Power Rangers: Esquadrão Z
26 Amor Musgoso
Notas iniciais
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Owen se aventurava numa de suas primeiras missões no posto de Ranger Verde em busca de se adaptar ao estilo de vida heroico e exaustivo. Mudok havia tirado aquela tarde para coordenar um ambicioso assalto a uma rede de silos de fachada, a qual armazenava um arsenal profícuo pertencente a organização conhecida popularmente como os Guardiões de Prata — uma força policial independente que atuava na cidade de Silver Hills, uma quase vizinha da Alameda dos Anjos.
O motivo de salvaguardar armas tão potentes numa cidade que não fosse a sede do departamento dizia respeito à segurança. Mas cedo ou tarde, era esperado que ameaças de níveis interplanetários cravassem os olhos descobrindo o acervo que seria usado pelos profissionais autorizados em ocorrências dificultosas. Mudok guiava um grupo de homens ciberneticamente aprimorados que sequestrou, os mandando colocar os caixotes dentro do veículo blindado — do mesmo tipo com o qual roubara o reator de fusão do centro científico.
— Trabalhem com mais empenho! Eu exijo mais proficiência e rapidez! Andem logo! — ordenava o androide que estava em cima de barris de água brandindo sua espada.
Mas lá vinham os heróis coloridos, no topo de uma encosta íngreme, arruinarem a festa criminosa.
— Mudok, chega, você perdeu! — disse Austin — Se queria realizar um grande assalto, por que se aproveitar de vidas inocentes?
— Rangers! Esses pirralhos tinham que aparecer pra interromper... — disse Mudok pulando dos barris e caminhando adiante — Eu não tenho que me justificar pra crianças enxeridas como vocês! Se quiserem que eu pare, terão que fazer mais do que apenas pedir! Como são inúteis!
— Vamos mostrar nossa inutilidade, homenzinho de lata! — disse Owen que avançou por conta própria num salto mortal.
— Owen, espera! — chamou Austin.
— Ele nem esperou você falar! — disse Tim — Vamos ter que dar umas aulinhas de como ser um Ranger pra ele.
— Temos que ir atrás dele antes que faça alguma burrada! — disse Jessie.
— E lembra-lo de que há uma cadeia de comando. — disse Damian.
— Calma, pessoal! — amenizou Zoe — Ele só tá começando, peguem leve!
O Ranger Verde, em pleno ar, sacou sua pistola Z, disparando a uma certa distância. Os tiros desarmaram Mudok enquanto estouraram faíscas em volta dele. Owen pousou no chão rolando de frente.
— Sentiu essa? Agora liberte esses homens que você tirou daquela fábrica e os faça voltar ao que eram antes!
— Só por cima do meu outro exército! — disse Mudok lançando as pequenas esferas negras de bolso — Psycho-Bots, ataquem!
Das esferas saíram os robôs monoculares cercando Owen. Os Rangers vieram em saltos acrobáticos, partindo imediatamente para o combate. Owen tentava passar pelos soldados robóticos transpassando-os em cortes velozes com a Adaga Kong junto a chutes eficazes, mas eram tantos na sua frente que parecia difícil alcançar os ciborgues que seguiam pondo os caixotes de armas no veículo como se nada estivesse ocorrendo.
— Pra onde você tá indo, cara? — indagou Tim usando as barbatanas cortantes nos robôs que o atacavam, chegando a decepar as cabeças de dois deles.
— Precisamos ficar todos juntos! — destacou Jessie com as garras raptoras arrasando ferozmente com alguns robôs.
— Aqueles caras vão terminar o serviço no carregamento! — disse Owen dando uma rasteira num Psycho-Bot e em seguida ficando de ponta a cabeça apoiado numa única mão e girando com chutes que empurraram mais dois — Tenho que impedi-los! — ficou de pé novamente.
Mas para a surpresa do grupo, o exército dos Guardiões de Prata arrombara os portões de ferro do local com suas viaturas pretas. Saíram correndo bem armados e trajados com os típicos uniformes azul-marinho escuro e boinas vermelhas, além de usarem óculos protetores.
— Chegou a tropa de elite! — disse Tim terminando de destroçar com um robô — Agora o bicho vai pegar!
— Os Guardiões de Prata?! Aqui na Alameda dos Anjos?! — disse Jessie, espantada.
— Pois é, achei que só trabalhassem em Silver Hills! — falou Zoe.
— Não tá fora da jurisdição deles se esses silos são parte da corporação! — explicou Damian.
Mudok voltou sua atenção aos soldados ciborgues.
— Vocês aí! Parem tudo o que estão fazendo! Já temos o suficiente, agora eliminem esses insetos fardados!
— Mudok, não vai escapar! — disse Austin saltando e o chutando duas vezes rapidamente, logo voltando ao chão em posição de luta com seus punhos da selva — Você foi longe demais!
— Eu ainda nem estou na metade! — rebateu o androide que disparou um raio vermelho da mão esquerda. Austin rolou para a direita esquivando da explosão de faísca, depois vendo que o engenheiro de Lokknon fugia diretamente ao robusto veículo.
Os Guardiões de Prata usavam barris como trincheiras durante uma troca de tiros de laser contra os ciborgues. O capitão da equipe, Herald Fawks, não tinha intenções de manter-se passivo.
— O capitão avançou! Cubram-no! — disse um deles atirando com mais intensidade na pistola.
Fawks era um exímio agente com anos de treinamento que geraram bons frutos, além da patente mais elevada. Usou uma arma de pulso eletromagnético e se jogou ao chão.
— Todos pro chão!
A arma de formato esférico liberou um pulso que incapacitou os ciborgues apáticos de Mudok. Os homens cibernéticos caíram envoltos de raios e faíscas arremessados pela onda vibratória. Os Rangers se surpreenderam com o recurso.
— Nossa, eles mandaram ver! — disse Tim.
— Não sabia que tinham toda essa disposição tecnológica. — disse Damian.
— Galera, foco! O Mudok tá escapando! — apontou Austin — Deixem o resto com eles!
O androide seguia com o pesado veículo partindo para a estrada. Dobrou para a rodovia. Owen correra a fim de intercepta-lo.
— Beast Cycle Verde! — bradou ele saltando. A moto surgira com ele caindo sobre o assento e movendo os guidões em aceleração total, chegando a pular a cerca elétrica e cair direto na estrada.
— Owen! — chamava Austin correndo com os amigos. Fawks viera até eles para relatar.
— Esperem, nosso diretor nos deu autorização de seguir aquele veículo! — falou o capitão com seu maxilar quadrado com covinha no queixo — Assumimos daqui a partir de agora. Obrigado por ajudarem. Sou Fawks, o capitão.
— Nós que agradecemos, capitão. — disse Austin — Mas nosso amigo cuidará disso, apesar de... ele não ter seguido minhas ordens.
— Deixou que um membro da sua equipe tomasse decisões individualmente? Eu sei que não passam de adolescentes em puberdade, mas já são bem grandinhos pra respeitarem a cadeia de comando, se é que isso existe entre vocês. Você, Ranger Vermelho, procure ser um líder mais enérgico, não importa se com veteranos ou novatos, as regras se aplicam a todos. — aconselhou Fawks que virou as costas e saiu andando em retorno ao seu grupo que apreendia os ciborgues.
Os Rangers correram até a estrada, mas Tim possuía uma dúvida a ser sanada.
— Ei, mas o que é puberdade? — questionou ele, aflito — Ah, deixa pra lá! — correu os acompanhando.
O veículo blindado de Mudok era alvo de disparos de laser da Beast Cycle.
— Sequência de teletransporte ativar! — disse o androide apertando botões nos controles manuais. Acelerou o veículo, afastando-se largamente do encalço de Owen.
— Essa corrida você não ganha! Modo Míssil Turbo! — disse o Ranger Verde ativando a aceleração acima do limite que envolveu a motocicleta e a ele numa aura esverdeada de energia.
A moto disparou veloz como uma bala, porém a conexão com a rede foi bruscamente interrompida fazendo com que ele caísse da moto e desmorfasse. A queda se estendeu a encosta com ele rolando até o fim e batendo o rosto e a cabeça em pedras.
— Owen! — disse Austin vindo na sua Beast Cycle tal qual os demais. Parou na beira da estrada e correu para socorrê-lo.
— Até outro dia, Power Fracassados! — disse Mudok que dera uma risada de vanglória. O veículo logo desapareceu em teleporte na estrada.
Ignorando o roubo efetivo do arsenal, os Rangers concentravam os esforços em verificar o estado de Owen que tinha feridas notáveis e estava inconsciente.
— Tudo bem, ele tá só desmaiado. — disse Austin verificando o pulso.
— Mas foi uma queda bem feia. — disse Tim.
— Ao menos ele sobreviveu. — disse Jessie, meio tensa — Mas por que ele caiu e desmorfou de repente?
— Algo me diz que deve ser averiguado pelo Sr. Dickerson. — disse Damian — Essa célula de morfagem tem uma magnitude de poder que requer muita adaptação. Eu diria que... o Owen ainda não está pronto pra utiliza-la em campo.
— Owen... — disse Zoe agachando-se perto dele preocupada — Temos que leva-lo ao hospital, ele tá muito ferido!
— Eu cuido disso, não se preocupem! — disse Fawks com um celular no alto da encosta — Mas não se esqueçam de dar uma bela bronca nesse rapaz! A imprudência dele quase custou sua vida!
— Pode deixar, capitão. — disse Austin, grato pela atitude prestativa de Fawks — Obrigado.
***
A manhã seguinte foi reservada para uma visita a Owen no centro de emergência pelos Rangers que haviam acordado bem cedo para se reunirem. O Ranger Verde usava bandagens na cabeça e reabria os olhos vendo a turma cercando-o naquela desconfortável cama hospitalar.
— Caramba, me senti anestesiado por dias. — disse ele com os olhos semicerrados — Vocês vieram...
— E por que não viríamos? — disse Zoe carinhosamente o tocando — Sofreu um acidente horrível, poderia ter sido pior.
— Tá se sentindo culpado por ter ido de peito aberto pra cima do Mudok sem ouvir a palavra do Austin, né? — perguntou Jessie.
Owen esboçou certa tristeza baixando um pouco a cabeça num olhar distante.
— É, eu devo desculpas pra você, Austin. Agi mal em não te ouvir quando devíamos atacar.
— Não esquenta, Owen. — minimizou Austin, nada chateado — Mas saiba que você ser parte da equipe não significa que possa agir como bem entender.
— Essa não é a bronca que o capitão dos Guardiões de Prata gostaria que você desse. — mencionou Tim.
— Mas é a que o Owen merece ouvir. — retrucou Austin que voltou-se para o Ranger Verde — Você entende isso, né? Estamos todos juntos, ninguém tem que se virar sozinho pra nada.
— Você tá certo, acho que até mereço uma punição. — disse Owen.
— Será que ela já não aconteceu? — perguntou Tim — Você perdeu o controle da moto e se esborrachou todo, além de desmorfar. Deve ter sido isso, os Rangers são uma equipe, todos precisam se manter unidos.
— Ou a célula me rejeitou. — disse Owen — Foi muito estranho, o Sr. Dickerson me garantiu que era a mais poderosa já criada.
— Gastar energia com o Modo Míssil Turbo não devia acabar daquele jeito. — disse Austin.
— Eu acredito que haja uma falha na célula, não com você, Owen. — disse Zoe.
— A falha é minha também. Se o Sr. Dickerson me der mais uma chance, prometo que não vou tomar nenhuma atitude que prejudique vocês.
— Deve se preocupar mais consigo mesmo, colocou sua segurança em risco. — disse Jessie.
— Verdade, eu vou confessar que... eu só tava me exibindo, quis passar uma imagem que me fizesse ser mais valorizado.
— Na nossa equipe ninguém fica de escanteio, cara, relaxa. — declarou Tim.
— E foi apenas a sua terceira missão como Ranger. — apontou Austin — Ainda tem muito chão pela frente.
— Mas o que importa é que prove isso primeiramente a si mesmo. — aconselhou Zoe.
— Vocês tem razão, se eu acredito que o problema da desmorfagem sou eu, então é partindo de mim que a mudança deve acontecer.
Damian mostrara seu celular cuja tela exibia a figura de Dickerson.
— O Sr. Dickerson fez uma visitinha remota pra você. É uma boa hora pra um tira-dúvidas.
— Olá, Owen. Como está se sentindo? Se recuperando bem?
— Estão considerando me dar alta ainda hoje.
— Antes de mais nada, lamento muito que tenha tido uma experiência tão negativa com a célula verde a ponto de arriscar sua própria vida. Karen e eu estamos investigando a causa dessa desmorfagem súbita. Mas um detalhe que não somente você, mas todos devem fixar, é que as células de morfagem, por padrão, se ligam aos aspectos emocionais do usuário. A resposta é igualmente proporcional ao seu estado de espírito, informações neurológicas e do sistema nervoso em geral são absorvidas pela interface.
— Então tudo depende de como eu me sinto... — disse Owen, refletindo — Bem, eu ainda continuo naquela empolgação, sabe. Mas pode ser algo mais íntimo... talvez o medo de não me adaptar.
— É uma hipótese a ser levada em conta. Mas também avaliamos a possibilidade de uma falha técnica que passou despercebida em relação ao consumo de energia. É bom lembrar que não fiz testes de exposição a condições de temperatura e radiação, por exemplo.
— O senhor vai precisar pega-la de volta?
— Seria ótimo pra examinar com mais profundidade a raiz do problema. Não só a célula, o morfador também, pois ele canaliza a energia da rede, junto a célula é o caminho mais importante da ponte entre você e a morfagem.
O fotógrafo amador expressava nervosismo, apertando o cobertor branco da cama.
— Por favor, Sr. Dickerson, me dá uma chance de tentar outra vez. Passou anos trabalhando nesse projeto, impossível ser uma falha técnica.
— Estamos todos de acordo, a célula funciona bem, o único obstáculo pode ser o emocional do Owen. — disse Zoe.
— Fora que é uma célula muito forte, a maneira como ela responde às emoções do usuário pode ser mais intensa do que as de nós cinco. — adicionou Austin.
— E tudo por causa do medo da mudança. É normal mudar assim como levar um tempo pra se acostumar. — falara Jessie, compadecida — Pra algumas pessoas não é tão simples, mas tudo se ajeita mais cedo ou mais tarde.
— Certo, então. — disse Dickerson, flexível — Mais uma atividade em campo liberada pra você, Owen. Se nada der errado, não precisa entregar a célula e o morfador. Caso contrário...
— OK, tenho quase certeza que é minha dificuldade de adaptação. Tudo mudou tão depressa que isso balançou minha cabeça.
Uma enfermeira entrara trazendo um arranjo de flores amarelas com um pequeno cartão branco. Owen franziu a testa ao notar.
— Rangers, até mais. — disse Dickerson, logo encerrando a videochamada.
— Obrigado, Sr. Dickerson. — disse Owen que logo voltou-se para a mulher — O que são essas flores?
— São pra você. Remetente anônimo. — disse ela conferindo no cartão dobrado.
— Ahn... Será que não errou de quarto?
— Acredite, você é o único paciente chamado Owen aqui. Vou colocar em cima da mesa.
— Não, pode me dar, eu quero ler o que tem escrito aí. — pediu Owen, a curiosidade batendo.
A enfermeira lhe entregou as flores, logo se retirando do quarto. Owen lera rapidamente as palavras no cartão, reagindo com incredulidade.
— Tá de brincadeira comigo...
— Owen, é o que estamos pensando que é? — indagou Zoe semicerrando os olhos com um sorrisinho brincalhão.
— Hum... O Owen tem uma admiradora secreta. — disse Jessie com postura de zoeira dando batidinhas com as duas mãos na cama como se tocasse tambores — Oh, seria tão mais adorável se fosse no dia dos namorados.
— Eu não tenho admiradora secreta muito menos namorada. — alegou Owen achando o presente deveras piegas.
— Ah, para, vai dizer que você nem suspeita de quem seja. — disse Tim indo até ele e o tocando no ombro — Você xavecava as garotas quando tirava as fotos delas. Admite, irmão, você tem a pegada.
— Pegada? Qual é, Tim? Não sou desse tipo de cara que fica cantando qualquer garota pra ser notado. Tá, eu sei que me acham meio exibido, mas eu não chamaria tanta atenção.
— Olha, eu duvidaria muito. — disse Austin.
— Quem dispensaria um loirinho de olhos azuis tão galante? — indagou Jessie não medindo seu tom de piada.
— Não, por favor, eu já tô me sentindo mal com esse lance da célula, agora tenho que encarar uma garota que nem se identifica e me manda flores. Aliás, como foi que todos ficaram sabendo do colégio?
— As notícias se alastram como fogo no matagal. — disse Damian.
— Deixa eu ver o que ela escreveu! — disse Tim tomando o cartão da mão de Owen.
— Ei, Tim! Me dá isso aqui, não fala em voz alta!
— "Querido Owen, estive sabendo do seu trágico acidente e quero lhe dizer, do fundo do meu coração, que..." — transferiu para Jessie.
— "... fiquei extremamente preocupada. Quero que fique ciente do meu profundo afeto e carinho por você..." — entregou para Zoe.
— ".... de S.J, sua paixão secreta e invisível. PS: Se ficar mais tempo no hospital, enviarei chocolates em forma de coração que eu mesma faço".
Os Rangers caíram na risada deixando o Ranger Verde vermelho como pimentão com as mãos no rosto de tanta vergonha.
— Eu mereço. — disse ele com rubor na face.
O momento descontraído era observado atentamente por Lokknon do alto de seu trono na sua nave orbitando a Terra.
— Que flores mais horrorosas, essa admiradora sabe como expressar mau gosto. — comentou Aracna de pé assistindo ao vídeo — Tomara que ele jogue fora.
— E tomara também que ele seja afastado da equipe por tempo indeterminado pelo problema na célula verde! — disse Lokknon em excitação — Imaginem o seguinte cenário: Dickerson perdendo seu poderoso Ranger Verde pra um monstro que o encantaria se passando pela tal admiradora anônima. Hahaha, o perfeito final feliz de um casal!
— E nem foi necessário roubarmos a célula, Dickerson escorregou na sua própria arrogância. — disse Mudok — Ele quase me alcançou naquela moto, mas sua morfagem foi abortada inesperadamente. Eu gostaria de ver a cara de Dickerson se remoendo com este fracasso.
— Eu quem mereceria esse delicioso privilégio a princípio, Mudok. — disse Lokknon sonhando acordado — Nada me satisfaz mais do que ver um tiro dos Rangers saindo pela culatra. Barooma, trate de forjar um monstro que induza o Ranger Verde a um estado de total submissão.
— Sim, mestre! Acabei de concluir a inserção de dados no bio-modelador! Com base nessa suposta admiradora secreta, este monstro fará com que Owen se apaixone perdidamente e abandone seus amigos! — disse Barooma que se encaminhou a cabine — O boneco foi posto previamente! — pegou na alavanca e baixou com força — Que venha com muita saúde!
A máquina piscava seus relâmpagos e exalava sua fumaça de vapor durante a constituição da nova criatura. A mesma saíra da cabine em meio ao fumaceiro esbranquiçado. Desfilava como uma modelo com seu corpo esverdeado repleto de cipós, raízes e musgos cobrindo seus braços e pernas.
— Saudações, mestre Lokknon! — cumprimentou ela que possuía uma voz de tom alegre e quase infantil — Poderia me indicar alguém que possa ser meu par romântico ideal? Estou tão carente, desejo alguém bonito, leal e recíproco com todo o amor que eu posso dar.
— Haja amor pra aguentar a companhia de uma criatura tão feia, nojenta e fedida. — implicou Aracna.
— Quem você chamou de feia, nojenta e fedida, hein? — indagou a outra, impetuosa — Não existe espelho no seu planeta?
— Ora, mas que petulância! Mestre, não dá pra esperar que um ser como ela consiga fazer um terráqueo se apaixonar! Olha bem pra ela, parece uma salada de brócolis que alguém vomitou.
— Quem quer que seja irá se apaixonar pelo que sou por dentro, pois é onde mora o amor! Sua opinião não me interessa, portanto calada! — disse a criatura que soltou um anel de cipó da mão direita contra Aracna, silenciando-a.
Mudok se aproximou da parceira tentando entender o que ela dizia, a princesa aracnídea desesperadamente tentando remover o cipó.
— O quê? Quer que eu tire isso da sua boca? Ah bom, você quer nomea-la, não é mesmo? Use uma linguagem de sinais.
Aracna gesticulou afoita para comunicar sua fala.
— Entendi. — disse o androide voltando-se ao monstro — O seu nome é Donzela do Pântano. Bem-vinda ao império. — repassou, levando tapas nas costas por uma furiosa Aracna.
— Poderia demonstrar a mim o seu poder encantador? — pediu Lokknon — Mudok, seja a cobaia.
— Está bem, mestre. Mas me traga de volta a razão, entendeu? — disse o androide se aproximando dela. Donzela do Pântano soprou um aroma arroxeado no rosto de Mudok.
— O que me diz? Não é gostoso o meu feromônio?
— Ahn... tem um cheiro doce e agradável, mas... não me sinto diferente.
— Só agora reparei que você é um robô. Que tolice a minha. Meu feromônio não afeta máquinas, afinal não têm sentimentos.
— Mas é lógico que tenho sentimentos, eu apenas não expresso minhas emoções com tanta simplicidade como os humanos.
— Mas é fato que as máquinas não sentem amor. Preciso de alguém que possa expressar sentimentos autênticos por mim. Que tal eu testar no senhor, mestre Lokknon?
— Não se atreva ou corto seu cipós até não sobrar nada. Este garoto é seu alvo crucial! Grave bem o rosto dele.
A imagem de Owen no hospital conversando com os amigos foi focalizada no visualizador.
— Ele é lindo! Tenho absoluta certeza que não vai resistir ao presentinho que vou dar!
***
Mais tarde, já em casa, o Ranger Verde entrava em seu quarto e descobriu um vaso com uma planta que julgou estranha a primeira vista.
— Ué, que plantinha mais esquisita é essa? — indagou se aproximando da janela. Notara um cartão dobrado — Ah não, é sacanagem... — abriu e lera os dizeres — Primeiro flores, agora uma planta desconhecida. Seja como for, não dou a mínima. Mas quem será essa SJ? De qualquer forma, agradeço, mas... já chega de recadinhos.
Minutos depois, resolveu ajudar o pai no cultivo de mudas no jardim.
— Então meu filho tem uma namoradinha secreta, é isso?
— Namorada coisa nenhuma, pai. Deve ser uma garota do colégio preocupada comigo, me mandou presentes. O último foi meio estranho, essa planta com dentes aqui. — mostrou-a.
— Pelo que vejo, me parece uma planta carnívora. São ótimas controladoras de pragas. Aterra ela, nunca tive uma. De que espécie será?
— Sei lá, acho que vou leva-la ao jardim botânico pra saber. — disse Owen estudando o vegetal. Porém, a planta se movera tascando uma mordida no braço esquerdo dele, o fazendo derrubar o vaso que caiu despedaçando.
— O que foi, filho? Tá sentindo alguma dor?
— Não, foi essa planta... Ela me mordeu! — disse Owen, chocado com as marcas sangrando — Nossa, como dói. — pressionou — Plantas carnívoras fazem isso? Ela deve estar com muita fome.
— Não atacam seres humanos, só insetos. — disse Marley — Me deixa ver seu braço. — analisou as mordidas — Vamos dar um jeito nisso, vem comigo.
Enquanto Owen acompanhava o pai para os primeiros-socorros, Donzela do Pântano espiava seu amor platônico atrás de uma árvore.
— Ele caiu direitinho na minha armadilha. Vamos pra próxima fase. — disse ela, logo se teleportando.
***
Na Central de Comando, o alarme soava indicando uma emergência de caráter grave.
— Ponha na tela, Karen. — pediu Dickerson se aprxikand odos painéis. A tecnóloga colocou as imagens no monitor principal, as quais exibiam Donzela do Pântano lançando seus cipós em pessoas inocentes numa desordem — Se os Rangers esperavam um fim de semana divertido, eles terão que mudar os planos de última hora. Faça contato.
— É pra já. — disse Karen apertando um botão.
Os Rangers haviam organizado um piquenique para comemorar a alta de Owen no parque ecológico e o aguardavam pacientes... até sentirem a demora cansa-los.
— Que baita sono. — disse Tim, bocejando — O que fazemos primeiro: comer ou tirar uma soneca?
— Espera um pouco mais, o Owen tá vindo. — disse Zoe.
— Até ele chegar, nossa comida terá sido roubada pelas formigas. — reclamou o Ranger Azul.
— O Owen não é de fazer desfeita, mesmo se o pai não tiver deixado ele sair. — retrucou Zoe.
— Talvez sejam ordens médicas que o mandem ficar repousando em casa. — disse Damian.
— Liga pra ele de novo, Zoe, só pra confirmar. — sugeriu Austin.
— Esquece, olha ele vindo aí. — disse Jessie sorrindo e levantando ao ver o fotógrafo se juntar ao lanche coletivo — Deu uma escapadinha ou seu pai foi super liberal?
— Meu pai me deixar sair com esses curativos? Só se ele tivesse batido a cabeça mais forte do que eu. E aí, pessoal? — disse ele, logo sentando — Me desculpem a demora.
— Tá de boa, nenhum de nós começaria sem você. — disse Tim dando uma piscadela discreta para Damian e Zoe.
— Impressão minha ou essa bandagem no seu braço esquerdo não estava aí antes de sair do hospital? — questionou Damian, analítico.
— Pois é, Owen, também não lembro de ver esse curativo. — disse Zoe — O que houve?
— A SJ atacou novamente. Me deu outro presente. Uma planta carnívora. Acreditam? Que tipo de garota apaixonada manda uma planta que morde?
— Mas plantas carnívoras não mordem humanos. — afirmou Damian.
— O meu pai disse a mesma coisa e ele é especialista. Mas sei lá, essa espécie pode ter evoluído.
— Nem a seleção natural tornaria isso possível. — apontou Damian.
— Que belo presente de grego esse. — disse Jessie passando mostarda num pão integral.
— Mas será que não é venenosa? Eu tenho pavor só de olhar pra essas plantas com dentes afiados. — dissera Tim transparecendo medo.
— Espero que não. Só tá coçando um pouquinho, acho que sara logo.
Os comunicadores tocaram para o desprazer da turma.
— Ah, logo agora? Logo hoje? — disse Jessie.
Austin atendera.
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Rangers, venham aqui pra se informarem com mais detalhes do novo monstro de Lokknon.
— Estamos a caminho. — disse o líder, levantando — Vamos nessa.
— Vou com vocês. — disse Owen levantando.
— Nada disso, Owen, você tá em recuperação, devíamos até ter pensado em ir na sua casa em vez de te forçar a sair. — falara Austin, categórico
— Mas preciso exercitar minha adaptação à célula.
— Nós não sabemos com exatidão qual é de fato o problema, apesar da teoria do emocional ser mais aceita. — salientou Damian.
— Você tem que ficar de fora até que se recupere totalmente. — reforçou Zoe.
— Além do mais, quem vai recolher toda essa comida e a toalha? — indagou Tim — As formigas não merecem esse banquete.
— Tudo bem, deixa comigo. — cedeu Owen meio desanimado.
— Vai comer tudo sozinho, né? — brincou Jessie.
— Até que não é uma má ideia. Mas não, vou tirar tudo e esperar vocês voltarem.
— Beleza, Owen. Vamos, galera. Ali naquela árvore. — disse Austin que conduziu os demais até uma robusta árvore. O quinteto se escondeu e apertaram o botão de teleporte, chegando na Central de Comando — E aí, Sr. Dickerson? Fala, Karen. Que monstro é esse atacando a cidade agora?
— Ela se autointitula Donzela do Pântano, está prendendo inocentes com esses cipós grossos, além de causar destruição os usando como chicotes. Tomem muito cuidado.
— Acho que nem os jacarés chamariam isso de donzela. — comentou Jessie fazendo cara feia ao ver a aparência dela.
— Owen não quis vir, né? Certo ele, precisa se regenerar depois do acidente. — disse Karen.
— Ele insistiu vir, mas decidimos que é melhor ele se manter longe por enquanto. — informou Austin.
— Ele tá numa boa, embora muito afim de alcançar a adaptação a curto prazo. — disse Damian.
— Vou chama-lo caso seja necessário. Boa sorte, Rangers. — determibiu Dickerson.
— Legal, essa donzela vai aprender que a cidade não é como o pântano de onde ela veio. — disse Austin sacando a célula de morfagem tal qual os demais — Prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Os Rangers prontamente surgiram no local do ataque, interrompendo a baderna de Donzela do Pântano que ria maldosamente em divertimento.
— Farei esta cidade renascer como um lindo pântano onde eu e meu amado seremos felizes no nosso palácio!
— Desculpa aí, donzela, mas sua obra foi cancelada! — disse Austin chegando com os demais.
— Mas esse amado que você espera é o quê? Um ogro verde, feio e gordo? — indagou Jessie.
— Não desacreditem nos meus sonhos, seus pirralhos insolentes! — disse ela que lançou suas vinhas grossas contra aos heróis que se dispersaram.
— Punhos de Selva! — bradou Austin dando um salto mortal para trás se esquivando dos cipós chicoteadores ao invocar suas duas armas. O líder avançou correndo ao que Donzela do Pântano respondeu com mais cipós disparados das mãos, os quais o Ranger Vermelho rebatia rapidamente com os punhos selvagens — Vamos ver quem é mais rápido!
— Meu ritmo é incansável! E você, será que é? — disse o monstro chicoteando avidamente a tal ponto que Austin não pôde mais acompanhar, levando golpes no corpo que salpicavam faíscas, logo sendo arremessado contra um carro.
— Austin! — disse Zoe — Ferrão de Arraia!
— Garras Raptoras!
— Barbatanas Cortantes!
— Marreta Avalanche!
Jessie, Zoe e Tim atacaram com cortes, nesta exata ordem, que se mesclaram num único ataque, atingindo Donzela do Pântano que sofreu com explosões de faíscas em volta recuando e se queixando de dor.
— É, pegamos ela! — disse Tim.
— Ainda nã-ão! — disse o monstro que exibiu de suas costelas objetos ovais similares a sementes. Os ejetou contra os três Rangers que foram tirados do chão com explosões de fogo.
Damian veio por trás dela, batendo sua marreta no asfalto, o que produziu uma onda de choque que a arremessou de cara contra uma van.
— Baixou a guarda, pseudonzela! — disse o Ranger Preto.
— Do que você me chamou, seu pontinho preto irritante? — perguntou ela virando-se.
Austin pulou sobre um carro para um novo ataque.
— Bombas felinas! — disparou os tiros dos canhões nos punhos selvagens. Porém, com apenas um sopro do seu aroma, a "donzela" os mandou de volta a Austin o derrubando.
— Você tá legal, Austin? — indagou Damian indo ajuda-lo.
— Tô, isso não é comparado aos chicotes de cipó dela que são de doer pra caramba.
— Eu consigo vencer esses pivetes de olhos fechados! Fujam dos meus cipós, se puderem!
Ela fincou as vinhas no solo quebrando o asfalto e as direcionando pelo subsolo.
— Ela tá controlando os cipós debaixo da terra! — disse Austin.
Correu com Damian até os outros três.
— Idiotas, não há como prever de onde virão! São silenciosos como cobras!
— Ela tem razão, estamos num campo minado! — disse Damian.
— E os cipós dela são bem rápidos! Droga... — disse Austin olhando em volta a fim de adivinhar o ponto de onde surgiria um cipó dando o bote.
Quando menos esperavam, os cinco cipós juntos emergiram os agarrando e prendendo.
— Ah não... Se eu pudesse cortar... com meu ferrão... — disse Zoe tentando mover o braço.
Donzela do Pântano gargalhava batendo-os fortemente uns contra os outros tal qual bonecos ao segura-los pelos cipós — Vermelho combina com amarelo! — batera Austin com Jessie — Que combina com rosa! — colidiu-a com Zoe que bateram as cabeças uma na outra.
— A força dos Rangers não consegue romper os cipós. — disse Karen — E agora?
— O último recurso. — disse Dickerson olhando para a tela que exibia Owen no parque treinando artes marciais.
— Vai mesmo chama-lo?
— Ela não tem intenção de largar os Rangers, irá brincar com eles até que se esgotem. Não tenho outra opção. — disse o explorador que apertou um botão.
Perto da árvore onde embrulhou a comida do piquenique, Owen praticava golpes de karatê entre chutes e socos. Até que seu comunicador tocara.
— Owen na escuta.
— Tem minha permissão para morfar, Owen. Vejo que está em boas condições.
— Eu tô bem, não dói mais quase nada. O pessoal tá em apuros?
— Precisam de alguém que os resgate e esse alguém é você. Vá depressa ao centro da cidade.
— Beleza, tô a caminho! — disse Owen que logo sacou sua célula e morfador e os encaixou — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!
— Ai, meus cipós estão cansando... vocês são pesados.
— Pode deixar comigo! — disse Owen aparecendo num salto com a pistola Z em riste. Atirou nos cipós, libertando os Rangers.
— Owen! — disse Austin — O Sr. Dickerson te deixou vir?
— Mas é claro! — disse o Ranger Verde se aproximando depressa dos amigos — Acharam que eu viria sem uma ordem do chefe?
— Do jeito que você tava tão afim de participar, sim. — disse Zoe — Se sente bem mesmo?
— Não se preocupem, não vou dar bobeira. — disse Owen virando-se para o monstro em posição combativa.
— Oh, ele chegou! Vem aqui, meu amorzinho!
— Peraí, ela te chamou de amorzinho ou não ouvi direito? — questionou Tim.
— Olha aí, acertei que ela buscava alguém verde pra ter como marido! — disse Jessie.
— Cai fora, você não chega nem perto do meu tipo! — disse Owen — Adaga Kong!
O Ranger Verde avançara dando chutes com giros rápidos em Donzela do Pântano que se limitava na defensiva. O monstro tentou prende-lo nos cipós, mas Owen manejava a adaga com maestria em cortes velozes. Mas um cipó agarrou sua mão direita.
— Você será todinho meu!
— Eu mesmo não! — disse Owen que cortara o cipó passando a adaga para a mão esquerda.
— Eu não desisto fácil do que desejo! Quanto mais difícil, mais persistente eu fico! — disse o monstro fazendo um cipó sair de um buraco no solo e agarra-lo por trás.
— Cuidado, Owen, atrás de você! — avisou Austin.
Mas antes que virasse, o cipó o pegara e o levou para baixo diretamente até Donzela do Pântano. A cabeça de Owen quebrou o asfalto quando terminou de ser arrastado preso no cipó.
— Me larga, sua... — disse ele forçando os braços — O que você quer de mim?
— Apenas o seu juramento de amor. — afirmou ela, os olhos amarelos brilhando.
A ferida no braço esquerdo de Owen também brilhara em consonância ao despertar do feitiço.
— Sim... Eu juro que vou te amar pra sempre, minha bela donzela. — disse Owen os olhos brilhando em amarelo atrás do visor.
O cipó foi afrouxando enquanto Owen suspirava por ela.
— O que tá havendo? Ele não tá reagindo! — disse Damian.
— Tem algo muito errado... Owen, força! — incentivou Austin.
— Você é um gorila fortão ou não é? — disse Tim.
Donzela do Pântano o virou para os Rangers.
— Ele me pertence a partir de agora! Construiremos um futuro a dois da forma mais romântica! Diga a eles, querido!
— Galera, eu me apaixonei de verdade. É uma sensação inexplicável, mas muito prazerosa. Ela é minha garota e farei dela a esposa mais feliz desse mundo.
— O quê? Esposa?! Que pinóia é essa? — disse Jessie, confusa.
— Owen, seja lá o que ela tiver feito com você, resista! — pediu Zoe — Ela não ama você, não é um sentimento real!
— Tenho certeza de que o amor dela por mim é o mais sincero e puro que existe. — disse Owen que logo foi virado através do cipó para frente dela.
— Que tal celebrar nosso amor com um jantar a luz de velas em meio a natureza hoje à noite, hein? Mas antes eu quero um presente.
— Darei tudo que quiser a você, até as estrelas do céu se for preciso.
— Oh, eu não me aguento, você é um príncipe! Vou te esperar num campo bem florido.
— Não vou demorar, te prometo.
Donzela do Pântano logo se teleportou acenando com os dedos movendo para seu tão sonhado par. Os Rangers correram até ele.
— O que tá pegando, Owen? — perguntou Austin.
— Nos diga que foi tudo fingimento. — disse Jessie.
— É, cara, você caiu de amores por aquela mocreia quando disse que nem é seu tipo. — falou Tim.
— Vocês não fazem ideia do que é sentir um amor tão sincero. — disse Owen andando devagar e sonhando acordado com o futuro do casal — Tenho tantos planos com ela. Primeiro o encontro, depois o noivado, depois o casamento e depois os filhos...
— Argh, que nojo, agora eu não consigo tirar da cabeça como seriam esses bebês. — resmungou Jessie.
— Pior é imaginar como fariam eles. — disse Tim.
Austin tocou no ombro, virando-o para ele.
— O que ela fez com você? Tá agindo como se estivesse enfeitiçado.
O líder logo notara a ferida brilhando.
— A mordida da planta... Foi isso, ela quem te presenteou com a planta carnívora se passando pela sua admiradora secreta!
— Então era ela. Vou chama-la de SJ e trazer um lindo feixe de algas do pântano a ela. Vocês estão convidados pro casamento, amigos. — disse Owen que foi andando.
Austin não pensava em deixa-lo ir.
— Espera, Owen, nós podemos te ajudar...
Porém, Owen sacou a pistola Z e atirou três vezes em advertência gerando estouros de faíscas que barraram os Rangers.
— Não posso deixar que estraguem nossa história de amor! Fiquem longe dela!
O Ranger Verde saltara em super-velocidade, pulando sobre carros e depois prédios.
— Owen! — berrou Austin — É, galera, parece que temos um casal pra separar antes da lua de mel.
***
Donzela do Pântano aguardava a chegada de seu amado príncipe esmeralda sentada numa pedra em meio a um campo de flores arrancando pétalas de uma. Ela o viu a uma certa distância correndo até ela.
— Ai, você finalmente veio!
Owen apaixonadamente corria de encontro a ela trazendo o feixe de algas pantanosas, as pétalas das flores do campo voando ao vento em volta dele. Donzela levantou-se, ansiosa.
— São todas colhidas e dedicadas totalmente a você, o mais lindo ser vegetal da Terra. — disse ele entregando o feixe.
— Oh, obrigada, eu nem sei como retribuir.
— Pode me levar aonde quiser.
— Hum... Sei de um lugar esplêndido. Bom, ainda não é esplêndido, mas será ainda hoje. — disse ela dando a mão para que ele segurasse. O conduziu até a reserva florestal onde os Psycho-Bots trabalhavam sem pausa na casa.
— Vamos, apressem-se, nessa lentidão é impossível terminar no mesmo dia! — mandava Mudok aos soldados.
— É aqui onde teremos nossa noite? — indagou Owen de mãos dadas à ela.
— Sim, ficará lindo e especialmente decorado para festejar nosso destino juntos! — disse o monstro que virou o rosto dele para ela — Não permita que aqueles seus amigos invejosos nos separem, entendeu?
— Eu sei, meu amor. Vou protege-la com todas as minhas forças pra impedir que nosso amor se destrua. — disse Owen firmemente, entrelaçando seus dedos aos dela.
***
Após um longo tempo do cair da noite, cada um dos Rangers esperava paciente em seus respectivos quartos o toque do comunicador. Quando o contato viera, não perderam mais nenhum segundo antes de partir para a ação. O jantar de namorados na floresta se iniciava na casinha aberta. Havia uma mesa na qual ambos sentavam um diante do outro com velas em castiçal refinado. No menu, salada de vegetais em pratos de porcelana e um suco detox verde numa jarra.
Para incrementar mais romantismo a experiência, uma banda composta por Psycho-Bots trajando caríssimos ternos pretos tocava lindamente uma música relaxante a base de violinos, violoncelo e piano.
— Está gostando, amor? Eu mesma fiz.
— Eu comeria essa salada em todas as refeições, mas só se você que fizesse. — disse Owen, sem capacete, a olhando apaixonado enquanto mastigava.
— Pare de me elogiar tanto, meu príncipe de cabelo dourado. Eu fico toda sem jeito. — disse ela se fazendo de acanhada.
— Você é a melhor, não tenha dúvidas.
— Não quer um pouco de suco? Tá uma delícia, experimenta, cortesia minha também. — incitou o monstro derramando o suco da jarra para um copo e dera a ele gentilmente — Bebe todinho sem deixar uma gota.
Enquanto isso, os Rangers chegavam a reserva já uniformizados e prontos para arruinar a noite perfeita do casal.
— Tá legal, podemos nos separar em grupos. — sugeriu Austin — Liguem as luzes nos capacetes.
— Austin, não devíamos olhar de cima pra procurar algum sinal de onde estiverem? — perguntou Jessie.
— Boa ideia, Jessie. É jantar à luz de velas e essa floresta não é tão densa pra esconde-los.
— Temos de encontrar alguma montanha ou colina pra fazer a varredura. — disse Zoe.
— Alterem esses planos, Rangers! — disse Mudok surgindo sobre uma árvore — Eu tenho algo mais produtivo com que se ocuparem!
— Mudok! Nós impediremos que a célula do Owen seja roubada, não importa o que esteja no caminho! — disse Austin, determinado.
— Então derrotem meu exército antes que o jantar do casalzinho acabe. Valendo! — disse o androide jogando as esferas das quais saíram os robôs que pousaram armados.
— Rangers, atacar! — mandou Austin sacando sua pistola Z tal como os demais.
No jantar, Owen bebia do suco sem interrupção.
— Isso, vira... Vira... Virou! — disse Donzela, batendo palmas — Qual sua opinião?
— Eu amei. É tão... cremoso e leve... que dá até vontade de dormir. — disse Owen esboçando sonolência na face. Bocejou longamente, a cabeça tonta — Eu ia te pedir em casamento, mas... deixa pra outro dia. Boa noite, meu amor.
O Ranger Verde se deixou cair sobre a mesa, vencido pelo sono pesado. A banda parara de tocar, se movendo para pegar Owen e coloca-lo numa cama improvisada.
— Boa noite, meu príncipe. E adeus, Ranger Verde. Hahahaha! — disse Donzela do Pântano, comemorando o êxito do plano. Lokknon também vibrava de júbilo.
— Brilhante ideia de adormece-lo! Tudo que ela precisa agora é remover o morfador com a célula antes que ele acorde! Vamos, não perca tempo só admirando ele, faça logo! — disse o imperador.
Donzela do Pântano levava suas mãos devagar para o morfador e tentou arranca-lo.
— Parece que tem uma cola grudando... Sai, sai.
— Não é assim que se faz! — disse Austin vindo correndo com os amigos — Se afaste dele!
— Que seja, eu vou manda-lo pro mestre Lokknon e ele mesmo tirará esse cinto!
— Mas antes terá que nos encarar mano a mano, sua bruxa do pântano! — insultou Tim.
— Bruxa? Nunca fui tão ofendida! — disse o monstro que desceu os poucos degraus da casinha.
— Detonador Max! — disse Austin chamando pela pistola vermelha que surgiu na mão direita e correu disparando com tudo. Os tiros explodiam faíscas em torno dela. Depois vieram, os demais, um por vez, atacando com suas armas próprias. Pedaços dos cabelos de cipó caíam ao chão.
— Meus lindos cabelos de vinhas... — disse ela se arrastando ferida.
— Vamos, pessoal, combinar armas! — disse Austin — Podemos derrota-la aqui mesmo!
— Acho que não! — disse ela levantando depressa e lançando suas bombas de sementes abrindo partes de seu tórax. Os Rangers foram pegos com explosões de fogo e caíram.
Owen despertou sobressaltado, porém plenamente de volta a si.
— O que aconteceu? Que lugar é esse? Hã, pessoal?! A monstrenga do pântano... Tenho que ajuda-los!
— Querem brincar daquele jeito de novo com meus cipós? Vou deixa-los presos e depois... O quê? Onde ele está?
— Bem aqui! — disse Owen num salto, disparando lasers da pistola Z por trás dela — Eu lembro de tudo agora! Você me fez comer uma salada horrível!
— Oh não, você se libertou! Eu devia ter dosado mais aquele sonífero! — disse ela reerguendo-se com as costas fumaçando.
— Sem falar naquele suco natural! Vai levar semanas pra esse gosto de folha desaparecer!
— Acho que o sonífero cancelou o feitiço do amor. — disse Austin levantando com os amigos — Como ela pôde ser tão idiota?
— Ela escolheu priorizar a beleza em vez da sagacidade. — disse Damian.
— Acho que nenhuma das duas. — reforçou Jessie.
— Macro-detonador! — disse Owen invocando seu robusto canhão verde, branco e prata sobre seu ombro direito. Lançou um flash que a paralisou — Fica paradinha aí!
— Não consigo mover meus cipós! Me tira daqui, eu te amo!
— Me ama? Ou você é muito ingênua pra achar que vou cair nesse papo ou só é doida mesmo! — disse o Ranger Verde mirando o alvo — Preparar... Apontar... Fogo!
A esfera verde de energia eletrificada foi disparada contra ela que foi cambaleando para trás envolta de raios verdes. Owen virou de costas com a arma enquanto ela caia e enfim explodia fatalmente.
— Tchauzinho, princesa! — disse ele.
Lokknon bateu as mãos fechadas no trono em fúria evocada.
— Barooma, laser regenerador! Que deslize mais grosseiro o dela, uma vergonha!
O raio esmeralda foi disparado, logo revivendo e gigantizando Donzela do Pântano que pisou na casa, destruindo-a. Os Rangers pularam longe para se protegerem.
— Eu cansei de acreditar no amor!
— Precisamos do poder Megazord agora! — bramiram os cinco Rangers com as mãos direitas erguidas.
As máquinas animais vinham correndo e os Rangers saltaram para adentrar nos cockipts.
— Chave de comando! Iniciar sequência Megazord! — disse Austin inserindo e virando a chave. Os zords ligaram-se formando o Megazord Z que pousou no campo de batalha.
— Eu me sinto traída! Que raiva! — disse o monstro lançando os copos que agarraram a cintura do robô e o puxavam — Vou desmontar esse boneco de metal!
— Sabre Selvagem! — bradou Austin. A espada prateada caiu a mão direita do robô que cortara os cipós e foi avançando com cortes conforme ela lançava mais dos chicotes — Modo Velox!
O Megazord ficou mais esguio, cortando mais velozmente.
— Seus cipós não são tão rápidos nesse tamanho! — disse Zoe.
— Cuidado onde pisam! — disse Donzela soprando um vapor de água no solo abaixo do robô. Uma poça d'água formou-se, levando o Megazord a afundar lentamente.
— O que é isso? Areia movediça? — indagou Tim, tenso.
— A leitura diz que é água! — disse Damian — Ela usou um processo de condensação!
Donzela do Pântano chicoteava o robô com os cipós raivosamente, causando danos internos.
— Por que tá descontando na gente? Foi você que ferrou com seu sonho de amor! — disse Jessie, as faíscas salpicando ao redor.
— O modo Velox esgotou! Se afundarmos de vez, o Megazord perde capacidade! — alardeava Austin — Owen, dá uma mãozinha aqui!
O Ranger Verde estava no alto de uma montanha rochosa assistindo a luta.
— Hora do meu parceiro entrar em cena! — disse Owen, logo soprando o apito na Adaga Kong. O Gorila Esmeralda despertou no hangar do canion e saiu rugindo feroz até o local. Owen saltou entrando no cockpit — Vamos nessa, amigão, nosso time precisa de nós!
O zord foi movido até onde estava o Megazord, lançando as bombas-bananas em Donzela do Pântano. Logo depois, faltando pouco para o Megazord Z afundar totalmente, o gorila mecânico segurou firme pelo braço e puxara com as duas mãos com toda a força, salvando-os da profunda poça.
— Todo mundo bem? Ninguém se afogou? — perguntou Owen.
— Sim, estamos bem! Valeu, Owen! — disse Austin.
— Disponham, amigo é pra isso!
Repentinamente, Owen desmorfou e caíra do zord.
— Owen, não! — gritou Zoe.
— Aconteceu de novo! — disse Jessie, nervosa.
Mas o Gorila Esmeralda o salvou a poucos metros de uma queda impactante, amortecendo com sua mão esquerda.
— Valeu, amigão, sabia que não me deixaria na mão! Digo, não de outra forma, haha!
— Ufa, essa foi por pouco! — disse Austin — OK, vamos cortar esse mal pela raiz! Modo Velox!
O Megazord retomava à forma esguia com mais agilidade.
— Chama Cromática! — disseram os Rangers. O sabre selvagem foi envolvido pelo fogo multicolorido. Os cortes velozes arrasaram com Donzela do Pântano que perdia seus cipós.
— Tudo que eu mais quis foi amar e ser amada! — lamentou ela, caindo com múltiplos estouros de faíscas pelo corpo e por fim explodindo.
— Yeah, vocês arrebentaram! — comemorou Owen sobre o ombro do Gorila Esmeralda. Os Rangers contemplaram o nascer do sol no horizonte.
— Olha, gente, que lindo! — apontou Jessie.
— Eu nunca tinha visto um nascer do sol antes! — disse Zoe — Essa primeira vez é pra marcar na história!
— Estamos numa visão privilegiada. — comentou Damian.
— Peraí, tá amanhecendo já!? — disse Tim, temeroso — Caramba, vou me atrasar feio pra escola! Eu nem sequer dormi!
— Tim, calma aí, relaxa. — disse Jessie.
— Por que estão tranquilos? Vão matar aula?
— Ahn... Não, porque... — disse Austin com suspense — Porque hoje é domingo, Tim.
O estado de espírito do Ranger Azul foi de cem a zero e ele tornou a sentar.
— Nossa... Ah, que beleza! Vou poder dormir a manhã inteira! Yeah!
Os amigos caíram na risada enquanto a luz matutino dos primeiros raios solares banhavam o Megazord Z e o Gorila Esmeralda.
***
Na Central de Comando, a verdade quanto ao defeito na energia da célula verde vinha à tona aos Rangers.
— E aqui está a prova de que foi uma falha técnica. — disse Karen pondo na tela — Mas não interna como supomos.
Deu play no vídeo em câmera lenta. A turma se aproximou olhando com atenção. As imagens mostravam a perseguição de Owen contra o veículo blindado de Mudok.
— Notaram? — indagou Dickerson — Quando Owen se aproximou do carro de Mudok, um pulso eletromagnético foi liberado do compartimento de carga.
— É praticamente invisível. — disse Damian ajeitando os óculos.
— E tão veloz que nenhum de nós perceberia no momento. — disse Zoe.
— Algum equipamento de radiação eletromagnética modificada era transportado e foi ativado acidentalmente devido aos solavancos do carro. — disse Karen.
— E desestabilizando o funcionamento da célula com a exposição direta. — completou Dickerson que foi até Owen — Acho que não preciso dizer o que isso demanda.
— Pois é... — disse Owen, meio triste, logo entregando a célula e o morfador — Eu já sabia que iria acabar assim.
— Mas não acabou. — disse Austin — Você continua sendo parte da equipe, não foi por causa das suas emoções.
— E mesmo que tivesse sido, você não seria substituído. — disse Jessie — É só uma fase.
— Quando você voltar já estará 100% pronto. — falou Tim dando uma piscadela com um joinha.
— Porque uma vez Ranger... — disse Damian abraçando Owen de lado — ... sempre um Ranger.
O Ranger Verde sorrira emocionado, inteiramente grato pelo apoio.
— Em pouco tempo reverto a anomalia, prometo. — assegurou Dickerson. Owen assentiu.
— Enquanto isso, vou treinar duro pra me adaptar mais rápido a essa loucura sensacional que é ser Power Ranger.
— Sensacional não, morfenomenal, haha. — disse Tim.
— A gente vai dar um pulo no Earl. Tá afim de ir conosco? — convidou Austin.
— Eu tô com uma fome de gorila, vamos lá.
Os Rangers apareciam na cantina, porém Owen travou ao avistar uma certa garota.
— Owen, o que foi? Parece que tá vendo uma assombração. — disse Jessie.
— Tecnicamente é isso. — disse ele engolindo a a saliva. Cochichou com os amigos — Recebi outro bilhete da SJ hoje de manhã. Ela pediu pra encontrar ela aqui, disse que estava na mesa 06.
Os Rangers voltaram os olhares a mesa referida.
— Aquela é a sua admiradora?! — falou Zoe, surpresa.
— Infelizmente. — respondeu Owen, nervoso.
A garota chamava-se Sally Jingle, do 6⁰ ano-B, e tinha uma aparência considerada fora dos padrões, sendo meio gordinha, de cabelo preto com duas tranças laterais, usando óculos fundo de garrafa, aparelho dentário e roupas coloridas listradas. Ela tomava milk-shake no canudinho a espera de seu amado.
— Ninguém vai te julgar se você disser que acha ela feia. — disse Jessie.
— Não é esse o problema... — contrariou Owen — Ela é pegajosa, grudenta e possessiva demais. Ouvi dizer que ela namorou um garoto da mesma classe, não durou mais que uma semana.
— Durou muito até. — implicou a Ranger Amarela.
— Você vai lá falar com ela? — indagou Austin.
— Tive uma ideia melhor.
Owen se encaminhou a mesa onde Brock e Stuart lanchavam, sendo bem discreto para não ser visto nem por eles nem por ela. Aproveitou a distração da dupla com a comida, colocou o bilhete rapidamente sobre a mesa e saiu assobiando dando a meia-volta aos amigos.
— Olha Brock, parece que vieram deixar a conta.
— Mas não to vendo nenhum garçom. — disse o valentão gorducho que pegou o bilhete e lera — Stuart, seu amigo durão tá com a bola toda. Fica aí, já volto.
Caminhou até a mesa 06 vendo Sally de costas.
— Aí gatinha, só vendo você de costas já vi que somos parecidos.
— Oh, Brock, eu não esperava ouvir isso de alguém como você! Sabe, o garoto de quem eu gosto furou comigo, mas você também não é dispensável... — dizia Sally com expressão de entusiasmo que assustou Brock.
— Não, não, cê tá enganada! — disse ele recuando — Eu confundi com outra pessoa!
— Nada disso, mocinho. Pode acreditar que eu tô muito afim de te conhecer melhor! Quem é o bebezão por trás dessa pele de valentão?
Brock disparou a correr sendo perseguido por Sally e gritando para ela ficar longe. Stuart gargalhava de boca cheia, zombando.
— Pronto, arranjei o par perfeito pra ela. — disse Owen aos amigos.
— Isso que chamo de se livrar de uma furada. — disse Tim risonho.
— Olha só pra eles, parecem gato e rato. — disse Zoe.
Brock corria de Sally por toda a cantina, desviando das mesas e tentando explicar que não passou de um mal-entendido. Os seis Rangers desataram a rir se divertindo com o resultado da esperta manobra de Owen.
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