Por Que Se Apaixonar?
1 Primeiro capitulo- Baby, I Love you...
Notas iniciais
Eu corria por um parque que conhecia bem, estava com um vestido rosa com florzinha verdes bem pequenas. Calçava uma sapatilha branca com um laço na ponta. Meus cabelos estavam loiros presos em um rabo de cavalo bem alto e a franja caia pelo meu rosto. Eu ria, ria muito. Atrás de mim estava um garoto que eu muito bem conhecia, ele vestia uma calça cor vinho e uma camiseta preta. O cabelo de topete era bem preto e o garoto sorria muito. Mas aquele cenário feliz de pega-pega acabou quando eu subitamente cai em um buraco e pude ouvir o garoto gritando –MANDY!! Senti meu braço doer muito e então abri os olhos. Havia caído da cama. Estava no meu quarto, era apenas um sonho, e dos bem malucos, afinal na minha infância não conhecia o garoto do sonho, que era meu melhor amigo agora. Quando olhei para o relógio já era 7:00. Estava atrasada. Me levantei em um pulo só. Minhas aulas começam às 7:10, e era uns vinte a trinta minutos da minha casa até lá. Arrumei-me correndo e sai de casa correndo mais ainda. Meu pai não estava em casa para me levar de carro por isso corri tanto que achei que ia morrer assim que parasse como no filme 'Adrenalina'. Quando pude ver o portão da escola, lá estava ele: Tripp Taylor. Seus cabelos castanhos perfeitamente penteados, hoje em um topete moderno, uma blusa preta com desenhos abstratos, seu jeans surrado e um All Star preto perfeitamente limpo. Ele bem ali, tão pertinho, parado no muro como sempre fica, ele entra na escola faltando apenas uns poucos minutos para o portão fechar. Enquanto ia me aproximando fiquei olhando para ele. T.T tão lindo e perfeito. Fiquei imaginando como seria muito bom chegar perto dele e dizer algo- meu medo era travar na hora e dizer 'paçoca'. Mas uma voz familiar, e devo dizer levemente irritante me tirou dos meus singelos e doces pensamentos.
– AMANDA BATMOORE! Você chegando essa hora? Que coisa feia. Vamos, vamos pequena entre logo. O quer se atrasar e manchar sua ficha impecavelmente perfeita?
Ele conseguia me fazer morrer de vergonha. Lanc Carter, o garoto mais popular da escola e meu melhor amigo- o garoto de calça cor de vinho do sonho. Não que eu seja popular como ele, aliás, ninguém na escola me conhece muito. Era estranho ser amiga do Lanc, ele era tão escandaloso e eu toda quietinha. Mas era bem fofo comigo, sempre que um cara chegava em mim ele me falava se ele queria algo sério ou apenas curtir. Bem, nenhum nunca quis algo sério. Sim eu nunca beijei ninguém! Um absurdo? Que nada. Não me importo muito com isso. Prefiro ser assim a ser uma vadia. Sabe quando se fala sobre algo e de repente uma coisa que tem tudo haver com o assunto surge? É assim com ela, a vadia das vadias, Michella Brown. Com seus cabelos negros e ondulados, boca carnuda e corpo bem desenvolvido. Essa estuda o Kama-Sutra e pratica todas as noites com caras diferentes. Não que eu tenha algo contra ela... Tá bom eu tenho sim. Já disse que sou apaixonada pelo Tripp certo? Pois é, essa garota investe com tudo nele, não acho que ele vá ceder algum dia, mas vai saber a carne é fraca né.
– Oi Lanc, quer ir lá em casa hoje?– A voz dela conseguia ser mais irritante do que a voz de secretaria eletrônica.
– Não.
Ok, o Lanc é muito grosso e frio quando quer. Mas ele dispensando uma garota? É inédito.
– Nossa, gatinho, isso agora por quê?
– Michella eu já fiquei com você, não quero mais. Você é muito rodada, muito vadia. Meninas assim pego e largo.
Ele saiu andando me puxando em direção à sala de aula. A Michella tinha sangue nos olhos de tanta raiva que estava. As pessoas que ouviram o que o Lanc falou riam sem parar.
– Você não foi grosso demais com ela?
– Vadias como a Michella não merecem que o cara a trate bem.
– Ok então.
Preferi nada mais falar. O Lanc é do tipo que se vai discutir estando 'errado' ele vai fazer você acreditar que está certo. Depois de certo tempo de convivência você aprende essas coisas. Entramos na sala de aula e logo o professor de matemática começou aquela aula tediosa. Quando olhei para o Lanc ele estava paquerando uma menina loira que eu nunca tinha visto. Ela ria das besteiras que ele falava e ficava vermelha. Preferi parar de ver aquilo. Com certeza ela ia ficar com o Lanc hoje ainda. O professor falava e falava, mas eu não entendia nada, e nem fazia questão de entender também. Sabe quando você está vendo alguém falar e pensando na morte da bezerra? Eu estava bem assim. O T.T sempre se sentava nas últimas mesas da sala por isso me virei sutilmente para poder vê-lo e — insere uma pausa dramática aqui. Ele estava me encarando. Quando eu olhei, ele ficou uns segundos antes de desviar o olhar para o seu caderno aberto. Virei-me para frente. Tudo bem que meus cabelos são coloridos, tem dia que ele fica azul e dias que fica roxo. O Lanc diz que varia do meu humor, eu só acho que está manchado mesmo. Sei que isso chama muita atenção, mas ninguém se lembra de mim. Mas ELE estava me olhando, me encarando. Por quanto tempo teria ficado assim?
– Então nós vemos semana que vem. Até mais.
A voz do professor era até agradável quando pronunciava as palavras certas. A aula de matemática havia acabado. Mas ainda teriam quatro outras aulas em que eu não prestaria atenção, o Lanc ficaria paquerando a loira e o Tripp me encarando? Não isso não. A supervisora, uma velha de cabelos loiros com muitos fios brancos e uns óculos estranhos, entrou na sala.
– Bem alunos, o professor de filosofia faltou então façam essa atividade que vou deixar com o representante da turma.
O Lanc se levantou rapidamente.
– Eu sou o representante da turma.
Ele disse sorrido de orelha a orelha. Não era mentira, ele foi indicado e ninguém quis concorrer com ele.
– Senhor Carter?
Ela parecia bem surpresa. Mas deu os ombros e entregou várias folhas para ele e ficou falando algumas coisas com o Lanc que só assentia com a cabeça. Eu não resisti e olhei para trás de novo. O Tripp estava escrevendo algo em seu caderno. Se eu não fosse tão tímida iria lá falar com ele.
– Por que não vai falar com ele?
O Lanc sacava tudo sem eu precisar falar nada.
– Com o Tripp? Eu não poderia. Ele não conversa com ninguém.
– Ele te secou a aula de matemática inteira.
Então ele havia ficado muito tempo me olhando. Fiquei bem surpresa com tamanha descoberta. Para vocês pode não parecer grandes coisas, mas para mim era incrível.
– Vai lá pequena.
Ele me incentivava, mas não tinha coragem para isso. Eu conversar com Tripp Taylor? Que sonho. Virei-me para olhar para ele sutilmente e ele ainda estava escrevendo. O Lanc ainda estava parado ali do meu lado.
– Se você não for lá falar com ele eu vou.
– Você sabe que isso soou bem estranho né? Como se você estivesse afim dele.
Ele arregalou os olhos e quase gritou.
– Tá me estranhando Mandy? Sou desses não.
O Lanc não era machista nem homofônico, contanto que não chamassem ele de gay.
– Fala baixo. E eu não vou lá falar com ele.
– Por que não Mandy?
– Porque ele é Tripp Taylor, nunca vai notar a minha presença.
– Por isso que ele tava te secando então?
– Ele não tava.
– Vai lá Batmoore. Deixa de ser fresca. Se ta afim do cara conversa com ele. Senão pequena você vai perder ele pra Michella.
Ok, aquilo era demais para minha cabeça. Seria tão nojento ver a bitch da Michella com o Tripp. Levantei-me na hora e respirei fundo, dei uma arrumada na minha franja e caminhei até o Tripp. Quando me aproximei ele olhou para mim e ficou me encarando. Me senti uma batata.
– Er.. Oi Tripp.
– Oi.
Ele voltou a escrever e eu fiquei parada ali com cara de tacho. Achei até um pouco ignorante da parte dele. Quando alguém vai falar com você, não é assim que se trata a pessoa. Se quiser ficar sozinho é só dá um chega pra lá, mas não ignorar completamente daquele jeito.
– O que você está escrevendo?
Ele voltou a me encarar, mas me sentia uma idiota perguntando aquilo. Se fosse comigo eu não responderia e ainda acharia a pessoa a mais intrometida do mundo.
– São coisas pessoais.
Ele deu um sorriso de lado e voltou a escrever. O sorriso dele era tão lindo, não só o sorriso, ele inteiro.
– Então.. vou te deixar ali com suas coisas pessoais.
Virei-me para voltar para o meu lugar. Alem de estar sendo ignorada, não tinha sobre o que falar. Isso tirando o fato de estar quase vomitando as borboletas do meu estomago.
– Ei, Amanda.
Meu nome, ele sabia meu nome. Bem era de se esperar afinal estudamos na mesma sala e ele me vê respondendo a chamada. Virei-me para ele com uma cara de paisagem.
– Pode me chamar de Mandy.
– Er.. Mandy. Seu cabelo é bem legal.
Senti meu rosto corar na hora. Um elogio dele? Meu coração estava disparado.
– Obrigada.
Eu sorri. Ele voltou a escrever e eu voltei para o meu lugar sentindo meu coração quase sair pela boca. Não se ele tava escrevendo realmente, parecia mais que estava desenhando... coisas pessoais.
– Rancou pedaço?
– Meu coração tá quase saindo pela boca.
– Falou que tá afim dele?
– Lógico... Que não. Você tá maluco. Não vou falar isso assim para ele.
Lanc bateu a mão na testa em sinal de reprovação.
– Ai, ai, ai, ai Mandy. Assim você nunca vai ficar com ele.
– Ele não tá afim de mim, não quero ele rindo da minha cara.
O Lanc ficou me encarando por muitos minutos. Mas de repente ele se levantou e andou até o Tripp. Aquilo me fez ficar congelada olhando para eles. O Lanc se sentou perto do Tripp e ficou falando com ele. Eu preferi me virar e deitar na mesa para não voar no pescoço do meu querido amigo. Eu e o Lanc somos tão amigos que às vezes esqueço como era minha vida sem ele. Mas se ele falasse alguma coisa eu seria obrigada a me lembrar.
– Problema resolvido.
Ele se sentou perto de mim.
– O que você fez Lanc Carter?
– Primeiro perguntei para ele se te achava gata e ele disse que sim e muito. Então perguntei se ele queria ficar com você ele ficou todo vermelho e disse que não gosta de ficar por ficar e não te conhece direito.
– E como o problema tá resolvido então?
Ele fez uma cara como se eu tivesse feito a pergunta mais absurda do mundo.
– Minha cara Mandy Batmoore, ele te acha gata e disse que não se conhecem muito bem, ou seja, ele é afim de você, mas não gosta disso de pegar e pronto, então precisa te conhecer melhor para poder ter algo com você. Então cérebro de minhoca? Eu que bebo e fumo sou mais esperto que você.
Ele revirou os olhos e foi para perto da loirinha de novo.Eu fiquei ali olhando para a lousa pensando no que o Lanc havia me dito. Sem chance alguma de eu me levantar agora e ir falar com ele. Até mesmo por que o sinal soou e era hora do intervalo. Em todos os intervalos o Lanc sumia, provavelmente estava com alguma garota- nesse caso a garota loira- então eu ficava sozinha sentada na quadra escutando músicas no fone de ouvido. Nunca fixava meu olhar em nada, mas naquela hora vi o T.T do outro lado da quadra conversando com um garoto do terceiro colegial ( por falar nisso eu estou no primeiro colegial), o cara era um punk que usava um moicano verde muito legal. Eu havia conversado com ele uma vez sobre tintas de cabelo já que disso eu entendo bem. Quando fiquei olhando para o Tripp começou a tocar a música Baby I Love You dos Ramones e eu inconscientemente comecei a cantarolar .
– Baby I love you ...
Eu já ouvia Ramones antes de saber que ele gostava, mas depois que soube toda vez que ouço me lembro dele.
Quando o notei estava sozinho me encarando e eu não fiz questão nenhuma de desviar o olhar. Ele sorriu. Mas sempre tem alguma coisa para atrapalhar momentos como esse: Michella. Ela se aproximou do Tripp e ficou bem na frente dele tampando minha visão. Eu bufei, mas não conseguia tirar os olhos daquele lugar, talvez por medo de ver os dois trocando carinhos e coisas do tipo. Mas se fosse isso eu não deveria querer ver, porque sei que não vou me sentir bem. Mas era mais forte que eu e fiquei encarando. Queria saber o que eles estavam falando. Ficaram alguns minutos assim, Michella na frente dele mexendo no cabelo e ele sentado. O sinal para voltarmos para a sala soou e eu não tive escolha senão ir para a sala de aula. Me levantei e fui caminhando lentamente, quando notei que Michella passou por mim bufando e quase correndo. Olhei rapidamente para trás e vi o Tripp andando para fora da quadra indo também para a sala. Com certeza ele deve ter dado um fora daqueles nela por isso ficou toda estressadinha. Pensando nisso não consegui não sorrir para mim mesma.
As três aulas seguintes se passaram de maneira exaustiva e chata. O Lanc simplesmente dormiu nas três e eu tentei prestar atenção. Na última aula o professor falou sobre astronautas e essas coisas. Sempre achei isso bem legal, sabe sair da Terra. Acho que seria uma boa quando você tá puto com tudo mesmo, mas tem que ser muito mesmo, ai vira astronauta e vai pro espaço. O ruim é que tem muitos riscos, mas vamos ser sinceros, o que nessa vida não tem riscos? Tem gente que vive a vida intensamente, faz todos esportes radicais possíveis e as coisas mais loucas do mundo e acaba morrendo engasgado com uma espinha de um peixe. Acordei o Lanc para irmos embora assim que soou o sinal.
– Deve ser horrível ser astronauta.
Ele quebrou o silencio com um o assunto da aula.
– Por que diz isso?
– Eu nunca ia agüentar ir pro espaço e ficar lá sem trepar. Deve ser muito ruim.
Ele falava essas coisas com a maior seriedade possível. Olhei para o rosto dele e notei que ele estava realmente achando que eu ia concordar com ele.
– Ok então. HAHAHAHA.
Eu não aguentava não rir.
– Tá rindo de que? Isso é sério. Você só não sente falta disso porque ainda é uma virgem santinha do caralho.
– HAHAHAHAHA.
Eu não conseguia parar de rir. Quando eu não tratava o que o Lanc dizia com seriedade ele se estressava.
– Você vai ver. Quando der a primeira vez, vai querer todo dia.
– Eu não penso em fazer isso tão cedo fica tranqüilo papai.
Eu disse recuperando o fôlego. Caminhamos tranquilamente para casa, eu rindo do Lanc por suas viagens e ele encarando a bunda de toda garota que passava na nossa frente.
Notas finais
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