Power Rangers: Esquadrão Z
27 A Número 1 da Parada
Notas iniciais
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Um dos dias mais inquietamente aguardados pelos alunos da Angel Grove Middle School havia chegado para alegria de uma esmagadora maioria. A inauguração da estação de rádio colegial era concretizada graças a todo um projeto de financiamento coletivo, seja por meio do corpo docente, superintendência escolar, pais ou estudantes voluntariamente engajados. O estúdio de transmissão situava-se próximo ao corredor principal onde funcionava uma antiga tesouraria. O diretor Brewster reuniu todos os professores e alunos para prestigiar o lançamento no corredor, todos vibrando num genuíno clima festivo.
Brewster subiu num pequeno palco montado para apresentar a novidade. Tocou no microfone que emitiu ruídos agudos para testar a amplificação sonora.
— Ótimo, vamos começar. — disse ele que aprixmou a boca ao microfone — Silêncio, por favor! Atenção, todos vocês! É com um imenso prazer que tenho a honra de apresentar o fruto de um esforço em conjunto para tornar realidade esse desejo que foi tão compartilhado entre vocês. Primeiramente, eu quero agradecer aos meus caros contribuintes. Seria injusto não citar todos que participaram. — pegou uma folhinha com nomes escritos e foi mencionando cada pessoa que respaldou o empreendimento.
Tim revirou os olhos soltando o ar pela boca.
— E que comece a enrolação chata. Ele não podia agradecer a todo mundo pessoalmente?
— Estão todos aqui, então ele já está agradecendo. — respondeu Damian.
— Estão torcendo pra Jessie ser eleita locutora, não estão? — indagou Zoe.
— Contra a Cindy?! Olha, foi mal, mas... — disse Tim meio desconcertado.
— Não, Tim, sua opinião não conta, sabemos que sua paixonite pela Cindy te influencia tanto que nem consegue se decidir. — repreendeu a Ranger Rosa.
— A questão não é bem essa. — falou Damian — A Jessie pode até se mostrar uma ótima comunicadora, somos testemunhas fiéis disso, mas a Cindy tem uma coalizão muito forte de apoiadores. Receio que não há muitas chances.
— Tá, agora me explica o que raios é coalizão. Esqueci meu dicionário hoje. — disse Tim levantando uma sobrancelha para o amigo. Austin veio até o trio.
— É, pessoal, esse é mais um dia em que a maior rivalidade do colégio pega fogo. Olhem pra elas, não param de trocar insultos, eu até tentei apaziguar, mas... — o líder deu de ombros balançando a cabeça negativamente.
— Essas duas não vão se entender nunca. — disse Tim — Mas até que eu acho divertido.
— Pois eu não, tá na cara que essa esnobe da Cindy comprou votos das duas classes. — acusou Zoe.
— Se você tiver provas dessa alegação, nunca é tarde pra expor nesse caso. — afirmou Damian.
— Quem me dera. Mas é a Cindy, o jogo dela é sujo como banheiro público interditado.
— Ela tá bem convencida, não duvido que tenha rolado uma estratégia desonesta pra vencer a Jessie que tem uma base forte também. — disse Austin segurando as alças de sua mochila preta enquanto observava as candidatas.
— Nós e mais quem? — indagou Tim que recebeu olhares de reprovação dos amigos. O Ranger Azul deu um sorriso amarelo de nervoso em postura pacífica — Calma, tô só brincando.
As candidatas ao posto de locutora não cessavam a troca de farpas.
— Ninguém vai aguentar ouvir essa sua voz de taquara rachada em alto e bom som. — provocou Cindy a direita da rival — Já basta a nossa turma sofrendo.
— Achei que fosse uma competição pra quem sabe falar corretamente com todos os públicos, um requisito básico pra se tornar radialista, caso não saiba. — rebateu Jessie — Eu tenho um tio que já foi locutor de rádio e...
— La-la-la-la-la, não tô ouvindo essa sua voz de galinha engasgada... la-la-la-la-la... — disse Cindy tapando os ouvidos e fechando os olhos com todo o seu desdém venenoso.
— Falou a que tem a voz como se estivesse tapando o nariz. — replicou a Ranger Amarela, cruzando os braços e bufando em raiva — Ridícula.
O diretor finalmente terminava sua longa lista de citações de nomes, preparando-se para anunciar a vencedora.
— E agora vocês irão conhecer cada aluno que ocupará a função de locutor nos três períodos. Representando as classes do 6⁰ ano, temos com o maior percentual de votos...
A ansiedade pulsava dos semblantes de Cindy e Jessie que sentiam terem parado de respirar.
— Cindy, Cindy, Cindy... — dizia Tim de dedos cruzados e olhos fechados intensamente, mas logo corrigiu ao tomar uma leve cotovelada de Damian — Jessie, Jessie, Jessie...
— Sarah Dohler do 6⁰ ano-B!
— O quê? — disse Cindy, incrédula — Não, isso deve ser algum tipo de roubo!
— E se você tivesse ganhado seria o quê? — indagou Sarah, uma garota caucasiana de ondulados cabelos castanhos, passando por elas — Melhor se afastarem, queridas, a voz do 6⁰ ano precisa de muito espaço.
Cindy e Jessie a encaravam furiosas.
— Quem essa fulaninha pensa que é? — disse Cindy — Ela nos humilhou de graça.
— Não é assim que se trata os perdedores. — proferiu Jessie.
Zoe respirava aliviada com o resultado.
— Apesar de nenhuma delas sair no lucro, ao menos isso serviu pra darem um tempo na briga. Há males que vem pro bem, né?
Lokknon ouvira atentamente essa frase assistindo ao evento pelo visualizador multifocal.
— Não, sua estúpida Ranger Rosa, se engana brutalmente. Todos os males, não importa de onde ou de quem venha, são para causar dor e tristeza aos que esperam extrair algo de bom nas derrotas. Especialmente se vier de mim hahahaha!
— Esses terráqueos não perdem uma oportunidade de provarem o quão patéticos são. — comentou Mudok — Que serventia uma estação de rádio tem numa escola? É desperdício de investimento, francamente.
— Percebam que eles são facilmente influenciáveis pela música. — disse Lokkon vendo os alunos vibrarem com pulos de alegria ao som de uma música eletrônica tocada por um DJ após o anúncio de inauguração — Argh, eu não suporto ver esses insetos se mexendo como se fossem quebrar os ossos. Troque de canal, Mudok.
O androide o fizera apertando o botão do controle remoto. Logo voltou-se a Lokknon.
— Teve algum lampejo, mestre?
— Diria que sim... — disse o imperador coçando o queixo em observação analítica — Considerando que os terráqueos se deixam levar pelos sentimentos que a música desperta, abre uma brecha para que esse estímulo seja explorado. — interrompeu-se ao ouvir sons de estalos de dedos, logo vê do se tratar de Aracna que estava sentada na poltrona ouvindo música por um headfone completamente absorta. Lokknon disparou um fino raio de seu dedo indicador direito para arranca-la de onde quer que a música ouvida a fazia viajar.
A princesa aracnídea voltou a realidade sentindo a queimação do raio no seu corpo.
— Ai! Mestre, o que foi? Precisa de algo?
— Sim, que você não se distraia enquanto estou falando sobre minha próxima investida contra os Rangers! O que deu em você, afinal? Está cada vez mais afeita aos prazeres terráqueos!
— Perdão, mestre, mas é que... — disse Aracna levantando e dando uma olhada aflita para o fone — Eles criaram uma coisa realmente fantástica, a maior invenção deles.
— Mestre, se quiser bani-la, será um prazer acompanha-la até a cápsula de descompressão. — disse Mudok — Afinal, o som não se propaga no espaço.
— Me banir por gostar de música!? Mestre, por favor, não mereço um castigo por conta disso. A música é uma arte universal. Até acho que o senhor gosta também, mas não admite.
— De fato, não tenho nada contra a música, mas sei que ouvia algo produzido pelos terráqueos e isso não vou tolerar novamente. Entendeu?
Aracna fez que sim com a cabeça, retraída. Porém, pegou o fone e foi saindo de fininho. Lokknon usou sua telecinese para tomar o objeto da mão dela e confisca-lo.
— Isto ficará comigo até que aprenda a respeitar o tempo em que me pronuncio sobre um plano!
— Mas mestre... — disse Aracna numa birra quase infantil, sua expressão chorosa.
— E se os terráqueos ouvirem algo reproduzido por nós? — sugeriu Barooma.
— Nossas ideias se entrelaçam, Barooma. O rádio foi uma das invenções mais revolucionárias da Terra. Em anos de história, ele permanece em constante uso.
— Parece ser a prova de defasagem tecnológica, é um recurso muito bem ajustável e possivelmente atemporal. — disse Mudok.
— E se criarmos um monstro que possa disseminar uma frequência de rádio capaz de tornar esses vermes ainda mais débeis do que quando ouvem suas estimadas canções? Barooma, traga-me uma criatura que se encaixe nesta definição! Ele deve ser alguém versado em todos os estilos musicais da Terra!
— Assimilado, mestre! Já organizei os dados referentes a aparelhos radiofônicos terráqueos e os transferi para o bio-modelador! — disse Barooma se dirigindo a alavanca, logo a baixando — Que venha com muita saúde!
O bio-modelador piscava suas luzes tais quais relâmpagos numa tempestade junto ao exalar do vapor branco durante a lapidação do monstro. A criatura logo saíra da cabine, um indivíduo que abarcava diversos tipos de aparelhos eletrônicos de rádio como partes de sua anatomia.
— Cheguei pra alucinar geral com minhas músicas de arrasar! Nossa, mas que lugar mais silencioso! Que tal um rock pesado pra agitar?
Mexeu nos botões de seu tórax, tocando uma música com instrumentais de haver metal a um volume ensurdecedor. Instantaneamente, Lokknon e os subalternos taparam os ouvidos com o som que estremecia as paredes da nave.
— Chega! — esbravejou Lokknon que lançou um raio púrpura contra o monstro, o derrubando. Barooma o ajudou a levantar — Por acaso quer nos matar com essa barulheira infernal?
— Pois é, gostamos de música, mas sob medida pros nossos ouvidos! — disse Aracna — Acho que fiquei até meio surda.
— Eu devia ter escolhido outra estação. Mil desculpas, mestre Lokknon. — disse o monstro reverenciando-o — Onde deseja que eu faça ouvirem minha música?
— Neste planeta chamado Terra, os habitantes são entusiastas da arte musical. Mas você terá o propósito de domina-los, transformar o que eles tanto apreciam num objeto de subjugação.
— Mestre, permita-me questionar: qual seria o objetivo final em fazer os terráqueos escutarem uma música que os submetam a um transe? Precisa ser algo mais inventivo que atrai-los pra um portal direto a nave como ocorreu quando Hypnoculus quase dominou roda a cidade.
— Você tem se queixado de escassez de Psycho-Bots, certo? Não tem tido muito tempo pra reciclar e construir novos soldados. Ainda tem aquele conversor subatômico?
— Está como se nem tivesse sido usado. Excelente ideia, mestre, a música dele irá induzir os alunos do colégio em direção a uma armadilha. — disse Mudok, empolgado.
— E quando passarem pelo conversor, você terá mais Psycho-Bots a disposição. — disse Lokknon, visualizando mentalmente a artimanha — Haha, soa tão infalível que já prevejo os Rangers dançando conforme a minha música!
— Desde que todos ouçam minha super-produção, eu faço o que for da vontade do senhor, mestre! — disse o monstro.
— Gostei dessa sua energia vibrante. Vamos chama-lo de Megahertzzo. — disse Aracna simpática ao monstro — Com dois "z". — especificou com os dedos.
— Eu vou imediatamente preparar o conversor. — disse Mudok siando da sala.
— E quanto a mim... — disse Megahertzzo esfregando as mãos em planejamento — Gravarei uma faixa que será o maior sucesso! Hehehe!
Lokknon se abriu a experimentar a música terráquea pelo fone ainda ligado de Aracna colando um dos lados ao ouvido direito.
— Hum... Até que eles sabem compor harmonia.
***
Durante o intervalo, Zoe vinha até os amigos com uma face transparecendo que daria uma boa notícia envolvendo a rádio colegial.
— Não vão acreditar quem foi a escolhida para organizar a lista de músicas da programação da rádio. — disse ela sentando-se a mesa cinza quadrada com sua bandeja.
— A Cindy, não foi? Ela usou de algum recurso pra participar da rádio, né? — tentou adivinhar Tim expressando ânimo.
Zoe franziu a testa para o Ranger Azul.
— Se toca, Tim. Acha que eu estaria sorrindo se fosse mesmo a Cindy?
— Pois é, larga dessa idolatria cega que você tem por ela, a recíproca nunca será verdadeira. Cansei de martelar isso na sua cabeça. — disse Damian saboreando bolinhos de carne.
— Mas é verdade que ela usaria qualquer recurso, e bem trapaceiro, pra se meter no estúdio nessa função e no fim ela se acharia a chefe do locutor. — afirmou Jessie — Eu não ia querer estar na pele da Sarah.
— Ver a Cindy feliz também me faz feliz e até que ela confesse ter uma queda por mim eu acreditarei nisso. — declarou Tim enfiando tiras de bacon na boca — Mas quem é a garota?
— Não tá óbvio, Tim? — disse Austin com sorriso de canto — Mas vamos deixar a Zoe falar.
— Eu fui a escolhida. — revelou a Ranger Rosa, olhando sorridente para eles.
— Ah, que máximo você ter um lugar na rádio. — disse Jessie afagando a amiga — Mas teria sido perfeito se fôssemos uma dupla lá. — lamentou.
— É, não se pode ter tudo. — disse Zoe dando de ombros — Mas também nada é pra sempre. A Sarah pode querer pular fora um dia e você terá a chance.
— De disputar com aquela mimadinha azeda, com certeza. Nesse caso, prefiro nem competir.
— Parabéns, Zoe, mereceu demais. — felicitou Austin — Mas você ficará responsável só no período do 6⁰ ano ou em todos os três?
— O diretor Brewster avaliou a decisão de me colocar nos três por acreditar na minha habilidade de organização, mas achou mais confortável pra mim ficar apenas no primeiro.
— Podíamos mandar sugestões pra você julgar. — idealizou Damian — Diversificar a programação deve ser um objetivo prioritário.
— Nós também temos umas sugestões. — disse Brock vindo com Stuart até o quinteto.
— Vocês? Imagino a qualidade delas. — falou Damian.
— Perdi até a fome só de pensar. — reclamou Jessie ao vê-los se aproximar.
A dupla cercou Zoe bem de pertinho, pondo CDs sobre a mesa.
— O que é toda essa tralha? — indagou a Ranger Rosa pegando alguns discos.
— Nossos fabulosos discos, ora. — disse Stuart.
— Ficamos sabendo da novidade e queremos que você comece o trabalho agora. — disse Brock — Se quiser, pode levar todos pra você ouvir.
— Dinkle Barry Down? Quem é esse maluco? — perguntou Tim ao pegar um dos discos.
— É um dos rappers mais famosos do meu bairro, o cara faz um sonzaço de arrepiar. — contou Brock.
— De arrepiar de medo só se for. — provocou Jessie gerando risos contidos em Damian.
— A Zoe só aceita produtos de origem oficial. — disse Austin — Tem vários artistas desse gênero que fazem mais sucesso e bem melhores.
— Aí nem tudo que é famoso no mundo todo é melhor, tá legal? — retrucou Brock.
— É, cala a boca aí, você não sabe nada sobre música de verdade. — adicionou Stuart.
— Lamento, rapazes, mas não posso. — disse Zoe afastando a pilha de CDs com nojinho — Até porque meu aparelho de som não toca discos piratas.
— Como é? Tá pensando que são falsificados?! — disse Brock em tom rude.
— Os caras de quem vocês são fãs não produzem música em gravadoras legalizadas. — disse Damian.
— E daí? É musica das boas e nós exigimos nosso direito. — insistiu Brock.
— Exigir? Caiam fora, não aborreçam a Zoe mandando ela fazer o que querem como se fossem donos da rádio. — enfrentou Jessie.
— E se ela apenas precisar de um empurrãozinho? — disse Stuart tirando do bolso da saia de Zoe o celular dela.
— Ei, me devolvam isso! — disse ela levantando depressa.
— Pega aí, Brock! — disse Stuart jogando para o parceiro que ficou balançando o celular como uma isca.
— Só vai ter de volta seu celularzinho quando colocar nossas músicas na rádio! Hahaha!
— Aí, parem vocês dois, a Zoe não fará nada que vocês obriguem! — disse Austin se pondo ao lado dela. Tim também demonstrou apoio.
— Se quebrarem o celular dela, a gente manda essa porcaria toda pro lixo!
— E quem falou em quebrar? Tava pensando em espalhar o número dela pra escola toda. — disse Brock com sorriso canalha.
— Ah pois eu duvido que teriam essa coragem. — disse Jessie levantando para encara-los. Em torno deles já haviam alunos em um coro torcendo para que houvesse uma briga violenta.
— Vocês nem deviam tratar disso comigo e sim com o diretor, é ele quem coordena as atividades na rádio. — disse Zoe.
— Mas você quem tem poder pra decidir quais músicas entram. — disse Stuart de forma um tanto pacífica — Vai lá, Zoe, nunca fizemos nada de mal com você.
— Até agora. — ameaçou Brock com postura impetuosa — O que vai ser, panacas?
— Zoe, a decisão é sua. — disse Damian tocando no ombro dela. A Ranger Rosa respirou fundo.
— Tudo bem, mas preciso dos nomes de todas as músicas e pra hoje.
— Eu te repasso mais tarde. Você deixa, né, Brock? — disse Stuart.
— Tá, tá bom, seu gado. Toma aí. — disse Brock jogando o celular sem se importar, logo indo embora com o parceiro. Austin pegou certeiro e entregou para Zoe.
— Mas que moleques, fizeram de você empregada deles. — criticou Jessie.
— Tem mais é que se mancarem esses otários. — disse Tim.
— Calma gente, só disse sim pra evitar uma briga feia em pleno recreio. — revelara Zoe com um sorrisinho — É lógico que não vou incluir nada na lista que esses bobões quiserem.
— Acabou de salvar nossos ouvidos. — disse Austin, logo rindo com eles e voltando a mesa.
Na estação radiofônica, Megahertzzo surgia em teleporte para aproveitar a deixa oferecida pela ausência do DJ naquele instante.
— Hehe, meu habitat natural. Não é tão amador quanto eu pensava. — disse o monstro olhando a estrutura do estúdio. Se dirigiu ao painel — Uma pena eu não ser contratado pra comandar essa emissora. Eu faria um excelente trabalho. Mas é mais divertido sabotar o que nunca será meu. — disse Megahertzzo que captou a presença vindoura de alguém com suas antenas — Opa, acho que o DJ idiota tá voltando. Droga, vou só deixar o CD bem aqui e me mandar.
Colocou o disco sobre o mixer, logo se teletransportando de volta a nave de Lokknon. O DJ, um rapaz afro-americano usando jaqueta e boné laranjas entrara ali para iniciar a transmissão do intervalo esperando as mãos em aquecimento. Reparou no disco sem capa.
— Ué, quem deixou esse CD? — questionou retirando-o do recipiente e vendo os dois lados — Deve ter sido o diretor. OK, não custa dar uma conferida, vai que seja um som maneiro.
Pôs o CD no tocador e preparou a transmissão pelo computador cuja tela exibia os indicadores de frequência, além de ajustar o mixer. No refeitório, através dos auto-falantes, os alunos puderam escutar a música que soava como uma sinfonia requintada com batida eletrônica de fundo. Um burburinho se formou entre grande parte com diversos comentários.
Os comunicadores dos Rangers tocavam, mas foram ouvidos apesar do som em alto volume.
— Que música mais... inusitada. — disse Damian — Ainda bem que esse DJ é temporário.
— Eu achei assustadora. — disse Zoe.
— Será que é o mesmo DJ tocando? — indagou Tim.
— Vai saber, mas que essa música é super-esquisita, isso sim. — respondeu Jessie incomodada com a trilha musical bizarra.
— Galera, o Sr. Dickerson tá fazendo contato. — disse Austin — Vamos por ali, depressa.
A turma se direcionou até as proximidades do depósito de mantimentos que garantia inteira discrição para atenderem ao chamado.
— Estamos na escuta. — disse o líder.
— Rangers, os Psycho-Bots estão nas imediações de fora do colégio, perto do estacionamento, instalando uma estrutura muito parecida com os detectores de metais dos aeroportos. — informou o explorador — Karen e eu não fazemos ideia do que seja, mas é certo que há um plano em curso alvejando a escola. Procurem sair o mais discretamente possível e impeçam antes que deflagrem seja lá o que for.
— Tá legal, deixa conosco, não importa o que seja essa festinha do Lokknon acaba antes de começar.— assegurou Austin, logo desligando — Vamos sair de fininho.
Os Rangers retornavam ao refeitório, porém se depararam com um fenômeno assombroso. Todos os alunos saíam caminhando meio lentamente e boquiabertos com olhos arregalados.
— Pra onde todos estão indo? — indagou Zoe.
— Olhem bem, estão agindo como se estivessem num transe! — disse Austin.
— Outro apocalipse zumbi?! O Lokknon não anda com muitas ideias originais! — disse Tim alarmado com a marcha dos estudantes.
— É essa música! — disse Jessie, aflita.
— Alguém a serviço do Lokknon invadiu a rádio e hackeou o sistema! — disse Damian.
— Mas como não fomos afetados? — perguntou Zoe.
— As paredes do depósito tem um lance que bloqueia o som de fora... — disse Austin.
— Isolamento acústico. — citou Damian.
— Isso aí mesmo! Vamos voltar pra lá e...
Contudo, Zoe e Tim se deixaram levar pelo som hipnotizante da música, ambos rapidamente somando a marcha zumbificada.
— Zoe, para, me escuta! — pedia Jessie, desesperada, mas a amiga não respondia a nenhum estímulo — Tim, olha pra mim... — logo também fora afetada, boquiabrindo com salivação, imersa no transe musical.
— Agora foi a Jessie! — disse Austin, tenso — Mas que droga, essa música controla a mente de todo mundo com muita facilidade!
— Austin, tape os ouvidos e vem comigo! — alertou Damian que correu retornando ao depósito. Austin o seguiu tapando os ouvidos com os dedos indicadores. Ambos se abrigaram no recinto, ofegantes — Quase fomos os próximos. Talvez mais alguns segundos e...
— Estaríamos ferrados e o Lokknon sairia com a vitória total. — completou o líder vermelho — Eu não esperava que ele fosse se aproveitar da inauguração da rádio de uma forma tão baixa.
— O que não esperar de pior dele, afinal? Tá na cara que essa música corrompida e a coisa que estão montando lá fora são meios para um único fim. Bem, acho que somos só nós dois.
— Se o Owen estivesse com a célula verde completamente regenerada, estaríamos com alguma vantagem. — disse Austin, frustrado.
— Sorte a dele ter faltado hoje e se poupar de ouvir esse show de lixo musical.
— Beleza, Damian, a salvação dos nossos amigos e de todo o resto depende apenas de nós dois agora. — disse Austin sacando a célula de morfagem e o morfador. Damian se colocou a esquerda dele também o fazendo — Tá pronto? — esticou os braços para encaixar a célula abaixo do morfador, o amigo imitando.
— Pronto!
— É hora de morfar! — bradou o Ranger Vermelho.
— Touro Ônix!
— Leão Escarlate!
Megahertzzo celebrava o êxito da empreitada malévola observando os alunos marcharem rumo ao conversor subatômico ligado pelo qual as vítimas passariam.
— Isso que posso chamar de juntar o útil ao agradável! Mestre Lokknon deve estar morrendo de orgulho pela minha música ser um sucesso imbatível! Brevemente o mundo inteiro a conhecerá e vou receber inúmeros prêmios!
Austin e Damian saltaram para as proximidades do estacionamento e constataram espantados o efeito desastroso e agravante da máquina projetada por Mudok.
— Caramba, é pior do que eu pensava! — disse Austin.
— Estão modificando subatomicamente qualquer um que é exposto à radiação infravermelha dessa máquina! — analisou Damian — Isso é muito grave, pode ser que não voltem ao normal mesmo se a destruirmos!
Cada estudante passando pelo conversor tornava-se um novo Psycho-Bot a acrescentar ao exército de Mudok. Megahertzzo aparecia para abordar a dupla lançando duas vibrações sônicas que os atingiram causando uma explosão de tira-los do chão.
— Mas somente dois Power Rangers?! Antes era uma banda, agora é um duo! — disse o monstro com sua voz eletrônica.
— Nunca te disseram que não é educado atacar sem aviso? — perguntou Austin levantando-se.
— Os dois terão que seguir carreira solo! — disse Megahertzzo — O meu disco está la na estação tocando às alturas porque música boa combina com volume máximo! Quem de vocês irá até lá pra tira-lo a tempo de seus amigos não virarem soldados do mestre Lokknon?
— Quer apostar que nós dois bastamos pra arranhar seu disco? Punhos selvagens! — disse Austin invocando suas armas.
— Marreta avalanche! — bradou Damian evocando sua pesada arma — Vou na frente!
O Ranger Preto avançou valente batendo a marreta contra Megahertzzo que defendia-se com os braços em nítida resistência aos impactos. O monstro contra-atacou liberando um pulso sônico de sua barriga que arremessou Damian contra um dos carros estacionados.
— Cuidado, Austin! Esse daí é durão! — avisou levantando com dor.
Era a vez do líder partir ao ataque. Austin saltou disparando as bombas ferozes dos punhos selvagens causando explosões de faixas em volta de Megahertzzo, em seguida desferindo uma sequência de socos super-rápidos que o empurravam. Atirou novamente com as bombas ferozes, desta vez a queima-roupa, atingido o peitoral de Megahertzzo que lembrava um micro-system. O golpe explosivo o repeliu, derrubando-o.
— Enquanto estivermos protegidos contra sua música horrível, nada irá nos deter!
— Horrível? Vou mostrar algo sonoro e horrível pra você! — disse o monstro ainda caído, logo soltando um pulso sônico no chão que se expandiu tremendamente e atingiu Austin o lançando para longe com fortes explosões de faíscas. O Ranger Vermelho caiu de bruços ao chão — Isso é por ter ofendido minha música!
— Austin, tá tudo bem? — indagou Damian o ajudando — Tim, Zoe e Jessie estão se aproximando da máquina, temos que impedi-los pra que se libertem do transe. Um trabalho em dupla não é o bastante contra esse monstro.
— Odeio admitir, mas é verdade. Mas vai ser difícil tiramos eles no meio dessa multidão.
Karen entrava em contato para o alívio deles.
— Rangers, Dickerson possui fones que bloqueiam frequências anômalas! Vou enviar nesse exato momento pra que salvem os outros.
Os três headfones pretos surgiram teleportados nas mãos deles, Austin com dois e Damian com um.
— Haha, valeu, Karen! Sr. Dickerson é genial! Vamos, Damian, rápido!
A dupla correra até o mutirão de alunos submissos a hipnose da música, passando por eles as pressas para chegarem aos demais Rangers. Megahertzzo não gostou da retirada.
— Esperem aí, não vou deixar saírem sem ouvir minha playlist inteirinha!
Agilmente, Austin parou Zoe, colocando o fone nos ouvidos dela. A Ranger Rosa subitamente regressou a lucidez, mas o mundo ao redor cem por cento acústico, até mesmo sua própria voz.
Ela falava com Austin desesperadamente.
— Esses fones privam a audição em totalidade. — disse Damian pondo em Jessie e por fim em Tim.
— Teremos que guia-los com gestos então. — disse Austin. O líder se pôs diante dos amigos gesticulando para se afastarem dali. Os heróis correram se distanciando da horda de alunos.
— Ei, aonde pensa que vai? — indagou Mudok barrando Megahertzzo com sua espada — Essa área é restrita para as cobaias do experimento!
— Os Power Rangers estão escapando! Olha pra lá, seu idiota!
O androide os vira se teleportarem como pilares de luzes coloridas.
— Mas você tinha três deles sob domínio!
— Eles ganharam fones do nada que os deixou surdos à minha música!
Mudok ficou a pensar enfurecendo-se.
— Dickerson... Isso fará a cabeça do mestre latejar de tanta dor.
Na Central de Comando, os Rangers surgiam para discutirem uma contra-estratégia.
— Karen, cadê o Sr. Dickerson? — indagou Austin retirando o capacete ao vir até ela.
— Ainda preso no laboratório cuidado dos reajustes na célula verde. — informou a tecnóloga virando-se para eles na cadeira giratória — Fiquei temerosa achando que a morfagem não bloquearia as ondas de Megahertzzo.
— É esse o nome dele? Aquele desgraçado é mais forte do que pensávamos, poderia ter feito o maior estrago comigo e com o Damian.
— Diria até que ele detém poder suficiente pra nos fazer voltar a forma civil com aqueles pulsos hipersônicos. — estimou o Ranger Preto — Corríamos um sério risco mesmo lutando.
— Cara, esses fones foram nosso milagre de salvação! — disse Tim vindo devolver seu fone — Só é meio assustadora a sensação de estar surdo e mudo.
— Você não ficou mudo, apenas não conseguia escutar a própria voz devido a privação auditiva. — explicou Damian.
— Aquela máquina tá transformando todos que foram hipnotizados pela música em Psycho-Bots, né? — perguntou Zoe, apreensiva.
— Pro nosso desprazer, sim. — disse Karen pondo na tela — A situação é extremamente urgente, crianças. Passar por essa experiência cruel é equivalente a perder sua vida.
— E quando eu achava que o Lokknon não podia se superar... — disse Jessie, indignada — Não tem nada que possa desligar essa música?
— Agora lembrei de uma coisa. — disse Austin — O Megahertzzo falou sobre ter colocado um disco pra tocar na rádio e nos desafiou a ir lá tirar. Ele não invadiu o sistema, só pôs um CD.
— Isso simplifica nossa missão. — afirmou Damian.
— Imaginei que ele não tivesse capacidade de infectar a rede de computador da escola. — disse Karen tirando algo de uma pasta — Por isso gravei uma frequência dissonante. — mostrou um estojo contendo um CD virgem — Um de vocês vai ao estúdio e substitui o disco.
— Eu vou. — definiu Zoe — Faço parte da rádio, então ela é minha responsabilidade.
— Mas cuidado com obstáculos, parece fácil demais, mas Lokknon não vai medir esforços pra tornar isso uma batalha dura de vencer. — avisou Karen.
— Bem, acho que agora o radialista de araque merece conhecer a equipe completa. — disse Jessie — Zoe, contamos com você pra salvar o colégio da hipnose geral.
— Eu vou fazer com que nada me pare no meio do caminho. — disse Ranger Rosa sacando sua célula e morfador e se pondo entre Jessie e Tim — Prontos?
— Prontos! — disseram ambos.
— Hora de morfar! — bradou Zoe fortemente.
— Tubarão Cobalto!
— Águia Flavescente!
— Arraia Rósea!
A turma estava de volta a área do estacionamento do colégio.
— Vejam, estão agrupando os afetados para levarem todos de uma única vez! — apontou Damian.
— O esquema é o seguinte, galera: primeiro o som gravado pela Karen, depois destruímos a maquina. — determinou Austin.
— Caraca, meu estômago não para de embrulhar pensando que eu quase virei um dos filhos do Mudok! — resmungou Tim com ojeriza — Coitado desse povo, ninguém merece isso!
— Lokknon não terá novos soldados hoje pra escravizar se agirmos com toda a coragem e força que herdamos dos nossos pais! — disse Austin, preparado.
— Nossa, mas que medinho eu tô dos Power Lixos! — disse Megahertzzo surgindo em teleporte.
— Lixo é o que você chama de música! — rebateu Jessie.
— Outra vez minha música desprezada! Eu não admito essa afronta com meu som!
— Zoe, vai depressa! — mandou Austin.
— Tô indo! — disse ela que correu para dentro do colégio. Megahertzzo lançou suas ondas sônicas contra ela, porém Damian invocou sua marreta avalanche, batendo-a no solo o que produziu uma vibração que anulou o pulso do monstro dirigido a Zoe.
A Ranger Rosa adentrou pelo refeitório e foi seguindo acelerada nas pernas até o corredor.
— Ótimo, tô quase lá...
Lokknon se enervava em seu trono ao vê-la se aproximar da estação com o trunfo da vitória.
— Mas que pirralha mais insolente! Aracna, obstrua o caminho dela antes que ela chegue ao destino!
— Agorinha, mestre. — disse Aracna que se teletransportou ao corredor bem próximo a porta do estúdio, barrando Zoe — Desculpe, queridinha, crianças não entram.
A princesa aracnídea chutou-a de modo que a fizesse largar o CD. O disco foi deslizando no piso e parou encostando no bebedouro.
— Ferrão de arraia! — invocou sua arma surgindo no braço direito — Aracna, hoje eu tô sem paciência, vou tirar você da minha frente!
Zoe saltou atacando bravamente com o ferrão enquanto Aracna desviava com agilidade e logo pegara impulso da parede com um pé e com uma virada lançando teias de aranha que prenderam as mãos da Ranger Rosa. Aracna girou a chutando no peito e derrubando-a.
— Deixa eu adivinhar... Aquilo ali é o disco de que precisa pra reverter o transe dos seus coleguinhas. Acertei?
Zoe rompeu as teias e mantendo-se no chão, sacou a pistola Z e atirou cinco vezes. Aracna se acordou com os disparos que explodiram faíscas a sua volta, o que dera a Zoe tempo para se arrastar e reaver o CD. Porém, a princesa aracnídea se recompôs e lançara um raio que atingiu o disco em cheio.
— Não! — lamentou Zoe pegando no CD tostado com brasas.
— Oh, parece que essa escola terá que ser reformulada sob nova direção. — zombou Aracna com expressão debochada.
— Ela não contava com a minha astúcia. — disse Karen que enviou um outro disco para perto de Zoe.
— O quê? Mas... — disse ela, surpresa. Karen fazia contato.
— Zoe, fiz esta cópia por precaução. Mas seja cuidadosa, é a única existente.
— Karen, você salvou meu dia! Obrigada! — agradeceu ela segurando com firmeza bruta o CD. Virou-se para Aracna pondo o disco preso ao cinto ao disco na parte de trás — Nosso acerto de contas termina aqui, Aracna!
— Eu vi que apareceu outro CD, também sei que é cortesia do seu chefinho, mas daqui voce não passa com ou sem ele! — disse Aracna que lançou outro raio púrpura do qual Zoe escapou num salto acrobático. Com o ferrão de arraia desferiu um corte vertical energizado que partida as unhas de Aracna.
— Por que sempre as minhas unhas? Por que? — disse ela, horrorizada com face de pranto. Se teleportou, rendida.
— Teve sorte que não foi o cabelo, queridinha. — disse Zoe tirara o disco do cinto — Hora de trocar essa música, já enjoou.
Enquanto isso, os Rangers lidavam com dificuldades na luta contra Megahertzzo, sendo alvos de explosões de fogo que os tiravam do chão. Austin não se der por vencido e reergueu-se.
— Isso não fica assim! — disse ele que foi desviando das ondas sônicas do monstro que explodiam em poeira ao redor. O Ranger Vermelho mirou no peitoral disparando com os canções dos punhos selvagens, atingindo-o.
— Damian, me dá impulso! — pediu Jessie. O Ranger Preto a levantou e bateu a marreta nos pés da amiga a mandando direto à Megahertzzo e executando cortes com as garras raptoras que o empurravam contra uma parede.
Porém, o monstro radiofônico seguia em plena resistência, apesar de sentir a potência dos golpes. Lançou uma onda contra Jessie, a repelindo. A Ranger Amarela caiu sobre Austin.
— Que falta de sintonia a de vocês!
Zoe se encontrava na estação e retirou o disco de Megahertzzo para troca-lo pelo de Karen. Arriscou mexer nos controles do mixer para adequar a frequência sonora necessária.
O som dissonante, no auge do volume, se expandia para fora do colégio, alcançando os ouvidos das vítimas que gradualmente eram libertas do transe hipnótico.
— Ah, mas que música mais irritante é essa? O que aconteceu com meu mix? Faz isso parar! — reclamava Megahertzzo sentindo sua audição severamente agredida.
Zoe retornava aos amigos saltando.
— Demorei, mas cheguei! A Aracna foi uma pedra no meu sapato, mas dei um jeito nela!
— Beleza, Zoe, você foi demais! — disse Austin — E parece que nosso locutor de rádio não aprovou esse som novo! Detonador Max!
Com a pistola vermelha, Austin disparou quatro vezes no conversor subatômico, resultando na reversão completa dos alunos transformados que se alegraram ao tocarem nos seus corpos originais.
— Meu conversor! — disse Mudok, frustrado — Meu exército adicional... Rangers miseráveis, um dia farei com que paguem com suas vidas! — fora embora em teleporte.
— Voltem pra escola, todos voltando! — mandava Jessie.
— Vão, vão, ligeiro! — dizia Tim os chamando.
— Pessoal, a nossa deixa está bem aí! — disse Austin vendo o estado desfavorável de Megahertzzo — Combinar armas!
Os heróis ligaram suas armas umas às outras, logo fundindo-se para formar o Abatedor Selvagem segurado pelos cinco. Miraram o canhão duplo em Megahertzzo.
— Um, dois, três... Disparar! — bramiu Austin. O laser duplo saíra avassalador, impactando contra o monstro que foi cambaleando com raios em torno de si até que finalmente caíra para explodir fatalmente.
Lokknon urrou em cólera assistindo a derrota de um monstro em quem tanto depositou confiança.
— Esses Rangers malditos se sobressaindo a algo que parecia sem a menor escapatória! Dispare esse laser regenerador, Barooma!
— Nesse instante, mestre! — disse o subalterno apertando o botão vermelho. O raio esmeralda é retilíneo foi disparado e caíra sobre os restos de Megahertzzo que fora revivido e gigantizado.
— Vou poder amplificar minha frequência!
— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os Rangers com os braços direitos erguidos.
As máquinas animais saiam dos hangares rumando para a batalha entre gigantes que teria a zona do colégio como palco. Os Rangers saltaram para os cockpits.
— Chave de comando inserida! Sequência Megazord! — dissera Austin girando a chave. Os zords se redobravam para conectarem-se, logo formando o Megazord Z que pousou para a luta.
— Querem ouvir um som da pesada?
Megahertzzo emitiu uma música de rock em altíssimo volume a ponto de desorientar os Rangers nos controles do robô que se movia desajeitado.
— Aí eu até gosto de heavy metal, mas nessa altura não tem rockeiro que aguente! — protestava Tim com as mãos no ouvidos do capacete.
— Meus tímpanos vão estourar! — disse Jessie.
— Parece que tá acontecendo um terremoto aqui dentro! — reclamou Zoe.
— Um som nessa escala supera a taxa de tolerância em decibéis do ouvido humano! — informava Damian atordoado.
— Mantenham a concentração, turma! — pedia Austin — Não se deixem abater!
Megahertzzo se aproximava com risos.
— Minha lista de músicas é infindável!
— Essa música vai nos deixar surdos se não fizermos nada! — alertou Jessie.
— Campo repulsor! — disse Austin batendo num botão que ativara o pulso vibratório com a concentração de energia do Megazord. Megahertzzo fora empurrado violentamente indo ao chão.
— Sabre Selvagem! — bradaram os heróis. A espada prateada desceu a mão direita do robô.
— A transmissão não acabou ainda! — disse o monstro reerguendo-se. Disparou novas ondas sônicas. O escudo selvagem surgirá no braço esquerdo do Megazord, neutralizando o ataque que somente empurrou-o em poucos metros sem danos internos.
— Insígnia Feroz!
O Megazord criava o círculo com os emblemas em sentido horário.
— Partir!
Desferiu o corte diagonal sobre Megahertzzo que sentira o golpe lhe atravessar e corroer seus circuitos de rádio. As faíscas salpicavam do corpo dele aliadas aos raios que sinalizavam sua certa derrota.
— Problemas técnicos... Estamos fora do ar... — dizia ele com sua voz eletrônica oscilando e falhando. Caíra e explodira tremendamente.
Os Rangers festejaram a vitória com gritos e gestos de animação. Em contraponto, o humor de Lokknon se resumia a berros e praguejos.
— O que eu preciso fazer pra ter ao menos um dia sem que dê errado nesta nave? Você é um incompetente, Barooma! — disse o imperador gritando no ouvido do cientista — E você aí? Chorando ainda pelas suas unhas?!
— Mas vão demorar tanto a crescer... — disse Aracna chorando deitada na grande almofada — Eu odeio aquela Ranger Rosa!
— Acredite, não a odeia mais do que eu. Ela foi subestimada tendo você como oponente. — disse Mudok — Mestre, quer o seu remédio?
— Vou testar um meio diferente para aliviar minha dor de cabeça hoje. Até que eu melhore, não quero ser perturbado por nenhum de vocês. Fui claro? — disse Lokknon que saíra da sala. Aracna percebeu ele levando um certo objeto.
— Mas aquele é.. É o meu fone.
— Quem diria que o mestre apreciaria a música terráquea como analgésico para sua dor. — disse Mudok perto dela.
***
No dia seguinte, os alunos da Angel Grove Middle School apuraram os ouvidos para saberem os resultados das provas anunciados por Sally. Os Rangers ouviam atentos.
— Ah, eu dancei. — disse Tim com frustração expressada.
— Sou a única que acha isso errado? — perguntou Jessie.
— Não é, não. — falou Zoe vindo por trás dela — Divulgar as notas dos alunos publicamente inspira tensão e bullying.
— E aí, Zoe, bom dia. — cumprimentou a Ranger Amarela — Não tá atrasadinha pro seu trabalho?
— Eu acabei de voltar do estúdio, cheguei antes de todos vocês.
— Opa, essa é minha garota. — disse Jessie a tocando no ombro com sorriso risonho.
— Sério? Isso que é compromisso. — disse Austin — Sabe, dá muito gosto de ter alguém tão dedicado como você no nosso time, Zoe. A escola foi salva graças ao seu esforço.
— Valeu, Austin. Mas se eu dissesse que o tempo todo eu acreditei que conseguiria, mentiria descaradamente pra vocês.
— Eu desisto! — disse Sally saindo da estação.
— Peraí, Sally, o que é que foi? Tá zangada por que? — perguntou Jessie.
— Eu ouvi as músicas que os alunos sugeriram e são todas um horror! Se o diretor não quiser mudar isso, eu não fico!
— Mas quem vai assumir nosso período? — questionou Zoe.
— A Jessie ficou em segundo lugar na votação. É melhor do que nada, na minha opinião. — disse Sally que logo foi andando.
— A Cindy foi a terceira colocada... — disse Tim — Eu tô mais surpreso que qualquer um.
— Jessie, você finalmente vai comandar a rádio, que legal. — disse Austin, feliz por ela.
— Sendo assim, já vou correndo pro diretor Brewster propor a primeira mudança.
Damian estranhamente viera acompanhado de Brock e Stuart atrás dele.
— Zoe, será que dá pra você me fazer um singelo favor? Só pra tirar esses dois carrapatos das minhas costas.
— Ah não, lá vem eles de novo com aquela parada de exigências... — disse Tim.
— O que eles fizeram com você? — perguntou Zoe em postura protetora para com o amigo e olhando torto psra os valentões.
— Nada demais, só trancaram meu armário. Tive que fornecer minha combinação senão eles jogariam tinta permanente dentro se eu não viesse falar com você.
— Olha, eu até aturo quando a chantagem é comigo, mas quando envolvem um dos meus amigos... me deixa bem nervosa. — declarou Zoe soando irritada — O que vocês querem?
— Que você toque a música que fizemos. — disse Stuart.
— Nós temos uma banda de garagem, não sabiam, manés? — falou Brock.
— Acho bom esse negócio nem passar da garagem. — disse Austin fazendo Tim, Jessie e Damian rirem baixinho.
— Peço pra tocar se prometerem destrancar o armário do Damian. É óbvio que trocaram a combinação.
— Prometido. — disse Stuart.
— Palavra de futuro astro do rock. — garantiu Brock.
Ao pegar o CD, Zoe fora até o estúdio. Após a música que tocava terminar, ela pusera o CD no tocador e ajustou o painel.
— A Zoe sabe mexer tão bem nos aparelhos que tô considerando ceder meu lugar pra ela. — disse Jessie.
A música enfim comdcaba a ser tocada, a dupla de valentões efusivamente ansiosa. Contudo, o som foi substituído por um áudio com as vozes deles num desafio peculiar.
— Chamam isso de cantar? — indagou Tim.
— Stuart, seu traste, gravou aquela nossa competição em cima da música!
— Competição do quê? — perguntou Jessie.
Sons de gases liberados foram amplamente ouvidos pelo corredor, gerando uma risadaria massiva que envergonhava os dois "intérpretes".
— Esse é o talento musical que o colégio precisava saber. — ironizou Austin, rindo a beça.
— Vocês definitivamente reinventaram a primeira arte! — disse Damian aos risos.
Constrangidos com o cerco de piadas, a dupla cobriu os rostos com suas roupas enquanto os sons jocosos levavam todos à gargalhadas contagiantes. Correram sem pensar em insistir na arte da música. Os Rangers riram a valer com cada barulho naquela bizarra disputa de quem soltava a flatulência mais alta valendo um prêmio.
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