Por Que Se Apaixonar?

2 Segundo capitulo - Festa, garotas e Tripp.


Lanc me deixou na porta de casa e foi seguindo uma loira de cabelos curtos que passava pela rua. Assim que entrei em casa notei que estava deserta, meus pais tem horários bem bagunçados, então nunca sei bem quando vou encontrar com eles em casa. Depois de comer uma lasanha maravilhosa de microondas fui para a frente da TV. Nada de bom passava e o tédio só foi aumentando durante o dia. Eu havia me mudado a não mais que três meses e não conhecia muita gente alem do Lanc. Pensei em ir na casa dele para fazer qualquer coisa, do jeito que ele é rico não se esgotavam nunca as possibilidades de diversão na casa, mas me lembrei da garota loira e se bem conheço meu amigo, ele estaria com ela fazendo sexo por todos lugares possíveis da casa. Ou nem é pra tanto, mas é assim que imagino as tarde tediosas do Lanc. Já estava quase desistindo de ter algo para fazer e ir dormir, quando notei que meu celular vibrava no bolso do meu moletom roxo. Era o tarado em pessoa.

– Aló Mandyzinha do meu coração. – Isso é a cara dele quando quer pedir alguma coisa.

– Que foi Lanc?

– Tem uma festa hoje e preciso que vá comigo.

– Como assim precisa?

– É que tem uma vadia dando em cima de mim e eu disse pra ela que tinha namorada.

– Que no caso seria eu né?

– Sim, você é a minha melhor amiga você sabe né?! Não pode me negar isso.

– Por que você não deu um fora nela como deu na Michella? Por que tem que me colocar no meio?

– Por que ela é filha do sócio do meu pai. Se ela falar pro pai dela que quer que ele acabe com a sociedade ele acaba e ferra com a vida do meu pai.

Ok, era uma historia digna de filme, como tudo na vida do Lanc. Mas como boa amiga não o podia deixar na mão.

– Vou me arrumar, passa para me pegar daqui a pouco.

– Obrigada Mandyzinha!

Subi para meu quarto e tomei um banho, que maravilha de água. Sabe quando você sente seu corpo todo relaxado, mole como gelatina? Sempre que eu tomava banho me sentia assim, adorava sentir a água cair e ir descendo pelo meu corpo. Logo que sai fui ao meu armário escolher algo para vestir. A parte mais estranha de fingir ser namorada do Lanc é que eu não sou o estilo de garota que ele gosta. Afinal não sou gostosa, alta de corpo bem farto, mas se ele queria assim. Mas por fim resolvi usar um vestido preto que não usava, fazia muito tempo. Ele era estilo Ladylike com pequenos pássaros desenhados. E não era muito comprido por isso coloquei um short de malha preto justo por baixo. Abri uma porta do meu armário que há anos não abria: a porta dos saltos! Escolhi um que minha mãe sempre gostou. Era um Ankle Boot preto com spikes dourados, um salto grosso. Era estranho me ver assim, normalmente eu usava tênis e roupas diferentes, tipo blusas enormes e coisas rasgadas. Passei um pouco de maquiagem. Nada muito exagerado, afinal, para chamar atenção já basta meu cabelo colorido, que, aliás, eu mudava de cor constante mente, na ocasião ele estava roxo. Quando ia descendo as escadas, mexendo no meu celular ouvi a voz da minha mãe e ela não estava sozinha. Segui o som das vozes e fui para a cozinha. Lá estava minha mãe Meredith em um papo descontraído com o Lanc, meu amigo e namorado por uma noite. Os dois ficaram me encarando por um longo tempo com cara de espanto.

– O que foi? Parece que nunca me viram?

Dei os ombros e fui até a geladeira pegar um copo de água gelada. Os dois permaneciam quietos.

– Vamos Lanc?

Ele fez que sim com a cabeça e logo estávamos a caminho da tal festa. Fomos com o pai do Lanc, Tiago Carter. Ele diz que é preciso trabalhar muito para ficar rico como ele, e tem que ser um cara educado e respeitado e blá blá blá. Nem eu nem o Lanc damos muita importância para as lições de moral dele, afinal ele já nasceu podre de rico, herdou uma rede de lojas do avô do Lanc e sobre ser educado e respeitável... O cara deve ter uma mulher em cada cidade do mundo. A mãe do Lanc se separou dele e vive viajando com o dinheiro que ganha dele para não fazer escândalo sobre as milhares de traições e essas coisas. Ficamos os três a viagem inteira sem dizer uma só palavra. O que para o Lanc era bem estranho. Paramos em frente a um hotel na divisa de Monte Carmo com Paraíso. Era um hotel de luxo, Palace Monte Carmo. Na fachada estavam bem visiveis as cinco estrelas douradas. O pai do Lanc ainda disse algo quando saímos do carro, coisa que ele ignorou completamente.

– Animada?

– Nem tanto, sabe que ODEIO festas.

– Sei, sei. Mas tenta ser agradável ok?

Apenas fiz que sim com a cabeça. Entramos no luxuoso prédio e o porteiro deixou a gente entrar sem fazer muitas perguntas. Subimos de elevador todos os andares possíveis e paramos na cobertura. Assim que saímos do elevador, deu para ouvir som de música alta, um pop bem chato. O som vinha da porta do fim do corredor, da qual saiam algumas luzes coloridas que piscavam freneticamente. O Lanc segurou minha mão e eu me assustei me afastei dele que ficou me olhando sem entender nada.

– Esqueceu que por hoje você é minha namorada?

Havia me esquecido completamente. Não era normal o Lanc se aproximar de mim assim, ás vezes parecia que para ele eu era um garoto, por isso estranhei tanto.

– Não, só é estranho.

Dei a mão para ele e seguimos para aquele antro de perdição! Assim que a porta do lugar se abriu deu para ver as luzes coloridas que deixavam o ambiente muito legal. Era difícil ver algo ali dentro e pior ainda era ouvir algo. Uma garota loira e alta se aproximou de nós e gritou para o Lanc.

– OI LINDO. QUE BOM QUE VEIO!

Ela já foi se aproximando e se insinuando para o Lanc, ela agarrou o pescoço dele e falava coisas bem pornográficas. Ele me deu um puxão fazendo meu corpo se aproximar. A garota então se afastou e me olhou com uma cara de nojo que meu deu muita raiva. Era bem como a Michella me olhava.

– QUEM É ESSA LANCELOTE?

Era muito engraçado ouvir o nome do Lanc. Lancelote, quem em sã consciência dá esse nome ao filho? A menina parecia revoltada.

– MINHA NAMORADA, EU DISSE QUE IA TRAZER ELA.

Ele gritou de volta para a garota. Ela me encarou por uns instantes, estendeu a mão e gritou para mim.

– PRAZER, SOU A CLARIE E VOCÊ É?

– AMANDA.

– NOME BONITO.

Ela disse com o sorriso mais falso do mundo no rosto e foi embora jogando a cabeleira loira. Olhei para o Lanc e ele não se aguentava de tanto rir. Ele chegou mais perto de mim para falar.

– Você tem o dom para ser inimiga das vadias.

– Era só a Michella, agora tem essa Claire por sua culpa.

– Deixa de ser chata e aproveita a festa.

– Eu vou embora, ela já te viu comigo.

– Mas ela vai ficar perguntando onde você tá.

– Fala que eu passei mal, vomitei, sei lá, fala que eu morri. Eu não vou ficar nessa festa com um monte de cara tarado. Olha aquilo ali.

Um casal se agarrava no canto, perto da porta. A garota estava com o vestido tomara que caia na cintura deixando a mostra o sutiã que naquela luz me parecia rosa e o garoto só de calça. Era um absurdo. Então simplesmente sai dali deixando o Lanc para trás. Odiava aquelas músicas, aquelas luzes, aquele calor, odiava tudo ali. O elevador não demorou muito para chegar e logo estava eu descendo todos aqueles andares. Ainda não estava muito tarde, então não seria difícil achar um táxi. O hotel ficava quase em outra cidade, mas como era uma área com muitos hotéis, boates e essas coisas, haviam vários taxis. Fiquei na calçada por um tempo esperando um táxi. Várias pessoas passavam por mim rindo alto, bem bêbadas. Alguns só passavam, outras falavam sobre meu cabelo, recebi meia dúzia de cantadas toscas e ainda alguns empurrões de bêbados sem equilíbrio. Um táxi parou assim que dei sinal bem na frente do prédio. Quando ia entrar no carro ouvi a voz do Lanc me chamando e olhei para trás. Ele estava correndo e só parou quando conseguiu segurar a porta do carro.

– Aonde você vai?

– Já te disse, eu vou embora.

– Para Amanda, volta comigo pra festa vai?

– Não Lanc. Não gosto desse tipo de lugar. Não sou como essas vadias que ficam se esfregando nos caras em uma sala mega escura.

– A gente pode ficar em um quarto.

Minha mão automaticamente voou na cara dele. Ouvi um estalo bem forte e a marca da minha mão ficou na cara dele.

– Agora mesmo é que vou embora. Nunca esperei isso de você.

Ele segurou meu braço me puxando para trás e fechou a porta do táxi dispensando o motorista que reclamou, mas foi embora depois do Lanc ter jogado algum dinheiro no banco do carro, algum não, era um bolinho cheio de notas de cem.

– Não é isso que está pensando Amanda. A gente fica no quarto conversando como sempre. Pra você não ficar se esfregando nos caras. Eu nunca pensaria em uma coisa dessas, mesmo você estando muito gostosa.

Ele disse enquanto me levava de volta para o antro. Olhei pra ele querendo marcar a outra face com a mão.

– Quer ganhar outro tapa é?

– Desculpa.

Subimos calados até a cobertura. Assim que entramos no lugar demos de cara com a loira da Claire. Olhou-me com desprezo e cuspiu as palavras.

– Voltou?! Que ótimo.

A música já estava mais baixa, ou eu que havia desenvolvido uma estranha habilidade de ouvir a voz daquela menina. O Lanc cochichou algo no ouvido dela e ela apontou para uma escada no fundo da sala. Seguimos até lá, mas não foi um caminha fácil: gente bêbada, suada, se agarrando... Um verdadeiro puteiro. Quando finalmente chegamos à escada tivemos que tirar uns bêbados que estavam quase se comendo ali mesmo. Quando conseguimos subir as escadas demos em um corredor com várias portas. Entramos em um quarto que parecia ser de uma menina por conta das coisas delicadas e fofas.

– Era melhor eu ter ido embora.

Resmunguei enquanto sentava na cama que era muito macia.

– Quer ver TV?

Ele me perguntou me mostrando o controle da TV de plasma que ficava de frente para a cama. Fiz que sim com a cabeça e ele ligou a TV. Estava passando o filme 'A Ressaca' . Fiquei ali assistindo o filme, eu deitada na cama e ele em um pufe enorme que ficava no chão. Era um filme bem engraçado, cheio de besteiras, digamos uma comédia bem suja. O tempo não passava, toda hora que olhava no relógio haviam se passado apenas alguns minutos.

– Posso ir embora agora?

– Não está se divertindo?

– Preferia estar em casa ouvindo música e jogando videogame. E esse sapato está me incomodando.

– Vamos então Mandy.

Me levantei daquela cama macia com meus sapatos na mão, porque andar com aquilo estava fora de questão. Já podia sentir enormes bolhas se formando em meus pés.

– Sapato na mão?

– Algum problema?

Ele fez que não com a cabeça e abriu a porta. Naquele momento congelei! Ali estava ele, abraçado a uma ruiva, cheio de marcas de beijo pelo pescoço e o batom vermelho da garota todo borrado. Tripp! Era mesmo o Tripp. Ele quando me viu ficou parado me olhando ficamos assim por alguns minutos. Nunca imaginei ver o Tripp em um lugar desses. Ele é do tipo todo fofo e certinho, por isso gostei tanto dele. Tá, esse foi só um dos motivos.

– Amanda?

–Oi, Tripp.

–Então Mandy, vamos? Oi Tripp.

O Lanc cumprimentou o Tripp. Que respondeu com um aceno de cabeça.

–Amanda, Lanc, essa é a Juddie.

–Oi Amanda e Lanc. Vocês são namorados?

A garota estava muito bêbada e isso era visível.

– Não, só vim com o Lanc pra ele se livrar de uma garota.

Eu não devia explicações para ninguém, mas me senti na obrigação, meio como se o Tripp tivesse me perguntado apenas com aquele olhar. Estranhamente quando eu disse aquilo ele sorriu, mas tentou disfarçar. O Lanc tapou minha boca, talvez com medo de que a doida da Claire escutasse.

– Podem me ajudar aqui, minha irmã bebeu demais.

IRMÃ? A Juddie é irmã do Tripp? Que alivio! Bem, quem sabe eu e ela não viramos melhores amigas? Ok, isso não algo que se diga, mas aquele sorriso disfarçado dele me deu alguma esperança.

– Claro entra com ela aqui.

Os dois entraram no quarto e eu fechei a porta e passei a chave, para evitar casais de entrar ali para transar.

– O que aconteceu?

Eu perguntei enquanto ajudava eles a deitar ela na cama. Tirei o sapato dela e coloquei do lado da minha cama. Ela era bem pequena e fofa.

– Cara como você trás sua irmã para festas como essa? Se eu tivesse uma irmã ela não ia sair de casa.

– O namorado, ou melhor, ex-namorado dela que trouxe. Um verdadeiro babaca, mas minha mãe não via isso. Ele terminou com ela e ela bebeu tudo que encontrou pela frente. Sorte que um amigo meu viu ela aqui e me chamou.

– Nossa, que bom que ela tem você para cuidar dela.

Ele sorriu timidamente. Mas era a mais pura verdade. Sempre quis ter um irmão mais velho para cuidar de mim. Por isso acho que era tão apegada ao Lanc, ele era meu irmão mais velho de outra mãe. E outro pai também.

– Eu quero o meu namorado agora Tripp, onde ele tá?

Ela falava coisas sem sentido enquanto se debatia na cama.

–Tá de carro? – O Tripp perguntou para o Lanc. Não sabia bem a idade do Tripp. Sei que o Lanc tem 17, mas é emancipado desde os 14 e por isso tirou carta cedo.

–Não. E você?

–Também não.

–Posso chamar minha mãe, ela não vai encher o saco. – Dei a idéia, minha mãe do jeito hippie que é ia achar engraçado ver a garota bêbada.

– Isso minha tia é muito legal. Se eu chamar meu pai ele manda prender todo mundo aqui, então é melhor não.

Peguei o celular do Lanc e fui até o banheiro para ligar para minha mãe.

– Mãe pode vir buscar eu, o Lanc, o Tripp e a irmã dele? Ela não está muito bem.

– VOCÊ ESTÁ COM O TRIPP AI?

Minha mãe estava surtando no telefone, eu já havia falando para ela do Tripp.

– Ele pediu ajuda com a irmã dele.

– Estou indo.

– Anota o endereço, Avenida Imperador. 90.

– Anotado. Já estou indo.

Desliguei o celular e voltei para perto dos três. Juddie não estava nada bem. O Tripp estava visivelmente preocupado com a irmã.

– Quantos anos ela tem?

– Ela é minha irmã gêmea. Tem 16 anos como eu, mas está no segundo colegial.

– Você repetiu o ano?

O Tripp ficou bem envergonhado, com certeza não era um assunto no qual ele goste de tocar.

– Repeti a terceira série.

– Nossa cara, era só desenhar, escrever seu nome e desenhar mais.

– Lanc isso era no primário.

– Para mim é a mesma coisa.

– Pois é.

Ele desviou o olhar para a irmã e ficou distante. Juddie tinha caído no sono. Ficamos os três calados: Tripp olhando para a irmã, eu olhando pro Tripp e o Lanc olhando um álbum de fotos que tinha encontrado, com certeza eram fotos da Claire.

– Deve ser estranho morar em um hotel né?

– Quê?

Ele tinha o dom de acabar com o silêncio.

– Ué, aqui é um hotel: Palace Monte Carmo.

– Pra gente endinheirada como a Claire deve ser normal.

– Pra mim não é. Sei que minha casa não pode ser chamada de Lar doce Lar, mas um hotel já sacanagem.

O celular dele tocou.

– Alô tiaaaa! Ok. Já vamos descer!

Ele desligou o telefone e deu um pulo.

– A tia Merê chegou vamos lá kids!

O jeito que o Lanc falava era uma comedia. Ele misturava várias línguas quando queria aparecer. Uma vez juro que ele falou russo.

– Me ajuda aqui Lanc.

Os dois levantaram a Juddie que acordou na hora e ficou sem entender nada. Eu abri a porta, o corredor estava cheio de bêbados alegres, seria um sacrifício passar por ali. Quando íamos de fato sair do quarto uma pessoa loira barrou a porta.

– Estavam fazendo uma orgia e não me convidaram? Que coisa feia hein!

– Licença Claire. Temos que ir.

– Mas já? Se bem que você e essa ruiva podem ir, mas deixem os gatinhos para mim. Parece que precisam de um bom trato da Claire.

– Não, realmente não! Precisamos ir embora.

– Pois é. Até outro dia Claire!

– Nossa cara, você é muito linda!

A Juddie disse apontando o dedo na cara da Claire que sorriu com o elogio.

– Pena que é uma vadia. HAHAHAHA

A menina estava totalmente sem noção. A Claire ficou com uma cara de quem comeu e não gostou. Eu e o Lanc íamos abrindo caminho naquele aglomerado, enquanto o Tripp carregava a Juddie que falava besteiras e beijava o irmão.

– Você não fica com vadias como ela não né? E a tal da Michella que você me falou? É vadia igual, ou pior que essa?

O Tripp só ignorava tudo isso.Quando finalmente conseguimos chegar ao elevador eu pude respirar. Descemos o que parecia um prédio de dez milhões de andares, pela demora do elevador em chegar no térreo. O carro da minha mãe estava um pouco afastado. O Lanc revezou com o Tripp e carregou a Juddie. Eu carregava os sapatos de nós duas.

– A Juddie pode dormir na sua casa essa noite? Minha mãe vai pirar se ela chegar em casa assim.

– Pode, mas o que sua mãe vai falar se ela não chegar com você?

– Eu digo que ela vai dormir na sua casa, digo que são amigas.

Eu apenas sorri. Minha mãe estava escorada do lado de fora do carro esperando por nós. Minha mãe era uma mulher bem legal, tinha um estilo alternativo de ser: usava roupas que ninguém mais usava, curtia rock indie, estava sempre em movimentos pela paz mundial e coisas do tipo e fumava maconha. Sei que isso não é uma coisa boa, eu não faço, mas ela usa de maneira medicinal(pelo menos é o que ela diz). Enfim, é uma ótima mãe, me deixa bem livre e quando estou com problemas, ela me dá conselhos do jeito dela.

– Demoraram crianças. Então essa é a garota que precisa de minha ajuda.

– Oi moça hippie! – Juddie cumprimentou minha mãe quase caindo de cima do Lanc.

– Eu gostei dela!

– Mãe, esse é o Tripp. E o Lanc você sabe bem quem é.

Os meninos a colocaram no banco de trás e ficaram lá com ela, eu me sentei no banco da frente. Minha mãe colocou Choo Choo do Arctic Monkeys. A Juddie se animou e começou a cantar.

– Choo Choo! Why don't you let her drive the train, yeah...

Era impossível não rir com ela cantando daquele jeito.

–Arctic Monkeys é minha vida, coloca Scummy por favor!

Minha mãe prontamente colocou a música pedida pela garota.

– And what a scummy man. Just give him half a chance...

Ela cantava muito desafinada, mas cantava.

– Mãe, a Juddie vai ficar lá em casa hoje tudo bem?

– Tudo sim! E vocês meninos onde ficam?

Já estávamos chegando na parte central de Monte Carmo, minha casa já não estava tão longe.

– Pode me deixar na Avenida dos Portos.

– Eu também salto lá! Vai ser bom ir andando pra casa.

– Lanc você mora na Unidos Fronte. Vai custar chegar lá!

– Se eu seguir pela Avenida Odair Gusmão chego lá rápido!

– Você quem sabe.

Minha mãe parou o carro. O Tripp se despediu, deu um beijo na testa da Juddie que estava distraída com um cartão de dia das mães que encontrou no carro e desceu. O Lanc desceu junto com ele. Eles começaram a andar conversando. Seguimos para casa. Era só virar uma esquina de onde deixamos os meninos. Assim que o carro parou, eu ajudei a Juddie sair do carro e entrar em casa.

– Vou fazer um chá para ela! Leva ela pra tomar um banho. Banho gelado.

Subimos até o banheiro. A Juddie parecia estar melhor, porém bem triste.

– Por que os homens são tão idiotas?

– Nem todos são. Bem, a maioria é.

– Eu estava tão apaixonada por ele e o que ele fez?! Terminou comigo e saiu pegando todas na minha frente. Eu tentei fazer o mesmo e acabei bebendo demais e ficando ruim. Desculpa o trabalho.

– Tá tudo bem Juddie. Toma um banho, vou separar uma roupa para você dormir! Minha mãe vai fazer um chá para você.

– Nesse momento seria bem melhor um grande pote de sorvete de chocolate!

Eu sorri para ela e disse animada.

– Você tá na minha casa. Aqui sempre tem sorvete e todas besteiras que puder comer.

– Como seus pais deixam? Minha mãe pirão Carlos leva sorvete pra casa.

– É que as vezes meus pais são mais adolescentes que eu mesma.

Ela sorriu e fechou a porta. Separei um pijama bem confortável para ela. Tomei para mim a missão de fazer ela se sentir ótima.

Notas finais
#Gostaram?