Por toda eternidade
6 Capítulo 06
Notas iniciais
Hiram e Leroy olhavam as duas meninas que se beijavam carinhosamente. Finalmente as coisas tinham se esclarecido. Hiram estava prestes a interromper o beijo quando o telefone da casa tocou, trazendo as duas de volta à realidade.
Leroy se afastou atendendo o telefone, enquanto as duas se abraçavam sorrindo, felizes por terem se entendido.
– Olá, Judy. – ouviram-no dizendo – Sim, Quinn está aqui... As duas são umas cabeças duras e recém se acertaram... Sim, nosso neto ou neta está bem... Ela vai ficar aqui hoje, não se preocupe.
As duas prestavam atenção no que ele dizia e não podiam estar mais felizes por seus pais terem aceitado tão bem o bebê que viria. Quinn tinha a mão espalmada, distraidamente, no ventre de Rachel, que sorria boba.
– Quinn, já está tarde para você ir embora. Você vai dormir aqui esta noite, já avisei seus pais. – informou Leroy.
– Sim, senhor. Posso dormir no sofá.
– Vai fazer cerimônia depois de já ter engravidado nossa filha? – falou Hiram – Você pode dormir no quarto de Rachel, mas de porta aberta.
As duas se olharam felizes. Com certeza queriam ficar juntas, ainda mais naquela noite...
– Vamos jantar que estou morrendo de fome e as senhoritas não comem há horas. – determinou Hiram.
– Você não comeu, Rach? – perguntou Quinn preocupada.
– Não tive fome. – informou.
– Mas tem que comer. Você não pode ficar fraca. E agora também tem nosso filho para alimentar. – disse enquanto alisava a barriga da morena.
– Por falar nisso, amanhã à tarde a senhorita tem médico marcado. Já providenciei que Victor te atenda para ver se está tudo bem com o bebê. – anunciou Leroy.
– Posso ir também? – perguntou Quinn ansiosa.
– Deve. – determinou Hiram – Afinal você também é a mãe.
– Não perderia isso por nada. – sorriu feliz, abraçando Rachel contra seu peito.
...
Rachel e Quinn aguardavam o médico na recepção de sua sala. A loira não conseguia conter a ansiedade e não parava de sacudir a perna compulsivamente. A namorada a olhava e ria da situação, agora com ela do seu lado não tinha mais medo ou receio.
– Meninas, podem passar. – falou Victor chegando à porta e abrindo um sorriso para as duas.
Entraram na sala do médico e logo foram encaminhadas às cadeiras em frente à mesa.
– Então a senhorita está grávida? – perguntou olhando para Rachel – Seu pai me falou que está aproximadamente com um mês e meio de gestação. – falou analisando a ficha médica.
– Sim, um mês e meio, com certeza. Só fizemos sexo sem proteção uma vez. – disse envergonhada, apertando a mão de Quinn que estava vermelha.
– Hum. E o pai da criança? – perguntou mais por curiosidade do que por outra coisa.
– Eu sou a outra mãe. – Quinn anunciou, endireitando-se na cadeira e erguendo uma sobrancelha.
– Acho muito nobre de sua parte estar assumindo o filho de sua namorada como sendo seu. – falou admirado com a atitude da loira.
– Não estou assumindo como meu o filho de outra pessoa. Esse filho é meu. – disse sem paciência, revirando os olhos – Concebido de forma natural. Digamos que eu sou diferente...
– Não compreendo... – disse confuso.
– Eu tenho um pênis, Dr. Victor. – falou ainda sem esconder sua impaciência – Meu sistema reprodutor é todo masculino, por algum problema genético que ocorreu na minha gestação. – explicou.
– Mas isso é sensacional. – o médico falou empolgado, surpreendendo Quinn, que geralmente tinha que convencer as pessoas que aquilo não era nada demais — Eu nunca vi casos de hermafroditismo perfeitos, ainda mais com o sistema reprodutor totalmente formado.
– Desculpe, doutor, mas a paciente aqui não sou eu. – cortou a empolgação do médico, aquilo estava bastante estranho.
– Me desculpem. – disse se recompondo – É que é realmente raro casos assim. Bom vamos fazer os exames necessários então. Primeiro vamos fazer a coleta de sangue para ver se está tudo bem com você, Rachel, e confirmar a gravidez. Depois vamos fazer uma ultrassonografia para ver o bebê.
– Já vamos poder vê-lo hoje? – perguntou Quinn curiosa – Será que já vai dar para ver se é menina ou menino?
– Hoje vamos ver se está tudo certo com o feto, mas ainda não vamos poder ver o sexo do bebê. Geralmente só depois do terceiro mês é que conseguimos verificar.
O médico tirou mais algumas dúvidas das duas e encaminhou Rachel ao laboratório, enquanto ficou com Quinn em sua sala e a encheu de perguntas. Vendo que a curiosidade do médico era estritamente profissional não se negou em lhe informar o que era perguntado.
Rachel voltou à sala depois de um tempo já com os resultados dos exames em mãos. Sentou-se novamente ao lado de Quinn e apertou a mão suada desta, que esperava a confirmação de suas suspeitas.
– Bom, meninas, o resultado do exame deu positivo. Se tudo correr bem daqui a sete meses e meio vocês estarão com seu bebê nos braços. Só quero deixar bem claro para vocês que casos de aborto nesse período até os três meses são bem frequente, mas não é nada preocupante. A Rachel vai ter que se alimentar melhor e tomar algumas vitaminas, estou vendo aqui que você está quase beirando uma anemia, e isso não é bom nem para você e nem para o bebê.
O médico explicou mais algumas coisas e as duas escutaram atentamente, inclusive que seria bom Rachel manter repouso por umas duas semanas e fazer o tratamento indicado a fim de se recuperar.
– Doutor, daqui a duas semanas é a final da competição de corais. Não posso deixar o Glee Club na mão. – Rachel falou pesarosa.
– Você deve evitar viajar enquanto não controlar esse princípio de anemia, Rachel. – o médico ponderou.
– Mas vai ser aqui na cidade mesmo. – informou com olhos suplicantes.
– Você pode vir dois dias antes da competição então e veremos como você está.
...
As duas saíram de mãos dadas do consultório do médico. Quinn estava extremamente quieta e com o semblante preocupado.
– O que houve, Quinn? – Rachel perguntou ao perceber as feições da namorada.
– Eu não quero que você participe da competição. – falou incisiva.
– Como assim “não quer que eu participe da competição”? – perguntou indignada, soltando a mão de Quinn.
– Calma, Rach. Eu só não quero que nada de mais aconteça a você ou ao bebê. – disse abraçando-a, carinhosa — Só estou preocupada. Não precisa ficar brava comigo.
– Mas Quinn, o Dr. Victor falou que se estiver tudo bem até lá não terá problema algum. – falou com olhinhos de cachorro, adorando aquela preocupação que a loira dirigia a ela e ao bebê.
– Vamos seguir nos ensaios então e se você se sentir cansada ou não se sentir bem você para imediatamente. Pode ser? – propôs.
– Tudo bem. – concordou, sabendo que aquilo era o melhor para o bebê.
– Então vamos para o ensaio. Mr. Shue deve estar nos esperando. – falou puxando a outra para fora do prédio.
Quinn dirigia vagarosamente até a escola, onde o ensaio ocorreria. Passava lentamente por cada buraco que via na rua. Rachel tinha um sorriso de felicidade no rosto e admirava o olhar atento da namorada enquanto fazia o percurso. Achava muito fofa toda aquela atenção e carinho da outra.
– Quinn, desse jeito vamos chegar na escola quando o ensaio já tiver terminado. – disse rindo – Você pode ir mais rápido.
– Assim está bom. Não precisamos andar correndo. – falou receosa.
– Amor, estou adorando essa sua preocupação conosco, mas já está exagerado demais. – riu.
Quinn fez cara de brava, apesar de se dar conta de que realmente estava agindo de forma compulsiva com relação ao bem estar de Rachel e o bebê. Discretamente acelerou um pouco mais o carro, e a morena não conseguiu deixar de rir.
Chegaram à escola e foram direto para a sala do coral, onde todos as esperavam ansiosos para saber a novidade que haviam prometido. Entraram no local com um sorriso radiante no rosto.
– Então, que novidade é essa que vocês têm para nos contar? – Santana irrompeu na frente de todos.
– Calma, Santana. Não precisa ficar assim tão ansiosa. – provocou Quinn e olhou para Rachel.
– Então... a Quinn e eu temos uma novidade boa para compartilhar com vocês. – falou Rachel com um sorriso.
– Anda, anã, fala logo. – exigiu Santana.
– Não fale assim com a Rachel, San. – brigou Brittany e a latina ficou imediatamente corada arrancando risadas de todos.
– O que a Rach e eu temos para dizer é que... – começou Quinn e mais uma vez lançou um olhar sorridente para a namorada.
– ... nós vamos ter um bebê. – terminou Rachel, e olhou os rostos admirados em sua frente.
– Mas isso é maravilhoso, meninas. – o professor veio abraça-las enquanto os outros se recobravam da surpresa.
– A Rainha de Gelo e a maior loser do colégio juntas e esperando um filho. Muito lindo isso tudo. – falou uma voz desdenhosa vinda da porta.
Todos se recobraram da surpresa e olharam na direção de onde veio o som, deparando-se com um Finn totalmente possesso. Imediatamente Quinn se colocou na frente de Rachel, assim como os demais membros do coral também o fizeram, protegendo o casal.
– O que você faz aqui, Finn? – perguntou o professor que se postou na frente dos alunos, mas mantendo um ar apaziguador.
– Eu vim falar com a Rachel. Tentar acabar com todo esse mal entendido e consertar as coisas entre nós, mas essa desgraçada tinha que estragar tudo entre nós.
– Não há nada para ser consertado entre nós, Hudson. – ouviram a voz de Rachel atrás de todos, abrindo caminho – Já deixei bem claro que não queria nunca mais te ver na minha frente, ainda mais depois de ter agredido a Quinn.
– Mas, Rach...
– Não tem de ‘mas’, vai embora cara. – Puck intercedeu – Você perdeu o respeito de todos nós depois de ter agredido uma garota em um momento em que ela nem pode se defender.
– Você vai ficar ao lado dessa aí? O que isso é afinal? Nem homem e nem mulher, e vocês ainda a aceitam como se ela fosse normal? Dando as costas para mim? – falou com nojo.
– O único anormal aqui é você, Hudson. Vou repetir pela última vez, não me procure nunca mais. Eu tenho nojo de você e te quero bem longe de mim. – revidou Rachel raivosa.
– Calma, amor, olha o bebê. – apaziguou Quinn, que procurava não prestar atenção no que o outro dizia a fim de não fazer uma besteira e piorar tudo.
– É, Rachel, olha a mini aberração. – debochou.
Assim que terminou de falar Quinn voou na direção dele e passou a desferir vários golpes, que só não foram revidados por Puck, Sam e Mike também partirem para cima do grandalhão.
– Chegaaaa. – gritou Rachel, ligeiramente pálida.
Ao ver o estado da namorada, Quinn correu para acudi-la, enquanto o ex-namorado era retirado da sala aos berros.
– Rach, você está bem? – perguntou ofegante.
– Me sinto tonta. – falou sincera.
– Vem, vamos ao hospital. – disse com urgência.
– Eu levo vocês. – anunciou o professor, que entrava na sala.
Quinn ajudou Rachel a levantar da cadeira onde havia sentado. A morena caminhava lentamente quando sentiu uma fisgada no baixo ventre e levou a mão ao local, parando onde estava e fazendo cara de dor.
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