Pop Star - Uma Estrela No Céu
37 Uma volta no passado.
Notas iniciais
Eu estava perdido, esta era a verdade!
Mal podia acreditar nas voltas que o mundo dava, há alguns meses eu era só um estudante de direito, e agora sou um astro.
Depois de tanto tempo esperando a oportunidade finalmente chegou, sou muito grato ao Rick por não ter desistido de mim. Mas isso não me tornava menos confuso agora.
Tive uma vida difícil, muito difícil . Passei anos tentando aceitar a mim mesmo.
Deve estar pensando que é fácil, mas experimente ser um judeu em uma escola onde a maioria das pessoas são católicas. O preconceito é muito grande, as crianças não sabiam respeitar, os professores só respeitavam para dar o exemplo, mas dava pra notar que não gostavam muito de mim.
Eu me esforçava muito, pra ser um bom aluno, pra não chorar na frente dos outros, pra não me humilhar pedindo que me aceitassem.
Foi uma infância muito difícil, parte da minha adolescência também não foi fácil, mas para extravasar comecei a me dedicar à vários instrumentos musicais, aprendi a tocar cada um, meus pais tinham orgulho disso, por eu dar um bom exemplo às minha irmãs mais novas, Clara e Clarisse, elas são gêmeas, dois anos mais novas que eu.
Sempre tive muito apoio de minha família, quando decidi que queria ser cantor não me faltou incentivo, e foi ai que conheci o Rick.
O Rick é um cara legal, ele quis investir em mim assim que me viu cantar, até cheguei a fazer algumas apresentações, porém, em uma delas, ouvi uma critica negativa sobre minha voz e meu timbre, eu me esforçara tanto pra chegar até e alguém estragou tudo com uma simples opinião, eu sei que não devia ter fraquejado por isto, mas eu era muito jovem, e queria agradar todo mundo. Aprendi da forma mais difícil que isso era impossível de se fazer.
Fiquei completamente bloqueado, não consegui mais cantar em publico, só continuei a tocar porque eu gostava. Mas Rick não desistiu de mim, ele me pediu para esperar, ele tentaria encontrar alguém para fazer dupla comigo, e eu não precisaria cantar, apenas tocar.
Poderia ter sido mais difícil, mas ainda bem que eu tinha a Lyah comigo. Lyah era minha namorada, eu era louco por ela.
Eu a conheci três anos antes na praia quando eu tinha catorze anos, eu estava de férias na Bahia com a minha família, fomos conhecer as praias de lá, eu estava me divertindo bastante, eu mergulhava e olhava os peixes e acabei me afastando um pouco das minhas irmãs, eu estava distraído tentando pegar uma concha no fundo quando de repente levei um chute na cara. Voltei pra cima desesperado por ar, e pra ver quem tentou deslocar minha cabeça.
Quando lutava pra tirar a água salgada dos olhos e tentava ver quem tinha me chutado vi uma pessoa na minha frente. Era a menina mais linda do mundo!
Era uma garota com longos cabelos cor de caramelo que estavam encharcados, ela me olhava com os grandes olhos verdes curiosos.
– Desculpe. – ela disse.
Eu queria perguntar por quê ela pedia desculpas, mas saiu algo como.
– Aar dãã!
Ela riu.
– Não chutei de propósito, desculpe. – ela disse rindo. – Acho que chutei seu cérebro.
– Ah, não, foi só a minha cara. Não estava doendo tanto, aceito suas desculpas. – consegui dizer.
– Ok. – disse ela.
– Ok. – repeti a encarando.
Ela era sem duvidas a garota mais linda do mundo.
– Meu nome é Lyah. – disse ela por fim.
E mergulhou, sumindo nas águas.
Lyah era um nome diferente, sem duvidas combinava com ela, pois nunca vi alguém igual.
Eu estava achando que nunca mais a veria na vida, mas o destino preparou outra surpresa para mim.
Eu estava na areia olhando as coisas em nossa mesa, meus pais tinham ido pedir o almoço, e minhas irmãs estavam na água, de repente senti alguém tocar meu ombro.
– Bu. – disse Lyah. – Olá, Aar dãã!
Revirei os olhos.
– Meu nome é Diego! – disse eu.
– Muito melhor que Aar dãã. – ela riu.
– Posso? — disse ela apontando para a cadeira.
– Sim. – respondi.
Ela tinha vestido um short jeans, os cabelos estavam secos e caiam-lhe os ombros, a pele estava dourada por causa do sol.
– Seu rosto ainda dói? — perguntou Lyah sentando- se na cadeira em frente a minha.
– Não não. Estou bem. – eu disse.
Eu a olhava impressionado, ela era realmente muito mais linda do que eu me lembrava.
– De onde você veio? — ela perguntou. – Não tem cara de baiano.
– Vim do sul. – respondi cautelosamente.
– Eu sou daqui mesmo. – disse ela, mas não tinha sotaque.
– Vai morar aqui?
– Não, só passando um tempinho, mas vou morar aqui no Nordeste.
– Meus pais vão se mudar para uma cidade no Nordeste, eles moram em São Paulo, eu moro aqui com a minha vó há uns dois anos, eles querem que eu vá também...
Ela não terminou a frase, decidi não tocar mais no assunto.
Meus pais voltaram trazendo o almoço.
– Olá.- meu pai cumprimentou Lyah.
– Oi. – disse minha mãe.
– Oi, eu sou Lyah. – disse ela com um sorriso encantador.
– Você é muito bonita, Lyah. – disse minha mãe.
– Obrigada, senhora. – disse Lyah timidamente.
– Quer almoçar conosco? — convidou meu pai.
– Minha vó deve estar me esperando. – disse Lyah.
– Tudo bem, mas sinta-se a vontade para ficar. – disse minha mãe.
Sorri de leve agradecendo.
– Almoça com a gente, Lyah, minhas irmãs vão gostar de te conhecer. – eu disse.
– Vocês podem me emprestar um celular pra eu avisar a minha vó? — ela disse.
– Claro. – disse minha mãe entregando um celular a ela.
A avó de Lyah deixou sem problemas.
– Você mora aqui perto? — perguntei.
– Sim, uns cinco minutos de caminhada.
– Você estava sozinha? — perguntou minha mãe.
– Minha avó me trouxe, eu gosto de apreciar o mar. – disse ela com um ar sonhador.
– Clara, Clarisse, venham almoçar. – gritou meu pai.
Minhas irmãs saíram correndo da água, elas tinham catorze anos e eram idênticas, apenas um olhar mais atento perceberia que Clarisse era um pouco mais sardenta, e Clara tinha um nariz mais afinado. Os longos cabelos loiros molhavam tudo ao redor, os olhos castanhos estavam irritados por causa da água salgada.
– Olá, papi. – disse Clara.
– Queremos comeeeer. – brincou Clarisse.
Só então notaram a presença de Lyah.
– Olá. – disseram as duas ao mesmo tempo.
– Oi. – disse Lyah encantada. – Vocês são iguais!
– Não somos. – disseram as duas.
Demos risadinhas, era uma piada interna da família.
– Elas são Clara e Clarisse, meninas, esta é a Lyah. – eu disse.
– Oi, Lyah. – disse Clarisse.
– Adorei seu cabelo. – disse Clara.
Lyah sorriu.
Meu pai começou a servir o almoço. Enquanto almoçávamos, contamos à Lyah como era nossa antiga cidade, minhas irmãs contaram a ela sobre seus quartos, e os salões de beleza. Minha mãe perguntava sobre pratos típicos da Bahia, meu pai perguntava de lugares legais, e eu só a observava encantado.
Depois de almoçarmos meu pai pediu uma sobremesa recomendada por Lyah, mas não tinha naquele momento, então nos contentamos com sorvete.
– Minha avó sabe fazer. – disse ela se referindo à sobremesa. – A daqui é boa, mas a da minha vó é a melhor. Ela adoraria receber vocês! Ela ama cozinhar.
– Tem certeza de que não haveria problemas? — perguntei.
– Tenho que falar com ela antes, mas ela adora se gabar de suas comidas. Ela vai adorar lhes receber.
– Bom, mas é melhor você nos ligar amanhã, se sua avó concordar viremos, ok? — disse meu pai.
– Ok. – disse Lyah.
Minha mãe entregou um cartão a ela, com os números de telefone dela e do meu pai.
– Hoje a noite eu ligo pra vocês. – garantiu Lyah.
Alguns minutos depois nos despedimos dela e voltamos para o hotel, mas não consegui esquecer seus olhos, eram os mais lindos do mundo.
A noite, Lyah ligou para minha mãe, disse que minha vó tinha nos convidado para almoçar, ela faria muitos pratos típicos da Bahia, e a sobremesa que queríamos, minha mãe disse que não precisava se incomodar tanto, mas Lyah disse que sua avó fazia questão de retribuir a gentileza que fizemos a neta dela.
No dia seguinte, minha mãe decidiu que queria levar alguma lembrancinha para a avó de Lyah, ela achou que seria grosseria chegar lá com as mãos abanando quando ela se ofereceu para fazer um almoço para nós.
No caminho passamos numa floricultura, e minha mãe comprou um grande vaso com uma planta muito bonita, grande e robusta.
Minha mãe ficou bastante satisfeita, e fomos à casa da Lyah.
Batemos na porta. Lyah abriu, ela estava com um vestido sem alças azul claro, usava um colar com uma pedra dourada, os cabelos estavam presos em uma trança que caia por um de seus ombros.
– Boa tarde. Podem entrar. – disse Lyah.
Entramos, a casa era pequena, mas muito aconchegante, Lyah nos conduziu até a cozinha, onde se encontrava sua avó. Era uma senhora de rosto simpático, tinha rugas nos cantos dos olhos, usava um vestido longo, e um avental por cima, uma bandana cobria seus cabelos, ela estava perto do fogão com uma colher de pau na mão.
Ela abraçou a todos nós, e nos apresentamos.
– Fiz questão de fazer uma comida pra vocês. – disse dona Joana. – Vocês foram gentis com minha neta.
– Muito obrigada, dona Joana. – disse minha mãe . – Eu lhe trouxe isto.
Ela ergueu o grande vaso.
– Ahh. – disse dona Joana. – É muito linda, muito obrigada, minha querida. Eu adoro plantas, venham ver meu quintal, é cheio de plantas.
Dona Joana nos mostrou brevemente o quintal, e pediu que nos sentássemos à mesa, pois ela iria servir o almoço.
Havia feijoada, bobó de camarão, carne de sol acebolada, com um arroz bem temperado.
Já estávamos cheios, mas ela insistiu que para comermos a sobremesa que nós tanto queríamos, comi, e não me arrependi, estava um sonho. Era uma boa mistura de bolo, sorvetes de frutas, frutas, e caldas. Era servido gelado.
Depois disso fomos para a sala de estar. Dona Joana nos contou historias locais, algumas lendas urbanas. Lyah convidou Clara e Clarisse para verem seu quarto, fiquei com inveja por não ter sido convidado, mas não deixei aparentar.
Quando elas voltaram, dona Joana estava falando sobre sua filha, a mãe de Lyah, que trabalhava em outro pais com o marido, os dois eram dono de uma empresa de carros, e há uns dois anos Lyah precisou vir morar com ela, pois a vida da mãe era muito corrida.
– Lyah é uma boa menina. – disse dona Joana. – Trabalhadora, sempre me ajuda, é uma guerreira igual a mãe.
Ela fez carinho no cabelo de Lyah e a olhou triste.
– Mas agora a mãe quer que ela vá morar com ela. Vão voltar pro Brasil e vão morar em Alagoas.
– O que?? — perguntei.
Lyah se assustou.
– Eu te disse ontem, Diego. – disse Lyah. – que meus pais queriam que eu fosse morar com eles.
– Ele não está impressionado com isto, querida. – disse minha mãe. – É que nós vamos morar em Alagoas também.
Lyah assentiu, com os olhos arregalados.
– Que boa noticia! – disse dona Joana. – É pertinho. Qualquer dia podem vir me visitar.
– Viremos, sim dona Joana. – disse meu pai.
Eu estava chocado! Havia a possibilidade de Lyah morar na mesma cidade que eu.
Mas a sua avó a criara desde pequena, e agora já estava idosa.
Será que Lyah iria abandonar a vó e ir morar com os pais? Será que eu teria a chance de morar na mesma cidade que ela? Eu quis muito perguntar, mas não consegui.
Eu precisava esperar para ver.
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