Por Trás da Mascara
6 Jantar beneficente
Notas iniciais
Grace caminhava tranquilamente pela vila. Era meio dia, e ela estava entediada dentro da casa então resolveu dar uma volta Enquanto andava perdida em seus pensamentos, uma voz lhe tirou de seus devaneios:
–Com licença querida. –Pediu uma mulher sentada no chão com uma criança de seis anos dormindo em seus braços. – Você teria algum dinheiro ou alguma comida par mim por favor? – Completou a senhora. Grace olhou para mãe e filho e percebeu que os dois estavam magros e usando roupas sujas e rasgadas, isso a comoveu:
–Me desculpe, mas eu não tenho nada... – Lamentou ela:
–Obrigada mesmo assim. – Disse a senhora. Grace balançou a cabeça e seguiu caminho, mas a imagem da senhora e seu filho não saiu de sua mente:
–Você ouviu dizer? O general foi convidado pelo Duque para um banquete. – Grace ouviu um dos comerciantes comentar:
–Sim. Mesmo com a população morrendo de fome eles continuam com esses jantares. – Concordou o outro. Foi nesse momento que uma ideia surgiu na mente de Grace que sorriu e correu de volta para a casa abandonada.
Na casa do Duque Joaquim III, ele e Sir Fieldelton conversavam sentados à mesa se servindo do grande banquete que havia:
–Como estão as coisas na vila? – Perguntou o Duque puxando assunto:
–Estão bem. – Respondeu o general dando uma mordida em sua coxa de frango:
–Mas e a Trapaceira? Que eu saiba ela continua livre. – Comentou Duque Joaquim. Sir Fieldelton engoliu seco:
–É... sim, ela continua livre. – Concordou ele. — Mas continuamos tentando prende-la. – acrescentou rapidamente:
–Estou achando que terei de te substituir general. Você e seus homens ainda não a capturaram, e ela não é apenas um adolescente?
–Sim mas, é uma adolescente pirata. Você sabe como são os piratas. – Tentou se defender:
–Claro, claro. Porém você já acabou com uma das tripulações mais temidas pelos ingleses e não consegue prender um deles? Mesmo que seja apenas uma adolescente? – Perguntou meio irritado:
–E-eu, hum... é que... – Suspirou o general sem resposta. – Apenas me dê até o final do ano e eu prometo a você que já terei a capturado. – O duque pensou por um instante e assentiu:
–Certo... mas se você passar do prazo, irei te rebaixar e declara outro como general. – Sir Fieldelton assentiu esperançoso.
Enquanto eles conversavam, Grace se aproximava da grande casa do duque vestida como Trapaceira. Observou a entrada cheia de guardas formulando um plano que surgiu instantes depois. Caminhou para os fundos onde viu alguns servos entrando, quando o último entrou, correu até a porta e entrou. Caminhando pelo corredor se deparou com uma escada de madeira, sem pensar duas vezes subiu e acabou saindo direto no corredor. Procurou em todas as portas que via, até que na oitava porta, encontrou o armazém de alimentos. Tirou um saco vazio de seu sobretudo e o encheu com um pouco de tudo; frutas, verduras, pães, carnes secas e algumas garrafas de água e de sucos.
Voltando para a saída do chão por onde entrou, viu que alguém havia trancado. Suspirou e caminhou para o outro lado. No final do corredor se deu de cara com um parapeito, olhando para baixo pode ver a mesa do banquete, o Duque e o general. Um novo plano veio a sua mente. Como a altura não era grande, ela subiu no parapeito e pulou. Aterrissou em cima da mesa, na frente do duque. Todos ali presentes estavam surpresos, principalmente o general.
Grace andou em cima da mesa ainda segurando o saco com a comida até o general e chutou sua taça fazendo sujar o rosto dele com o vinho. Ele limpou o rosto com raiva:
–Com licença. – Grace disse, pegou o seu prato e fugiu. Todos ainda não se mexeram de surpresa:
–O que você está esperando? – Perguntou o Duque ao general que olhou confuso. – Vá atrás dela! – Gritou impaciente. O general, imediatamente pegou sua espada e correu atrás da Trapaceira.
Grace correu o mais rápido que pode para a porta principal da mansão, e para a sua sorte não havia nenhum guardar em seu caminho. Ela saiu pela porta e a fechou bloqueando-a com uma lança de umas das estátuas de armaduras que havia uma em cada lado da porta. Feito isso correu de volta para a vila.
No lado de dentro da mansão, Sir Fieldelton chegou a porta e tentou abri-la, mas estava bloqueada:
–Maldita Trapaceira! – Gritou ele como socou a porta com força.
Já na vila, Grace caminhava pelas sombras (já estava escurecendo) ainda com o disfarce. Ela se encaminhava para o lugar onde havia encontrado a senhora e seu filho mais cedo naquele dia. E para sua sorte eles ainda estavam lá. Quando ela se aproximou a senhora olhou para cima e se surpreendeu ao ver a Trapaceira:
–Aqui. – Grace entregou o saco cheio de comida para ela. – Deve durar por algum tempo. – Adicionou, fazendo a mulher sorrir:
–Muito obrigada Trapaceira. – Agradeceu muito grata. Grace acenou com a cabeça sorrindo e desapareceu nas sombras novamente.
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