Por Falta de Opção

1 1. Chegada em Jacksonville


Notas iniciais
Boa Leitura...

Depois de passar a vida inteira na escola e sob supervisão dos pais, você espera poder viver uma nova fase, de preferência boa, óbvio. Mas quando se trata da minha vida, nunca acontece nada de bom. O motivo? Me pergunto isso a 19 anos. Pra começar eu sou a caçula e tenho uma irmã perfeita, os meus pais sempre quiseram que eu fosse como ela, mas somos pessoas diferentes e acho que eles não entenderam isso ainda. Repeti o primeiro ano de escola, mas isso porque minha mãe insistiu que eu deveria entrar com a mesma idade que a Ziena – minha irmã – acontece que ela faz aniversário no começo do ano e eu no final, então por falta de idade, fui reprovada. Tenho um nome estranho e eu sinceramente gostaria de mudar. Por quê? Porque “Mayne” não é nome de gente. E antes que eu esqueça: estou me mudando para o outro lado do país para morar com uma pessoa que não vejo desde o natal de 4 anos atrás, tudo isso porquê a única universidade que passei foi essa – decepção para os meus pais – e eu realmente não sei o que esperar dessa nova fase da minha vida, espero que não seja como os 19 anos foram, já que estou quase desembarcando em Jacksonville – Fl para encontrar com minha irmã.

[...]

“Mayne” gritou Ziena assim que viu saindo do portão de desembarque.

“Oi” falei sem graça.

“Como foi a viagem?” ela perguntou mais calma.

“Foi bem” respondi me esforçando para sorrir.

Saímos do aeroporto e pegamos um taxi que nos deixou em frente a minha nova casa que viveria por tempo indefinido. O lugar ficava a algumas quadras da praia e acho que aquela era uma vila universitária, a casa era simples, mas aconchegante, duas pequenas suítes uma sala/cozinha, área de serviço e uma sala extra que poderia servir de escritório ou algo assim, no caso da minha irmã era seu atelier.

Como eu havia chegado tarde da noite não deu tempo para muita conversa, foram longas horas dentro do avião e tudo que eu queria era dormir. Minha irmã foi bastante hospitaleira, me ajudou com as malas e me mostrou a casa que antes só vi por fotos e quando nos falávamos pelo Skype. Nós duas nunca fomos muito próximas uma da outra, mesmo com diferença pouca de apenas 5 anos, nunca fomos, sabe... melhores amigas.

[...]

“Como foi a primeira noite?” Ziena perguntou assim que entrei na sala/cozinha com a maior cara de sono que você possa imaginar.

“Foi boa” disse sem muita animação e me dirigi ao armário em busca de uma caneca para preparar um achocolatado.

“Quando vai fazer sua matrícula?” ela insistiu em puxar assunto enquanto se concentrava na sua nova pintura.

“Já me matriculei pela internet, só preciso ir lá para preencher a ficha” disse ainda sonolenta misturando os ingredientes na caneca.

“Se quiser, posso ir com você” ela disse sem tirar os olhos da tela.

“Ah claro, pode ser” disse dando o primeiro gole.

*Campainha toca*

“Deve ser o Paul com meu nome material de pintura” ela disse se levantando do seu banco indo em direção à porta.

Um homem alto de cabelos cacheados castanho escuro num estilo “Jon Snow de Game of Thrones” esperava do outro lado da porta segurando um pacote de papelão relativamente grande nas mãos. Sorriu ao ver Ziena. Eu continuei apoiada no balcão da cozinha com minha caneca entre as mãos, cabelo bagunçado e pijama. Os dois conversaram um pouco na porta e Ziena se virou para me apresentar.

“Essa é minha irmã que eu te disse, ela chegou ontem de noite” ela disse sorridente.

“Ah, prazer...”

“Mayne” acenei de longe.

“Mayne” ele repetiu balançando a cabeça e eu sorri de leve “bom eu tenho que ir, só passei para deixar suas coisas”.

“Ah, claro. Obrigada Paul” Ziena sorriu.

“Te vejo mais tarde?”

“Uhum” ela acenou com a cabeça.

“Até mais Mayne”.

“Até mais Paul” nos despedimos e ele saiu.

“Vou guardar essas coisas” Ziena disse saindo da sala/cozinha.

Terminei meu achocolatado e fui tomar banho. Cabelo molhado logo pela manhã é realmente refrescante, principalmente se ele é grande, na verdade o meu é médio e cacheado. Sempre gostei da cor escura do meu cabelo por que contraste com minha pele pálida. Vesti algo prático como shorts, camiseta e tênis e esperei Ziena para sairmos.

O clima da Flórida era realmente ótimo, as ruas são coloridas e as pessoas hospitaleiras, se eu soubesse que esse lugar era tão como diziam, teria me mudado de Chicago antes. Minha irmã estava ali a 5 anos, se mudou quando começou a universidade.

“Agora entendo o por quê de você não voltar pra casa” disse pensativa e ela riu.

“Sim, Jacksonville é incrível” ela exclamou “você precisa ver esse lugar no festival da laranja, May você vai adorar”.

“Festival da laranja?” disse arqueando uma sobrancelha.

“É que a Flórida é a maior produtora de laranja do país e para comemorar isso, nós celebramos com o “Festival da Laranja”” ela explicou e acenei.

Depois de concluir a papelada da matrícula, Ziena me convidou para almoçar com ela e uns amigos numa churrascaria, seria uma oportunidade de conhecer gente. O lugar era bastante caloroso com música, bebida e muitos pessoas, ao passarmos por umas cinco mesas vimos um grupo no fundo acenando para nós.

“Ziena” uma garota loira não muita alta correu para abraçar minha irmã “quanto tempo”.

“Becky, senti saudades” ela retribuiu o carinho e se soltou do abraço “essa é minha irmã, Mayne”.

“Oi Mayne, é um prazer” ela disse apertando minha mão.

“É bom te conhecer também” disse me esforçando para parecer simpática – uma coisa que eu não era.

Na mesa tinha mais 4 pessoas que também foram me apresentadas. Uma garota de pele morena e cabelos longos negros e ondulados de olhos castanhos, realmente linda, – Tessa — um cara que estava de gorro na cabeça, de pele clara e olhos verdes realmente encantadores – Adam — o outro que estava ao seu lado de pele bronzeada e cabelos castanhos claros sempre com um sorriso brincalhão no rosto – Sam – e por último Paul que havia conhecido mais cedo.

Eram pessoas adoráveis, me fizeram falar mais do que costumo e me fizeram rir quase o dobro do que ri na minha vida inteira. Hoje eu me senti realmente feliz e espero que os próximos dias aqui sejam iguais a esse almoço descontraído com pessoas alegres.

Antes de fechar os olhos e dormir à noite, lembrei o quanto eu senti medo quando conversei com meus pais e resolvemos que eu iria morar com a Ziena. Eu não havia falado muito com ela nos últimos anos e me assustava a ideia dela estar diferente e minha vinda pra cá acabar se transformando num pesadelo, já que a única pessoa que conhecia era ela. Mas lembrando do meu dia hoje, percebo o quanto eu estava errada e comecei a pensar no quanto Jacksonville poderia me fazer bem. Será que a mudança de vida que eu sempre quis iria se concretizar aqui?

-x-

Notas finais
... Obrigada por ler
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