Por Que Se Apaixonar?
3 Terceiro capitulo - Nova vida.
Estava separando uns filmes de ação e uns jogos bem sangrentos para distrair ela quando ouvi a porta de abrir. Meu pai havia chegado. Corri para baixo, fazia dois dias que não o via. Eu adorava meu pai, ele que me ensinou tudo que preciso saber sobre vídeos-game, música e animes. O Lanc brinca dizendo que ele é seu pai também. Mas vamos admitir que até eu sou mais pai do Lanc do que o pai dele.
–Pai, que bom que chegou! Mãe prepara dois potes grandes de sorvete!
Gritei para minha mãe enquanto descia as escadas correndo.
– Oi filha. Também quero sorvete! Encontrei esses dois na Avenida dos Portos correndo de uns caras.
Eram o Tripp e o Lanc. Eles estavam visivelmente cansados.
– Correndo de uns caras?
Eu perguntei enquanto abraçava meu pai.
– Sim. Olá querida.
Meu pai disse indo para a cozinha.
– O que aconteceu?
Perguntei preocupada, os dois estavam ofegantes e suados.
– Uns caras que não gostam de mim queriam bater em mim, mas o seu namoradinho ai tacou uma pedra em um deles e não teve outro jeito senão sair correndo feito um doido. Sorte que seu pai passou bem na hora. Foi uma cena me digna de filme de ação. Podemos ficar aqui?
Eu e o Tripp ficamos corados com a historia de ‘namoradinho’.
–Não somos namoradinhos.
–Que seja, amiguinhos então. Sei lá. Podemos ficar aqui?
– Podem. Tem um quarto de hospedes, a Juddie vai ficar no meu quarto.
–Eu não posso ficar. Se nem eu, nem a Juddie chegar em casa; amanhã vai ter cartaz de procurados por ai.
– Eu levo você estão! Vai ficar aqui ou ir pra casa Lanc? – Meu pai disse enquanto lambia uma colher que devia ter usado para comer sorvete. Ele guardou a colher no bolso da blusa.
–Agora que o senhor ta aqui eu fico. Tenho que ter minha revanche no futebol esqueceu?
Eu disse que ela gostava do meu pai como se fosse pai dele. Por isso ele era como meu irmão. Com meu pai era senhor, mestre, capitão. Com o pai dele era cara, ‘veio’, moleque.
– Vou levar ele e quando voltar se prepara pra perder de novo!
O Tripp se despediu de novo e saiu com meu pai. Ele ainda tava bem corado com as baboseiras que o Lanc fala. Mas fingi que não liguei e isso deve ter ajudado a ele ignorar também. Lanc foi para a cozinha, provavelmente comer as besteiras da geladeira. Uma coisa que nunca faltava na geladeira daqui de casa. Eu subi para ver se a Juddie estava bem. Quando passei pelo meu quarto a vi sentada na minha cama, já havia vestido o pijama.
– Obrigada Amanda. É bom poder ficar aqui. Engraçado né?!
Ela estava muito triste dava para ver no rosto dela.
– O que?
Eu entrei no quarto e me sentei no chão de frente pra ela.
– Minhas amigas estavam comigo na festa e não fizeram nada para me ajudar. Uma delas até ficou com o meu namor... EX-namorado.
Ela deu ênfase ao 'ex'.
– E você que me conheceu hoje está preparando uma verdadeira noite de meninas.
Do nada ela começou a chorar e me abraçou. Eu nunca fui boa em consolar as pessoas, mas naquele momento senti que era a única que podia ajudar a Juddie. Pode parecer que quero me aproximar dela por causa do irmão, mas não consigo ser falsa a esse ponto. Eu não tinha amigas meninas, então decidi tentar ser amiga da Juddie, já que ela estava se sentindo sozinha. Seria bom para mim ter uma opnião de garota em vários assuntos em que o Lanc não podia me ajudar.
– Pode contar comigo Juddie. Vou ser sua amiga!
– Obrigada Amanda.
– Pode me chamar de Mandy!
Ela se sentou na minha frente e sorriu limpando as lágrimas.
– Meu apelido é Juddie mesmo. Meu nome é Judite.
Nós duas rimos.
– Que lindo as duas rindo. Cheguei para animar ainda mais!
O Lanc entrou no quarto com dois potes de sorvete de chocolate, uma vasilha com MM's e um vidro de cauda de chocolate.
– Façam a festa.
Ele sorriu, deu uma piscada para a Juddie e saiu dali. Milagre ele ainda não ter tentado nada com ela. Acho que o Lanc por mais galinha que seja sabe respeitar as pessoas certas, ou tava com medo de levar uma pedrada do Tripp.
– Ele esqueceu os cookies. Já volto.
Me levantei e desci as escadas correndo. O Lanc estava no sofá jogando futebol no videogame. Minha mãe assistia e torcia como se fosse um jogo mesmo.
– Onde estão os cookies?
– No armário em cima do balcão. GOOOOL!
Eu corri até lá e peguei dois pacotes de cookies de chocolate que eram ótimos para comer com sorvete de chocolate! Quando ia passando pela sala me aproximei do Lanc para esclarecer uma dúvida.
– Por que ainda não tentou nada com a Juddie?
Sem nem olhar pra mim ele respondeu.
– Porque ela é como você. Uma pequena que precisa de defesa!
Eu sorri e dei um beijo na testa dele. O Lanc poderia ser um idiota para a maioria, mas para mim era meu melhor amigo meu irmão.
Quando voltei para o meu quarto deixei os cookies com a Juddie e fui tomar meu banho. Entrei no banheiro e fiz o ritual de sempre tirando a maquiagem e depois entrando no banho. Meu cabelo estava cheirando a cigarro e álcool eu precisava lavá-lo, mesmo sendo madrugada. Teria aula umas horas depois, mas acho que nenhum de nós quatro(eu, Juddie, Lanc e Tripp) iria à aula. A água estava uma delicia, poderia ficar ali por muito e muito tempo, mas a Juddie precisava de mim. Eu havia levando o pijama para o banheiro então me troquei ali mesmo. Quando voltei para o quarto a Juddie começou a rir, e não era pra menos: meu pijama era um kigurumi do Piplup. Eu o adorava de paixão.
– Que legal, é um passarinho azul. Um Twitter! HAHAHAHA
– Sou o Piplup, um Pokémon. HAHAHAH
– O único Pokémon que conheço é o Pikachu.
– Eu tenho um kigurumi dele também, quer?
Os olhos dela brilharam e ela começou a pular igual uma maluca. Fazendo voz de criança.
– Quero, quero, quero.
Eu fui até meu armário e peguei o kigurumi de Pikachu para ela, que vestiu ali mesmo por cima do pijama.
–Agora sim estou feliz.
Ela se abraçou como se fosse o ser mais fofo do mundo. Nós nos sentamos e fomos ver filmes e comer besteiras, mas isso não durou muito e logo estávamos dormindo.
{...}
– Bom dia... Bom dia... Hoje o céu nasceu azul!!!! Bom dia, bom dia... Pra tu, tu e tuuu!!!!
Ele abriu as cortinas fazendo a luz do sol se tornar algo insuportável naquela hora.
– OMG, Piplup e Pikachu. Vamos para escola Pokémons!
– Você acha mesmo que temos condições de ir para a escola?
– Sei lá, seu pai já está lá embaixo esperando vocês. Esqueceu que hoje é aquela 'festa' que a supervisora avisou? Aé estava ocupada demais pensando no Tripp né.
Eu levantei em um pulo e tapei a boca dele.
– Shh! Não fala sobre isso.
– Não falar sobre o que? – A Juddie perguntou esfregando os olhos.
– Sobre ir à escola. Eu não consigo e você?
– Vai ser difícil, mas eu vou. Não tem aula de verdade mesmo. Me empresta uma roupa?
– Tem certeza?
– Tenho, é melhor encarar minha vida, né?!
– Ok. Pode pegar o que quiser no armário.
Nós duas começamos a escolher roupas juntas, era engraçado, pois eu nunca fiz isso nem com a minha mãe. Por fim eu vesti uma calça com a bandeira da Inglaterra e uma blusa dos Ramones com um coturno; a Juddie vestiu uma saia rosa de tule e uma blusa preta lisa e um All Star. Era bom a gente ser do mesmo tamanho e termos corpos parecidos apesar dela ser um ano mais velha que eu. Descemos e minha mãe nós chamou para tomar café, mas nenhuma das duas quis. Fomos direto para o carro onde meu pai e o Lanc cantavam emocionadíssimos Save me do Hanson.
– Por que não começam a cantar profissionalmente?
– Ainda estamos pensando nisso. HAHAHA. –Meu pai disse animado. – Prontas?
– Sim.
Juddie disse forçando um sorriso. Seguimos até a escola com os dois 'cantores' cantando a mesma música.
– Por que não trocam a música?
– Quieta Piplup, estamos treinando.
– Ok, Psyduck.
– HAHAHAHAHAHA
Era bom estar naquele astral, ainda mais porque eu sabia que assim que chegássemos à escola o clima ficaria ruim: a Juddie iria encontrar com as 'amigas' e o ex-namorado e eu teria que ver a cara da Michella, só de pensar me dá vontade de vomitar. Ela vai fazer de tudo para ficar com o Tripp e bem agora que estou me aproximando dele. Logo chegamos à escola, assim que saímos do carro, o Tripp veio correndo. Meu pai se despediu e me deu dinheiro para comermos alguma coisa, mas ele havia esquecido de que era festa e já teria comida.
– Juddie, está melhor? Bom dia para vocês!
Ele sorriu para mim e para o Lanc.
– Estou bem T.T, fique tranquilo.
Fomos caminhando vagarosamente pelos corredores da escola, os quatro em silencio absoluto. Naquele momento podia sentir que cada um de nós tinha um medo, apesar de não conseguir decifrar o medo dos meninos, sabia que tinham. Um trio de meninos, que eram do primeiro colegial também, vieram andando em nossa direção. Entre eles estava Gianlucca, um garoto arrogante que odeia o Lanc, por achar que o posto de garoto mais popular da escola lhe pertencia. O Lanc não gostava muito dele, mas nunca me contou o porquê. Junto com o Gianlucca estavam Marks; o modelo, e Jonny; um menino que não fazia a mínima diferença para ninguém. Eles andavam como se mandassem no colégio. Era estranho ver aqueles três se achando assim. Nos olhos de Gianlucca dava pra ver a raiva ao encarar o Lanc, que como sempre estava olhando para um grupo de meninas que passavam. Os três passaram por nós sem nenhum enfrentamento, menos mal.
Como era apenas festa, era quase impossível ver alguém com mochila, apenas aqueles turistas que nunca sabem de nada sobre a escola. As meninas tipo a Michella com certeza estariam semi vestidas, se é que me entendem. Caminhamos até o auditório, onde seria a festa propriamente dita. Era um espaço bem grande, só usado em ocasiões como essas. Uma grande mesa estava à disposição de todos com muitas bebida e comidinhas de festas. Tocava uma música pop tipo a da festa da Claire. Como era dia não seria uma festa exatamente como aquela, e isso era bom, a última coisa da qual eu e a Juddie precisamos é daquilo. Estava claro e não tinha bebidas alcoólicas. Os grupinhos ficavam conversando por toda a extensão do auditório, alguns resolviam andar, casais ficavam abraçados sentados nos bancos do jardim... Os meninos saíram de perto de nós duas, resolvemos então, ficar perto da mesa comendo algo. Conversamos sobre coisas leves e sem nexo nenhum, nada para deixar o clima tenso. Mas como nada fica como queremos logo entraram no auditório, Marie e Jany, as supostas amigas de Juddie. Pelo que eu havia entendido, assim que o cara deu um fora na Juddie a tal da Jany pegou ele, mas ela tinha bem cara de ser assim mesmo. As duas estavam com o mesmo vestido rodado só em cores diferentes.
– Se eu estivesse com elas estaria com um vestido igual aquele, com outra cor. Isso é tão retardado.
Eu apenas concordei com a cabeça. As duas olharam por todo o lugar até fixarem os olhos na Juddie. Jany sorriu e se aproximou, sendo seguida por Marie.
– Oi Juddie querida. Que roupa é essa? Esqueceu do combinado para hoje é?
Ela me encarou de cima a baixo com cara de desprezo. Era engraçado como eu atraia o desprezo desse tipo de garota.
– Jany por que não vai pra um canto escuro da escola transar com o Effy? É o melhor que você faz.
Juddie sorriu sinicamente para elas e saiu me puxando dali.
– Se eu ficasse lá ia voar nela.
O rosto dela estava da cor de seus cabelos. Confesso que adoraria ver a Juddie batendo na Jany. Séria muito engraçado, mas admirava a força que ela tem em se controlar.
– Se fosse eu, ela estaria careca essa hora.
Disse tentando deixar o clima mais leve. Mas não séria uma tarefa fácil. Juddie estava de cabeça baixa, mas vindo em nossa direção estava Effy, o ex dela. Ela havia me mostrado uma foto dele no celular antes de apagar. Era impossível evitar que se encontrassem .
– Juddie fica esperta.
Dei uma cotovelada discreta nela que logo olhou para ele.
– Não posso parecer estar triste.
Ela olhou para os lados e ficou um tempinho olhando para o Jonny(o que não faz diferença) que estava distraído escorado na parede, mexendo no celular. Tudo aconteceu bem rápido, foi só eu piscar pra Juddie voar no menino e começar a beijá-lo igual uma louca. Deu pra ver que no inicio ele ficou meio espantado mas depois abraçou ela e ficaram ali por um tempo. Enquanto o Effy ficava encarando os dois com o rosto vermelho de raiva. Mas ele não se moveu, talvez tivesse dado conta da besteira que fez e que amava a Juddie, mas ela queria se vingar e não há nada pior do que uma garota com sede de vingança. Ele se aproximou de mim e naquele momento fiquei chocada: o Effy estava chorando e com um ursinho escrito Sorry nas mãos.
– Você é amiga da Juddie?
– Ér... sou sim. Olha, ela pode explicar aquilo.
Apontei para o 'casal' se agarrando.
– Ela está me pagando na mesma moeda, a culpa não é dela. Não devia ter terminado com ela e muito menos ficado com a Jany na frente dela, nem devia ter ficado com aquela garota nunca.
– Você gosta mesmo dela hein?!
– Demais, minha Juddie, minha vida. Ela é tudo que tenho.
Ele disse isso entre lágrimas. Fiquei sem reação. Nunca vi um garoto chorar dessa maneira. Precisava ajudar ele.
– Ei, Effy! Para de chora
Estava separando uns filmes de ação e uns jogos bem sangrentos para distrair ela quando ouvi a porta de abrir. Meu pai havia chegado. Corri para baixo, fazia dois dias que não o via. Eu adorava meu pai, ele que me ensinou tudo que preciso saber sobre vídeos-game, música e animes. O Lanc brinca dizendo que ele é seu pai também. Mas vamos admitir que até eu sou mais pai do Lanc do que o pai dele.
–Pai, que bom que chegou! Mãe prepara dois potes grandes de sorvete!
Gritei para minha mãe enquanto descia as escadas correndo.
– Oi filha. Também quero sorvete! Encontrei esses dois na Avenida dos Portos correndo de uns caras.
Eram o Tripp e o Lanc. Eles estavam visivelmente cansados.
– Correndo de uns caras?
Eu perguntei enquanto abraçava meu pai.
– Sim. Olá querida.
Meu pai disse indo para a cozinha.
– O que aconteceu?
Perguntei preocupada, os dois estavam ofegantes e suados.
– Uns caras que não gostam de mim queriam bater em mim, mas o seu namoradinho ai tacou uma pedra em um deles e não teve outro jeito senão sair correndo feito um doido. Sorte que seu pai passou bem na hora. Foi uma cena me digna de filme de ação. Podemos ficar aqui?
Eu e o Tripp ficamos corados com a historia de ‘namoradinho’.
–Não somos namoradinhos.
–Que seja, amiguinhos então. Sei lá. Podemos ficar aqui?
– Podem. Tem um quarto de hospedes, a Juddie vai ficar no meu quarto.
–Eu não posso ficar. Se nem eu, nem a Juddie chegar em casa; amanhã vai ter cartaz de procurados por ai.
– Eu levo você estão! Vai ficar aqui ou ir pra casa Lanc? – Meu pai disse enquanto lambia uma colher que devia ter usado para comer sorvete. Ele guardou a colher no bolso da blusa.
–Agora que o senhor ta aqui eu fico. Tenho que ter minha revanche no futebol esqueceu?
Eu disse que ela gostava do meu pai como se fosse pai dele. Por isso ele era como meu irmão. Com meu pai era senhor, mestre, capitão. Com o pai dele era cara, ‘veio’, moleque.
– Vou levar ele e quando voltar se prepara pra perder de novo!
O Tripp se despediu de novo e saiu com meu pai. Ele ainda tava bem corado com as baboseiras que o Lanc fala. Mas fingi que não liguei e isso deve ter ajudado a ele ignorar também. Lanc foi para a cozinha, provavelmente comer as besteiras da geladeira. Uma coisa que nunca faltava na geladeira daqui de casa. Eu subi para ver se a Juddie estava bem. Quando passei pelo meu quarto a vi sentada na minha cama, já havia vestido o pijama.
– Obrigada Amanda. É bom poder ficar aqui. Engraçado né?!
Ela estava muito triste dava para ver no rosto dela.
– O que?
Eu entrei no quarto e me sentei no chão de frente pra ela.
– Minhas amigas estavam comigo na festa e não fizeram nada para me ajudar. Uma delas até ficou com o meu namor... EX-namorado.
Ela deu ênfase ao 'ex'.
– E você que me conheceu hoje está preparando uma verdadeira noite de meninas.
Do nada ela começou a chorar e me abraçou. Eu nunca fui boa em consolar as pessoas, mas naquele momento senti que era a única que podia ajudar a Juddie. Pode parecer que quero me aproximar dela por causa do irmão, mas não consigo ser falsa a esse ponto. Eu não tinha amigas meninas, então decidi tentar ser amiga da Juddie, já que ela estava se sentindo sozinha. Seria bom para mim ter uma opnião de garota em vários assuntos em que o Lanc não podia me ajudar.
– Pode contar comigo Juddie. Vou ser sua amiga!
– Obrigada Amanda.
– Pode me chamar de Mandy!
Ela se sentou na minha frente e sorriu limpando as lágrimas.
– Meu apelido é Juddie mesmo. Meu nome é Judite.
Nós duas rimos.
– Que lindo as duas rindo. Cheguei para animar ainda mais!
O Lanc entrou no quarto com dois potes de sorvete de chocolate, uma vasilha com MM's e um vidro de cauda de chocolate.
– Façam a festa.
Ele sorriu, deu uma piscada para a Juddie e saiu dali. Milagre ele ainda não ter tentado nada com ela. Acho que o Lanc por mais galinha que seja sabe respeitar as pessoas certas, ou tava com medo de levar uma pedrada do Tripp.
– Ele esqueceu os cookies. Já volto.
Me levantei e desci as escadas correndo. O Lanc estava no sofá jogando futebol no videogame. Minha mãe assistia e torcia como se fosse um jogo mesmo.
– Onde estão os cookies?
– No armário em cima do balcão. GOOOOL!
Eu corri até lá e peguei dois pacotes de cookies de chocolate que eram ótimos para comer com sorvete de chocolate! Quando ia passando pela sala me aproximei do Lanc para esclarecer uma dúvida.
– Por que ainda não tentou nada com a Juddie?
Sem nem olhar pra mim ele respondeu.
– Porque ela é como você. Uma pequena que precisa de defesa!
Eu sorri e dei um beijo na testa dele. O Lanc poderia ser um idiota para a maioria, mas para mim era meu melhor amigo meu irmão.
Quando voltei para o meu quarto deixei os cookies com a Juddie e fui tomar meu banho. Entrei no banheiro e fiz o ritual de sempre tirando a maquiagem e depois entrando no banho. Meu cabelo estava cheirando a cigarro e álcool eu precisava lavá-lo, mesmo sendo madrugada. Teria aula umas horas depois, mas acho que nenhum de nós quatro(eu, Juddie, Lanc e Tripp) iria à aula. A água estava uma delicia, poderia ficar ali por muito e muito tempo, mas a Juddie precisava de mim. Eu havia levando o pijama para o banheiro então me troquei ali mesmo. Quando voltei para o quarto a Juddie começou a rir, e não era pra menos: meu pijama era um kigurumi do Piplup. Eu o adorava de paixão.
– Que legal, é um passarinho azul. Um Twitter! HAHAHAHA
– Sou o Piplup, um Pokémon. HAHAHAH
– O único Pokémon que conheço é o Pikachu.
– Eu tenho um kigurumi dele também, quer?
Os olhos dela brilharam e ela começou a pular igual uma maluca. Fazendo voz de criança.
– Quero, quero, quero.
Eu fui até meu armário e peguei o kigurumi de Pikachu para ela, que vestiu ali mesmo por cima do pijama.
–Agora sim estou feliz.
Ela se abraçou como se fosse o ser mais fofo do mundo. Nós nos sentamos e fomos ver filmes e comer besteiras, mas isso não durou muito e logo estávamos dormindo.
{...}
– Bom dia... Bom dia... Hoje o céu nasceu azul!!!! Bom dia, bom dia... Pra tu, tu e tuuu!!!!
Ele abriu as cortinas fazendo a luz do sol se tornar algo insuportável naquela hora.
– OMG, Piplup e Pikachu. Vamos para escola Pokémons!
– Você acha mesmo que temos condições de ir para a escola?
– Sei lá, seu pai já está lá embaixo esperando vocês. Esqueceu que hoje é aquela 'festa' que a supervisora avisou? Aé estava ocupada demais pensando no Tripp né.
Eu levantei em um pulo e tapei a boca dele.
– Shh! Não fala sobre isso.
– Não falar sobre o que? – A Juddie perguntou esfregando os olhos.
– Sobre ir à escola. Eu não consigo e você?
– Vai ser difícil, mas eu vou. Não tem aula de verdade mesmo. Me empresta uma roupa?
– Tem certeza?
– Tenho, é melhor encarar minha vida, né?!
– Ok. Pode pegar o que quiser no armário.
Nós duas começamos a escolher roupas juntas, era engraçado, pois eu nunca fiz isso nem com a minha mãe. Por fim eu vesti uma calça com a bandeira da Inglaterra e uma blusa dos Ramones com um coturno; a Juddie vestiu uma saia rosa de tule e uma blusa preta lisa e um All Star. Era bom a gente ser do mesmo tamanho e termos corpos parecidos apesar dela ser um ano mais velha que eu. Descemos e minha mãe nós chamou para tomar café, mas nenhuma das duas quis. Fomos direto para o carro onde meu pai e o Lanc cantavam emocionadíssimos Save me do Hanson.
– Por que não começam a cantar profissionalmente?
– Ainda estamos pensando nisso. HAHAHA. –Meu pai disse animado. – Prontas?
– Sim.
Juddie disse forçando um sorriso. Seguimos até a escola com os dois 'cantores' cantando a mesma música.
– Por que não trocam a música?
– Quieta Piplup, estamos treinando.
– Ok, Psyduck.
– HAHAHAHAHAHA
Era bom estar naquele astral, ainda mais porque eu sabia que assim que chegássemos à escola o clima ficaria ruim: a Juddie iria encontrar com as 'amigas' e o ex-namorado e eu teria que ver a cara da Michella, só de pensar me dá vontade de vomitar. Ela vai fazer de tudo para ficar com o Tripp e bem agora que estou me aproximando dele. Logo chegamos à escola, assim que saímos do carro, o Tripp veio correndo. Meu pai se despediu e me deu dinheiro para comermos alguma coisa, mas ele havia esquecido de que era festa e já teria comida.
– Juddie, está melhor? Bom dia para vocês!
Ele sorriu para mim e para o Lanc.
– Estou bem T.T, fique tranquilo.
Fomos caminhando vagarosamente pelos corredores da escola, os quatro em silencio absoluto. Naquele momento podia sentir que cada um de nós tinha um medo, apesar de não conseguir decifrar o medo dos meninos, sabia que tinham. Um trio de meninos, que eram do primeiro colegial também, vieram andando em nossa direção. Entre eles estava Gianlucca, um garoto arrogante que odeia o Lanc, por achar que o posto de garoto mais popular da escola lhe pertencia. O Lanc não gostava muito dele, mas nunca me contou o porquê. Junto com o Gianlucca estavam Marks; o modelo, e Jonny; um menino que não fazia a mínima diferença para ninguém. Eles andavam como se mandassem no colégio. Era estranho ver aqueles três se achando assim. Nos olhos de Gianlucca dava pra ver a raiva ao encarar o Lanc, que como sempre estava olhando para um grupo de meninas que passavam. Os três passaram por nós sem nenhum enfrentamento, menos mal.
Como era apenas festa, era quase impossível ver alguém com mochila, apenas aqueles turistas que nunca sabem de nada sobre a escola. As meninas tipo a Michella com certeza estariam semi vestidas, se é que me entendem. Caminhamos até o auditório, onde seria a festa propriamente dita. Era um espaço bem grande, só usado em ocasiões como essas. Uma grande mesa estava à disposição de todos com muitas bebida e comidinhas de festas. Tocava uma música pop tipo a da festa da Claire. Como era dia não seria uma festa exatamente como aquela, e isso era bom, a última coisa da qual eu e a Juddie precisamos é daquilo. Estava claro e não tinha bebidas alcoólicas. Os grupinhos ficavam conversando por toda a extensão do auditório, alguns resolviam andar, casais ficavam abraçados sentados nos bancos do jardim... Os meninos saíram de perto de nós duas, resolvemos então, ficar perto da mesa comendo algo. Conversamos sobre coisas leves e sem nexo nenhum, nada para deixar o clima tenso. Mas como nada fica como queremos logo entraram no auditório, Marie e Jany, as supostas amigas de Juddie. Pelo que eu havia entendido, assim que o cara deu um fora na Juddie a tal da Jany pegou ele, mas ela tinha bem cara de ser assim mesmo. As duas estavam com o mesmo vestido rodado só em cores diferentes.
– Se eu estivesse com elas estaria com um vestido igual aquele, com outra cor. Isso é tão retardado.
Eu apenas concordei com a cabeça. As duas olharam por todo o lugar até fixarem os olhos na Juddie. Jany sorriu e se aproximou, sendo seguida por Marie.
– Oi Juddie querida. Que roupa é essa? Esqueceu do combinado para hoje é?
Ela me encarou de cima a baixo com cara de desprezo. Era engraçado como eu atraia o desprezo desse tipo de garota.
– Jany por que não vai pra um canto escuro da escola transar com o Effy? É o melhor que você faz.
Juddie sorriu sinicamente para elas e saiu me puxando dali.
– Se eu ficasse lá ia voar nela.
O rosto dela estava da cor de seus cabelos. Confesso que adoraria ver a Juddie batendo na Jany. Séria muito engraçado, mas admirava a força que ela tem em se controlar.
– Se fosse eu, ela estaria careca essa hora.
Disse tentando deixar o clima mais leve. Mas não séria uma tarefa fácil. Juddie estava de cabeça baixa, mas vindo em nossa direção estava Effy, o ex dela. Ela havia me mostrado uma foto dele no celular antes de apagar. Era impossível evitar que se encontrassem .
– Juddie fica esperta.
Dei uma cotovelada discreta nela que logo olhou para ele.
– Não posso parecer estar triste.
Ela olhou para os lados e ficou um tempinho olhando para o Jonny(o que não faz diferença) que estava distraído escorado na parede, mexendo no celular. Tudo aconteceu bem rápido, foi só eu piscar pra Juddie voar no menino e começar a beijá-lo igual uma louca. Deu pra ver que no inicio ele ficou meio espantado mas depois abraçou ela e ficaram ali por um tempo. Enquanto o Effy ficava encarando os dois com o rosto vermelho de raiva. Mas ele não se moveu, talvez tivesse dado conta da besteira que fez e que amava a Juddie, mas ela queria se vingar e não há nada pior do que uma garota com sede de vingança. Ele se aproximou de mim e naquele momento fiquei chocada: o Effy estava chorando e com um ursinho escrito Sorry nas mãos.
– Você é amiga da Juddie?
– Ér... sou sim. Olha, ela pode explicar aquilo.
Apontei para o 'casal' se agarrando.
– Ela está me pagando na mesma moeda, a culpa não é dela. Não devia ter terminado com ela e muito menos ficado com a Jany na frente dela, nem devia ter ficado com aquela garota nunca.
– Você gosta mesmo dela hein?!
– Demais, minha Juddie, minha vida. Ela é tudo que tenho.
Ele disse isso entre lágrimas. Fiquei sem reação. Nunca vi um garoto chorar dessa maneira. Precisava ajudar ele.
– Ei, Effy! Para de chorar e vai lá recuperar sua garota.
Eu disse dando umas sacudidas nele, o que não era muito fácil por que era fraca e ele bem mais alto. Mas parece que surtiu efeito. Ele limpou as lágrimas e arrumou a roupa.
– Você tá certa ér... Qual seu nome mesmo?
– Amanda, mas me chame de Mandy.
– Isso mesmo Mandy. Ela é MINHA garota.
r e vai lá recuperar sua garota.
Eu disse dando umas sacudidas nele, o que não era muito fácil por que era fraca e ele bem mais alto. Mas parece que surtiu efeito. Ele limpou as lágrimas e arrumou a roupa.
– Você tá certa ér... Qual seu nome mesmo?
– Amanda, mas me chame de Mandy.
– Isso mesmo Mandy. Ela é MINHA garota.
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