Notas iniciais
Sinopse do capítulo: É apenas mais uma luta normal contra um monstro, quando, de repente, Austin atravessa um portal que o faz se deparar com um mundo espelhado tendo Power Rangers, mas eles em nada se parecem com seus amigos que no mundo original se veem diante do Ranger Vermelho desta outra dimensão. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

O museu de história natural da Alameda dos Anjos estava às vésperas de comemorar seu centenário com uma exposição badalada envolvendo influentes convidados do ramo arqueológico. Porém, a atração central do evento foi alvejada sob risco de roubo de forma descarada e espalhafatosa. Tratavam-se dos ossos pré-históricos de diferentes espécies jurássicas trazidos de uma expedição por arqueólogos associados ao museu, estando armazenados numa arca de madeira selada.

O autor proposto a esse assalto era um monstro nomeado de Clashbone que se aproximava do local armado com seu machado de ossos naquela manhã de sábado caótica para os Rangers. No terraço de um prédio, os heróis o flagraram preparando para usar do machado a fim de destruir as vidraças e portas.

— Ele tá logo ali, quase encostando no museu! Rangers, depressa! — disse Austin dando o sinal para saltarem os cinco juntos. Os Rangers pousaram diante do monstro em interceptação — Daqui você não passa, Clashbone! Já cansamos do seu joguinho conosco!

— Seus ossos vão sair quebradinhos hoje, se prepara! — disse Tim aquecendo as mãos ao estralar os ossos dos dedos.

— Por que se importam com uma pilha de ossos que eu apenas desejo ostentar? — questionou Clashbone minimizando sua atitude.

— Corta essa, seu ossudo! — rebateu Jessie — A gente conhece bem a sua tramoia com essas relíquias do museu!

— Não passamos três dias lidando com você sem saber de nada sobre seu plano! — reforçou Zoe à direita da amiga.

— Ouvimos sua conversa com Mudok na qual você esclarece que pretende se apropriar dos ossos pra dar vida a uma criatura monstruosa como seu mascote! — acusou Damian.

— Ficou sabendo do dia e da hora que os ossos viriam pra cá e decidiu enrolar com a gente esperando chegarem! — alegou Austin com dedo indicador apontado para o monstro.

— Crianças enxeridas como vocês têm olhos e ouvidos em todos os cantos, mas que droga! — reclamou Clashbone brandindo seu machado.

Mudok surgia em teleporte próximo dali sendo notado pelos Rangers e por Clashbone.

— Poupe seu tempo com esses fedelhos e entre no museu para pegar esses ossos de uma vez por todas! — disse o androide com esferas metálicas pretas nas mãos, as quais jogou para cima — Psycho-Bots, ataquem!

Os soldados robóticos monoculares foram liberados das esferas pousando de pé com seus movimentos padronizados e automáticos.

— Parece que vocês têm trabalho a fazer, pestinhas! — disse Clashbone que bateu o machado no solo de concreto pesadamente, soltando uma onda de vibração que gerou explosões de faíscas em volta dos Rangers os desestabilizando — Agora deixem que eu faço o meu! Nos veremos de novo quando eu estiver por aí com meu mascote arrasando esta cidade!

O monstro correu para uma das entradas dos fundos dando passagem para os Psycho-Bots que atiravam com seus detonadores. Os Rangers saltavam para os lados, escapando das explosões de fogo e faíscas.

— Pistolas Z! — bradou Austin sacando a arma e atirando em robôs aleatoriamente.

— São muitos! — disse Zoe chutando e socando os que estavam mais próximos dela.

— Ele vai pegar aqueles ossos! — falou Tim dando uma rasteira num Psycho-Bot, em seguida chutando outro que veio ataca-lo do lado oposto.

— Podemos usar as Beast Cycles pra dizima-los mais rápido! — sugeriu Damian batendo fortemente dois robôs pelas cabeças um no outro quando ambos iriam golpea-lo, depois dando um chute em arco desarmando e derrubando outro.

— Ótima ideia! — concordou Austin — Beast Cycle Vermelha, ativar!

A moto surgiu em teleporte, logo o Ranger Vermelho saltando e aterrissando sobre ela com potência de aceleração alcançada pelo mover dos guidões. Austin corria disparando lasers explosivos contra os robôs. Os demais logo chamaram pelas suas na esperança de finalizarem o confronto a tempo de evitar o assalto. Clahsbone passava por alas de arqueologia a procura do recipiente dos ossos.

— Meu sensor não me enganaria, com certeza está nessa direção. — disse ele que andou apressado rumo a um corredor. Destruindo a porta com uma machadada, adentrava na sala do curador onde focou a visão na arca próxima da mesa de escritório — Posso sentir, estão dentro daquela caixa! Finalmente meus!

Se aproximou logo golpeando a tranca da arca com o machado ósseo. Ao abrir o baú, encantou-se ao ver os ossos pré-históricos mal contendo seu júbilo com a conquista.

— Hahaha, eu devia forjar meu mascote aqui mesmo, mas não vamos apressar demais, eu quero esfregar essa vitória na cara daqueles pirralhos coloridos!

Mudok aparecia na sala em teleporte logo atrás dele.

— Ei, não vem cortar meu barato! Eu acabei de bater minha meta!

— Não vim arruinar seu momento de glória, mas sim auxilia-lo. Os Rangers se mantém ocupados. Permita que meus soldados carreguem os ossos para um local adequado onde possa conceber sua criatura.

— Você é chato, mas até que sabe ser um bom parceiro, diferente daquela perua de cabelo vermelho! — disse Clashbone.

Dois Psycho-Bots vieram a sala e levantaram a arca suportando o peso dos ossos valiosos. Os Rangers seguiam em combate proativo contra os Psycho-Bots pilotando as Beast Cycles.

— Ihaaaa! — gritou Tim levantando a roda dianteira e disparando lasers contra três robôs a sua frente que tomaram os ataques com explosões de fogo que os tiravam do chão.

Damian usava sua marreta avalanche estando sobre a moto, batendo em soldados próximos e arrancando suas cabeças robóticas. Jessie e Zoe aceleraram lado a lado dando uma volta.

— Será que eles aguentam uma dose dupla? — indagou Jessie.

— Aposto alto que não! — respondeu Zoe as mãos firmes nos guidões.

Dispararam os lasers das motos contra um projeto grupo de Psycho-Bots adiante que revidaram na mesma hora com tiros dos detonadores. Os lasers atingiram-os mais destrutivamente, a explosão impactante os fazendo ir pelos ares com danos consideráveis enquanto os disparos deles explodiram atrás das garotas.

Austin vira um robô saltando contra ele, logo inclinando a moto e apontando os faróis disparadores. Apenas quatro lasers disparados com boa proximidade foram suficientemente danosos contra o robô que sofreu perdas de braços e cabeças ao ser atingido e caíra destroçado.

— Essa foi sensacional, Austin! — disse Tim — Vai me ensinar um dia como se faz hein!

— Parece até que foi em câmera lenta de tão bem manobrado! — disse Damian.

Na Central de Comando, Karen apertava o botão de estabelecer contato aos Rangers.

— O que vai dizer a eles? — indagou Dickerson que estava diante do monitor esquerdo.

— Eles parecem ter esquecido de um certo detalhe sobre Clashbone. — disse Karen — Estão levando os ossos do museu pelos fundos, mas os Rangers já eliminaram quase todo o exército de Psycho-Bots. E você, o que tanto analisa aí?

— Nosso radar quântico vem detectando pontos instáveis de distorção em toda a cidade. Será que hoje é o dia? Não pode ser... — o explorador transmitia preocupação na fala e na face.

— Dia de quê? — indagou Karen, curiosa.

— O fenômeno mais temido pela rede de morfagem. — dissera Dickerson, olhando-a sério.

O último Psycho-Bot fora jogado contra um carro, rolando pelo capô e caindo severamente danificado com raios e faíscas. Logo os robôs combalidos eram teleportados de volta à nave de Lokknon. Os Rangers se reuniram após o toque do comunicador, as motos já tendo sumido. Austin atendeu ao contato.

— Na escuta. Vamos entrar agora no museu.

— Tarde demais, crianças. Clashbone está saindo agora pela entrada oeste dos fundos. Ele tem os ossos e vai remaneja-los até onde talvez ele faça nascer o tal mascote dele. — avisou Karen.

Os heróis correram para impedi-lo, logo vendo a dupla de robôs levando os achados arqueológicos.

— Essa não, pegaram os ossos! — disse Austin.

— Mesmo usando as Beasts Cycles não ganhamos tempo! — lamentou Zoe.

— Rangers, vocês esqueceram da habilidade oculta de Clashbone: rastrear ossos antigos. — informava Karen — Não fosse por isso ele ainda estaria perdido tentando acha-los pelo museu.

— Ah é verdade, ele já tinha conseguido facilmente um bom número de ossos das outras vezes. — disse Austin.

Clashbone atacava-os batendo seu machado no chão, criando uma onda vibratória. Os Rangers tocaram em Austin e bradaram:

— Barreira Z! — o emblema do Esquadrão Z no peito do Ranger Vermelho se projetou multicolorido criando o escudo que neutralizou a onda, os privando de danos. Apenas uma forte explosão de poeira cinzenta se resultou atrás deles.

— Continuem, seus imbecis! — falou Clashbone aos Psycho-Bots — Quero esses ossos longe daqui enquanto faço picadinho de Power Ranger pro almoço! — avançou segurando firme o machado. Os Rangers correram bravamente até ele em rota de colisão, Austin na linha frontal.

Porém, de modo súbito e inexplicável, Clashbone desaparecera, parecendo ter se transformado num ser inteiramente distinto. No caso, ele dera lugar a um gato branco antropomórfico com rosto amigável.

— Como é que... — disse Tim cessando a corrida — Ué, cadê o Clashbone?

— Ele... virou esse gato?! — disse Zoe, confusa.

— Austin, aconteceu alguma coisa estranha! — disse Jessie tentando chama-lo.

— Ele não parece ter ouvido, resolveu enfrentar esse gato desconhecido sozinho! — apontou Damian.

O líder vermelho combatia o gato bípede com exímia destreza de movimentos, seja em chutes ou socos e até esquivas.

— Eu tenho mais o que fazer, criancinhas! — disse o gato que chutara o Ranger Vermelho no peito e o mandou longe por uns metros. Criou uma esfera de fogo arroxeada com as mãos e a lançou diretamente aos Rangers que foram atigidos com uma explosão flamejante intensa.

O gato de rostinho simpático, porém dotado de um poder claramente destruidor, partira saltando em alta velocidade. Os Rangers se reerguiam, mas logo foram teleportados de volta a Central de Comando.

— Ai, caraca, que golpe duro, foi de doer. — disse Tim tocando no corpo dolorido — O gatinho é fofo, mas sabe ser bruto.

— Mas o que aconteceu? O Clashbone tava bem na nossa frente e de repente trocou de lugar com aquele gato falante. — falara Zoe.

— E se ele tiver fugido com os ossos e o Lokknon usou um truque pra substitui-lo por outro monstro que estava de reserva? — teorizou Jessie.

— Boa hipótese, nesse caso seria melhor contatar o Owen e manda-lo cuidar de Clashbone enquanto lidamos com o gato. — disse Damian tirando seu capacete tal qual os demais.

— Cogitamos sim chamar Owen... — disse Dickerson transparecendo seriedade ao saber a causa real — Se fosse mesmo uma troca orquestrada pelo Lokknon.

— Então se não foi isso... O que realmente houve ali? — indagou Jessie — Foi muito esquisito.

— Austin, você tá legal? — perguntou Zoe.

— Austin? Quem é Austin? — indagou o líder vermelho que removia o capacete. O rosto que se revelava aos Rangers, a Karen e a Dickerson tinha feições largamente diferentes do capitão da equipe, seus traços asiáticos em destaque — Meu nome é Koichi. E que lugar é esse? Quem são todos vocês, afinal?

Estupefatos, os Rangers o encaravam com suas mentes afundando em mil e uma interrogações.

— Austin, quando foi que você fez plástica pra ficar parecido com um japonês? — indagou Tim.

— Crianças, esse não é o Austin. — disse Karen — Acho que tá mais do que óbvio.

— Não sou mesmo. — disse Koichi esboçando confusão com um sorrisinho ao esquadrinhar a sala — Mas que loucura... Onde foi que eu vim parar?

— A resposta pra isso é uma história que vocês deverão ouvir com total atenção.

— Cadê o nosso amigo? O que fez com ele? — questionou Tim, impetuoso contra Koichi. Damian o parou naquele instante.

— Eu não fiz nada, eu tô tão confuso quanto vocês! — defendeu-se o outro líder Ranger.

— Ei, segura a onda, não é plausível que ele tenha relação direta com esse fenômeno estranho. — disse o Ranger Preto acalmando o parceiro.

— Até porque afetou o Clashbone também. — disse Jessie.

— Então quem estaria por trás? Algum palpite? — perguntou Zoe, ávida por respostas.

— Não se trata de alguém, mas algo. — esclareceu Dickerson — É a história que vou contar a vocês, pelo menos resumidamente pra facilitar a compreensão.

No universo alternativo em que Austin havia ido parar acidentalmente, Clashbone enfrentava diretamente o Ranger Vermelho que desviava dos golpes do machado de ossos com esquivas e pulos, intercalando com chutes no corpo do oponente.

— Detonador Max! — bradou Austin invocando a pistola com a qual disparou diversas vezes. Clashbone, enquanto sofria estouros de faíscas em volta, lançou ossos pontudos do machado, levando Austin a saltar de modo que ficasse quase de ponta a cabeça e deitado, escapando do golpe e mantendo a sequência de tiros.

— Chega, cansei dessa briguinha! — disse Clashbone afastando-se.

— Pois eu não! — disse Austin — Punhos Selvagens! — acabou contra o monstro num salto, desferindo chutes girando e em seguida quebrando o machado com um golpe de esquerda quando ele iria contra-atacar num movimento horizontal.

— Meu machado! Era pra ser inquebrável! — lamentava o monstro olhando o cabo da arma partido.

— Quem te disse que era? Vamos, Rangers, temos a deixa! Combinar armas!

Clashbone virou-se para a direção em que os Psycho-Bots haviam carregando os ossos, porém não vira nenhum sinal dos robôs nem da arca.

— Os meus ossos! Aqueles palermas estavam levando a arca bem ali, não teriam saído tão rápido! Não pode ser, sumiram!

— Fica aí, Clashbone, não deixaremos que escape, não dessa dez! — ordenou Austin.

— Ficar pra ser destruído?! Não ofenda a minha inteligência, seu pivete malcriado! — disse Clashbone que logo teleportou-se.

— Mas que covarde! — disse Austin que depois virou-se para os demais. Os outros quatro heróis o observavam parados um tanto quanto estupefatos — O que houve com vocês? Por que ficaram aí só assistindo? Tínhamos a chance perfeita de acabar com ele!

De repente foram teletransportados, chegando a um recinto relativamente espaçoso que mesclava o ambiente de uma selva com paredes rochosas, árvores, cipós e um chão gramado com aparados tecnológicos tais como painéis de controle e telas de computador.

— Mas o que tá acontecendo? Aqui não é a Central de Comando!

— E você não é o Koichi. — disse o Ranger Azul que tirou seu capacete, revelando um rosto nada familiar para Austin. Os outros também o fizeram, não alterando as reações de surpresa.

— Ma-mas... — dizia Austin, perdido ao vê-los e esquadrinhar o local — Não consigo entender...

— Muito menos nós. — disse a Ranger Rosa, uma garota japonesa de lisos cabelos pretos amarrados em maria-chiquinhas com mechas rochas nas pontas, encarando-o intrigada.

— Melhor se identificar, o Koichi desapareceu! — disse o Ranger Preto, um garoto japonês meio careca que tinha um trato rude.

— Quem é você e o que fez com nosso líder? — perguntou a Ranger Amarela, também japonesa, que possuía cabelo loiro dourado bem liso.

— Espera aí, não sei do que estão falando! Quem é Koichi? Quem são vocês? — perguntou Austin tirando seu capacete. A garota que vestia o manto rosa sorrira para ele espontaneamente.

— Eu sou a Rumiko! — disse a Ranger Rosa estendendo a mão direita para ele ao se aproximar amigavelmente — Prazer!

— Ei, o que deu em você, Rumiko? Não pode fazer amizade assim com um estranho que tomou o lugar do Koichi! — repreendeu o que usava o manto preto a segurando.

— Me solta, Hideki, tá me machucando!

— Ela pediu pra soltar! — disse Austin intervindo ao tirar as mãos de Hideki com força. O Ranger Preto daquela desconhecida realidade o encarou colérico e Austin retribuiu igualmente — Não se toca assim numa garota. Qual o seu problema?

— O problema aqui é você, seu metidinho yankee! — insultou Hideki.

— Você é americano? — perguntou a Amarela.

— Ahn, sim, eu... Eu sou da Califórnia, moro na Alameda dos Anjos.

— Nunca ouvimos falar. — disse o que trajava o manto azul.

— Me chamo Austin e não faço ideia de como vim parar nesse... outro mundo. Eu tô no Japão?

— Bem-vindo a Tóquio, forasteiro. — disse Rumiko, simpática, dando um aceno alegre — Digo, Austin. — deu uma risadinha. Austin dera um sorriso leve, agradando-se com o tratamento dela.

— O Schrondnyah também sumiu. — ressaltou a Amarela que chamava-se Reiko.

— Obrigado por falar o óbvio como sempre, Reiko, ajuda muito. — ironizou Hideki.

— Quem é esse... Não-sei-o-quê-nyah? — indagou Austin.

No universo 1, Koichi esclarecia os fatos.

— Ele é uma experiência robótica mal-sucedida da corporação maligna que meus amigos e eu enfrentamos, a Gaosthetic. Eles fazem experiências com animais domésticos e silvestres para a indústria de cosméticos e extraem DNA para clonar bichos e torna-los monstros ou robôs destruidores.

— Nossa, mas que crueldade usar até animais de estimação pra fabricar batons e maquiagem. — disse Jessie, horrorizada.

— Nem acredito que tô no país mais poderoso do mundo. — disse Koichi com emoção — Nunca sai de Tóquio, vim de família humilde.

— Mas fala mais desse tal de... — disse Tim, franzindo a testa — Como é mesmo o nome?

— Schrondnyah. Ele pode parecer um gatinho adorável, mas tem uma natureza maléfica. — disse Koichi com ar de seriedade.

— Seria ele responsável por essas trocas? — indagou Zoe.

— Não, ele não tem nenhum poder de atravessar pra outras dimensões, não foi ele.

— Eu disse que se tratava de algo, não alguém. — relembrou Dickerson — Koichi, você me pareceu bem preocupado ao falar desse gato-robô vindo da sua realidade. Que ameaça ele exatamente representa?

No universo 2, os heróis do Esquadrão Zoolonger explicavam:

— O Schrondnyah rouba almas de gente inocente. — disse Rumiko.

— Para completar nove vidas e iniciar um programa de vírus. — disse Reiko.

— Que vai corrompe-lo e transforma-lo na fera mais indomável da Terra. — revelou Seiju, o dono do manto azul. Ao passar para Hideki, o Ranger Preto manteve a cara fechada a Austin.

— Eu não vou te dizer nada, não confio em você.

— Ah, Hideki, para de ser tão inflexível. — disse Reiko — Já está claro que não foi culpa dele.

— Acho que lá no seu mundo, o Koichi deve ter dito a mesma coisa. — falou Rumiko.

No universo 1, Zoe repetia a frase.

— Acho que lá no seu mundo, o Austin deve ter dito a mesma coisa.

— Caramba, roubar almas pra conseguir nove vidas? Ele tá por aí fazendo o lanchinho dele. — disse Tim, apreensivo.

— Não almas no sentido literal. — informou Koichi sentado numa cadeira comendo brownies feitos por Karen — Ele se alimenta mais da energia vital, aquilo que mantém a jovialidade e disposição da pessoa, só precisa disso pra bater a marca de nove vidas.

Karen não escondia seu pasmo.

— É surreal até mesmo pra nós que trabalhamos numa corporação altamente tecnológica que haja uma criatura maquinária capaz de drenar a vitalidade e juventude de seres humanos. Como ele executa esse poder?

— Ele tem um aspirador embutido no peito. Nem me perguntem como os caras da Gaosthetic fizeram isso ser possível. — disse Koichi terminando de saborear o lanche oferecido — Hum, esses brownies saíram no capricho. Tem mais?

Já no outro universo, Austin tentava compreender as questões envolvendo Schrodnyah.

— Então assim que ele obter as nove vidas, ele vai entrar num modo selvagem e realmente maligno?

— Se tornando quase invencível. Pelo menos é o que Dr. Kyouma, o presidente maquiavélico da Gaosthetic adiantou pra gente da última vez que invadimos o prédio. — disse Reiko.

— Mas agora o problema que era seu virou o nosso. — disse Hideki ainda ressabiado.

— Agora o problema que era seu e da sua equipe virou o nosso. — disse Tim no universo 1.

— Como vamos combater um gato-robô sugador de almas? — questionou Jessie — E se formos as vítimas mais potenciais dele e... ele só precisa descobrir isso?

— Não há com o que se preocupar sobre nós. — disse Koichi devolvendo o prato a Dickerson — Nossos uniformes nos protegem.

— Koichi, nossos poderes são oriundos de uma força chamada rede de morfagem. — disse Damian — O que funciona pra você e seus amigos pode não ocorrer conosco.

— O seu mentor nunca falou nada a respeito? — perguntou Zoe.

— Ahn... Não, o mestre Raionga sempre nos disse que o poder que emanamos vem das cartas Kemono, é através delas que nos transformamos.

— Pra nós são as células de morfagem. — disse Jessie — E como um time somos o Esquadrão Z, mais conhecidos também como Power Rangers.

— Legal. Quanto a mim e minha turma, somos mais conhecidos como...

No universo 2, Rumiko completava a frase.

— ... o Kemono Sentai Zoolonger! — disse ela com entusiasmo.

— Demais, eu nem acredito que isso tá acontecendo, eu... tô no Japão, sempre quis viajar com meu pai pra Tóquio. — falou Austin sentindo-se entrosado com os heróis, exceto com Hideki — Mas é bom nos concentrarmos na situação que foi trazida junto comigo. Aquele monstro com cara de caveira queria roubar ossos antigos num museu. O nome dele é Clashbone e temos que acha-lo antes que ele encontre outros iguais ao que tinha roubado e...

— Agora vamos ter que seguir suas ordens? — indagou Hideki, ríspido.

— Eu não tô dando ordem, mas como o Koichi e eu trocamos de lugar é nosso papel assumir a liderança mesmo que não estejamos em nossas equipes. Clashbone é minha responsabilidade. Ou saio daqui arrastando ele comigo ou o destruímos juntos. Qual opção preferem?

— A primeira. — falou Hideki.

— Somos uma equipe, lógico que ficamos com a segunda. — contrariou Reiko.

— Se Austin leva-lo de volta, os amigos dele terão problemas em dobro com Shcrondnyah lá. — disse Seiju.

— Nove almas por uma vida. — revelou Reiko olhando firme para Austin — Em outras palavras, até que ele alcance as nove vidas, ele precisa sacrificar nove pessoas por vez. Seus amigos tem algum tempo sobrando pra derrota-lo.

— E quantas ele já tem? — indagou Austin.

Koichi dera a resposta no universo 1.

— Ele já conquistou seis vidas. Capaz de nesse mesmo dia ele completar as nove.

No universo 2, Austin aprofundava acerca de Clashbone e seu intento.

— O Clashbone fareja ossos pré-históricos, é possível que ele ache bem mais do que roubou enterrados em algum lugar.

— Talvez perto do monte Fuji. — mencionou Seiju — Lá escavaram ossos de dinossauros umas centenas de vezes.

— Vamos pra lá então. — disse Austin.

— Tem vários lugares de exploração arqueológica pelo país, ô gênio. — disse Hideki — Não dá pra ter certeza se ele vai pro Fuji.

Uma voz cavernosa proferiu algumas palavras atrás de Austin, o assustando.

— Antes que partam, devo alerta-los do que de fato está acontecendo com o espaço-tempo.

— Ah, caramba! Essa cabeça gigante de leão... tá falando! — disse Austin tremendo com o susto — Parece até que foi empalhado.

— Isso é meio ofensivo de se falar diante do mestre Raionga. — disse Reiko — Ele é nosso mestre, nos treinou para dominar o poder das cartas Kemono. Mestre, se sabe porque Koichi e o Schrondnyah foram parar noutro mundo, por favor, nos revele.

A cabeça rochosa e dourada de leão enunciava:

— É um fenômeno natural conhecido como...

— ... Convergência Dimensional. — disse Dickerson no universo 1 — Uma vez a cada cem anos, as inúmeras realidades paralelas se alinham em um fluxo que permite a interação direta entre seres de universos diferentes.

— Como um alinhamento planetário. — falou Damian, interessado em saber mais.

— É uma comparação razoável. — declarou Dickerson — Quando o período da convergência está ativo, o espaço-tempo fica instável a tal ponto que as fendas interdimensionais surgem aleatoriamente em todos os mundos, esse ponto é chamado de pináculo e quando ele se manifesta significa que a convergência está entrando no seu auge. Daí ocorrem incidentes como o que vimos hoje.

Karen jogara na tela imagens da luta dos Rangers

— Aqui está, o momento exato em que Austin e Clashbone atravessaram as fendas. Vou passar em slow-motion. — disse a tecnóloga, apertando um tecla. O vídeo em câmera lenta exibiu com detalhes ambos cruzando o que pareciam paredes transparentes com ondulações.

— Não podemos voltar lá e atravessar pra buscar o Austin? — perguntou Jessie.

— As fendas ficam ativas por tempo limitado. — avisou Dickerson — Se ainda estiverem lá, provavelmente não levarão ao mundo de Koichi. E mesmo que fosse possível, deve haver consequências em relação a Rangers de poderes equivalentes e de universos distintos interagirem.

— Se não podemos mandar o Koichi de volta e depois trazer o Austin... Como isso acaba? — indagou Tim.

— Eu não sei. Digo, vai acabar. Mas não sei quando exatamente. — disse Dickerson.

O alarme tocara, logo indicando a ação problemática de Schrondnyah.

— Nosso gatinho comedor de almas acabou de fazer umas vítimas. Vejam, envelheceram vários anos, a vitalidade dessas pessoas foi drenada.

— Vocês estão comigo ou... eu tô nessa sozinho? — questionou Koichi.

— Somos amigos do Austin por tempo bastante pra falar que ele é insubstituível. — disse Damian — Mas você tá aqui agora, é o único que sabe como lidar com esse gato robótico, precisamos de você.

— Como o próprio Austin já disse: ninguém precisa se virar sozinho numa luta quando se tem amigos por perto. — disse Zoe aproximando-se de Koichi.

— Até que essa droga de convergência acabe... você representa ele. — disse Jessie.

— E ele faz o mesmo por você e sua galera lá no Japão do outro mundo. — falou Tim mostrando-se mais aberto ao Ranger Vermelho interino.

Koichi deixou-se sorrir com imensa satisfação.

— É isso aí, vocês me motivaram total! Vamos nessa, amigos. — virou-se para um lado pondo o capacete de volta — De volta a ação!

Enquanto isso, Clashbone adentrava no subterrâneo das imediações do monte Fuji daquele Japão alternativo, guiando-se pelo seu sensor de detecção altamente apurado.

— Essa caverna abriga uma gama de ossos! Eu tô num paraíso, posso até reconstruir meu machado! Hora de botar a mão na massa!

Começou a cavar o chão desesperadamente, mas com uma precisão e força elevadas para agilizar o trabalho. Na Alameda dos Anjos, Schrondnyah, em cima de uma árvore, abria a escotilha no seu peito, tragando as vitalidades de mais duas pessoas, um casal de jovens namorados que beijava-se no exato instante da travessura do gato-robô. A vitalidade era absorvida como uma fumaça rosada levemente transparente.

— Hehe, lá se foram mais dois! Restam mais três e eu terei minha sétima vida!

Os Rangers caminhavam à procura do felino robótico pela praça central.

— Esse maldito consegue ficar invisível aos olhos de qualquer um. — disse Koichi.

— Menos dos nossos radares. — disse Jessie.

Karen entrava em contato.

— Errado, Koichi tem razão, Schrondnyah desapareceu do radar, é uma habilidade dele.

— E agora? Como caçamos esse gato? — perguntou Tim.

— Eu tenho um truque pra chamar a atenção dele. — garantiu Koichi — Seiju é nosso Ranger Azul e o nerd da turma, ele é fera na tecnologia, criou um negócio sensacional pra atrairmos ele.

— O nosso fera na ciência é o Damian. — disse Zoe.

— É, meu irmãozão aqui inventa umas paradas maneiríssimas também. — falou Tim abraçando o amigo de lado.

Dickerson emitia um alerta importante:

— Rangers, todo cuidado é pouco. As fendas estão bem concentradas no centro da cidade. Vou avisa-los caso fiquem próximos delas.

— Valeu, Sr. Dickerson. — agradeceu Jessie.

— O Schrondnyah pode ser escorregadio, mas ele é fácil de manipular, parece mais uma criança ingênua e tola. — comentou Koichi — Mas se ele consegue as nove vidas, aí complica.

— Ele vira a chave, já entendemos. Pode chamar ele pra gente escaldar. — disse Tim socando a palma esquerda.

— É este sino. — mostrou Koichi ao retirar do cinto — Basta chacoalhar... — balançou o sino que produziu um som audível para Schrondnyah a vários metros dali.

Brock e Stuart corriam pela rua com roupas esportivas para entrarem em forma.

— Você mal correu dez metros e já tá se vazando em suor, Brock!

O valentão gorducho mostrava-se cansado e arfando com a testa suando em profusão.

— Nem pensar que vou jogar a toalha agora... Esse ano vai ser minha estreia no campeonato... e nada vai me impedir, Stuart, nada!

O gato-robô se expunha da cintura para cima dentro de um arbusto, flagrando a dupla correndo forçosamente.

— Duas almas jovens que apesar de exaustas parecem deliciosas.

Abriu sua escotilha, acionando a sucção instantânea. Os dois valentões tiveram suas jovialidades subtraídas, as aparências envelhecendo conforme a velocidade das pernas reduzia.

— Brock, eu acho que tô com reumatismo...

— Minhas costas estão pesando toneladas... E minha visão tá embaçada... Stuart, melhor fazermos uma pausa. — disse Brock sentando na base de uma árvore.

— De repente eu esgotei também, me sinto como se tivesse uns 80 anos. — reclamou Stuart, sentado ao lado do amigo.

— Stuart! Vo-você... — surpreendeu-se Brock ao olhar para ele — Você tá...

— Ai, meu Deus, Brock, você parece que tá com 80 anos!

— Digo o mesmo pra você! E agora? Como fica minha entrada no time da nossa classe?

— O único time que faremos parte é o clube da terceira idade!

Ambos olharam para si mesmos, logo entreolhando-se e gritando aterrorizados. Schrondnyah parava ao escutar o sibilar do sino, apurando os ouvidos.

— Esse toque de novo! É hora da minha ração!

Correra em velocidade descomunal até a origem do som irresistível.

— Ele chegou, se preparem! — disse Koichi em posição combativa entre os Rangers.

— Outra vez fui tapeado! Vocês nunca cansam de me fazer de bobo! Eu ainda pego esse sino!

— Queremos que pare de drenar a juventude de inocentes! — ditou Zoe.

— Nem gasta sua saliva. Como uma máquina que se preze, ele não liga pros sentimentos de quem é absorvido. — pontuou Koichi — Mas ele é vingativo e vai nos atacar em vez de fugir.

Schrondnyah avançou com suas garras iluminadas e alongadas. Os Rangers partiram ao ataque, fazendo uso apenas das habilidades marciais. Koichi investiu primeiro com chutes e giros bem performados, mas que o gato robótico defendia com os braços. Schrondnyah logo desferiu um golpe das garras, acertando Koichi no peito e derrubando-o. Os demais vieram aplicando chutes, porém também sendo derrubados.

O gato-robô fez um aquecimento breve nas pernas movendo-as depressa antes de disparar como uma bala atacando ferozmente com as garras no ritmo acelerado como uma bola de pinball, novamente derrubando os Rangers que faiscavam tomando os golpes dolorosos, de frente ou de costas.

Lokknon se aborrecia com a confusão.

— Mas o que diabos significa isso? Onde, afinal, foi parar Clashbone? No lugar apareceu esse gato irritante inexplicavelmente! Barooma, exijo uma resposta e tenho certeza de que a tem!

— Mestre, trata-se da convergência dimensional! Clashbone se encontra em outro universo!

— E eu que pensava ser uma mera lenda esse fenômeno... Mas e daí? O que acontece a seguir? Desperdicei a aposta em Clashbone?

— A convergência terminará após o ápice, mas não há uma previsão concreta de quando será! Teremos que contar por enquanto com esse gato que drena vitalidade humana até que Clashbone retorne ou não!

— Hum, não me pareceu uma troca desvantajosa... Ele está se saindo competente, derrubou todos os Rangers sem errar uma vez!

Schrondnyah substituíra as mãos por metralhadoras que cuspiram centenas de balas por segundo contra os Rangers. Os heróis sentiam os danos penetrando forte em meio às explosões de faíscas que logo tornaram-se flamejantes os tirando do chão.

— Já cansaram de brincar? Pois eu vou indo pegar minhas duas vidas restantes!

Os Rangers desmorfaram em virtude do desgaste, exceto Koichi.

— Não! Amigos, aguentem firme!

— Você falou como o Austin, mas... — disse Tim tentando reerguer-se com dores no corpo — ... se ele estivesse aqui não teríamos tomado essa surra.

— O Koichi não tem culpa! — contrariou Zoe, apoiando-se num só joelho, ferida — A equipe dele sofreu tantas dificuldades quanto nós!

— E-eu acho que... o Tim tá certo, vocês podem ter uniformes idênticos aos do meu grupo, mas não muda o fato de que sou um intruso nesse mundo. — disse Koichi levantando — Não sou o líder pra vocês como o Austin costuma ser.

— Tem razão, são abordagens diferentes. — disse Damian ajudando Jessie.

— Você não tá se adaptando mesmo nossos poderes sendo parecidos. — reforçou Jessie.

— Mas houve uma vez em que quase pegamos ele. — informou Koichi — Existe uma urna capaz de comportar coisas como se absorvesse elas. Outra invenção do Seiju.

— E você diz isso só agora?! Mas nem podemos entrar no seu mundo pra pegar essa urna! — disse Tim.

Schrondnyah havia perdido a paciência.

— Se não querem mais brincar, então sugarei as almas de vocês agora que estão sem seus pijamas de heróis! — disse ele abrindo sua escotilha. A sucção fora ativada, tragando as vitalidades dos Rangers vulneráveis.

— Ah não! — disse Koichi aflito ao ver o quarteto envelhecer anos e anos — Seu maldito, tudo isso não passa de um jogo em que só você se diverte!

— Eu só quero completar minhas nove vidas, ninguém morreu por minha causa! — a fumaça rosada terminava de adentrar no peito do gato que logo fechou a escotilha. Conferiu o visor no seu antebraço esquerdo — Oito! Falta uma!

Um disparo potente acertara Schrondnyah que foi opromido por uma explosão tremenda. Os Rangers olharam na direção do tiro e reavivaram o otimismo.

— Owen!

O Ranger Verde saltara de um carro esportivo num giro vertical segurando o Macro-Detonador e pousou próximo aos amigos.

— Sr. Dickerson falou que estavam num aperto daqueles, só não contava que fosse isso daí! Caramba, esse gatinho forçou vocês a declarar aposentadoria.

— Uma vida a menos! Será que nunca vou alcançar minha meta? — lamentava Schrondnyah em postura chorosa.

— Se depender de mim, não! — disse Owen mantendo o macro-detonador ativo — Se prepara pra tomar outro bombardeio! — disparou o flash paralisante — Preparar... Apontar... Fogo!

A esfera energizada com raios foi disparada, abatendo Schrondnyah explosivamente pela segunda vez. O gato sobrevivia, derrubado ao chão como se tivesse sido arremessado.

— De novo não! — reclamou ele vendo pelo contador no antebraço o número cair para 6.

— Aqui vai outro! — adiantou Owen mirando o canhão e disparando um novo flash paralisante.

— Pare, já chega, eu vou me render, eu desisto!

— Pro seu azar, eu não nasci ontem! — falou o Ranger Verde engatilhando um tiro novo — Preparar, apontar... Fogo!

Uma outra esfera lançou-se e recaiu sobre o gato-robô que havia sido paralisado ainda caído. Outra explosão fatal lhe subtraiu mais uma vida. Porém, a facilidade era meramente uma ilusão que Dickerson tratou de descortinar.

— Owen, escute: o macro-detonador não suporta uma sequência de tiros consecutivos. Schrondnyah ainda possui cinco vidas, mas o canhão deve ser recarregado por pelo menos cinco minutos.

— Então quer dizer que tenho menos tiros do que ele tem de vida?! Droga, tava fácil demais!

— O macro-detonador é uma arma de ataque definitivo, mas a artilharia que ele oferece requer um tiro fatal por ativação para não desgasta-lo. A cada tiro consecutivo, o tempo de recarga aumenta depois que é desativado.

— Podemos usar o Abatedor Feroz até o canhão do Owen recarregar! — sugeriu Jessie.

— Lamento, mas isso também não. — negou Dickerson para o desalento dos heróis — Koichi não pertence ao nosso mundo, fora o fato de seus poderes não serem os mesmos que os seus. Ou seja, ele não pode invocar armas ou chamar pelo Leão Escarlate.

— Fora que desde o incidente com o Jared, foi instalado um sistema de reconhecimento vocal. — adicionou Damian.

O macro-detonador desaparecia das mãos de Owen, afligindo-o.

— Essa não, não podemos esperar cinco minutos!

— É tempo de sobra pra recuperar tudo que perdi! Adíos, hijos míos! — disse Schrondnyah que logo foi andando apressado para capturar mais presas. Porém, tiros de laser explodiram faíscas em volta dele, parando-o — Quem ousa?

— Eu! — dissera Austin que corria em direção aos amigos trazendo um objeto de tamanho médio debaixo do braço esquerdo e com o detonador max na mão direita.

— Austin! — gritaram os Rangers, felizes ao rever o líder vermelho legítimo.

— Você deve ser o Koichi, certo? — indagou ele se aproximando do "clone".

— E você o Austin! Cara, nem acredito que você conseguiu atravessar de volta pra cá!

— Mas não pensa que foi moleza, na viagem de volta pra cá a alfândega do espaço-tempo me barrou. Vou contar tudo depois que botarmos o gato na casinha dele!

— A urna! Ótimo, estamos com a sorte do nosso lado, irmão!

Os dois Rangers Vermelhos se posicionaram ao combate lado a lado.

— Tive uma ideia: atropelo ele com a Beast Cycle e quando dermos a volta ele estará frágil, daí você ativa a urna pra prende-lo. — elaborou Austin.

— Fechado! — disse Koichi dando um joinha com o polegar direito.

Schrondnyah avançara contra eles tentando desferir golpes com as garras aos quais eles desviavam ao mesmo tempo que chutando e se revezando na posse da urna.

— Quem é o Koichi e quem é o Austin? Alguém me situa! — disse Tim com as mãos na cabeça tentando identifica-los.

— Austin, toma cuidado! — alertava Zoe.

— Ele é bem forte, conseguiu nos desmorfar! — informou Jessie.

Austin saltou para trás com a urna em mãos.

— Se continuarmos lutando assim é arriscado ele destruir a urna! Koichi, pega! — jogara o objeto esférico e cinza com um ponto vermelho.

— Peguei! Hora de nosso plano sair da teoria!

— Isso por acaso é uma arma secreta contra mim? Eu não vou deixar! — disse Schrondnyah que avançou contra Koichi destacando as garras.

— Beast Cycle Vermelha, ativar! — disse Austin invocando a moto que surgiu em movimento, logo saltando para pilotar — Vem, Koichi! — freou de lado para que o "clone" subisse na garupa — Se segura aí!

Fizera a moto tomar uma certa distância do gato-robô, em seguida avançando diretamente a ele.

— Modo Míssil Turbo!

A motocicleta se envolveu da energia de aceleração que se assemelhava a fogo atingindo a velocidade acima do limite. Schrondnyah fora atropelado brutalmente, caindo sobre um carro esportivo produzindo várias faíscas. Austin dera a meia-volta acelerando ao limite natural.

— É agora, Koichi!

O Zoolonger Vermelho ficara de pé na moto apontando a urna já ligada para Schrondnyah.

— Aqui dentro é quentinho, pode vir! — a urna liberou um feixe de luz como vários lasers infravermelhos que capturou o gato-robô e o tragou — Está de castigo por mau comportamento!

Os Rangers comemoravam a vitória se juntando a Owen, logo correndo até a dupla de iguais.

— Esse plano foi irado de genial, Austin! — disse Tim.

— Ei, sejamos justos, vamos partilhar o crédito com o Koichi também. — falou Damian.

— Ah é, foi mal ter sido tão duro contigo naquela hora, Koichi. — desculpou-se o Ranger Azul.

— Mas e quanto as vítimas? — indagou Owen — O gato foi preso, mas nada mudou?

— Ele tá completamente anulado aqui dentro. — assegurou Koichi — Sendo assim, os poderes dele se cancelam e ele é revertido ao que era antes de atravessar a fenda.

Nos pontos de incidência, as vítimas recompunham a juventude. Brock e Stuart usavam bengalas de caminhada nas proximidades de um asilo, suas jovialidades se restituindo como mágica.

— Oh, nossa, eu... me sinto jovem. — disse Brock dando-se conta da recuperação — Stuart, eu tô novinho em folha de novo! — largou a bengala e ergueu os braços em animação dando um pulo — Iupiii!

— Brock, fala mais alto, não tô te ouvindo... — disse Stuart ainda sentindo estar velho. O parceiro dera um pescotapa para alerta-lo, o que acabou funcionando — Ai, Brock, isso dói, podia ter quebrado meu pescoço de idoso!

— Mas não quebrou, seu mané! A gente voltou a boa forma!

— É mesmo! Huhuhuhu! — disse Stuart que abraçou o amigo apertadamente. A dupla saiu celebrando, tendo aceitado suas aparências físicas sem mais se exigirem além da conta para ingressarem nos esportes no colégio.

Austin narrava um encontro sinistro que tivera enquanto insistia em retornar.

— Que figura sombria é essa que apareceu pra você nesse espaço do vazio? — indagou Koichi.

— Ele fez o maior mistério sobre quem é, mas diz ser aquele que vigia as ocorrências no espaço-tempo. Falou que as variantes não podem se cruzar num mesmo mundo porque senão o auge da convergência é adiantado

— E até agora não aconteceu nada que indique o pináculo. — apontou Damian.

— Ele pode ter blefado pra enviar você a qualquer outro mundo sem variante de modo que ficasse lá pra sempre. — supôs Koichi.

— Mas e o Clashbone? — indagou Zoe.

— Quando chegamos ao monte Fuji onde havia ossos pré-históricos, ele já tinha dado vida ao mascote dele e formamos o Megazo.. Digo, o Zoolo Titã. Estávamos prestes a vencer até que atravessou uma fenda junto com aquele bicho.

— Se ele voltou, não devia ter aparecido? — questionou Jessie.

— Assim como eu, ele deve ter ido parar em algum lugar qualquer bem longe daqui. — especulava Austin – Ou talvez caiu noutro universo.

Os comunicadores tocavam, logo Austin atendendo ao contato.

— Rangers, não saiam daí, fiquem exatamente onde estão. A convergência acabou de entrar no pináculo, a cidade está sendo tomada por centenas de fendas! Koichi, isso vale pra você também. — alertava Dickerson.

No entanto, tanto Kouchi quanto Austin podiam visualizar as fendas mais explícitas sendo possível vislumbrar mundos distintos.

— Eu tô vendo! — disse Austin — Estamos cercados de um montão delas!

— Peraí, eu também vejo! — falou Koichi olhando em volta assombrado – Dá pra ver os mundos alternativos do outro lado, que louco!

— E por que não vemos nada? — indagou Zoe procurando enxergar alguma nesga.

— Koichi e Austin atravessaram as fronteiras entre as realidades, isso explica verem as fendas a olho nu como elas de fato são! — racionalizou Damian.

— Ah, que inveja de vocês dois! — disse Tim.

— Também queria dar uma espiadinha nos outros mundos! — confessou Jessie.

— Koichi, consegue ver a sua? — perguntou Owen.

O Ranger Vermelho asiático correu os olhos pela praça. Repentinamente, uma fenda abriu-se diante dele a poucos metros.

— Aqui ela! Tô vendo eles bem ali, estão enfrentando soldados da Gaosthetic esperando por mim! Amigos, eu tenho que partir! — disse ele virando-se para os Rangers. Estendeu a mão direita para Austin — Foi um prazer compartilhar a vitória com você, Austin.

— O prazer foi todo meu. — retribuiu o líder do Esquadrão Z apertando a mão do análogo — Manda lembranças pro seu time.

— Farei isso assim que voltar. Eu adorei lutar ao lado de cada um de vocês!

Os demais acenaram dando votos de vo sorte e agradecimento. Koichi voltou-se a fenda.

— Espera, Koichi! — chamou Austin que tirou seu capacete — É que tô na maior curiosidade de ver como é a sua cara, se é parecida com a minha...

Koichi atendera ao pedido, levando o duplicato a sorrir com simpatia.

— E aí, o que acha? Gêmeos quase idênticos?

— Mais ou menos. — respondeu Austin arrancando risadas dos amigos — Vai lá, cara. Boa sorte contra essa Gaosthetic.

— E sorte pra vocês com esse tal de Lokknon e o maníaco dos ossos. Falou, pessoal! — disse Koichi virando-se para a fenda pondo o capacete de volta.

Porém, Mudok os pegara de surpresa ao aparecer em teleporte frente a Koichi. O chutou forte a derruba-lo e ao mesmo tempo tomando a urna de assalto.

— Eu fico com isso, hehehe! É a chance de restaurar minha honra perante o mestre.

— Mudok! — disseram os Rangers em uníssono.

— Devolve isso agora, Mudok! — Austin avançou para enfrenta-lo e reaver a urna, contudo o androide teleportou-se fazendo o líder chutar o ar — Ah não, droga!

— Schrondnyah em poder do vilão de vocês... Nada bom, nada bom mesmo! — disse Koichi levantando — Desejo muita sorte a vocês contra o que vier, vão precisar. Fui!

Correra, logo dando um pulo ao adentrar na fissura espaço-temporal que rapidamente fechou-se.

— É exagero dizer que ele deixará saudade? — perguntou Jessie.

— Mais do que eu deixei? — retrucou Austin com ar brincalhão.

— Ah não, aí não tem comparação, hahaha. — respondeu a Ranger Amarela dando um soquinho no ombro do amigo.

— Ainda bem, tava quase pensando que iriam me substituir até essa bagunça toda acabar.

— Que nada, cara, o Koichi quebrou um galho, mas você é nosso líder carimbado. — disse Tim.

— Até eu que sou novato não consigo imaginar a equipe sem você. — disse Owen o tocando no ombro — Bem-vindo de volta, amigão.

— Valeu, Owen, tô feliz de te ver aqui também. Vamos deixar pra lá o roubo da urna por enquanto e dar um ponto final nessa caça ao tesouro do Clashbone.

Surpreendendo-os, o caçador de ossos surgia sobre o prédio do museu montado na fera de ossos que forjara no universo dos Zoolongers.

— Esse dragão enorme fazendo sombra! — disse Tim apontando para o mascote de Clashbone que assemelhava-se fisicamente a um dragão.

— Parece que ele já deu o ponto final pro plano dele! — falou Zoe.

A fera rugiu, os olhos de órbitas negras brilhando pontos vermelhos, tornando-o mais amedrontador.

— Não sabem o quanto foi duro fazer essa viagem de volta pra cá só para assusta-los com meu poderoso mascote! Tremam, seus vermes!

— Tremer pra essa pilha de ossos ambulante?! Fácil pra você falar aí de cima! — rebateu Owen assumindo a dianteira.

— No lugar de vocês, eu correria léguas! Mostre a eles como é perigoso nos desafiar, Dracobone!

A criatura dera um rugido seguido de um disparo flamejante que atingiu parte do museu com bastante destruição.

— Aí Clashbone, olha aqui pra baixo! Macro-Detonador! — disse Owen que deu passos adiante.

O canhão ressurgira sob o ombro do Ranger Verde e fora mirado no monstro alado. Piscou o flash paralisante.

— O quê? Meu Dracobone não sai do lugar!

— Preparar, apontar... Fogo! — bradou Owen, logo disparando a esfera verde eletrizada contra a cabeça do dragão de ossos que foi mortalmente atingida, a explosão incinerando toda a cadeia óssea que formava o corpo da fera. Clashbone caíra gritando daquela altura agravante, chocando-se impactante com o chão.

— Dracobone, meu mascote! — lamentou ele levantando com os pedaços em carvão e brasas da criatura chovendo em volta.

Os Rangers o renderam ao correrem até ele.

— Acabou pra você, Clashbone! — determinou Austin — Combinar armas!

As armas foram invocadas, logo em seguida sendo conectadas resultando na fusão que moldava o Abatedor Selvagem.

— Ei, Owen, que tal um bônus pra turbinar? — sugeriu o líder.

— Demorou! — disse o Ranger Verde se colocando atrás dos parceiros com o canhão — Macro-Detonador, agregar!

O acionamento fizera o canhão disparar como um foguete para se mesclar ao Abatedor Selvagem, logo dando forma a arma de tiro triplo.

— Macro Abatedor Selvagem! — bradaram os seis.

— Que se danem os ossos, eu vou meter o pé pra não ser extinto!

— Disparar! — falaram os Rangers, as três

esferas de energia atiradas e se combinando rumo à Clashbone que corria para salvar-se. As costas do monstro foram fatalmente atingidas, o levando a tombar e explodir intensamente.

— Saindo um churrasquinho de osso no capricho! — disse Tim — Yeah, somos demais!

Os heróis comemoravam com júbilo inabalável, especialmente após o aviso de Dickerson.

— Parabéns por mais essa vitória, crianças. Já podem caminhar livremente, as fendas se recolheram. A convergência dimensional se encerrou e sem efeitos colaterais catastróficos.

***

Mais tarde, os Rangers reuniam-se na Cantina do Earl discutindo sobre uma nova justificativa de ausência por parte de Owen na equipe.

— Gente, o Owen acabou de mandar uma foto, ele já tá no aeroporto com o pai pertinho de embarcar. — disse Zoe conferindo na rede social pelo celular.

— Ah, ele tem mesmo que participar dessa viagem? — lamentou Jessie.

— São as ilhas Galápagos por 3 semanas. — disse Damian — Nem mesmo eu iria perder essa, as matérias escolares eu recuperaria depois. Sorte a dele ter a mim pra isso.

— E azar o nosso que ficamos com um belo desfalque. — resmungou Jessie.

— Por esse lado, eu concordo. — disse Zoe — Não faz muito tempo que ele se juntou a equipe, mas sem ele agora faz uma enorme diferença.

— Esse pai do Owen é um caretão. Quer arrasta-lo pra tudo quanto é passeio como se ele ainda tivesse menos de cinco anos. — comentou Tim.

— Pensa bem, essa viagem é pra um concurso de fotos, com certeza o pai do Owen quer treina-lo pro futuro aproveitando essa oportunidade. — disse Austin — Pode até ensinar novas técnicas. Vamos apoia-lo nessa, logo mais ele tá de volta.

— Se bem que o Sr. Dickerson deixou ele ficar com o comunicador, então quem sabe a gente chame ele quando a coisa ficar feia pra nós. — disse Tim.

— Difícil, bem difícil. Ele me disse que o pai ficará de olho nele a maior parte do tempo. — avisou Zoe — Então, sem chamadas de emergência atendidas.

— Mudando de assunto... Ou melhor, voltando pro assunto das fendas dimensionais... — disse Jessie parecendo incomodada — Tem um lance que não saiu da minha cabeça até agora.

— Sobre os outros mundos? — perguntou Austin.

— Isso também, mas... o que Koichi disse da equipe dele ter mais Rangers mexeu comigo. Estamos ultrapassados.

— Acho que devíamos evitar comparações. — orientou Damian.

— Verdade, mais membros na equipe não significa mais força. — disse Zoe — Adicionamos o Owen e temos tido mais trabalho duro do que antes.

— E depois? Quem mais vem? — indagou Tim.

— Será que o Sr. Dickerson pretende criar mais células de morfagem? — questionou Jessie — Olha que ele pode estar guardando segredo hein, que nem foi com as Beast Cycles.

— Só o tempo vai dizer. — disse Austin — Quanto aos outros mundos paralelos...

— Existe um nome pra esse conjunto de realidades alternativas e se chama multiverso. — disse Damian — Foi mal, pode continuar, Austin. Vocês tinham que saber.

— Na hora que o Koichi e eu vimos as fendas se abrindo... pudemos ver também outras equipes de Rangers. — disse Austin levantando-se — Legal, a fila no balcão acabou, vou lá fazer nossos pedidos.

— Ei, Austin, qual é? Não sai assim fazendo mistério com essa história. — disse Tim também levantando.

— Pois é, conta pra gente. — falou Zoe também saindo.

— A nossa fome agora é de conhecimento. — declarou Damian.

— Vai, fala, Austin. Que outros Rangers você viu no outro lado das fendas? — perguntava Jessie.

— Hum... Talvez seja melhor guardar segredo. — brincou Austin que foi pressionado a se pronunciar mais a respeito. O Ranger Vermelho desatou a rir enquanto era seguido pelos amigos afoitos em matar a curiosidade.

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