Notas iniciais
Quarto dia! Mills, Regina Mills.

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Regina Mills conseguia contar nos dedos de uma mão as vezes em que se sentiu ridícula na vida. Realmente ridícula.

Como quando casou com Leopold, o vestido era perfeito, verdade, branco com tons de azul claro, detalhes rendados, gola aberta e véu que se misturava com a cauda tão longa que precisou ser carregada por duas daminhas; não é porque se sentira ridícula que pareceria ridícula também... Mas ser levada ao altar, até um homem que poderia até ser seu pai...

Ou, num passado menos distante, quando Srta. Swan entrou no Granny’s com Marian logo atrás, ok, era sua irmã disfarçada com outro plano infalível para acabar com sua felicidade, mas, ainda assim, quando a raiva pela xerife passara, começara a sentir ridícula... E todas as outras ocasiões eram nesses estilos.

E a situação que se encontrava agora ganhava de qualquer outra. Por que? Porque agora ela mesma se pôs nessa situação. Nenhuma mãe megalomaníaca ou xerife enxerida a tirou de casa essa manhã, nenhuma mãe megalomaníaca ou xerife enxerida a fez seguir ninguém, nenhuma mãe megalomaníaca ou xerife enxerida a fez entrar no Granny’s e, definitivamente, não tinha nenhuma xerife enxerida ou mãe megalomaníaca a forçando a ficar sentada ali ouvindo disfarçadamente a conversa entre Hook e Ruby.

Veja bem, era parte de um plano. Um plano que realmente parecia bom. Pelo menos até ser colocado em prática... Enfim, o plano: Regina seguiria Hook e Robin por um dia completo, ou até conseguir prova de que é algum dos dois que está deixando os bilhetes em sua casa, um dia cada um. Resolveu começar com o pirata, precisava tirar ele dessa lista de possíveis admiradores pelo bem de sua sanidade.

Mas a cada minuto que passava, a morena se sentia cada vez mais ridícula por fazer isso. Não por espionar alguém, não, já fez muito disso quando era rainha, e quando Emma chegou na cidade; mas pelo tipo de espionagem que está fazendo.

O tipo de espionagem ao qual estava acostumada era feita com charme perfeitamente treinado e roupas costuradas precisamente para fazerem as pessoas falarem mais do que deveriam em reuniões e bailes e festas dados exatamente com essa finalidade. Ou a usar espelhos, ou qualquer coisa que pudesse ser usada como espelho para conseguir informação. Para qualquer informação que não pudesse ser adquirida dessa forma, era contratado algum especialista afim de consegui-la.

Nunca na vida seguira alguém tão descaradamente por conta própria, o único conhecimento que tinha sobre isso vinha de filmes de espião que assistia com Henry.

E esse conhecimento cinematográfico seria posto à prova nesse exato momento, o pirata está saindo da lanchonete. Regina esperou um tempo antes de segui-lo.

Isso seria bem mais fácil em uma cidade maior, com multidões nas quais pudesse se misturar ou pelo menos com gente suficiente na rua para não ficar tão em evidencia assim. Só tinha os dois ali praticamente, dez horas da manhã, na rua principal de Storybrooke e tem meia dúzia de pessoas andando por ali. Dava pra ficar mais complicado stalkear alguém? Sempre dá pra piorar.

O pirata deve ter percebido que estava sendo seguido e virou bruscamente para trás, olhando por todos os lados, pronto para atacar ou ser atacado, procurando. E Regina jura que nunca reagiu tão rápido a qualquer coisa na vida, assim que Hook se virou, a rainha se jogou tão rápido em um beco pelo qual passava que foi sorte não ter batido a cara na parede.

Só depois percebeu que poderia simplesmente ter continuado andando, não seria estranho a prefeita andar pela rua principal da cidade, ninguém suspeitaria que estava seguindo o pirata, Regina...

Esperar ele voltar a andar era um verdadeiro teste de paciência que a rainha desistiu no segundo minuto e atravessou o beco para o outro lado do quarteirão, só precisaria prestar mais atenção em duas coisas: Aonde o pirata ia e em não ser percebida, agora estaria escondida por paredes de tijolo, mas estaria bem mais perto dele que anteriormente.

Não houve surpresa alguma ao ver o capitão entrar no porto e conversar com outros marujos sobre assuntos sobre navios, os quais Regina desconhecia até assuntos banais, como bebidas e mulheres. Ou seja, um tédio absoluto.

A prefeita acreditava estar fazendo um excelente trabalho se escondendo e não sendo notada... Até um velho marinheiro chamou sua atenção. O homem queria saber o que a rainha fazia ali, se podia ajudar em alguma coisa, ambas perguntas respondidas da maneira mais vaga possível, para se livrar do homem sem chamar atenção demais... E ele passou a contar histórias dos tempos em que navegava na Floresta Encantada, aparentemente ele fazia parte de sua marinha... E juntou uma multidão de marinheiros em volta dele e, consequentemente, de Regina... Ao menos Hook não vira Regina no meio de tantos homens altos e barulhentos.

A próxima parada do pirata foi o parque. É, pasmem, a prefeita com certeza esperava o Rabbit Hole, ou qualquer outro lugar que se imagine que um pirata sujo e beberrão frequente. Mas enfim, foi o parque, o que significava que seria bem mais fácil segui-lo porque não cometeria o mesmo erro duas vezes, não tem nada de anormal ela estar ali e a morena sabia o lugar perfeito para observar alguém, era o banco em que normalmente sentava e dele se via todo o parque. Perfeito.

O que Hook teria para fazer nesse ambiente, ninguém saberia ao certo dizer, mas, ao vê-lo parado olhando para o lago por tanto tempo, Regina tinha um palpite... Estaria ali pensando em Emma, não é.... Ótimo, agora além de ridícula se sentia mal. Ninguém esqueceria tão fácil assim de Emma. Ela era barulhenta, xereta, levava tudo pro lado pessoal, corajosa a ponto de ser idiota, irritante... E a prefeita não deveria pensar no passado.

E não deveria já declarar Hook como culpado no caso dos bilhetes. Mas talvez fosse ele exatamente por isso: Se ele estivesse pensando em Emma no passado é como se ela estivesse morta. E, por mais marcante que a loira seja na vida das pessoas, ele ainda é um pirata nojento. E Emma está viva... E bem... E ela vai dar um jeito de encontrá-la e resolver tudo isso, então Hook não teria mais motivos para deixar bilhetes em sua porta...

“O que está fazendo?”

Se existisse algum recorde de salto assustada de banco, Regina o quebrara.

“O que eu disse sobre fazer isso, Henry?! Quase me deu um ataque do coração...”

O diabrete moreno que milagrosamente não foi alvo de uma bola de fogo ao menos parecia arrependido. “Desculpa... Não sabia que ia te assustar tanto... Desculpa, mãe...”

Regina ergueu o queixo do filho. “Henry... Henry, não estou brava com você... A culpa foi minha, estou distraída demais ultimamente.”

“E qual é a disso? Eu nunca consegui te assustar na vida. Agora quase te matei sem querer. Por que está assim, mãe?” Perguntou voltando ao normal.

“Nada, Henry, só bastante coisa na cabeça, só isso.”

“Então por que tava encarando o Killian daquele jeito? Você nem piscava.”

Agora realmente estava perdida. O que diria ao filho? Qualquer coisa que dissesse seria estranho: Estava stalkeando o pirata, Henry. Estava vendo se ele parece gostar de mim, Henry. Só estava olhando para aquele lado, Henry.

“Não vai matar ele, vai?” O menino disse brincando.

“Só estava tentando entender porque ele estava parado ali a um bom tempo.” Não era mentira, só não precisava dizer o que a levou àquele lugar àquele horário. Aliás...

“O senhor não deveria estar na escola?”

“Aparentemente passarinhos não gostam quando alguém leva suas casinhas embora... Agora a escola está sendo atacada por um batalhão de pardais furiosos porque a Snow resolveu fazer um tipo de limpeza de primavera para, eu acho, todos os pássaros da cidade...”

Não sabia como responder àquilo, via isso acontecendo perfeitamente em sua cabeça: Snow correndo de um lado para o outro tentando salvar crianças histéricas enquanto tenta acalmar um bando de pássaros furiosos. Teve que rir.

“Sabia que isso aconteceria um dia.”

“Nem fala, daqui a pouco vão achar que foi você que atiçou os passarinhos!”

“Quem me dera ter pensado nisso! Quem me dera!”

Era tão bom estar ali conversando com seu filho, se divertindo com ele, sem ameaças mágicas pairando sobre Storybrooke, sem ninguém olhando feio, só os dois, que a rainha não percebera o tempo passar, quem dirá Hook saindo do parque. Tentara ver se o encontrava com os olhos sem sucesso. Regina Mills era oficialmente a pior espiã/stalker do mundo.

“Quer me ajudar a fazer uma torta, Henry?”

“Claro!”

A volta para casa foi tão divertida quanto o tempo no parque e a prefeita percebeu como o filho fazia falta, só esperava que, mesmo quando ele crescesse, continuaria assim. E ainda estava distraída demais para não ver Henry pegando o bilhete que estava na porta da casa.

“An... Mãe...?”

Regina olhava do papel para o filho corado, fato, uma situação ruim sempre pode piorar.

“Você queria saber porque eu estava encarando Hook no parque mais cedo, ainda quer saber?”

Enquanto colocava o filho corado e curioso para dentro, aproveitou para pegar e ler o bilhete.


E aquele vestido cinza?

Prefiro nem comentar...



E foi a vez do rosto dela imitar um tomate.

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Notas finais
Tã nã nã Até amanhã! õ/