Notas iniciais
Hey pessoal! Olha eu aqui novamente trazendo mais um capítulo! Tenho que confessar que no início fiquei um pouco receosa de como vocês iriam reagir a uma história assim, tinha me preparado para várias críticas negativas e fico muito feliz por isto não ter ocorrido. A maneira que vocês receberam essa fic foi incrível e me deixou muito, muito feliz! Eu havia dito antes que teria uns três capítulos mas agora já serão 4! Kkkk me perdoem! Mas é um assunto muito vasto, e quero por pelo menos só o principal para que vocês tenham alguma noção mais "aprofundada" de assunto. Enfim meus amores vamos logo com esse capítulo☆

Meu pai estava estático, petrificado encarando-me com seus olhos esbugalhados seu rosto adquirindo um tom vermelho vivo. Pude ver claramente sua veia da testa inchar e pulsar fortemente.

— Pai- chamei preocupada, porque afinal parecia ter se passado anos em que ele tinha entrado em meu quarto e ficado tão ou mais estático do que eu.

Minha voz soou estranha, como se eu estivesse com a boca cheia de algodões.

Levei inconscientemente a mão até a peruca e isso o fez reagir, ele respirou fundo produzindo um som agudo, seu rosto mudando de vermelho vivo para um estranho tom arroxeado.

— O que no inferno você está fazendo Ethan? — perguntou a voz grave, porém estranhamente calma enquanto fechava a porta atrás de si.

O clique suave que a porta fez quando se fechou para mim foi como o som de uma explosão nuclear

—Eu estou esperando uma resposta Ethan! — sua mandíbula contraía quase no mesmo ritmo que que a veia pulsante em sua testa.

Ele está com raiva posso ver e sentir, é como uma aura escarlate palpável no ar.

—Pai eu…- me interrompi, o que eu diria?

O que eu diria para o meu pai rígido, preconceituoso e religioso que eu era uma transgênero? Que não tinha nascido e habitado o corpo certo, que eu não era e nunca tinha sido Ethan e sim a Isabella?

— Sim Ethan? — perguntou desafivelando o cinto de sua calça, engoli em seco já sabendo o que estava por vir

—Você sabe que isto está errado Ethan, sabe que está indo contra os mandamentos de Senhor! Esta agindo como uma maldita aberração e eu não posso permitir! -

Falou se aproximando, dobrando o cinto ao meio e se aproximando com os olhos fixos em mim

— Eu vou açoitar você filho, até que se arrependa de seu pecado, você é um homem tem que agir como tal! -

Quando o primeiro açoite chegou, a dor foi quase insuportável, a dor física não era nada comparada a mental e emocional naquele momento.

Porque não ele podia me entender, me aceitar da forma como eu era? Isabella era quem eu sempre tinha sido então porque isso era um pecado, porque era inaceitável?

Eu não me encolho quando ele me acerta novamente, eu aceito cada doloroso açoite com minha cabeça erguida, eu não me arrependeria jamais por ser quem eu sou, ou como eu sou.

Aquilo se repetiu várias e várias vezes, mais eu não me rebaixaria muito menos produziria nem um som que denunciasse minha dor.

— Arrependa-se Ethan! E eu vou parar! — ele disse descendo o cinto com força em minha pele mais uma vez

— Não — meus lábios estavam trêmulos e eu sentia as incontáveis e incontroláveis lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas minha voz tinha soado forte e determinada o suficiente para choca-lo

—Como disse?- perguntou estupefato me encarando com os olhos em pratos

Respiro fundo e entrecortadamente não querendo soluçar quando finalmente pusesse isto para fora

—Eu disse que não, não vou me arrepender por quem eu sou! Não escolhi me sentir uma garota, mesmo tendo nascido no corpo de um menino! E nem sinto vergonha por isso! -

Ele para, absorvendo minhas palavras e deixando cair o seu cinto no chão, em algum lugar na minha mente eu me pergunto se ele pararia sua “correção” agora, e se então ficaria tudo bem.


Mas instintivamente eu sabia que aqueles açoites não haviam sido nem o começo, e eu estava terrivelmente certa

Fui ao chão no primeiro soco, gemendo quando sentir uma dor aguda no pulso e outra dor lancinante irradiando por toda a lateral esquerda do meu rosto.

Não sei ao certo quantos foram distribuídos por todo meu rosto.

Eu levei mas um soco no rosto e outro em minha barriga antes da porta abrir com força, meu pai parou momentaneamente arfante para encarar quem havia aberto, minha mãe estava parada lá nos observando com uma expressão confusa.

— Feche Renee! — ele ordenou com um grunhido

— Mas Charlie... — — Eu lhe disse para FECHAR! -

esbravejou, minha mãe me lançou um olhar de piedade antes de fechar a porta mais uma vez. Ele voltou a me encarar, seus olhos ainda raivosos cheios de vergonha.

Um grito angustiante soa quando me encolho, e eu sei que foi de mim que ele saiu, quando recebi um forte chute em minha virilha.

A porta voltou a se abrir com um estrondo, e agora Alice estava lá, carregava uma expressão de preocupação que deformava toda as suas feições delicadas de fada e no meio minuto que ela teve para associar o que estava testemunhando ela simplesmente se transformou, seu rosto se transformando em uma careta de cólera tão assustadora em eu nunca poderia conceber ou imaginar que seu rosto pudesse adquirir, empurrando minha mãe com força quando ela tentou lhe impedir de entrar no quarto.

Um alívio e orgulho esmagador surgiu em meu peito quando Alice veio em meu socorro, se lançando sobre o ombro de nosso pai batendo Onde quer que pudesse alcançar, o puxando para longe de mim enquanto gritava repetidas vezes

"Deixe-a em paz!".

Acho que finalmente de alguma forma minha mãe saiu de sua letárgica submissão e também entrou no quarto, me apoiando para que eu pudesse me levantar

— Vá Ethan!- sussurrou intercalando seu olhar em mim e nas figuras no canto do quarto onde Alice de alguma maneira ainda conseguia subjugar nosso pai, acho que o que dizem sobre baixinhas era realmente verdade

— Vá!- urgiu me empurrando levemente para fora do quarto

Estou quase no fim do corredor quando escuto o grito de dor de Alice, meu corpo inteiro tensionou e quando estava prestes a virar para me arrastar de volta quando meu pai surgiu no corredor.

Minha mãe logo atrás dele, jogando-se no chão e o agarrando pelos pés, fazendo-o cair também

— Vá Ethan! Va agora! — fiquei estática por um minuto, minha mãe e irmã estavam sofrendo por mim, se pondo na linha de guerra para me defender.

eu queria ajudar mas sabia que se meu pai me alcançasse mais uma vez ele provavelmente não pararia até que eu estivesse morta.

Dei um último doloroso olhar para meu pai que tentava soltar-se do aperto de minha mãe e ela que lutava para manter seu aperto firme.

Alice agora estava parada no portal da porta do meu quarto, lágrimas escorrendo pelo seu rosto enquanto uma mancha avermelhada no exato formato da mão de nosso progenitor marcava seu rosto.

Devolvendo meu olhar de angústia seus lábios se moveram em uma silencioso "corra" e então foi o que fiz, me virando e correndo em direção a rua.


Há quanto tempo eu já estava ali mesmo? Sentada ali no banquinho daquela praça cansada, tremendo de frio e dor naquela chuva.

A cidade já estava deserta, 22:00 hrs e ninguém se arriscava a sair de casa.

Não sei porque se já não havia nada remotamente interessante por aqui.

Meu pulso latejou mais uma vez, eu estava quase certa de que meu pulso estava quebrado.

— Ethan! — franzi o cenho disposta a ignorar quem quer que fosse

— Hey querida! — a voz feminina soou ao meu lado cumplicidade gotejando em seu tom, girei um pouco para ver quem era e me vi de frente para Bonnie Que arquejou chocada ao pegar um vislumbre do meu rosto, eu não sabia como eu estava mas se aquela dor era algum indício, eu deveria estar pior que o Freddy krueger.

Bonnie Gamble, não era exatamente uma garota de programas já que já estava na sua faixa de 35 ou mais anos.

Era alta, realmente alta 1,70 de altura, possuía adoráveis olhos azuis e longos encaracolados cabelos loiros que, faziam uma junção perfeita com seus traços aristocráticos.

Tudo isso somado lhe dava um aspecto adorável e angelical. Pelo horário, era provavel que estivesse voltando de algum compromisso.

— Oh minha querida! O que houve com você? — perguntou afetuosamente passando de leve a ponta do dedo em meu rosto, porém mesmo assim eu estremeci.

Letárgica ergui uma mão, passando meus dedos pelos cabelos artificias da peruca que ironicamente eu ainda estava usando.

— Ah! Eu vejo. — murmurou pesarosa tirando seu sobretudo e o passando ao redor de meus ombros

— Venha meu bem, vamos cuidar de você — chamou me ajudando a levantar.

Bonnie tinha me trazido para a casa da Madame Bartoon, onde eu tinha sido muito bem recebida, todo aquele tratamento carinhoso tinha sido um bálsamo para o meu estado emocional, já que, todas as mulheres ali sabiam quem eu era de verdade e me aceitavam completamente e sem restrições.

Eu tinha visto a expressão de choque e pesar das outras mulheres quando elas estavam me ajudando a tomar um banho, tinha visto seus olhos lacrimejarem quando cuidaram dos meus machucados e removeram com suas mãos trêmulas a maquiagem que ainda manchava meu rosto

Então eu tinha a certeza de que eu deveria estar horrível, mas essa palavra simplesmente não se encaixava para Como eu realmente estava.

Não conseguia acreditar que aquela figura, aquele reflexo era eu.

A lateral esquerda do meu rosto estava inchada, meu olho esquerdo estava fechado em uma nauseante coloração arroxeada e azul em algumas partes, Já o direito estava vermelho como os olhos de alguém com conjuntivite Meu lábios pareciam dois croissant's enormes, inchados e feridos cortes ainda abertos e um pouco de sangue coagulado

Eu estava simplesmente deformada naquele momento, nao me parecia nem com o Ethan e muito menos com a Isabella.

Haviam manchas roxas em meus braços, vergões estufados e ardentes dos açoites, e sentia que por debaixo da roupa que usava haviam muitos mais iguais aqueles.

Eu me sentia e via o que ele, Charlie Swan, meu pai e meu algoz realmente havia dito

Eu me sentia como uma aberração.

Sabia que demoraria semanas até que todos aqueles inchaços e ferimentos desaparecessem para que meu rosto pudesse voltar ao normal, isso se ele conseguisse voltar ao que eu chamo de normal

— Hey! — ouvi a exclamação, girei lentamente para encarar Bonnie que tinha acabado de retornar ao quarto com um copo d'agua na mão Não consegui segurar mais, uma nova onda de lágrimas transbordaram, sinceramente depois de ver meu reflexo eu nem mesmo sabia com elas estavam sendo capaz de escorrer para fora dos meus olhos

— Não querida, não fique assim! Vai passar! — disse pondo o copo em cima da pequena penteadeira e correndo para me abraçar, mas me soltando no mesmo instante em que gemi pelo contato, a dor quente, em brasas que sentia pelos vergões

— Desculpe- pediu, me guiando suavemente para que eu me sentasse da borda da cama e voltando para pegar o copo

— Aqui meu bem — falou estendendo o copo d'agua que tinha um canudo e uns três comprimidos — Vão ajudar com a dor — informou.

Até mesmo tomar aquela pouca quantidade de água havia sido doloroso, assim que ela havia entrado em contato com os cortes em minha boca ela tinha adquirido uma ardência quase insuportável

Bonnie tentou esconder virando o rosto, mas eu vi a lágrima sorrateira que escapou de seus olhos enquanto ela observava meu sofrimento.

— Vai ficar tudo bem B, agora descanse um pouco — sugeriu depois de ajeitar as cobertas ao meu redor e sair do quarto me desejando um :Boa noite "


Quando minhas lágrimas finalmente cessaram, eu já podia ver os pálidos traços do amanhecer pela pequena janela do quarto onde eu estava, eu me sinto exausta física, mental e emocionalmente, meus olhos estão secos e incomodam como se houvessem milhões de grãos de areia neles.

Minha cabeça e pulso estão latejando dolorosamente, fecho meus olhos para afogar minha dor mas não adianta de nada já que estremeço o pulsar excruciante dos meus músculos faciais. Eu estava com dor e estava sofrendo sem saber o que poderia ter acontecido a Alice e com minha mãe por terem me protegido.

Mas em compensação a sensação de liberdade que eu sentia era incomparável, eu não precisava mais me esconder.

Eu poderia mostrar ao mundo quem eu era.

Isabella Marie Swan tinha sido finalmente libertada.

Notas finais
Wow! Foi bem pesado escrever esse capítulo e peço perdão se ele foi muito forte para alguém, mas infelizmente é a realidade. Me digam o que acharam hum? Bjs até o próximo!♡☆