Notas iniciais
Terceiro diaaa õ//

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“Eu realmente não posso ter nenhum segredo nessa cidade, não é?”

No momento, a prefeita se encontrava fumegante no meio da loja do Gold. Raiva? Não. Irritada? Um pouco. Frustrada seria uma definição melhor. E o dia começara tão bem... Acordara com um humor ainda melhor que o de ontem, ainda estava curiosa, mas ela ainda é humana e pode se sentir bem com um elogio. Trama secreta para assassinato ou não.

Mas, nunca se deve julgar um dia por suas primeiras duas horas, porque nunca se sabe quando entrará numa loja e a dona fará perguntas como “Posso ver o que está tentando rastrear?”, francamente...

“Regina, eu quero dizer que seria bem mais fácil encontrar alguma coisa se eu soubesse para o que quer usar.”

A Rainha tinha um olhar desacreditado no rosto “Já disse: Eu preciso rastrear alguém.”

“Você só tinha pedido alguma coisa de rastreamento, saber que para uma pessoa já facilita.” O brilho nos olhos da mulher irritava Regina.

“Então agora já pode pegar o que preciso?”

“Ainda seria bem mais fácil com – “

“Não vou mostrar nada.”

“É uma loja mágica... Tem centenas de magias, poções e coisas do tipo... Pode demorar semanas até achar uma que funcione...”

“E por que alguma não funcionaria?”

“Me diga você, você é quem veio aqui...”

“Srta. French!”

“Digo, se precisasse de uma poção qualquer de rastreamento, você mesma teria feito. Não seria a primeira vez.”

E é nessas horas que Regina mais sente falta de ser a Rainha má; de entrar nos lugares com seu vestido pomposo, guarda pessoal e atitude, todo mundo tremia de medo só de olhar para ela e fazia o que mandava sem pensar duas vezes. Ah... Bons tempos aqueles... Não que fosse tão diferente assim em Storybrooke, mas as pessoas tinham mais voz que na Floresta Encantada.

Não que as pessoas tendo opinião própria fosse ruim, mas, em alguns casos, como este por exemplo, era irritante além da conta.

“Só quero ajudar... Por favor, Regina...” Bella ficava cada vez mais parecida com um filhotinho abandonado.

Ajudar... Era só o que Bella fazia esses dias. Claro, ela sempre tentou ajudar muita gente, mas agora parecia que tentava consertar qualquer mal que Rumple tenha causado às pessoas, dentro de suas capacidades claro... Uma menina de cidade pequena, boa, legal e que gosta de ajudar as pessoas. Tão igual mas tão diferente.

Diferente, bem diferente, enquanto uma certa pessoa que vive ajudando pessoas, na verdade só se mete onde não foi chamada; mas as pessoas realmente pedem ajuda à Bella.

Bem, foi o que prometera também, não é? Confiar nas pessoas. E quem é mais confiável do que a pessoa que domou Rumplestilskin? Não totalmente, é óbvio, mas se o demônio confiava nela, por que não?

“... Muito bem.” Pegou o primeiro bilhete do bolso “Mas espero que o conteúdo desse papel não saia dessa loja. Para seu próprio bem.” Entregando-o para a morena mais nova quem ficou com um risinho no rosto ao examinar o papel.

“Não se preocupe, prefeita, farei meu melhor para achar seu admirador secreto!” Regina já se arrependia antes mesmo de sair do prédio...



O som do salto na calçada era mais alto e feroz que de costume, andar era sempre bom para acalmar os nervos e se recompor para a reunião do conselho, não seria nada agradável chegar na prefeitura agitada e embaraçada como estava e a concentração nisso era tanta que nem viu quando foi atacada por um montinho de cabelo preto.

“Mãe!” E quase explodiu o adolescente...

“Meu deus, Henry! Não assuste as pessoas na rua assim!” Mas retornou o abraço sorrindo mesmo assim. “Está indo para a escola? Não vai se atrasar? Quer que eu te teleporte lá?”

Henry riu abraçado a mãe “Calma, mãe, calma, ainda é cedo!”

“Hum, sei.”

“Então, mãe. Eu vi você saindo da loja do Sr. Gold, tem a ver com a adaga? Você descobriu alguma coisa? Encontrou a ma? Vai trazer ela de volta? O que – “

“Henry, Henry, respira. Eu... Eu não encontrei Emma ainda...”

“... Ah...” O desapontamento nos olhos do menino, era demais para a prefeita e teve que abraçá-lo de novo. Com toda essa história de, como Srta. French disse, admirador secreto, perdera o foco das coisas importantes. Não apenas como prefeita, porque Storybrooke não pode ficar sem xerife/salvadora, mas também como mãe de Henry. Porque seu filho já ficou tempo demais na vida sem aquela desculpa de ser humano loiro e irritante.

“Eu vou encontrá-la, Henry. É só que eu – “

“Eu entendo, mãe.”

“Não, Henry, eu – “

“Mãe. Eu sei que a ma está bem.”

“E posso saber como o senhor tem certeza disso?”

“Esse é meu super poder: Super intuição.”

“Ha... Ah é....?”

“Yup.”

“Tão confiável assim é?”

“Quando foi que minha intuição esteve errada sobre qualquer coisa, mãe?” E Regina riu da ironia da situação: Ela é a mãe, ela deveria ser quem está sempre certa, mas uma coisa que se aprende em Storybrooke é que Henry Mills sempre está certo. De um jeito ou de outro, seu filho sempre tem razão. Abraçou-o de novo.

“Nunca, Pequeno Príncipe, nunca.”

“Mãe! Sou quase mais alto que você! Humpf.” Não importa o quanto ele crescesse, sempre seria muito fofo quando corava.

“Moleque, você sempre vai ser um moleque pra todo mundo, pode ter até dois metros de altura.”

Regina realmente precisa voltar a prestar atenção ao ambiente, só não enfartou porque Henry estava ali. Como não vira o pirata parado ao lado do filho? Quando ele chegou ali? Mais importante: Quem chamou o capitão delineador?

“Não me enche, Killian!”

“Há!”

A irritação da morena crescia a cada segundo. “O que você quer, Hook?”

O pirata punha o braço direito em volta dos ombros de Henry. “Estou levando o moleque pra escola. Claro.”

“Henry?”

“Mãe.”

“O pirata está te levando para a escola?”

“Está sim, mãe, pra onde mais?”

“Me diga você.”

“Calma, dona prefeita, ninguém vai matar aula hoje. Seu principezinho aqui só tinha alguns problemas que queria falar antes da escola, então resolvi tomar o caminho mais longo. Só isso.”

“Que problema? Precisa falar com o Dr. Hopper, Henry?”

A irritação de Regina deve ter dobrado com a risada que o pirata deu. “Com esse tipo de problema é melhor ele passar longe do doutor. Acredite. Problema de homem se resolve com homens, não com grilos, rainha.”

“E que tipo de problema ‘de homem’ meu filho achou melhor conversar com um pirata sobre do que com Charming?”

O pirata não fugiu do olhar de desdém da morena, aproximou até o rosto com um sorriso sarcástico, com um brilho nos olhos que deixava a prefeita quase matando e esfolando ele ali mesmo. Traumatizar crianças que seja.

“Do tipo que o moleque não se sente confortável contando para ele.”

Henry a interrompeu antes que revidasse, ou pior, incinerasse, Killian, puxando o pirata pelo braço para que continuasse andando.

“Ok, já chega os dois. Eu juro que vou pra escola, mãe, juro. Anda, Hook, antes que você vá parar no hospital. Até mais tarde, mãe!”

“Vou ligar para a escola mais tarde, é melhor que ele esteja lá, Hook.”

“Não se preocupe, vossa majestade, posso ser um pirata, mas trapacear é mais sua área.”

O mundo de Regina parou por um momento. Certamente o pirata não quis dizer nada com aquilo. Claro que nada, ele só estava sendo o típico pirata irritante de sempre. Dizendo coisas para irritá-la. A desafiando. Ganhando a confiança de Henry... Deus amado.

Não seja idiota, ele gosta de Emma. Trocou o próprio navio por ela. E, mesmo se ele não gostasse da salvadora, Regina não gosta dele. Regina tem nojo dele. E isso não é ela sendo teimosa.

Agora isso vai ficar em sua cabeça! Pode ser o pirata agora, meu deus. Mas não pulará para conclusões, especialmente as absurdas assim. Se ela colocou Robin como candidato, o pirata fica nessa categoria também.

Mas meu deus, Killian ‘Hook’ Jones.

A enxaqueca foi tão forte o resto do dia que quase massacrou todo mundo naquela reunião do conselho. E todo mundo depois do conselho. Só percebeu que chegara em casa quando viu o bilhete na porta.

Encarou o papel por uns bons dez minutos antes de pegá-lo.



Também tudo o que diz, e como você diz



Não conseguiu não sorrir ao ler, de novo, ela ainda é humana e ainda pode se sentir bem com um elogio.

Mas esse bilhete era diferente. Não só por causa da possibilidade de ser de um pirata mulherengo que imagina a pior hipótese para a Srta. Swan, mas porque ele parecia parte de uma mensagem.

Ótimo. Já não era ruim o suficiente alguém deixar elogios, mas agora é uma mensagem inteira? Simplesmente perfeito.

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Notas finais
Eita, Brasil. Espero que tenham gostado e até amanhã!