Pouring Rain

14 Capítulo XIII - It started out with a kiss, how did it end up like this?


Notas iniciais
Hey, galera! Vim aqui pra agradecer. 2014 começou e acho que o melhor presente do mundo é todo esse apoio que venho recebendo em relação a Pouring Rain. VOCÊS SÃO OS MELHORES LEITORES DO MUNDO! Boa leitura, gente.

– Eu não acredito que o seu sabor preferido também é pistache. – Reyna chuta uma pedrinha quando passamos por debaixo de uma enorme árvore no parque.

– Você roubou meu sabor preferido! – digo, sorrindo. – mas, cara, que tipo de pessoa coloca jujubas cristalizadas no sorvete?

Ela afasta o copinho de sorvete, protegendo-o com os braços. Hoje, está usando um vestido vermelho de bolinhas e sapatilhas de balé. Não aquele tipo de sapatilha que imita sapatilhas de balé, mas sapatilhas de balé de verdade. Prendeu o cabelo num coque e traz uma bolsinha a tiracolo.

Reyna parece uma boneca. Ela tem esse jeitinho único de se vestir, não importa o que as pessoas digam. Sapatilhas de balé de verdade, gravatas borboleta ou fitas amarradas no cabelo. Reyna.

– Eu coloco! – protesta, rindo. – eu amo jujubas cristalizadas. São umas das melhores coisas do mundo.

Jujubas cristalizadas me lembram nosso (primeiro) beijo no cinema. Isso me faz sorrir. Será que ela se lembra do ocorrido?

Eu espero que sim.

– Espera que sim o que? – Reyna se senta na grama, aos pés de um carvalho enorme.

– Espero que eu não leve bomba no teste de História. – respondo rapidamente, sorrindo amarelo. Eu me sento a seu lado, mordiscando a casquinha do sorvete.

Depois de algum tempo em silêncio, observando os patos no lago e as crianças correndo e brincando no parquinho, sinto Reyna se mexer. Seu braço esbarra no meu por um milésimo de segundo. Sinto sua pele contra a minha e um choque percorre meu corpo.

– Você é uma das únicas pessoas que sabem sobre – ela faz uma pausa, como se tentasse encontrar a palavra certa. – sobre... Mim.

Eu imagino que uma delas seja Jason. Ele nunca comentou nada sobre isso.

Jason é um bom amigo, afinal.

– Obrigado. – eu digo, baixinho. Ela ergue uma sobrancelha e isso me faz rir. – obrigado por confiar em mim.

– De nada, tackle. – ela me dá uma cotovelada amistosa nas costelas. – escuta, você sabe dos meus segredos mais obscuros até minhas manias terríveis que envolvem sorvete e jujubas cristalizadas, mas eu não sei nada sobre você! É injusto, sabia?

E, entre risadas e pausas dramáticas, eu conto. Conto sobre a minha mãe, sobre os Summers, sobre a comida do orfanato e sobre as notas baixas em Cálculo. Em alguns minutos, Reyna já sabe meu sabor preferido de pizza e revira os olhos quando eu digo que não gosto de azeitonas.

É até engraçado. Conversar com ela é tão fácil quanto respirar.

Em alguns momentos, Reyna para e nós ficamos ali, em silêncio, olhando um para o outro. E então ela começa a falar de alguma coisa aleatória ou se inclina para tirar uma pequena folha do meu cabelo.

Eu não me importaria se um ninho de pássaros caísse na minha cabeça, contanto que Reyna repetisse o gesto.

Ela termina a casquinha com calma, e me inclino quando uma pequena manchinha de sorvete permanece em seu nariz e ela nem percebe.

Sinto sua respiração em minha pele quando Reyna faz uma careta e permite que eu passe meu polegar sobre seu nariz.

As pontas dos meus dedos tocam sua bochecha, o calor fazendo cócegas em minha pele, e permanecem ali. Faço um movimento mínimo e percebo que não estou respirando. Ela se inclina ao meu toque, fechando os olhos.

E Reyna se afasta segundos depois, pigarreando. Minha mão cai em meu colo, o silêncio se torna incômodo. Ela fita o chão por alguns minutos.

– Leo? – diz, depois de algum tempo, ainda sem olhar para mim.

– Oi... ?

– Somos só amigos, certo?

Amizade. Uma relação de afeição mútua entre duas ou mais pessoas. Onde alguém sempre estará lá para você e vice-versa. Dividir o milkshake de morango mesmo que seja pequeno. Trocar mensagens durante o dia inteiro. Copiar o dever de casa. Ir ao cinema. Se divertir.

E não se beijar.

– Eu quero dizer – ela se embola com as palavras, afundando as mãos na grama. – aquilo no cinema... Não foi nada, certo? Somos amigos. Aconteceu. Só amigos... ?

Eu permaneço em silêncio por algum tempo. O olhar que Reyna me lança chega a ser torturante, mesmo que ela só esteja desesperada por uma resposta. Desvio o olhar. Encaro o chão. Ao contrário do que esperava, meu rosto não esquenta e não sinto nada.

Vazio.

Aquela barreira invisível se ergue entre nós dois pela segunda vez. Eu posso derrubá-la novamente. E eu posso deixá-la crescer mais e mais.

Olho para Reyna, um sorriso fraco em meus lábios. Ela realmente parece desesperada, e isso parte meu coração.

Derrubo a barreira. Respondo.

– Só amigos.

–x–

Jason e eu caminhamos pelas ruas de Bristol em completo silêncio, às vezes entrando em alguma loja ou comprando um donut na doceria mais próxima.
Meus lábios estão cheios de açúcar quando começo a falar.

– Olha, eu já levei muito pé na bunda. – digo. Jason ri. – muito mesmo. Bastante. Mas, esse pegou em cheio.

Ele amassa o saquinho de donut até o papel se tornar uma bolinha deformada antes de arremessá-la na lixeira mais próxima. Cesta. Praticamente ouço os urros de uma torcida num jogo de basquete.

– E nunca doeu tanto assim. – concluo.

Jason passa o braço por meus ombros, me sacudindo de leve. Ele dá risada e se afasta, chutando pedrinhas na calçada. O gesto me lembra Reyna. Eu quero me enfiar debaixo das cobertas e me afogar em minha própria solidão.

– Leo, não precisa ficar desse jeito. – diz ele. – o que eu quero dizer é que todo mundo leva toco. E a Reyna é assim, cara, às vezes não dá pra saber o que ela quer. Ela só deve estar confusa sobre o que vocês tem ou deixam de ter.

Eu permaneço em silêncio enquanto ele fala.

– Se não estivesse realmente confusa em relação ao elfo latino em questão, ou seja, você, ela não teria perguntado se o que vocês tem é amizade ou não.

– Então eu deveria ter dito "Ah, que isso, a gente tá saindo e você nem sabe"? – ironizo, revirando os olhos. – isso é patético, Jason. Na maior das hipóteses ela finalmente percebeu que eu sou só o cara bebendo café, sentado num bar do outro lado da rua, no filme da vida dela. O cara que na verdade não faz diferença se aparece em cena ou não, porque ele é só mais um figurante.

A repentina comparação com filmes me deixa até surpreso. Jason bufa. Ele aponta para um banquinho perto da livraria.

– Leo, senta aí.

E eu me sento, entrelaçando os dedos e me preparando para o seguinte sermão/conselho/qualquer coisa.

Jason coloca as mãos nos quadris e assume uma expressão de pai sábio e que já viu muita coisa na vida.

Mesmo que eu não saiba como é ter um pai assim, não digo nada.

– Olha – começa ele. – Reyna é, provavelmente, a garota mais incrível que eu já namorei. Ela é doce e inteligente, e compreende as coisas e fala as coisas certas quando você precisa ouvi-las e permanece em silêncio se isso for o que você está precisando no momento.

A voz dele é carregada de admiração. Machuca. Machuca muito.

– Você gosta dela. – murmuro.

Jason puxa meu casaco e me levanta, segurando meus ombros.

– Eu sei o que você está pensando. – diz. E eu sei que sabe. – e está errado. Passou, Leo. Eu e Reyna somos amigos e eu sei o quanto você gosta dela. Todo mundo sabe. Todo mundo vê como os seus olhos brilham quando cita o nome dela ou como fica sem saber o que fazer quando ela está por perto. Eu nunca faria isso com você.

As palavras me fogem numa questão de segundos. Jason nunca foi do tipo que desiste das coisas. Sempre fora competitivo ao extremo, se recusando a chegar em segundo lugar.

Como daquela vez, no parquinho, quando tínhamos doze anos. Estávamos competindo para ver quem tomava o sorvete mais rápido. Ele sofreu com aquela dorzinha incômoda e agonizante, a tal "de congelar o cérebro", e mesmo assim me pagou outro sorvete depois da pequena competição.

E aqui está ele. Permitindo que, pela primeira e talvez única vez, eu não fique em segundo lugar.

– Eu sei que eu vou me arrepender disso mas – digo, fingindo secar lágrimas. – você é o meu amigo preferido, tá?

Jason solta uma gargalhada, tentando acertar um soco na minha barriga. Eu me esquivo no último segundo, nós dois rindo alto no meio da rua.

– Eu pensei que você fosse dizer algo adorável. – resmunga ele, cruzando os braços. – do tipo "Jason, você é o melhor amigo do mundo". Ingrato!

– Ah, cala a boca. E eu não falo desse jeito!

Depois de algum tempo rindo de modo descontrolado, nós continuamos a andar. Jason me impede de pular no ônibus mais próximo e me leva até o orfanato de carro, mesmo que o caminho até a sua cada seja o contrário.

Ele dirige um conversível antigo, comprado com cinco anos de mesada e salário de vários bicos por aí. O pai de Jason e Thalia, Zeus, é um empresário famoso e podre de rico. Jason se recusou a usar o dinheiro que Zeus estava disposto a lhe dar para comprar o carro usado.

E antes que você pense "Ah, mas ele deve ser um cara super nojentinho que nem liga para os filhos", está enganado. Ele é legal, mesmo que seja sério demais para o meu gosto. Ele e Jason são muito parecidos, mesmo que completamente diferentes na maioria das vezes. Zeus sabe cozinhar e já nos levou para jogos de baseball, mas realmente passa muito pouco tempo em casa. Ele trabalha em Nova York, num escritório no topo do Empire State Building. Volta para casa nos fins de semana, completamente esgotado, mas é quando Jason fica tentado a ignorar convites para festas só para ficar em casa.

E ele geralmente escolhe as festas. Já que Zeus não "mora" em Bristol nos dias úteis, quem mora com Thalia e Jason é a madrasta deles. Hera.

Ok, ok. Essa coincidência seria algo realmente bonitinho se não fosse trágico. Zeus, tal como xará da mitologia grega, não se contenta apenas com uma mulher. Jason me disse que o pai já estava com Hera quando conheceu a Sra. Grace e tivera ele e Thalia. Hera fica louca de ciúmes, mas ela simplesmente não pode largar sua vida em Bristol para ficar de olho no marido em Nova York.

Eu não sei se tenho mais pena dela ou de Jason, por aturar as brigas constantes. Thalia simplesmente não fica em casa, passando os fins de semana na casa de Annabeth, mas ele não tem para onde fugir.

É por isso que sempre prefere as festas, onde pode esquecer todo aquele clima horrível da casa dos Grace.

– Leo. – diz ele, quando estaciona em frente ao orfanato.

Eu arrisco uma olhada na janela de Reyna. Luzes apagadas. Imagino onde ela pode estar.

– Hm?

Ele tamborila os dedos no volante por algum tempo antes de continuar.

– Você tem que prometer uma coisa, ok?

– Depende. – digo, rindo baixinho. – o que é?

Outra pausa. Jason olha para mim.

– Precisa prometer que não vai desistir da Reyna. – diz, e seu tom é tão sério que tenho certeza de que não está falando da boca pra fora. – não importa o que ela faça ou deixe de fazer. Porque o Leo que eu conheço não costuma desistir das coisas. E caso você o faça, aí sim. Aí é que não irá merecê-la.

Eu não levo mais que alguns segundos para responder. Salto do carro, a mochila nas costas. A lua que já nos observa lá de cima é testemunha do que digo.

– Não vou desistir.

Notas finais
1.000 acessos. Deuses. Do. Céu. Vocês tem noção de que eu quase comecei a chorar no meio da madrugada? E que eu contei pra todo mundo da minha família e tive vontade de chorar com todos os parabéns que eles me deram? Assim... Minha família. Wow. Ah, e um super-hiper-mega-duper obrigada para a Ca, PORQUE ELA RECOMENDOU A FIC!!! E eu chorei muito lendo aquilo, ok? Porque gente ♥ que amorzinho. OBRIGADA!! Vocês são a alma por trás dessa fic, juro. Sem vocês, não teria nada disso. Sem os reviews fofos, os tweets ameaçadores sobre a fic (oi, Anna), as (3, cara, 3!!!) recomendações... Tô ficando emocionada já. *seca as lágrimas* Isso foi tão discurso de último capítulo de fic. Mas não se enganem! Escrevi isso aqui pra agradecer mesmo, porque Pouring Rain ainda vai dar muito o que falar ♥ pensaram que iriam se livrar de mim assim tão cedo? HAHA. Pobrezinhos. Mil beijos, pizza e cookies com gotas de chocolate, Bruna. x