Por Detrás Dos Espelhos
3 Capítulo 2 - No Hospital
Notas iniciais
Enfiim! Boa leitura.
Acordei com o lado direito da minha cabeça pegando fogo, estava deitada numa cama com lençóis brancos, travesseiros brancos, cobertores brancos. Além da parede branca, do teto branco e dos aparelhos ao lado da minha cama, — o contraste do quarto — estes cinzas e pretos. Droga, hospital. Odeio esse tipo de lugar. Nunca voltei a entrei em um desde que mamãe morreu... Ótimo...! Minha mente tinha que conseguir voltar nesse assunto. Me sentei na cama e balancei a cabeça, numa vã tentativa de separar meus pensamentos. Não adiantou, vamos colocar prioridades.
Olhei para a mesinha de cabeceira e encontrei meu celular, um de meus livros favoritos — Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá, de Lewis Carroll (1871) — e um pacotinho de amendoim. Peguei meu celular e chequei o dia, 3 de setembro... Três dias depois do aniversário de Suzzie, falando nela... Apenas agora reparei numa poltrona branca no canto da sala onde me encontro, e encolhidinho numa manta de Toy Story estava Suzanna. Parece que minha irmã mais nova cuidou de mim. Durante 3 dias...
Não acredito! A verdade me atingiu como um choque elétrico.
-Perdi dois dias de aula teórica na escola! A senhora German vai-me matar! — Exclamei. Vai pensar justo nisso? Minha consciência me alertou. Suspirei, talvez eu estivesse tentando não pensar no que acontecerá no Paraíso dos Espelhos...Só talvez.
Depois de 4 anos para me recompor a morte dela nunca pensei que precisaria enfrentar meus medos desse jeito. Cleméntine foi uma heroína, nunca me permiti pensar muito nisso, mas devido as circunstâncias...Acho que posso-me dar ao luxo, sim.No aniversário de 38 anos dela, Cleméntine ficou conosco até a parte da tarde. Então saiu com as amigas. Numa tarde de mulheres. Fazia muito tempo que ela não saia com amigas assim, — por minha culpa e de Suzzie, eu imagino — se encontraram então no shopping. Depois de uma tarde agradável, fazendo compras, elas foram num restaurante tomar café e acabaram surpreendidas por uma gangue que rendeu os seguranças e colocou todos ali como reféns. Mamãe sempre foi uma guerreira, e uma diplomata nata.Incentivou os reféns a ficarem de pé e se oporem aos bandidos, como esses estavam muito ocupados se preocupando com a policia nem se deram ao trabalho de prestar muita atenção na loira, acabaram ela sem dó, nem pena.
E ontem, eu vi ela. Com a roupa do dia que ela saíra de casa. Ela! Sorrindo, como sempre. Viva! Foi demais para mim... Quando eu cai levei comigo três espelhos enormes, e um tornozelo quebrado. Além de ficar dentro de meu tornozelo, com 13 gramas de espelhos... Quase impossível.
Pensando nela agora, minha vontade é gritar, chorar e brigar. Reflexos instintivos e brutos que nunca colocarei em prática em minha vida. Mas esses bandidos que levaram mamãe deviam ser punidos...
-Ai, minha cabeça! — Reclamei em voz alta, toda essa discussão inteira mexia comigo.
-Falando sozinha? — Suzzie abriu os olhos sonolenta, e bocejando se sentou na poltrona para ficar me encarando. — Como você está?
-Ótima, -menti- não graças a você, sua fujona!
Suzzie baixou os olhos, parece que ela também já havia pensado nisso. Resolvi tirar um pouco da culpa dos ombros dela.
-Ei. -chamei- Tudo bem, caçula... Não foi sua culpa... — Não mesmo, pensei.
-Como não! — Ela me encarou com os olhos marejados e carregados de culpa. — Eu pensei que você ia morrer e tudo isso por que eu corri de você para brincar... — Ela desceu da poltrona e com a sua mantinha arrastando no chão sentou na minha cama e segurou minha mão.
-Suzzie... — Sorri com lagrimas nos olhos ainda. — Pode ser culpa de qualquer pessoa, menos sua.
-Tá bom... -fungou, enxugando uma lágrima solitária na bochecha.
Nesse momento uma enfermeira chegou pedindo licença na sala.
-Srta. Summers...? Está liberada...mas eu precisava de um adulto responsável para assinar sua liberação.
Suzzie e eu se entreolhamos e minha irmãzinha se segurou para não soltar uma risada fria.
-Acho meio dificil, conseguir falar com nosso estimado capitão. — Sorri fraco, me levantando na cama — Deixe na recepção, ou espere sentada.
Ela permitiu que eu sai-se mesmo assim, juntamos as nossas coisas e chamei o motorista. Odiava usar esse trunfo...mas — infelizmente para mim — nós somos ricos, suspirei.
Chegando em casa, Suzzie e eu não trocamos uma palavra... Fiquei imaginando um jeito de contar para ela o que realmente aconteceu... E se deveria contar o que realmente aconteceu. Deixei isso para o dia seguinte. E fui dormir. O ruim é que agora que estou em casa, estou também sem sedativos e consecutivamente com sonhos.
Notas finais
até segunda :**
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