Por você

13 True Love


Notas iniciais
Finalmente saiu! Acabei de terminar e vou postar sem as milhares de revisões que costumo fazer, porque preciso mesmo dividir com vocês. Mas já aviso que certamente mudarei algumas coisas depois, eu não consigo me conter. Para entender de forma plena este capítulo, é preciso ter visto toda a quarta temporada. A que ainda não viu, peço desculpas. Mas acredito que ainda assim vale ler. ;-)

Snow abriu a porta com o rosto amassado e olhos assustados.

– O que... – Antes que pudesse terminar a frase, Regina a puxou para o corredor. Não queria acordar os meninos.

– A adaga! Onde está a adaga?

– Debaixo da nossa cama, dentro de uma caixa lacrada – David respondeu, juntando-se a elas – O que aconteceu? Onde está Emma? – Perguntou preocupado.

– Debaixo da cama? Não tinha um lugar menos óbvio, um pote de biscoito, quem sabe? – Regina respondeu, mãos gesticulando na proporção do seu nervosismo.

– Regina, diz logo o que houve! – David retrucou, esforçando-se para não se deixar contaminar pela irritação da mulher.

– Emma foi invocada! Alguém furtou esta maldita adaga, David!

David a olhou incrédulo, precipitou-se em direção ao quarto seguido pelas mulheres. Ajoelhou-se, encontrou a caixa ainda trancada, abriu-a com uma pitada de esperança. Nada. Estava vazia.

– Mas isto é impossível! Estivemos aqui o tempo todo, até pedimos a Henry que ficasse com Neil para que não tivéssemos nenhuma distração!

– Vocês dormiram?

– Sim, mas eu estava alerta, Regina, iria perceber caso alguém entrasse no quarto. Terá sido magia?

Regina examinou a caixa, não havia sinais de arrombamento na tranca.

– É possível – Franziu o cenho – Mas não imagino ninguém capaz de fazer isso que ainda tenha magia. A não ser que...

– Que...? Regina! – Snow chamou ansiosa, mas Regina já havia saído em disparada. O casal a seguiu, todos entraram na camionete de David.

– Para onde vamos? – David quis saber.

– Para a loja de Rumple. Ele pode ter usado um dos objetos mágicos para se apropriar da adaga. Temo que a vida ordinária não tenha sido suficiente para ele.

Belle demorou a atender às batidas insistentes na porta. Sonolenta, olhou para todos com surpresa.

– Queremos falar com Rumple, é uma emergência – Regina esclareceu sem cerimônia.

– Ele não está, precisou sair para resolver algumas pendências.

– De madrugada?

– Ele saiu no início da noite, disse que era importante e que não poderia esperar.

– Eu aposto que sim – Regina retrucou com raiva. Belle a encarou com uma sobrancelha arqueada.

– O que aconteceu? Posso fazer algo por vocês? Querem deixar recado?

– Não é preciso, provavelmente o encontraremos antes de você – Regina arrematou, já retornando ao carro.

– Obrigada, Belle, e desculpe a hora – Snow disse com um sorriso amarelo, correndo em seguida para alcançar David e Regina.

– E agora? – David disse mais para si mesmo, pensava em voz alta.

– O pirata, vocês sabem onde ele está? – Regina perguntou. Ambos menearam a cabeça em sinal negativo – Emma lhe deu um celular, não deu? Vamos ligar.

David discou o número do telefone de Hook. Comprimiu os lábios, frustrado.

– Desligado. Vamos até a pousada.

As batidas na porta do quarto do pirata não obtiveram resposta. Sem hesitar, Regina rompeu a fechadura com magia. Não encontraram nada além de garrafas vazias e restos de comida pelos cantos. Foram até o Jolly Roger, não tiveram melhor sorte. David levou as mãos à cabeça, aflito.

– Mas o que está acontecendo, afinal?

Regina inspirou profundamente, mãos na cintura, olhos fechados. Precisava manter o controle. Pense, Regina, pense! Tinha que haver algum outro modo de localizar Emma. Desde que ela foi invocada, Regina tentava se conectar à loira, estabelecer algum tipo de comunicação, mas se sentia repelida. Algo lhe dizia que Emma não queria ser encontrada.

– E se você usar um feitiço localizador? – Snow sugeriu, estendendo-lhe o pingente que carregava com uma foto de Emma e Neil. Regina fez menção de pegar a joia, mas sua visão ficou repentinamente turva, seus pés perderam o chão, sentiu as mãos de David e Snow a sustentá-la.

Emma. Regina a viu ajoelhada em uma sala, sentada sobre os próprios calcanhares, olhos fixos no chão, dentes cerrados e mãos crispadas. Parecia em transe, concentrada no movimento pendular do próprio corpo. De repente, ela levantou a cabeça em direção a Regina, seus olhos estampavam um pedido desesperado.

Não venha.

Regina despertou do desmaio, coração disparado. Ela conhecia aquele lugar. Era uma armadilha.

– Regina – David sustentava seu braço, apreensivo – Você está bem? O que houve?

– Emma – Regina disse, recompondo-se – Eu sei onde ela está – Levantou-se.

– Como descobriu? – Snow indagou, impressionada. Regina se voltou para ela, sustentou seu olhar por alguns segundos. Tinha que tomar uma decisão.

– Eu a vi – Respondeu por fim – Preciso ir agora. Tomem – Entregou-lhes um endereço em um pedaço de papel que fez aparecer com magia – me encontrem lá.

– Regina, precisamos ser cautelosos, não sabemos com quem estamos lidando – David disse, expressão séria. Consultou a anotação – Vamos demorar para chegar. É muito perigoso, você não pode ir sozinha. Emma jamais permitiria.

– Não temos tempo – Regina respondeu apressada. Poderia levá-los consigo, mas o alerta de Emma foi claro, a morena não poderia sujeitar mais ninguém ao risco que estava assumindo, muito menos os Charming – Ela está em perigo, David, eu... eu não posso perdê-la – Concluiu com franqueza. Não havia mais espaço para dissimulações.

Snow e David se comunicaram em silêncio. David hesitou, mas acabou cedendo. Sorriu pequeno, apoiou uma mão sobre o ombro de Regina, meneou a cabeça em sinal de compreensão e confiança, lábios apertados.

– Aguente firme, nós estamos a caminho.

– Regina – Snow se aproximou, olhar emocionado – Saiba que nós somos muito gratos por você fazer parte da nossa família – Finalizou, abraçando a Rainha.

Regina engoliu o choro, a sensação de acolhimento sempre a desarmava. Ainda não havia se acostumado.

– Eu também – Respondeu com voz embargada, retribuindo o abraço – Agora eu preciso ir – Apertou as mãos de Snow, acenou para David e desapareceu no meio de uma fumaça lilás.

Regina reapareceu em uma sala branca, mobília modesta. Lembrava bem daquele lugar. Viu Emma no outro extremo, ainda sentada sobre os calcanhares, braços estendidos ao lado do corpo. Respirava pesado, parecia fatigada. Olhou para Regina com semblante alarmado, agitou-se, fez menção de dizer algo. Regina sentiu seu coração apertar, percebeu que a loira estava presa naquela posição, mais uma vez tomada pela agonia.

Regina teve ímpeto de correr ao encontro dela, mas uma cabeleira ruiva mais à esquerda chamou sua atenção.

– Surpresa, sis! – Zelena disse em tom teatral, sorriso largo e braços abertos de forma perpendicular ao corpo – Que bom que você aceitou o convite para se juntar à nossa pequena confraternização familiar!

– Zelena – Regina respondeu, sorriso de canto de boca – Só conhece esta casa em Storybrooke, meu bem?

– É aqui que eu costumo acomodar os meus Senhores das Trevas – Zelena retrucou com uma piscadela, queixo apontando em direção a Emma. Regina procurou pela adaga, mas não estava nas mãos da irmã.

– Você furtou a adaga, devo presumir que recuperou sua magia – Regina precisava ganhar tempo.

Zelena fez ar de lamento.

– Ah, sis, ainda não, mas estou trabalhando nisso. Por enquanto vou me virando com a magia da Dark Salvadora – Riu, achando graça – Para furtar a adaga, contei com a ajuda de um especialista – Completou com ar triunfal, dando um passo para a direita. A adaga surgiu de trás de uma parede, sustentada por um braço ornado com uma tatuagem de leão.

Robin.

Cabisbaixo, Robin caminhou lentamente até parar ao lado de Zelena, testa franzida, olhar opaco. Parecia ausente. Eu deveria imaginar, Regina se recriminou.

– O que você fez com ele? — Regina perguntou entredentes – Pra que tudo isso, Zelena? – Aumentou o tom de voz – O seu negócio é comigo, não é? Eu não sou suficiente para você? – Quase gritava agora, subitamente alvejada pela constatação de que ela, de alguma forma, continuava trazendo sofrimento às pessoas que faziam parte da sua vida.

Zelena riu, regogizava-se com o flagelo da irmã.

– Nem tudo gira ao redor do seu umbigo, sis. Este homem sempre me pertenceu — Ela sorriu, retirando um coração vermelho pulsante do bolso do casaco.

Confusa, Regina tentou adivinhar em que momento Zelena teria arrancado o coração de Robin, já que estava sem magia há bastante tempo.

– O que você quer dizer com sempre? – Perguntou, sobressaltada com a entonação da ruiva.

– Eu e o nosso ladrão comunitário nos conhecemos muitos anos antes de você sonhar em encontrá-lo, sis. Furtou o meu colar uma vez, olha que menino mau. Ele não te contou? – Fingiu surpresa, observando o assombro que começava a tomar o semblante da irmã – Vocês se conheceram na Floresta Encantada, você salvou Roland dos macacos voadores que ele já havia enfrentando antes, ele não te contou? E quando ele disparou uma flecha contra você na primeira vez em que vocês se encontraram em Storybrooke, em frente a esta mesma casa, dizendo que a havia confundido comigo a dez metros de distância, olha só que distraído, ele não revelou que já me conhecia? Se ele nunca havia me visto, como ele estava me procurando, e justo aqui? Você não percebeu nada estranho, sis? Nem mesmo quando ele se insinuou imediatamente para você, mesmo sabendo que você havia matado Mariah, espalmou seu copo como um débil mental só para garantir que você visse aquela bendita tatuagem que fez seus olhinhos brilharem, coraçãozinho palpitar? Ele me viu em Storybrooke, sabia quem eu era, sabia que eu havia me aproximado de Snow White, e não lhe contou? Não contou para ninguém? Por que será, sis? Hum?

Regina sentiu o estômago se torcer, a boca secou. Não, não era possível. "Eu sou um homem de código, ela ainda é minha esposa". "Eu vejo o modo como ele olha para você, não quero atrapalhar a felicidade de Robin, estou fora". "Eu escolho você". "Não há outro jeito, vocês precisam ir embora". "Ela está grávida". Regina fechou os olhos, o passado voltando a sua mente como um filme. A nova história do autor, a inversão das sortes, todos os herois infelizes, exceto Robin. O sonho com a Evil Queen, bola de fogo nas mãos. "Se afaste de MIM!". Regina finalmente compreendeu. A Rainha estava se referindo a Robin.

– Sim, irmã, eu estava por perto. O tempo todo – Zelena sorriu vitoriosa – Acompanhando de camarote toda a sua patética esperança, sua ingenuidade, sua fraqueza, administrando sua tortura em doses homeopáticas.

Os olhos de Regina ardiam, sentia-se nauseada. Robin continuava parado ao lado de Zelena, expressão etérea, adaga na mão esquerda.

– Ele nunca esteve com o coração? Foi tudo manipulado? – Regina indagou perplexa, custava a acreditar.

De onde estava, Emma crispava cada vez mais o corpo, punhos fechados. Buscava Regina com os olhos, mas a visão da morena estava embaçada.

– Sim, o coração do ladrão sempre me pertenceu – Ela deslizou a ponta do indicador pelo queixo dele, que permanecia alheio – Mas ele teve sua própria vida, não sou do tipo grudenta. É claro que precisei brincar um pouquinho com a realidade, sabe como é, os homens não gostam de saber que estão cativos. Mas é muito fácil fazê-lo feliz, como você bem sabe – Provocou Regina com uma piscadela.

Antes mesmo que Zelena terminasse de falar, Regina lançou um feixe de magia em direção a adaga, mas a energia ricocheteou em uma barreira invisível próxima a eles e voltou de encontro a morena com redobrada força, projetando seu corpo sobre uma mesa de vidro. Caiu com estardalhaço no chão, cacos de vidro se espalharam por todos os lados.

Emma grunhiu, rosto afogueado.

– Você acha que eu seria assim tão estúpida? Sabe, darling, estou decepcionada, você é bem previsível – Zelena riu. Pegou a adaga da mão de Robin, virou-se para Emma – Vamos, minha linda, explique a tola da minha irmã por que ela nunca terá a adaga.. Pode falar, está liberada.

Emma encarou Zelena com olhos sombrios.

– Vá para o inferno.

– Eu mandei você falar! – Zelena repetiu, bradando a adaga.

Emma soluçou, contraiu o corpo, tentava resistir. Em vão.

– A proteção é indestrutível – Disse por fim, voz entrecortada, olhos no chão.

Regina se levantou com cautela, um fio de sangue descia por sua testa, contornando a sobrancelha e seguindo caminho em direção ao queixo. Suas mãos estavam tomadas por pequenos cortes, mas a adrenalina camuflava a dor. Seu cérebro trabalhava rápido, buscava uma forma de sair daquela situação.

– Paralise-a – Zelena ordenou.

Emma apertou os olhos com força, seu corpo sofreu um espasmo. Em milésimos de segundos Regina estava suspensa, totalmente paralisada, mal conseguia respirar. O gosto de sangue invadiu sua boca.

Emma permaneceu de joelhos, corpo encharcado de suor, pupilas dilatadas. Zelena estava deliciada com a cena, seu rosto expressava alegria quase infantil.

– Sabe, Regina, eu sempre achei que afastar o ladrão fosse suficiente para garantir a sua infelicidade eterna, mas não foi preciso muito tempo para perceber que eu estava errada, que na realidade te fazia um favor. Porque no fundo, bem lá no fundo, não é ele que você quer, não é mesmo? – Aproximou-se de Emma, levantou seu queixo com a mão, encarou os olhos verdes flamejantes – Devo admitir que seu gosto para mulheres é bem melhor do que para homens, sis – Riu divertida. Tocou os lábios da loira com a ponta dos dedos, desceu os olhos até o decote da blusa – Até pensei em ficar com a Salvadora, ela tem jeito de quem pega bem. Mas desconfio que ela iria passar o resto da eternidade tentando me matar, acho que seria muito tenso – Gargalhou.

– Chega dessa palhaçada, Zelena – Regina cortou – Onde você pretende chegar?

– Pretendo não, já cheguei! – Zelena avançou em direção a Regina, parando a poucos centímetros da irmã – Hoje, querida irmã, hoje será a apoteose da minha existência. Hoje eu terei tudo o que eu sempre quis, tudo o que sempre me foi negado. Vingança e glória – Seu rosto se contorceu em um sorriso doentio, aproximou-se ainda mais de Regina, olhar desvairado – Hoje eu me tornarei a nova Dark One, mas primeiro terei o prazer de ver você morrer. E saiba que a sua preciosa Salvadora e o seu filhinho também não ficarão para contar esta história.

Regina fitou os olhos intensos da irmã, buscava por algum traço de humanidade, por algo a que pudesse apelar. Mas tudo o que viu foi desatino, ódio e escuridão.

– Por que, Zelena, por que?

– Porque você foi a escolhida, a única que ela amou. E esse amor será o seu calvário – Zelena sentenciou, os olhos azuis cintilando.

Regina comprimiu os lábios, triste, cabeça balançando em negação.

– Isso não faz o menor sentido. Nem mesmo para uma louca como você – As lágrimas agora desciam livres pelo rosto da morena.

– Pois essa louca aqui é melhor do que você, é melhor do que mamãe, essa louca venceu! – Zelena gritou, olhos vibrantes a poucos centímetros das pupilas castanhas da irmã. Buscava o reconhecimento do seu triunfo, mas tudo o que viu foi pesar e piedade.

– Eu lamento por você, Zelena. Lamento porque você nunca conheceu o amor – Regina falou, sincera, olhos repletos de compaixão.

Zelena bufou, raivosa, não permitiria que a irmã tripudiasse mais dela. A história da Rainha acabaria ali. Foi em direção a Emma a passos pesados.

– Levanta, Salvadora, chegou a hora! Vamos!

Emma levantou devagar, encarou a ruiva com os dentes trincados. Zelena ergueu a adaga na altura dos seus olhos.

– Dark One, eu ordeno que você a mate – Aproximou seu rosto – Esmague o coração da Rainha – Rosnou.

Os olhos de Emma se arregalaram, sua respiração parou. Olhou horrorizada para os próprios braços, punhos cerrados. Faíscas elétricas começavam a pipocar nervosamente por todo o seu corpo. Virou-se em direção a Regina, seus olhos se cruzaram com os da Rainha. A loira estava desesperada.

Não! Regina não permitiria que isto acontecesse. Respirou profundamente, fechou os olhos por um instante, buscou as batidas do próprio coração, o coração que pertence a Salvadora, e que sacrificaria por ela, porque ela era o amor da sua vida. Sentiu a magia fluir de dentro de si, avolumar-se, ganhar a superfície e... se perder. Regina abriu os olhos, assustada. Não foi possível ultrapassar a barreira da magia da Salvadora, seu poder era a soma da luz e da escuridão, conflitantes, mas intensos demais para serem extrapolados. Buscou os olhos verdes da sua heroina, ela tinha muito para lhe dizer.

Emma parou a poucos centímetros da morena, lágrimas quentes escorriam pelo seu rosto transtornado pelo esforço. Mergulhou nos olhos castanhos, as consciências se misturaram, e Regina foi invadida por todo o amor, medo e dor que emanavam da alma aflita da Salvadora. Ela entendeu. Era inevitável.

Sinto muito, minha Rainha.

Regina chorou, tocada pela doçura daquela voz. Morreria sabendo a verdade.

Eu te amo.

Emma deu um sorriso triste, abriu a mão direita com esforço e, em um gesto rápido e preciso, transpassou o próprio peito, arrancando seu coração rubro e esmagando-o com espantável rapidez. Caiu sem vida aos pés de Regina.

– Não!

Assim que o corpo de Emma tocou o chão, uma onda de energia explodiu, destruindo móveis, derrubando paredes e arremessando tudo ao alcance. Parte do teto desabou sobre Zelena e Robin, que desapareceram debaixo dos escombros.

Um fluxo de magia densa e negra se evadiu rapidamente do corpo da Salvadora, desaparecendo por uma abertura na parede.

Atordoada, Regina se levantou, tentou limpar a poeira dos olhos, enquadrou o ambiente com urgência. Localizou o corpo de Emma a poucos metros. Seu coração parou por um instante.

– Não, não, não, não!

Colheu o corpo da loira entre os braços, apertou-a de encontro ao peito convulsionado pelo choro, escondeu o rosto no alto da cabeça loira.

– Não, Emma, não, por favor! Por favor, volta. Eu não posso te perder, não posso, eu não vou suportar!

Emma jazia inerte em seus braços, olhos fechados, rosto pálido, alheia ao apelo da morena. Sua guerreira tinha partido. Aquilo era demais para Regina.

Eu não vou te perder. Subitamente alerta e determinada, Regina se recompôs, apoiou as costas de Emma em um sofá tombado atrás dela. Limpou as mãos nas roupas, secou as lágrimas do rosto, ajeitou o cabelo atrás das orelhas, fechou os olhos, respirou fundo e mergulhou a mão no próprio peito, retirando seu coração, onde agora predominava o vermelho vivo e pulsante.

Concentrada, a Rainha girou as mãos em sentidos contrários, dividindo o órgão em duas partes. Sentiu uma pressão no peito, o ar lhe fugiu por um momento. Devolveu uma metade ao lugar de origem e se pôs a fitar o rosto da mulher a sua frente, agora sereno, parecia dormir.

"Porque eu tenho fé", lhe dissera Snow White. Regina sorriu.

Com cuidado, Regina introduziu a mão no peito de Emma, ajeitando a metade do coração no lugar apropriado. Encarou a loira em expectativa, respiração suspensa. Um segundo, dois segundos. Três.

A Salvadora despertou sobressaltada, seu corpo sofreu um espasmo, buscou o ar com urgência. Encarou Regina com os olhos verdes arregalados.

– Mas o que...

Regina riu alto, chorava tanto que mal conseguia ver a loira confusa à sua frente. Agarrou a gola da camisa de Emma com as duas mãos, puxou-a de encontro a si e colou sua boca à dela com tanta ânsia que quase doeu.

E então o mundo sumiu. Não havia som, não havia tempo, não havia espaço. Só havia o gosto salgado dos lábios macios da Salvadora, finalmente ao alcance dos seus. Só havia aquele calor fluido e anestesiante que corria do contato íntimo, daquele beijo mágico há muito esperado. Só havia Regina e a sua heroina, sua guerreira, sua princesa. Emma e Regina. Apenas elas.

Depois de um tempo inestimável, Regina interrompeu a imersão, afastou-se por alguns centímetros. Emma seguiu o movimento da cabeça da morena em busca dos lábios fugidios. Regina, mãos ainda firmes na gola, conteve a loira, buscou seus olhos. Emma a encarou, riu baixinho, baixou os olhos, voltou a erguê-los, sorriso largo, doce, tímida, feliz, e mesmo naquele momento parecia não saber o que fazer com as mãos.

Regina não entendia como ela poderia ser tão linda. A morena ria como uma boba. Aquilo estava realmente acontecendo.

– Da próxima vez que precisar me salvar, Miss Swan, por favor, tente métodos menos radicais – Regina finalmente disse com a voz rouca, orbes castanhas brilhando, nariz colado ao da loira. Emma revirou os olhos. Regina voltou a beijá-la, agora de forma mais suave – Eu também te amo, Emma Swan.

Notas finais
É isso aí, gente. Espero que tenham gostado, me dediquei especialmente a este capítulo, custei a achar o caminho. Ficou meio açucarado, né, mas esta fic nunca foi indicada para diabéticos...rs. 8-) Tenho uma notícia boa e uma ruim. A ruim é que a fic está terminando. É, pois é (se é que alguém lamentou...rs). A boa é que haverá mais um capítulo, super fofo e feliz, onde os pontos serão ligados, tipo final de novela das 8. Bom, neste caso, das 11. Prometo tentar atender todos os pedidos. ;-) Quanto a este capítulo: - Para quem não sabe, a tática de "ressuscitamento do amor verdadeiro" utilizada é um paralelo com a cena em que Regina divide o coração de Snow White para colocar metade em David, que havia se sacrificado para evitar a maldição de Zelena (episódio 3x19 - A Curious Thing). Portanto, se alguém aí achou bizarro, reclamem com A&E… rs. - Observem que todas as incoerências relatadas quanto ao comportamento de Robin em relação a Zelena são reais. Há uma teoria no fandom de que ele e Zelena estão mancomunados. Mas sinceramente, Robin é tão… Robin, que não consegui vê-lo na pele de um vilão. Então dei uma adaptada. Peço desculpas a quem gosta do personagem, mas para mim ele é inexpressivo. Até mais. 8-*