Notas iniciais
Se vocês querem imaginar a Lisa, ela é uma mistura de Nina Dobrev com Victoria Justice (confuso, eu sei, mas calma). Tipo, tem mais ou menos os mesmos traços, mesmo estilo de rosto. Traços delicados, sorriso fofinho, corpo mais ou menos parecido e sem aquela pele branquela comum na Coréia. Diria que é mais puxada pro lado da Nina, mas suavizada pela Victoria, e um pouco diferente das duas por se parecer uma menina comum do Brasil (por exemplo, o corpo é mais no esteriótipo brasileiro). A altura dela é 1,61cm e a roupa que ela está usando nesse primeiro momento segue no link abaixo:
http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=216300282

Estou me esforçando para criar uma linha narrativa que pareça provável, mesmo que as pessoas envolvidas estejam do outro lado do mundo. haha. Espero que todo mundo possa se identificar e aproveitar. Agradeço pela atenção de todos que vão tirar um pedaço do seu tempo para ler minha história, vocês já são uns queridinhos!

Tenho a opinião de que o primeiro dia de algo novo, seja o que for, sempre é o pior de todos. Não saber muito bem o que esperar me deixa nervosa e, consequentemente, começo a me atrapalhar. O que não é nada bom, pois finalmente consegui o trabalho dos meus sonhos, estou crescendo e criando uma carreira, o que significa que tenho que ser 100% profissional, sem erros bestas e, principalmente, sem nervosismo. Tenho que parecer confiante e capaz de fazer o necessário, o que, sem querer me achar, sei que sou, mas EU saber não é o suficiente. É aí que entra a confiança.

Observo o meu reflexo, procurando qualquer sinal de anomalia, qualquer mínima característica que possa me prejudicar, mas não encontro. Meus cabelos estão soltos, mas não rebeldes (um pequeno milagre, obrigada Odin). Minha roupa não é exatamente profissional, não é digna de um escritório, e eu nem quero que seja, pois não é para esse tipo de trabalho que eu pretendo dedicar minha vida. Meus traços são os que eu já estou cansada de notar: nariz pequeno e afilado (costuma achar que era afilado demais, mas hoje em dia eu gosto dele), boca de tamanho proporcional ao rosto, pele de bebê (com a ajuda de base, claro) e olhos castanhos que não são puxadinhos, o que é um detalhe comum para mim, mas não para o resto das pessoas ao meu redor. Pareço exatamente o que sou, só mais uma estrangeira que está tentando a vida em um país asiático que ela adora e com pais que não conseguem entender o por que desse fato (“Quê? Se mudar pra Coréia do Sul? Mas eles aceitam estrangeiros? Não estão em guerra?” e essa foi a pérola da minha mãe). Tudo bem, não estou tentando me destacar, não é isso. Quero ser reconhecida pelo meu trabalho, não pela minha aparência.

Repito para mim mesma, baixinho, que está tudo bem e tudo ficará bem. Eu fui convidada, contratada, porque eles confiam no meu trabalho. Repito até virar uma espécie de mantra. Passei pelo mesmo em meu projeto anterior, o primeiro clipe que eu produzi na Coréia, mas era uma banda pequena, o que muda um pouco a dimensão dos sentimentos. Não que isso seja algo ruim. Para falar a verdade, eu adorei, mesmo imaginando que poucas pessoas entrariam em contato com a minha obra. Esforcei-me, virei noites pensando e escrevendo, e mais outras gravando. Fiquei extremamente satisfeita com o resultado, as meninas da banda também, o que me deixou ainda mais feliz. Para mim, só isso bastava. Eu não pedi para a banda estourar, para o meu clipe ser um dos mais visualizados e curtidos do ano, embora eu não tenha achado ruim. Longe disso. Eu pretendia ir crescendo aos poucos, provando que sou boa, apesar de ser estrangeira e nova, mas recusar e ficar reclamando porque esse salto na minha carreira ocorreu seria burrice. Foi ele que me trouxe a esse banheiro em específico, na empresa Starship, para gravar o clipe de comeback apenas da banda Monsta X, uma das minhas preferidas (o que é um fato que colabora bastante com o meu nervosismo).

Fecho os olhos, respiro fundo e repito meu mantra mais uma dezena de vezes. Quando volto a me encarar, assumo uma expressão firme, determinada, viro e saio do banheiro. Claro que, na onda de determinação, eu tenho que sair de uma vez, pisando firme. E claro que, obviamente, com toda a certeza do mundo, porque sou eu, dou de cara com uma massa sólida, comumente conhecida como um outro ser humano. E óbvio, apenas óbvio (obrigada, Deus), que a pancada é feia, e eu divinamente caio de bunda no chão.