Por Acaso.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Olá, futuros leitores. Sejam muito bem-vindos à minha linda história. Estou me apaixonando por ela à medida que escrevo e, sinceramente, espero que se apaixonem também. Boa leitura. ♥
Estávamos todos ali, sentados no espaçoso porão do Chris, apenas ensaiando mais uma das nossas músicas. Só mais uma tarde chata e repetitiva, como era sempre que eu estava com a banda. Éramos em quatro: Thomas, o vocalista, Lucas, o baixista, Christopher, guitarrista e eu, Arthur, o baterista. Provavelmente éramos apenas mais uma banda de garagem, mas eu sempre achei que fazíamos um som legal, apesar de desprezar a maior parte dos integrantes da banda – com exceção do Chris. Assim que a música acabou, cada um foi para um canto; Thomas e Lucas se sentaram em alguns caixotes de madeira, fumando e bebendo seja lá o que estivesse naquela garrafa de H2O. Eu continuei sentado atrás da minha bateria, enquanto Chris me ofereceu uma cerveja.
– Ei aí Arthur, o que aconteceu com a gostosinha da Maria? – Lucas me perguntou. Ah, Maria era uma garota que estava dando em cima de mim numa festa, noite passada.– Não faço ideia do que ela fez quando eu a dispensei. Provavelmente foi dar pra algum outro cara, tipo você.Certo, eu não tinha realmente um motivo, bem, fixo, para odiar Lucas. Odiá-lo por que ele é um galinha e pensa que só por que tem uma banda, um carro de luxo e não estuda ele pode ter tudo o que quer e ser o fodão? É, talvez isso seja motivo suficiente.– Cara, você é muito gay. MUITO gay mesmo! Como pôde dispensar aquela mulher? Quem dera eu tivesse uma dessas aos meus pés. – Lucas passou a língua sobre os lábios, levantando as sobrancelhas e me encarando. Eu apenas revirei os olhos, bebendo um gole da minha cerveja.– Se eu fosse gay, isso não teria nada a ver com você.Dei um pequeno sorriso, e outro gole na cerveja. Lucas já estava se levantando, as narinas infladas e aquela posição de “machão” que ele sempre adquiria quando queria bater em alguém, ou impressionar alguma garota. Antes que ele pudesse ao menos chegar perto de mim, Thomas o puxou pelo braço, fazendo-o perder o equilíbrio e cair sentado no chão. Thomas, como vocalista e líder da banda, sempre tinha certa autoridade sobre todos, até sobre mim.– Lucas, não começa com putaria. Vamos embora daqui antes que você apanhe. Todos nós sabemos que isso tudo é só fachada. – depois que Thomas disse isso, meu respeito por ele aumentou um pouquinho.Não tive muito tempo para me despedir dos dois, mas nem estava interessado nisso. Thomas pegou algumas garrafas de cerveja e vinho e jogou-as na mochila, arrastando Lucas e o baixo do garoto junto de si. Eu fiquei apenas observando, absorto em pensamentos. O que eu faria agora? Estava entediado. Christopher, que havia ficado em silêncio esse tempo todo, levantou-se do chão e se aproximou de mim, um sorriso divertido nos lábios. Como se lesse minha mente, falou:– Bem que a gente podia ir na festa da Isabelle. Sabe, vai ter muita bebida, música boa e mulher bonita. Tudo o que precisamos para nos divertir.Tudo bem, Chris pode parecer tão fútil quanto os outros caras da banda, mas garanto que ele é diferente. Nos conhecemos desde que estávamos na creche, e sei que por trás desse adolescente babaca existe um cara legal. Revirei os olhos para ele de propósito, me levantando e deixando a garrafa de cerveja pela metade num canto da garagem.– Se for de graça e durar a noite toda, de modo que eu não precise ir para casa ver a cara de merda do meu pai, eu até que vou com você.Dito e feito, segui Chris pelas escadas que davam à sua casa. Ele morava sozinho desde que os pais haviam morrido, o que certamente foi um período difícil. Agora ele já havia superado tudo e trabalhava meio período para se sustentar, além dos trocados que ganhávamos fazendo pequenos shows em bares (sim, eu dava a minha parte do dinheiro para ajudá-lo por aqui e, em troca, eu podia ficar o quanto quisesse na casa). Chris entrou no quarto e começou a pegar algumas roupas, toalha e shampoo.– Vou tomar um banho, vai dando um jeito nessa cara aí que só temos vinte minutos até a festa começar. – ele disse, indo para o banheiro.Assim que ouvi o barulhinho do chuveiro ligando, me levantei do sofá onde estava sentado. Peguei uma camiseta na minha gaveta do guarda-roupas e vesti, passando um pouco de um perfume qualquer que eu havia achado em cima da cômoda de Christopher. Escovei os dentes e molhei o cabelo, fazendo o possível para que ele não ficasse tão... Blackpower. Claro, meu cabelo nem se comparava à um blackpower (o que seria bem legal), mas as vezes meus fios lisos davam uma de rebeldes e eu ficava parecendo a JanisJoplin de cabelos curtos. Seja como for, terminei de me arrumar e fui para a cozinha, bebendo um pouco do vinho que achei na geladeira.– CaralhoArthur, você só sabe beber? – Chris se aproximou de mim e puxou a garrafa da minha mão, bebendo um gole. Dei um pequeno sorriso, me levantando. Ele cerrou um poucos os olhos, seu nariz parecendo “farejar” algo – Cara, estamos com o mesmo cheiro.Eu arqueei as sobrancelhas, farejando o ar também. Realmente, Chris havia passado o mesmo perfume verde que eu tinha pegado na sua cômoda. Dei um sorriso bobo e dei de ombros, como se pedisse desculpas pela intromissão.
– Não tenho culpa se você praticamente engoliu o perfume que eu trouxe. Ainda não entendo como acabou com ele em dois dias.– Ele era cheiroso e eu passava toda hora, qual é o grande dilema disso? – Christopher riu, pegando dois capacetes e a chave da sua moto. Nós íamos de moto? Eu odiava andar de moto, e Chris devia ter percebido a cara que eu fiz – Relaxa, eu vou devagar e prometo que a gente não vai morrer.Antes que eu pudesse responder, Chris já havia saído e descido as escadas que davam ao porão e depois à garagem. Ele subiu na moto em um salto e enfiou o capacete na cabeça, cobrindo totalmente os seus olhos coloridos. Soltei um suspiro, pegando o capacete que ele me estendia com a mão.– Não podemos ir, sei lá, a pé? Eu adoro andar e vai fazer bem pras minhas pernas. Exercício é bom de vez em quando... – claro, eu estava enrolando e Chris percebeu isso.– Arthur, nós só vamos de moto daqui até a outra esquina. Sobe logo nessa porra.Antes que o garoto descesse da moto e me desse um chute, eu fui até ela, relutante. Passei minha perna ao redor da moto e me acomodei no banco preto de couro, segurando na parte de trás dele para me equilibrar. Chris começou a andar, devagar, e eu agradeci mentalmente por isso. “Cedo demais” – pensei, quando ele começou a acelerar à uma velocidade inacreditável. Aquela moto era o xodó de Christopher, e aparentemente a velocidade também era uma de suas paixões.Depois de várias curvas meio loucas, mãos agarradas firmemente ao banco de couro e algumas velhinhas nos encarando com cara de indignação, finalmente chegamos à casa da tal Isabelle. Chris parou a moto na calçada e desceu dela, abandonando o capacete ali. Na minha vez de descer, senti as pernas meio bambas e a visão um tanto turva. Chris revirou os olhos e foi caminhando pelos jardins até chegar dentro da casa da garota. Eu nem liguei, precisava de um tempinho para “voltar ao normal”. Me sentei na calçada, encostando as costas no muro de pedra da casa da garota. Do outro lado da rua, vários carros estacionados, de diferentes tamanhos e cores. E de dentro de um desses carros, saiu uma garota que eu conheceria em qualquer lugar: Tracy. Era uma garota loira e extremamente alta, talvez fosse por causa dos saltos gigantes que ela usava. Vestia uma saia preta curtíssima e uma blusa cinza decotada, que fazia seus peitos parecerem ainda maiores. Contei até três mentalmente, me xingando por não ter entrado logo com Chris. Minha ex-namorada se aproximou, sentando-se no chão ao meu lado e me recebendo com um beijo, que eu fiz questão de não retribuir.– Ora, Art, você poderia ao menos me beijar! Eu sinto falta desses seus lábios macios... – Tracy novamente tentou se aproximar, mas eu a segurei pelos ombros e tentei empurrá-la devagar para trás, o que funcionou. Ela fez cara feia.– Tracy, nós terminamos, eu não quero mais nada com você. Você é tão burra a ponto de não entender isso?Sei que posso estar parecendo um tanto grosseiro por tratar uma ex-namorada, ou uma garota qualquer desse modo. Mas eu tenho meus motivos. Sabe, nós namoramos por dois meses apenas, e foi só por que ela era “legal”. Ela sempre ia aos meus shows e insistia em falar comigo no final de todos eles, e acabamos ficando juntos. Depois de dois meses com ela e de perceber que ela era só mais uma vadia interesseira, eu terminei. Que linda história de amor, não?– Art, você é mau. Sabe o que eu devo fazer? Vou te arrastar pra dentro daquela festa e te embebedar tanto que você vai querer se lembrar de como eu sou quando estou com você.Se na minha mente existisse um radar para “galinhas”, tenho certeza que ele apitaria agora. Eu me levantei e fui arrastado para a festa por Tracy, rezando para que a garota saísse logo de perto de mim. Assim que passamos pela porta, fui invadido por um forte cheiro de alcóol e suor, o que indicava que a festa já devia ter começado há algum tempo. Tracy me empurrou contra a parede e me deu mais um beijo, o qual eu não cedi e finalmente retribuí. Satisfeita, ela se afastou e disse que ia até o bar pegar bebidas pra gente. Aproveitando a minha deixa, fui até o outro lado do salão, onde estava mais barulhento e mais perto da pista de dança improvisada de Isabelle. Me sentei no único sofá preto que encontrei vazio e apoiei a cabeça para trás, fechando os olhos.– Não acredito que você dispensou mais uma garota Arthur. Você é realmente idiota. – abri meus olhos e vi Chris na minha frente, segurando um copo com uma bebida azul.– Como sabe que eu dispensei uma garota? – perguntei, curioso, pegando o copo da mão dele enquanto ele se sentava. Meu Deus, havíamos chegado há uns vinte minutos e Chris já estava fedendo à alcóol.– Você está cheio de batom vermelho... – ele passou o dedo indicador no meu lábio, e eu arqueei as sobrancelhas. Me virei e peguei um guardanapo, limpando o batom de Tracy.– Era Tracy, a vadia, que veio me encher o saco. Por sorte, conseguir achar um lugar vazio e...Olhei para Chris, ele já havia bebido todo o conteúdo do copo que segurava, e agora estava com o corpo inclinado na minha direção. Olhei-o com desgosto.– Quantas doses você já bebeu hoje?– Umas vinte, mas não mude de assunto. – VINTE?– Chris, eu nem estava falando sobre nada tão importante... Porra, você vai ficar bebendo até entrar em coma alcóolico?Soltei um longo suspiro quando Chris não respondeu, e bebi o que ele havia me trazido. Olhei de volta ao garoto, que agora estava praticamente em cima de mim, os olhos verde e azul brilhando. Algumas pessoas já nos encaravam, suspeitando de algo.– Arthur, me dá um beijo? – Chris pediu, inclinando-se ainda mais.– Ah, meu Deus. Você está bêbado e está dando em cima de mim! Tudo bem que você vive enchendo a cara, mas isso nunca aconteceu. Sai daqui! – eu o empurrei para longe com as mãos, tentando afastá-lo de mim. Mas que porcaria, o que tinha dado nesse cara? Seja o que for, tem que acabar logo.– Anda Arthur, é só um beijinho, não vai fazer mal.Agora Chris estava rindo, as bochechas e o nariz mais vermelhos que as luzes que giravam sobre a nossa cabeça. Eu revirei os olhos e o puxei pelo braço, o arrastando até um corredor sob os olhares curiosos dos outros adolescentes babacas que estavam na festa.– Ah, Christopher, eu ainda te mato.Chris não respondeu nada, apenas fez uma carinha de cão-sem-dono e continuou sendo arrastado por mim pelos corredores. Abri a primeira porta que encontrei, esperando ser a cozinha ou algum lugar onde houvesse comida para fazer aquele garoto comer quando... Aquilo era o quarto de Isabelle? Olhei ao redor, uma cama e guarda-roupas branco, penteadeira e todo esse tipo de frescura de quartos femininos. A decoração era toda em lilás e amarelo, mas o que mais me surpreendeu foi o pôster que estava na parede: era um cara pelado. Aquele de Vampire Diaries, Ian... Ian–Não-Sei-O-Que. Revirei os olhos, já quase fechando a porta quando Chris se abaixou no chão e começou a vomitar no carpete amarelo do quarto da garota.– Argh, seu nojento! – por mais relutante que estivesse, segurei os longos cabelos do Chris para que ele não o sujasse de vômito, o que aconteceria se ninguém segurasse.Ele devia ter passado uns dez minutos ali, vomitando o possível e o impossível, quando finalmente se levantou, com cara de enjoado. Cruzei os braços e o encarei.– Desculpa... – ele murmurou, e eu fui o seguindo até ele achar um banheiro. Chris escovou os dentes com a primeira escova que achou, e deve ter feito isso por outros dez minutos. Quando tinha certeza que não estava mais com cheiro de vômito, ele se virou para mim – Foi mal Arthur, acho que eu não posso te beijar agora.– Você já não podia me beijar antes.– Mas eu ao menos tinha uma chance antes de vomitar no seu pé, não tinha? – ele deu um sorriso fraco, inclinando a cabeça e fazendo os cabelos caírem sobre o ombro.– Não, você não tinha uma chance. Ainda está bêbado, né?– Estou...Oh, era um milagre Chris admitir que estava bêbado. Saí do banheiro e ele me seguiu, com a cabeça baixa. Parecia um tanto triste. Será que ele queria mesmo me beijar? Revirei os olhos para mim mesmo e essas ideias estúpidas. Chris podia ser ridiculamente idiota, mas não era gay e não tinha a mínima atração por mim. Ou seria apenas eu que não tinha a mínima atração por ele? Suspirei, enojado.– Arthur... – ele murmurou, atrás de mim. Agarrou a barra da minha camisa, parando de andar e me obrigando a parar também – Eu vou embora amanhã.
Encarei Christopher, perplexo. Ele iria embora? Para onde? É por isso que insistia por um beijo meu? Me Virei para encará-lo, e aquela expressão triste continuava no seu rosto.– Como assim você vai embora, e pra onde vai?– Você se lembra da minha avó, que fazia biscoitos de chocolate pra gente quando a gente era pirralho? Ela está muito doente. Na verdade, está à beira da morte, mas ninguém tem coragem de me falar isso, estão com pena. Eu vou ir pra França, pra cuidar dela. Ou pra ver ela morrer.Um silêncio horrível invadiu aquele corredor de paredes amareladas e portas brancas. Chris continuava com a cabeça baixa. Ele estava triste pois a avó estava morrendo. Eu me lembro pouco da Dona Dora, mas ela realmente era uma mulher legal.– Você está certo, ela precisa de alguém nesse... Momento da vida dela. – murmurei, não sabia mais o que falar.– Sim.Novamente aquele silêncio. Eu perderia o meu melhor amigo? Isso me deixou inesperadamente triste. Olhei para Chris, que estava com as mãos enfiadas nos bolsos. Assim que ele me viu encará-lo, seus olhos ganharam um brilho à mais. Ele começou a se aproximar de mim, enquanto eu dava poucos passos para trás até encostar na parede. Chris colocou as duas mãos na parede, ao meu lado, e ficou me encarando.– Vou sentir sua falta.– Também vou sentir sua falta. – respondi. “Certamente, vou sentir sua falta de outra maneira...”, completei mentalmente. Chris realmente estava... Apaixonado por mim?– É só um beijo. – ele murmurou, os olhos quase fechados.– Chris, eu não gosto de você. Por que te beijaria?– É só fingir que gosta. Eu passei esse tempo todo apaixonado por você, não posso ir embora sem um único beijo, nem que seja um beijo de mentira.Encarei Chris novamente, dessa vez ele estava muito perto. Comecei a sentir pena dele, estar apaixonado por alguém que não te ama deve ser uma merda. Passei a mão pelo cabelo, pensando no que deveria fazer a seguir. Como Chris disse, é só um beijo.– Ok... – murmurei, e o outro não perdeu tempo.Christopher se aproximou de mim, não apenas o rosto como estava antes, mas todo o seu corpo. Ele me prensou contra a parede, segurando o meu pescoço e meu queixo com as mãos fortes, de modo que eu não pudesse escapar. “Inferno...” – pensei, por que merda eu estava fazendo aquilo? Abri meus lábios lentamente, deixando Chris passar. Ele passou a língua por tudo que lhe era possível?: Minha língua, meus dentes, até as gengivas. Chris me beijava com uma intensidade e um desejo que eu nunca havia visto, nossas línguas praticamente dançando juntas. Se aquilo não fosse tão nojento, eu até estaria aproveitando a situação. Chris se afastou, os olhos marejados. Ele me deu um beijo na ponta do nariz, um em cada bochecha e um na testa, dando por último um leve beijo nos meus lábios.– Adeus, Arthur. – ele sussurrou, andando em direção à saída.E essa foi a última vez em que eu vi Christopher. Ou a última vez que eu pensei que o veria.
Notas finais
Obrigada por lerem, até o próximo capítulo. ♥
{OBS: Por enquanto, a história está na categoria Shounen-ai. Não sei se vai rolar um lemon, mas se quiserem comentem aí que eu dou um jeitinho. hehe~
{OBS: Por enquanto, a história está na categoria Shounen-ai. Não sei se vai rolar um lemon, mas se quiserem comentem aí que eu dou um jeitinho. hehe~
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