Power Rangers: Esquadrão Z
31 Erro de Morfagem
Notas iniciais
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A noite havia sido marcada para um encontro de diversão e aprendizagem na casa de Damian, mais precisamente no depósito de ferramentas onde o Ranger Preto improvisava um laboratório científico no desenvolvimento de novos inventos extraordinários que deixavam às claras seu intelecto superdotado. A engenhoca da vez tratava-se de um carro elétrico visualmente similar aos de Fórmula 1, pintado de preto com tons de dourado em linhas e com rodas cobertas por pneus cuja borracha exalava puramente o cheiro de novidade.
Owen foi o último a chegar e o teste de ignição não iniciaria sem ele — conforme definido pelo anfitrião.
— Olá, pessoal, já tô por aqui. — disse o Ranger Verde adentrando com sua habiual camisa verde de sudoku — E aí, Damian? Essa caranga sai do lugar hoje ou não sai?
— Só estava esperando você vir, não começaríamos sem você. — disse o pequeno gênio batendo sua mão na do amigo.
— Nossa, fico bem lisonjeado. — disse Owen sorridente, seu topete moderado bem destacado.
— Até pensamos que fosse um dos primeiros a chegar. — comentou Zoe.
— Verdade, você nunca foi de chegar por último. — disse Austin que tinha um palpite — Deixa eu adivinhar: seu pai controlador te proibiu de sair.
— Pra variar, me enrolei com um dever de casa, ele até me deu uma forcinha na hora, só assim pude me salvar e também vir aqui com a permissão dele, é claro. — respondeu Owen se aproximando.
— Aquele das potenciações? — perguntou Tim com expressão num misto de nojo e tensão.
— Esse daí mesmo, foi fogo na roupa, como meu pai costuma dizer. Se ele não fosse tão bom em matemática, ficaria até altas horas preso naquela última questão. O único preço de pedir ajuda foi contar a ele que eu vinha pra cá.
— Podia ter simplesmente ligado pro Damian, eu já fiz isso e ele me tirou do aperto rapidinho. — disse Jessie orgulhosa do amigo inteligente.
— Eu poderia ligar pra qualquer um de vocês, exceto pro Tim porque ele deve ter passado mais perrengue que eu. — brincou Owen voltado para o Ranger Azul que ironizava a piada.
— Hahaha, legal, muito engraçado. Podíamos fazer uma competição qualquer dia desses pra ver quem resolve uma lição de casa sem pedir ajuda a ninguém. O cérebro que fritar primeiro sem terminar até o dia seguinte vai rachar a conta quando formos ao Earl.
— Apostado, eu vou me dar bem que eu sei. — disse Owen apertando a mão direita de Tim.
— Hum, veremos se o gorila aí tem cacife.
Damian finalizava os preparativos, ajustando a bateria e o motor do veículo.
— Tudo OK, esquadrão. Os circuitos estão adequadamente prontos para operar em carga máxima. — disse ele entrando no carro e segurando o volante firmemente.
— Peraí, você vai dirigir essa coisa como um carro de verdade? Não é por controle remoto? — perguntou Owen, curioso quanto ao funcionamento.
— Esse veículo funciona a base de uma bateria elétrica praticamente autossustentável acoplada a um motor de 150 cavalos e propulsores que elevam a até mil pés. Quando a bateria descarregar, a recarga não vai consumir tanto da energia pois ele é uma opção usual pra algo que não agride o meio ambiente já que não queima combustível fóssil.
— Estamos em 2014, mas o Damian parece que já vive no século 22. — disse Austin, ansioso para a demonstração prática.
— Não, exagero total, eu estimo dedutivamente que modelos como esse poderão ser desenvolvidos dentro de trinta ou cinquenta anos pelas empresas automotivas, até aplicado ao esporte de corridas. — disse o Ranger Preto — Bem, vamos começar. Preparados?
— Você ainda pergunta? Gira logo essa chave que a gente tá doido pra dar uma rolê nessa máquina quente. — disse Tim esfregando as mãos em ansiedade e sorrindo de emoção.
— Lá vai. — disse Damian que ligara o veículo. As quatro rodas se inclinaram em posição horizontal à medida que o carro se elevava do chão. Os demais reagiam com pasmo e admiração, Jessie e Zoe dando rapidos aplausos.
— Que nota vocês dão? — perguntou Damian.
— De zero a dez, minha nota é mil. — disse Austin — E olha que é apenas um experimento.
— Acho que todos aqui concordam com o Austin, né? — perguntou Jessie.
— Se isso foi a ignição, eu mal posso esperar pro test-drive. — falou Zoe — Tá de parabéns, Damian.
— É, cara, o troféu de ouro da segunda feira de ciências já é todinho seu, como sempre. — felicitou Tim, impressionado.
— E você, Owen, tem uma opinião formada? — questionou Damian ao loirinho fotógrafo.
O Ranger Verde entortava a cabeça analisando o carro flutuar com as rodas deitadas.
— Ainda acho o DeLorean do Dr. Emmet Brown melhor.
— Ah, qual é, Owen? Larga de ser chato... — disse Tim que teve apoio de Austin, Jessie e Zoe nos protestos contrários a crítica.
— Peraí, eu tava só zoando! — disse o Ranger Verde com ares de riso — Achei esse carro incrível, já quero dar uma voltinha.
— Então subam a bordo, meus tripulantes! — convidou Damian com entusiasmo, buzinando.
Lokknon observava com atenção minuciosa pelo visualizador multifocal, mas sem deixar seu humor irritadiço de lado.
— Que ótimo, os Rangers agora possuem um meio de transporte que funciona com uma bateria autossuficiente e respeitando o consumo de energia. O que tem de excepcional nisso pra eles se empolgarem tanto?
— Eu sugiro que façamos uma boa bagunça nesse lugarzinho. Os Psycho-Bots farão a maior festa e os Rangers não vão conseguir lutar num espaço tão limitado. — disse Aracna olhando para a tela — Eles já estão indo voar nessa geringonça medíocre.
— Pois eu acho que deveríamos aproveitar o ensejo para deflagrar meu plano, mestre. — disse Mudok chegando a sala.
— E por falar em geringonça medíocre... — insultou Aracna cruzando os braços ao virar-se para ele.
— Quieta, hoje eu não quero ouvir nenhuma palavra que subestime o meu novo projeto, muito menos vinda de você. — retrucou o androide passando por ela.
— E que diferença faz eu dizer algo? Você vai fracassar como em todas as vezes.
— Aracna, eu faço das palavras do Mudok as minhas hoje. — declarou Lokknon com severidade, a deixando espantada.
— Mas mestre... O Mudok nunca deixa de desapontar o senhor! Por que iria confiar justo agora? Mandamos os Psycho-Bots e arruinamos a noite dos Rangers, simples e econômico.
— Eu e o mestre conferimos em primeira mão o resultado do novo monstro cibernético de Mudok! — revelou Barooma.
— Mas cadê essa primorosa invenção? Dormindo e esperando tocar o despertador?
— Apresente-se, Voltaikus! — bradou Mudok. O ser maquinário entrava na sala com um andar firme e altivo — Ai está ele! Cumprimente o mestre.
— Mestre Lokknon, estou ao seu inteiro dispor, como meu criador bem determinou às minhas funções. — disse Voltaikus com sua voz de som robótico fazendo uma reverência.
— É bom que ele torne a vida dos Rangers um martírio, isso antes das pilhas acabarem. — disse Aracna com deboche explícito. Mudok virou-se enfezado para ela, sacando sua espada de metal negro — Ei, calma aí, foi mais forte do que eu, você me conhece! Ah, Mudok, você nunca ficou tão zangado com as minhas piadas ao ponto de me ameaçar, eu já falei coisa bem pior sobre suas traquitanas, então vai baixando a crista.
De inesperado, Voltaikus disparou ráios elétricos amarelos das mãos contra Aracna a eletrocutando por 5 segundos até que ela caíra inerte como uma pedra ao chão com os cabelos absurdamente arrepiados e a pele chamuscada.
— Voltaikus, que rompante de fúria foi esse? — questionou Lokknon.
— Ela me chamou de tranquitana, mestre. Eu apenas reagi conforme minha programação.
— Ouviu isso, Aracna? Ele não gostou nada do seu comentário. E também entende sarcasmo. — disse Mudok agachado próximo a princesa aracnidea que tremia imóvel com uma expressão de pavor.
— Essa demonstração foi excelente! — celebrou Lokknon.
— Excelente? — indagou Aracna, a voz presa devido ao choque elétrico potente.
— A eletricidade de Voltaikus é capaz de provocar uma crise de energia histórica em toda a Alameda dos Anjos. — avaliou Lokknon, eufórico — Os Rangers estão prestes a partir naquele veículo patético, é a hora apropriada!
— Mudok, quanto tempo vou ficar assim? — perguntou Aracna falando como se estivesse com um objeto travando sua língua.
— O bastante para que não me aborreça com suas opiniões não solicitadas, hahahaha! — respondeu o androide com escárnio. Voltou-se ao seu homem-máquina elétrico — Voltaikus, vá imediatamente à Terra no local que você foi programado a se deslocar. Drene toda a energia da zona onde os Rangers se encontram!
— É o que farei para saciar minha fome de energia! — disse o monstro robótico que apertou um botão no seu corpo para teleportar-se ao bairro onde situava-se a casa de Damian. Surgiu sob torres de transformadores de alta tensão — Não é a usina de força, mas sem problema, de faísca em faísca eu vou preenchendo minha cota! — pegara na caixa de chave da força e abrira-a, logo infiltrando seus dedos compridos e absorvendo a energia em ritmo acelerado — Como essa energia é limpa!
Não tardou para boa parte das residências e ruas sofrerem com intermitência de luz. No laboratório de Damian, os Rangers se surpreenderam com o pisca-pisca da lâmpada.
— Opa, isso também é parte da experiência? — indagou Owen.
— Tá me parecendo um problema. Damian, alguma coisa tá errada, verifica aí. — disse Austin num dos bancos de trás.
— A luz tá querendo cair! — alarmou Jessie — Será que vai ter um blecaute? Ah não...
— Damian, será que o seu carro não tá afetando a rede elétrica? — especulou Zoe bem ao lado dele no banco do carona.
— Se interferisse na rede, o máximo que ocorreria seria na instalação na casa. — disse Damian descendo do carro e indo conferir no lado de fora pela janela — Pessoal, não é o carro, tá acontecendo na rua toda! Os postes entraram em curto!
Enfim, toda a energia caíra em definitivo, levando os Rangers a saírem do carro depressa.
— Ah! Que medo, um apagão geral! — disse Jessie que não percebeu estar abraçando Tim.
— Jessie... Tá me sufocando...
— Ah, é você, Tim!? Me desculpa. É que essas situações de falta de energia me deixam muito nervosa, fico até com vontade de ir no banheiro.
— Nossa, eu também, me dá o maior desespero sem poder enxergar quase nada. — disse Zoe, aflita em meio a semi-escuridão — Austin, Owen, Damian... Venham pra perto, temos que ficar juntos.
— Lá em casa tem uma coleção de lanternas, os meus pais já devem ter pego. Vamos em fila, um tocando no outro, eu vou na frente. — definiu Damian.
— Beleza, mas que pena que o teste não rolou. Teria sido radical voar nesse carro numa noite linda como essa. — disse Austin pondo sua mão direita no ombro de Damian.
— Tô numa boa, outro dia quando todos estiverem livres realizamos o teste. — respondeu Damian, tranquilo — Imprevistos acontecem. Podemos ir?
— Sim, maquinista! — disse Tim — Piuiiii!
Os Rangers caíram na risada enquanto saiam enfileirados do depósito encarando o breu rumo a casa. Mas pouco após saírem, o toque do comunicador desfizera o "tremzinho".
— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin ao atender.
— Rangers, problemas bem mais sérios que esse blecaute lá na rede elétrica do bairro. Um monatro de arco voltaico prendeu eletricistas numa torre de força, vão depressa. Vai haver uma tempestade de raios prevista pra hoje.
— Vou avisar ao meu pai. Mamãe deve estar na cama a essa hora. — disse Damian que fora correndo até sua casa.
Logo depois, os Rangers reuniram-se, próximos da casinha de Ragnar, que dormia em sono imperturbável e viram Damian sair e trancar a casa. O Ranger Preto correu até eles.
— Tudo certo, já notifiquei o papai que... deu uma boa desculpa esfarrapada pra minha mãe. Espero que ela acredite, ele é péssimo nisso assim como eu.
— E seus irmãos? — indagou Jessie.
— Dormindo como bebês, cansaram de reclamar do apagão. — respondeu Damian se juntando para a morfagem.
— OK, galera, temos vidas inocentes correndo sério perigo de vida, precisamos agir o mais rápido que pudermos antes de lutar. — disse Austin sacando sua célula e morfador tal qual os demais — Estão prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Gorila Esmeralda!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Os Rangers chegaram à localidade da torre de força cuja altura era estimada em 16 metros. Os eletricistas foram postos amarrados com cintos e fitas isolantes até o topo, o grupo inteiro clamando por ajuda ao ver os heróis coloridos. No céu, relâmpagos piscavam e trovões estremeciam sob as nuvens preto-azuladas tempestuosas que ameaçavam desabar a tormenta.
— Depressa, a tempestade logo vai começar! — disse Austin olhando as vítimas no alto da torre.
— Será que dá tempo de libertar todos antes que piore? — questionou Zoe.
— Estamos em seis, não será tão difícil. — falou Jessie.
— Tá legal, menos papo e mais operação, pessoal! Vamos! — disse Austin que juntos aos amigos dera um salto superveloz para subir.
Voltaikus surgia do outro lado, acima de uma pequena torre de transmissão, na forma de arco voltaico amarelo se materializando. Ficou a observar os Rangers com expectativa.
— Vai chover, vai chover raios e trovões nessa cidade daqui há pouco! E os ratinhos coloridos caíram direitinho na minha ratoeira, hahaha!
Os heróis rompiam as amarras com lasers das pistolas Z e liberavam os homens que desciam a torre.
— Desçam com calma, cuidado pra não escorregar, o vento tá muito forte. — orientou Owen acabando de soltar mais um que o agradeceu — Disponha.
— Descer com calma, Owen? O céu vai cair já já, cara, tem que ser ligeiro. — contrariou Tim acima dele — Opa, já vi uns três raios atravessando bem ali!
— Comigo é segurança em primeiro lugar. — respondeu o Ranger Verde fazendo sinal de OK.
Austin retirava o último próximo do topo.
— Vai rápido, corram sem olhar pra trás!
O chefe do grupo acenou positivo com a cabeça e foi descendo acelerado. Após todos os homens fugirem dali no caminhão, os Rangers tiveram uma tensa constatação.
— Peraí... Eu não consigo sair, minhas mãos grudaram! — disse Owen.
— Nossos pés também! — alarmou Zoe — Estamos presos!
— Não pode ser... — disse Austin tentando fazer força para soltar as mãos, os raios no céu cruzando as nuvens acima dele em diferentes diferentes — Como isso foi acontecer?
— Ao que parece, o monstro que causou o blecaute magnetizou a torre! — explicou Damian com apenas a mão esquerda grudada.
— Mas como atingiu somente a gente e não eles? — perguntou Jessie.
— Não sei ao certo, mas eles usam luvas e botas de borracha por padrão já que é um material isolante elétrico! As nossas talvez tenham uma matéria-prima que facilita atrações eletromagnéticas!
— O que fazemos então? Esperamos virar churrasquinhos coloridos? — indagou Tim, desesperado.
Voltaikus se divertia a valer com a aflição dos heróis encurralados.
— Eles são muito desmiolados, mas o preto até que sai da curva! Tudo que fiz foi ativar a magnetização a essa distância soltando pequenas faíscas dos meus dedos depois que libertassem aqueles vermes! Nem borracha ou qualquer outro material protege das minhas descargas! E lá vem um raio potente até mim!
O raio poderoso caíra sobre o monstro-máquina que ria histericamente. Com sua eletricidade, canalizou o raio que ganhou coloração amarela diretamente contra a torre.
— Aquele raio tá vindo na nossa direção! — disse Tim.
— Preparem-se pro impacto! — alertou Austin.
A descarga vigorosa foi direcionada bem no topo da torre e se ramificou abaixo, afetando os Rangers que gritavam ao serem eletrocutados a uma voltagem imensurável. Os heróis caíam quase que um por vez após o cessar da descarga. Foram ao chão com as roupas e capacetes chamuscados.
— Ai... Estão todos bem, não é?
— Sim... Bem torrados. — respondeu Tim tentando levantar, gemendo de dor.
— Cada parte do meu corpo tá formigando como se estivesse dormente. — disse Owen ajudado por Damian a levantar — E você, cara?
— Na mesma. A sensação de ser eletrocutado a uma voltagem tão absurda é ainda mais aterrorizante que ver um raio de perto.
— Gente, aquele raio não veio da tempestade. — apontou Jessie ajudando Zoe a se reerguer.
— Sem dúvida foi obra do...
Zoe tivera a fala interrompida por Voltaikus que aparecia em raios se materializando.
— Voltaikus que é meu lindo nome!
— Você!? — disse Austin meio trôpego — Devolva toda a energia que roubou!
— É como pedir pra um ser como vocês vomitar tudo o que comeram do mesmo jeito que estava antes de ser digerido! Impossível!
Voltaikus disparou raios das duas mãos que explodiram fogo e faíscas ao redor dos Rangers.
— Detonador Max Vermelho! — disse Austin resistente, invocando sua arma, logo disparando vários tiros de laser. Voltaikus quase se desequilibrava com os estouros de faíscas que até geraram uma explosão de fogo na frente.
— Ué, cadê ele? — indagou Owen.
— Escapou já que pode se converter em eletricidade pura. — dissera Damian.
— Mas sentiu o poder do meu detonador, isso dá uma esperança de virarmos o jogo. — afirmou Austin, otimista — Já é tarde, passou da hora de eu ir pra cama, meu pai deve estar agoniado, prometi que voltaria as dez em ponto.
— Melhor irmos logo, pode rolar teste-surpresa amanhã no colégio. — pressionou Jessie.
— Ótimo, nos encontramos amanhã na escola! Falou? — disse Austin esticando seu braço direito.
— Falou! — disseram os demais em simultâneo e enfim cada um saltando em supervelocidade rumo às suas respectivas casas enquanto a tempestade piorava.
Owen, após chegar sendo flagrado andando na ponta dos pés no corredor ao entrar pelos fundos e dar satisfações ao pai, vestira o pijama e deitou, deixando o morfador e a célula no criado-mudo pela preguiça de guardar onde sempre deixava e também deixou ao cansaço e o sono.
Adormecer tão depressa, a despeito dos trovões e relâmpagos constantes, o fez ignorante a um sinal preocupante no morfador. O aparelho faiscava raios verdes em volta de si, indicando um defeito originado da descarga elétrica.
***
Na manhã seguinte, já toda a turma dos Rangers estando na escola comentando reservadamente sobre a luta da noite passada, Brock e Stuart passavam por colegas inaugurando uma nova modalidade de sacanear alvos.
— Meu cabelo tá um bagaço depois daquele raio que tomamos. — resmungou Jessie olhando-se num espelho de mão — Já me sinto uma bruxa com esses fios emaranhados.
— Se te serve de consolo, o meu tava ainda mais arrepiado. — disse Zoe arrumando seu armário — Te mandaria uma foto se tivesse luz.
— Será que já consertaram a rede? — perguntou Austin — Ouvi dizer que a tempestade só durou uma hora e meia. Podem ter aproveitado a madrugada e só agora terminado.
— Vi pela atualização no site da companhia elétrica. — disse Damian conferindo no celular — O fornecimento foi restabelecido.
— Faltou luz na cidade inteira mesmo? — indagou Tim.
— Acho que o Voltaikus saiu pra se alimentar de mais energia depois que fugiu de nós. — especulou Austin
— Moramos em bairros vizinhos, a rede que fica na nossa regional não abastece um só. Quando eu cheguei em casa tava tudo em trevas. — disse Owen segurando a alça da mochila nas costas — E meu pai também me deu aquela bronca como um policial parando alguém.
— Ih, olha aqueles dois vindo aí. — disse Zoe expressando incômodo — Parece que acordaram com o pé-direito hoje.
Brock e Stuart se aproximaram dos Rangers numa estranha postura amigável.
— E aí se não é a nossa turma favorita do colégio! Fala aí, Tim, bom dia, meu chapa! — disse Brock dando um aperto de mão ao qual Tim instintivamente retribuiu. Porém, o Ranger Azul sentiu uma leve corrente elétrica perpassar o corpo — Hahaha, sentiu aí a vibração?
— Ei, seus malucos, que negócio é esse? Meu coração tá batendo mais forte que tambor!
— São nossas luvas elétricas. — disse Stuart que ficou atrás de Jessie, ainda olhando no espelho, e a tocou nos ombros lhe dando um choque.
— Ai! — gritou a Ranger Amarela derrubando o espelho com o susto pelo choque — Stuart, que brincadeira mais sem graça! Olha o que você fez! – apanhou o espelho trincado — Tá me devendo um espelho novo!
— E quem vai me obrigar? Você? Hahaha, tá bom! — zombou o valentão de cabelo franjado.
— Querem um abraço do gordinho aqui? — sugeriu Brock.
— Sai fora com essas mãos aí. — disse Owen recuando.
— Que foi? Tá com medinho de estragar o topete, é? — insistia Brock com as mãos levemente erguidas movendo os dedos, intimidando-o.
Stuart passou por detrás de Damian tocando com as pontas do dedos nos quadris dele.
— Opa, a bundinha tá tremendo agora, hahaha! — disse ele rindo de como o Ranger Preto estremeceu com o choque — Viu como ele tremeu, Brock? Pareceu um bambu, hahaha
— Por pouco vocês não ficam me devendo um celular novo. — rebateu Damian.
— Tá legal, chega dessa palhaçada de dar choques nas pessoas. — disse Austin — Se o diretor pega vocês com a boca na botija... Ia ser demais, outra suspensão pro histórico.
— A gente só tá divertindo de outro jeito. — justificou Stuart.
— É, um jeito menos violento pra evitar uma nova suspensão. — disse Brock, tranquilo, encostando a mão enluvada na porta de seu armário para se apoiar.
— Aí, seus manés, faltou luz na casa de vocês ontem a noite? — indagou Tim.
— Ahn, na verdade... — disse Stuart desconcertado, coçando a cabeça — Falta desde o mês passado.
— Stuart e eu estamos fazendo um racionamento de energia. Não é, Stuart?
— Ué, achei que a energia das nossas casas tinha sido cortada.
— Era de se esperar. — disse Zoe olhando para Jessie à sua esquerda, a amiga concordando.
— Fala baixo, seu traste. — disse Brock dando olhadelas zangadas para os Rangers que controlavam as risadas — Epa, peraí... — descobriu que a palma da luva grudara na porta — Stuart, me acuda, pregou aqui!
— Calma aí, Brock, fica frio! — disse Stuart o agarrando por trás para puxa-lo com toda a força — Grrrr, vai Brock, desgruda essa mão!
— Tô tentando, mas não é só eu que tenho que botar força, né?
— O que acha que eu tô fazendo?
— Cara, que vergonha olhar pra isso. — comentou Owen cobrindo o rosto com a mão.
As forças combinadas enfim deram resultado, mas nada dentro do esperado. A porta foi arrancada de súbito batendo fortemente contra o rosto de Brock cujos olhos estavam como se fosse vesgo. Os Rangers desataram a rir à vontade. O valentão gorducho balançou a cabeça se reorientando e dera um pescotapa em Stuart.
— Não era pra botar tanta força, estrupício! — repreendeu, logo dando um choque no parceiro com a luva agarrando o braço direito dele.
— Ei, para Brock, isso machuca! — disse Stuart se debatendo de modo que só elevava as gargalhadas dos Rangers.
Paralelamente, Voltaikus implantava uma série de baterias nos postes de alta tensão em toda a cidade. Como faísca de arco voltaico, ele corria por fios até chegar a um outro poste. O monstro-máquina liberou uma descarga de múltiplos raios que atingiram as baterias amarelas instaladas nos postes, iniciando a coleta de energia em volumes consideráveis. Em pouco tempo, vários bairros sofriam com novos apagões.
Earl naquele instante preparava uma vitamina de morango no liquidificador quando as luzes da cantina apagaram-se e o eletrodoméstico silenciou seu barulho.
— Ah, cacetada, de novo caiu a luz! — disse ele vendo os clientes se espantarem, alguns inclusive indo embora — Galerinha, espera, a energia já volta, deve ter sido... Ah, esquece. — se entristeceu, tirando o copo do liquidificador — O dia da vitamina já era.
Os Rangers chegavam, o que lhe inspirava certo ânimo.
— Ah, vocês vieram, turminha. Mas sem uma fila enorme pra vitamina de fruta, como podem ver.
— Pois é, rolou outro blecaute e dessa vez nos quatro cantos da cidade. — disse Austin se aproximando do balcão com os outros atrás — A coisa tá feia, o prefeito decretou estado de crise.
— Não tem nem uma vitaminazinha pronta, Earl? — perguntou Jessie.
— Quando eu tava no meio da primeira... — disse Earl fazendo um gesto de corte com a mão direita perto do pescoço — Foi mal, galerinha, hoje não dá. Quem sabe na próxima terça.
— Não é sua culpa, Earl. Todos nós achávamos que o problema tinha sido resolvido completamente. — disse Zoe.
— Mas tinha que ser justo no dia da vitamina? Poxa, não tem quase ninguém. — disse Tim.
— É o que acontece quando se marca um dia fixo pro item especial do cardápio. — lamentou Earl — Vou fritar uns hambúrgueres e umas batatinhas, é o jeito. — se direcionou à cozinha.
Os comunicadores dos Rangers tocaram assim que o cozinheiro afastou-se. Foram rapidamente para o corredor perto da entrada
— Estamos na escuta. — atendeu Austin.
— Rangers, vão imediatamente à usina de força. Voltaikus está lá para acumular mais energia drenada. E ele vem absorvendo mais quantidades brutas de eletricidade a partir de baterias implantadas em torres de alta tensão. — pediu Dickerson.
— Por isso o blecaute geral. — disse Jessie — Ele fez só um aquecimento ontem.
— Vamos nessa. — disse Austin. Os heróis apertaram juntos os botões de teleporte, logo chegando a área aberta da usina. Flagraram Voltaikus com as baterias como se estivesse tomando água — Acabou seu banquete, Voltaikus! A cidade não vai parar por sua causa!
— Os pirralhos coloridos estão de volta pra interromper minha saborosa refeição! Mas onde estão seus trajes protetores? Não é seguro mexer com eletricidade com as mãos nuas, sabiam?
— Vamos te mostrar que perigo maior é mexer conosco! — disse Owen surgindo e se juntando aos amigos — E aí, galera?
— Owen, já tava na hora! — disse Austin — Saiu escondido do seu pai de novo, né?
— Já virou hábito, tô bem mal-acostumado.
— Agora que estão todos os vermezinhos aqui, permitam-me lhes apresentar meu exército de guarda! — disse Voltaikus lançando esferas metálicas das quais saíram Psycho-Bots. Porém, havia uma diferença notável nos soldados, mais precisamente nas costas deles.
— Ah, que beleza, nada como perder tempo lutando com esses panacas! — disse Jessie.
— Que mochilas são essas? — questionou Tim.
— São fontes de abastecimento aprimorado! Eu compartilhei da energia que minhas baterias drenaram nas últimas horas!
— Duvido que faça tanta diferença! — disse Austin sacando a célula e o morfador — Prontos? Hora de morfar!
O sexteto foi imbuído da energia de morfagem reluzindo intensamente nas respectivas cores. Porém, um resultado surpreendentemente alarmante e inusitado ocorreu sem que percebessem de imediato.
— Punhos Selvagens! — disse Austin cujo traje estava na cor azul. Aliás, a roupa, das botas ao capacete, pertenciam a Tim — O quê? Mas não apareceram! O que houve?
— Gente, olhem pras roupas... — disse Jessie, chocada, estando na cor rosa — Zoe, o que você tá fazendo com o uniforme do Owen?
— E você com o meu! Não pode ser, trocamos de cores!
— Eu tô de amarelo! Peraí, é a cor que meu pai usava quando era Ranger! Ah, tá de boa! — disse Tim ignorando a gravidade daquele fenômeno — Aí, Damian, você ficou bem de vermelho, haha!
— Isso não é engraçado, estarmos com as cores erradas pode causar um distúrbio mais agravante! — alardeou Damian.
— Eu de preto até que não fiquei nada mal. — disse Owen olhando para os braços e o corpo — Mas gosto mais da minha força de gorila que... vamos combinar, supera e muito a do touro. Sem querer te ofender, Damian.
— Hahaha, parece que sobreviverem ao meu raio custou um preço alto! Ataquem, meus guardas! — bradou Voltaikus. Os robôs avançaram contra os Rangers que não tiveram opção senão agir.
Austin chamara pelas barbatanas cortantes, mas a realidade acabou indo na contramão da expectativa. Na tentativa de golpear os robôs próximos à ele, o líder que excepcionalmente trajava azul tomava ataques na barriga e pelas costas dada a dificuldade de manejar as armas laminadas.
— Ah não, eu não sei como... — um chute no peito que o mandou contra um bloco de pedras de concreto cortou sua fala. Mas logo se reergueu, mantendo-se quase deitado na pilha de pedras, chutando outros dois que vinham de ambos os lados — Não sei como usa-las!
— Estão viradas do jeito errado, Austin! — avisou Tim com seu novo traje amarelo, chutando e repelindo alguns robôs em volta — Mas pra mim é moleza, as garras da Jessie são armas de cortar também! Garras Raptoras! — saltou girando em vertical para uma pilha de barris pesados atrás dele ao invocar as armas — Legal, parece até que voei!
Os robôs dispararam com os detonadores, levando o Ranger Amarelo pular e escapar das agressivas explosões de faíscas. Ao pousar não chão, foi tentando desferir cortes com as garras, mas numa performance aquém de Jessie, resultando em golpes desajeitados e falhos seguidos de golpes físicos dos robôs acertando vários pontos do torso.
— Tim! — chamou Jessie com o ferrão de arraia, logo tomando sendo agarrada pelo pescoço por trás e arremessada contra uma parede. Quatro robôs a encurralavam — Eu consigo... É claro que eu consigo, uso minhas garras como duas espadas. Por que eu não seria boa com uma só?
Avançou contra os soldados com movimentos do ferrão, chegando a executar um corte eficaz de frente a um deles, mas ao perfurar outro no peito viu que enfiara a ponta mais profundamente do que devia. O Psycho-Bot entortou a cabeça a olhando, logo liberando uma descarga elétrica na "nova" Ranger Rosa, somente assim a desvencilhando dele seguido de um golpe no peito que a fez colidir as costas contra o parabrisa de um carro que trincou e salpicou faíscas. Os robôs dispararam no veículo, causando uma explosão que tirara Jessie do chão. Damian e Owen estavam próximos chutando alguns dos robôs
— Normalmente conseguimos desarma-los... — disse Damian – Mas dessa vez o resultado se mostrou diferente! — manejava os punhos selvagens de Austin num ritmo disfuncional que acarretava em mais aberturas para tomar danos físicos dos soldados — Como se destravam os canhões dessas coisas?
Owen apenas afastava os robôs que aproximavam-se com a marreta de Damian, também sofrendo apuros no uso.
— Eu tinha pra mim que isso aqui macetava mais forte! — disse o novo Ranger Preto que golpeou um robô, porém este segurara a marreta, logo conduzindo uma descarga elétrica através dela que estouro faíscas em Owen.
— Não é a força da marreta, é o modo como você a maneja! — destacou Damian que acabou tomando raios elétricos vindos por trás, a explosão de fogo o fazendo voar.
— Owen, essa sua adaga é pequena demais pra feri-los mais grave! — reclamou Zoe, quase cercada de robôs e recuando.
— Zoe, o problema não são as armas! — disse Austin levantando com dores — Somos nós!
— Vou destruí-los num único tiro! — disse a Ranger Verde — Macro-Detonador! — o canhão robusto de Owen surgiu no ombro direito. Contudo, um desequilíbrio a acometeu — Ôôô... Caramba, não sabia que esse canhão pesava tanto!
Jessie voltou a atenção para a amiga.
— Essa não... Zoe, você não vai conseguir! Estamos trocados, não temos jeito com as armas que não são nossas!
— Eu posso tentar! — insistiu a real Ranger Rosa apontando o canhão para os robôs ou ao menos tentando manter uma mira. Zoe andava para trás meio cambaleante devido ao peso que excedia sua força natural de Ranger — Preparar, apontar...
— Ah, eu nem quero ver! — disse Owen virando o rosto.
— Fogo!
A esfera energizada verde foi disparada, porém numa trajetória errônea que mal passou raspando nos alvos. Voltaikus olhava a bola de energia vagar sem rumo pelo ar, rapidamente disparando seus raios amarelo que a acertaram e a dividiram em seis, uma direcionada a cada Ranger. Os heróis sofreram o impacto explosivo dos ataques simultâneos, levando-os a desmorfagem.
Karen e Dickerson se entreolharam atônitos. Voltaikus reagrupava os Psycho-Bots.
— Bom trabalho, meus enérgicos peões! E quanto a vocês, pirralhos, podem ir pra casa chorando e lembrem-se de comprar pilhas para lanternas porque irão precisar por um bom tempo! Hahahaha! — zombava o monstro, logo teleportando-se com os soldados.
Logo mais, os Rangers teleportaram-se a Central de Comando queixando-se de dores.
— Crianças, como se sentem? — indagou Karen, preocupada, virando-se sentada na cadeira giratória.
— Até que bem, mas... — disse Austin.
— Bem nada, eu tô me sentindo mais amassado que uma uva passa. — disse Tim apoiando-se na mesa — Aquele Voltaikus nos humilhou feio.
— Mais humilhante que ser saco de pancadas de Psycho-Bots não foi. — disse Jessie.
— Me façam entender: vinham mais deles enquanto lutávamos ou estavam mais fortes que o normal? — questionou Owen.
— Aquelas baterias forneciam energia extra, assim resistiram aos nossos ataques, mas não foi apenas isso que influenciou nossa derrota. — disse Damian, o rosto com manchas de chamuscado.
— A troca de cores. — disse Austin — O raio que nos atingiu ontem a noite na torre, o Voltaikus manipulou a corrente mandando direto pra nós.
— Era parte da armadilha, mas creio que essa troca de cores foi uma surpresa até mesmo pra ele. — disse Dickerson — Temos um agravante que pode fazer com que essa luta fique longe de acabar.
— E agora? O senhor vai consertar nossos morfadores? — perguntou Tim.
— Não será necessário que me entreguem as células e os morfadores. Vamos contar que essa anomalia seja temporária. Em torno de 24 horas acredito que desaparecerá.
— Se Voltaikus continuar drenando energia nesse período, não iremos chama-los, afinal não estão habituados com armas que não sejam sua.
— Esse talvez tenha sido o fator preponderante pra que tenhamos perdido. — disse Damian — Austin, eu penei pra usar aqueles seus punhos.
— Não foi pior do que usar as garras da Jessie. — falou Tim.
— Ah, não disse que era moleza, espertinho? — disse a lorinha com tom irônico.
Um debate acalorado sobre as trocas se inflamou entre os Rangers.
— Pelo que tudo indica, isso vai gerar complicações bem maiores até que eu resolva esse abacaxi. — falou Dickerson cruzando os braços ao se encostar no painel atrás observando os heróis trocarem ideias sobre suas experiências traumáticas com as armas.
***
No dia seguinte, a Alameda dos Anjos permanecia sob estado de calamidade com o decreto de suspensão das aulas e de alguns setores do mercado de trabalhos que dependem da energia elétrica. Pela tarde, os seis Rangers estavam reunidos na quadra esportiva jogando basquete ao ar livre para minimizar o estresse.
— Passa pra mim, Owen! — pediu Tim cobiçando a posse de bola marcar uma enterrada digna de uma final da NBA. Porém, o fotógrafo amador resolveu desacatar, driblando Austin e Damian que formavam dupla. Jessie e Zoe viam-se na arquibancada em torcida — Ah, cara, vai lá!
Owen realizou a enterrada que arrancou aplausos das meninas.
— Não fica chateado, Tim, da próxima vez te deixo fazer uma dessas. — disse Owen vindo contente até ele.
— Hehe, essa foi boa mesmo, mas quando for minha hora eu espero que você me peça a bola pra praticar minha vingança, espera só.
— Ufa, que jogo hein. — disse Austin aparentando cansaço, a regata vermelha suada — Que tal uma pausa de uns quinze minutos?
— É uma prorrogação que você tá querendo, Austin? Cuidado com o que deseja. — disse Owen girando a bola no dedo iniciador direto.
— Pois é, foram dois tempos e a dupla dinâmica aqui saiu de zero a dois pontos num só. — falou Tim em postura altiva tocando Owen no ombro a direita dele.
— Graças a mim, só pra constar. — ressaltou Owen.
— Podíamos jogar uma partidinha adicional. — aprovou Damian.
— É, não temos nada em casa que possamos fazer sem energia. Mas só se a dupla dinâmica aí aceitar e perder o medo da nossa virada. — desafiou Austin com um sorrisinho sarcástico.
Voltaikus retornara em teleporte com os Psycho-Bots energizados cercando-os na quadra. Os garotos recuaram até a arquibancada, as meninas aproximando-se.
— Nossa, por que demoraram tanto? — perguntou Jessie.
— Ocupados drenando redes de alta tensão! Não haverá uma fagulha de energia enquanto eu estiver aqui! — disse Voltaikus — Bem-vindos a nova idade das trevas.
— Pode esvaziar a energia da cidade inteira, mas a luz da esperança é a única que você não vai apagar! — disse Austin determinado — Ninguém em volta, certo?
— Nenhuma alma viva passando. — disse Owen.
— Beleza, estão prontos? — disse o líder sacando a célula e o morfador — Hora de morfar!
Os heróis foram envolvidos em brilhos coloridos, mas o efeito anômalo na transformação se mostrou intacto.
— Oh não, trocamos de novo! — disse Tim — Peraí, e-eu... — olhou para os braços, estarrecido — Eu tô de rosa?! Me digam que eu tô daltônico!
— Isso não é daltonismo, nem de longe! — disse Damian que havia trocado para amarelo — É mais uma troca de cores!
— Eu pensei que se acontecesse de novo estaríamos com as mesmas cores erradas! — declarou Zoe que naquele instante usava o manto preto.
— Mas já não passaram 24 horas desde a primeira vez? — perguntou Jessie que trajava uniforme azul.
— O Sr. Dickerson fez uma suposição, não era certeza que esse erro iria sumir sozinho! — disse Austin com o manto verde.
— Ai, Austin, agora que sou o vermelho, me deixa liderar o time por hoje? — sugeriu Owen a esquerda de Austin.
— Não tem como trocar comigo, Owen? — indagou Tim.
— Qual seu problema com rosa? Ficou ótimo em você. — disse Zoe claramente sarcástica.
— E ainda pergunta!? — retrucou o Ranger Rosa.
— Para de birra, Tim. — disse Jessie — Ficou uma gracinha, só tá faltando uma saia, hahaha.
— Cansei de ouvir esse lero-lero! — disse Voltaikus — Ataquem-os agora sem piedade!
Os Psycho-Bots dispararam os lasers eletrizados dos detonadores contra os Rangers que se dispersaram escapando das explosões de faíscas que destruíram partes da arquibancada.
— Galera, em vez de usarmos nossas armas individuais, podíamos chamar pelas Beasts Cycles! — disse Austin chutando dois robôs ao girar.
— Gostei da ideia! — falou Owen esquivando dos golpes de alguns robôs, logo dando uma joelhada na barriga de um deles e um chute em arco noutro.
— São as únicas armas que não requerem manejo próprio! — disse Damian jogando um robô contra outros dois que foram derrubados.
— Beasts Cycles chegando, crianças. — disse Karen apertando uma tecla.
As motocicletas surgiram voando aceleradas por sobre a arquibancada, as rodas friccionando ao tocarem o chão. Os heróis rapidamente saltaram para pilota-las, logo correndo em direções diferentes pela quadra com disparos de lasers que atingiam certeiros nos robôs. Paralelamente, Karen foi ao laboratório verificar o que Dickerson tanto se empenhava em fazer.
— Eles recorreram às Beasts Cycles, assim podem lidar com a troca de cores sem transtornos. O que você tá mexendo aí?
— Engatillhando a arma secreta. — disse o explorador vagamente. Pusera os óculos de proteção e teclou depressa no computador.
— Isso aí é um indutor de ligado ao conversor bioelétrico? Não me diga que vai...
— Sim, vou. Não há outra saída viável. Avise a eles quando eu der o sinal.
— Pode deixar. — disse Karen firmemente, virando-se e caminhando para fora da sala.
Voltaikus expressou sua revolta ao ver os robôs combalidos que foram teleportados.
— Meus soldados eletrificados reduzidos a sucata! Preparem-se para sentir a fúria ainda mais potente do meu relâmpago!
O monstro-máquina acumulava energia concentrada na sua centelha, a liberando numa descarga espessa e numa amperagem elevada.
— Rangers, a barreira Z, depressa! — bradou Austin. Contudo, o raio avassalador os atingiu antes que acionassem o poder defensivo, a forte explosão flamejante tirando os seis do chão e os levando a desmorfar ao caírem.
— Estão frágeis como humanos desprezíveis! Hora de incinera-los com minha voltagem total! — ameaçou Voltaikus, as faíscas elétricas passando pelo corpo e pelos dedos.
— Tô com a sensação de que ele não tá brincando. — disse Zoe tentando reerguer-se.
— Ele tá super afim de nos fritar. — disse Tim levantando com ferimento no braço esquerdo.
— Fritar não, nos transformar em pó, e energia pra isso ele tem de sobra! — falou Damian.
— Vamos morfar. — disse Austin.
— Pra trocarmos de novo? Austin, melhor batermos em retirada enquanto ainda podemos! — disse Jessie, apreensiva.
Karen entrava em contato imediato.
— Rangers, terem desmorfado foi algo positivo nesse momento. Dickerson está aprontando a solução contra as trocas.
— O que ele pretende fazer? — indagou Owen.
— É apavorante, mas acreditem, pode dar muito certo. Um raio vai atingi-los... — disse Karen olhando na tela a contagem regressiva enviada por Dickerson —... em 15 segundos. Não fujam.
— Um raio vai cair na gente!? — disse Tim, assombrado — Mas que raio de plano é esse?
— Coragem, vamos confiar na ideia do Sr. Dickerson! — incentivou Austin, destemido.
— O que ele tá esperando que não nos ataca logo? — indagou Jessie.
— Tá reunindo o máximo de energia que coletou pra nos destruir. — dissera Zoe.
A voz de Karen soou novamente nos comunicadores.
— Rangers, conectem as células aos morfadores. Quando eu der o sinal, Austin, diga: hora de morfar. 5 segundos.
Os Rangers o fizeram prontamente, aguardando.
— Estamos prontos! — disse Austin.
A contagem zerara e o raio se avizinhava.
— Agora!
— Hora de morfar!
Nesse instante, a descarga poderosa veio retumbante caindo sobre os heróis, gerando uma fumaça de vapor branco que os cobriu.
— Mas que raio pomposo foi esse? Que descarga mais intensa! — disse Voltaikus, estremecido — Não pode ser...
Os heróis caminhavam devagar, a fumaça se dissipando ao redor. As cores dos Rangers finalmente haviam sido repostas a seus devidos donos.
Os Rangers se alinharam confiantes.
— Vamos acabar logo com isso! Combinar armas! — bradou Austin. A turma invocara suas respectivas armas e as ligaram, logo a fusão dando forma ao Abatedor Selvagem — Owen, uma ajudinha sua seria ótimo!
— Falou e disse! Macro-Detonador! — disse o Ranger Verde, o canhão logo surgindo sobre seu ombro direito — Agregar!
A pesada arma se direcionou ao Abatedor Selvagem, fundindo-se para gerar o canhão triplo. Os heróis compartilharam suas energias para alimentar o disparo enfiando suas mãos nas entradas. Voltaikus amedrontava-se.
— Não consigo me mover! Me libertem, eu nasci pra ser livre como um raio pelas nuvens!
— Um, dois, três... Disparar! — disse Austin, o tiro triplo logo sendo lançado. As três esferas energéticas se combinaram poderosamente, acertando Voltaikus que caíra numa explosão fatal.
A comemoração dos Rangers enfureceu Lokknon fazendo-o disparar um raio contra o androide na sala.
— Vergonhoso, desmoralizante... Imperdoável! — esbravejava o imperador.
Aracna ria zombeteira numa expectativa sádica de ver o colega ser sentenciado a solitária.
— Que adorável ter voltado ao normal a tempo de testemunhar mais um fracasso humilhante seu, Mudok. Meu sistema nervoso sabia que eu não podia perder esse momento.
— E você, Aracna, quieta! — ordenou Lokknon — Me dê uma boa razão pra não joga-lo naquela cela ou destruí-lo com minha espada.
— O senhor não levantaria sua espada contra mim nem se eu o matasse de desgosto.
— O desgosto que sinto agora supera qualquer um que tenha me feito sofrer antes! Me diga que reservou algo pra contornar essa falha a curto prazo. — o silêncio de Mudok o enervou — Me diga! — vociferou, levantando do trono.
— Há um modelo que usei como esqueleto de testes primários. — disse Mudok reerguendo-se — Posso aperfeiçoa-lo criando uma versão mais eficiente de Voltaikus e com largo alcance de poder para reduzir os Rangers a poeira estelar.
— Promessas não me valem de nada se eu não as ver se cumprindo. — afirmou Lokknon sentando no trono — Lhe darei... cinco dias. Um segundo de atraso e o trancafio naquela cela por anos — sinalizou com a mão direita
— Tanto assim? — indagou Aracna.
— Só isso?! Mestre...
— Questione e posso acompanha-lo até a solitária. — ameaçou inclinando-se a ele — A escolha é sua.
O androide baixou a cabeça, certo do que fazer.
— Farei o que for possível pra não decepciona-lo novamente, milorde.
— Já ouvi isso antes. — disse Aracna de braços cruzados com desdém e fingindo bocejar.
No colégio, os Rangers chegavam transportados pelo carro elétrico de Damian perto do bosque.
— Valeu pela carona, Damian. — agradeceu Austin descendo do veículo.
— Já é nosso chofer particular. — disse Jessie.
— Ei, já combinei de ser o primeiro passageiro hein. — revelou Tim olhando para o amigo.
— Isso até meus irmãos descobrirem. — falou Damian — E acreditem, eles vão e não vão querer só caronas pra escola.
— Por que não cria tipo um modo de invisibilidade pro caso deles xeretarem seu laboratório? — idealizou Zoe, a última a descer.
— Tá aí que você me salvou de ser abusado por aqueles dois pestinhas, Zoe. — falou Damian — Vou formular uma versão beta hoje mesmo.
— Será que o Owen já chegou? — indagou Austin caminhando.
— Não sei porque pergunta, ele parece que dorme em frente ao colégio. — respondeu Jessie, arrancando risos dos amigos.
Brock e Stuart estavam próximos do alarme de incêndio almejando uma travessura.
— Hora de conferir se a energia voltou com força total. — falou Brock — Ninguém tá espiando, né?
— Sorte que esse alarme fica num cantinho bem discreto pra gente pegar todo mundo de surpresa. — disse Stuart, ansioso — Vai, aperta!
Brock o fizera, o som do alarme soando por todo o corredor, bem como acionando o sistema de água. Os alunos se alvoroçaram correndo da chuva densa que caia. A dupla de valentões gargalhava, ambos dançando com os braços dados rodando.
— Meu cabelo vai perder a hidratação! — disse Jessie usando a mochila como proteção — Quem fez essa idiotice?
— A resposta tá bem ali. — apontou Zoe.
— Tinha que ser esses babacas! — atacou Tim — Mamãe passou minha jaqueta ontem assim que a energia voltou!
— O gel se esvaiu inteirinho. — reclamou Damian passando as mãos no cabelo espetado.
— Aí, vocês dois estão encrencados! — gritou Austin, mas o barulhento alarme abafou sua voz.
— Somos os melhores! Toca aqui, Stuart!
Ambos deram a mãos, mas justo as que continuavam cobertas pelas luvas elétricas, o contato não resultou em outro efeito que não fosse um forte choque compartilhado que os fazia tremer e se debater. Caíram duros lado a lado no chão quase inundado, não tardando verem a face zangada do diretor Brewster acima deles os encarando com autoridade. O diretor levantou-os puxando pelas orelhas.
— Espero que tenham energia pra consumir nos deveres extras que vou passar.
— Foi mal, diretor... — disse Brock tendo tiques agudos devido ao choque.
— Só queríamos... ver se funcionava. — disse Stuart do mesmo modo, a voz trêmula e instável.
Os Rangers caíram na risada, logo começando uma guerrinha de chutes na água molhando uns aos outros em puro divertimento sob a chuva enquanto ela duraria.
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