Por Quê Sempre Eu?!
2 O idiota filho de Hades
Notas iniciais
– MELANIE! –ouvi alguém gritar. – Você está bem? O que aconteceu aqui? –a mesma pessoa perguntou. Abri meus olhos lentamente e percebi que a voz irritante que me acordou pertencia a Luiza.
- Eu... –comecei a falar mas parei. Não me abriria com ela. De jeito nenhum. – Eu dormi. –menti.
- Dormiu?! Você tem noção que ficou as últimas três aulas aqui? –questionou irritada. – Você pelo menos tentou localizar os semideuses?! –questionou novamente e apenas a encarei. Não estava a fim de responder. – Você é irritante, sabia?! –gritou e saiu batendo os pés. Nossa, devo ser irritante mesmo, já é a segunda vez no dia que ela me faz essa pergunta. Aproveitei que não tinha ninguém no meu campo de vista e comecei a flutuar, me preparando para poder voltar ao hotel quando escuto um grito.
- Como...? Como você? –a pessoa que havia gritado perguntou. Senti uma força negativa emanando dessa pessoa, e a imagem de minha mãe morta voltou à mente. Filho de Hades, só pode.
- Do mesmo modo que você me fez acreditar que minha mãe estava morta. –respondi entendendo o que havia acontecido mais cedo. Coloquei os pés no chão e fui em direção ao garoto que havia esbarrado no intervalo. – Como pode?! –bradei segurando as lágrimas. Havia ficado as outras três aulas que teria naquele mesmo banco, sentada segurando as pernas com os olhos fechados enquanto algumas lágrimas ousavam cair.
- Do... Do que ta falando? –perguntou se fazendo de confuso.
- Você sabe do que estou falando. –o encarei e cruzei os braços lançando um olhar penetrante nele. – Quando foi que percebeu que poderia criar ilusões nas pessoas? –questionei com um tom irônico na voz.
- Não sei do que está falando... Louca. –disse e se virou saindo apressado. EU? LOUCA? É, pode até ser.
- Dane-se. –constatei e alcei voo de volta para o hotel, aproveitando a sensação de liberdade. Quando cheguei ao hotel à primeira coisa que fiz foi mandar uma mensagem de Íris para mim mãe.
- Oh Íris, deusa do arco-íris, aceite minha oferenda e me mostre Helen Smith, Estados Unidos, Nova York. –fiz a oração, e logo a imagem de uma mulher dormindo em uma cama maltrapilha apareceu. Suspirei aliviada.
- Mãe? –chamei.
- Humm...
- Mãe?!
- Humm!
- HELEN!
- Não tenho dinheiro! –gritou acordando de vez. – Ah... É só você, Mel. O que quer?
- Eu... Como você está? –perguntei feliz em ver que aquela visão horrível de sua morte foi projetada em minha cabeça.
- Bem... Não ta vendo? –perguntou arrogante abrindo os braços.
- Sim... Eu só... Estava preocupada. –disse e ela revirou os olhos.
- Mãe... –comecei a falar, mas ela me interrompeu.
- Que foi Mariana, não é ta vendo que quero dormir?! –cortou-me irritada.
- Mãe, você está bêbada de novo?! –questionei começando a me irritar. – Por favor, diga que não...
- Ah, Maria... Você sabe como é. Não consigo viver sem minha parceira. –falou rindo. – Não é garrafinha? –perguntou ainda rindo enquanto pegava uma garrafa de alguma bebida alcoólica qualquer e a beijando.
- É Melanie, mamãe... –a corrigi segurando as lágrimas.
- Tanto faz. –ela disse abanando as mãos. – Vou dormir... Tchau! –despediu-se e apagou a mensagem de Íris.
- Não! Eu... –comecei a falar, mas foi inútil já que não havia mais nenhum rastro da mensagem que há pouco tempo pairava em minha frente. Droga, por que isso sempre acontece comigo? Por quê sempre eu?!
Chega, não vou ficar me torturando. –pensei e levantei-me da cama indo para o restaurando do hotel almoçar. Chegando lá encontrei uma Luiza irritada comendo sozinha. Peguei meu almoço e me sentei com ela, sem dizer nada.
- Estranha. –comentou com uma cara engraçada logo depois que me sentei. Limitei-me a sorrir com o comentário.
– Canalizei um dos semideuses hoje. –comentei enquanto comia.
- Sério?! Eu sei que tem três, mas ainda não consegui adivinhar quem é quem... –ela falou.
- Também não sei o nome dele, mas ele implantou em minha mente a alucinação de minha mãe ter morrido. –comentei, e Luiza arregalou os olhos.
- Como assim?! Quem é o idiota?! –perguntou com uma cara séria.
- Não sei seu nome, mas esbarrei com ele no corredor e ele foi grosso comigo, então não medi esforços que respondê-lo a altura, e isso o irritou. Deve ter a minha idade, cabelo loiro, olhos verdes, marrento. –descrevi.
- Hum... Não sei. Amanhã na escola você me aponta ele que eu lhe falo o nome. –Luiza disse já não dando muita importância.
- O.K. –respondi terminando de comer. Luiza, que já havia acabado, parou de batucar as unhas na mesa e me analisou. – Que foi? –perguntei estranhando.
- Nada... –respondeu indiferente. – Você penteou o cabelo hoje? –perguntou olhando com nojo o ninho de ratos que é meu cabelo.
- Não deu tempo... –respondi passando a mão por cima da juba para tentar abaixá-la.
- Henri está interessado em você. –disparou. – E quer minha ajuda para te conquistar.
- O quê?! –perguntei cuspindo o suco que tomava. Mal conheci o garoto e ele está interessado em mim? – Isso é um tipo de brincadeira? Porque não gostei nem um pouco disso. –constatei levantando da mesa.
- Calma! –ela comentou rindo. – Não é brincadeira, mas se você não está interessada eu aviso a ele. Só te digo uma coisa... Quando Henri quer algo, ele consegue. –disse rindo maliciosamente.
- Não sou objeto para alguém me ter. Se me da licença, vou para meu quarto. –despedi-me fugindo daquela conversa estranha. Necessito de ar –pensei. Chegando ao meu quarto coloquei uma roupa mais folgada, e fui caminhar. O hotel ficava perto de um lago bem conhecido na cidade, lago Igapó, e lá era um ótimo lugar para esfriar a cabeça.
Quando cheguei lá dei duas voltas correndo em volta do lago, e depois parei para descansar sentada em um banco enquanto ouvia a playlist do meu celular. Fechei os olhos para acalmar a respiração e aproveitei para canalizar cada energia dali. Mortais, mortais, um cachorro, mortais, uma quimera, dois semideuses, mortais, e... ESPERA! Quimera, semideuses?! – abri os olhos e deparei-me com uma cena estranha, mas engraçada. A Quimera estava com o corpo preso em um banco de madeira, e em suas pernas havia ferros do que antes era uma academia para idosos ao ar livre. Os semideuses observavam o monstro assustados, diria que estavam em choque. Aproveitei que eles não estavam chamando muita atenção e corri para ajudá-los. Chegando lá tirei minha pulseira que logo se transformou em Traiçoeira, minha espada de bronze celestial (bronze vindo direto do Monte Olimpo) e decepei a cabeça do monstro, o transformando em míseros segundos em apenas pó. Virei para os semideuses e me assustei. O filho de Hades da escola estava ali, e uma garota, com aparência de ser sua irmã mais nova apertava sua mão com medo.
- O que...? –o filho de Hades questionou assustado e suspirei.
– Precisamos conversar. Agora. –disse e apontei para um banco. E lá vai mais um explicação sobre a vida azarada de semideuses...
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