Post-it
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Notas iniciais
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Luz entrava pela janela e não deixava poeira alguma a vista, o som da cidade acordando se misturava com o do despertador logo antes de ser desligado e Regina observava como a luz brincava por seu quarto.
A Rainha acordara de bom humor e lembrava de cada palavra do bilhete enquanto ligava seu chuveiro, repassando o que faria no dia com a água morna caindo em seus cabelos negros, escorrendo pela pele morena deixando-a levemente vermelha, pensando o que faria de café-da-manhã ao enxaguar o shampoo de maçã da cabeça.
Vestir-se era talvez a parte mais divertida do ritual matinal de vossa majestade, escolher a mistura perfeita de elegante e sexy que pararia o trânsito e deixaria todas as mulheres de Storybrooke com inveja era uma tarefa ensinada desde pequena por sua mãe e que a prefeita concluía todos os dias com diligencia.
Concluída a rotina, tudo o que faltava era acordar Henry. Talvez fizesse os bolinhos de baunilha que seu Pequeno Príncipe gosta tanto... Sua primeira reação ao abrir a porta do quarto do filho e ver tudo escuro e a cama vazia fora susto, até se lembrar que Henry estava na casa da incrível família Charming...
Não que Regina ainda odiasse a família, isso já estava resolvido, mas toda vez que Henry dormia lá significava mais uma manhã sozinha e o que se pode dizer? Estava acostumada a acordar com ele correndo de um lado para o outro se arrumando para a escola... Já nessas manhãs nem tinha vontade de cozinhar...
E, como força do destino, a campainha tocou quando estava desistindo de tomar café e lá estava Robin, com seus cabelos castanhos e jaqueta verde sorrindo para a Rainha.
“Robin...? O quê – Aconteceu alguma coisa?”
“Não, não, Regina. Só... É que eu fiquei sabendo que o Henry dormiu na casa do Charming, então eu... Eu queria saber se você quer ir tomar café comigo?”
Agora o senhor leitor pensa: Se eles estão namorando, por que diabos ele pediria pra sair assim? Então, veja bem, eles não estão namorando ‘oficialmente’ de novo, pelo menos ainda não. Mas por que? Porque, francamente, não existe título de alma-gêmea que resolva ter dormido com sua meia-irmã verde. Não existe. Enfim, eles estão naquela situação ‘início de namoro’ estranha.
“... É – Claro, Robin, claro, eu já estava saindo mesmo.”
Foram andando para o Granny’s, com Regina roubando olhares o tempo todo pelo caminho, imaginando como abordar o assunto com o ladrão. Pensou em ser direta, mas, se ele teve todo o trabalho de deixar o bilhete sem ser visto e nem assiná-lo, talvez fosse melhor questioná-lo discreta e indiretamente. E foi o que fez... Depois de sentarem e pedirem na lanchonete... Na verdade foi quando estavam quase terminando de comer... Hey, não a julguem, ok? É embaraçoso para qualquer um...
“Obrigada, Robin.”
Pois é.... A grande Rainha má cheia dos discursos, de guerra à de auto ajuda, pensou por vinte minutos e tudo que conseguiu foi um ‘Obrigada, Robin’.
“Não foi nada, Regina. A gente realmente precisa de mais encontros assim, para se reconectar.”
“Não, não por isso, digo, claro que por isso também, mas... Sabe... Por ontem.”
“Ontem...?”
“É, o – o bilhete, sabe, de ontem?”
“Bilhete? Desculpa, Regina, mas eu não – “
“... Não foi você... Não é....?”
“Haha, eu nem sei do que está falando, Regina. Que bilhete?”
“Nada, Robin, não foi nada. Sério.”
Bem, isso elimina a única possibilidade... Ou não, não é? Novamente, se ele teve todo aquele trabalho, deve ter um motivo, correto? Correto.
Mas nossa rainha não é um tipo de pessoa paciente e depois de passar tanto tempo no centro de, ou como formuladora de conspirações, começou a questionar a tudo e a todos. Então sim, como não é cem por cento de chance do bilhete ter sido de Robin, ela vai investigar. Por pura e simples paranoia. Pode muito bem ser um golpe de assassinato. E, conhecendo alguns membros da realeza que moram nessa cidade, ela não duvida de nada.
E foi nesse espírito paranoico que Regina mandou Ashley cancelar seus compromissos da tarde para se trancar em seu cofre para tentar rastrear o autor do bilhete. Palavra-chave: Tentar. Mesmo depois de usar quase tudo que possuía, não conseguira resultado algum.
Bem, quase tudo... Mas não poderia... Pro inferno com tudo. A prefeita se aproximou da caixa de ferro e fibras de prata no canto escondido e nunca frequentado de seu cofre.
O livro tirado da caixa não era grande, mas não deixava a desejar, de cor vinho, desbotado e com detalhes de metal nos cantos. Aquele livro revirava o estômago de Regina só de olhar. É claro que num dia normal não chegaria nem perto de magia alguma na qual existisse influência de sua mãe, se olhar no espelho já é lembrança suficiente de Cora, mas não tem nada de normal nesse dia.
Colocou o livro ao lado do papel e procurou qualquer coisa relacionada a rastreamento, busca, você já entendeu. Tentou diversas magias em céltico, élfico, latim, mas foi uma em russo que funcionou.
Ou parecia ter funcionado, o bilhete brilhou, levitou, girou e voou até a porta do cofre... Antes de parar e escrever magicamente uma coisa que se deixou Regina irritada foi pouco.
“Realmente precisa aprender a não trapacear, Vossa Majestade.”
A próxima parada, obviamente, foi a loja, ou ex-loja, do Gold. O ambiente realmente mudara desde que Bella passou a tomar conta, já não era aquele lugar sombrio e tenebroso que fedia maldade. Agora parecia mais uma sala de estar de tia velha e solteira, sem os gatos andando por aí.
“Senhora – Senhorita... French?”
“... Regina? Posso ajudar? É alguma coisa a ver com a adaga?”
“Não, não. Ainda não descobri nada sobre isso ainda... Estou aqui por motivos próprios, você sabe se o Gold deixou alguma poção, magia, item, tanto faz, de rastreamento por aqui?”
“Bem, saber eu não sei... Rumple não – Ele não me dizia muito sobre nada... Mas posso procurar. Pode passar aqui amanhã?”
“Então passo amanhã. Obrigada Srta. French.”
“Regina, por que você quer isso?”
“Obrigada Srta. French.”
Não, não é falta de educação deixar uma menina xereta falando sozinha. Esse povo dessa cidade realmente precisa parar de se meter na vida alheia, especialmente se essa vida é a da ilustre prefeita da cidade.
Enfim, o dia não fora nada produtivo. A única coisa que conseguira nesse dia foi voltar pra casa paranoica. Mas, mesmo assim, teleportou na entrada de casa e estaria mentindo se a visão de mais um bilhete em sua porta não trouxe um sorriso para seu rosto.
Um sorriso é tudo o que precisa pra me tirar do sério
E, definitivamente estaria mentindo se dissesse que o bilhete não a fez sentir como se seu estômago estivesse sendo atacado por borboletas.
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