Por trás das sombras
1 Prólogo
Notas iniciais
Era uma sexta feira de verão. Eu contava ansiosamente os dias para a chegada do inverno, onde o clima no deserto seria melhor, mas nem o calor escaldante impedia a rotina dos militares, eles passavam a manhã inteira treinando o seu físico, e a tarde treinando sua magia.
Eu tinha apenas dez anos, e morava lá desde que nasci, meu pai era o coronel daquela base militar, minha mãe morreu no meu parto, nunca soube muito bem quem tinha sido ela pois meu pai evitava o assunto, até hoje não sei o nome de minha mãe.
Eu era ingênuo naquela época, meus dias eram simples, eu brincava a manhã toda, de tarde eu ajudava em pequenos serviços da base e de noite eu dormia, uma rotina bem simples, e eu chegava a acreditar que seria assim eternamente. Mas não seria, e eu descobri naquela sexta feira.
Por volta das onze horas da noite o alarme soa estridente, aquele som até hoje me atormenta. Eu levanto e paro em frente ao espelho,eu estava vestindo uma rouba de linho, o que fazia o frio da noite penetrar na minha alma, peguei meu lençol, me embrulhei e saí do meu quarto para ver o que tinha acontecido. Certamente foi o maior erro da minha vida.
Eu não ouvi grito algum, só o que conseguia ouvir era o alarme, mas quando saí, os corpos dos soldados estavam jogados pelos corredores, comecei a chorar, corri até a sala de meu pai, outro erro, o corpo dele estava jogado por cima de sua mesa. Sem saber o que fazer, fiquei lá, sentado no chão, chorando.
— Ei garoto, levante-se. — A voz era fria, vinha da porta. Eu me levantei e fui até lá.
— S-s-s-enho-or, você sabe o que fez isso? — Não conseguia conter o choro. Ele deu uma risadinha.
— Qual o seu nome garoto? Me chamo Simon Klaus — Olhei pra ele. Ele era alto, usava uma calça e um capuz pretos, e uma mascara branca que possuía dois pequenos cortes na diagonal para os olhos.
— M-me chamo R-Ryan Gray s-senhor —
— Ryan Gray, eu posso levar você para um lugar seguro, você quer? —
— Sim senhor! Por favor, me leve! — Não havia o que pensar, eu apenas queria sair daquele lugar.
Ele se abaixou, pôs a mão na minha testa e tudo se apagou.
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