Por Detrás Dos Espelhos

2 Capítulo 1 - A primeira visão


Notas iniciais
Hey gente! O primeiro capitulo. Agora que a história começa. Espero que gostem, boa leitura >.

-Não, não, não Nem venha Suzana! Não pense que vai ganhar! Não vou nisso nem pagando – eu insistia negando o pedido de minha irmã mais nova.

-Charlotte! Por favor?! – Ela fez cara de “cachorro sem dono”, seus olhos azuis como o céu se multiplicaram por mil. Suzana estava especialmente linda nesse dia, seu primeiro dia num parque de diversões: uma jardineira jeans com rendas sobre uma blusa branca e sapatilhas azuis que haviam servido em nossa mãe, um dia. Ela pedia -com insistência para irmos no "Paraíso dos Espelhos", o pior brinquedo para mim. Não vou com a cara dos espelhos e eles tampouco com a minha.

-É Charlotte, vai lá! -debochou uma voz fanhosa em minhas costas.

-Cale a boca, Georgie! — Explodi, me virando para encarar Georgie.

-Quem não ajuda, não atrapalha! — Ralhou Suzzie, com sua vozinha fininha de apenas 8 anos de idade.

Georgie é nossa Barbie mais velha, quero dizer, irmã — vaidosa e fútil — mais velha. Ela tem 17 anos, infelizmente ainda é menor de idade então mais infelizmente ainda... Tem que morar conosco. Mas o seu sonho — o meu e de Suzzie também — é sair de casa. Ela está sendo obrigada pelo nosso pai a vir comigo e Suzzie a este parque de diversões para comemorar o 9º aniversário da minha pequena loira.Tiro uma mecha de cabelo castanho de cima do olho com um sopro encarando agora o "Paraíso" onde minha irmã queria ir... Ei, não é porque eu tenho 16 anos que eu não tenha medo de nada!

-Qual o problema mesmo, Char? -Georgie me chama com falsa preocupação.

-O problema é que você é mais velha, Gordia! -Suzzie me defendeu, usando um apelido muito feio que ela inventou quando ficou brava com Georgie ano passado, alias nós inventamos. Quase sorri com esse pensamento. Quase.

Gota d'água? Pode-se dizer que sim.

- Não, Geh! Problema nenhum! — Puxei Suzana pela mão e a conduzi a fila do tão falado brinquedo. Não sei quem ficou mais surpresa: Suzana, Georgie ou eu...

Na fila Suzana ficou tagarelando que eu “havia” mostrado a ela!

- Legal, Suzzie. Eu respondia de vez em quando, mas meus pensamentos estavam bem longe dali, quando chegamos ao parque eu vi uma barraca de instrumentos de criança — aquelas flautinhas, tambores e pianinhos eletrônicos que faziam um barulhinho estridente. E pensar que eu poderia estar bem longe daqui. Mas precisamente em Londres, que ficava a mais de um oceano de Nova York.

Sempre quis ser pianista, mas devido a morte brutal de mamãe... Digamos que eu fui obrigada a desistir. Nosso pai ficou mais ausente do que nunca. Minha irmã mais rebelde e insuportável. E Suzzie tramatizada,acho que ela nunca vai sorrir do mesmo jeito. Perdeu a mãe no dia do aniversário dela mesma, coube a mim — uma criança de 12 anos na época — cuidar de outra de 4 anos. Era como se nossa família tivesse perdido a "cola" que nos mantinha unidos.

Fim da fila. Nossa vez.

O.K. Charlotte, volte ao presente — me obriguei.

-Agora somos nos Char! — Suzzie estava muito animada. Tentei forçar um sorriso... Não sei se deu certo. Na hora que conduzi Suzana para a fila eu não pensei muito no assunto, agora prestes a entrar no brinquedo, meu estomago centrifugava. Quem dera estivesse apaixonada.

-Bilhetes... — Pediu a moça na porta. Suzana mostrou os nossos, enquanto eu encarava a entrada.

-Tudo bem, vamos lá! — Murmurei pegando a mão direita da menina loira ao meu lado, entrando com passos firmes na escuridão do brinquedo.

Numa palavra? Horrível!

O lugar era um labirinto, literalmente falando. Com diversas bifurcações e Suzana no êxtase que estava queria todos os espelhos o mais rápido possível. Numa divisão dessas a lâmpada estava totalmente apagada, de modo que não se via nenhum dos lados direito. Suzana correu. Eu gritei e ela sumiu por um dos lados.

-SUZANA VANLEGO SUMMERS! Aqui agora, mocinha! — Gritei para a escuridão. Ótimo, pensei, não consigo ir ao parque sem perder minha irmã. Continuei em frente. O melhor a fazer era sair dali. Lá fora eu me preocupava com Suzzie.

Mais de 7 espelhos depois, as coisas realmente ficaram assustadores. Primeiro um dos espelhos se iluminou, mas foi diferente como se a luz viesse de dentro não de fora. Quando eu cheguei perto, vi minha mãe.

É, aquela que morreu! Também foi meu primeiro pensamento.

Cleméntine Grey Vanlego Summers, exatamente do jeito que eu me lembrava antes dela sair de casa para ir ao centro comercial com as amigas, antes do assalto e da morte dela. Gritei, e olhei para trás já com os olhos cheios de lágrimas.Esperava vê-la atras de mim, com aquele sorriso no rosto e palavras do tipo: "Está tudo bem, mamãe está aqui". Nada. Comecei a estranhar. Voltei meu olhar para o espelho e ela sumira, fiquei muito nervosa e sai correndo meio cega pelas lágrimas e ofegante mesmo sem o esforço físico. Vi outro espelho brilhar na frente, me assustei. Não queria vê-la novamente. Acabei tropeçando e caindo, levando junto um espelho e para minha sorte estava no último corredor, quero dizer, cai para fora do brinquedo. No meio do parque.

Pelo menos fui atendida rapidamente, mas isso não me impediu de quebrar um tornozelo — graças ao peso do espelho.Quando os médicos me sedaram para poderem tirar o caco de espelho que ficou em minha perna, quase agradeci.

Me impediu de pensar.

Notas finais
O que acharam? Falem comigo! kkk
Até segunda :***