Popstar!
22 Capítulo 22: Trust.
Notas iniciais
Point of view: Selena.
A melhor surpresa que eu poderia receber estava parada a centímetros de mim, apertando minha mão como se pudesse quebrá-la. Demi parecia saber exatamente quem era Justin no primeiro momento em que se olharam, e eu nunca poderia imaginar que ela iria reagir tão mal por ele ter me beijado. Na verdade eu nem sequer entendi a reação violenta dela. A forma como eles se olhavam me deu até calafrios. Subi as escadas da minha casa até o meu quarto sendo seguida por Demi, que apertava minha mão de uma forma tão intensa que quando nós entramos no meu quarto ela avistou algo no meu quadro de fotos e pressionou mais os dedos na minha mão até que em certo momento eu senti meus ossos se moverem violentamente, seguido por um som estranho.
- Demi, você está quebrando minha mão. – exclamei com pesar ao saber que o pequeno contato seria quebrado –
- Eu só vim para ver se você está bem, então acho que vou embora.
Fiquei atônita enquanto Demi se movia pelo silencioso cômodo na direção da porta de saída. Num movimento rápido de pernas e braços consegui alcançá-la e segurei-a pela mão novamente, mas dessa vez comecei a arrastar a figura transtornada de Demi até a minha cama. Assim que a porta atrás de mim se fechou e ela constatou que estávamos realmente sozinhas pareceu relaxar.
- Eu acho que apertei sua mão um pouco forte demais porque estava com muito... Hm... frio. Tudo bem com ela?
- Realmente espero que sim. – observei o membro avermelhado enquanto sentia o sangue pulsar mais forte na região – Não esperava ver você hoje.
- Consegui uma folga com John. – ela deu um sorriso falso enquanto se sentava na beira da minha cama – Mas não posso ficar muito, não deveria nem ter entrado.
Fiquei em silencio observando a perfeição do rosto que agora me encarava. O cabelo de Demi estava um pouco mais escuro do que a última vez que nos vimos e sua pele estava ligeiramente mais branca. Seus olhos continuavam profundos e seu sorriso continuava intacto. Seu corpo parecia esculpido por deuses. Ela tinha coxas torneadas, apesar de eu ter a nítida impressão de que há um ano elas eram mais grossas, seu quadril terminava formando uma curva que era a cintura e logo acima os seios. Perfeitos, de dar inveja em qualquer mulher meramente humana. Demetria, literalmente, não poderia ser normal.
- Então já precisa ir? – conclui o pensamento depois da minha observação –
- Na verdade não. As gravações de Sunny estão bem adiantadas e eu não preciso gravar hoje. E também não tenho nenhuma entrevista nem nada, o que vem sendo bem raro nos últimos meses.
- É, eu sei. Andei vendo você pela TV.
- Você assiste todas as entrevistas? – cheguei mais para frente na cama me sentando ao lado dela –
- A grande maioria sim. Quando não consigo ouvir ou ver, procuro na internet depois. E assisto Sunny também.
- O que acha da minha atuação? – deu um sorriso fraco –
- Você é ótima, Demi. A Sunny é bem engraçada.
As mãos de Demi relaxaram apoiadas nas pernas da mesma e eu dei um salto quando vi as inúmeras cicatrizes no pequeno pedaço de pele abaixo da mão esquerda. Olhei alarmada para o rosto dela, que me encarava com uma expressão confusa.
- Demi, o que é isso? – aproximei-me novamente, alisando a pele castigada – Deus!
- Não... – num movimento rápido ela escondeu o pulso – Não quero que veja isso.
- Por que você faz isso? – balancei a cabeça negativamente –
- Eu tenho meus motivos.
- Não posso imaginar quais sejam. – forcei-a a me mostrar o pulso novamente – Quer falar sobre?
- De forma alguma.
- Você precisa parar com isso, Demi. – tampei todo o pulso dela com a palma da mão – Me disse uma vez que não está tentando se matar, mas está fazendo o que então?
- Selena, é difícil e... – fiquei em silêncio enquanto ela respirou fundo diversas vezes – Tenho mais problemas do que você imagina.
- Quem sabe se você dividir eu não posso ajudar. – tentei manter-me tranqüila apesar de estar engolindo o choro –
-Se eu te contar, você precisa prometer que não vai me odiar. Prometa?
- Eu não preciso prometer algo tão óbvio, Demi. – ela virou-se de lado na cama e sentamos uma de frente para a outra – Mas se fará com que se sinta melhor, eu prometo. Prometo não odiar, não me afastar, não interromper e não julgar.
- Certo. – o pomo de adão de Demi moveu-se na garganta indicando que ela havia engolido a seco – Eu não paro de engordar. Já procurei um médico e ele disse que não há nada errado com a minha saúde, mas cada dia que me olho no espelho eu me vejo mais gorda, meus seios estão enormes, Selena! Eu quase não como nada o dia inteiro e não estou vendo resultado, metade das coisas que eu como eu mesma faço questão de colocar para fora, e não adianta nada. – eu estava atônita – E eu não consigo controlar, cortar minha pele é só uma fuga para tudo isso. Eu me vejo em momentos como hoje, eu estava totalmente descontrolada, Selena. Bati em um garoto sem a menor necessidade, machuquei sua mão, e não foi só isso. No dia da minha festa eu estive fora de mim também e eu não ultrapassei somente os limites da bebida, eu me droguei. A minha cabeça está dando um nó. – ela escondeu o rosto entre as mãos, abafando o choro – Tem garotas o tempo todo dizendo que eu sou um exemplo para elas, e eu não quero isso. Eu me sinto na obrigação de ser perfeita, e eu não quero ser! Ninguém é!
- Ei, não chore. – estiquei-me na cama, puxando o rosto dela na direção do meu ombro – Nós vamos cuidar disso e vai ficar tudo bem, Demi.
Eu sabia o quão importante era para ela que eu me mantivesse forte naquele momento, afinal era o momento de fragilidade dela e não meu. Percebi que a pressão exercida pela mídia era algo totalmente prejudicial para ela, e no fundo sabia que a Disney era uma das principais culpadas por tudo aquilo. “Demi Lovato, um exemplo a ser seguido.” Quantas vezes havia escutado aquela frase e achado a coisa mais profunda do mundo. Ter a garota desabando no meu colo me fez enxergar tudo com outros olhos. Antes eu achava que Demi não tinha problemas e algumas vezes chegava a me chatear por ela passar um dia ou dois sem falar comigo, contudo acabei entendendo que no fundo ela precisava de ajuda muito mais do que eu de atenção. Ok, chocada era pouco para o meu estado, Demi se cortava, pelo que me disse tinha anorexia e bulimia, mas eu havia prometido não julgar e manteria aquela promessa até o fim.
- Psiu, Dems. – arrisquei chamá-la pelo apelido enquanto me afastava do abraço – Fique calma, certo?
- Tudo bem. – ela disse entre um soluço e outro –
- Vamos fazer algo legal. – limpei as lágrimas dela antes de levantar da cama e ir até meu closet, voltando com meu violão – Quer tocar um pouco?
- Quero.
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