Por você

4 O Portal


Notas iniciais
Nossa, me animei com isso aqui! Rs. Para comemorar, escrevi mais um, espero que gostem. Eu me diverti. Bastante. 8-)

A extrema debilidade de Rumple impressionou Regina. Parecia envelhecido, quebradiço, cansado, uma sombra do homem temido que foi durante séculos. Regina o observou atentamente, queria saber quem ele era agora. Belle estava sentada ao lado dele, segurava sua mão com uma expressão terna nos olhos. Regina sentiu inveja. Como, depois de tudo, Rumple conseguiu ser amado dessa forma?

Snow, David e Hook, todos igualmente perplexos, observavam a cena em silêncio. Robin não era visto há dias, tinha ficado com a incumbência de lidar com Zelena, agora um “problema” mais dele do que de qualquer outra pessoa. Afinal, era o filho dele que ela gestava. Surpresa, Regina se percebeu aliviada com este pensamento. É questão de sobrevivência, ela ponderou, preocupada com a própria reação, tenho outras prioridades neste momento. Regina suspirou profundamente. Tinha que se controlar, controlar sua ansiedade, sua... vontade, ela não saberia exatamente com quem estaria lidando, não poderia arriscar pôr tudo a perder. Tinha que colocar a cabeça no lugar. Agoniada, Regina se adiantou.

– Sua cútis perdeu um pouco o viço, bruxo — Disse enquanto abria caminho para ficar próxima a cama. Belle a olhou feio.

– Regina, por favor, ele acabou de acordar, tenha um pouco mais de respeito.

– Ah, sim, desculpe. Ex-bruxo, eu quis dizer – Completou, irônica, aproximando seu rosto ao do homem enfermo – Mas sinceramente, eu não dou a mínima para o seu estado deplorável, Rumple, não é nada que você não mereça. Só quero saber uma coisa e quero saber agora: onde Emma está?

Rumple a olhou com uma expressão confusa, parecia mesmo perdido. Será que ele esqueceu o passado?

– Logo após salvar o seu rabo, ela foi tomada pela magia da adaga e desapareceu em uma espécie de vórtice do mal. Tudo o que restou foi isso – Regina mostrou a face da adaga que continha o nome de Emma.

Rumple encarou o objeto com um brilho no olhar. Para surpresa de todos, silenciosas lágrimas se precipitaram de seus olhos, que ele voltou a fechar com força. Belle colocou a mão em sua testa, preocupada com a reação.

– Ele ainda não está bem, acho melhor vocês voltarem mais tarde – Disse, encarando Regina.

– Sinto muito, Belle, mas essa possibilidade não exite, Emma está desaparecida há uma semana, esgotamos nossos recursos para localizá-la, ele é nossa última opção. Não vou esperar nem mais um segundo. Se ele não tiver forças para falar, posso dar uma ajudinha – Regina rosnou com a voz grave, passando a ponta dos dedos levemente sobre o peito de Rumple.

– Ameaças não irão ajudar, Regina. – Belle retrucou, disposta a enfrentar a Prefeita. – Quero que vocês saiam daqui agora mesmo!

– Não há necessidade, Belle, obrigada – Todos se assustaram ao ouvir a voz fraca de Rumple – Estou apenas... surpreso por ver outro nome inscrito na adaga. Nenhum Dark One presenciou um momento como este antes. Todos tiveram que pagar com a vida para se livrar desta maldição.

– É, mas você é mais esperto que todos, não é mesmo, Crocodilo? Arrumou um jeito de passar o fardo para outra pessoa e ainda se sair bem. Mesmo que para isso tivesse que usar a mãe do seu neto – Hook invadiu o espaço ocupado por Regina ao lado da cama, tentando assumir o domínio da situação – Mais uma vez você tomou a minha mulher, seu miserável!

– Sua mulher? Se eu bem me lembro, pirata, é você quem vive tentando tomar as mulheres alheias. Com Emma não é diferente – Rumple respondeu com a mesma sagacidade de sempre, trazendo um sorriso de satisfação aos lábios vermelhos de Regina.

– Neal não era bom o suficiente para Emma, Crocodilo, assim como você não era para Milah – Hook respondeu com um ar presunçoso.

– Eu não estava falando de Neal e você sabe muito bem disso – Rumple pontuou calmamente, apagando o sorriso do rosto de Hook – Mas eu não tenho tempo e nem energia para perder com sua cegueira autocêntrica, pirata. Contem-me o que houve – Completou, dirigindo-se a Snow e David.

– Você estava morrendo e o Aprendiz retirou a magia negra do seu coração com o chapéu mágico – David se apressou em dizer, aliviado pela quebra do clima – Mas a energia tomou o corpo do Aprendiz e Emma o defendeu. Então a magia fugiu para a rua e acabou... atacando Regina. Sem ver outra saída, Emma usou a adaga para absorver a energia. Ela se foi, sugada por um vórtice. Foi a última vez que a vimos, há 7 sete dias.

Rumple pareceu genuinamente impressionado com a história. Fitou David por alguns segundos.

– Vocês já tentaram invocá-la? – Quis saber.

– Não – Regina respondeu.

– Sim – Snow disse, dirigindo um olhar de pesar a Regina – Desculpe, Regina, mas tentamos ontem. Não aguentávamos mais a espera – Baixou os olhos com tristeza. Atrás dela, Hook esboçou um leve sorriso – Não funcionou. Ela não está neste mundo.

– Muito bem, Snow White. De fato, ela não está neste mundo – Rumple respondeu, pensativo. Todos o observavam – Mas eu sei uma forma que talvez possa nos ajudar a localizá-la – Completou.

– Do que você está falando? – Regina perguntou, desconfiada.

– Um portal, Regina. Um portal que permite a busca de almas perdidas, encarnadas ou não. Se é que você me entende – Ele lhe dirigiu um estranho sorriso de quase simpatia.

– E onde está este portal, Crocodilo? – O pirata não se continha.

– Na minha loja, obviamente. Eu adoraria mostrar a vocês, mas manipular o portal exige muito energia e estou debilitado. Talvez em dois ou três dias...

Regina deixou escapar uma risada, estava se divertindo com aquele Rumple. Diferente, mas sem perder a essência. Não tinha virado uma santidade, mas pelo menos não havia voltado a ser o covarde que todos diziam que ele era. Ela sem dúvida tinha suas contas para acertar com aquele canalha, mas, estranhamente, tinha se afeiçoado a ele. Aproximou-se mais da cama e se inclinou para encarar seus olhos.

– Eu vou lhe dar o que você quer, Rumple, mas saiba que se você me trair, se você nos trair novamente, eu te mato. De uma vez por todas.

Rumple sorriu.

– Não poderia esperar nada diferente de você, dearie.

Regina sustentou o olhar por mais alguns instantes, endireitou-se e postou suas mãos sobre a cabeça de Rumple, descendo vagarosamente enquanto um feixe de luz se projetava sobre o corpo do homem, regenerando as células no caminho. Rumple sentiu a ardência e o alívio que a cura mágica proporcionava. Adorou. Esta família é perfeita, pensou animado.

Enquanto todos caminhavam em direção a loja de Rumple, Snow se aproximou de Regina.

– Você está zangada porque invocamos Emma sem te consultar?

– Essa não é exatamente a melhor hora para discutir isso, Snow – Regina estava impaciente – De todo modo, a decisão nunca foi minha, apenas dei minha opinião. A adaga não estava lacrada com o sangue de vocês à toa.

– Nós realmente tentamos evitar, mas Hook nos convenceu.

– Aposto que sim.

– Me desculpe, Regina, todos nós queremos a mesma coisa.

– Certamente.

– Olha, eu... – Snow escolhia as palavras com cautela – Eu sei que o momento é tenso, mas eu acho que você deve tentar conter um pouco mais seus antigos hábitos. Ameaçar pessoas remete a quem você era e não a quem você é. Lembre-se, você trabalhou muito para chegar até aqui – Ela completou com seu melhor sorriso doce.

Regina custou a acreditar no que ouviu. Tudo o que não precisava neste momento era ser lembrada da cena do sacrifício. Realmente não era um bom dia para conversar com Snow. Regina se virou para ela.

– Na realidade, eu sou várias pessoas. Há diversas Reginas dentro de mim e eu lido com elas da melhor forma possível. Tento manter um certo equilíbrio, mas vez ou outra uma se sobressai. Quando é preciso, quase sempre na medida certa. Não se preocupe, está tudo sob controle. E lembre-se, Snow, todos nós queremos a mesma coisa – Finalizou, dando um tapinha amistoso no ombro dela e apressando a passada. O fato de Regina amar Snow não tornava suas manias menos irritantes.

Já na loja, todos faziam um semicírculo em volta de Rumple, charmosamente vestido com uma calça de veludo marrom e um pulôver azul claro. Agora ele transbordava vitalidade, mas mantinha a expressão grave. Mostrava uma caixa de madeira circular marrom, com um olho escuro de pedra preciosa encravado no meio.

– Esta caixa abre um portal que leva a um mundo de transição, cheio de dor e medo. Nesta zona, agonizam almas em expiação, condenadas e atormentadas. Existe uma lenda de que o primeiro Dark One nasceu neste lugar e de que para lá voltaria um dia. Talvez, e isto é apenas uma possibilidade, talvez a ausência da morte como rito de passagem tenha impulsionado o retorno da magia negra para este local. Mas, é claro, só há um jeito de descobrir – Continuou, olhando para a caixa.

O ambiente ficou pesado. Mais uma uma vez, Regina tomou a iniciativa.

– Podemos fazer isso, podemos entrar? Então vamos resgatá-la!

– Na realidade, não é tão fácil assim, Regina. É extremamente raro encontrar uma alma neste lugar. Somente uma pessoa pode entrar, e deverá ser a pessoa certa, pois há apenas uma no mundo para cada um de nós. Se não houver alma compatível, a porta se fecha imediatamente, é um caminho sem volta.

– E como é este lugar? Como fazer para encontrá-la? – Perguntou Hook com o cenho franzido.

– Lamento não poder responder sua pergunta, meu velho amigo, não se tem notícias de que alguém tenha voltado para contar – Rumple lhe dirigiu um olhar desafiador – Mas tenho certeza de que este detalhe não irá impedir o destemido pirata aqui de resgatar o seu amor verdadeiro e selar seu heroísmo, não é mesmo?

Hook bufou com a gracinha.

– Pode ter certeza disso, Crocodilo. Não sou um covarde como você, que vivia escondido atrás da magia. Abra este portal, buscarei Emma onde for preciso!

Rumple riu da bravata de Hook, depositou o objeto com cuidado no chão e olhou para Regina.

– Você precisa abrir o portal com a adaga, Regina. É a única que tem magia aqui.

Regina hesitou, não estava certa sobre aquele plano, especialmente por Hook ir atrás de Emma. Era uma chance única. E se não fosse ele? Ela nunca acreditou no amor daquele pirata.

– Vamos, querida, não tenha medo. Eu te ajudo – Rumple estendeu uma das mãos em direção a Regina, encorajando-a. A morena o olhou atravessado e, contrariada, aproximou-se do objeto, girando vagarosamente a adaga sobre o seu centro com as mãos trêmulas. Aos poucos, o olho começou a girar, até formar um vértice negro que crescia e crescia, ainda conectado a caixa, até atingir o teto.

Regina olhou desesperada para David. Aquilo não estava certo, não estava. Era ela quem deveria entrar, era ela quem deveria buscar Emma, Regina sabia que iria encontrá-la. Mas como dizer isto na frente de todos, considerando o peso do significado? Será que eles entendiam o que esta conexão poderia dizer? Será que ela entendia? Regina teria o direito de se atribuir este título? Emma disse que amava o pirata. Ela não mentiria sobre isso. E se Regina não fosse a pessoa certa?

– É só entrar, pirata. Boa sorte – Rumple disse, indicando o centro do vórtice. Hook o olhou com semblante fechado, respirou profundamente e deu dois passos em direção ao portal. Colocou um pé para estudar o caminho, mas não sentiu o chão. Ótimo, a entrada seria em queda. Clássico. Olhou para David e Snow, sorriu com falsa confiança e inclinou o resto do corpo até sentir a densa escuridão envolvê-lo, puxando-o para baixo. Assim que se deu conta da enrascada em que tinha se metido, uma mão abençoada lhe puxou de volta para luz. Encarou os olhos azuis de David com indisfarçável alívio.

– O que... – Murmurou constrangido. Seu rosto não escondia o medo. Como ele, Regina, Belle e Snow olhavam espantados para David.

– Não é você, Hook. Sinto muito, mas acho que a melhor chance de Emma é Regina – Disse com firmeza, olhando para a morena. Regina se sentiu queimar. Hook foi tomado por dúvida, não queria se perder no inferno, mas também não queria sair humilhado desta forma.

– Mas Emma disse que me amava, David, você ouviu. E eu a amo, amo mais do que tudo. O que diabos te faz pensar que Regina é a pessoa certa?

– Em nenhum momento se disse quem deve ser a pessoa certa, Hook. Há diversos tipos de conexões no mundo. Regina tem magia, é intuitiva, as duas nutrem um entendimento único e recíproco. Todos sabemos disso. Então eu realmente me sentiria mais confiante se ela fosse.

– Eu também – Snow pegou a mão do marido. – O que você diz, Regina? É uma decisão difícil, não queremos que você pense ter a obrigação de ir. Não mesmo, acredite.

Regina sorriu agradecida e se aproximou de Snow e David. Colheu as mãos dos dois com as suas e os olhou emocionada.

– Eu a trarei de volta. Prometo.

– Nós sabemos – Snow respondeu, apertando a mão entre as suas – Esperaremos por vocês aqui.

Regina assentiu com firmeza, virou as costas e entrou no vórtice negro. Todos prenderam a respiração enquanto aguardavam a reação do portal. Todos, menos Rumple. Assim que Regina se foi, ele caminhou devagar em direção ao interior da loja, a tempo de ouvir a comemoração de David e Snow ao constatarem que o portal se manteve aberto. Pensou mesmo que seria você, pirata? Sussurrou ao pé do ouvido de Hook, evitando o caminho das lágrimas de ódio e frustração que escorriam por seu rosto bem cuidado.

Notas finais
Acho que agoooooora está esquentando, né? Já viram que eu tenho uma queda pelo lado "mal" dos nossos personagens, sem eles não teria graça! E já aviso que o próximo capítulo será para os fortes!! Rs. Até mais. 8-)