Por trás das câmeras

29 Sob a luz das estrelas


O dia foi diferente, mas divertido. Eu já tinha estado em um set de filmagem com os meus meninos (sim, bem íntima mesmo), mas de um videoclipe, não de um programa de variedade. Teve vários momentos em que eu morri de rir, e a missão mais difícil para mim foi fazê-lo em silêncio. Depois que fingi que nada ocorreu no aniversário da empresa, Jooheon tratou-me com uma certa normalidade, até conseguiu fazer algumas brincadeiras comigo, mas ainda havia algo que não me soava correto. Uma distância forçada que me deixou triste.

Terminamos tarde e com uma cena dos meninos dormindo. Estou morta e sei que no dia seguinte tem mais, mas, em vez de ir para o dormitório da produção, vou para o quintal da casa, onde tem um banco que dá para a vista da montanha e, como estamos relativamente longe da civilização, o céu está lindo. Fico observando-o, sem grande planos de me recolher.

Sem que eu perceba, uma massa corporal surge ao meu lado, tirando-me dos meus pensamentos confusos sobre Jooheon. Pulo de susto e recebo em resposta a risada tímida do Changkyun. Viro a cabeça para olhá-lo, que já está muito bem sentado no espaço antes vazio do banco, e faço minha melhor expressão de indignação.

“Você quer me matar do coração, é? Preciso te lembrar que eu sou velha e já estou me deteriorando?” Pareço emburrada, mas ele sabe que é brincadeira, e meu sorriso me entrega.

“Sim, sim, senhora. Porque você realmente está caindo aos pedaços, vou tomar mais cuidado.” Quando ele entra na brincadeira, acabo rindo.

Agora que não tem um lixo humano trabalhando como manager e sou próxima do CEO, sinto liberdade para me aproximar dos meninos, tanto que Changkyun se tornou uma pessoa extremamente especial na minha vida. Ele foi a minha luz no fim do túnel, quem fez com que eu me sentisse bem quando tudo começou a dar errado, e nossa intimidade já é extensa. Adoro tê-lo por perto e me sinto completa ao fazê-lo rir.

“Bom garoto. E você deveria estar na cama, não? Já passou da hora de criança dormir.”

“Eu sou um menino rebelde.” Na real nossa diferença de idade não é tão grande assim (eu sou de 91 e ele, de 96), mas essa brincadeira se tornou comum entre nós.

“Que coisa feia! Sua mãe sabe disso?”

“Já disse, sou rebelde. Ela não sabe de nada.” Acabamos rindo juntos.

Em seguida, ficamos em silêncio, apenas observando as estrelas no céu, e este não é incômodo. Deito a cabeça no ombro de Changkyun e me permito relaxar. Aproveitamos esse momento juntos, a companhia um do outro, e deixamos o tempo passar. Estou tão em paz que chego a fechar os olhos, mas sua voz me impede de entrar no mundo dos sonhos.

“Você vai acabar dormindo aí, Lisa. Vamos para dentro, está frio e tarde.” A voz dele é baixa, cautelosa e cheia de carinho. De fato está frio (até demais), mas sinto-me quente ao ser envolvida pela amizade do mais novo.

“Eu que deveria cuidar de você, não o contrário.” Consigo me escutar, falo de forma cansada. Sei que ele está certo, não vou demorar a adormecer ali mesmo.

“Aqui na Coréia do Sul os mais novos também cuidam dos mais velhos. E, independente disso, até um garoto rebelde se preocupa com as pessoas que são especiais para si.” Ele se levanta e me oferece a mão. O observo e noto que, apesar das nossas brincadeiras, Changkyun é um homem crescido. E que, por acaso, fica lindo com o sorriso que dirige a mim.

Retribuindo seu sorriso, aceito sua mão e deixo que me guie de volta. Não é a primeira vez que faz isso, embora no passado tenha sido através de metáforas.