suas cuecas — E nem faria beicinho depois de levar um cuecão! Você ainda me paga senão vai ser pior.

O grupo saiu da escola enquanto a dupla andava constrangida com as cuecas à mostra.

— Esse plano não deu muito certo, Brock.

— Foi bom enquanto durou.

Os estudantes, inclusive os Rangers, não mediram risos com a vergonha pública e a transformação frustrada dos valentões que invariavelmente eram motivo de piada.

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