Por Enquanto
3 Capítulo II - Comida Favorita
Notas iniciais
“Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando eu penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem”
No dia seguinte de nossa chegada a Konoha realizamos a cerimônia de morte de Neji. Teu corpo fora cremado e suas cinzas deixadas no mesmo túmulo onde estavam as de seu pai. Finalmente pudera encontrá-lo, depois de tantos anos. Fizemos a missa, oferecemos onigiris e eu, soba, já que era sua comida preferida. E então acabou a cerimônia... E aí eu me toquei: ele nunca mais voltaria...
O dia estava quente, era quase uma e meia da tarde, o sol judiava de nossos corpos, já cansados de tanto treinar. Gai-sensei tinha chamado Lee para mais um de seus treinos suicidas, ficamos somente eu e Neji, sem mais forças para continuar embaixo daquele sol. Sentamo-nos debaixo de uma árvore, cada um de um lado. Ofegantes. Suados.
— Entregou-se ao prazer de descansar numa sombra? – indaguei rindo um pouco.
— Com certeza... Não agüento esse sol... – suspirou.
— Estou vendo. – ri.
Arrastei-me para seu lado, sem nem desgrudar a bunda do chão. Encostei a cabeça no tronco da árvore e puxei a dele para meu colo, ele deu um pequeno sorriso. Uma brisa fresca passou por nós e bagunçou seus longos cabelos castanhos, espalhando-os em seu rosto, fazendo com que uns fios entrassem em sua boca. Ri e os tirei.
— Obrigado.
— De nada. – sorri.
— Sabe Tenten... – fez uma pausa longa. – Eu acho que eu gosto de você.
— Acha? – perguntei rindo.
— Acho. – fechou os olhos e ruborizou um pouco.
— Hum... – abaixei a cabeça e dei um beijo em sua testa, coberta pela bandana. – Eu também gosto de você.
— De verdade?
— Por que eu mentiria?
— Para me deixar feliz?
— Não pensaria nisso.
O silêncio pairou no local, não tínhamos mais o que conversar. A incerteza de Neji quanto a seus sentimentos não era verdade, ele sabia que mesmo omitindo o que realmente sentia, eu saberia o que pretendia falar. Foi uma declaração bem repentina e informal, sem rodeio nenhum, mas não inesperada, já que alguns anos antes eu e o Hyuuga já tínhamos tido um caso, que, admito, fora bem infantil! Desde aquela época nos gostávamos, aquele sentimento era recíproco, sabíamos disso.
Ficamos quietos por mais meia hora, cochilei por uns dez minutos, com a cabeça encostada no tronco seco da árvore. Quando acordei, estava deitada no colo de Neji. Cocei os olhos, espreguicei-me e rolei a visão para o rosto dele, que também havia cochilado. Sentei-me novamente, bem ao lado do Hyuuga, quase colada, peguei em sua mão, ah, como ela era quente e macia. Mesmo sendo homem, ele se cuidava melhor que eu, era extremamente vaidoso, o que se podia julgar só de ver seus cabelos lindos e sedosos. Depois de mais cinco minutos observando-o, o acordei, o que felizmente não foi difícil.
— Vamos almoçar? – ele perguntou.
— Pode ser...
— O que vai querer?
— Soba! – respondi.
— Mas você nem gosta tanto assim de soba...
— Mas você gosta. – sorri.
— Quanto amor. – ele bagunçou meu cabelo e riu.
— Chato. – reclamei e retribui o gesto.
Almoçamos juntos e depois voltamos a treinar, ficamos o dia inteiro no campo de treinamento, já que era a única coisa que nos restava a fazer. Era bom estar com ele, apesar de ser muito chato. Eu simplesmente gostava de sua companhia, ainda mais depois de receber uma declaração, me sentia bem...
No fim da tarde Neji me levou até minha casa, onde eu morava sozinha. Despedimo-nos com um beijo na bochecha e um sorriso tímido de ambas as partes. Eu era uma das únicas pessoas que conhecia o lado doce e meigo do Hyuuga, senão a única, levando em conta que ele era extremamente reservado e fechado. Tomei banho, jantei, deitei e dormi...
E quando abri os olhos lá estava eu: de frente para o túmulo onde estavam as cinzas do rapaz que mais amei em toda a vida, ainda inconformada com tal situação, derramando alguns filetes de lágrimas. Lembro-me da última vez que pude tocá-lo, seus cabelos já não tinham brilho, estavam mal cuidados e ressecados, sem vida, suas mãos já não eram mais quentes, eram mais frias que seu coração de gelo, tão frias quanto o soba que eu insisti em comer em frente a seu túmulo. Sorri ao me lembrar de como era bom comer sua comida favorita em sua companhia... Era...
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