Notas iniciais
Sinopse do capítulo: A identidade Ranger de Damian se coloca sob risco de exposição quando seus irmãos menores o flagram morfando. O peso da responsabilidade se intensifica depois que as crianças são raptadas por um monstro. Tenho uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Se arrumando para mais um dia na Angel Grove High School, Damian fazia seu penteado frente ao espelho do seu guarda-roupa, espetando um pouco seu cabelo preto em corte social com um gel específico. Basicamente um rito sagrado de toda manhã antes de sair, embora vaidade não lhe fosse um traço marcante. Mas ser interrompido durante tal ação o deixava atordoado pelo foco perdido.

— Damian! — chamava sua mãe do corredor — Filho, vem cá, é urgente!

— Ah não, o que será que houve? — se perguntou ele, deixando o pote de gel na cômoda e colocando rápido a mochila nas costas. Saiu as pressas do quarto deparando-se com sua mãe, uma mulher caucasiana e esguia na faixa dos trinta anos com cabelos castanhos escuros bem lisos e longos caindo aos ombros.

— Posso te encarregar de uma missão hoje?

— Depende. O que foi? Aconteceu algum acidente? Eu tô quase à beira do atraso.

— Se não quer atrasos no seu histórico, ponha menos gel no cabelo.

— A senhora me conhece melhor do que ninguém, nunca saio sem minha assinatura estética. Mas o que eu tenho a fazer?

— Preciso que leve seus irmãos pra escola. — disse a mulher, categórica.

— O quê? É essa a urgência? Mãe, acabei de falar que tô praticamente atrasado! — disse Damian, reagindo exasperado — Cadê o papai?

— Teve que sair mais cedo pra uma reunião relâmpago na empresa. — disse ela desconfortável em colocar um peso extra nas costas do filho — Eles estão lá na sala só te esperando.

— Não dá pra chamar un taxi ou condução por aplicativo? — indagou Damian andando até a sala.

— Não fica tão longe daqui, vai dar tempo de chegar nas duas. Vamos, quero ver disposição. — disse ela com as mãos nos ombros do filho.

Mabel e Zack, sentados no sofá, aguardavam o irmão mais velho com suas pequenas mochilas personalizadas. A relutância de Damian explicava-se pela natureza um tanto intrépida da dupla que não seria tão maleável com ordens.

— E aí, estão prontos? — perguntou Damian.

— Espera, eu tô quase vencendo o Zack. — disse Mabel jogando no celular em uma disputa com o irmão no mesmo jogo — Isso! Yuhuu! Você é um bundão, sua mira é ruim!

— Mãe, olha ela, tá falando palavrão! — disse Zack, olhando irritado para a irmã, logo mostrando a língua.

A mãe exerceu sua autoridade firme.

— Por favor, não me digam que estão brincando com aqueles joguinhos de guerra, eu já falei mil vezes...

— Foi tudo ideia da Mabel! — acusou Zack.

— Não quero saber quem teve a ideia, só guardem os celulares e vão logo pra escola antes que se atrasem! O Damian levará vocês.

— Eu queria ter ido com o papai! — disse Mabel, zangada.

— Ele pelo menos tem um carro super rápido. — disse Zack — Com o Damian a gente chega na escola daqui a uns mil anos.

— Ah, parem com isso, eu não ando tão devagar assim. — disse Damian aproximando-se.

— Pois quero ver você nos alcançar. — disse Mabel correndo para fora. Zack a seguiu, ambos rindo espevitados. O Ranger Preto soltou o ar pela boca, prevendo dificuldades.

— Mãe, me salva. — disse Damian, indisposto.

— Calma, filho, vai ficar tudo bem. Você dá conta, eles acreditam na sua disciplina como irmão mais velho. A última coisa que eu quero ver é meu primogênito duvidando de uma das maiores capacidades que ele possui.

— Tá legal, aqui vou eu. — disse Damian, encorajado. Ao sair, os viu brincando de pega-pega na grama — Andem logo vocês dois, se não se atrasarem eu também não me atraso! Vão me deixar ir na frente?

— Mas é claro que não! — disse Mabel, correndo até ele.

— Nem pensar! — reforçou Zack. A dupla colidiu com Damian aos risos.

— Cuidado, vocês vão me derrubar! Nada de ficarem correndo.

— Ele vai ficar mandando regras pra nós, Mabel. O que a gente faz?

— Deixa eu pensar aqui num plano... — disse a garotinha espoleta com a mão no queixo — Que tal apostar quem anda mais rápido?

A dupla caminhou a passos largos numa clara intenção de fugir da tutela de Damian.

— Se vocês correrem, juro que conto pra mamãe, tenho o número dela! — ameaçou Damian.

Após atravessarem uma rua, o Ranger Preto conferiu no relógio de pulso quanto tempo restava. A reação foi de puro assombro.

— Quinze minutos?! Ah não...

— Qual é o problema, Damian? — indagou Mabel, curiosa — Seu relógio quebrou?

— Eu bem queria que estivesse. Venham, vamos por aqui. — disse ele dobrando uma esquina.

— Pra onde estamos indo? — indagou Zack estranhando o caminho distinto do habitual.

— Um atalho. Não se preocupem, é uma vantagem pra nós três. — garantiu Damian.

— Mas a mamãe proibiu atalhos, não foi? — perguntou Mabel com uma expressão astuta.

— Talvez se fôssemos contar pra ela... — imaginou Zack.

— Ela iria entender perfeitamente que foi devido ao tempo cada vez menor por conta de vocês dois que não param de tentar me enlouquecer. Agora vamos mais rápido, o tempo urge.

Na sua nave, sentado em seu opulento trono de metal negro e bem polido, Lokknon apertava entediado o botão do controle remoto do visualizador multifocal numa má postura, passando por todos os canais que focalizavam pontos externos da Alameda dos Anjos.

— Mestre, melhor se sentar direito, senão, quando for dormir, pode acordar com as vértebras bem doloridas. — alertou Aracna que lia uma revista de moda — Argh, que vestimentas mais bregas, os terráqueos não tem o menor senso de estilo pra lançar tendências. — largou a revista para pegar outra — Hum, vejamos essa... — abriu tocando o dedo na ponta da língua para folhear.

— Mas que marasmo, outro dia em que nada nessa cidade patética dos Rangers acontece pra me inspirar a uma investida.

— De que adianta? Barooma sempre desaponta criando soldados fracos e incompetentes. — opinou Aracna — Por isso mesmo confio mais nessa próxima invenção do Mudok, ele tem estado tão mergulhado nesse trabalho que não o vemos faz horas.

— Me recuso a esperar Mudok terminar esse projeto enquanto os Rangers desfrutam de paz e liberdade. Nisso eu corro o risco de me decepcionar pela perda de tempo caso a nova tecnologia dele seja um fracasso! — declarou o imperador, o estresse em alto nível.

— O senhor tem um bom ponto, mestre! — concordou Barooma — Não podemos ficar a ver navios e inertes quando podemos dar continuidade à nossa tentativa de exterminar os Rangers!

— Espere um pouco aí... — disse Lokknon que parou de mudar os canais ao ver Damian caminhando com seus irmãos — Mas esse é o Ranger Preto. E quem são esses pirralhos ainda mais irritantes?

— Vejo similaridades físicas entre eles! Suponho que sejam irmãos legítimos! — apontou Barooma.

— Pelo jeito que estão vestidos, devem estar indo pra escola. — disse Aracna — Oh, que fofinho, o irmão mais velho sendo a babá dos caçulas. — ironizou ela com nojo expressado.

— De acordo com o que estão dizendo... correm perigo de se atrasarem! — disse Barooma ao ficar próximo do alto-falante do monitor.

— Então faremos com que corram um perigo real. Aracna, vá até lá e libere Psycho-Bots, mas não apareça, surpreenda-os.

— Ao seu dispor, milorde. — disse a princesa aracnídea levantando-se e passando a mão no seu cabelo ruivo e cheio.

Na rua que percorriam, Damian e seus irmãos tentavam lutar contra a possibilidade de chegarem atrasados.

— Não vamos conseguir, já devíamos ter chegado! — resmungou Mabel

— É, parece que o Damian tá levando a gente pra escola dele! — disse Zack, aborrecido.

— Será que dá pra vocês se aquietarem? Falta só mais um quarteirão.

Subitamente, os Psycho-Bots surgiram em queda num pequeno grupo. Damian prontamente se colocou à frente dos irmãos em posição protetora.

— Fiquem atrás de mim! Aliás, se escondam atrás daquele carro e não se movam!

— Mas o que você vai fazer? — indagou Mabel, desconfiada.

— Você nem tem músculos pra enfrentar esses caras! — insultou Zack.

— Não estão com medo?! Eu mandei vocês se afastarem, eles são perigosos! Vão, depressa! — disse Damian, alarmado, quase empurrando os dois que correram para se esconderem na picape azul. O Ranger Preto avançou contra os robôs pegando impulso com o pé direito num poste para aplicar um chute num deles. Os irmãos o viam se desviar dos golpes e atacar com habilidade de forma que se abismaram.

— Nossa, eu não sabia que o Damian lutava karatê. — disse Zack.

— Isso não é karatê, seu bobo. É kung-fu. — disse Mabel.

— Para de querer ser a sabichona. Tá na cara que é karatê.

— Não é!

— É sim!

Damian chutara um dos robôs contra um portão de ferro e notou a discussão dos irmãos.

— Ah, beleza, começaram a brigar...

Com a distração, acabou levando um golpe da arma de um Psycho-Bot na barriga e depois chutado por trás. Damian rolou e dera uma rasteira em dois deles e ao se reerguer forçando as pernas chutou outros dois desarmando-os.

— Droga, restam oito minutos! — conferiu ele no relógio. Deu uma olhadela nos irmãos que continuavam discutindo, o que tratou como uma brecha para resolução prática — Continuem brigando, crianças. — sacou o morfador e a célula de morfagem — Hora de morfar! Touro Ônix!

Contudo, a luz preto-arroxeada chamou a atenção da dupla que testemunhou, fazendo-os até se esquecerem do motivo de brigarem.

— É o Ranger Preto! Cadê o Damian? — perguntou Zack.

— Não, aquele é o Damian! Eu vi aquela luz descer nele como um raio! — disse Mabel, impressionada — Zack, nosso irmão mais velho é um Power Ranger!

— Marreta Avalanche! — bradou Damian invocando sua arma. Com batidas vibrantes, atacava cada robô e os destruía com os impactos, acabando com o cerco formado. Bateu com certa intensidade no chão, produzindo uma onda de choque que jogou o resto do grupo contra latas de lixo. Os robôs desapareceram danificados — Muito bem, Lokknon, recolha seu lixo cibernético.

— Damian! — disse Mabel correndo junto de Zack até ele, empolgada — Você foi demais, luta bem pra caramba! Onde você aprendeu?

— Pode me ensinar uns golpes de karatê? — pediu Zack que tentou imitar com gestos de socos e chutes — Iá, iá, iá!

— Desativar. — disse Damian, o tom nervoso, desmorfando — Eu falei pra vocês se esconderem, não falei? Por que precisam ser tão teimosos?

— Você disse pra se esconder, não disse pra não olhar. — destacou Mabel, zangada com os braços cruzados.

— Só porque é nosso irmão maior e um Power Ranger não quer dizer que é nosso segundo pai!

— Mas sou responsável por vocês na ausência dos nossos pais, é meu dever mante-los seguros, não podem questionar isso. — rebateu Damian, irritado.

— Então vamos te testar. — disse Mabel esfregando as mãos — Você tenta nos pegar e prova que é um irmão responsável.

— Lá vem vocês com essas apostas. E se eu não conseguir?

Os dois se entreolharam sapecas.

— Contamos pra mamãe e pro papai que você é o Ranger Preto! — disseram em uníssono.

Damian se aproximou rápido chiando com o dedo na boca pedindo silêncio.

— Não podem fazer isso em hipótese alguma. Minha identidade tem que ser preservada, é muito importante. Eu posso ser expulso do meu trabalho como herói. É isso que vocês querem? O irmão de vocês fora da luta contra o mal?

— E daí se você sair? Vai continuar sendo nosso irmão. — disse Mabel — Mas a gente quer que prove mesmo assim.

— A gente já perdeu a hora da aula mesmo. — disse Zack dando de ombros — Valendo!

Os dois correram serelepes pela rua, causando o fervor nos nervos de Damian.

— Ei, voltem aqui! Não corram! Esperem! — disse ele correndo atrás dos irmãos desesperadamente.

Ao observar a problemática, Lokknon tivera um lampejo que considerou brilhante e conveniente.

— Eureka! O Ranger Preto pode não apenas se atrasar para o colégio como também ser culpado de não tomar conta dos seus pequenos irmãos devidamente.

— Aonde quer chegar, mestre? — indagou Aracna.

— Notem que são crianças imprudentes e incontroláveis, e certamente não são as únicas desta cidade. Imaginem se todas elas sumissem sem deixar rastros. De preferência, que fossem levados por um monstro cujo poder é manipular os piores medos desses fedelhos.

— Como o bicho-papão? É a lenda mais contada entre as crianças terráqueas pra faze-las dormirem mais cedo. — citou Aracna.

— Eu pesquisei uma criatura mítica que serve como modelo de base! É chamado Baku, ele tem por objetivo invadir os sonhos de suas vítimas para se nutrir de energia! — disse Barooma frente ao seu computador.

— Excelente, me dê um monstro que faça todas as crianças desobedientes da Alameda dos Anjos sonharem com seus piores pesadelos numa outra dimensão! — disse Lokknon que soltou uma gargalhada alta e mefistofélica.

— O boneco foi posto no bio-modelador previamente, mestre! Já inseri o apanhado de dados para assimilação! — disse Barooma que logo moveu a alavanca — Que venha com muita saúde!

A máquina produziu seus efeitos costumeiros como luzes piscantes e vapor exalando forte. A porta deslizou para o lado, o monstro tendo uma certa dificuldade de sair dado o seu peso.

— Que apertado...

Aracna e Lokknon o ajudaram a sair puxando-o fortemente em cada braço, mas tamanha força soltou o monstro bruscamente, fazendo-o cair por cima deles.

— Mestre... Aracna... Estão todos bem? — perguntou Barooma.

— Saia de cima de mim, seu monte de gordura! — disse Lokknon empurrando o monstro para sair debaixo.

— Me perdoem, mas essa porta precisa ser redimensionada. — disse o monstro levantando.

— Barooma, não podia ter forjado um monstro menos robusto? — disse Aracna, levantando-se com dores — Eu quase fiquei inválida!

— Chega de enrolação. — disse Lokknon limpando-se. Apontou para a criatura com autoridade — Gosta de crianças, não gosta? Pois eu ordeno que suma com todas das mais desagradáveis desta cidade que você vê na tela.

— Crianças desagradáveis? São as que tem o néctar mais saboroso dentro de um sonho. Vou matar a minha fome enquanto as mato de tanto medo!

— Então comece sua caçada capturando esses dois pequenos terráqueos. — disse Lokknon mostrando no visualizador imagens de Mabel e Zack correndo na travessura com Damian.

— Vá até lá, Bakuan! E não se atreva a desapontar o mestre, senão quem terá pesadelos é você. — disse Aracna nomeando o monstro.

O Ranger Preto as procurava, aflitivo, pondo as mãos na cabeça ao olhar para os lados.

— Mabel! Zack! Acabou a brincadeira sem graça, fizeram eu me atrasar, vão se encrencar quando a mamãe souber!

— Pegamos você! — disse Mabel com seu irmão atrás de uma cabine telefônica.

— Aí estão! Voltem agora, nós vamos pegar um ônibus já que nos distanciamos muito!

A dupla corria de volta a Damian.

— Nós que achamos você, Damian! — disse Zack.

— O que significa que vamos contar que você é um Power Ranger!

De repente, um portal de energia roxa surgiu interceptando os irmãos. Da fenda saíra Bakuan, pegando-os. Os irmãos gritavam assustados. Damian reagiu com alerta.

— Você aí, ponha eles no chão!

— Não se preocupe, só vou coloca-los para dormir com uma bela canção de ninar! — disse Bakuan que gerou a aparição de outro portal onde adentrou. Damian correu para resgata-los, mas o portal fechara antes.

— Não! — lamentou Damian que se ajoelhou com as mãos na cabeça em grande frustração — Meus pais vão me matar... Droga! – bateu com o punho direito no chão, raivoso.

***

Já na escola, o Ranger Preto andava cabisbaixo e de olhar fixo no chão pelo corredor principal, seu desânimo influindo tão pesadamente que o fez esbarrar de leve no ombro de um garoto que passava na direção oposta.

— Desculpa. — falou ele, a voz baixa, não se importando se o outro escutou. Tim veio até ele a passos apressados.

— Cara, onde você se meteu? Que dia mais esquisito é esse em que você chega depois de todos nós?

— Aconteceu algo terrível, mas aqui é um péssimo lugar pra se relatar. — disse Damian incomodado com a lotação no corredor.

Austin e as meninas vieram logo atrás de Tim, ansiosos para ouvir o que motivou tal atraso.

— Ei, Damian, o que rolou de tão estranho hoje pra você se atrasar? — indagou Austin.

— Ficamos preocupados, nunca é de chegar faltando menos de cinco minutos pro sinal. — disse Zoe.

— Um pneu do ônibus estourou, não foi? — especulou Jessie estreitando os olhos.

— Não, eu não vim de ônibus hoje... Na verdade, era pra eu ter vindo, só que... — disse Damian, o nervosismo impedindo de contar do sequestro de seus irmãos com naturalidade.

— Olha, você tá muito tenso, melhor contar depois. — disse Austin tocando-o no ombro.

— Negativo, quero desabafar sobre isso aqui e agora, é uma emergência!

— Emergência?! Mas sobre o quê? — perguntou Zoe — Assim você nos assusta, conta pra gente.

— É, para de enrolar, cara, tá me deixando todo arrepiado de nervoso. Olha aqui. — disse Tim, afoito, puxando a manga direita da sua camisa e mostrando os pelos eriçados — Você veio com a maior cara de cachorro sem dono, nunca tinha te visto tão deprimido antes.

O sinal ressoou fazendo a esmagadora maioria dos alunos se dispersarem até suas salas de aula. Damian esperou o corredor ficar menos movimentado para enfim reportar.

— OK, acho que agora é seguro. — disse ele olhando em volta — Mas pra reforçar, venham mais pra perto.

Os outros Rangers se aproximaram mais um pouco para que o assunto ficasse mais privado.

— Pode falar, Damian, a barra tá limpa. — assegurou Austin.

— Minha mãe confiou a mim a missão de levar meus irmãos mais novos pra escola já que meu pai saiu mais cedo pro trabalho. Como eles são muito travessos, desafiaram minha tutela o caminho inteiro e fizeram uma pegadinha de esconde-esconde... Não, digo, antes disso apareceram Psycho-Bots me cercando.

— Psycho-Bots?! — disse Tim, a voz elevada. Austin e as meninas pediram silêncio chiando com as bocas.

— Os mandei se esconderem e lutei contra aquelas latas velhas, mas acabei me deixando levar quando eles estavam discutindo, achei que seria uma ótima distração pra terminar aquela luta mais rápido e chegar a tempo, mas...

— Você... Ah não, você não fez o que eu tô pensando que fez. — disse Jessie, atemorizada.

— Sim, eu morfei e eles viram bem na hora. Mas essa não é a pior parte, não é a emergência.

— O que pode ser pior do que duas criancinhas levadas colocando a boca no trombone sobre você ser um Power Ranger? — questionou Tim.

— Eu sei, foi uma tremenda irresponsabilidade, mas se eu continuasse desmorfado a luta iria se prolongar e nós três nos atrasaríamos.

— Não é criticando nem nada, mas... acho que o certo seria ter corrido junto com eles a um lugar seguro. — opinou Zoe.

— Eu tinha pego um atalho pra beneficiar a nós três, desviar da rota pra me resguardar levaria ao atraso do mesmo jeito. — disse Damian que não segurou as lágrimas e tirou os óculos se encostando no armário — Falhei como irmão mais velho e como Ranger, eu me odeio!

— Calma. O que aconteceu depois disso? — indagou Austin, preocupado.

— Aquelas duas pestes me forçaram a brincar de esconde-esconde e se eu os achasse não contariam pros nossos pais quanto a eu ser um Ranger. Mas quando os encontrei, surgiu um monstro parecendo um elefante marinho, ele consegue abrir portais dimensionais... e os raptou para sabe lá aonde. Eu me ferrei.

— Conosco não, Damian. — disse Austin, determinado — O Lokknon não sai ganhando hoje ou não somos Power Rangers.

— Não tem problema algum dividir esse peso com a gente. — disse Jessie com Zoe fazendo que sim com a cabeça ao seu lado — Pra isso que somos todos amigos, é o nosso princípio.

— Vamos matar o primeiro tempo pra caçar esse monstro, não sabemos do que ele é capaz fora criar esses portais. — disse Tim — Você tá comigo, não é, Damian?

— Seria uma ótima ideia, Tim, mas parece que não vai dar... — disse Austin avistando o diretor Brewster saindo de sua sala na direção deles.

— O que fazem ainda aqui? A Srta. Paddleton fará a chamada em instantes. Vamos, mexam-se, rápido.

— Foi mal, diretor, a gente já tá indo. — disse Jessie.

Os Rangers seguiram juntos enquanto Brewster os observava balançando a cabeça de leve em desaprovação.

— Damian, vai ficar tudo bem. No intervalo, aproveitamos pra ir até a Central de Comando. — idealizou Zoe — Sr. Dickerson e Karen podem rastrear a Mabel e o Zack, o alcance do radar deles é praticamente ilimitado.

— Esse praticamente pode fazer uma ampla diferença em relação ao poder desconhecido desse monstro. — apontou Damian, pessimista — Nos resta torcer pra que nesse meio-tempo não ocorra nada de mal a eles.

Paralelamente, Bakuan jogava as duas primeiras vítimas em sua dimensão pessoal resumida a um pano de fundo de nuvens arroxeadas e escuras que se moviam e misturavam-se depressa. O piso parecia pedra lisa e arejada.

Mabel e Zack olhavam em volta o desesperador cenário levantando-se.

— Damian! — chamou a garotinha — Onde você tá? Zack, onde estamos?

— Não sei, mas tô com medo. — disse o garoto, retraindo-se temeroso.

— É bom que fiquem mesmo com bastante medo, suas pestinhas! — disse Bakuan surgindo através de uma cortina de fumaça roxa.

— Foi ele! — disse Mabel abraçando-se ao irmão — Nos trouxe pra cá de repente!

— Eu quero a mamãe, quero sair daqui! — disse Zack, acuado.

— Podem chorar à vontade, daqui nem seus pais irão ouvir vocês gritarem! Este é o meu incrível mundo separado de toda a realidade! Eu ordeno que vocês durmam!

— Ele tá achando que manda na gente?! Mas tá muito enganado! — disse Mabel, zangada.

— Não tá na hora de dormir, seu elefante feioso! — retrucou Zack.

— Pras minhas fontes de alimento não existe hora pra cair num belo sono. — disse Bakuan que estendeu os braços, movendo as mãos de maneira a induzi-los ao sono instantâneo. Enquanto isso ficou recitando um feitiço em japonês, as ondas hipnóticas vibrando das suas mãos diretamente às crianças indefesas que sentiam as pálpebras pesarem.

— Nossa, que soninho... — disse Mabel que bocejou.

— Acho que vamos tirar uma soneca. — disse Zack os olhos quase fechando.

— Mais que uma soneca, uma hibernação! — disse Bakuan que dera risada ao ir pega-los. Colocou-os numa nuvem rosa esbranquiçada — Agora sonhem com aquilo que mais aterroriza vocês e me provenham muito néctar!

Se teletransportou de volta a Terra, parando próximo a um beco onde viu um garoto loiro de óculos ser importunado por três valentões maiores que ele na estatura.

— Hohohoho! Três de uma vez só.

— Me passa a revista ou arranco de você e faço picadinho dela! — disse o garoto do meio segurando um canivete.

— Não, é a única que eu tenho, por favor! Se quer, vai comprar! — rebateu o garoto atormentado sentado no chão.

— É com essa boca que responde seus pais? Aposto que eles nunca tiveram coragem de dar a surra que você vai levar agora.

— Ei, seus pestinhas! Já ousaram enfrentar alguém maior do que vocês? Essa é a chance, venham pra cima! — disse Bakuan.

O trio rebelde o encarou com ligeiro assombro e foi recuando.

— Mas o que foi? A coragem de vocês serve apenas pra garotinhos bonzinhos que nem ele? Como são fracos!

— Ah! Vamos dar no pé, esse cara é sinistro! — disse o líder do trio correndo com seus parceiros, largando a faca no chão. Bakuan se teleportou para bloquea-los, logo executando sua hipnose sonífera com o feitiço japonês. Os três valentões caíram adormecidos e foram carregados pelo monstro.

Bakuan abrira o portal no qual pulou com suas novas presas capturadas.

***

No intervalo, os Rangers se reuniram no refeitório para perpetrarem a fuga estratégica.

— E é sempre assim, ela não compreende que meu papel como irmão mais velho não pode usurpar totalmente o dela e o do papai. — declarou Damian, chateado — Mas mesmo eu contestando essa visão dela, eu tô ciente do meu erro, eu deveria ter tido mais pulso firme.

— Isso requer uma terapia em família, deviam tentar. — disse Jessie.

— Mas com a família completa e pra isso temos que aproveitar a brecha pra determos o sequestrador. — disse Zoe, firmada no plano.

— Será que conseguimos derrotar um monstro do Lokknon até o início do segundo tempo? — perguntou Austin, incerto.

— Essa pergunta vale bem mais que um milhão. — disse Damian — Por mais que eu queira resolver isso logo, não sei se vale o risco.

— Ah vai, Damian, não vamos descobrir sem tentarmos. — disse Tim, favorável ao plano — É como meu pai sempre diz: quem não arrisca, não petisca.

— Disse tudo, Tim. O intervalo começou não faz nem dez minutos. — disse Austin, exalando otimismo — Em menos de uma hora. Eu aposto alto que conseguimos e ainda sobra tempo de tomar água.

— A esperança é a última que morre, né? Eu não vou questionar o líder. — disse Jessie, abertamente disposta a arriscada operação.

— Tudo bem, são os meus irmãos em perigo e o meu parecer é decisivo. Então eu digo que... — falou Damian causando suspense — ... vamos chutar o traseiro desse monstro agora mesmo.

— Yeah! Esse é meu garoto! — disse Tim levantando de súbito e dando um forte abraço como se fosse uma chave de braço no parceiro — Vamos lá?

— No depósito de mantimentos, aonde fomos no dia que os Psycho-Bots invadiram. — disse Austin. Os cinco levantaram e fingiram ir juntos ao corredor principal, mas dobraram direto ao depósito sem porta. Neste instante, os comunicadores tocaram — Pode falar, Sr. Dickerson. Já íamos até aí.

— Rangers, a cidade enfrenta uma onda de sequestros de crianças, várias foram dadas como desaparecidas nas últimas duas horas. Já identificamos o raptor. — avisou o mentor.

— OK, estamos a caminho. — disse Austin. Os heróis apertaram o botão de teleporte simultaneamente, se transformando em pilares coloridos de luzes e chegando a base.

— Sabem que terão de resolver essa confusão antes de voltarem pra aula, certo? — indagou Dickerson.

— Nosso plano era esse desde cedo. — disse Austin.

— Mas o que torna essa missão mais difícil é que o problema tem muito a ver com o Damian. — disse Zoe.

— Tenho dois irmãos menores e eles estão entre as vítimas desse sequestrador. — disse Damian se aproximando — Ele cria portais dimensionais, o cativeiro deve ser um mundo alternativo que só ele controla. Conseguem rastrear?

— A extensão do radar não rompe a barreira espaço-temporal de modo que capture imagem e som dessa dimensão, infelizmente. — disse Karen voltando-se aos Rangers — Mas não desanime, Damian, seus irmãos serão salvos.

— Será que se deixando ser sequestrado por ele, a partir do sinal do meu morfador é possível rastrear? — perguntou Damian.

— Mas o sinal do morfador não iria se perder já que não tem como acessar a dimensão pelo radar? — especulou Jessie.

— Os morfadores têm uma sinalização muito mais extensível que se perde somente em áreas com ondas de frequência interruptoras. Não acho que aqui seja o caso. — revelou a tecnóloga para o alívio dos heróis.

— Ótimo, assim Damian tem uma boa abertura pra resgatar seus irmãos. — disse Dickerson — Depois, os outros entram para retirarem o restante, mas tomem cuidado, ele parece ser bem esperto, usa um truque de sonolência induzida antes dos raptos. — imagens de Bakuan em suas ações maléficas passaram numa tela — E é estranhamente seletivo.

— Seremos nós que botaremos ele pra dormir. — disse Austin sacando sua célula e morfador, esticando os braços para encaixar os dois itens tal qual os outros — Prontos? Hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Os Rangers saíam a caça de Bakuan pelo centro da cidade, mais precisamente numa praça de baixo movimento.

— Será que ele passou por aqui antes de nós? — indagou Austin.

— Temos que esperar o aviso da Karen quando houver um novo sequestro. — disse Zoe.

— Talvez não, olha quem vem por aí! — disse Tim apontando para um portal roxo e rosado surgindo no meio da praça com raios, afugentando cidadãos próximos dali. Bakuan saiu da fenda interdimensional, ávido por mais vítimas.

— Hoje será um dia glorioso de fartura pra mim! Todos os garotos malcriados desta cidade serão meus! E já posso sentir o cheiro de um bem perto daqui... — disse ele, farejando com sua tromba levemente erguida. Os Rangers dispararam lasers das pistolas Z gerando estourou de faixas ao redor do monstro.

— Sua onda de sequestros termina aqui! — disse Austin entre os demais — Se eu fosse você, me renderia agora e libertava as crianças!

— Elas pertencem a mim eternamente! Nunca mais irão acordar de seus piores pesadelos, elas tem me servido ótimas porções de néctar!

— Do que ele tá falando? Que papo é esse de néctar? — questionou Jessie.

— Creio que os sonhos das crianças raptadas sirvam de alimento pra ele. — disse Damian — Ele as faz dormir pra se nutrir do medo delas!

— Qual de vocês é a criança que atende aos meus requisitos hein? Ou será que devo levar todos comigo?

— Atenção, Rangers! Invocar armas! — bradou Austin que chamara as suas — Punhos da Selva!

— Ferrão de Arraia! — disse Zoe.

— Garras Raptoras! — falara Jessie.

— Barbatanas Cortantes! — declamou Tim.

— Marreta Avalanche! — exclamou Damian.

Os Rangers avançaram, porém Bakuan criou esferas sombrias das mãos e as lançou contra os cinco. Nada mais eram que portais dimensionais pelos quais os heróis adentraram e saíram em direções aleatórias e diferentes afastadas de Bakuan.

— Ué, cadê ele? — indagou Tim saindo do portal e meio longe do monstro, olhando em volta.

— Vamos tornar essa brincadeira mais divertida! — disse Bakuan forjando novas esferas dos dedos de um mão e as lançando.

— Você é cheio dos truques, né? Se prepara! — disse Austin correndo contra ele. Mas a esfera veio na sua direção ao mesmo tempo que as outras com os demais Rangers. Quatro portais abriram um na frente do outro levando Tim a se esbarrar com Jessie e Austin esbarrando com Zoe em colisões fortes. Damian apenas saiu numa outra direção e virou-se vendo os amigos caídos.

— Pessoal! — disse ele correndo para ajuda-los.

— Meu capacete amorteceu o impacto. — disse Jessie tocando no topo do capacete levantando — A sua cabeça teria feito muito mais estrago.

— Ei, minha cabeça não é mais dura que o capacete nem a pau! — retrucou Tim.

— Zoe, vem cá. — disse Austin ajudando-a levantar — Tá tudo bem?

— Só meio tonta. Foi um esbarrão e tanto.

— Não tem como a gente chegar perto dele. Tentei desviar, mas ele controla aquelas bolas de sombra com a mente. — disse o Ranger Vermelho.

— Ahá! O meu faro não me engana! Já sei qual de vocês vou adicionar ao acervo! — disse Bakuan que entrou num portal atrás de si e saiu bem ao lado de Tim agarrando-o no braço — Você!

— Tira a mão dele! — disse Jessie atacando com suas garras, mas a pele de Bakuan resistiu aos cortes e o monstro revidou disparando raios dos olhos praticamente a queima-roupa causando estouros de faíscas no corpo de Jessie que foi jogada uns metros adiante.

— Jessie! Me larga, seu roliço feioso! — disse Tim tentando se desvencilhar.

— Você vem comigo, rapazinho, eu li sua alma, tem os dotes do meu tipo favorito de criança! — dizia Bakuan com uma risada grave.

— Seu tipo?! Sai pra lá, você e eu não jogamos no mesmo time! — rebateu Tim.

— Tim, não! — disse Damian que bateu sua marreta no chão produzindo uma forte onda de terra e concreto que separou Tim das garras de Bakuan no instante que ele criava o portal. Agilmente, o Ranger Preto saltou e aterrissou onde o amigo estava sendo pego por Bakuan que logo adentrou no portal.

— Damian entrou na dimensão! — disse Austin correndo até Tim junto de Jessie e Zoe — Tudo indo de acordo com o plano, agora só esperarmos ele voltar trazendo os irmãos dele.

Damian foi jogado ao chão na dimensão metafísica de Bakuan e o monstro lançou raios dos olhos. O Ranger Preto desviou rolando, logo pulando e dando um chute duplo com os pés juntos que o empurrou e o fez cambalear.

— Minha tromba, minha trombinha! Atacou minha parte mais frágil, seu moleque impertinente!

— Bom saber. Agora tudo se esclareceu: você só rapta crianças espevitadas e imprudentes! Eu não sou apetitoso pra saciar sua fome, né? Que pena pra você porque não saio daqui sem resgatar todas essas crianças, especialmente os meus irmãos!

— Ah, então você é aquele garoto com cara de bobão que estava com aquela garotinha e o garotinho que peguei primeiro! Garotos como você são tediosos, não sonham com nada interessante pra me deixar farto!

— Por que você não tenta? — desafiou Damian.

— Já que insiste... Vamos tirar a prova! Eu, Bakuan, não serei humilhado! — disse o monstro movendo suas mãos para criar a indução hipnótica. Recitou o encantamento japonês para provocar a sonolência em Damian.

O Ranger Preto caía gradualmente no sono recuando até deitar as costas na nuvem rosada onde a outras vítimas se encontravam. Seus olhos fecharam, adormecendo instantaneamente. Bakuan desapareceu com sua fumaça arroxeada de volta ao mundo real.

A fase REM do sono de Damian veio depressa, o levando a sonhar com a rua onde vivia estando desmorfado. Estava noite e uma névoa baixa se espalhava lentamente.

— Conheço essa rua... — disse ele que avistou sua casa bem a frente — Minha casa... Esse é o meu sonho e tô consciente disso, que estranho. Ah, lembrei: Mabel e Zack estão dormindo próximos de mim lá fora. Se sou uma criança inútil pro Bakuan, então teoricamente posso ser a chave pra libertar as crianças dos seus pesadelos, ele só não sabe disso.

Gritos de criança foram ouvidos da casa. Damian reconheceu imediatamente.

— Essas vozes... São Mabel e Zack!

— E você não irá salva-los. — disse a mãe de Damian atrás dele com os olhos inchados de tanto chorar — Sabe por que? Porque é um incompetente como irmão mais velho. Seu pai e eu brigamos novamente e estou pensando em me separar dele só pra ficar com a guarda dos seus irmãos e deixar você morando com ele. Será melhor assim, será melhor pra eles ficarem distantes de um pai inconsequente e um irmão incapaz de protege-los

— É mentira! — vociferou Damian — Não, Damian, se concentra, isso é apenas um sonho que tá tentando dominar sua consciência! — colocou as mãos na cabeça de olhos fechados para manter a mente focada na ideia de que aquilo não era real e não exercia influência. Os gritos das crianças voltaram a ecoar — Mabel, Zack... Eu tô indo! — disparou até a casa ignorando as falas da mãe que se exaltava acusando-o.

— Você não é o filho que eu esperava criar! De todas as decepções na minha vida, você foi a pior! — esbravejava a mãe — Eu queria que você jamais tivesse nascido, Damian!

Damian corria de ouvidos tapados e alcançou a porta, abrindo-a ao invadir a casa. Viu seus irmãos encolhidos num canto da sala chorando.

— Damian, por que você tá aqui? — indagou Mabel, as lágrimas rolando.

— Vai embora, você nos abandonou! — disse Zack, o rosto molhado.

— Não, eu nunca faria isso... Eu não pude evitar por mais que eu tentasse! — justificou Damian, apreensivo. A porta fechou-se sozinha num baque seco, assustando o casal de irmãos.

— Ele tá vindo! Por que nos deixou cair naquele buraco? — questionou Mabel.

— E também sermos levados pra dentro do armário pelo monstro?

— Agora entendi, esses foram os seus sonhos e como estou perto de vocês dormindo... tudo se convergiu, estão sonhando com esse cenário também!

Uma sombra rastajava no chão e os pegara.

— Não! Mabel! Zack! — disse Damian correndo para recupera-los, mas as mãos negras da sombra agarrando os irmãos se distanciavam na escuridão à medida que o herói acelerava. Ao cansar, Damian se ajoelhou lamentando tê-los deixado irem novamente, os gritos silenciando — Fracassei de novo! — retirou os óculos, chorando — Que droga de irmão mais velho, eu sou, afinal? Me tornei um Power Ranger, carregando o peso do mundo, mas não consigo carregar a responsabilidade de cuidar dos irmãos!? Eu sou tão... patético! — ergueu a cabeça falando para o alto — Sou o pior irmão mais velho de todos!

Uma mão tocara em seu ombro naquele instante. Um toque familiar em todos os sentidos. Damian virou-se e levantou, dando-se conta de ser seu pai ali.

— Pai? O senhor veio me julgar também? Vai em frente, tudo o que disser não vai me abalar, a mamãe já disse tudo o que eu precisava ouvir.

— Damian, seu esforço aqui não será em vão. Nada está acabado. Nem seu dever como irmão mais velho e nem nossa família. Eu entendo você porque... — disse o pai que foi rapidamente envolvido por uma aura preto-arroxeada, assumindo sua forma Ranger de quando foi um herói — .... eu também sofri com a pressão de agir como Ranger e ao mesmo tempo manter meus irmãos menores distantes do perigo.

— Com os meus tios o senhor também passou pela mesma coisa?

— Aconteceu uma vez da vida deles sofrer um risco muito alto, mas eu lutei bravamente pra salva-los. Você deve fazer o mesmo.

— Mas pelo menos eles não descobriram que você é um Ranger.

— Não vamos comparar as nossas experiências, você ainda é muito novo, cometer erros faz parte da jornada. Disse pra fazer o mesmo que eu, mas quero que faça ainda melhor. — declarou o pai, dando a mão direita para o filho — Segure minha mão, filho. E vou compartilhar da minha coragem pra que você vença o mal.

Damian apertou a mão do pai, sendo imbuído da energia da morfagem que restituiu sua força de vontade. O Ranger Preto do Esquadrão Z e o do Esquadrão Aviário estavam frente à frente, conectados em um só coração energizado.

Correram juntos rasgando a escuridão e encontrando o armário.

— Força! — disse o pai tentando abrir uma porta do armário enquanto Damian se encerregava da outra. Com o esforço hercúleo combinado, ambos abriram as portas e pularam ágeis mergulhando na escuridão. Mabel e Zack estavam caídos sob uma luz fraca.

A dupla de Rangers Pretos aterrissou para enfrentar a criatura de olhos vermelhos nas sombras que crescia ameaçadora. Os Rangers Pretos emanaram suas energias que dispararam com suas mãos direitas, fazendo o monstro se consumir junto a escuridão que rodeava a tudo. Se reduziu a uma esfera de luz que caiu sobre Mabel e Zack, acordando-os. Estavam no quarto deles, o closet não sendo mais porta para o mal sair.

— Agora é com você, Damian. Traga-os de volta. — disse o pai, satisfeito.

— Obrigado, pai. Juro que vou conciliar minhas responsabilidades pra nada sair dos eixos! Você é a minha inspiração!

— E você é a deles! Cumpra seu propósito, o legado vive em você! Que o poder o proteja!

O Ranger Aviário Preto desapareceu numa luz preto-arroxeada. Na dimensão sombria, Damian despertava junto aos irmãos.

— Mabel... Zack... Ah, que ótimo, finalmente acordaram! Cheguei a pensar que eu perderia vocês pra sempre! — disse Damian que abraçou os irmãos.

— Damian, você veio nos salvar! — disse Zack.

— E você nunca nos abraçou! Tá com febre? — indagou Mabel colocando a mão sobre o capacete.

Um portal se abriu diante deles, mas quando se esperava que Bakuan irrompesse, ninguém apareceu.

— Aquele monstro não veio... O que significa que esse portal se abriu graças ao meu feito de tirar vocês do pesadelo. Vamos!

— Mas e eles? — perguntou Zack apontando para as demais crianças que ainda dormiam — Você entrou nos nossos sonhos pra tirar a gente de lá, podia fazer o mesmo por eles.

— Algo me diz que eles ficarão bem quando eu e meus amigos derrotarem aquele monstro gorducho. Segurem minhas mãos e pulem!

O trio saltou ao portal, logo caindo de volta a realidade. Bakuan sentiu-se repentinamente enfraquecido correndo pelo centro da cidade.

— Mas o que aconteceu? Me sinto desnutrido!

Os Rangers saltaram de diferentes prédios e o cercaram.

— Te pegamos, Bakuan! Está nas nossas mãos! — disse Austin. O monstro disparou seus raios oculares, estourando faíscas no chão, mas os Rangers desviaram com cambalhotas de lado.

— O que está havendo? Meu poder diminuiu drasticamente!

— Mas que boa notícia! — disse Damian correndo até os amigos.

— Damian, e aí? Pegou seus irmãos de volta? — perguntou Austin.

— Não se preocupem, deu tudo certo. Eles estão ali atrás daquela caminhonete observando e não vão sair a menos que eu mande. Vamos liquidar logo com ele!

— Punhos da Selva! — disse Austin atacando Bakuan com um dos punhos. De outra direção veio Tim com suas barbatanas cortantes faiscando no corpo dele. Por trás do monstro atacou Damian com uma batida potente nas costas que o empurrou até Jessie que desferiu um gancho de direita com as garras raptoras e o mandou para a frente de Zoe que executou um corte vertical numa linha de luz rosa de cima a baixo com o ferrão de arraia o fragilizando muito mais. Bakuan cambaleava para trás, sentindo um esgotamento.

— Eu perdi duas fontes de suprimento! Você me paga, Ranger Preto!

— Combinar armas! — disse Austin soltando seus punhos da selva. As armas fundiram-se criando o Abatedor Selvagem que foi mirado em Bakuan — Disparar!

O laser duplo foi lançado, atravessando Bakuan impiedosamente. O monstro caíra e explodira em fogo e fumaça. As crianças raptadas reapareciam nos lugares em que foram apanhadas sentindo terem acordado de longos sonhos.

— Cara, nunca mais uso aquela parada que você me emprestou! — disse o valentão que atormentou o garoto fã de quadrinhos no beco, dando um leve empurrão no parceiro.

Lokknon bateu forte o pé direito sentado no trono.

— Barooma, laser regenerador! Faça Bakuan reviver mil vezes mais poderoso!

— É pra isso que serve o canhão, mestre! — disse Barooma apertando o botão que disparou o raio retilíneo e esverdeado sobre os restos de Bakuan. O monstro ressuscitara agigantando-se e intimidando os Rangers.

— Hora de sonhar alto, perdedores!

— Precisamos do poder Megazord agora! — disseram os Rangers.

As máquinas animais saíram de seus hangares a toda velocidade ao campo de batalha. Os Rangers saltaram para os cockpits.

— Chave de Comando, ativar! — disse Austin inserindo e girando a chave — Iniciar sequência Megazord!

Os zords ligaram-se uns aos outros, a combinação dando forma ao Megazord Z.

— Todos aqui? Muito bem, vamos provar pra esse cara de anta que só iremos ser derrotados nos sonhos dele! — disse Austin.

O Megazord avançou, mas Bakuan escapou entrando num portal, logo saindo no lado oposto dando uma cabeçada no robô que não se abateu facilmente.

— Essa brincadeira de nos tapear com os portais não vai funcionar! Sacamos o seu jogo! — disse Damian.

Novamente o Megazord avançara para soca-lo, mas Bakuan outra vez escapuliu num portal para surgir em outro atrás do robô, mas sem sair completamente, apenas empurrando-o. O robô virou-se querendo pega-lo, porém o portal fechou.

— Parece que está tentando matar uma mosca! — zombou Bakuan surgindo no outro lado.

— É agora! — disse Zoe.

O Megazord virou ligeiro, tendo êxito em agarrar a tromba de Bakuan.

— Minha tromba, largue!

O portal do qual ele saía foi fechando-se, deixando-o totalmente exposto.

— Bingo! A tromba é o ponto fraco como imaginei! — disse Damian — Com ela inibida, não é capaz de criar mais portais e mesmo que estivesse livre não consegue sustentar um portal por muito tempo.

Bakuan tomara vários golpes na barriga com sua tromba segurada. O Megazord dera uma joelhada no rosto, o largando.

— Sabre Selvagem! — bradaram os Rangers em uníssono. A espada caiu na mão direita do robô — Insígnia Feroz.

O círculo com os emblemas de cada Ranger fora realizado em sentido horário.

— Partir!

Por fim, o corte diagonal atingiu Bakuan que ficou trôpego com raios em volta.

— A realidade é decepcionante! — disse ele, caindo e explodindo fatalmente.

Damian desceu rapidamente do Megazord e desmorfou para reencontrar os irmãos que estavam tomando sorvete num banco da praça.

— Aí estão vocês, achei que tivessem me pregado a mesma peça.

— Não, pensamos melhor e fomos comprar sorvete. — disse Mabel.

— Não ficaríamos vendo a luta do robô gigante dos Power Rangers sem um lanchinho. — disse Zack — Desculpa, a gente te compraria um, mas só deu pra nós dois.

— Tudo bem, o importante é que estão sãos e salvos, sem nenhum arranhão.

— Tô pronta pra ir à escola. — disse Mabel levantando.

— Dessa vez prometemos não te incomodar.

Damian estreitou os olhos com um sorrisinho.

— OK, vou confiar em vocês. Mas antes de irmos... — retirou o celular da calça — Que tal tirarmos uma foto e mandar pra mamãe?

As crianças se aproximaram dele. Com Mabel a sua direita e Zack a sua esquerda, Damian fotografou sorridente fazendo um sinal de paz e amor. Ao chegarem a escola primária, depararam-se com a mãe deles emocionada.

— Graças a Deus vocês estão bem! — disse ela agachando para abraça-los — Mas... Damian?! Filho, não devia estar no colégio? Você matou aula só pra ir atrás dos seus irmãos, é isso?

— Tecnicamente, sim. — respondeu ele.

— Não fica brava com ele, mãe. — disse Mabel.

— Os Power Rangers nos salvaram de um monstro que sequestrou a gente e nos fez dormir. — contou Zack.

— Sonhamos que o Ranger Preto era o Damian. — disse Mabel para o alívio de Damian.

— Uma bela história que vocês terminam de me contar mais tarde. Vão, a professora tá esperando por vocês. — disse a mãe. A dupla se despediu de Damian e correu para a aula — E Damian, eu...

— Não, mãe, deixa pra quando estivermos em casa. Vou nessa.

— Damian, filho, espera. — disse ela o tocando no ombro com um olhar sereno — Eu tenho muito a te agradecer pelo que fez. Devo estar tão grata quanto eles. Ter saído da escola só pra procurá-los... demonstra que você tem sim o bom senso de um irmão protetor e cuidadoso. E você nem precisava provar, no fundo eu sabia que era capaz.

— Obrigado, mãe. Eles prometeram que vão se comportar daqui em diante. Sendo assim, prometo a senhora que vou ser um irmão cada dia melhor. — disse Damian com sinceridade, o que levou sua mãe a abraça-lo fortemente.

Saindo da escola, Damian sorriu olhando para o celular após o sucesso do teste de software com o programa de amnésia instalado.

— É, Sr. Dickerson, veio em boa hora.

XXXX