Por favor, espere.
2 Por favor, espere o próximo trem.
SEE Enterprises Holdings, Inc.
Sexta feira – 08 de novembro de 2014
A vida de Bento não estava fácil, nada fácil. Fazia apenas dois meses que o rapaz havia sido contratado para prestar serviços SEE Enterprises Holdings, Inc. E já não estava agüentando, aturar seu chefe era realmente irritante para ele. Pior depois que o chefe começou a dar investidas nele. Bento não sabia o que fazer. Não sabia se era verdade ou não, se era mais uma das piadinhas do ex colega de classe. A única certeza que Bento tinha no momento era de que seu coração batia acelerado quando o chefe estava próximo a ele, com suas brincadeiras idiotas.
Era fim de tarde. Final de expediente. Bento só precisava mostrar algumas coisas para o chefe e estaria liberado.
― Vai logo... ― Bento falou sozinho enquanto batia seu dedo na impressora que imprimia algumas folhas ― Que troço lerdo.
― Hum hum! ― Uma voz masculina soou nas costas de Bento.
Bento virou-se rapidamente e encarou seu chefe.
― É, oi! ― Bento disse sério e sem graça.
― Você está atraso 10 minutos! ― Gregori disse sério.
Bento encarou o homem alto. Ele se sentia intimidado por ele sempre, desde a época de escola. Agora então... Gregori tinha 1,89 de altura, e tinha malhado bastante nos últimos anos, era impossível não notar seu corpo forte e malhado por baixo daquele terno.
― E-Eu... Desculpe! A impressora esta muito lenta! ― Bento foi sincero e apontou para impressora em sua mesa.
Gregori riu.
― Eu sei, estou lhe observando... ― Ele olhou no relógio. ― A exatamente 15 minutos.
Bento sentiu suas bochechas queimarem, o garoto tinha ficado vermelho.
― Desculpe-me, agora esta pronta! ― Bento disse enquanto juntava todas as folhas e estendia para o chefe. As mãos do rapaz tremiam.
― Está tremendo, Bento? ― Gregori disse rindo.
― D-Desculpe, Senhor Goulart. ― Bento pediu e abaixou a cabeça.
O garoto sentia vergonha e raiva ao mesmo tempo. Raiva por se sentir tão intimidado e envergonhado na frente daquele imbecil.
― Ah não precisa essa formalidade quando estivermos apenas nós dois! ― Gregori disse e começou a caminhar na direção do homem a sua frente.
Bento de um passo pra trás e bateu na parede, a sala não era muito grande. O garoto ficou encostado na parede olhando o homem que a sua frente se aproximava.
― Não precisa ter medo, Bento... ― Gregori disse sorrindo. ― Eu só quero provar os seus lábios!
― N-Não devia fazer esse tipo de brincadeira! ― Bento tentou soar sério.
― E quem disse que eu estou brincando? ― Gregori riu.
― A-A-A sua noiva não vai gostar muito... ― Bento começou.
Gregori riu alto e então começou a se afastar de novo do homem.
― Está liberado, Bento. A propósito estou de saída também, quer uma carona? ― Gregori perguntou sério dessa vez.
Bento estava tão nervoso que nem fala tinha mais, então apenas balançou a cabeça negativamente.
― O.k! Ótima noite e bom final de semana, Senhor Anderson! ― Gregori disse sério e então saiu da sala, deixando Bento sozinho.
Bento sentiu suas pernas perderem a força e deixou seu corpo lentamente escorregar até sentar-se no chão. O homem olhou pra cima e fechou os olhos. Então suspirou fundo e se levantou. Sem demora Bento se levantou, vestiu seu casaco pesado e colocou um gorro na cabeça. Enrolou o cachecol no pescoço, e pensou antes de pegar sua bolsa e sair da sala.
O homem começou a caminhar pelo corredor devagar, ele não queria se mostrar nervoso para os colegas de trabalho. Então parou no balcão de atendimento.
― Beijos, Fê. Te vejo na segunda! ― Bento disse sorrindo.
A garota loira que conversa ao telefone mandou um beijo para ele e fez um símbolo de que conversam depois. Bento riu e saiu. Sem demora o garoto foi pro elevador e chamou o mesmo.
Bento ficou parado olhando pro nada, só voltou sua atenção quando o elevador chegou. O garoto entrou dentro, A porta estava fechando quando Bento ouviu.
― Segure a porta!
Bento então segurou a porta e um homem ruivo e barbudinho entrou no elevador.
― Oi! ― O homem disse meio cansado. ― Sou Lucas! ― Então sorriu.
Bento sorriu também.
― Eu sou Bento. ― Bento disse feliz. ― Você deve ser o novo estagiário certo?
― Isso mesmo. ― Lucas disse sorrindo e então passou as mãos pelo cabelo.
O elevador descia rápido. Logo chegou ao térreo. A porta abriu.
Os dois homens saíram do elevador.
― Foi bom te conhecer, Lucas! ― Bento disse.
― É... ― Lucas começou e parecia que iria falar mais. Só que Bento saiu do prédio apressado.
A viagem até o metrô não foi longa, e Bento só conseguia pensar em uma coisa. “O chefe”. Isso o incomodava tudo que ele menos queria pensar, era o que vinha em sua mente. Bento comprou o bilhete e então passou a catraca, seguiu em direção a plataforma em que pegava o trem. Viu que havia um trem parando e começou a correr na direção do trem, se perdesse aquele iria ter que pegar o próximo que com certeza viria lotado. Esse era o último trem antes do horário de pico.
― Segure a porta pra mim! ― Bento gritou para um garoto loiro que estava na porta.
O garoto ignorou o pedido de Bento e virou o rosto. As portas do trem fecharam.
Bento chegou à plataforma e ficou olhando o trem partir.
― Droga, droga, droga... ― O homem falava sozinho e agora olhava para os trilhos.
― Não se mate, por favor, espere o próximo trem. ― Disse uma senhora que estava sentada próxima a Bento.
Bento olhou para a velhinha com um sorriso nos lábios, mas sua vontade era jogava a velha nos trilhos.
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