Por trás das câmeras

25 Amigos antes de garotas


JOOHEON

Estava próximo do amanhecer e, embora o céu ainda estivesse escuro, Seul já começava a acordar. Ou talvez fosse coisa da sua cabeça. Estava feliz, isso era um fato, logo, tudo parecia diferente ao seu olhar. O céu estava mais claro, as pessoas na rua não eram bêbados deploráveis voltando para casa depois de uma noitada, e havia o barulho constante de pássaros a cantar uma melodia que guiava seus passos até o dormitório. Havia consumado um desejo profundo, entrado em sintonia com outra alma, e agora se sentia nas nuvens.

Ao chegar a casa, esperava encontrar todos dormindo e até entrou de forma mais cautelosa, para não acordá-los, mas, para a sua surpresa, deu de cara com Changkyun na sala. O mais novo encarava o nada, com uma expressão distante, a qual significava que estava perdido em pensamentos.

“Ainda acordado?” Jooheon pergunta depois de tirar o casaco. Só então Changkyun parece perceber que ele chegou.

“Ah, sim. Não consegui dormir. Sabe, eu estava pensando...” O mais velho sentou-se confortavelmente ao lado do seu companheiro, apoiando a cabeça em seu ombro. Ainda estava pensando em Lisa, em como ela é perfeita, linda e excelente na cama. Não conseguia se concentrar muito bem nas palavras ditas. “Hoje foi nosso último dia de gravação, certo? O que obviamente significa que nós não vamos mais gravar. O que também significa que nós não vamos mais precisar da equipe da gravação...”

“Você precisa dormir. Olha as coisas que ta falando.”

“Aish, você que está aí, sonhando acordado! O que eu estou querendo dizer é que hoje foi o último dia da Lisa com a gente.” Nesse momento, todas as imagens da noite sumiram e Jooheon conseguiu se concentrar de verdade. Tinha passado o dia criando coragem para ir entregar o presente e depois se ocupou tanto em amar cada mínimo detalhe de Lisa, que não pensou no óbvio. Mas agora, finalmente esperto, a ficha cai, e o fato de Changkyun ter se preocupado a noite inteira com isso lhe parece estranho.

“E você passou a noite inteira pensando nisso? Gosta tanto assim dela?” Pergunta em tom de brincadeira, até meio nervoso, e sorri de forma divertida, meio debochada. Até levanta a cabeça, para que sua expressão seja visível. Se esforça para parecer relaxado enquanto reza para a resposta ser negativa.

“Sim.” O mais novo suspira. “Eu sou louco por ela. E, para falar a verdade, não passei a noite inteira pensando nisso, só o começo. Depois, fiquei tentando arranjar formas de me declarar.”

Jooheon sente seu mundo dar uma volta completa, o desnorteando por completo, e tem que se agarrar ao sofá para não cair, embora não exista nenhuma possibilidade real de isso acontecer. Não consegue acreditar no que ouviu, não depois dessa noite, mas, conforme o silêncio constrangedor começa a pesar, sabe que não está tendo um pesadelo. Essa é a realidade.

“É tão estranho assim eu me apaixonar pela diretora do nosso clipe? É errado?” O mais novo pergunta, parecendo realmente pouco confiante.

Não, seu idiota, porque eu estou apaixonado por ela, não você, e pode ir calando essa sua boca. No momento em que esse pensamento foi gritado em sua cabeça, se sentiu mal. Reavaliou a situação o mais rápido que pôde, encarou seu companheiro, colega de trabalho e amigo de verdade. Lembrou de todos os momentos que tiveram juntos, das risadas e afetos trocados. Realmente valia a pena brigar por causa de uma menina? Por mais que odiasse admitir, já tinha uma resposta. Ela é tudo o que eu quero e amo, mas o Monsta X e os meninos são as prioridades da minha vida. Eles são família. Doeu ouvir isso ecoar na sua mente e precisou repetir algumas vezes até se acostumar. Se ao menos tivesse sido o primeiro a proclamar seus sentimentos, o mais novo estaria passando por isso, e não ele. Mas, como sempre, foi lento demais.

“Não, não é estranho. Nem errado. Só levei um susto porque eu realmente não imaginava.” Sua empolgação não é mais perceptível, mas Changkyun deixa esse detalhe passar. Está imerso na própria angústia. Jooheon se levanta. “Agora vou dormir, você deveria ir também.” Bagunça o cabelo do mais novo, que o olha com certa chateação. “Não fique pensando sobre isso. Vai dar certo.” Finalmente se afasta, com a cabeça doendo e coração pesado.

“Afinal, onde você estava? Chegou tão tarde...” Um resumo da noite passa diante de seus olhos. Cada sorriso, o sabor dos lábios alheios, os gemidos e marcas de unhas que tem como provas de que não foi um sonho. Sente vontade de gritar e esmurrar algo ou alguém. Apenas suspira.

“Jackson me convidou para beber. Eu estava com ele até agora.” Torce para ter soado convincente, pois essa mentira é importante. Realmente não quer magoar seu amigo, uma das pessoas mais especiais da sua vida.

Enquanto se afasta, tem a certeza que tal mentira selou o seu destino. Ele não pode tê-la e, o que antes era lindo, maravilhoso e delicioso de lembrar, transforma-se em tortura.