Notas iniciais
Olha, eu não iria postar este capítulo hoje, gosto de amadurecer antes, leio e releio diversas vezes, e altero o tempo inteiro mesmo depois de publicado (se alguém relê, talvez perceba as diferenças.. rs). Mas hoje eu quero fazer uma homenagem a Maleczada, que escreveu a minha primeira recomendação, fofa demais! Me pediu para postar logo, me empolguei, então aí vai. Obrigada, moça! Espero que gostem! Ps.: a cena da cripta realmente aconteceu na série (como todas as cenas descritas que antecedem a do sacrifício), na quarta temporada. Há uma referência a ela no segundo capítulo.

– Vim assim que soube que você havia voltado! – Disse Robin, abraçado à Regina no hall de entrada. Não comentou o fato de ela não tê-lo procurado e Regina também resolveu ignorar este detalhe.

– Eu estou bem, nós conseguimos – Regina disse sem entrar em minúcias.

– E Emma, onde está? Eu soube que você a trouxe para cá – Robin perguntou, esquadrinhando o ambiente.

– No quarto – Regina disse, seca, parecia incomodada com a indiscrição do homem – Já se recolheu.

Robin sorriu satisfeito, encarou Regina com um olhar apaixonado, colheu sua cintura com braços pesados e a puxou para si.

– Então agora você tem um tempinho para o seu final feliz? – Perguntou manhoso ao seu ouvido, quadril colado ao dela – Sinto sua falta.

(Verme)

Regina pôs ambas as mãos no peito dele, empurrando-o de forma delicada, mas firme.

– Não é uma boa hora, Robin – Parecia contrariada.

Ele sorriu compreensivo, fez cara de culpa, suspirou.

– Desculpe, eu sou um insensível, imagino que essa situação deve estar sendo muito difícil para você – Beijou-lhe a testa – Quer conversar? Ou podemos ficar apenas em silêncio, se você preferir. Só quero ficar ao seu lado – Finalizou em tom carinhoso.

(Cínico. Esse bastardo é uma fraude)

– Lamento, mas eu realmente preciso ficar sozinha hoje – Regina disse com voz cansada. Encarou-o em silêncio por alguns segundos, seu rosto assumiu uma expressão resoluta – Precisamos conversar. Eu te procuro amanhã, ok?

Ele a olhou com ar de dúvida, comprimiu os lábios.

– Não acho uma boa ideia você ficar sozinha com ela. Onde está a adaga?

(Como se esse inútil fosse capaz de protegê-la)

– Eu já disse que está tudo bem, Robin. A adaga está com David e Snow, não preciso dela – Regina pareceu impaciente.

– Mas Emma não é mais a mesma, Regina, ela é a Dark One! Você tem certeza de que não há risco?

– Não se preocupe, eu sei meu cuidar. E Emma jamais me faria mal – Regina respondeu com uma pitada de exasperação na voz – Eu realmente preciso descansar. Falaremos amanhã – Encerrou o assunto.

– Ok, vou esperar por você – Ele disse conformado, depois de hesitar brevemente. Fez menção de sair, mas se voltou em seguida – Olha, Regina, eu... eu sei que você se sente responsável pelo o que houve à Emma, mas saiba que foi uma escolha dela, ela faria isso por qualquer pessoa, é a Salvadora, lembra? Então, por favor, não se martirize, você não tem culpa. E jamais esqueça que eu te amo – Finalizou com olhos penetrantes, puxando-a para um beijo.

Regina repeliu a investida, afastou-se, sua voz ficou fria.

– Conversaremos sobre isso amanhã, Robin – Abriu a porta – Boa noite.

(Não precisamos tolerar isso)

Cale-se.

(Este ladrão é um idiota, incapaz de perceber nossa Rainha, ele não a conhece como nós)

Não se refira a ela dessa forma, ela não tem nada a ver com você.

(Ele a humilha, usa)

(É um fraco)

(Não a valoriza, só lhe faz mal)

Robin é uma escolha de Regina, não há nada que eu possa fazer para mudar isso.

(Não? Então por que estava espiando?)

Emma se levantou da cama, foi até o banheiro, jogou um jato de água fria na face e na nuca. Escondeu o rosto na toalha, sentou-se no chão, corpo balançando levemente para frente e para trás. Estava perdendo o centro. Sentia suas células vibrarem agitadas, suaves partículas de cargas elétricas trilhavam através dos pelos dos seus braços. A magia fluía por seus membros como se tivesse vontade própria, prestes a se impor e exteriorizar a qualquer momento. Emma fechou os dedos na tentativa de impedir o fluxo. Foi tomada por uma sensação de extrema angústia, ficou nauseada, o coração palpitava.

(Temos que eliminá-lo, ele não é confiável)

(Podemos fazê-lo agora, será fácil, rápido e limpo)

A boca de Emma estava seca, a temperatura do seu corpo aumentava cada vez mais, o suor gelado encharcava as palmas de suas mãos. Sua visão escureceu, ela sentiu vertigem, teve receio de perder os sentidos.

(Ninguém irá saber)

Torceu as mãos nervosamente, precisava combater aquela energia densa que lutava para ganhar espaço dentro dela, para se materializar. Foi invadida por uma sensação de pânico, sentiu vontade de chorar, de gritar, de reagir. Precisava sair dali, e rápido.

(Você quer fugir, claro)

(É só o que você sabe fazer, se esconder e fugir).

Não tenho escolha.

(Mentira)

Não posso colocá-la em risco.

(Você tem medo)

Emma crispou os músculos.

Não tenho que me justificar com você.

(Você teme a rejeição, tem medo de não conseguir mais encará-la, de perdê-la para sempre)

Emma sentiu as lágrimas invadindo seus olhos. Engoliu o choro, não iria dar esta satisfação a Ele.

(Robin não teve tanto pudor, as paredes da cripta são testemunhas da voracidade do ladrão)

(Até aquele imbecil tem mais atitude que você)

Cala a boca, cala a porra dessa boca!

Fechou os olhos mais uma vez, atormentada. "Eu honrei meus princípios a vida toda, mas essa noite será diferente". Emma viu o ladrão avançar em direção a Regina, tomar o rosto dela com as mãos, beijar seus lábios carnudos com ardor. A morena, vulnerável, vestido vermelho colado ao corpo sinuoso, correspondeu à paixão do homem. Rendeu-se, permitiu-se ser despida, tocada, penetrada, gozou. Uma, duas, três vezes. Emma esmurrou a parede, queria se agarrar ao presente através da dor física.

(Não seja ridícula, levante-se daí, faça alguma coisa)

(Ela te quer)

Você não sabe disso.

(Claro que sei, todos sabem)

Não é o que as atitudes dela dizem.

(Você não tem coragem de enxergar)

Ela escolheu ficar com Robin.

(Ela sabe que tem outra opção?)

Me deixe em paz!

Emma voltou ao quarto, sentou em uma poltrona, abraçou os joelhos. Não deixaria que Ele a ludibriasse. Fechou os olhos, concentrou-se na respiração, tentou controlar o ritmo alucinado dos seus batimentos cardíacos. Mas a maldita cena da cripta se repetia, e repetia, e repetia, o rosto corado de Regina, a pele suada, o gemido rouco, Emma sentiu o ventre se contrair, o sangue corria rápido em suas veias. Sentiu raiva, sentiu-se fraca. Estava molhada.

(Ela estava entregue há alguns minutos)

(Nos seus braços)

(Pronta pra você)

Emma tapou os ouvidos, respiração densa.

(Ainda está)

Emma levantou os olhos em direção à porta, instantes depois ouviu uma batida suave.

– Emma... – Regina chamou baixinho.

(Ela veio por você)

Emma viu o calor do corpo de Regina atrás da porta, a testa dela apoiada na madeira. Ouviu a respiração da morena, seu cheiro agora se misturava ao do ladrão. Emma cerrou os punhos, as unhas enterraram fundo nas palmas das mãos, fazendo o sangue pingar sobre o tapete alvo. Seu corpo fervia.

(Você nunca esteve tão perto)

– Emma, você está bem?

(Abra a porta)

Notas finais
É, eu sei... Soon, guys, soon!