Por trás das sombras

2 Quando faço um show de horrores.


Notas iniciais
Segundo capitulo ai, demorei muito pra fazer, espero que meu esforço valha a pena. ^^ boa leitura.

Eu acordo, estou numa cabine de trem, no inicio estranhei porque na noite passada eu estava em uma base militar no meio do deserto. Sr. Klaus entra no quarto.

— Dormiu bem Ryan? — A sua voz era alegre, imaginei que ele estivesse sorrindo, então eu sorri também.

— Sim sim, mas, onde estamos Senhor? — indaguei, ele olhou para mim e riu de leve.

— Estamos em Anguis, capital do reino de Ofídios.

— Mas como? A viagem do deserto de Settesh até Anguis dura 3 semanas! — Isso era simplesmente impossível.

— Deixe suas perguntas tolas para depois, temos que descer, aqui é nossa parada. —.

Saímos da cabine, passamos pelos corredores e uma coisa chamou minha atenção, uma coisa jogada no final do corredor, parecia um corpo. Não, era um corpo. Descemos do trem, a coisa mais estranha era que só nós descemos do trem, minha pequena mente ingênua começava a raciocinar tudo.

— Sr. Klaus, você matou meu papai? — Eu estava nervoso, tinha medo de que ele me matasse também.

— Sim, pensei que você tivesse descoberto isso ontem. — Sua voz era fria.

— V-você vai me m-matar também? — Eu estava quase chorando.

— Pare de chorar garoto, e não, eu lhe disse que ti levaria pra um lugar seguro, então é isso que eu vou fazer. — Naquele momento eu cheguei a imaginar que ele poderia no fundo ser um homem bom.

— Obrigado Sr. Klaus. — Eu me calei, aquilo não fazia sentido mas eu não queria discutir, porque o assassino do meu pai me ajudaria?

A Cidade era linda, tinha um enorme templo no centro, era o maior templo do reino, o templo de Dina, deusa da vida.

— Quer entrar no templo garoto? —

— Sim! Sempre quis vir até Anguis visitar o templo, infelizmente meu pai não podia sair da base ... —

Entramos no templo, era completamente feito de ouro, tudo, desde as menores imagens até as grandes colunas que iam do chão ao teto. Lá dentro era enorme e no teto, tal como no fundo do templo, possuía uma imagem da deusa, jovem, loira, olhos azuis, um enorme vestido branco e rodeada por anjos. Ajoelhei-me e fiz minhas preces, procuro ao meu redor e não encontro o Sr. Klaus, saí do templo confuso e um monge me parou:

— Ei garoto, você estava com o homem da máscara? —

— Sim, o Sr. Klaus. Você o viu saindo? —

— Vi, ele pediu para eu entregar isso para você. — O monge me entregou uma mala e uma carta, e entrou no templo.

Na carta dizia:

“Caro Ryan, foi bom o tempo que passamos juntos, mas infelizmente tive um problema antes que pudesse leva-lo até o lugar seguro, na mala tem algum dinheiro, roupas, e um presente especial para você. O circo está na cidade, comprei um ingresso para você, quando chegar lá diga ao mestre de cerimônia que eu o mandei lá. Boa sorte. De seu amigo Simon Klaus”

Não consegui encontrar o tal presente que ele me dera, o ingresso do circo estava junto à carta, ele foi muito modesto quando disse “algum dinheiro”, tinha muito lá, usei uma pequena parte para comprar comida, vaguei pela cidade e ao inicio da noite eu peguei uma carruagem que me levou até o circo, o espetáculo começou às sete horas da noite, terminou às nove. No fim fui falar com o mestre de cerimônia:

— Senhor. —

— Olá, sinto muito o espetáculo acabou. — Ele passou a mão sobre minha cabeça e me deu as costas.

— Não senhor, preciso falar com você. Simon Klaus me mandou aqui. — Ele congelou, virou-se, abriu um grande sorriso, e falou docemente:

— Bem vindo ao circo. —

O nome do mestre de cerimônia era Wagner, ele me tratava como se fosse meu pai, digo, até melhor, meu pai era omisso e sem tempo para mim, mas o Sr. Wagner não, ele me deu estudo e me ensinou sobre magia. Ele dizia que eu não poderia ficar lá sem ajudar o circo, então me ensinou a atirar facas, adquiri uma mira perfeita, sempre acertava as facas nos alvos. Junto de mim havia mais uma garota no circo, seu nome era Jennifer e ela tinha a mesma idade minha, ela tinha cabelos lisos e castanhos, tal como seus olhos, ela era como uma irmã para mim, a única pessoa em que eu confiava tudo, a história dela era triste: após a morte de seus pais, a corte real jogou-a nas ruas, mesmo ela sendo muito jovem, uma bela noite Simon Klaus resgatou e trouxe-a para o circo, ela trabalhava junto de Madame Zora, esposa do Sr. Wagner e cartomante do circo.

Passei sete anos morando e viajando com o circo, cresci junto de Jennifer, ou Jenni como eu prefiro chama-la, Wagner dizia para nós que quando tivéssemos dezessete anos irmos estudar na escola de magia, e era isso que faríamos. Com o passar dos anos, Madame Zora faleceu de uma doença e Sr. Wagner entrara em depressão, faltando apenas 2 dias para meu aniversário (e para minha viagem) recebo uma visita inesperada, que há tempos não via.

— Olha só, aquele garotinho chorão cresceu e se tornou um homem. —

Quando olhei, era Sr. Klaus, ele continuava do mesmo jeito, alto, usando uma calça e um capuz preto, e uma mascara.

— Sr. Klaus! — Abri um largo sorriso, ele passou a noite no circo conosco, e eu nunca vi o Sr. Wagner tão feliz desde que sua esposa falecera. Na manhã seguinte, acordei, fiz minha higiene matinal e antes de sair do meu quarto, ouvi uma conversa do Sr. Wagner com o Sr. Klaus.

— Então? Pode trazê-la de volta com sua magia Klaus? — Sr. Wagner suplicava.

— Ora Wagner, não se faça de inocente, você sabia que Zora não viveria muito tempo, o trato anterior fez ela viver por mais 20 anos, você sabe que o preço agora não será o mesmo. — Ele foi frio ao dizer isso, Wagner ajoelhou-se e disse que pagaria o preço necessário. Simon negou, não faria trato.

Apesar daquela conversa ser algo estranho para mim, eu continuei escutando, eles pararam de falar e Simon se aproxima do meu quarto. Eu finjo estar saindo do banheiro quando ele entra.

— Ryan? — Ele parecia estar feliz.

— Olá Sr. Klaus. Vai ver o espetáculo de hoje? Meu ultimo neste circo, partirei daqui há dois dias para a escola de magia. —

— Ah claro, quero muito ver este espetáculo, espero que seja tão bom quanto Wagner me disse. — ele riu. — Eu gostaria de lhe dar o presente especial que eu falei naquela carta de sete anos atrás, a propósito, ainda tem ela?

— Sim, guardei-a como lembrança do senhor. — Mostrei a carta a ele.

— Ótimo! Perfeito! Vamos lá fora para eu te dar o presente. — Saímos do quarto.

Paramos em frente a uma árvore, Simon pôs a carta próxima às raízes da planta, falou algumas palavras em uma língua estranha e subitamente a carta se incendiou e o fogo tomou conta da árvore. As Chamas eram estranhas, devoraram a árvore em poucos segundos, restando apenas algumas cinzas e uma caixa no lugar da carta.

— Eis o seu presente, o que acha? —

— Senhor, porque você incendiou a carta e a árvore? —

— Era um ritual Ryan, uma coisa por outra, agora abra a caixa e me diga se gostou do presente. —

Abri a caixa, lá dentro havia dez facas com a lâmina negra, agradeci o presente, ele me fez uma pergunta, perguntou se eu já havia libertado minha magia, eu respondi que não, então ele pediu para eu fazer o espetáculo com as facas negras hoje, elas eram encantadas e traria uma inovação para meus shows, e assim fiz. Chegada a hora do espetáculo, encontro Jenni passando mal, ela não iria trabalhar hoje, pedi que Simon levasse-a ao posto médico mais próximo, ele concordou e disse que voltaria antes da minha apresentação.

Minha apresentação começou, e Simon não havia voltado, ainda assim prossegui.

— Boa noite. Vejo que nossa casa hoje se encontra lotada, e eu, Ryan Gray finalizarei o nosso espetáculo de uma maneira especial e exclusiva para vocês, hoje é a ultima vez que me apresentarei em um circo. — O publico vibrou quando eu disse que seria especial. Até ai tudo bem, eu estava nervoso e queria que tudo desse certo, afinal seria minha ultima vez.

Começou, peguei as facas negras e atirei em alvos parados, bem no centro, o público vibrava, quando pensei em ir pegar a primeira faca, ela some deixando apenas um pequeno rastro negro e aparece em minha mão, no inicio me assustei, mas lembrei que Simon havia dito que essas facas eram encantadas então sorri e continuei, alvos moveis, acerto todos. Maçãs seguradas por uma dançarina, acerto todas. Na hora de finalizar o show sinto uma enorme energia tomando conta de mim, eu apaguei.

Acordo nos braços de Jenni, ela tinha uma expressão preocupada, mas que se aliviou ao ver que eu estava bem.

— Jenni, onde estamos? — falei sonolento.

— Em frente ao circo Ry. O Sr. Klaus pode lhe explicar melhor o que aconteceu. —

Ela chamou o Simon, e ele apenas pôs a mão sobre minha testa, tudo se apagou, eu estava lá de novo, na cena onde havia parado, iria finalizar o espetáculo, Sr. Wagner entra no palco para agradecermos, mas eu olhei pra ele e comecei a rir insanamente, atirei facas nele, todas, até vê-lo cair no chão, depois disso fiz o mesmo com cada uma das pessoas presentes lá, um a um, eu ria como se não houvesse melhor sensação, não tinha controle sobre meu corpo. Saí daquele pesadelo gritando, e chorando.

— Não, não, não, não, não. Simon, diga que é mentira! DIGA! EU NÃO MATEI TODAS ESSAS PESSOAS! SIMON! DIGA! — Ele abaixou a cabeça e disse frio que eu havia feito aquilo, a minha magia havia despertado, e eu me tornara um assassino.

Notas finais
Bem, espero que vocês tenham gostado do segundo capitulo, comentem o que acharam ^^. Só pra mostrar como são as facas de Ryan, elas estão nesse link aqui: http://mlb-s1-p.mlstatic.com/faca-arabic-lmina-negra-afiada-de-fio-liso-12731-MLB20064781699_032014-O.jpg
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.