Por Baixo Do Capuz
3 Capítulo 3: A garota que usava capuz - Parte 2
Ok, o primeiro passo era encontrar o garoto que tinha cometido os assassinatos, e impedi-lo. Mel estava fora de casa. A rua estava vazia, as manhãs naquela rua eram bem tranqüilas, com uma camisa pequena sem mangas, um short curto e chinelas. O cabelo longo e ruivo um pouco bagunçado como sempre, nas costas uma mochila com roupas e alguns documentos, a maioridade tinha sido alterado para a faixa de 16 anos em seu país, depois da crescente onda violência na juventude, decorrente desses últimos casos, houve discussões em mesas importantes e coisas assim e, mais tarde essa regra da área penal se instaurou na civil. Por isso Mel tinha permissão para viajar sozinha caso precisasse.
Lúcia tinha lhe explicado, Mel tinha ganhado um leque de habilidades.
“Ok, o primeiro pra testar” ela exclamou animada, se acocou e então saltou.
Com uma força incrível, e o impulso de uma bala de canhão ela levantou altura. Ela gritou. “nossa”, ela estava bem mais alto q a altura da casa, pôde ver todas as casinhas de telhados laranja, toda a organização dos imóveis do bairro, como em um mapa. E então começou a cair lentamente. Seus pés deram um impacto amortecido, quando ela pousou no chão.
“Tenho um bom campo de visão, e já fazem dois dias que o noticiário cobre seus atos, é muito provável que ele atue hoje também, talvez não vá ser tão difícil achá-lo”
Lucia apareceu ao seu lado.
“ações, um ser humano só pode provar quem é, através de suas ações. E é isso que ele está fazendo, destruindo tudo, no seu próprio desespero, deve ter uma maneira de saber quando alguém faz tanta algazarra.”
“Sim, a delegacia, posso ouvir as transmissões de rádio de um prédio vizinho”.
Lucia assentiu. No pulso de Mel algo frio pulsava além de adrenalina
Ela saltou e desapareceu no meio do céu.
No meio do caminho, Lúcia lhe contou toda a história. Ela era uma das pessoas que tinham tido “isso”, esse despertar de habilidades, acordar e poder compreender como resolver os problemas que a fizessem sofrer. não sabia o porquê, o objetivo, ou o sentido, desse acontecimento. Como se fosse um fenômeno natural, que simplesmente brotasse na mente das pessoas. A questão era que, diferentemente de Mel, ela era capaz de promover essa “mudança”, para outras pessoas, a seu bel prazer, quem ela quisesse. Não era algo fácil, o porquê de não ser fácil ela não explicou, talvez servisse como uma válvula de controle. Além disso, parecia que haviam outros “despertados” como ela, que também podiam transformar outros, uma espécie de primeira geração.
Sobre os casos de assassinatos, sim eram as pessoas que Lúcia tinha transformado, as que ela tinha tentado ajudar. O que Lúcia não sabia era que eles desenvolviam personalidades frias e psicopatas, e acabariam cometendo vários crimes atrozes. Ela só achava que promovia a mudança em suas vidas além de lhes dar poder. Era por esse motivo que precisava da ajuda de Mel, para Pará-las, algumas já tinham sido até pegas pela polícia, era essa última do noticiário que vinha dando mais problemas,
A imagem que Mel era capaz de ver de Lúcia, era um projeção mental, uma imagem que a garota em sua mente podia criar de um lugar bem longe em que seu corpo original estivesse, esse link mental só era possível, porque Lucia era a “mãe” da transformação de Mel, o garoto procurado por ambas, de alguma maneira tinha conseguido cortar esse laço by Text-Enhance\">psíquico. Através dessa ligação que as duas possuíam, elas podiam uma sentir os sentimentos da outra. Além do que, a mãe da transformação era capaz de acessar as memórias da transformada, mas não vice-versa. Por isso Mel entendia os sentimentos da garota em sua mente, mas não sabia nada sobre sua vida ou do porquê dela ter feito o que fez. Ela não achou que era hora para perguntar sobre seu passado.
No meio do voo enquanto pulava pelos prédios, o vento forte empurrando violentamente seu rosto, ela se lembrou. Estalou os dedos “minha camisa”. No fundo da consciência de Mel um pequeno ponto de interrogação apareceu em cima da cabeça de Lúcia.
“Não se preocupe vai ser rápido” Ela mudou o curso dos seus pulos-voôs.
Lá estava Mel enfrente a vitrine da loja, uma das mãos descansando no quadril. O manequim estava lá, com a blusa azul de capuz, posando de um jeito fashion, a cara séria, sem olhos. Ao seu redor muita movimentação, pessoas conversando em celulares, uma mulher vestida de jeito chique tirando o celular do ouvido e aproximando da boca, enquanto brigava com alguém do outro lado para enfatizar o quanto estava inconformada, o trânsito na avenida, estudantes andando, sorrindo e um mendigo na pracinha depois da avenida dormindo.
Mel socou o vidro com sua incrível força, a vitrine inteira da loja se quebrou, pedaços de vidros voaram para todos os lados, quicaram no chão, as pessoas fizeram uma algazarra , correram ,tentaram colocar as mãos em cima das cabeças pra se protegerem, e continuava chovendo estilhaços da vidraça da loja.
Mel colocou um pé no parapeito da loja, deu o impulso, e entrou. Se aproveitando da confusão dentro da loja de clientes e funcionários, ela foi em direção ao manequim, tirou sua própria camiseta, ficando apenas com seu sutiã branco cafona, e ali mesmo, retirou a camisa do boneco, e a vestiu. Ela desceu o capuz azul por cima dos olhos.
“Não se preocupe Lúcia, depois do que farei hoje, essa será a menor das minhas acusações”.
Já era noite, ele caminhava entre as pessoas, no meio do forte movimento do centro da cidade. Era alto, apesar de ter apenas 15 anos. Usava um boné pra disfarçar a identidade, apesar de já ser noite, o tempo não estava tão frio. Hoje ele iria aproveitar, ele parou no meio da multidão, as pessoas continuaram andando, absortas nos seus próprios pensamentos, com a noite, vinha a fadiga do trabalho. Uma mulher deu um pequeno grito, e continuou gritando, as mãos histéricas levantadas na altura do rosto, as pessoas ainda estavam muito concentradas em seus próprios pensamentos pra dar maior atenção ou surpresa, apenas olharam interrogativas, a Cabeça de alguém rolava no chão, ao lado de um filete de sangue, quando as pessoas que perceberam arregalaram os olhos pra entrar pânico, elas se desmancharam em uma nuvem de sangue, houve um momento de terror, enquanto os que não haviam sido atingidos, compreendessem.
E então começou a gritaria.
A polícia já tinha montado uma barricada no outro lado da rua, estavam atirando incessantemente na direção de um carro, atrás dele estava o garoto de boné. Ele estava agachado, parado, pensando no que ia fazer, ao seu redor, sangue e corpos. A cena mórbida não parecia incomodá-lo, nem o cheiro, nem o barulho dos tiros, seu semblante permanecia frio e calmo. “Duas viaturas, haverá mais um tempo antes que chegue mais reforços” ele as destruiria e teria mais um tempo sem ser incomodado, talvez fugisse. Ele pulou por cima do carro, um dos policiais o viu, quando levantou a mão para continuar atirando, sentiu um forte peso no lado da cabeça. A mão do garoto. Sua força entrou forte o suficiente em sua percepção, para que a sentisse ser arrancada. Um pequeno pensamento de sua mulher, antes que sua existência se tornasse escuridão. O garoto apontou a arma que tinha roubado do policial de uma maneira rápida demais para ser percebida, e atirou na cabeça do outro policial que estava atrás da primeira viatura, e no outro que estava atrás da segunda, e mais no outro que estava ao lado desse. O som do ultimo tiro ecoou no ambiente por alguns segundos silenciosos, a cápsula quicou no chão, fazendo um som metálico. Vendo que não havia nenhuma outra reação de algum policial escondido. Ele se virou pra fugir. “Rápido e limpo” ele falou pra si mesmo, e então ela entrou no seu campo de percepção.
Parada, há alguns metros dele, estava uma garota. Usava um short curto, chinelas, e uma camisa azul com capuz. Os olhos negros o fixavam.
“parado aí” Ela deu um pequeno sorriso de canto de boca, como se estivesse curtindo a o quão cômico parecia seu comentário heróico.
Ele não era burro, sabia que ela era perigosa.
“O que está fazendo aqui?”
“Vim colocar uns lobos maus pra dormir” Ela abriu um vasto sorriso, um brilho maligno despontou de seus olhos.
Ele enfiou a mão num dos carros da polícia que estava ao seu lado, o levantou como se seu peso estivesse sido exaurido e o lançou na direção da garota.
Fale com o autor