Notas iniciais
Primeiro!!!
A história já está marcada com o aviso de TRANSSEXUALIDADE!
ENTÃO NÃO SEJAM MIMIZENTOS!!!
A história era pra ser originalmente uma one, mas decidi dividir em dois capítulos.
Mas talvez role um terceiro.... veremos!
Espero que gostem

MAS SE FOREM COMENTAR BESTEIRA SAIAM LOGO DAQUI!!

É sempre difícil falar sobre algo assim, me abrir e contar minha história.

Eu nasci menino, fui chamado de Ethan, Ethan Monroe Swan.

Mas nunca me senti como Ethan, nunca gostei de jogar bola ou de bolinha de gudes, ou da maneira que era obrigado a me vestir e à agir.

Nunca gostei da imagem que o espelho refletia de mim, aquele garoto magricela não era realmente eu, não era quem eu queria ser!

Na infância sempre preferi os brinquedos e roupas de Alice, minha irmã gêmea, e isso na concepção da minha família rigorosa e religiosa era anormal e inaceitável, era motivo de discussões e surras.

Muitas surras!
De cinto, de fio, de bengala ou qualquer outra coisa que meu pai enxergasse na frente quando eu agia feito uma "aberração".
Lembro-me que sempre que apanhava a frase:

" Seja o menino que Deus te criou" era gritada inúmeras e inúmeras vezes, mas como eu saberia ser um menino se eu sabia que não era um?

Vivi com medo, anos e anos à fio, até que um incidente me libertou

De qualquer maneira, vamos lá!



Entediada seria pouco para Como eu estava ao ouvir o quarto testemunho de uma senhora que jurava que o Senhor havia salvo suas roseiras e há uma semana atrás ela jurava de pé junto que o rosto de Jesus tinha aparecido em sua torta caseira de limão.

Sinceramente até o vestido de Brianna Nortoon estava mais interessante do que o relato daquela mulher, era um modelo ombro a ombro cor de rosa bebê um pouco decotado para um culto, também era acinturado com uma faixa larga em cetim prateada, e descia em tule com renda.

Helga Cisnero, minha prima de terceiro grau provavelmente achou que eu estava olhando para sua amiga demais e a cutucou nada discretamente "apontando" com a cabeça inclinada em minha direção.

Assim que Brianna me viu, sorriu largamente pondo o mirrado e ao que me parecia oleoso cabelo loiro atrás da orelha enquanto piscava exageradamente.

Me sobressaltei ao sentir um tapa em minha coxa e encarei minha mãe que crispava o lábios intercalando olhares entre mim e Brianna.

— Isto não é hora de flertar Ethan! Preste atenção nas palavras do senhor! — minha mãe ralhou enquanto Alice dava risadinhas por sobre as mãos enluvadas

— Também gostei do vestido — Alice murmurou baixo o suficiente para que eu pudesse ouvi-la, trocamos sorrisos cúmplices antes de relancearmos rapidamente nossos olhares para Brianna e Helga que cochichavam animadamente dando risadinhas.

O sermão passou em piscar de olhos para algumas pessoas enquanto para mim aquilo pareceu se arrastar por horas.

Não que eu não tivesse fé, porque eu tinha e muita, mas o povo dessa cidade não sabia.

Egoístas e materialistas e principalmente preconceituosos e intolerantes.

Ainda me lembrava do pobre Travis Snow que tinha sido espancado e violentado apenas uma semana depois de ter se assumido gay e ninguém da cidade se opôs quando não houve investigação, o pobre Travis nem mesmo foi atendido pelo hospital da cidade.

Por aqueles que fizeram um juramento de salvar quantas vidas pudessem, resultado, Travis e toda sua família tinha se mudado de Forks.

Mas se acontecia alguma investigação para punir os seres abomináveis que fizeram aquilo com ele, era um mistério.

De qualquer maneira era isso o que de fato acontecia, falsos moralistas e pilares da comunidade se escondendo atrás de uma Bíblia debaixo do braço.

Desfazendo-se das palavras de um dos ensinamentos mais valiosos que Jesus nos deixou

Amar ao próximo!

E como se temer à meus pais não bastasse eu tinha que temer a idiotas homofóbicos soltos por aí.


Estávamos na escadaria, Alice e eu meus pais conversavam com o pastor concentrados.

— esse chapéu é ridículo.- comentei encarando depreciativamente o guarda — chuva que Alice usava na cabeça.

Sinceramente não conseguia entender por que minha mãe usava e obrigava Alice a usar aqueles chapéis enormes, chegavam a parecer sombreiros.

Alice bufou, acenando positivamente


— Ethan! — ouvi o grito estridente, me fez ter uma breve sensação de encolhimento quando vi Brianna correndo e acenando ao mesmo tempo enquanto corria

— Admiradora! — Alice zombou

— Oi! — exclamou parando bem a minha frente, um sorriso largo e os olhos cinzentos extremamente brilhantes.

Era uma garota muito bonita eu tinha que admitir, e eu sinceramente as vezes me sentia péssimo por não poder retribuir seus sentimentos.


— Eu vi você me olhando durando o sermão — contou divertida, exultante, como se contasse a maior descoberta do século.

— Sim, eu gostei do seu vestido — confirmei, ela franziu um pouco o cenho mas sem perder o sorriso.

Alice riu um pouco mas rapidamente disfarçou como uma tosse.

— Foi minha mãe que confeccionou.-

— E ela está de parabéns, é maravilhoso! — Alice me salvou de ter que responder isto.

— Hmm... Minha mãe, hã.... convidou você e a sua família é claro! Para um jantar na nossa casa — informou encabulada

— Sua mãe? -

— Bom... É foi — deu de ombros

Parecia que alguém estava tentando casar a filha mais nova

— E nós vamos!.- quase pulei de susto quando minha mãe falou quase no pé do meu ouvido.

Parada ao meu lado ela sorria, na verdade, ela mais exibia um sorriso de tubarão para a garota.

O que me levava a crer que alguém tinha adorado a idéia de casamento.

Pois era assim que essas coisas aconteciam em Forks, as garotas eram proibidas de namorar ou qualquer outra coisa, ou seja o movimento na casa da madame Bartoon era bastante assíduo.

A "casa" em questão era mais um prostibulo, onde até mesmo eu ia.

Não porque quisesse, já que eu era praticamente Obrigado a ir pelo meu pai, que era o verdadeiro cliente de carteirinha do lugar.

Eu tinha sido levado a primeira vez ao quinze Onde realmente perdi a virgindade com Bonnie Gamble, que hoje era minha melhor amiga e quem tinha me ajudado a entender o que havia de "errado" comigo.
Então quando algum garoto era chamado para "jantar" na casa de uma menina- mulher era sinal de que a família dela já estava caçando os melhores pretendentes
E quem diria que eu seria logo a primeira da lista?

— Há que horas? — minha mãe perguntou avaliativamente agora com uma expressão severa, para ela a resposta de agora valia quase o equivalente a um milhão de dólares

— Às 20:00 horas, Senhora -

Toda a severidade no rosto dela se dissipou e ela voltou a sorrir

— Nós estaremos lá! — confirmou

— Agora você deveria ir, não é muito adequado falar por um longo tempo com um rapaz sozinha — aconselhou

— Eu estou aqui mamãe! — Alice bufou rolando os olhos

— Como se você valesse de alguma coisa se seu irmão e esta adorável senhorita resolvessem se encontrar as escondidas -

Brianna corou tão forte que eu poderia facilmente dizer que aquele era o seu tom natural de pele, e apostava se eu mesma não estivesse umas dez vezes pior do que ela.
— Brianna Nortoon — meu pai murmurou pensativcamente

— A família Nortoon têm ótimas fazendas — comentou enquanto dirigia pelas ruas estreitas e molhadas

Charlie Swan, meu pai era uma figura baixa e achatada sempre com uma caranca no rosto, ex — chefe de polícia local e agora o prefeito da cidade.

Era o "pilar" da comunidade do INSUSPEITO povo de Forks, uma cidadezinha perdida no meio do nada, e parada no tempo.

Onde a Internet ainda era discada, e as televisões pareciam caixas imensas.


— Sim, e possuem uma ótima situação financeira, realmente ótima! — concordou minha mãe.

Renee Swan, a primeira dama mais fútil que você já conheceu na vida.

— Estive conversando com Morris Peters, e ele me contou que no últimos semestre as contas dos Nortoon aumentaram com mais de 25 mil dólares a cada mês — falou animada


Morris Peters era o "banqueiro" da cidade, isso se aquele minúsculo pudesse ser chamado realmente de banco.
O homem era um Fofoqueiro com F maiúsculo.

Divulgando saldos bancários assim?
Será que sabia que isso dava cadeia?
Acho que não!
— Eu não amo Brianna, então acho uma péssima idéia — respondi.

Minha mãe revirou os olhos enquanto meu pai caiu na gargalhada

— Não estamos falando sobre amor aqui Ethan, essas coisas não existem. — ela ralhou

— Existe sim! — Alice rebateu

— Cale-se Alice! — grunhiu

— Estamos falando sobre Boas condições para que você possa se manter — disse apelativa
— Sobre dinheiro você quer dizer? -ironizei

— Ethan! — meu pai ralhou me lançando um olhar enraivecido pelo espelho retrovisor
— Não é sobre isso, sobre nada disso! Os Nortoon são uma boa família Ethan, Brianna é uma boa menina! Ela seria uma ótima esposa para você! — argumentou irritada
— Eu tenho 16 anos, eu não amo Brianna e não quero me casar! — exclamei já irritado
— vocês podem ser apenas noivos, dois anos de noivado acho que são excelentes — sugestiu
Crispei os lábios olhando pela janela, a partir de agora eu iria ignora — los
— Ethan?! —
— Deixe — o em paz! Não já ouviu a resposta? — Alice grunhiu, tão ou mais irritada que eu.




— Bella! — arregalei meus olhos em alarme, quando Alice praticamente invadiu meu quarto cantarolando só ela tinha esse costume infame.

— Você está louca?! — meio que exclamei em um sussurro enquanto punha a cabeça para fora da porta e olhava para os lados no corredor.

Alice tinha sido a única pessoa da minha família com quem eu tinha sido capaz de desabafar e assumir a minha real condição, quando muito irritado eu parei de falar por várias semanas com Bonnie quando ela me falou que era o que eu tinha no momento em que lhe disse que sempre odiava a imagem que o espelho refletia de mim, de como eu me sentia preso à um corpo estranho.

E Alice foi com quem tinha conversado e pesquisado horas afins sobre o transtorno de identidade de gênero.

E quem havia me batizado de Isabella ou Bella, em homenagem a sua boneca preferida.

— O que você está lendo? — eu a ouvi perguntar antes de fechar a porta

— Crepúsculo?! — sussurrou maravilhada encarando a capa do livro

— Onde você consegue essas coisas? -

— Segredos de estado Mary Alice- respondi divertido

— Olha só o que trouxe pra você! — exclamou quicando na cama me estendendo uma caixinha cor de rosa

— O que é? -

—Abra! — cantarolou, abri a caixa receosa afinal, estávamos falando de Alice

Encarei surpreso as inúmeras maquiagens que a pequena caixa comportava, entre lápis, batons e sombras.

— Nós vamos mesmo fazer isso?- indaguei adivinhando suas intenções

— Ah se vamos! — exclamou animada nos puxando em direção ao banheiro



Me encarei no espelho mais uma vez, detestando aquela imagem.

Os cabelos curtos, que eu nunca conseguia deixa-los crescer mais do que até a altura das minhas orelhas porque logo meu pai implicava e minha mãe rapidamente implicava para que eu o cortasse.

E meu corpo pequeno e desengonçado, vestido naquele terno barato, grunhi com raiva saindo da frente dele e me agachando para amarrar os sapatos.


— Ethan! — minha mãe gritou em algum ponto da casa, meus olhos voaram rapidamente para o relógio.

Exatamente seis horas em ponto e como de costume era a hora das orações, escondi rapidamente meu livro de Crepúsculo debaixo da cama antes que ela pudesse invadir meu quarto e levantei saindo do quarto.

Todos já estavam na sala de estar, a velha televisão coberta.
Sentados em um semicírculo em frente a enorme cruz de madeira, minha mãe usava um de seus vestidos exageradamente floridos de sempre e meu pai mais um de seus smokings bufantes acho que além de mim apenas Alice se salvava com seu vestido azul rodado e o pequeno cardigã da mesma cor.

Me sentei na última cadeira e então demos a mão, para que pudessemos orar pelas próximas duas horas.


O jantar na casa dos Nortoons foi super constrangedor, minha mãe tentava a todo tempo empurrar a pobre e iludida Brianna para cima de mim enquanto meu pai só falava sobre finanças e política.
Alice tinha até tentado me ajudar um pouco mais sua tentativa foi frustrada quando o irmão mais velho de Brianna havia chegado de "surpresa" e tomado todo o seu tempo falando sobre suas qualidades.

Agora eu estava aqui, em meu quarto, usando uma peruca que Alice havia me dado de presente em nosso aniversário, ela havia economizado por quase seis meses para poder compra-la para mim.

E passava cuidadosamente um gloss de morango nos lábios.

Ouvi a porta abrir, mas não dei importância pois só Alice entrava em meu quarto sem bater.
Quando finalmente fiquei satisfeita com meus brilhantes lábios sorri para meu reflexo e me virei em direção da porta.

Meu sorriso esmaeceu imediatamente, a pequena embalagem caindo de minhas mãos.
Quando meu sussurro rasgou para minha garganta ao mesmo tempo em que um bolo a fechava

— Pai -

Notas finais
Então?!.....
Não sou uma super escritora mas o que acharam?
Do Ethan/Bella?
Mais por favor hein gente!? PENSEM bem antes de comentar qualquer besteira!