Power Rangers: Esquadrão Z
14 Mel de Gosto Amargo
Notas iniciais
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A temporada esportiva da Angel Grove High School agitava os estudantes com a esperada chegada das primeiras competições, iniciando com a Copa de Futebol Americano na qual valeria não apenas classificação no ranking como também pontuações elevadas na média. Nos corredores não se comentava mais nada além do primeiro jogo entre os atletas das duas quintas séries e os das sextas séries.
Se ausentando por um tempo de algumas aulas, Jessie, ao lado de algumas colegas das duas classes, participava do time de líderes de torcida. Na quadra, o treinador Brooks, um homem negro e jovem com barba por fazer e usando boné dos Lakers, um moletom cinza, calcas azuis com listras brancas nas laterais e tênis de marca voltada ao esporte, conduzia o ensaio. Após finalizar, ele chamou atenção para proferir um anúncio importante.
— Meninas, por hoje é só, vocês foram bem mais flexíveis, tô gostando de ver. Na próxima, por favor, mantenham esse nível. Mas antes de vocês irem, devo lembra-las que o posto de líder do grupo está vago. Toda colmeia precisa de sua abelha-rainha, certo? Normalmente faria uma votação ou escolheria a dedo, mas darei a liberdade a quem se voluntariar pra essa função. Quem de vocês se habilita a comandar o grupo?
— Eu! — disseram Jessie e Cindy se colocando adiante do grupo erguendo suas mãos direitas. Mas logo o atrito se fez presente com elas encarando uma a outra raivosamente.
— Vocês duas? Ahn... Teremos que decidir isso de alguma forma e que seja justa.
— Eu sugiro par ou ímpar. — disse Cindy com seu jeito altivo.
— Se manca, Cindy. O treinador Brooks disse que deve ser justo, então eu sugiro que façamos um novo ensaio e ele avalia qual de nós duas teve a melhor performance. — disse Jessie, o pavio se encurtando.
— Eu tô cansada, suada e estressada. Ele já encerrou o ensaio de hoje. Tá surda, por acaso?
— É só desculpa porque tá com medo de fazer feio já que temos a obrigação de manter o nível.
— Medo que nem você quando demorou pra se inscrever no time achando que passaria vergonha? Não, queridinha, eu, Cindy Harper, nunca fujo de desafios. Acho que aquela sua amiga songamonga esqueceu de dizer que você ficaria ridícula com essa roupa, imagina com a coroa de abelha-rainha.
— Se estiver falando da Zoe... — disse Jessie lançando um olhar fuzilante para a rival.
— Ui, como ela é esquentada. Eu nem citei nomes aqui, apesar da sua Iista de amigos que dá pra contar nos dedos de uma mão só.
— Eu sei que tava se referindo a Zoe, sua despeitada...
Brooks rapidamente tratou de impedir Jessie em avançar contra Cindy.
— Não vou tolerar discussões como essa outra vez. Se continuarem, levo as duas pra diretoria. — determinou o treinador que as tocou nos ombros amigavelmente — Vamos acalmar os ânimos, foi um ensaio exaustivo.
— Treinador, essa daí é uma animadora de primeira viagem, imagina o desastre que seria como líder alguém tão desajeitado — disse Cindy — Eu sou veterana, logo tenho mais experiência e competência para a liderança.
— Pelo que captei do desempenho das duas, foram igualmente incríveis. Então não adianta me convencerem apenas se gabando, deve ser uma competição saudável. Portanto, vou formular dois testes, um prático e um teórico, sendo o teórico o mais válido pra definir quem vai assumir o posto de abelha-rainha. Topam?
— Dentro. — aceitou Jessie, firmemente.
— Por mim tudo bem. — disse Cindy com olhar de total desdém para a Ranger Amarela.
— Mas sobre o que será esse teste teórico? — indagou Jessie.
— Fundamentos básicos do futebol americano. — disse Brooks que olhou para o resto da equipe, boa parte cochichando sobre a briga de Jessie e Cindy — Vocês, dispensadas. Muito obrigado pela presença e dedicação, até mais. E quanto a vocês duas, abelhas concorrentes... Vamos ao ginásio.
As garotas foram conduzidas até a pista de triatlo a fim de disputar uma corrida de 50 metros na prova prática.
— Uma corrida?! Não podia ser polichinelos ou cambalhotas? — reclamou Cindy.
— É uma maneira prática de identificar qual de vocês tem melhor flexibilidade pra executar os passos adequadamente. Em posição.
Jessie e Cindy se colocaram preparadas para a largada, inclinando-se para frente antes de correr. Brooks soprou o apito, fazendo-as dispararem energicamente pela pista. O treinador corria pelas adjacências a fim de chegar antes até a linha de chegada e decretar o resultado. Jessie impunha mais fôlego nas pernas num incansável esforço, tanto que chegou a ultrapassar Cindy em um metro.
— Tá gostosa a poeira, Cindy?
— Sua vigarista, vou te atropelar! — rebateu a patricinha, furiosa.
Brooks já se encontrava perto da linha de chegada. A corrida frenética terminou com Jessie sagrando-se vencedora.
— Jessie, você ganhou! Podem vir aqui as duas.
— Ela trapaceou, eu vi! — acusava Cindy que ofegava.
— Quer que eu chame uma ambulância? — provocou Jessie.
— Cai fora, eu não ligo pra essa corrida idiota. O que importa é o teste teórico e neste eu serei vitoriosa.
— Duvido, talvez nem saiba qual o nome da bola.
— Uma questão como essa não cai na prova. Certo, treinador? — perguntou Cindy, soberba.
— Saberão quando fizerem o teste logo após o intervalo. Se troquem e voltem pra sala, a próxima aula começa em cinco minutos. — disse Brooks olhando no relógio de pulso.
***
Lokknon estava de olho no treino das líderes de torcida, formulando um novo plano maquiavélico com base na disputa inflamada entre Jessie e Cindy.
— Abelhudas?! Depois eu que sou péssima pra nomear coisas. — disse Aracna serrando as unhas sentada num banquinho — Mestre, muda esse canal, tá me dando urticária esses uniformes de abelhas.
— Abelhas, é isso! — disse Lokknon.
— Não vai me dizer que teve uma ideia envolvendo essas garotas mal-vestidas?! — disse Aracna, temerosa.
— Não é óbvio? Pensem na situação calamitosa que um monstro com propriedades de uma abelha causaria no dia dessa competição patética. E com a Ranger Amarela de líder só me deixa mais motivado a dar cabo disso.
— Mas, mestre, ela ainda não foi coroada, nem sabemos se de fato será! — disse Barooma.
— Eu tenho certeza de que sim. A função desse monstro seria a de criar réplicas exatas dessas garotas, incluindo a própria Ranger Amarela.
— E no que isso afetaria os Rangers e todos que estiverem assistindo ao jogo? — indagou Aracna.
— Essas cópias fariam passos diferentes dos que foram ensinados e em seguida atacariam a todos impiedosamente como abelhas fora da colmeia. — disse Lokknon que passou a língua entre os lábios — Já sinto a vitória doce como mel na minha boca.
— Eu já experimentei e honestamente odiei. — disse Aracna expressando nojo enquanto voltava a lixar as unhas — Tem gosto de saliva e vômito.
— Aracna, que mal pergunte, mas... Tem algum problema pessoal com abelhas? — questionou Lokknon.
— Ahn... Não, senhor. Mas é bom lembrar que sou nativa de um planeta onde os insectoides e aracnídeos eram tribos inimigas, então não estranhe esse meu modo de falar das abelhas.
— E também não questione quando eu estiver elaborando uma estratégia para destruir de vez aqueles fedelhos coloridos! — disse o imperador num tom ríspido que fizera a princesa aracnídea estremecer.
— Sim, sim, sim, mestre, não está mais aqui quem falou. — disse Aracna recolhendo-se a sua insignificância.
— Barooma, quero esse monstro pra agora, vamos adapta-lo ao ambiente enquanto o grande dia não chega. — ordenou Lokknon.
— É pra já, milorde! Todos os dados referentes a abelhas e seus instintos naturais foram enviados ao bio-modelador! — disse Barooma que logo depois levantou a alavanca — Que venha com muita saúde!
A máquina estourou seus relâmpagos e exalava seu vapor denso e branco durante a formação da mais nova criatura a ser usada como instrumento de destruição contra os Rangers. O monstro-abelha saíra após a porta deslizar.
— Mas que colmeia mais estranha! A começar por esse odor artificial!
— É o cheiro que está vindo de você depois de nascer através dessa geringonça aí atrás. — disse Aracna, nada simpatizante. Lançou um sorrisinho fechado e falso para a abelha mutante.
— Seja mais respeitosa com minha criação, Aracna! — disse Barooma que voltou-se ao monstro — Não dê ouvidos a ela, só está amargurada por não ter o que fazer! Mas você não é um peso morto, você tem utilidade aqui!
— E qual seria meu cargo operário? A que rainha eu sirvo? — indagou o monstro que possuía uma voz fina e distorcida.
— Serve exclusivamente a mim. — disse Lokknon levantando-se do trono.
— Você é a rainha desta colmeia?! Esperava alguém mais pomposo e imponente!
— Mestre, eu não deixaria essa ofensa passar em branco. — disse Aracna.
— Não há porque incitarmos conflitos internos agora, o momento requer aproximação e confiança. Sendo assim, você, minha nova aliada, terá o tempo que necessita para se ajustar a colmeia. — declarou Lokknon, cortês.
— Me sinto muito honrada pelo seu modo de me tratar. Faço o trabalho que me encarregar, mas com uma condição.
— E o que seria? — indagou Lokknon.
— Esse serviço deve me dar a oportunidade de acumular alimento suficiente para prolongar minha expectativa de vida. Senão, nada feito.
— O planeta Terra é o lugar mais propício do universo para a sua sobrevivência. — apontou Lokknon.
— Ótimo, por onde eu devo começar?
— A escola onde os terríveis Power Rangers frequentam. Lá ocorrerá um evento importante e seus alvos são estas terráqueas inocentes e fracas. — disse Lokknon fazendo-a olhar para o visualizador — Pode replica-las com seu poder?
— Muito além disso. Os meus casulos de mel fornecem o alimento essencial pra me sustentar. A pele desses seres entra em contato com minha substância, daí gerando litros e mais litros de puro mel especial!
— Ótimo, então esperamos que faça um excelente trabalho, Ladybee. — disse Aracna levantando.
— Quem é você pra me chamar assim? — indagou o monstro que disparou uma espécie de ferrão vermelho de sua boca, atingindo o braço esquerdo de Aracna. A princesa aracnídea ficara zonza tocando no braço ferido.
— O que fez com Aracna? — perguntou Lokknon.
— Nada mais que infecta-la com meu poderoso veneno. Em menos de 24 horas, ela morrerá caso não tome o antídoto.
— E que antídoto é esse? Por que fez isso comigo? Eu apenas dei um nome a você, devia estar grata por isso! — disse Aracna, perturbada, arrancando o ferrão a força.
— Tenho direito de escolher meu próprio nome! Mas pensando bem... este até que me cai bem!
— Eu vou matar você, sua abelha desgraçada! — disse Aracna avançando contra ela, mas caiu vencida pela dor — Alguém me traz gelo. Acho que estou com febre.
— Isso é só o começo. Mas posso oferecer o antídoto em troca de uma vantagem a mim. — disse Ladybee, aproveitando-se da boa vontade de Lokknon que não teve como negar.
— Diga o que propõe, estou aberto a qualquer coisa pra não perder minha subalterna de elite.
— Assim que eu terminar de acumular meu alimento, quero ser livre e independente. As cópias das terráqueas manterão esses tais Power Rangers bem ocupados.
— Se me assegura que os Rangers terão trabalho pesado, então me resta dar minha garantia. Agora me dê o antídoto.
— Só quando eu capturar todas elas e o mel estiver sendo provido. — explicou Ladybee — Quem sabe eu ofereça um pouco a sua bruxa com cara de aranha.
— Não sou bruxa... sou uma princesa... Me trará esse antídoto ou eu mesma vou tira-lo de você.
— Tem a minha palavra. Enquanto isso, sofra por ter perdido a chance de ficar quieta. — disse Ladybee que soltou uma gargalhada infame.
— Nisso me obrigo a concordar. — disse Lokknon voltando ao trono.
— Mestre, não dê razão a essa asquerosa. — disse Aracna, gemendo e chorando com a dor insuportável do veneno.
***
Em pleno intervalo, Jessie se mostrava indisposta e abatida, garfando lentamente as almôndegas no seu prato de espaguetti sem o apetite necessário. Na mesma mesa, os Rangers certamente não deixariam de apontar o baixo astral da Ranger Amarela.
— Jessie, o que tá havendo? Você mal tocou na comida.— disse Zoe, olhando preocupada.
— Logo no dia do espaguetti?! Só pode estar doente pra dispensar isso aqui! — disse Tim que enfiou mais um porção do macarrão na boca.
— Doente só se for de vergonha e derrota. — respondeu Jessie.
— Ué, mas por que? Aconteceu alguma coisa no ensaio das líderes de torcida? — perguntou Austin.
— E eu posso deduzir significativamente que no centro disso envolve o nome Cindy Harper. Acertei? — disse Damian olhando para ela enquanto envolvia as pontas do garfo com macarrão.
— A Cindy é o menor dos meus problemas. Acontece que o treinador Brooks nos passou testes pra decidir quem vai ser a abelha-rainha. Eu passei na prova prática, corri uns cinquenta metros competindo com a Cindy, mas... A teórica é que vai ser barra pra mim.
— Mas você é a maior especialista em tudo sobre líderes de torcida que a gente conhece, sabe um monte de coreografia. — disse Tim.
— Quem me dera esse fosse o assunto do teste. Mas não, a prova é sobre futebol americano, dãã. — disse ela movendo as almôndegas mais rápido, o tom irritado — A Cindy costuma andar com os caras dos Zangões, pode pegar umas dicas com eles. Enquanto eu afundo no abismo da ignorância.
— Na minha sincera opinião, não é justo testar o conhecimento de uma líder de torcida novata sobre futebol valendo um posto tão alto. — comentou Zoe — Falando aqui como sua amiga, Jessie, isso é absurdo.
— Eu contestaria se fosse você. — reforçou Damian.
— Agora é tarde. A prova será depois do recreio, o treinador quer nós duas na sala dele e lá vai decretar o resultado. Vai ser um saco ter que lidar com a chacota da Cindy até o dia do jogo se eu me der mal.
— A questão é: você deseja tanto assim ser abelha-rainha? Vale uma média alta? — perguntou Austin.
— Não vale média nenhuma, não se ganha nada, eu... fui uma tremenda idiota, só me prestei a isso pra esfregar na cara da Cindy que uma novata como eu tem talento. O treinador aprovou meu desempenho, disse que eu era a mais solta e dinâmica do grupo, mas mesmo assim não me escolheu.
— Então não foi por escolha do treinador, vocês que se voluntariaram. — compreendeu Damian — É tudo uma disputa de egos?
— Uma disputa de honra, isso sim. A Cindy quer provar pra todos que é a melhor e mais indicada pra ser abelha-rainha e eu quero provar que a visão do treinador sobre mim não está errada e por isso sou a melhor opção pra liderar o grupo.
— A gente bem que tentaria te convencer a desistir disso, mas como seus amigos... — disse Austin tocando-a no ombro — Queremos te ver no gramado dando o maior show.
— Oh, já disse que amo vocês uma vez? Se não, digo agorinha: amo muito vocês. — disse Jessie, a confiança renovada — Mas é quase certeza que não vou levar a coroa.
— Eu e o Austin podíamos te dar umas aulinhas. — sugeriu Tim, animando-se — O que você sabe de futebol americano?
— A bola se chama Wilson. — respondeu Jessie, a expressão nervosa.
— Mas isso não cai em nenhuma prova de educação física, é de conhecimento quase geral. — apontou Damian.
— Que pena, pois é tudo que sei a respeito. Eu tô super ferrada, se não pegar essa coroa a Cindy vai me infernizar pelo resto do ano.
— Olha, faltam quarenta minutos ainda pra acabar o intervalo. — disse Austin — O Tim e eu quebramos um galho pra você não fazer essa prova de cabeça vazia.
— Bem, acho que isso nos exclui da conversa. — disse Damian se levantando — Não é, Zoe?
— Exatamente. De futebol só vejo as tabelas de classificação e olhe lá. — disse a Ranger Rosa também levantando. Voltou-se a Jessie — Boa sorte, pra nós você já é vencedora.
— Valeu pela força, amigos. Aonde vão?
— Vou repassar a matéria pro Jake, ele não copiou antes do professora apagar. — disse Damian.
— E eu vou no pátio ver a coleção de brincos da Maggie. A gente se vê depois. — falou Zoe seguindo numa direção oposta a de Damian. Austin retirou uma folha de papel do bolso do casaco e Tim emprestou uma caneta. Jessie se inclinou para focar no esquema de jogo que era desenhado com as regras sendo explicadas.
Enquanto isso, Cindy adentrava discretamente na sala do treinador Brooks que organizava uma papelada.
— Licencinha, treinador.
— Ah, é você, Cindy. O que quer? A prova é daqui a quarenta minutos.
— Vim perguntar se... — disse a patricinha com jeito inocente, sem uma ideia clara e imediata do que dizer — Gostaria de saber se teremos mais ensaios hoje à tarde. — cravou os olhos no copo d'água plástico e transparente sobre a mesa.
— Hoje é a véspera do primeiro jogo, então acho difícil o diretor permitir ensaios a tarde. — disse Brooks que deixou os papéis para mexer na sua mochila, a qual Cindy visualizou com foco numa folha que reconheceu ser um gabarito de prova.
Cindy foi aproximando-se da mesa.
— Sério mesmo? Nossa, que chato, eu queria tanto que tivéssemos um ensaio extra pra fixar todos os passos e... — disse ela que virou-se bruscamente batendo a mão no copo derrubando sobre as folhas — Ah, meu Deus! Seus papéis, treinador, me desculpe! Sou uma distraída!
— Tudo bem, nada de pânico. Só molhou uns... dez esquemas de jogo. — disse ele que não disfarçou a frustração — Mas OK, ponho pra secar aqui na janela. — pegou as folhas e direcionou-se a janela para seca-las ao vento.
A face de temor de Cindy desapareceu quando Brooks ficara de costas. Mirou na folha de gabarito com uma ponta fora da mochila e a puxou, logo sacando seu celular. Fotografou cada questão sem enunciado com as alternativas corretas à mostra ao mesmo tempo que dava olhadelas em Brooks. Pusera de volta na mochila e guardou o celular rapidamente, virando-se com uma falsa calma.
— Vou deixar aqui na estante, não tenho paciência pra isso. — disse Brooks — Mais alguma coisa?
— Não, nadinha. Tchauzinho. — disse Cindy que saiu apressada da sala.
Na hora do teste, Jessie estava com a mão direita na cabeça apoiada com o cotovelo na mesa, correndo os olhos na prova com aflição. À sua esquerda, Cindy a olhava de soslaio maldosamente com um sorrisinho de canto, o celular já em sua mão esquerda no guarda-livros abaixo da mesa. Passou as fotos em que registrou as questões, marcando as opções na prova.
— Está indo bem pelo que vejo, Cindy. — disse Brooks sentado com os pés sobre a mesa. A patricinha ergueu a cabeça, os olhos arregalados.
— O quê? Eu? Si-sim... Obrigada, treinador.
Jessie procurou ignora-la para fechar sua concentração inteiramente no teste, o que era favorável para se evitar um flagrante. Após terminar, as meninas esperavam ansiosas por Brooks finalizar a correção. O treinador pegou as duas folhas, levantou-se e encostou na mesa.
— Realmente é espantoso. — disse ele olhando as provas com seus resultados — Vamos começar por você, Cindy, a nota mais impressionante.
— Se prepara, Jessie, porque a única coreografia que você fará é andar até o cantinho da sala, sentar e chorar cobrindo sua cara rachada.
— Você tirou... zero. — disparou Brooks.
— Viu? Eu sou a... O quê? — disse Cindy que logo caiu em si.
— Essa é sua nota, Cindy: zero. E pensar que você parecia ir super bem marcando tão rápido, me enganei feio.
— Como assim zero? — disse Cindy, desesperando-se.
— Entendeu ou quer que ele traduza? Acabou, Cindy, você perdeu. — disse Jessie, tranquila.
— Jessie, você tirou 7.5. Parabéns, é um resultado bem satisfatório vindo de quem acabou de entrar pro mundo do futebol. Você é a nova abelha-rainha dos Zangões. — colocara a coroa sobre a cabeça dela que sorriu realizada.
— Não! — berrou Cindy se ajoelhando aos prantos — Não era pra ser assim! Eu cometi um erro, treinador!
— Sim, o de achar que sabia mais que todo mundo. — disse Jessie.
— Não, foi pior! Eu fingi me descuidar pra criar uma distração e...
— E pegar o gabarito da prova da 6ª série-A. — revelou Brooks fazendo Jessie segurar o riso
— O senhor já sabia?! Eu tô... me sentindo péssima! — disse Cindy tornando a chorar.
— Você guardou dentro do fichário de anotações quando estava antes na pasta de tabelas. Não seria uma boa espiã da CIA, assim como também não será mais membro das Abelhudas.
— Não faça isso comigo, treinador! Eu imploro, não me expulse!
— Treinador, dá mais uma chance a ela. Pior do que aguentar os insultos, é aguentar essa choradeira. — disse Jessie, complacente.
— OK, a palavra da abelha-rainha prevalece. Bem-vinda ao time, Cindy, agradeça a ela.
Cindy a encarou num misto de raiva e tristeza enquanto Jessie esperava com um levantar de sobrancelha a gratidão da rival.
— Obrigada... abelha-rainha. — falou Cindy de má vontade.
***
Na tarde do dia seguinte, a turma comemorava na Cantina do Earl altamente alegre e com expectativas otimistas para o vindouro jogo. O cozinheiro trouxe uma grande torta de frutas vermelhas coberta de bastante chantilly.
— Um viva para a nova abelha-rainha da melhor equipe do colégio. — disse Earl pondo a torta sobre a mesa.
— Caramba, que tortona! — disse Tim — Parece maior que meu estômago.
— O seu primeiro estômago, na verdade. — disse Damian ao lado dele.
— Sabe, eu ainda não acredito que você conseguiu esconder da gente, de ontem pra hoje, que foi coroada. — disse Zoe, feliz da vida pela amiga.
— E olha que eu pensei em me segurar até a hora do jogo pra vocês ficarem chocados. — declarou Jessie, a empolgação intensa.
— Teria sido bem melhor assim, adoro surpresas de fazer o queixo cair. — disse Austin — Faz meu coração acelerar de tanta emoção.
— Aí, Earl, verdade que você torce pros Zangões? Disse que tinha um bolo maior que essa torta já pronto pra celebrar a vitória. — disse Damian, curioso.
— Digamos que... — disse o cozinheiro pondo um boné temático da equipe — ... eu seja muito próximo de um jogador específico.
— Ah, eu imaginava! — disse Jessie — Alguém da sua família?
— É meu sobrinho, Dylan. A maior parte do que ele sabe aprendeu com o titio aqui.
— Ele é o lançador! Aposto que vai fazer bonito em cada arremesso. — elogiou Jessie.
— Galerinha, e se eu for o chofer de vocês hoje? — propôs Earl, prestativo — A partida começa em uma hora e meia. Vamos agora ou vão cair de boca nessa torta desejando ser mordida?
— Ah, não faz isso com a gente, Earl. — disse Tim — A gente pode levar e comer no caminho.
— Ou esperarmos o jogo acabar pra voltarmos junto dos Zangões e comemorar em dose dupla. — disse Austin — Esse bolo deve ser incrível.
— Torçam pra o verem ainda hoje. E aí, vamos nessa? Já tô com a chave do carro bem aqui. — disse Earl dando batidinhas no bolso da calça.
Os Rangers aproveitaram a carona de Earl a caminho da Angel Grove High School cujo campo se encontrava lotado e agitado à espera do torneio começar. As líderes de torcida da equipe rival dos Zangões, os Besouros, com suas vestes azuis, se encontravam em aquecimento. Após chegarem no jipe verde de Earl, a turma correu para pegar lugares vagos na arquibancada com sacos de pipocas nas mãos.
Jessie se aprontava no vestiário com as colegas após os jogadores entrarem em campo para se aquecerem.
— Aí gente, tem mais alguma tiara por aí? — perguntou uma das Abelhudas — Procurei e nada.
— Pergunte a gloriosa abelha-rainha. Ela é o cérebro da colmeia. — disse Cindy em tom de ironia. Jessie veio até a garota entregando uma tiara com antenas de abelha.
— Aqui, Tiffany. Tava na última porta, ninguém organizou direito. — disse Jessie que logo passou por Cindy e fez careta para ela torcendo os lábios.
De repente, Ladybee surgira em teletransporte, causando histeria entre as meninas.
— Que peles adoráveis vocês tem! — disse a monstra que disparou bolas de mel a grudarem em cada uma delas.
— O que é isso? Pegajoso! — disse Cindy — Socorro! — o mel se esticava e envolvia no seu corpo como serpentes rapidamente — Parece que essa gosma tá viva!
Em poucos instantes, todas as Abelhudas tiveram seus gritos silenciados após serem aprisionadas em casulos de mel com a solidificação da gosma de Ladybee.
— Instantâneo como eu previ! Agora devo achar um covil apropriado para fabricar meu néctar!
O atraso das meninas era sintomático entre boa parte do público.
— Ué, cadê as garotas dos Zangões? Amarelaram? — disse um aluno da 6ª série-A que fez barulho com uma vuvuzela.
— Essa demora das meninas tá fazendo os caras passarem o maior vexame! — disse Tim — O que será que aconteceu?
— Não creio que seja problema com a performance. — disse Damian.
— Claro que não é, ensaiaram muito pra desaprenderem justo hoje. — disse Zoe que levantou — Gente, vou dar uma olhada.
— Não, Zoe, fica. É só um atraso, acontece. — disse Austin — Logo logo elas aparecem.
— Se você acha... Então tá, não tem nada errado. — aquiesceu Zoe, sentando.
No subsolo do colégio havia um depósito de arquivos e vários itens de usos diversos um tanto desgastados tal qual um porão. Ladybee acendera a luz do recinto para grudar seus casulos de mel no teto. Lançou raios amarelos de suas antenas neles, fazendo cair gotas de luz que se metamorfosearam em clones fidedignos das Abelhudas com faces austeras.
— Estão livres para fazerem o que foi predeterminado! — disse Ladybee as deixando subir a escada que leva a saída e irem rumo ao campo para a apresentação — Perfeito, agora o próximo passo! Preciso de recipientes para estocar o meu néctar! O mel está quase prestes a produzir! — procurou pelos cantos — Ali está!
Avistou vários baldes secos de tinta e pegou alguns colocando-os abaixo de cada casulo. O processo de fornecimento do mel especial iniciava-se, derramando sobre os baldes como água corrente.
— Ah, é claro, lembrei que ferroei aquela bruxa aracnídea e fiz uma promessa! — disse Ladybee, se enfezando. Retirou um ferrão, logo sorvendo na boca o veneno para esvazia-lo e em seguida o mergulhando num balde já cheio do mel. O ferrão sugava o líquido até ser preenchido como uma ampola — Prontinho, agora terei minha liberdade concedida!
Teleportou-se de volta a nave de Lokknon, destacando o antídoto na mão direita.
— Alguém pediu mel puro direto da colmeia?
— Já não era sem tempo! — disse Lokknon levantando do trono — Trate agora de inocular esse antídoto em Aracna ou a destruirei!
— Mas que impaciente, eu que não vou perder meu tempo de ficar aqui quando na Terra está mais divertido. — disse Ladybee que se agachou pegando o braço esquerdo de Aracna — E não faça cara feia, é coisa de criança! — enfiou o ferrão injetando o antídoto até a última gota. Rapidamente a saúde de Aracna era restaurada, novamente com forças para levantar e se mover.
— Oh, como é bom voltar a sentir meu corpo! — disse Aracna tocando-se em várias partes — Estava tudo tão dormente que me sentia sem nada, até sem meu cabelo! Obrigada, Ladybee.
— Sem ressentimentos. Eu reagi daquela forma graças ao meu mecanismo de defesa. Sendo você da espécie aracnídea, me senti ameaçada. — disse Ladybee que voltou-se a Lokknon — É sua vez de cumprir o trato! Sou livre ou não?
— Barooma. — disse Lokknon com um sorrisinho malicioso. O subalterno disparou de uma pistola um dispositivo que foi plantado numa asa de Ladybee.
— O que é isso? Grudou uma coisa nas minhas costas! O que estão fazendo?
— Isto nada mais é que um atordoador que funciona em um território delimitado! — revelou Barooma — Em outras palavras, caso ultrapasse os limites da Alameda dos Anjos, o dispositivo vai infligir um choque elétrico incapacitante!
— Então não posso fugir livremente?! Não!
— Por enquanto, continua sob minha guarda até os Rangers serem eliminados, a sua obrigação é destruí-los! — ressaltou Lokknon.
— Mas garanti que as réplicas das terráqueas fariam todo o resto! Você sujou nosso acordo!
— É mesmo? Que eu me lembre, não combinamos que você não ficaria pra ajuda-las. — disse Lokknon dando uma risadinha maldosa.
Na Terra, as falsas Abelhudas entravam em campo com seus pompons amarelos, mas sem retribuir a recepção calorosa da plateia.
— Olha ali, elas chegaram! — apontou Tim.
— Essa coroa caiu muito bem na Jessie. — disse Austin.
— A Cindy deve estar de estômago embrulhado ficando na retaguarda. — disse Zoe, contente — A Jessie está onde ela merece estar: no topo.
— Não sei não... — disse Damian com uma mão no queixo analisando o comportamento das garotas.
— Não sabe o quê, Damian? — indagou Austin a esquerda do Ranger Preto.
— Elas não parecem meio que travadas pra vocês? Basta olhar pelas expressões faciais, não estão sequer sorrindo.
— Agora que você falou... — disse Tim estreitando os olhos — Caramba, é verdade! Parece até que se alistaram pro exército com essas caras amarradas.
— Eu esperaria isso da Cindy... não de todas elas. — disse Zoe, notando as posturas estranhas.
As réplicas começaram a performance, porém no desenrolar da coreografia algo soava muito errado. Brooks percebeu modificações e decidiu intervir.
— Chega, chega! Não estão fazendo certo! — disse ele aproximando-se delas — Meninas, o que houve com os passos que ensinei a vocês? Essa não é a coreografia que ensaiamos, tá tudo fora de sincronia. Jessie, você é a líder, faça... — ao pôr uma mão no ombro dela, Brooks tivera a mesma agarrada e entortada com força — Jessie, mas o que é isso? Está... me machucando!
A falsa Jessie o pegou pelo pescoço, logo o jogando para alguns metros adiante. O público arquejou de surpresa com o ato insólito.
— Viram aquilo? A Jessie empurrou o treinador como se ele fosse um boneco! — disse Tim, alarmado.
— Isso não tá me cheirando nada bem. — disse Austin levantando, sério. As falsas Abelhudas fitaram o público até que suas bocas abriram-se numa altura anormal, das quais saíram enxames de abelhas que se alastaram pelo campo, vitimando os jogadores de ambas as equipes com picadas dolorosas.
Os Rangers saiam da arquibancada em meio ao alvoroço e correria desenfreada. Se dirigiram se volta a escola correndo até os vestiários enquanto a confusão rolava solta e incontornável no ginásio.
— Sorte a nossa termos saído antes que aquelas abelhas chegassem na plateia. — disse Austin.
— Aqui é o vestiário feminino. — disse Zoe que procurou indícios — Mas nenhum rastro delas.
— Galera, saca só essa gosma. — disse Tim que encontrou vestígios de mel que escorriam num armário. Damian se aproximou e passou dois dedos na substância.
— É mel. — constatou ao cheirar.
— Tá me parecendo que uma abelha tamanho-família sequestrou as meninas e substituiu elas por impostoras. — disse Zoe.
— E já até imagino de que colmeia ela veio. — disse Austin.
— Eu tava pensando que elas falaram o nome daquele assassino do gancho cinco vezes no espelho. — disse Tim.
— Cara, você viu esse filme dormindo. — disse Damian.
— E tem um filme? — indagou Tim.
Os comunicadores tocaram e Austin prontamente atendeu, os demais se aproximando dele.
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Rangers, um monstro com aparência de abelha sequestrou Jessie e as outras líderes de torcida, mas o paradeiro delas é desconhecido ainda. — avisou o mentor tentando encontrar no supercomputador — Karen e eu estamos tentando ao máximo.
— Mas Jessie nunca fica sem o comunicador e o morfador. — disse Zoe — Não deveria ser difícil rastrear se o cativeiro for aqui na escola.
— Supomos que elas estejam aí. — disse Karen — O sinal do morfador dela está visível, mas do comunicador não.
— Ela talvez guardou o morfador na mochila não esperando que fosse acontecer uma emergência. — disse Austin.
— Rangers, contenham a situação das abelhas no ginásio. A Karen vai rodar um sistema de rastreamento avançado que estamos desautorizados a usar, mas... uma vez só não condena nossos empregos.
— Cuidado com o comandante Leozor vocês dois. — falou Austin com ar de riso — Espero que encontrem logo as meninas, a gente vai voltar pro campo, até mais.
Encerrada a chamada, os Rangers pegaram suas células e morfadores.
— Isso aí, pessoal, vamos dar um fim naquele show de abelhas. Prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Leão Escarlate!
De volta ao campo, as abelhas voavam em menor número, mas a consequência do ataque agravou o nível da problemática. Os Rangers viam os jogadores combalidos pelas picadas venenosas, todos agrupados aguardando a equipe médica.
— Essa não, foram todos ferroados! — disse Austin.
— E pelo visto estão sofrendo com efeitos de um veneno de rápida circulação. — aferiu Damian.
— Cadê as impostoras? — indagou Tim olhando para os lados.
— Devem estar na escola causando o maior terror! — disse Zoe, apreensiva — Mais pessoas serão vítimas desse veneno!
— Não se evitarmos! Vamos! — disse Austin dando a meia-volta. Porém, Aracna foi vista no alto do prédio da escola.
— Nananinanão, Power Pirralhos! Daqui vocês não fogem!
— Aracna! Diz pro Lokknon que ainda dá tempo de desistir! — falou Austin.
— Isso se aplica mais a vocês do que ao mestre. Psycho-Bots, ataquem! — disse ela jogando as esferas das quais saíram os robôs que pousaram no campo e se moveram.
Os Rangers inevitavelmente se lançaram à luta contra os soldados de Lokknon, chutando-os com toda a garra além de esquivarem habilmente dos tiros de lasers. Um chamado de Dickerson se indicava no comunicador de Austin.
— Fala, Sr. Dickerson! — disse o Ranger Vermelho desviando dos golpes de um Psycho-Bot, depois saltando de leve desferindo um chute de karatê que o derrubou.
— Rangers, localizamos as garotas! Estão numa espécie de almoxarifado no subsolo, é de lá que vem o sinal do comunicador de Jessie, captamos imagens também! Mas continuem aí, vou pegar uma amostra do mel da nossa abelha-rainha do mal e verificar uma coisa.
— O senhor vai?! Beleza, a gente espera! — falou Austin disparando com uma pistola Z contra dois robôs que vinham para cima dele e caíram danificados com faíscas e raios vermelhos.
Enquanto isso, Dickerson se teleportava ao depósito encontrando os casulos de mel grudados no teto e os baldes de tinta abaixo. Se agachou retirando uma seringa com a qual sugou uma amostra de um balde aleatório. Porém, Ladybee retornava flagrando o explorador surrupiando seu mel.
— Eu só vim fazer uma degustação. — disse ele, sarcástico, irritando-a.
— Pois vai adorar se juntar a elas! — disse Ladybee que disparou sua gosma, mas Dickerson escapou se teleportando de volta a Central de Comando.
— E aí, conseguiu? — indagou Karen virando-se para ele na cadeira giratória.
— Por sorte fui pego no flagra tarde. Hora de uma boa análise bio-molecular. — disse ele que derramou a amostra num microscópio avançado cujas imagens eram ampliadas na tela do computador.
No campo, os Rangers combatiam dois Psycho-Bots restantes com tiros de lasers das pistolas, os destruindo completamente. Os robôs despedaçados foram recolhidos em teleporte.
O comunicador de Austin tocara.
— Na escuta! Terminamos por aqui com as sucatas ambulantes!
— Ótimo, agora vocês devem ir ao almoxarifado pegar todo o mel que é secretado dos casulos onde as meninas estão presas e levar para os jogadores picados, mas primeiro libertem elas.
— Fazer os caras beberem do mel da abelha-monstro?! Ué, por que? — questionou Tim.
— Peguei uma amostra e analisei a composição. As células epidérmicas das meninas se misturaram ao mel criando um antitóxico potente.
— Um antídoto? Que legal, vamos depressa até lá! — disse Zoe.
— Valeu, Sr. Dickerson, a gente te deve essa! — disse Austin que encerrou o contato. Os Rangers correram em retorno a escola, porém Ladybee barrara-os.
— Foi você quem sabotou as meninas e clonou elas! Onde estão aquelas imitações baratas? — perguntou Austin.
— Caçando o alimento delas lá dentro! — disse Ladybee que disparou raios das suas antenas causando explosões ao redor dos Rangers que caíram meio feridos.
— Não damos conta de três problemas ao mesmo tempo! — disse Zoe levantando.
— Me deixem cuidar dela sozinho e vão resgatar as garotas! — determinou Austin — Rápido!
— Tá legal! — acataram Damian, Tim e Zoe que logo correram e saltaram por cima de Ladybee, adentrando no interior do colégio.
— Pensam que vou deixa-los irem fácil assim... — disse Ladybee afim de segui-los.
— Sua briga aqui é comigo, abelhona! — disse Austin — Beast Cycle Vermelha!
A motocicleta surgiu veloz e Austin saltou sobre ela, pilotando-a com voracidade. Disparou lasers vermelhos dos faróis contra Ladybee que foi atingida com uma super explosão atrás dela que a tirou do chão.
— Ih, o cara que corta a grama vai ficar P da vida! — disse Austin olhando as marcas da moto deixadas para trás. Nos corredores da escola, os Rangers procuravam o deposito afoitos.
— Damian, me diz que você sabe onde fica esse tal almoxarifado! — disse Tim.
— Confiem em mim, é por aqui!
Ao dobrarem, depararam-se com uma clone das Abelhudas passando pela direção oposta. A cópia virou o rosto para trás em 360° graus e abriu sua boca cheia de mel quase até o chão.
— Mano, que sinistro! Igualzinho num filme que eu vi dia desses! — disse Tim, recuando.
— Não temos tempo a perder com elas! Vamos! — disse Damian tornando a correr com os amigos. Pararam frente a uma porta que indicava o local. Damian arrombou com um chute e os três invadiram o deposito — Lá estão os casulos! Vamos recalibrar as pistolas pra que os tiros não machuquem as meninas!
Da escada, o trio o fizera girando um botão e disparou os lasers retos contra os casulos que foram derretidos. As garotas saíam por baixo deles lambuzadas de mel.
— Estão todas bem? — perguntou Zoe ajudando algumas a se levantaram assim como Tim e Damian.
— Que horror! Vou precisar morar na minha banheira pra tirar esse cheiro nojento de mel! Argh! — reclamou Cindy enojada ao estar coberta. Os Rangers conduziam as meninas na saída.
— Procurem refúgio, a escola está sob ataque! — disse Damian — Menos você. — disse ele parando Jessie, a última a sair. Ela sorriu, aliviada.
— Gente, obrigada por nos salvarem. Será que vou conseguir morfar tão suja?
— Vai lá no vestiário e descobre. — disse Zoe. A Ranger Amarela se teleportou ao vestiário e abriu seu armário pegando a mochila, logo retirando o morfador e a célula.
— Hora de morfar! Águia Flavescente!
Após a morfagem, retornou aos amigos num corredor pronta para a batalha.
A luta de Austin contra Ladybee prosseguia explosiva, o Ranger Vermelho desviando com a moto dos raios lançados das antenas do monstro causando explosões de faíscas.
— Pra uma abelha tão esforçada, você tem uma péssima pontaria!
— Já chega! Se não acabar com vocês logo, jamais serei livre pra voar! — disse Ladybee que avançou ferozmente contra Austin. O líder acelerou com a Beast Cycle erguendo a roda dianteira.
— Modo Míssil Turbo! — bradou Austin se cobrindo de uma camada de fogo e energia junto à moto prestes a colidir com Ladybee. Porém, ela parara a motocicleta com as duas mãos, anulando o poder flamejante.
— Não vou perder! — disse ela, brava.
Mas Austin fizera uma manobra ofensiva, atacando com a roda traseira num pulo ágil como se desse um mortal. Ladybee foi jogada para longe enquanto o Ranger Vermelho, no giro em pleno ar com a motocicleta, disparou com os lasers, provocando explosões ao redor dela durante sua queda. Os Rangers voltaram trazendo baldes cheios do mel antitóxico.
— Austin, voltamos! — disse Zoe.
— E com um remedinho natural! — disse Tim.
— Jessie! — disse Austin correndo até eles — Tá tudo bem com você?
— Tô ótima, só minha pele que tá ardendo um pouco depois de ficar que nem um ovo em conserva.
— Legal, vamos dar o antídoto pros jogadores, rápido! — disse Austin recebendo um balde de Damian. Lokknon assistia os Rangers fazerem os Zangões e Besouros tomarem do mel, sua ira elevando como erupção de vulcão.
— Laser regenerador, Barooma! Se os Rangers a derrotarem agora, o atordoador se vai!
— Bem pensado, mestre! — disse Barooma batendo no botão que disparou o raio esverdeado sobre Ladybee caída no gramado. A abelha mutante se agigantou, vendo uma brecha.
— É a minha chance! — disse ela que bateu asas e voou saindo do campo, mas a tentativa de abandonar a cidade foi em vão pois o dispositivo liberou a descarga elétrica fazendo-a cair — Não!
Com os jogadores já restabelecidos, os Rangers concentraram-se em aniquilar Ladybee.
— Precisamos do poder Megazord agora! — disseram em uníssono.
Os zords animais corriam rumo ao confronto final, logo os Rangers saltando para adentrar nos cockpits.
— Chave de Comando, ligada! — disse Austin girando a chave — Sequência Megazord!
As máquinas uniram-se em conexões programadas para formar o Megazord Z que barrou o caminho de Ladybee.
— Agora somos nós que não deixamos você passar! — disse Austin.
— Tava pensando fugir de fininho, é? — perguntou Tim.
— Fugir de vocês uma ova! Eu desejava ser livre, mas parece que vocês estragaram tudo!
— Oh, tadinha dela, só queria viver em paz e liberdade como uma abelha qualquer. — ironizou Jessie.
— Nunca vou perdoa-los! Se estou presa nesta cidade, então ficarão presos comigo! — disse Ladybee que lançou sua gosma de mel. O Megazord foi inteiramente envolvido num casulo de mel que se formou rapidamente. O cockipt sofria ameaças de pane na energia, as faíscas salpicando.
— Níveis de energia em declínio! — alertou Damian — Se continuarmos presos no casulo, o Megazord pode ficar inoperante, desmontar ou até mesmo implodir!
— Força máxima pra romper esse casulo! — disse Austin forçando os controles manuais.
— Impossível saírem! A resistência das minhas cápsulas aumentou exponencialmente quando cresci! — disse Ladybee, pulando de alegria.
— Rangers, ouçam: recorram ao modo Velox! Com a força aumentada em cem vezes, a estrutura do casulo será quebrada! — sugeriu Dickerson.
— Ótimo, Sr. Dickerson! — disse Austin — Modo Velox, ativar!
O Megazord tivera sua forma física mitigada adquirindo maior flexibilidade e agilidade, logo desferindo socos que rompiam com as camadas do casulo.
— Não! Que negócio é esse? Não podem estar saindo do meu casulo supremo!
Liberto, o robô colossal avançou selvagem dando golpes diversos em Ladybee que caiu sentindo o corpo doer.
— Parece que levei uma surra de várias vespas!
— Sabre Selvagem! — disseram os Rangers, invocando a espada que caiu na mão direita do robô — Insígnia Feroz!
— Esperem! Será que poderiam só destruir essa coisa que grudaram atrás de mim e me deixarem ir embora? — implorou ela mostrando o dispositivo na sua asa
— Partir! — bradaram os heróis antes do robô fazer o corte diagonal que selou o destino de Ladybee. A abelha gigante caiu berrando de choro até explodir fatalmente. Os jogadores das duas equipes se abraçaram comemorando eufóricos a vitória dos Rangers a despeito da rivalidade esportiva.
Lokknon sentiu a dor de cabeça latejando como nunca e clamava por sua aspirina.
— Alguém traga meu remédio imediatamente! Esses Rangers ainda vão me matar de dor!
— Barooma, me ajuda! Não tô achando a aspirina do mestre nessa caixa! — disse Aracna, desesperada.
— É porque essa não é a caixa de primeiros-socorros, sua tola! Apenas Mudok sabe onde está!
— Então você irá procurar comigo como sua punição! Vem! — decretou ela o puxando pela orelha longa e pontuda.
***
Na Cantina do Earl, o clima de festança tomava conta com os Zangões confraternizando pela vitória que garantiu a classificação para a próxima fase. O cozinheiro veio trazendo o mega-bolo que preparou para a celebração.
— Eu sabia que não seria um baita desperdício fazer esse titã aqui sair do forno. — disse ele pondo na mesa para os jogadores e os Rangers se esbaldarem — Meus parabéns, rapazes. Se vencerem o campeonato, prometo fazer um ainda maior só com a grana dos bolôes.
— Só com o ganho das apostas, tio? Isso que eu chamo de autoconfiança. — disse Dylan, sobrinho do cozinheiros, arrancando risadas.
— Não subestime a mente intuitiva do seu tio, Dylan. Aqui quem fala é a voz da experiência no ramo de apostas, vocês verão.
— Ei, Earl, acho que um dos seus novos empregados tá com um probleminha ali. — apontou Jessie para Brock que parecia perdido com uma bandeja de tortas.
— Brock, se liga: mesa três! — disse Earl em voz alta.
— Ah, falou! Tô vendo já, valeu!
Mas logo Earl notara que Stuart estava encerando o chão sem ter posto em lugar nenhum a placa de piso molhado. E o resultado não poderia ter sido diferente: Brock, em sua pressa, acabou escorregando, os pratos de tortas caindo um por vez bem no seu rosto.
— Poxa, Stuart, custava ter lembrado de botar a placa? Olha aí, vou ter que preparar mais torta! — repreendeu Earl.
— Ops, foi mal! — disse Stuart ao ver o amigo limpando o rosto sujo de glacê, furioso.
— Stuart, seu bunda-mole! — disse Brock que jogou um pouco de torta, mas acertando Earl — Epa, sujou de vez...
— Aí, Brock, pensa rápido! — disse Tim pegando uma porção do bolo e jogando contra Brock, mas atingindo um outro garoto que se levantou raivoso.
— Olha o que você fez! Não vou deixar barato! — disse o garoto jogando sua torta que pegara num dos Zangões.
— É guerra de torta! — disse o capitão do time que encheu sua mão com o bolo deflagrando um confronto generalizado. Os Rangers também participaram na zorra com munição cheia.
— Estão demitidos! Ouviram bem? Demitidos! — gritava Earl que tentava se proteger para chegar até o balcão no meio do "fogo cruzado".
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