Por trás das câmeras

30 Ações falam mais do que palavras


Changkyun me guiou até o dormitório no começo da madrugada, mas eu não consegui ir para a cama e dormir (fiquei tolamente pensando no sorriso do Jooheon, mas as vezes essa imagem era confundida com a do Changkyun, o que só me deixou mais confusa e garantiu olhos bem abertos). Por isso, a manhã foi difícil, quase peguei no sono enquanto gravava (nada profissional) e, quando ficou decidido que faríamos uma pausa na hora do almoço, agradeci aos céus.

No modo zumbi, dirijo-me para o quintal e, apesar de estar frio e o ar seco, respiro profundamente, como se fosse primavera, não inverno. Chego a fechar os olhos e, mesmo em pé, quase pego no sono. Sei que preciso dormir e considero fazê-lo, mas estou com preguiça demais para me mover (clássico), mesmo quando o frio se torna insuportável. Começo a tremer, mas resisto à vontade de voltar para dentro correndo. Lá está muito barulhento e não consigo relaxar. Aqui está bom o suficiente (além da preguiça, não vamos esquecer dela).

Levo um susto quando um peso é posto em meus ombros, mas agradeço aos céus quando sinto o calor de um casaco me envolver. Aconchego-me ali e sorrio, já imaginando encontrar o mais novo quando me virar, pois ele sempre se preocupa comigo e cuida de mim, mas, quando de fato o faço, dou de cara com Jooheon.

“Você vai congelar se ficar aqui fora sem proteção.” Seu tom de voz é despreocupado, mas percebo pela sua resistência em me encarar que ele está envergonhado.

Surpreendo-me com o ato dele, mas não recuso. Visto de verdade o casaco e, quando me aconchego ainda mais ali, o cheio dele me invade e é tudo o que consigo respirar por alguns segundos. Meu coração começa a bater igual louco e, apesar de eu mandar se acalmar, ele se faz de surdo. Meu corpo e raciocínio lógico não estão em sintonia.

“Tsc, tsc. Você sempre tentando me transformar em uma garota de dorama, que coisa feia...” Ele ri e parece realmente aliviado por eu ter suavizado o clima com uma brincadeira. Quando Jooheon sorri para mim, me pego pensando também em Changkyun, na forma fofa e carinhosa como o riso dele se pousa em seus lábios. Isso me deixa confusa e tenho que desviar o olhar.

“É mais forte do que eu. Você parece tão frágil e indefesa.” Abro a boca em um “O” perfeito, exagerando minha indignação. Antes que eu raciocine, me aproximo dele e dou um tapa em seu ombro. Rindo, o moreno me segura pelo pulso e puxa, para me conter.

Por conta disso, ficamos próximos demais. Respiro o ar que sai da boca dele, nossos olhos estão conectados e nossos lábios, na mesma linha. Se for um pouco mais para frente, consigo beijá-lo, mas não o faço por medo. Esse é o tipo de humilhação que eu não conseguiria lidar.

Mas o desejo é forte demais, minha pele formiga onde ele toca, e todo meu corpo anseia se colar mais no dele. Ainda posso sentir os toques íntimos que compartilhamos, e as sensações retornam com força. Sinto-me perder o equilíbrio e, para me apoiar, o braço dele envolve minha cintura, o que só aumenta a intensidade da minha explosão. Não tenho coragem de ir para frente, mas deixo meu desejo perceptível quando fecho os olhos. Estou pronta para ser dele outra vez, embora tivesse decidido que isso nunca voltaria a acontecer. Quero ser dele. Aqui. Agora.

Mas a magia acaba quando o moreno se afasta. Fico desnorteada, meio perdida, até conseguir fazer minha cabeça voltar a funcionar e entender o que aconteceu. Fui rejeitada. O fato de não ter sido palavras, mas ações, faz meu coração doer mais do que na semana passada. Palavras eu posso escolher acreditar ou não, elas podem ser facilmente manipuladas, mas ações são naturais, verdadeiras.

“Eu vou lá para dentro.” Ergo a cabeça o orgulho que me resta (não é muito). Retiro o casaco que para devolvê-lo, assim me despedindo do meu último contato com algo dele. “Eu não preciso mais disso.” E faço essa ser a verdade. Não preciso de mais nada que venha dele.

Jooheon é inelegível. Aceita o casaco, mas não me olha, e não posso decifrar o que de fato está sentindo. Parece tristeza, mas também pode ser vergonha da minha entrega, o que só aumenta meu próprio constrangimento. Não preciso fazer com que eu me sinta pior, não preciso ficar aqui. Passo por ele e volto para dentro da casa.

O deixo para trás e espero que dessa vez seja definitivo. Repito até consegui me convencer:

Eu e Jooheon chegamos ao fim.