Por trás das câmeras
4 A beleza de cada um
Notas iniciais
Logo após a apresentação, o manager me conduziu para fora da sala, sem me dar chance de falar mais nada (meio babaca, eu sei). Tudo bem, eu não tinha muito o que dizer naquele momento. Ele se justificou por permitir pouca interação afirmando que marcaria sim algo hoje, mas mais tarde, pois os meninos tinham que praticar, e admito que só acreditei quando ele me mandou uma mensagem com local e horário. Então, aqui estou, em um bar de Gangnam-gu (espero que a Starship esteja pagando a conta porque ela com certeza não vai ser barata), completamente sozinha, já que me esforcei tanto para não me atrasar (costume cultural de uma brasileira que foi difícil largar) que acabei me adiantando demais. Respiro fundo, ainda um pouco nervosa. Desde que saí de casa, não consigo parar de pensar se não escolhi a roupa errada. Talvez eu esteja muito... das trevas? Penso em ir ao banheiro refazer pelo menos a maquiagem, tirar o delineado de gatinho, mas, quando me levanto, um grupo de oito pessoas entra. Como, apesar de ser um bar, esta é uma sala particular, não existem muitas opções de quem poderia estar nesse grupo, mesmo se eu fosse cega o bastante para não conseguir distinguir as feições.
“안녕하세요” Cumprimento e me curvo. Novamente quando me ergo, o primeiro par de olhos que encontro é o de Jooheon. Desvio antes que fique presa ali.
Trocamos algumas breves palavras tímidas quando todos se sentam. Nem me iludo pensando que esse é o momento que eu vou conhecê-los de verdade, ainda tenho que esperar o álcool fazer sua parte. Parecendo ler meus pensamentos, I.M (eu sempre soube que os mais novos são os mais espertos) pede a primeira rodada. E assim continua por um tempo.
Aos poucos, vejo os meninos se soltarem. Kihyun, pela sua aparência, parece fofo, mas adora implicar e soltar uma ou outra piadinha mais ácida, o que considero um contraste maravilhoso. Shownu, superficialmente, parece um robô sem emoções e de fato é mais calado que os outros, mas também é bastante divertido, é mais alegre e brincalhão do que aparenta nos shows de variedade, e isso acaba sendo intrigante. Hyungwon também faz a linha dos mais calados e aparenta ser bem maduro, mas costuma esticar as piadas feitas e rir bastante, sem falar que as vezes tem umas reações um pouco mais explosivas e inesperadas que conseguem arrancar algumas risadas gerais. Wonho de fato é sexy, sensual, mas também é um bebê, com o seu sorriso e personalidade doce. Se eu o jogasse em um dorama, ele provavelmente se viraria bem. Minhyuk é vitamina pura, não existe a possibilidade de não se animar com ele, e se ele sorri, eu já estou sorrindo junto. I.M, ou melhor, Changkyun, como ele pediu para eu chamá-lo, é o rei dos trocadilhos. Se ele forçar, cria as piores piadas, mas, conforme foi bebendo e se deixando ser mais natural, surgiram pérolas que me fizeram bolar de rir. E talvez por ser o mais novo, tem um jeito natural e doce de ser fofo. Acho que ele nem ao menos tem consciência disso. Por fim, mas longe de ser menos importante, tem o Jooheon... São tantas camadas que eu não sei por onde começar. Ele é muito mais do que mostra no palco (todos são, na real, mas ele é o que mais surpreende). É fofo, brincalhão e risonho. Muita gente presencia seu lado cheio de aegyo nos programas, mas também não é só isso. Ele adora fazer piadas, algumas não surtem efeito e outras me fazem rir por alguns bons segundos. Também é falante, atencioso (ah, Shownu, do jeito calado dele, também é bem atencioso) e simpático. Foi quem fez eu me sentir mais bem vinda, principalmente quando me colocou entre ele e Changkyun (nesse momento o manager estava bêbado demais para implicar com detalhes). Todos são incríveis, e me esforço para conseguir enxergar além da diversão, conhecê-los e assim saber o que mostrar para os fãs, porque o mundo merece esse momento. O mundo merece ver o quão belos e cheios de camadas esses meninos são, do mesmo jeito que eu tenho a sorte de estar vendo.
No meu novo lugar, Changkyun vira para mim e parece observar um ponto ao lado do meu rosto em silêncio. O resto do pessoal brinca entre si, contam alguma piada que, pela minha distração, não consigo mais acompanhar, o que deixa o silêncio um pouco constrangedor, pois também me concentro nele.
“Você gosta de Batman?” A pergunta me parece aleatória e acho que isso transparece pelo meu olhar. “Seu brinco e sua meia. Ambos são do Batman.” Ele aponta para minha coxa, com um sorriso tímido e super fofo nos lábios. Olho para baixo, confirmando o que ele diz, e me xingo mentalmente por ficar tão lesada quando bebo.
“Sim!” Afirmo com um enorme sorriso nos lábios. Ele também sorri. “Gosto bastante. É meu herói preferido da DC, incluindo Vertigo, se eu não considerar os perpétuos heróis. Eles não lutam, sabe? Não combatem o crime. Eles só... existem.” Tagarela mode on. Nerd mode on. Claro que eu tinha que ligar os dois juntos, claro. Assim que termino de falar, fico um pouco envergonhada, pois as pessoas não costumam reagir bem quando começo a discursar sobre coisas que elas não conhecem, e eu não sei se Changkyun o faz. Eu nem ao menos perguntei.
“E o Rorschac?” Ele responde, ainda com o sorriso nos lábios. O meu reaparece ainda maior do que antes, se for possível.
“Veja bem, ele é um anti-herói. Todos no Watchmen são, para falar a verdade, e eu adoro isso.”
“Ah, eu também! Eles ficam tão reais, tão palpáveis...” E assim a conversa se alongou. Conversamos tanto e tão empolgados, que eu mal percebi a noite passar. Vez ou outra participávamos da conversa geral, mas sempre voltávamos para as nossa. Descobri um rapaz de fala mansa, mas super divertido e empolgado.
Quando me levanto para ir ao banheiro, noto que Jooheon me encara, e o seu olhar me acompanha enquanto ando. Isso gera uma inquietação em mim que eu não consigo explicar e, por ser mais fácil, apenas jogo a culpa no álcool, embora eu saiba que não estou tão bêbada assim.
Ao retornar, encontro um grupo calado e um manager caído por cima da mesa. Bem, isso não é muito profissional da parte dele (ahá!). Todos se encaram, sem saber se vão embora, o que claramente não querem, pois com certeza não costumam ter folgas assim em época de comeback, ou se o deixam ali e continuam com a noite. Suspiro, já sabendo que vai sobrar pra mim.
“Só me digam o endereço e eu o levo para casa.” Os meninos parecem contrariados, acho que eles não acreditam que esse seja o trabalho de uma mulher, especialmente uma semi conhecida. Sorrio. Eles nem ao menos imaginam quantos amigos bodados eu carreguei no brasil, ou quantos cabelos eu segurei. “Acho que sou a pessoa mais sóbria daqui, então essa função é claramente minha.” Vejo Changkyun abrir a boca para falar algo, mas ele não é rápido o suficiente.
“Tudo bem. Eu vou com você.” Escuto Jooheon responder.
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