Por Acaso.

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Capítulo curto, por que é apenas o que aconteceu entre o anterior e o próximo... Vocês vão entender.

Obviamente eu não fui embora assim que Chris saiu, imaginando que ele tivesse voltado para o apartamento para arrumar suas coisas e ir embora. Fiquei lá mais algumas horas, bebendo pouco e ignorando algumas garotas que vinham me encher o saco. Sério, o que elas viam em mim? Bem, pelo menos eu continuei sem ver Tracy a noite toda. Já passava das três da madrugada quando eu saí da casa de Isabelle. Putz, eu havia esquecido completamente de que havia vindo com Chris, e não tinha como ir embora a pé. Revirei os olhos, passando a mão sobre o cabelo loiro.

– Precisa de uma carona? – uma garota perguntou, caminhando até mim. De onde ela havia surgido? Isso não importava muito agora, pelo menos ela estava decentemente vestida. Lhe dei o meu melhor sorriso e enfiei as mãos nos bolsos.

– Na verdade sim. Quer me dar uma carona?

– Claro, não vai fazer mal algum.

A garota sorriu, um tanto tímida. Ela foi caminhando até um Opala vermelho, sendo seguida por mim, e entrou no carro. Sentei-me no banco do passageiro e dei uma boa olhada na garota: ela estava de calça jeans e all star, uma camiseta simples e um coque no cabelo. O que uma garota dessas estava fazendo naquela merda de festa?

– Veio trazer alguém pra cá ou você é do tipo “as aparências enganam”? – perguntei, abrindo o vidro do carro para deixar o ar entrar. Ela ligou o carro e começou a andar.

– Meu irmão me pediu pra trazer ele e uns amigos. Eu vim buscar eles, mas não consegui achar nenhum dos cinco lá dentro... Aí tava dando uma volta pela rua pra ver se via alguém conhecido.

A garota não desviava o olhar da rua. Mais um ponto para ela.

– Hm, ele deve ser um idiota. Só idiotas frequentam esse tipo de festa. – dessa vez, ela me olhou antes de responder, as sobrancelhas arqueadas.

– Você estava nessa festa, idiota. Aliás, qual o seu nome?

– Sou Arthur.

– Ah. – ela pareceu meio desapontada por eu não ter perguntado seu nome, mas apenas continuou dirigindo por onde eu lhe indicava e chegamos a casa de Chris.

Antes de descer do carro, agradeci a garota desconhecida pela carona, me inclinando para lhe dar um suave beijo nos lábios, como um beijo de boa noite. Nesse momento, suas bochechas ficaram completamente coradas, e eu apenas sorrir.

– Talvez a gente se esbarre por aí, mocinha.

Não, eu não perguntei seu nome. Nem lhe dei tempo para responder, antes de sair em disparada para dentro da casa. Eu tinha a minha chave, então não foi problema nenhum entrar. Eu tinha razão: a casa parecia vazia e... Incompleta. Tudo que era ou tinha a ver com Chris tinha desaparecido, e eu comecei a sentir aquela estranha sensação de abandono. Agora que Chris havia ido embora, eu iria morar sozinho nesse lugar. Voltar para a casa do meu pai? Nem pensar, a não ser que eu esteja a fim de levar uma garrafa de whisky na cabeça quando chegar. Deitei-me no sofá, ligando a TV e não dando a mínima para o que estava passando. Por mais inacreditável que me parecesse, eu sentia falta de Chris já no primeiro dia sem ele. Talvez seja apenas por que eu sei que ele não vai voltar, e que eu perdi meu melhor amigo.

~

Já se passaram duas semanas desde que Chris foi embora, e estou começando a me acostumar. Hoje Thomas e Lucas (que nem devem saber que estou sozinho aqui) vão vir para “ensaiar”. Pelo menos foi o que eles disseram, pois o único motivo que eu tenho para vê-los é lhes dizer que eu vou sair da banda. Eu odeio os dois, por que vou continuar com essa merda? Eu estava vestindo uma camisa limpa quando ouvi alguém bater na porta violentamente, e já imaginava Lucas do outro lado dela. Abri-a.

– Oi, maldito. – sorri, vendo-o fazer cara feia.

– Sério cara, não quero saber de você. Chama logo o Chris e vamos ensaiar.

Lucas desceu para o porão, por onde certamente havia entrado. Nem me deu tempo de dizer tudo o que eu queria, então fui atrás dele. Thomas já estava ligando o microfone, assim como o baixo de Lucas.

– Christopher foi embora e eu estou saindo da banda. Agora podem sair da minha casa.

– Como é? – Thomas me olhou, curioso, e largou o microfone onde estava – Chris foi embora? Pra onde? Quando? Por que?

– Você faz muitas perguntas... Ele foi para a França, a avó dele está doente. E ele foi faz... Umas duas semanas, acho.

Lucas ficou me encarando por um tempinho, e depois simplesmente deu de ombros. Ele pegou o baixo e a sua bolsa, jogou-a nas costas e, diferente do que fazia habitualmente, pegou também o seu amplificador. Eu dei um sorriso, sempre quis ver aquilo acontecer – mas não por estes motivos. Thomas fez uma carinha triste, mas também começou a guardar as coisas que sempre deixava no porão. Lucas já estava na rua quando Thomas se virou para mim, perto da porta, e me lançou um sorriso.

– Foi legal tocar com você. Mas eu sempre preferi bateristas... Com mais peito. Se é que você me entende.

Eu sorri, indo na direção de Thomas para lhe dar um abraço de despedida. Ora, eu havia passado tanto tempo com aquele cara que era como se ele fosse um irmão mais velho chato e que eu só gosto em raras ocasiões, como essa. Voltei para cima e me joguei no sofá, pensando num passado que parecia tão distante. Na verdade, eu sentia muita falta de Chris. Ora, nós nos conhecíamos desde crianças, e ele sempre esteve do meu lado. Mas, depois do que aconteceu – e de tudo que ele me disse – naquela festa, eu meio que estava com medo de reencontrá-lo. Não queria magoar o garoto, mas de maneira alguma eu sentia por ele o mesmo que ele sentia por mim, e tive que aprender a lidar com isso.

Notas finais
♥~